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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Paranoico, eu?

Por mero acaso recebi uma mensagem de um amigo atentando para o fato que o Sr. Jorge Ferraz, que administra o blog "Deus lo Vult!" citou meu post como "exemplo de mau comentário". Eis o que diz o blogueiro:

O terceiro [exemplo de mau comentário], por fim, Visitação Apostólica à diocese de Ciudad del Este [linkando para este blog], traz até uma informação relevante – o fato de que haverá uma Visitação Apostólica a Ciudad del Este; mas se perde em elucubrações e devaneios que raiam às teorias da conspiração. O único dado concreto e objetivo do qual dispomos é o de que, no final deste mês, haverá um Visitador Apostólico no Paraguai. Ponto. Daí a afirmar que isso seja porque, no atual pontificado, «[t]udo o que é tradicional deve ser neutralizado» é no mínimo paranóico.

Em primeiro lugar, eu não postei nada no blog do Sr Jorge Ferraz, como ele afirma no início da sua postagem. Se alguém o fez, fez por conta própria. Eu não leio o Deus lo Vult! nem comento em suas postagens, mas acredito que o site tenha seus méritos e faz bem para quem o lê. Há na internet, afinal, essa liberdade de escolha.

Em segundo lugar - e isso acho importante deixar registrado porque parece que muita gente não entende - este não é um blog jornalístico, muito menos imparcial. Este blog expõe as minhas opiniões e impressões, tal como o "Deus lo Vult!", creio eu, não fala pela igreja e expõe apenas as opiniões do seu respectivo autor.

Talvez - e só talvez - o sr Jorge Ferraz possa explicar a toda a blogosfera católica, nacional e internacional, que assiste aturdida a uma verdadeira avalanche de más notícias, o que, na sua opinião é claro, significam os gestos que viemos até o momento?

Ainda existem, vejam só, aquelas pessoas que gozam de uma visão polianesca das coisas. Sentem o cheiro de queimado, sentem o calor, mas se recusam a admitir o incêndio. Não sejamos paranoicos!

O sr Jorge Ferraz tem todo o direito de "me achar paranoico". Eu não acredito que sofro dessa patologia. Mas talvez seja o mau de todo paranoico se achar um pouco são. Talvez a verdadeira paranoia seja acreditar que tudo está bem... Vai saber.

Não gosto muito do "argumentum ad hominem", prefiro expor minhas considerações - somente minhas - sobre acontecimentos. E o leitor é livre, claro!, para concordar ou discordar. Se discorda, peço que comente, pois todo comentário construtivo é bem vindo. Eu não sou um blogueiro tiranete que lhe diz, caro leitor, o que é ou não um bom comentário ou como deve ser ou não o seu comentário. Me reservo, é claro, o direito de não publicar comentários de baixo calão.

Acontece que parece que não sou o único afetado pela "paranoia" ou agraciado com a habilidade de fazer "maus comentários". Vários blogueiros com muito mais experiência do que eu também sofrem do mesmo problema. Ah! Seus paranoicos!

Até o momento, entretanto, as minhas paranoias só foram confirmadas. Eu vejo que há um problema claro nas intervenções, por exemplo, nos Franciscanos da Imaculada e na Diocese de Ciudad del Este. Ou alguém acha normal duas comunidades, coloquemos dessa forma, com vocações abundantes e ortodoxia serem alvo de visitas, investigações, intervenções e tudo mais?

Em terceiro lugar, novamente afirmo que não faço críticas com sorriso nos lábios. Não! Eu sei o quanto é duro escrever sobre os graves problemas que a Igreja vem passando, sobretudo quando esses problemas vem de cima, se é que o leitor me entende. Não é prazeroso, não é bom. Mas se escrever sobre isso é ruim, manter o silêncio ou fingir que nada acontece é ainda pior.

Talvez eu precise ser mais otimista, quem sabe? Nunca deixei de acreditar na vitória da Igreja e ironicamente é o Papa Francisco que me dá mais fé nessa vitória.

Como disse, eu não leio o "Deus lo Vult!", mas não o considero um blog ruim ou um exemplo de "mau" qualquer coisa, nem acho que seu autor tenha algum tipo de patologia mental. Respeito as opiniões do sr Jorge Ferraz, embora não concorde com elas (sobretudo quando o assunto sou eu ou o que escrevo...).

Prefiro encerrar desta forma. O sr Jorge Ferraz é mais objetivo, vendo apenas o texto. Eu, por outro lado, sou mais subjetivo, prefiro ver o contexto. São duas abordagens diferentes para quem busca a Verdade e acredito que nós dois - o Sr Jorge Ferraz e eu - queremos encontrá-la.

sábado, 5 de julho de 2014

A Corrida Presidencial

Neste mês de julho os candidatos aos diversos cargos em disputa no pleito de outubro começam a mover suas peças. Alianças e traições já foram definidas em todos os estados, com uma imensa onda de desobediência ao princípio da verticalidade partidária.

Os candidatos à presidência da república já estão em campanha aberta. A presidente Dilma, candidata à reeleição, está em campanha desde 2013, mas amarga sucessivos desgastes políticos, misturados a muita incompetência no trato com a máquina pública e um crescimento inexpressivo - ou mesmo vergonhoso - da economia. Dilma amarga quedas sucessivas nas pesquisas de intenção de votos.

A principal missão é, sem dúvida, tirar Dilma e o PT do poder. E para conseguirmos esse objetivo fundamental para o futuro do país é preciso ser inteligente. A única alternativa viável contra o PT é o PSDB. Sim, é um discurso polarizado, mas inevitável na atual situação.

O PSDB não é um partido dos sonhos e não encarna no seu espírito os valores morais cristãos-católicos que todos nós sonhamos. Entretanto, o estado das coisas é tão lastimável no país que precisamos escolher o mal menor, que é o PSDB.

O PT e seus congêneres (PSTU, PSOL, PSB, PCdoB, PCB, PCO, Rede etc) são favoráveis ao aborto, ao gayzismo, à cubanização do Brasil e do restante da América Latina. Só isso já é mais do que o suficiente para nos deixar com a coluna em riste contra o partido. Mais do que isso, o PT & cia. tem um projeto de poder do qual não abre mão e faz de tudo - lícito ou ilícito - para a perpetuação desse projeto.

Este ano, diferente da eleição anterior, temos um cenário mais diversificado. No pleito anterior existia sim a polarização PSDB e PT, mas que contou com um agente desestabilizante chamado Marina Silva, que conseguiu uma votação expressiva no primeiro turno. O fator Marina foi muito importante para a vitória de Dilma por dois motivos. O primeiro, e mais objetivo, foi a incapacidade do candidato do PSDB, na época José Serra, em angariar votos entre os marineiros. O segundo, que em parte justifica o primeiro, foi a proximidade ideológica entre Marina e o PT. Na verdade os votos de Mariana foram "guardados" durante a campanha e direcionados para Dilma, porque o público e as propostas das duas eram muito parecidas. A Marina do PV serviu como um cavalo de Troia na campanha do PSDB que ficou confuso e sem saber em quem atirar. E numa guerra não se desperdiça munição.

Esse papel desestabilizador, hoje, cabe ao candidato do PSB Eduardo Campos. Tanto é verdade que ele escolheu Mariana como vice. Campos repete a mesmíssima estratégia de Marina, ou seja, propor-se como uma via alternativa ao cenário político polarizado, representando um "novo verdadeiro" e purificado das mazelas políticas brasileiras. Se tudo ocorrer como o planejado, Dilma usará o seu enorme tempo na TV para propor pactos e novos PACs, enquanto caberá a Eduardo Campos atacar Aécio Neves; uma estratégia sanduíche que visa esmagar o senador mineiro. O segundo turno, como tudo indica, será entre Dilma e Aécio, com Campos e Marina voltando ao curral petista e declarando seu apoio filial a presidentA.

Entretanto há um problema inesperado com a estratégia. O cenário político não é o mesmo e está muito pior para o PT. Sem contar que os votos de Marina, da eleição passada, não migraram e prometem não migrar para Eduardo Campos. Marina já não é mais aquela novidade que entusiasmava adolescentes em primeira eleição ou universitários chapados. Marina não é mais cult ou pop, está mais para um rococó confuso.

E, para piorar para o PT, os candidatos nanicos estão com uma qualidade muito superior ao do pleito anterior. Dois nomes estão ganhando destaque - Pastor Everaldo e Denise Abreu.

Pastor Everaldo conta com 4% das intenções de voto, confirmados por várias pesquisas. É um percentual grande quando comparamos com Eduardo Campos, que já foi governador de estado e tem Marina como vice, que tem entre 10% e 4%, dependendo da pesquisa. Como reconheceu o jornalista Reinaldo Azevedo, Pastor Everaldo fala coisa com coisa e tem coragem para defender posições consideradas de direita, o que para a política brasileira, toda pautada por uma agenda socialista, seria quase um suicídio. Questionado já em Abril pelo site UOL, Pastor Everaldo destaca suas bandeiras (grifos meus):

Vamos defender valores da família, da vida do ser humano desde a sua concepção, como consta na Constituição brasileira. Do ponto de vista econômico, somos liberais. Temos um projeto que busca a economia livre, com empreendedorismo, desenvolvimento econômico, mobilidade urbana, meio ambiente sustentável, educação e saúde livre e descentralizada, esportes e culturas independentes, liberdade civil e política. Nós achamos que a segurança pública é uma das mais áreas de maior apreensão do cidadão brasileiro e, nesse ponto, temos uma legislação penal confusa, com excesso de recursos. Vamos investir na segurança pública, dando atenção especial às Forças Armadas, que foram sucateadas por esse governo. Para nós, uma governança ativa requer descentralização e municipalização, com respeito ao direito da propriedade privada. Enquanto esse governo é estatizante, nós somos privatizantes. Tudo que for possível tirar da mão do Estado e passar para a iniciativa privada, para que os recursos possam ir para a saúde, educação e segurança publica, nós vamos fazer.

O discurso do Pastor é afinado com a vontade da maioria dos brasileiros, que é conservadora e de direita, mas que não tem em quem votar. Pelo menos não tinha. Marcar constantes 4% nas pesquisas, sem ser conhecido e defendendo valores abominados por muitos partidos, donos de jornais, empreiteiros e onguistas é um feito e tanto. Junte-se a isso o fato de ser "pastor".

Pastor Everaldo estará no debate de presidenciáveis da rede Globo e possivelmente de outros canais. Ele é o primeiro representante da maioria muda do país e, se conduzir a sua candidatura na linha apresentada acima, pode não vencer, mas participará do renascimento da direita no país. Neste pleito Pastor Everaldo é muito mais importante, para o futuro do país, que Marina Silva e sua homeopática política alternativa.

Temos também Denise Abreu que, sem fundos milionários ou apoio de empreiteiros e banqueiros, vem na mesma linha do Pastor Everaldo, embora com menos visibilidade. Denise Abreu tem um canal no Youtube onde tece críticas inteligentes ao PT e recebe convidados de calibre intelectual, como o prof. Olavo de Carvalho, com regularidade. Denise Abreu tem carisma, inteligência e demonstra não só um conhecimento da máquina de destruir reputações do PT, da qual ela mesma é vítima, mas tem uma vontade de mudar e construir um Brasil através do esforço dos próprios brasileiros e não através de assistencialismo escravizante.

Mas nós precisamos ser realistas. O único nome, hoje, capaz de apresentar alguma dificuldade para o PT é Aécio Neves do PSDB, e mesmo assim não será fácil. O brasileiro, como já dito, é conservador e por isso mesmo pode até flertar com a novidade, mas deseja um candidato com um pouco mais de bagagem política. Everaldo e Denise são candidatos que certamente estarão fortalecidos para pleitos futuros, para cargos majoritários ou não.

O voto do católico conservador deve ir para Aécio. "Ah! Mas eu sou católico tradicional e não posso votar num partido de esquerda", dizem as mentes afetadas e que afirmam que votarão em branco pela ausência de um candidato ligado ao catolicismo tradicional. O que esperam? Algum padre da FSSPX concorrendo à presidência? Interessante que a recusa desses católicos - que certamente formam uma parcela insignificante do eleitorado nacional - só fortalece a esquerda comunista. O PSDB é uma social democracia, mas nem de longe apresenta a sanha controladora, esquerdopata do PT e congêneres. Dentro das fileiras do PSDB existe um amplo espectro ideológico que vai desde um leve socialismo até a direita-conservadora-liberal, algo inexistente nas entranhas do PT ou PSB-Rede.  Prova dessa diversidade é o que disse em recente entrevista o senador Aloysio Nunes, vice na chapa de Aécio:

VEJA - O senhor é contrário à criminalização do aborto e do usuário de drogas e a favor da rediscussão da maioridade penal. Esses temas são recorrentes nas campanhas políticas. Como acredita que se dará esse debate nestas eleições? 
SENADOR - Não temos uma unidade política em relação a muitos desses temas. Em muitos países, questões como essas foram decididas por plebiscito porque são temas que dividem verticalmente o sistema político. É uma questão mais de valores fundamentais do que um tema de cunho partidário e não creio que isso deva ser objeto de campanha. Em relação a drogas, o que deve ser discutido é a maneira de tratar o usuário e a forma mais eficiente de se combater o tráfico. O importante é como diminuir a demanda por drogas a partir de campanhas educativas, de mostrar que droga é uma droga e como tratar a pessoa que é vítima dessa doença. No caso do aborto, respeito as objeções morais, religiosas e até constitucionais, mas há um fato humano que precisa ser levado em conta. A mulher que decide interromper a gravidez já passa por um sofrimento muito grande e acho que seria cruel, desumano e ineficaz submetê-la a mais um castigo, o castigo da lei penal. O Aécio tem uma posição diferente da minha. Esses temas são mesmo uma questão pessoal.


Dilma sempre soube que um plebiscito sobre o aborto seria fatal para a causa abortista e por isso tenta impor desde cima a ideologia da morte, com uma discussão fictícia com a sociedade. Aécio, como toda a cúpula do PSDB, tem um medo absurdo e inexplicável de tocar em temas ligados ao universo pró-vida. Já afirmou que não vai interferir na legislação existente, que despenaliza o aborto no caso de estupro ou risco de vida para a mãe.

O PSDB não sabe lidar com o tema aborto na campanha com tranquilidade. Isso é uma falha grave e remete ao erro histórico de José Serra na campanha contra Dilma em 2010, quando o candidato tucano forçou com sucesso a agenda pró-vida contra Dilma até que o PT virou o jogo com uma confissão que a própria mulher de Serra já havia feito um aborto. Qualquer marqueteiro com meio neurônio saberia reverter a situação a favor de Serra, mas o PSDB entrou numa defensiva injustificável e facilitou o ataque petista em vários outros flancos.

Concluindo

Votar no PSDB, hoje, é dar uma chance para que no futuro um candidato conservador ou liberal possa existir. E convenhamos, é pouco provável que um eventual governo de Aécio ataque os valores cristãos de forma mais agressiva do que o governo do PT vem atacando.

Este blog e este blogueiro que vos escreve declara seu apoio ao candidato do PSDB. Não o faço por acreditar que Aécio é o candidato ideal, mas porque acredito que é o candidato que pode nos apresentar um futuro mais livre.

Em outubro não decidiremos apenas quem será o próximo presidente, mas se o Brasil vai ou não se tornar uma ditadura bolivariana, afundada na incompetência pública, na violência e no caos generalizado.

Dessa forma, escolher um pouco de esperança é melhor do que nenhuma esperança.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Muitos padres para poucos, poucos padres para muitos. O insucesso das dioceses brasileiras.

Três diáconos da FSSP sendo ordenados ao sacerdócio
junho/2014
Chegamos ao final do mês de junho, um mês que dentro do calendário católico é marcado tradicionalmente por ordenações. Chegamos ao final do mês e minha diocese não terá o que comemorar, pois o número de novos padres é zero.

Minha diocese é um espelho daquela diocese típica do Brasil. Conta com mais de 1 milhão de pessoas, sendo aproximadamente 600 mil católicos. São 15 cidades, 66 paróquias e quase-paróquias e apenas 60 padres diocesanos, alguns deles já aposentados. Se não fosse pelo clero religioso, com 49 padres de 11 congregações/institutos, muitas paróquias estariam sem padres.

O grande número de padres religiosos se deve ao passado recente da diocese que, imediatamente depois do Concílio Vaticano II, viu seu seminário diocesano vazio. Não estou falando de uma diminuição de vocações, mas de uma verdadeira extinção em massa de seminaristas por aqui, que durou praticamente 10 anos. Dois ou três seminaristas, na década de 70, foram enviados à São Paulo para o período formativo. E retornaram para a diocese como bastiões da Teologia da Libertação, diga-se de passagem.

A década perdida na igreja diocesana é um sintoma do fracasso da teologia liberal e que nos marca até hoje. Queria poder dizer que essa página já foi virada e superada na nossa história, mas ela ainda persiste.

Ordenados na FSSPX (EUA)
Meu bispo diocesano goza de 9 anos à frente da diocese. Nesses nove anos ele ordenou 8 padres e um dos neo-sacerdotes abandonou o sacerdócio para se casar antes do primeiro aniversário de ordenação. Em termos numéricos, naquela função primordial que é própria do bispo diocesano, que é dar à comunidade de fiéis pastores, meu bispo fracassa, a diocese fracassa categoricamente.

Corremos o risco de outra década perdida em termos vocacionais. O seminário diocesano conta, hoje, com cinco seminaristas na etapa inicial (propedêutico), doze cursando filosofia e nove cursando teologia. Temos três seminários funcionando e consumindo recursos para apenas 26 seminaristas, sendo que a maioria nem será ordenada. Este ano, como em 2008 ou 2011, não teremos novos sacerdotes.

Meu bispo é contrário a tudo - absolutamente tudo - que cheira a tradição. Missa tradicional? Nem pensar! Inclusive ameaça padres que  manifestam alguma vontade em celebrá-la, ainda que remotamente. Sem dúvida é uma pena que, como bispo, se comporte de forma tão intolerante, porque se desse espaço para a Tradição tenho certeza que seus três seminários poderiam estar em situação muito diferente da atual.

Mons. Schneider com mais sacerdotes ordenados para a FSSP

Enquanto 600 mil católicos não conseguem ter pelo menos um neo-sacerdote por ano, muitas comunidades tradicionais mostram o seu vigor com inúmeras vocações. Os números até o momento:

Fraternidade São Pedro - 10 sacerdotes
Fraternidade São Pio X - 20 sacerdotes
Cônegos de São João Câncio - 3 sacerdotes (biritualistas)
Cônegos do Instituto Cristo Rei - 5 sacerdotes (número ainda não oficialmente confirmado, a ordenação se dará em agosto)

Com as ordenações deste ano a Fraternidade de São Pio X atinge +600 sacerdotes, a Fraternidade São Pedro chega a 420. Certamente todas as comunidades listadas acima não atendem a um universo de 600 mil almas. Seu apostolado é muito mais restrito, porém é espiritualmente eficiente.

Ordenação em Econe (Suíça)
Meu bispo, como vários outros bispos brasileiros, não percebe ou não quer perceber que o caminho trilhado até agora é infrutífero. Sobretudo o orgulho é a grande trave nos olhos de muitos mitrados.

Minha diocese vem enfrentando um processo de secularização intenso, com conselhos de leigos comandando a vida paroquial e tomando, com a devida anuência episcopal, diversas funções reservadas aos ordenados. Tudo por aqui se resolve com planos e conselhos, de forma burocrática. Não por acaso a eficiência da diocese é semelhante a de uma repartição pública.

O ápice da secularização foi, em 2008, um processo de revisão "ampla" orientado por um leigo contratado ($) especialmente para prestar consultoria. O resultado da revisão foi festejado pelo bispo na forma de mais um plano de pastoral (o 6º!) que diz praticamente a mesma coisa que os outros cinco planos anteriores. O 6º Plano de Pastoral é alardeado como a maior conquista deste episcopado, sendo considerado uma verdadeira panaceia para todos os males pastorais que essa igreja particular enfrenta.

Neo-sacerdotes da FSSP, ordenados em Roma
por Mons. Guido Pozzo
Por outro lado, os membros das Fraternidades de São Pedro e São Pio X não parecem apostar na burocracia, nos planos pastorais, como ponto de partida. Jesus não disse "Ide e fazei Planos Pastorais", mas pediu que seus apóstolos fizessem discípulos. É na missão, na conversão pessoal que as comunidades tradicionais focam seu apostolado e conseguem tantos frutos espirituais, apesar do seu tamanho e da perseguição dentro da própria igreja. Seguir o Evangelho é o melhor plano pastoral possível e somente uma diocese esvaziada da sua essência cristã pode focar tanto em papel, conselhos, comissões, etc.


Experiências também nas dioceses 

A abertura à tradição não acontece exclusivamente no ambiente religioso das fraternidades ou institutos. Algumas dioceses, com bispos realmente comprometidos com a causa da fé, também realizam experiências bem sucedidas nesse campo. Tomemos, por exemplo, Ciudad del Este, que só este mês recebeu mais de uma dezena de novos seminaristas. Há ainda o seminário de Guadalajara, o maior do mundo, com mais de 1200 seminaristas. As duas casas de formação apostaram na abertura generosa à tradição católica e agora colhem os frutos. Já escrevemos sobre elas aqui.

Novos seminaristas de Ciudad del Este. O reitor do seminário ao centro
depois de rezar a missa tradicional e dar a tonsura aos novos seminaristas
Várias dioceses perceberam que a Tradição não deve ser evitada ou ridicularizada. Na França, por exemplo, onde a crise vocacional nas dioceses é imensa e onde o movimento tradicional tem a sua maior força, alguns bispos abriram as portas dos seminários ao rito tradicional. Em Lião o cardeal Barbarin já permite que os seus seminaristas aprendam a rezar a missa antiga. A diocese de Fréjus-Toulon abriga o maior seminário da França em números totais de seminaristas e desde a posse de Dom Dominque Rey como bispo se permite que os seminaristas aprendam o rito antigo e, ainda mais, escolham a forma da ordenação - no rito moderno ou tradicional. Inclusive Dom Rey fundou uma sociedade sacerdotal (Missionários da Divina Misericórdia) voltada para o rito antigo.

Dom Dominque Rey, bispo de Fréjus-Toulon, com dois
novos sacerdotes ordenados no rito tradicional (maio/2014)
Quem não tem cão, caça com gato

Devido a ausência de vocações, minha diocese decidiu, talvez guiada pelo espírito do 6º Plano de Pastoral, dar atenção aos diáconos permanentes. Não sou um crítico do diaconato permanente e acredito que a Igreja deva ter diáconos não-transitórios em suas fileiras, mas há um grave problema quando colocamos os diáconos permanentes (casados) como um paliativo para a falência da atividade vocacional. Por aqui são 56, dentre os quais 26 foram ordenados nos últimos 9 anos. Corremos o risco de nos tornarmos uma diocese parecida com "San Cristóbal de Las Casas", no México, que já foi assunto neste blog.

Nos próximos 10 anos o clero diocesano atingirá aquela faixa de idade crítica, onde mais da metade dos padres terá chegado aos 60 anos ou mais. Se as ordenações continuarem acontecendo no ritmo atual - e acredito que elas tendem a cair ainda mais - teremos problemas ainda mais sérios. O número crescente de denominações protestantes já é notado por aqui há muito tempo, com bairros de periferia com mais de 8 "igrejas" neo-pentecostais abertas e com um número cada vez maior de pastores. Não por acaso temos um dos mais baixos índices de católicos apurados pelo IBGE no último censo, abaixo da média brasileira que já é preocupante.

A resposta para esses problemas não virá com um 7º Plano de Pastoral, nem com a construção de mais um seminário, mas de uma verdadeira conversão do alto. Precisamos que o bispo perceba o caminho danoso que vem trilhando junto com os milhares de conselheiros, administradores, consultores, etc. ou que Deus nos mande um outro bispo.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Calote argentino, padres da libertação e a incapacidade da esquerda arcar com as consequências dos seus atos



A Argentina ao que parece dará o calote novamente. Nesta semana o ministro da economia do país,  Axel Kicillof, anunciou que não pagará uma parcela da dívida, a mesma que foi renegociada durante o último calote argentino nos primórdios de 2001.
Trago um trecho do G1:


O novo imbróglio argentino remonta ao início desde século. Em 2001, em meio a uma grave crise econômica e política, a Argentina anunciou um calote em sua dívida pública, que era de cerca de US$ 100 bilhões.
Quatro anos depois, no governo Nestor Kirchner, o país tentou recuperar a credibilidade oferecendo a quem tinha sido prejudicado pelo calote pagamentos com descontos acima de 70%. Mais de 90% dos credores aceitaram a proposta e vêm recebendo esses pagamentos em parcelas (a dívida reestruturada). Os que não aceitaram, no entanto, recorreram a tribunais internacionais.
Em 2012, um dos casos, movido por fundos especulativos, recebeu uma decisão favorável da Justiça dos Estados Unidos, que determinou que a Argentina deveria pagar US$ 1,33 bilhão aos fundos. O governo argentino recorreu, e o caso chegou à Suprema Corte dos EUA, que decidiu manter a condenação, derrubando uma medida cautelar que suspendia os efeitos da determinação judicial anterior.
"A suspensão do 'stay' (medida cautelar) por parte da justiça impossibilita o pagamento em Nova York da próxima parcela da dívida reestruturada [as parcelas pagas aos credores que aceitaram o desconto] e revela a ausência de vontade de negociação em condições distintas às obtidas na sentença ditada pelo juiz Griesa", disse o ministério da Economia argentino.
A nota lamentou a decisão que ordena a execução da sentença do juiz Thomas Griesa, que deliberou a favor dos fundos especulativos, conhecidos como "Abutres", na Argentina.
O comunicado reafirma "a disposição da Argentina de pagar os credores da dívida reestruturada, aos quais sempre tem oferecido as mesmas condições, de acordo com a lei do país".
Na audiência de quarta-feira, advogados da Argentina comunicaram à Corte que uma delegação viajará a Nova York na próxima semana para tentar negociar com os fundos. "Estamos preparados para sentar (em negociação) com eles", afirmou Robert Cohen, que representa a NML.
A presidente argentina, Cristina Kirchner, disse na segunda-feira que seu país não voltará a declarar moratória, mas ressaltou, contudo, que a Argentina "não será submetida à  biextorsão".

O resumo da ópera é o seguinte. Depois de anos de políticas irresponsáveis, populistas e descompromissadas com a boa gestão do patrimônio público, o governo argentino decreta moratória. Depois dessa grave crise, que nos afetou em 2001 e de certa forma impulsionou a vitória de Lula em 2002, o governo consegue o milagre de renegociar a dívida com 90% dos seus credores. A parcela de 10% que se recusou a renegociar e protelar o recebimento dos pagamentos exige que o país de Messi pague o que deve nos termos contratados; eles estão agindo dentro da esfera de competência que rege um contrato entre duas partes. O governo argentino, entretanto, não reconhece esse direito.

Os 13 anos que nos separam da moratória de 2001 não foram bons para a Argentina. O país não conseguiu alçar voo e se descolar das suas políticas heterodoxas, do seu peronismo, da visão nacionalista estreita. O país viu greves, desabastecimento, crises institucionais, crises fronteiriças com Brasil e Uruguai, e respondeu da única forma que sabe - culpando os outros.

Embora a presidente argentina deixe claro que não haverá calote, é mais claro ainda que seu partido e seu ministro para a economia já articulam junto a opinião pública uma revolta contra os credores. De vítimas do calote, os credores passaram a ser os algozes do país, os "capitalistas imperialistas", os "abutres americanos" que vivem da especulação e são responsáveis por toda a crise do país. No melhor espírito de "a culpa é deles!" já se vê nas ruas de Buenos Aires cartazes contra os "abutres".

Os especialistas em economia da Argentina:
Padres da Opção pelos Pobres
Agora é a vez dos "padres da opção pelos pobres" saírem das suas respectivas catacumbas bolorentas e se unirem ao coro dos caloteiros. Num comunicado dirigido ao povo argentino os padres marxistas afirmam que os credores "quieren también nuestra soberanía; y como cristianos y argentinos no podemos aceptarlo"! Já estou vendo esses padres bradando a frase com os punhos cerrados para o céu - "no podemos aceptarlo!".

A análise feita pelos padres é tão precisa quanto a sua ortodoxia:

"O problema de fundo é que o sistema capitalista liberal - que premia os especuladores e condena os trabalhadores - instala uma legalidade imoral levada a fundo pelos especialistas da usura"

Sim, a culpa é do capitalismo. Um discurso bem digno da década de 30 do século passado. Peço aos padres que me apontem um único país capitalista pobre, só um. Em contrapartida a pobreza parece ser um produto exclusivo das ditaduras de esquerda e das tiranias.

Os padres não entenderam que não foi o capitalismo liberal o grande problema da Argentina, mas o peronismo e o populismo, se for possível separar um termo do outro. João Fábio Bertonha (Doutor em História (Unicamp) e docente na Universidade Estadual de Maringá) já em 2002, portanto isento da argumentação apaixonada de hoje, afirmou:

A decadência argentina não pode realmente deixar de impressionar quem a estuda. Do país mais rico e desenvolvido da América Latina, de um dos pólos de desenvolvimento do mundo até 1930, pelo menos, a Argentina caminha a passos largos para se tornar apenas mais um dos pobres países da América Latina. Um argentino morto por volta de 1945 que ressuscitasse provavelmente não entenderia o que vê: do país rico e orgulhoso que tinha a coragem de bater de frente com os Estados Unidos e disputava a liderança continental com o Brasil, o que resta? Uma nação em crise, com índices sociais ainda melhores do que os nossos, mas declinantes, que tentou desesperadamente se jogar aos pés do tio Sam e cuja força econômica e política regrediu enquanto a brasileira cresceu. Um outro mundo surgiu no sul da América em meros cinqüenta anos e qualquer um que tente jogar toda a culpa disso em Menen ou no neoliberalismo dos anos 90 estaria dando excessivo crédito a eles. Um país tão rico e desenvolvido não pode ser destruído tão facilmente. Os motivos vêm de um passado mais longínquo. 

O resultado histórico de inúmeras políticas atrapalhadas, cálculos mal feitos e a incapacidade do governo argentino se abrir para o mundo e para os investimentos estrangeiros encontra no governo Kirchner o seu ápice.

Continuam os padres de passeata argentinos:
"este pecado que clama aos céus sabendo que fará sofrer nosso povo, em especial os pobres, e a tantos outros que veem em nosso país um espelho do seu futuro".

Os padres estão mesmo desconectados da realidade. O que fará sofrer os pobres argentinos - de todas as classes - e a irresponsabilidade do governo que muitos desses padres de passeata ajudaram a eleger. O calote da dívida, como querem os padres, conduzirá a já capenga economia argentina ao buraco pela segunda vez e possivelmente a última. É pouco provável que o país consiga uma nova renegociação se decretar uma nova moratória; investidores estrangeiros já voaram do país que já deu provas que não goza de segurança jurídica para acomodar investimentos.

Em 2012 o governo, liderado pelo mesmo Kicillof, expropriou a petroleira YPF numa demonstração estúpida e inconsequente de poder juvenil.  Os empresários espanhóis da YPF foram ameaçados de prisão se não deixassem o país, com eles se foi também parte da pouca credibilidade do país e hoje a Argentina colhe os frutos dessa e de outras atitudes anti-investimentos.

Por fim. o governo argentino é bolivariano, ligado ao Foro de São Paulo e tem relações importantes com o PT. Uma crise na Argentina não favorece a reeleição de Dilma e é possível que o governo petista aporte recursos bilionários no país vizinho, como fez em Cuba e na Venezuela, sem qualquer garantia de retorno.

A Argentina é um dos nossos principais parceiros comerciais e a crise agravada na vizinha pode afetar ainda mais a nossa balança comercial, sem contar que grandes investidores, já desconfiados com os rumos da economia brasileira, tendem a ver os países como um conjunto e o Brasil escolheu se alinhar com países de pouca ou nenhuma tradição de simpatia ao empresariado global (Venezuela, Cuba, Uruguai e Argentina).

Em 2001 a crise Argentina ajudou o PT a se eleger. Em 2014 ela poderá derrubar o PT. Ou pelo menos dar um empurrãozinho.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Já dizia Margaret Thatcher, "O Socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros".

Um café e a conta: o milionário boêmio que bancou Prestes.

(Alexandre Borges | blog Reaçonaria) Lendo a ultra-esquerdista e cada vez mais governista Piauí, revista criada e dirigida pelo herdeiro de um dos maiores bancos do país e irmão do cineasta que fez uma hagiografia de Che Guevara, lembrei de Celestino Paraventi (foto), uma figura que muitos brasileiros deveriam conhecer.

Paraventi foi um milionário de origem italiana que herdou do pai a primeira torrefação de café do estado de São Paulo. Cantor lírico, boêmio, era amigo pessoal de Luís Carlos Prestes e Olga Benário, que chegaram a ser levados por seu motorista num Lincoln do ano até a casa de campo dele, na margem da Represa Guarapiranga, para curtirem uma lua-de-mel. História mais comunista, impossível.

Celestino Paraventi Pelas contas bancárias das empresas de Celestino Paraventi no exterior o governo Stálin mandava dinheiro para os comunistas brasileiros sem deixar rastros, já que a movimentação financeira era tão alta que não despertava suspeitas do governo. Paraventi bancava não só muitos comunistas brasileiros como suas famílias e até suas publicações.

Além dos recursos do Komintern, Paraventi usava as empresas da família para despejar ainda mais dinheiro nas contas dos comunistas. Muitas publicações de esquerda eram bancadas por ele, que direcionava a publicidade do Café Paraventi para elas, como “O Homem do Povo”, de Oswald de Andrade. Diziam que não havia um único jornal de esquerda sem anúncios do Café Paraventi.

O dinheiro soviético vinha para Prestes e seus revolucionários para que pudessem dar um golpe comunista no Brasil, o que foi tentado em 1935 como vocês sabem. Paraventi tinha uma admiração quase religiosa por Prestes, a ponto de tentar vender o patrimônio da família para entregar a ele em nome da revolução comunista, o que fez com que seus parentes tentassem interná-lo num hospício. Quando suas ligações com Prestes foram descobertas pelo governo Vargas, chegou a ser preso.

Conde e Baronesa, a verdadeira elite branca
 que manda no Brasil.
Paraventi lembra também a trajetória de Eduardo Matarazzo Suplicy, bisneto do homem mais rico da história do Brasil, o Conde Matarazzo, que teve sua fortuna avaliada em 10% do PIB brasileiro em um determinado momento. Eduardo casou com Marta Teresa Smith de Vasconcellos, bisneta do Barão de Vasconcellos, outra herdeira brasileira cuja família tinha até um castelo na região serrana no Rio. Os irmãos Ana Lucia de Mattos Barretto Villela e Alfredo Egydio Arruda Villela Filho, da família que é a maior acionista individual do grupo que controla o Banco Itaú, são os criadores daquele instituto Alana, que detesta o “consumismo” e quer decidir que tipo de propaganda seus filhos podem assistir.

Conhecer essas figuras é fundamental para acabar com o mito de que ricos são necessariamente “capitalistas” e “de direita”, quando muitos deles, especialmente os herdeiros que não construíram o patrimônio da família, estão entre os maiores financiadores da esquerda desde Karl Marx, que passou a vida sendo bancado pelo herdeiro alemão Friedrich Engels.

Um dia deveríamos criar o Prêmio Celestino Paraventi para o herdeiro colaboracionista do ano. Quem sabe a Piauí não se interessa pela pauta?

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Blogonicus nas redes sociais

Alguns leitores já haviam me pedido para incluir o blog nas redes sociais, sobretudo no facebook. Confesso que não sou um daqueles fãs das redes sociais, mas para facilitar a vida do leitor, que deseja encontrar tudo em um só lugar, criei a página oficial do Blogonicus no Facebook e também uma conta no Twitter.

Nas duas redes sociais poderemos nos encontrar e espero que assim possamos aumentar a interação no blog, além dos comentários já fornecidos pelo próprio blog. É uma possibilidade!

Se o público for crescendo - e espero que cresça! - vamos seguindo nesse projeto interativo e quem sabe faço até alguns sorteios e promoções para quem for fã ou seguidor!!!
Espero que você, leitor recorrente destas linhas, possa nos curtir e nos seguir nas redes sociais!!! Não deixe de divulgar para os amigos!

facebook.com/blogonicus@blogonicus

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Uma reflexão. Os dois pesos da Misericórdia de Bergoglio

É pouco provável que alguém se lembre de Fernando María Bargalló.
O bispo dos pobres e sua "amiga"
Em 1997 a diocese argentina de Morón é desmembrada e 35 paróquias são reagrupadas na nova Diocese de Merlo-Moreno. A nova diocese é sufragânea da arquidiocese de Buenos Aires. Mons. Bargalló, então bispo auxiliar de Morón é apontado como primeiro bispo diocesano de Merlo-Moreno, cargo que ocupou até 2012.

Bargalló foi considerado um dos bispos mais envolvidos em questões sociais da Argentina e ainda como sacerdote em Buenos Aires, Mons. Bargalló foi responsável pelo setor regional da Cáritas. Em 2005, sucedendo ao Mons. Casaretto (bispo de San Isidro), torna-se presidente da Cáritas Argentina, em 2007 é eleito presidente da Cáritas Latino-América.

Bargalló e Casaretto são bispos arraigados em questões sociais e, por isso mesmo, foram na época importantes aliados do cardeal Bergoglio dentro da Conferência Episcopal. Mons. Bargalló foi um dos bispos que mais acompanhou as ações e tarefas das organizações católicas identificadas com a "opção pelos pobres".

Casaretto e Bergoglio
na missa por Bargalló
Em 2012, entretanto, Mons. Bargalló tem sua carreira interrompida. Fotos e vídeos do bispo, acompanhado por uma misteriosa mulher, são divulgados na imprensa argentina e internacional. O bispo presidente da Cáritas hospedava-se num hotel de luxo no México, com diárias que podem chegar à R$ 1300,00. A origem do dinheiro para as diárias, possivelmente oriundo da própria Cáritas, nunca foi investigada.

As vésperas da comemoração de 15 anos da diocese de Merlo-Moreno, Mons. Bargalló é afastado das funções de bispo e colocado "em silêncio". O desaparecimento de Mons. Bargalló da vida pública resultou no efeito desejado, as notícias nos jornais e TV cessaram e a vida na Conferência Episcopal pode continuar como antes. Nenhuma investigação sobre a origem do dinheiro foi feita e Mons. Casaretto foi nomeado administrador diocesano de Merlo-Moreno.

A missa de aniversário da diocese foi celebrada pelo cardeal arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, e pelo administrador Mons. Casaretto. Os dois bispos fizeram questão de elogiar o trabalho de Bargalló e de insinuar perseguição política contra o bispo. "Trabalhou para os pobres e isso lhe valeu a perseguição. Trabalhou também pelos anciãos e para escutar às crianças. Hoje temos uma Igreja unida, humanitária e missionária e viemos dar graças por esses 15 anos de caminhada comum" afirmou Bergoglio na missa comemorativa. Abaixo um trecho da missa com as palavras "carinhosas" do bispo Casaretto sobre seu protegido. Coloquem o vídeo na posição 6:00.


A predileção de Bergoglio por Bargalló era tamanha que o bispo de Merlo-Moreno figurava entre os candidatos a sucedê-lo como Arcebispo de Buenos Aires. Em junho de 2012, entretanto, Bargalló admite o envolvimento amoroso com a mulher das fotos, sendo ela uma mulher divorciada e mãe de dois meninos. Mons. Bargalló casou esta senhora, batizou seus filhos e foi padrinho de um deles, do que se deduz que o relacionamento adúltero de ambos era antigo. É finalmente afastado permanentemente pela Santa Sé.

***
Hoje trouxemos a notícia que o Papa Francisco removeu o arcebispo de Rosário através de uma nomeação para o Vaticano. Mons. Mollaghan se tornará chefe de um departamento interno da Congregação para Doutrina da Fé para análise dos crimes graves dos sacerdotes (pedofilia). O novo departamento não tem nome, não tem endereço nem funcionários, nem mesmo foi criado oficialmente, mas já tem um presidente!
A promoção foi claramente uma punição de Francisco à Mollaghan.

Como noticiamos antes, Mollaghan fazia parte do trio que pretendia remover Bergoglio da Arquidiocese de Buenos Aires. Os motivos são compreensíveis, sobretudo pela heterodoxia do então arcebispo. A situação em Buenos Aires é lamentável em todos os sentidos, sobretudo no campo vocacional. Clique e releia um texto que publicamos em 2012 sobre o desgosto do cardeal Bergoglio com o seminário ortodoxo de Mons. Rogelio Livieris, bispo de Ciudad del Este no Paraguai.

Mas por que Mollaghan foi removido? Em 2013 é elevado ao trono de Pedro o então cardeal arcebispo de Buenos Aires e muitos blogs que acompanham a vida religiosa nos países de língua espanhola, sobretudo do Secretum Meu Mihi, antecipavam o ataque de Bergoglio a todos aqueles que não rezavam de acordo com a sua cartilha. Mollaghan foi um deles. A arquidiocese de Rosário foi colocada sob vigilância da Congregação para os Bispos desde 2013. Que coincidência cabalística...

Em novembro e dezembro de 2013 a Congregação despacha Mons. José María Arancibia, arcebispo emérito de Mendoza, para uma "visita fraterna".

"O arcebispo emérito de Mendoza veio à Rosário enviado pela Nunciatura depois que algumas pessoas enviaram por algum motivo uma série de queixas. E a Santa Sé prefere ver as coisas como são de fato", afirmou Mons. Mollaghan.
Estão acusando o arcebispo de Rosário de má gestão financeira e de, pasmem, grosseria!

Antes de entrarmos em detalhes sobre as acusações, é importante destacarmos uma coisa. Surpreende a rapidez da Congregação dos Bispos para apurar uma denúncia feita por "algumas pessoas". Me pergunto quantas reclamações não chegaram a Roma contra o então arcebispo de Buenos Aires, mas nenhuma delas se converteu ou ameaçou se converter numa visita fraterna.

Teria o arcebispo de Rosário usado dinheiro diocesano para, talvez, prevaricar no México com uma mulher casada? Não. Usou os fundos de caridade para construir um novo palácio episcopal exuberante? Não.

Segundo informa o La Nacion:

"Na visita fraterna que realizou o arcebispo de Mendoza, que invetigou em 1994 a Edgardo Storni, ex-arcebispo de Santa Fé processado por abuso sexual de seminaristas, a auditoria se centra em certa desordem das contas da arquidiocese.
O ponto de conflito é protagonizado pelo ex-titular da Cáritas Osvaldo Bufarini. Este sacerdote estava a frente da Radio Asunción, que está localizada em Arroyo Seco e pertence ao arcebispado de Rosário. Bufarini foi removido pelo próprio Mollaghan quando começaram a surgir algumas acusações - que logo provocaram processos dentro da justiça provincial - sobre supostas irregularidades no trato com os fundos.
'Foi uma época muito difícil porque a radio ficou a deriva até que fosse nomeado como diretor o padre Pedro Pergañeda. Tinhámos salários atrasados e nunca nos pagavam o que era devido' contou ao LA NACION um ex-empregado da emissora.
O Padre Pergañeda, que agora está a frente desse meio de comunicação, explicou que a 'ideia é começar a acomodar algumas questões, sobretudo às finanças da rádio. Um dos principais objetivos é solucionar os problemas mais urgentes, principalmente as dívidas salariais com os empregados e o aluguel'.
Estão me fazendo crer que problemas financeiros numa rádio diocesana - provocados mais uma vez por um padre ligado a Cáritas (esse pessoal adora dinheiro!) - levaram à destituição de um arcebispo!? Somos tão idiotas assim para acreditar nisso?

Segundo informa o blogueiro Andrés Beltramo Álvarez, Mons. Mollaghan pedirá ao Papa para que possa executar as suas novas funções em solo argentino, sem intenção de partir para Roma. Embora a novidade e a quebra de protocolos sejam a marca deste pontificado, é pouco provável que Francisco lhe permita executar suas funções curiais longe da Cúria. Francisco quer aniquilar toda a influência que Mons. Mollaghan possa exercer no episcopado argentino e por isso o levará para Roma.
O interessante é notar, como destacou Andrés, que nem Mons. Mollaghan sabe ao certo o que vai fazer, como irá executar seu trabalho nem quem serão seus subordinados.

Para o lugar de Mons. Mollaghan se cogita um típico prelado bergogliano, Mons. Jorge Lugones, bispo jesuíta de Lomas de Zamora.

Notemos como a misericórdia de Bergoglio funciona - para o bispo prevaricador da Cáritas, elogios em missa e a proteção paternal. Para Mons. Mollaghan uma remoção dura com um plano de fundo ridículo.

Ao final daquela missa presidida por Bergoglio em 2012 pelo 15º aniversário da diocese de Merlo-Moreno, um fiel grita para todos ouvirem "Viva Fernando Maria Bargallo!". O grito é seguido de aplausos. É o retrato mais contundente da Igreja querida por Bergoglio, uma Igreja onde a misericórdia é cega ao pecado. Não estranha, portanto, que assim que assumiu o trono de Pedro ele insista tanto nesse tema da misericórdia; uma pena que é uma misericórdia torta, anti-cristã.

A "teologia de joelhos" do Cardeal Kasper está em sintonia com a concepção que este Papa tem de misericórdia.
"Viva Fernando Maria Bargallo!" Viva Francisco!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Padres de Tradição Virtual Somem.



Algo me chama a atenção desde o começo de Abril. Algo que não sei se chamou a sua atenção também, caro leitor.
Este post é breve e serve apenas para expor esse "algo". Os padres tradicionais brasileiros desapareceram!
Sim, caro leitor, eles simplesmente sumiram...

Num passado não tão distante, você certamente deve se lembrar que na blogosfera pipocavam as páginas de alguns sacerdotes, diocesanos e/ou religiosos, que escreviam com um entusiasmo invejável e um conhecimento igualmente digno de nota. Acontece que já tem algum tempo que esses mesmos sacerdotes abandonaram a barca do teclado.
Eu percebi isso imediatamente ao anúncio "Habemus Papam". Foi como um tiro estridente que deu a largada a uma correria desenfreada. Alguns padres que lidavam com apostolado tradicional, sumiram. Padres que celebravam, até então, a missa tradicional para grupos estáveis - e que vinham conseguindo bons resultados e notáveis frutos - sumiram ou abandonaram oficialmente esses mesmos grupos que estão, até agora, sem pastor.

É possível tecer inúmeras teorias. Qualquer uma me moveria a julgar o coração destes sacerdotes da www. Portanto não dedilho nenhuma delas aqui, mas tenham certeza que as tenho. Sobretudo pelo testemunho de algumas pessoas ligadas a esses padres, que estão ainda atônitas. Não me refiro a um ou dois padres, desta ou daquela cidade, mas são vários "casos" que me chegam. Os guardarei como segredo de confissão.

Quantos mais irão sumir? Se antes tínhamos os padres de passeata, agora parece que os padres da Tradição Virtual também integrarão aquele seleto clube das modinhas que passaram. Talvez eles estejam preparando uma conversão pastoral, adaptando seu apostolado ao contexto. Vai saber!

terça-feira, 27 de março de 2012

A Burrice do Ecologismo: Cadernos x Notebooks



Circula na internet - e agora atingiu o Facebook - uma espécie de campanha sem dono e sem metas que advoga pelo uso de notebooks pelos alunos, substituindo assim os cadernos. A ideia é poupar as árvores e melhorar a vida no planeta. Viva o sustentável!

Contudo o sustentável parece carecer de raciocínio rápido. Pensem comigo. As árvores são recursos naturais renováveis, ou seja, são plantadas. Já tem algum tempo (creio que mais de 50 anos!) que não se corta árvore "selvagem" para fazer papel, sendo que hoje temos o que é conhecido por fazendas de celulose, que são grandes plantações de árvores (eucaliptos) para a produção de papel. Essa plantação consome apenas mais recursos naturais renováveis, como à água, os minerais do solo, adubo, etc.


Uma das desvantagens é que a plantação demanda espaço, mas uma vez conseguido esse espaço ele praticamente permanece estável.

Mas de onde vêm os notebooks. Bom, na cabeça dos ecologistas os notebooks são enviados de um planeta distante e os recebemos literalmente dos céus ou de alguma fada chamada HP, Sony, Apple ou Positivo.

Não! Eles não são gerados espontaneamente, tampouco surge do vácuo. Os notebooks são produtos tecnológicos e, como todo produto tecnológico, são poluidores em potencial.


Em suas composições, esses aparelhos possuem metais pesados que podem causar diversas complicações para o meio ambiente e para a saúde do ser humano, se descartados de forma inconsequente.
O mercúrio, metal que deteriora o sistema nervoso, causa perturbações motoras e sensitivas, tremores e demência, está presente em televisores de tubo, monitores e no computador. O chumbo, que compõe celulares, monitores, televisores e computadores, causa alterações genéticas, ataca o sistema nervoso, a medula óssea e os rins, além de causar câncer. O cádmio, presente nos mesmos aparelhos que o chumbo, causa câncer de pulmão e de próstata, anemia e osteoporose. O berílio é material componente de celulares e computadores e causa câncer de pulmão. “Tudo que tem bateria, placa eletrônica e fio possui algum material contaminante”, afirma a especialista em gestão ambiental do Cedir (Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática), pertencente ao CCE (Centro de Computação Eletrônica) da Universidade de São Paulo (USP), Neuci Bicov, lembrando que esse tipo de material é acumulativo – quanto mais contato se tem com ele, pior para a saúde.
De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2010, a geração de lixo eletrônico cresce a uma taxa de aproximadamente 40 milhões de toneladas por ano em todo o mundo. E a maior parte desses resíduos tem condições de ser utilizada novamente ou de ser reciclada, mas o destino acaba sendo o pior possível: os aterros sanitários e lixões. “Os materiais eletrônicos, como placas de computador e monitores CRT, não soltam os contaminantes quando estão em um ambiente fechado. Mas em aterros a temperatura é mais alta e o contato com a chuva, que costuma ser bem ácida nas metrópoles, faz com que os metais pesados sejam liberados diretamente no solo”, explica a especialista do Cedir. Esse processo também pode contaminar as águas de lençóis freáticos, dependendo da região do aterro ou lixão.
Em um computador, 68% do produto é feito com ferro, enquanto 31% da composição de um notebook é plástico. No geral, 98% de um PC é reciclável. “Mas na prática esse número se reduz para cerca de 80%. A mistura de componentes plásticos e metálicos com os metais pesados torna difícil a separação” diz Neuci. Fonte eCycle

Não é preciso ser um cientista com doutorado na Alemanha para perceber que o simples caderno é bem menos perigoso para a saúde que o querido notebook.

O mundo tecnológico segue um padrão de obsolência programada, isto é, novas tecnologias surgem constante e cronometradamente para que você, pobre consumidor, seja obrigado a comprar um novo produto e descartar o antigo. Quem não se lembra das desejadas TVs de Plasma que, em menos de dois anos, foram sistematicamente substituídas pelas de LCD que, por sua vez, já estão atrás das modernosas e ultrafinas TVs de LED? Vem ai o LED 3D...

Adotar o Notebook seria um atentado contra a natureza. Imaginem os custos para o Sr. Erário! Compra de aparelhos, treinamento de professores (ou vocês acham que o notebook dará aula sozinho?), atualização de software, manutenção, etc. E no final de tudo isso, em dois ou no máximo três anos, troca-se tudo para que os alunos fiquem atualizados. E para onde iriam os notebooks descartados? Teria o governo condições de reciclar todo esse sucatão tecnológico e, simultaneamente, colocar novos equipamentos nas mãos das nossas crianças? Isso é difícil de imaginar num país de primeiro mundo; no Brasil isso é um delírio!

A indústria de celulose polui bem menos que a indústria do silício. O papel é facilmente reciclado. Isso sem contar o apelo cognitivo que as linhas do caderno exercem no estudante.

Olhem a imagem que encabeça este post! Vejam se é real e possível uma professora com essa dedicação, numa classe visivelmente lotada! Todos os alunos, adolescentes, esperando calma e pacientemente pela atenção individual da mestra em seus notebooks. Isso é irreal!

Longe de proteger o meio ambiente, campanhas como estas, desprovidas de todo sentido e apego pela realidade, favorecem única e exclusivamente os magnatas de Silicon Valley que para o meio ambiente estão se lixando!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

7º Ano do Martírio de Dorothy Stang? Não senhor!






Neste domingo, dia 12 de fevereiro, celebra-se a memória de Dorothy Stang, pelos 7 anos de seu martírio. Sua luta por justiça ainda ecoa na floresta e entre os amazônidas. A presença de irmã Dorothy multiplicou-se. Sua morte irrompeu com a força da ressurreição. Sua ação, humilde e desconhecida, pequena e quase isolada, expandiu-se por todos os cantos do Brasil, conquistando corações e mentes e ganhou as dimensões do mundo.

A reportagem é do sítio da Comissão Pastoral da Terra, 10-02-2011.

O assassinato de Ir. Dorothy Stang, no dia 12 de fevereiro de 2005, na área onde se desenvolvia um projeto de desenvolvimento sustentável PDS que aliava a produção familiar com a defesa do meio ambiente, como a missionária propugnava e defendia, provocou uma gigante onda de indignação nacional e internacional. Qual uma verdadeira tsunami, esta tragédia invadiu o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Tomou conta das redações dos jornais e dos estúdios das TV’s e das rádios. E seus abalos se sentiram em todo o mundo. A pequena e desconhecida Anapu passou a ocupar um lugar de destaque na geografia mundial.

A reação do governo foi rápida. Ministros de Estado se deslocaram até Anapu (PA). Autoridades de todos os níveis se manifestaram condenando a agressão. O exército brasileiro deslocou contingentes para a região. Promessas de punição implacável dos culpados se repetiram. Medidas para regularizar a posse das terras foram anunciadas e áreas de proteção ambiental criadas.

Não demorou muito tempo e os dois pistoleiros executores do crime foram detidos. Depois foi preso o intermediário que os contratou e por fim dois fazendeiros, apontados como mandantes do crime. As investigações da polícia federal apontaram para uma ação envolvendo um consórcio de fazendeiros e madeireiros interessados na eliminação desta missionária. Os executores do assassinato, Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista e o intermediário Amayr Feijoli da Cunha, o Tato, foram julgados e condenados num processo muito rápido para a morosidade da justiça paraense. Um dos mandantes, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi condenado a 30 anos de prisão, em 2007, porém, menos de um ano depois, em segundo julgamento, foi absolvido. Julgado novamente em abril de 2010, foi condenado, após 15 horas de julgamento, a 30 anos de prisão em regime fechado. Em outubro de 2011 ganhou o direito de cumprir o restante de sua pena em regime semiaberto.

O outro acusado de ser mandante, Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, esteve preso durante um ano, mas foi solto, pouco depois, por habeas corpus emitido pelo Supremo Tribunal Federal.  Julgado novamente em 2010, Regivaldo também foi condenado a 30 anos de prisão. O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), ao rejeitar a apelação, decretou sua prisão cautelar. Um pedido de habeas corpus foi feito para que o réu pudesse permanecer em liberdade até o julgamento do último recurso contra a condenação. Este foi negado na última segunda feira, 06 de fevereiro, pelo relator do caso, desembargador convocado Adilson Vieira Macabu, que considerou não haver elementos que justificassem sua libertação.

As outras medidas governamentais não surtiram o efeito proclamado. Pior do que isso, em 2008 e 2009, o governo federal publicou as medidas provisórias 422 e 458 que acabam regularizando a grilagem de terras na Amazônia em áreas de até 1500 hectares. Com o discurso de propor um ordenamento jurídico para a ocupação da Amazônia, pavimenta-se, na realidade, o caminho para a ampliação do agronegógio, com suas monoculturas predatórias e voltadas para a exportação. Além disso, o projeto de reformulação do Código Florestal e a aberração com nome de Belo Monte, abrirão grandes feridas na Amazônia de Dorothy, de Chico Mendes e de tantos outros e outras, cujo sangue semeia e fertiliza as terras amazônicas. Em 2011, essa mesma realidade vitimou, também, José Cláudio e Maria do Espírito Santo, assassinados por defender a floresta e a convivência harmônica dos povos com ela.


Passados sete anos, o que impressiona é que a presença de Dorothy, antes confinada a Anapu, multiplicou-se. A irradiação do seu sorriso contagia pessoas no mundo todo [? A única instituição que ainda se lembra da "missionária" é a CPT...]. Sua morte irrompeu com a força da ressurreição [Ooohhh!]. Sua ação, humilde e desconhecida, pequena e quase isolada, expandiu-se por todos os cantos do Brasil, conquistando corações e mentes e ganhou as dimensões do mundo.

Dom Erwin Kräutler, o bispo do Xingu, em cuja diocese Dorothy exercia seu trabalho pastoral, disse na missa do quarto aniversário de sua morte: “O sangue derramado engendrou uma luta que nunca mais parou. Sepultamos os mártires, mas o grito por uma sociedade justa e pela defesa do meio-ambiente tornou-se um brado ensurdecedor.”

Em vários lugares do Brasil, como em Belém e em Fortaleza [matematicamente, "dois" lugares podem ser considerados "vários", mas dificilmente são considerados "o mundo todo". Então acho que a memória de Dorothy Stang não é assim tão universal como querem seus postuladores de santidade e martírio], serão realizadas celebrações para lembrar os sete anos sem irmã Dorothy.

***

Ok, pode parecer insensibilidade da minha parte. Mas estamos falando de um tema que possui uma definição precisa - o martírio. Lembremos que: Um mártir é uma pessoa que morre por sua fé religiosa, pelo simples fato de professar uma determinada religião ou por agir coerentemente com a religião que possui.

Onde exatamente a "Ir" Dorothy se encaixa nisso? Pelo que se lê no texto a norte-americana foi "assassinada por defender a floresta" e não a fé católica. Um mártir é alguém que morre por uma perseguição religiosa e não porque ama abraçar árvores.

Tenha bem claro que não estou fazendo uma apologia da devastação ambiental, tampouco estou desconsiderando a morte da Dorothy, que de fato foi assassinada e cuja memória merece justiça. O que me oponho veementemente é o uso descarado e distorcido da palavra "mártir" associada com uma senhora que foi assassinada por defender árvores e não a fé de Jesus Cristo!

Para os membros da CPT, como bons progressistas revolucionários que são, é preciso, para prosseguir com a desconstrução do catolicismo brasileiro, dar novos significados para palavras católicas. Assim o martírio se torna o simples assassinato de um defensor da causa revolucionária, não mais a morte violenta de alguém que persistiu até o último momento na sua fé por Jesus Cristo.

Ir Dorothy era o ícone do progressismo moderno e revolucionário: Religiosa sem hábito, com anel de tucum no dedo, missionária que não convertia ninguém, ativista social distante da doutrina social da Igreja, etc. Ir Dorothy era o arquétipo de "freira" norte-americana que o Vaticano estava tentando consertar na sua investigação conduzida pela Congregação para os Religiosos, mas que foi interrompida por um.... brasileiro recém chegado à Cúria!

Agora, por coerência, preciso dar exemplos de freiras - no sentido pleno da palavra - que realmente são mártires:


Irmã Leonella, religiosa italiana e enfermeira num hospital infantil na Somália. Assassinada com tiros a queima-roupa por muçulmanos numa onda de violência contra o Papa Bento XVI.


Irmã Denise Kahambu, assassinada no Congo por muçulmanos. Os assassinos entraram no monastério trapista alguns dias depois de terem assassinado um padre missionário.

Irmã Jeanne Yemgane assassinada no Gana por muçulmanos

Irmã Cecilia Moshi Hanna foi violentamente esfaqueada e teve sua cabeça decapitada por muçulmanos no Iraque. A irmã se preparava para dormir quando os assassinos invadiram o pequeno monastério com a intenção de matar todas as três religiosas do Sagrado Coração de Jesus; como apenas Irmã Cecília estava lá, concentraram o perverso ataque na religiosa de 71 anos cujo ministério era dedicado aos doentes.


Perceberam a diferença entre uma autêntica religiosa e mártir e uma senhora que abraça árvores que foi assassinada por motivos alheios à fé?
A morte de Dorothy foi estúpida, em todos os sentidos que esta palavra comporta. A morte das irmãs Leonella, Kahambu, Yemgane e Hanna foi um testemunho de fé e perseverança no amor de Deus!
A única coisa que podemos fazer, depois de 7 anos do assassinato político de Dorothy, é rezar



Senhor, Deus de misericórdia e Pai amoroso
Que inflamastes nos corações das vossas filhas, 
as Irmãs Leonella, Kahambu, Yemgane e Hanna
um verdadeiro amor pelos pequeninos e desamparados
e despertastes nelas a coragem da missão em terras
repletas de perigos.
Enviai para a sofrida terra da Amazônia
missionárias com o mesmo coração;
Para que elas sejam semente de um novo mundo
totalmente voltado para o Vosso misericordioso coração!
Conservai também a Vossa filha, Dorothy Stang, na Vossa paz!

Tudo isso nós, indignos filhos de Maria, Vos pedimos
por Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Amém


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Nova Evangelização

Como fazer? Pergunte aos religiosos franceses!



Flashmob "Brother & Sister Act, missionnaires de... por corref


Mas que exemplo maravilhoso de evangelização. Vejam como religiosos de hábito e sem hábito - porque não é o hábito que faz o monge, é claro! - unem as almas em direção a... a... faltam-me palavras para descrever!

Magnífico, simplesmente magnífico! Lágrimas saltam aos meus olhos quando vejo coisas assim. Como as nossas paróquias estão cheias de vida, animadas pelo espírito e comunicando a graça a todos.

E, com certeza vocês repararam, é um vídeo vocacional! Eu recomendo fortemente que as nossas comunidades atuem com dinamismo profético dentro da pastoral vocacional e que possam comunicar o espírito aos jovens que se decidem pela vida religiosa ou sacerdotal.

Com certeza são ações como essas que estão enchendo os seminários e casas de formação francesas. Vocês podem ver como a França tem muitas vocações, várias vocações!

Continuem assim sempre!

Ass Danilo*


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*o autor dessa mensagem ficou tão chocado com a palhaçada acima que seu cérebro foi permanentemente danificado, sem bom gosto comprometido e seu senso de ridículo abalado.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dom Helder é psicografado por espíritas!(?)

Fazendo eco ao blog do Leonardo Henrique, reproduzo abaixo a notícia sobre o lançamento de mais uma obra espírita. Até ai, nenhuma novidade, uma vez que publicações de caráter espírita se encontram aos milhares. O grande X da questão está no suposto espírito que ditou o livro ao médium: Dom Helder Câmara!

Aposto que você fez o sinal da cruz três vezes! Sim, Dom Helder resolveu voltar do além túmulo para espalhar as suas teorias... ou talvez nem tanto assim.

Segundo informa a reportagem:

O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões. Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1966 a 1975 e tem 30 livros publicados.

Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do Espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimatur do Vaticano. É importante destacar, ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi aceito pela instituição católica, sem nenhum constrangimento.
No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados a Igreja Católica. Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque “os tempos são chegados”; estes ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os filhos de Deus.
A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.

Que escândalo! O Instituto que leva o nome de um bispo católico recebe dinheiro oriundo da venda de obras espíritas! Obras estas que desviam o cristão da verdadeira Doutrina (com "D"), emanada não de misteriosas vozes do obscuro, mas Daquele que dá vida e vida em abundância! Vergonha! Um verdadeiro apostolado de Judas Iscariotes.

Outro ponto que destaquei acima é a orientação desses filósofos e teólogos, que direciona o livro (que está rendendo $$$) para os católicos. Sim, caro leitor, agora devemos não só receber $$$ de obras espíritas, mas também devemos também ler essas obras tidas como "verdade espiritual" pelos dois senhores 'ligados a Igreja Católica".

E você, como eu, achou que não poderíamos descer mais baixo! Mas que esperar dos discípulos de Dom Helder a não ser isso?

A Igreja nunca negou a existência espiritual (existe sim vida após a morte e isso é óbvio para qualquer católico com meio neurônio). Agora a comunicação entre os "dois lados", com essa de espíritos superiores guiando a humanidade rumo à angelicalização em massa de todo espírito humano, bom isso já é outra coisa, totalmente incompatível com a mensagem do Evangelho - o verdadeiro, segundo Jesus Cristo, diga-se de passagem.

Há pela rede católica excelentes artigos que refutam as verdades espíritas uma a uma. É só procurar. Outro ponto interessante, para quem gosta da história dessa seita é estudar as raízes do movimento espírita e ver como todos os fenômenos tidos pelos espíritas como "pré-Kardequianos" foram desmentidos (muitas vezes pelos próprios autores dos fenômenos). Um caso que é emblemático é o das Irmãs Fox, que iniciaram na prática o fenômeno de [suposta] comunicação espiritual. No final da vida das irmãs elas reconheceram publicamente que mentiram  durante todos os fenômenos, que tudo era uma bela farsa! E ainda escreveram recomendando a todos que abandonassem o espiritualismo (como é conhecido em inglês) pois era "a maior blasfêmia conhecida no mundo". As "avós" do movimento espírita declararam, em 1888, que o espiritismo era "a maior blasfêmia conhecida no mundo". E Katie Fox foi adiante: Eu tenho o espiritismo como uma das maiores maldições que o mundo já conheceu (publicado no "New York Herald," em outubro de 1888).

Mas voltando ao livro de "Dom Helder". Espanta, contudo, na entrevista concedida pelo espírito de Dom Helder (!) a falta da linguagem própria do bispo. Expressões típicas do seu discurso quando vivo são abandonadas. Não há uma única referência ao "pobre" [no sentido da Teologia da Libertação] , "opção pelos pobres", "comunhão", "missão", partilha" e outros termos semelhantes que ilustram o vocabulário marxista. Em contrapartida, Dom Helder espiritual assume termos próprios da doutrina espírita: "existência no corpo físico", "vibram na mesma sintonia", "melhoramento da humanidade", "plano físico", etc.

Será que esse suposto Dom Helder abandonou o comunismo e resolveu se converter ao espiritismo? Ou seria mais uma fraude, como tantas outras que existem no meio espírita mesmo antes desse movimento ter esse nome? Seria esse livro mais uma pedra de tropeço no caminho da Igreja pela salvação das almas? Acredito piamente que sim, que é uma obra oportunista, claramente fraudulenta (basta ler a entrevista para não reconhecer Dom Helder) e uma ofensa aos católicos e a Dom Helder (!). É uma vergonha que seja co-patrocinada por católicos e que parte do $$$ acabe na Igreja Católica de alguma forma.

Eis a entrevista do espírito de Dom Helder:




Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?
 
Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da humanidade. 
 
Do outro lado da vida o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento, ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?
 
Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em determinados pontos que não levam a nada. Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia. 
 
Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?
 
Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade. 
 
Como é sua rotina de trabalho? 
 
A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma. Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer. 
 
Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?
 
Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir. Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos Centros Espíritas?
 
Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente. 
Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita. 
 
O senhor já era reencarnacionista antes de morrer? 
 
Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural. 
 
Mediunidade – Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?
 
Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.
 
Qual foi a sensação com a experiência da escrita mediúnica?
 
Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram.. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.
 
Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?
 
Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade. 
Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual. 
 
Por que Dom Helder é quem está escrevendo? 
 
Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem “acabou-se”. Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, senti a necessidade de me expressar por um médium quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo. 
 
Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso País?
 
Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram
nas suas atividades. 
 
Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?
 
Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando acertamos a forma de atuar, foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro. 
 
O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?
 
Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia, inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito. 
 
É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física? 
 
Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais. 
 
Igreja – Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual? 
 
Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral. 
 
Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade? 
 
Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. 
 
Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. Queira Deus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária
para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece. 
 
O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?
 
Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas. Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que
possível, colocá-los em prática. 
 
Espíritas no futuro? 
 
Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos a nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual. 
 
Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o progresso do Brasil no mundo espiritual? 
 
Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades. 
Então, dizer um nome ou outro seria uma referência pontual porque há muitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo. 
 
Amor – Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora, depois da morte? 
 
Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade. 
 
Que mensagem o senhor deixaria para nós espíritas? 
 
Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços. 
 
Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?
 
Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar.






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