"O fato de serem maioritariamente os jovens que procuram e participam na Missa Latina é completamente inesperado e, portanto, merece ser lido, entendido, e acompanhado particularmente pelos bispos." Mons. Bux
Um preconceito antigo que pesava sobre a missa tridentina e que motiva até hoje boa parte dos abusos na missa nova é a suposta incapacidade de um rito solene e, normalmente, silencioso atrair os jovens e as pessoas de uma geração cada vez mais dinâmica e rápida.
O rito moderno, fabricado nas reuniões das equipes de liturgia paroquiais, tem uma só meta: tornar a missa (ou outro momento litúrgico) mais atraente. Eles não possuem uma compreensão organizada e histórica sobre a natureza, a verdadeira natureza da liturgia. Boa parte da crise do culto católico se deve ao deslocamento da finalidade do culto de uma posição vertical para uma posição horizontal.
A juventude do rito, hoje, reside na sua imitação do profano. Para comunicar ao jovem é preciso falar a língua do jovem, é preciso estar no mesmo nível do jovem. Por isso temos liturgias que se comparam aos shows profanos. Não apenas a liturgia é afetada por essa nova forma de pensamento, mas todo o ethos católico padece dessa crise de identidade. Basta ver os retiros paroquiais (quando existem) de hoje, que são apenas encontros para comer e festejar, bem diferentes dos verdadeiros retiros de outros tempos. Tudo está reduzido a um nível de festança.
Não é incomum ouvirmos que a missa tradicional, essa que é a forma extraordinária, seria, portanto, incapaz de atrair o jovem ao seu universo. Contudo, o que se vê é justamente o contrário; são os jovens os maiores promotores da forma antiga da liturgia e os maiores entusiastas desse novo movimento litúrgico que valoriza o sagrado na sua mais autêntica expressão.
O Pe. Tim Finigan, por exemplo, nos apresenta a notícia vinda de Londres, onde uma escola católica permitiu que seus alunos tivessem acesso ao rito antigo que "faz parte da sua herança católica". A escola é primária, com alunos até o 5º ano. É importante que a criança de hoje cresça com uma noção do seu passado católico, que saiba de onde vem a sua fé e como ela foi vivida por muitos antes de nós. Na verdade, acredito que qualquer católico que seja privado da missa tradicional é também privado de conhecer a Igreja. É um crime contra a nossa identidade cristã e católica.
Até hoje não se soube de um único caso negativo de aplicação do Motu Proprio ou da liberação da missa tradicional. Contudo, com o rito novo e sua aplicação temos casos suficientes para criar um dossiê cujo número de páginas empilhadas seriam suficientes para nos levar a lua!
É na juventude onde reside o maior mistério de renovação do Espírito Santo. E a juventude parece começar a se cansar dos shows e do vazio espiritual. É um movimento tímido, mas que já é percebido pelos prelados da Cúria e por alguns bispos (desesperados) diocesanos.
sábado, 5 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
John Galliano x Dom Richard Williamson
Você, leitor deste blog, certamente não conhece ou sabe quem é John Galliano, correto?
Pois bem, esse nome está circulando de vez em quando na mídia recentemente por conta de um certo escandalo que teve um precedente na Igreja católica, mas bem diferente.
Para que você entenda do que se trata é preciso começar pelo começo. Primeiro, quem é, afinal de contas, John Galliano?
Estilista. Não um estilista qualquer, um costureiro de esquina, mas o diretor criativo da maison Dior, uma das 5 top brands (grandes marcas) do mundo. Com certeza você já ouviu, pelo menos uma vez na vida, o nome Dior, junto com outros como Chanel, Louis Vuitton, Yves Saint Laurent, Armani, etc.
Para que você entenda a influência de Galliano num mundo que movimenta, por baixo, 300 bilhões de US$, não é injusto dizer que Galliano está para a costura como Picasso esteve para a pintura. Chefe da Dior, dono de uma linha própria que levava seu nome, JG tinha tudo para ser canonizado pelo mundo da Haute Couture e ocupar um lugarzinho ao lado de nomes lendários como Balenciaga, Hubert de Givenchy, Coco Chanel e o próprio Christian Dior. Contudo o pobre menino de Gibraltar caiu em desgraça.
Flagrado num bar de uma região de Paris agitada por judeus e homossexuais, JG repete em alto e em bom som que "Ama Hitler". O vídeo chocou a todos que admiravam, de alguma forma, a obra criativa de Galliano. Ninguém esperava que o então reservado artista pudesse proferir algo desse porte.
E aqui vem o paralelo que quero traçar. Mas primeiro assista a esse vídeo.
Não posso deixar de notar uma semelhança, até certo ponto, com o caso de dom Richard Williamson, bispo da FSSPX. Dom Williamson nunca disse "Eu amo Hitler", jamais tentou justificar o massacre criminoso e hediondo do regime nazista. Ele apenas emitiu, como vocês se lembram, uma opinião de caráter histórico. Ele discordava dos números oficiais de mortos em câmaras de gás, mas jamais afirmou que o "Holocausto" nunca tivesse existido.
E como foi a reação do mundo a entrevista de Dom Williamson? Vocês se lembram. O bispo foi avacalhado, ameaçado, humilhado e demonizado.
E com Galliano? Ele precisa ser compreendido, acolhido, afinal ele só falou uma besteira, não é mesmo? "Eu amo Hitler" não é nada quando é dito pela boca de um artista...
Ok, Galliano foi demitido da Dior e provavelmente sua carreira acabou, mas se pesarmos as reações do mundo nos dois casos e a gravidade das declarações também em cada caso, veremos que há uma distância enorme de tratamento, inversamente proporcional a gravidade do declaração.
Richard Williamson é só um intolerante filo-nazista. Galliano é um pobre coitado pego num mau momento. Interessante, não é mesmo? [ironia]
Quanto tempo a TV do mundo não perdeu para divulgar o "bispo negacionista" e quantas matérias vocês, leigos no assunto das Maisons de Haute Couture, leram sobre Galliano? Todo dia, por duas semanas, tinha alguma coisa sobre Dom Williamson no Jornal Nacional. Sobre Galliano, contudo, apenas uma nota rápida de menos de trinta segundos. Menos de trinta segundos para um claro "Eu amo Hitler"! É incrível como há um alvo claro pintado na testa da Igreja.
Galliano é um gênio e sua posição política pessoal não muda isso. "Ah, mas ele é gay! Onde você está com a cabeça em dizer que ele é um gênio??? Você vai para o inferno, ou pior, para a Líbia!" diriam alguns leitores escandalizados. Bom, Mozart era maçom e isso não diminuiu sua obra. Tantos outros grandes nomes da pintura, escultura, matemática, fotografia, etc, tinham vidas particulares muito reprováveis e obras belíssimas. Como é possível conciliar a genialidade e a beleza com uma vida um tanto "peculiar", para não dizer reprovável, é um mistério para mim.
Galliano era um dos poucos estilistas que jamais apelava para modelos semi-nuas e sexualidade nas suas criações. Diferente, por exemplo, de Tom Ford que, como diretor da Gucci, precisou tatuar o G da empresa no pelo pubiano de uma modelo para relançar a marca, ou Marc Jacobs (Louis Vuitton) que frequentemente posa pelado nas campanhas da marca. Galliano confiava no "taco do bom gosto". Para alguém desse mundo comandado pelo erotismo, John Galliano era praticamente um monge.
Enfim.
Não posso desconsiderar que o estilista estava bêbado, embora isso não diminua um milimetro a gravidade das suas palavras. Mas eu ainda estou chocado com essa reação tão benevolente com o ex-diretor da Dior. Só me deixa pensar o quão grade é o poder do dinheiro.
Pois bem, esse nome está circulando de vez em quando na mídia recentemente por conta de um certo escandalo que teve um precedente na Igreja católica, mas bem diferente.
Para que você entenda do que se trata é preciso começar pelo começo. Primeiro, quem é, afinal de contas, John Galliano?
Estilista. Não um estilista qualquer, um costureiro de esquina, mas o diretor criativo da maison Dior, uma das 5 top brands (grandes marcas) do mundo. Com certeza você já ouviu, pelo menos uma vez na vida, o nome Dior, junto com outros como Chanel, Louis Vuitton, Yves Saint Laurent, Armani, etc.
Para que você entenda a influência de Galliano num mundo que movimenta, por baixo, 300 bilhões de US$, não é injusto dizer que Galliano está para a costura como Picasso esteve para a pintura. Chefe da Dior, dono de uma linha própria que levava seu nome, JG tinha tudo para ser canonizado pelo mundo da Haute Couture e ocupar um lugarzinho ao lado de nomes lendários como Balenciaga, Hubert de Givenchy, Coco Chanel e o próprio Christian Dior. Contudo o pobre menino de Gibraltar caiu em desgraça.
Flagrado num bar de uma região de Paris agitada por judeus e homossexuais, JG repete em alto e em bom som que "Ama Hitler". O vídeo chocou a todos que admiravam, de alguma forma, a obra criativa de Galliano. Ninguém esperava que o então reservado artista pudesse proferir algo desse porte.
E aqui vem o paralelo que quero traçar. Mas primeiro assista a esse vídeo.
Não posso deixar de notar uma semelhança, até certo ponto, com o caso de dom Richard Williamson, bispo da FSSPX. Dom Williamson nunca disse "Eu amo Hitler", jamais tentou justificar o massacre criminoso e hediondo do regime nazista. Ele apenas emitiu, como vocês se lembram, uma opinião de caráter histórico. Ele discordava dos números oficiais de mortos em câmaras de gás, mas jamais afirmou que o "Holocausto" nunca tivesse existido.
E como foi a reação do mundo a entrevista de Dom Williamson? Vocês se lembram. O bispo foi avacalhado, ameaçado, humilhado e demonizado.
E com Galliano? Ele precisa ser compreendido, acolhido, afinal ele só falou uma besteira, não é mesmo? "Eu amo Hitler" não é nada quando é dito pela boca de um artista...
Ok, Galliano foi demitido da Dior e provavelmente sua carreira acabou, mas se pesarmos as reações do mundo nos dois casos e a gravidade das declarações também em cada caso, veremos que há uma distância enorme de tratamento, inversamente proporcional a gravidade do declaração.
Richard Williamson é só um intolerante filo-nazista. Galliano é um pobre coitado pego num mau momento. Interessante, não é mesmo? [ironia]
Quanto tempo a TV do mundo não perdeu para divulgar o "bispo negacionista" e quantas matérias vocês, leigos no assunto das Maisons de Haute Couture, leram sobre Galliano? Todo dia, por duas semanas, tinha alguma coisa sobre Dom Williamson no Jornal Nacional. Sobre Galliano, contudo, apenas uma nota rápida de menos de trinta segundos. Menos de trinta segundos para um claro "Eu amo Hitler"! É incrível como há um alvo claro pintado na testa da Igreja.
Galliano é um gênio e sua posição política pessoal não muda isso. "Ah, mas ele é gay! Onde você está com a cabeça em dizer que ele é um gênio??? Você vai para o inferno, ou pior, para a Líbia!" diriam alguns leitores escandalizados. Bom, Mozart era maçom e isso não diminuiu sua obra. Tantos outros grandes nomes da pintura, escultura, matemática, fotografia, etc, tinham vidas particulares muito reprováveis e obras belíssimas. Como é possível conciliar a genialidade e a beleza com uma vida um tanto "peculiar", para não dizer reprovável, é um mistério para mim.
Galliano era um dos poucos estilistas que jamais apelava para modelos semi-nuas e sexualidade nas suas criações. Diferente, por exemplo, de Tom Ford que, como diretor da Gucci, precisou tatuar o G da empresa no pelo pubiano de uma modelo para relançar a marca, ou Marc Jacobs (Louis Vuitton) que frequentemente posa pelado nas campanhas da marca. Galliano confiava no "taco do bom gosto". Para alguém desse mundo comandado pelo erotismo, John Galliano era praticamente um monge.
Enfim.
Não posso desconsiderar que o estilista estava bêbado, embora isso não diminua um milimetro a gravidade das suas palavras. Mas eu ainda estou chocado com essa reação tão benevolente com o ex-diretor da Dior. Só me deixa pensar o quão grade é o poder do dinheiro.
terça-feira, 1 de março de 2011
Novo livro na praça
O professor Rodrigo Coppe Caldeira, autor do blog "Per fas et per nefas" acabou de lançar um livro com um tema muito interessante para quem lê este blog ou para qualquer católico que deseja conhecer um pouco mais da história do Concílio Vaticano II.
"Os Baluartes da Tradição: o conservadorismo católico brasileiro no Concílio Vaticano II", da editora CRV. O livro pode ser adquirido diretamente na editora com um preço bem acessível.
O prefácio é de J.B Libânio e me motivou a comprar um exemplar (isso e o texto sempre de qualidade do professor Coppe que já é conhecido). Vejamos o que o Pe. Libanio diz [meus comentários]:
"Os Baluartes da Tradição: o conservadorismo católico brasileiro no Concílio Vaticano II", da editora CRV. O livro pode ser adquirido diretamente na editora com um preço bem acessível.
O prefácio é de J.B Libânio e me motivou a comprar um exemplar (isso e o texto sempre de qualidade do professor Coppe que já é conhecido). Vejamos o que o Pe. Libanio diz [meus comentários]:
Os anos pós-conciliares silenciaram, por algum tempo, as forças conservadoras na Igreja Católica [reparem no "por algum tempo", o que é bem verdade]. Elas tinham atuado no Concílio e continuavam vivas, mas guardavam pudorosa cautela no meio da onda de avanços, reformas e inovações pós-conciliares.
Este livro tem o imenso valor de investigar como tal tradição antimoderna católica brasileira atuou no Concílio. Tal pesquisa ajuda-nos a entender os refluxos neoconservadores atuais, embora os protagonistas principais sejam outros. Os que labutaram no Concílio já partiram dessa vida na sua imensa maioria. O viés conservador da Igreja do Brasil tinha caído em quase total olvido, porque durante muitos anos a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos tinha sido ocupado pela geração que fez o Concílio na sua abertura ou que o assumiu nesse espírito [o tal do espírito do Concílio, algo amórfico e indecifrável, mas dotado de uma onipresença teológica absurda, superior ao dogma. Por anos os conservadores acusaram a CNBB de seguir o condenável espírito do Vaticano II e agora a constatação de que de fato a CNBB foi por anos comandada pelos progressistas vem justamente de alguém da "asa esquerda" da Igreja], enquanto o lado conservador permanecia em paciente silêncio até que os tempos lhe permitiram ressurgir das cinzas. Estamos diante de um texto lúcido, com preciso nível de informação, de exatidão teológica louvável e de excelente conhecimento do mundo eclesiástico nas diferentes facetas da dogmática, da disciplina, da moral, da organização. O texto nos adentra no integrismo católico [!] e nos permite entender melhor a atual conjuntura.
J. B. Libanio
Como todo bom integrista, eu gosto muito dos livros. Vou encomendar minha cópia já!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
O Fim de uma Era (terrível)
Hoje foi um dia importantíssimo para os católicos de Los Angeles e de todo os EUA.
Assumiu como novo arcebispo o sr. José Gomez, até o momento bispo coadjutor. Dom Gomez representa o extremo oposto do então arcebispo de LA, cardeal Roger Mahony.
Ligado ao Opus Dei, entusiasta da hermenêutica da continuidade e "tão conservador quanto João Paulo II e Bento XVI" (palavras dele numa entrevista), Dom Gomez receberá uma das dioceses mais progressistas do mundo, famosa por suas práticas litúrgicas irreverentes, pelo feminismo ativo e por grandes escândalos envolvendo abuso de menores. Dom Gomez receberá uma diocese praticamente falida, com uma estrutura abalada e com sua confiança diminuída. Isso é motivo de preocupação, mas uma grande oportunidade para romper de uma vez por todas com o modelo "Mahony" de governo. Rezemos pelo novo arcebispo e futuro cardeal.
Assumiu como novo arcebispo o sr. José Gomez, até o momento bispo coadjutor. Dom Gomez representa o extremo oposto do então arcebispo de LA, cardeal Roger Mahony.
Ligado ao Opus Dei, entusiasta da hermenêutica da continuidade e "tão conservador quanto João Paulo II e Bento XVI" (palavras dele numa entrevista), Dom Gomez receberá uma das dioceses mais progressistas do mundo, famosa por suas práticas litúrgicas irreverentes, pelo feminismo ativo e por grandes escândalos envolvendo abuso de menores. Dom Gomez receberá uma diocese praticamente falida, com uma estrutura abalada e com sua confiança diminuída. Isso é motivo de preocupação, mas uma grande oportunidade para romper de uma vez por todas com o modelo "Mahony" de governo. Rezemos pelo novo arcebispo e futuro cardeal.
Ordinariato Cresce na Terra da Rainha
Estas últimas semanas vários clérigos da Igreja [anglicana] da Inglaterra apresentaram formalmente aos seus bispos as cartas de renúncia a todo ministério dentro da comunhão anglicana. Padres (ou reverendos) que serviram por anos suas comunidades informaram hoje que deixarão o anglicanismo e se tornarão parte do clero do Ordinariato católico da Inglaterra e Gales.
Enquanto alguns anglicanos pensaram que o Ordinariato seria uma coisinha de três ex-bispos e meia dúzia de clérigos, as informações que chegam da Inglaterra dizem coisas muito diferentes. Grupos para a aplicação do Aglicanorum Coetibus são formados por todo o país, novos grupos surgem por semana, já são 26. Todos eles, liderados por um pastor anglicano ou mesmo por um leigo, estão se preparando para a jornada de conversão que se iniciará na quaresma e culminará com o recebimento em massa durante a Páscoa. Estudo do catecismo e da história da Igreja na Inglaterra está sendo essencial para o fortalecimento da fé desses novos católicos, pois a verdade liberta, não é mesmo?
Mesmo com toda a incerteza para o clero e para os fiéis, sobretudo a ausência de locais de culto para esses novos católicos, torna o Ordinariato um verdadeiro ato de fé. Eles estão confiantes na Providência que os guiará nesta empreitada e estão conscientes que são verdadeiros pioneiros, abrindo o caminho para os futuros convertidos.
A falta de clareza sobre o que realmente acontecerá assusta, mas não perturba. O Ordinariato verá um boom de crescimento quando completar seu primeiro ano e estiver mais estruturado.
É fato que muitos fiéis e clérigos do anglicanismo perceberam que permanecer na Igreja da Inglaterra é impossível. Não apenas pela iminente ordenação de mulheres ao episcopado, mas pela divergência entre o que se prega por lá e o Evangelho de Cristo. Perceberam também que uma Igreja que realmente se afirma católica (os anglicanos se afirmam católicos, mas não romanos) não pode virar as costas para o mais autêntico fundamento do catolicismo, o Papa. Muitos clérigos anglicanos estão deixando isso bem claro, que as modernidades do anglicanismo não foram a razão principal do abandono. A percepção de um quadro mais completo, a visão de uma Igreja mais apostólica em sua essência foi a razão da busca pelo Ordinariato.
Aproxima-se o dia mais importante para a Igreja Católica na Inglaterra desde a sua restauração após a Reforma. O Ordinariato é começo de um processo de cura da Reforma de Henrique VIII.
Rezemos pelos convertidos e principalmente pelo Ordinário, Mons. Keith Newton. Normalmente a mídia ataca a Igreja Católica com força durante a Quaresma, mas os ataques serão especialmente direcionados aos ordinariantes (ou ordinariatinos, não sei...) justamente por sua conversão. Já dá até pra ver a BBC fazendo algum documentário fuleiro sobre isso...
Rezemos!
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Eles caíram...
Como reportado anteriormente aqui, através das postagens de outros bons blogs (especialmente o Oblatvs), os patriarcas orientais dos Maronitas e dos Católicos Ucranianos bizantinos deixaram seus postos e o Papa Bento XVI aceitou suas respectivas resignações.
Tanto Sfeir (maronita) quanto Husar (bizantinos) deveriam continuar até a morte como líderes espirituais das suas comunidades. Eles não são (eram) simples bispos que, quando do seu 75º aniversário, devem apresentar a renúncia ao Papa. Mas mesmo assim renunciaram.
Especula-se que a renúncia do cardeal ucraniano seja para melhorar as relações com a inflexível Igreja Ortodoxa Russa. Em Roma há um movimento constante, até mesmo da parte da casa papal, para que um encontro entre Bento XVI e Kirill (Cirilo) I da Rússia seja possível. Como afirmava o finado patriarca russo, Alexis II, o encontro só seria possível depois de Roma resolver, de uma vez por todas, o "problema" dos uniatas na Ucrânia.
A celeuma com os russos piorou depois que o cardeal Husar decidiu mudar a sua sede episcopal para a capital da Ucrânia. O gesto foi visto pelos ortodoxos como uma ameaça, como uma afirmação de que os católicos da Ucrânia são a Igreja da Ucrânia. Até aquele momento os católicos bizantinos liderados por Husar estavam concentrados na porção ocidental do país.
A Ucrânia é o berço da evangelização russa. Parte do antigo império russo, Kiev foi a mais importante Sé dos Czares, mesmo antes de Moscou. É uma questão de honra para os russo remover qualquer presença oficial católica de Kiev e parece que a demissão do cardeal Husar quer mostrar aos ortodoxos que os católicos bizantinos podem deixar de ser um problema.
Já o patriarca maronita é um caso bem diferente. Roma estaria insatisfeita com sua liderança, ou a falta dela, em meio a uma crise sem precedente no Oriente Médio. O Patriarca dos Maronitas estaria, segundo as notícias, sem uma grande voz para ajudar os cristãos daquela terra a ficarem nos seus respectivos países, diminuindo o fluxo para outros continentes, especialmente Europa e América do Sul.
Os dois caíram e agora seus respectivos sínodos encontram-se em sede vacante, prontos para um mini-conclave.
Vaticano: Papa aceita pedido de renúncia do Patriarca libanês
Tanto Sfeir (maronita) quanto Husar (bizantinos) deveriam continuar até a morte como líderes espirituais das suas comunidades. Eles não são (eram) simples bispos que, quando do seu 75º aniversário, devem apresentar a renúncia ao Papa. Mas mesmo assim renunciaram.
Especula-se que a renúncia do cardeal ucraniano seja para melhorar as relações com a inflexível Igreja Ortodoxa Russa. Em Roma há um movimento constante, até mesmo da parte da casa papal, para que um encontro entre Bento XVI e Kirill (Cirilo) I da Rússia seja possível. Como afirmava o finado patriarca russo, Alexis II, o encontro só seria possível depois de Roma resolver, de uma vez por todas, o "problema" dos uniatas na Ucrânia.
A celeuma com os russos piorou depois que o cardeal Husar decidiu mudar a sua sede episcopal para a capital da Ucrânia. O gesto foi visto pelos ortodoxos como uma ameaça, como uma afirmação de que os católicos da Ucrânia são a Igreja da Ucrânia. Até aquele momento os católicos bizantinos liderados por Husar estavam concentrados na porção ocidental do país.
A Ucrânia é o berço da evangelização russa. Parte do antigo império russo, Kiev foi a mais importante Sé dos Czares, mesmo antes de Moscou. É uma questão de honra para os russo remover qualquer presença oficial católica de Kiev e parece que a demissão do cardeal Husar quer mostrar aos ortodoxos que os católicos bizantinos podem deixar de ser um problema.
Já o patriarca maronita é um caso bem diferente. Roma estaria insatisfeita com sua liderança, ou a falta dela, em meio a uma crise sem precedente no Oriente Médio. O Patriarca dos Maronitas estaria, segundo as notícias, sem uma grande voz para ajudar os cristãos daquela terra a ficarem nos seus respectivos países, diminuindo o fluxo para outros continentes, especialmente Europa e América do Sul.
Os dois caíram e agora seus respectivos sínodos encontram-se em sede vacante, prontos para um mini-conclave.
Vaticano: Papa aceita pedido de renúncia do Patriarca libanês
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Sempre no gueto
Como noticiado pelo Kreuz.net (via Fratres in Unum), o jornaleco do Vaticano (sim, isso mesmo, jornalece e sem aspas, porque foi isso que se tornou o periódico da Santa Sé) Osservatore Romano publicou um ataque direto à Comissão Pontifícia Ecclesia Dei e também às comunidades que estão sob a tutela da mesma comissão.
"O referido artigo aborda questões canônicas. Nesse contexto, Di Cicco chega a falar de uma suposta “situação estranha de algumas novas ordens religiosas” que dependem da “instituição peculiar” chamada ‘Ecclesia Dei’.
Di Cicco, redator chefe do Osservatore e autor do artigo, não deixa de ter razão. Embora a análise de Di Cicco seja uma forma de ataque direto, ela nos leva a questionar o lugar ocupado pela Ecclesia Dei e suas comunidades.
"O referido artigo aborda questões canônicas. Nesse contexto, Di Cicco chega a falar de uma suposta “situação estranha de algumas novas ordens religiosas” que dependem da “instituição peculiar” chamada ‘Ecclesia Dei’.
Di Cicco, redator chefe do Osservatore e autor do artigo, não deixa de ter razão. Embora a análise de Di Cicco seja uma forma de ataque direto, ela nos leva a questionar o lugar ocupado pela Ecclesia Dei e suas comunidades.
Uma das preocupações do "Orbe Tradicional" nos últimos dias é a tal da Instrução sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum. Os defensores do Motu alegam, através de informações internacionais até agora não confirmadas, que a instrução seria uma manobra terrorista contra o documento papal e que faria o ponteiro do relógio litúrgico romano estacionar novamente em 1989, época onde a mentalidade do "indulto" reinava. Temem ainda que a forma extraordinária da liturgia romana se torne uma opção reservada à espiritualidade dos ditos tradicionalistas, como um carisma particular. Desse modo, segundo as especulações internacionais, o documento esvaziaria o Motu Proprio e tornaria a missa extraordinária não como uma forma legítima a que todos os católicos devem ter acesso, mas como uma concessão (indulto) para satisfazer os tradicionalistas.
Por que os católicos tradicionalistas querem evitar esse gueto espiritual se eles já se encontram nele? Mesmo com o Motu Proprio a missa tradicional nunca deixou de ser marginalizada.
Tudo o que se refere à forma extraordinária encontra uma organização extraordinária, há sempre um parênteses - seja na lei ou no modus operandi das dioceses - nesse caso. Explico.
1. Sendo a forma extraordinária parte do rito romano, por que ela é competência da Ecclesia Dei e não da Congregação para o Culto Divino? Exceção...
2. Se as comunidades religiosas que aderem ao rito antigo são de direito pontifício ou reconhecidas por Roma de alguma outra forma, por que elas estão sob a tutela da Ecclesia Dei e não da Congregação para os Religiosos (como reconhece Di Cicco)?
3. Se a Ecclesia Dei é uma comissão (um nível menor de poder dentro da Cúria), por que ela lida com temas que são reservados aos dicastérios com poder de Congregação?
4. Qual é a finalidade exata da Ecclesia Dei dentro da Cúria? Conversar com a FSSPX? As conversas, como disse Mons. Fellay, estão chegando ao fim e depois o que acontecerá com a Comissão?
5. Se todos os católicos podem ter acesso à forma extraordinária, por que elas são colocadas sempre nas cidades periféricas das dioceses (normalmente) e marginalizadas com horários péssimos?
São incoerências que só revelam que quando se trata de liturgia tradicional há sim um enorme gueto, há muito criado, onde os fiéis e sacerdotes estão. O que essa instrução fará, se for como dizem, é tornar esse gueto visível. É como um elefante na sala, a instrução apenas dirá: olhem, ali tem um elefante!
Não concordo que devemos rezar para que a instrução preserve o Motu Proprio. Ela deve realmente modificá-lo. Ela deve remover o elefante da sala, abrir os portões do gueto. Se ela preservar o que aqui está, então de nada servirá.
A instrução deveria dizer que a forma extraordinária é um DIREITO de todo católico e que deve ser ensinada nos seminários. Deveria instruir os bispos que o melhor local para uma celebração dessa forma é a catedral, o coração da diocese e não a cidadezinha com a capelinha rural onde o vento faz a curva. Deveria deixar claro que para assistir à missa na forma extraordinária são necessários os mesmos pré-requisitos para a forma ordinária. Deveria orientar os bispos sobre o cuidado espiritual dos fiéis ligados ao rito antigo. Etc.
Summorum Pontificum tem dois méritos. (1) a missa tridentina nunca foi abolida e (2) qualquer padre pode reza-la sem autorizações episcopais. Mas não resolveu boa parte dos problemas e não eliminou a mentalidade do motu Ecclesia Dei. Onde, no Brasil, se conseguiu a missa diretamente com o Padre, sem a ingerência do bispo (para o bem ou para o mal)? Poucos lugares. Isso prova que a mentalidade do "pedir para o bispos" ainda é reinante.
Rezemos para uma boa instrução, realmente útil e que comece a dissolver um pouco essas contradições existentes no mundo tradicional.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Síndrome Maciel - Chile
A Congregação para Doutrina da Fé apurou e concluiu que Pe. Fernando Karadima (foto) é culpado de vários abusos sexuais de jovens do sexo masculino. Pe. Karadima abusava dos jovens quando ouvia as confissões.
A Congregação proibiu o padre de exercer qualquer ministério público, de ouvir confissões de qualquer pessoa ou oferecer assistência espiritual. O padre, segundo a mesma congregação, deverá se recolher a uma vida de penitência e reparação pelos seus crimes.
"Fernando Karadima Fariña, nasceu em 1930, é um importante padre católico chileno, fundador de um grupo religioso, dos quais vários membros ocupam altos cargos na hierarquia eclesiástica do Chile, inclusive, no episcopado" (cf. IHU).
A Congregação proibiu o padre de exercer qualquer ministério público, de ouvir confissões de qualquer pessoa ou oferecer assistência espiritual. O padre, segundo a mesma congregação, deverá se recolher a uma vida de penitência e reparação pelos seus crimes.
"Fernando Karadima Fariña, nasceu em 1930, é um importante padre católico chileno, fundador de um grupo religioso, dos quais vários membros ocupam altos cargos na hierarquia eclesiástica do Chile, inclusive, no episcopado" (cf. IHU).
Parece que a crise dos fundadores não conhece um fim. Vários sacerdotes que, num passado não tão distante, iniciaram diversos tipos de movimentos religiosos tinham grandes esqueletos no armário.
O caso mais importante foi do Pe. Maciel, fundador dos Legionários de Cristo. Com a queda de Maciel, um dos sacerdotes mais influentes do mundo (especialmente na Cúria Joãopaulina), os outros seguiram como numa filá de dominós. Antes da desgraça do Pe. Maciel, os fundadores pareciam intocáveis. Roma, contudo, percebeu que os fundadores dos últimos 50 anos estão bem longe dos ideais de santidade dos grandes padres fundadores como Inácio de Loyola, João Bosco, Antonio Maria Claret e tantos outros.
Isso acontece, na minha modesta opinião, quando alguns sacerdotes são canonizados em vida. Todos esses fundadores depravados e também alguns superiores gozaram dos mais alto prestígio terreno possível. A conta é cobrada agora.
Fica uma lição para todos os membros dessas novas comunidades, para que aprendam a não endeusar seus fundadores e, se eles realmente são modelos de virtude e santidade, deixem que a Igreja lhes dê o justo lugar nos altares.
Fica uma lição para todos os membros dessas novas comunidades, para que aprendam a não endeusar seus fundadores e, se eles realmente são modelos de virtude e santidade, deixem que a Igreja lhes dê o justo lugar nos altares.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Ordenação sacerdotal no Ordinariato
O clero do Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham aumenta. Ontem foi a ordenação sacerdotal de mais um ex-bispo anglicano, David Silk.
A cerimônia ocorreu sem o mega-impacto visto pela ordenação dos outros três ex-bispos porque o reverendo Silk era bispo aposentado da comunhão anglicana. O clero do ordinariato está seguindo um caminho interessante: primeiro os bispos convertidos são ordenados em tempo recorde para, quando Pentecostes chegar, o clero anglicano convertido possa (re)encontrá-los no seio da Igreja Católica.
Interessante é ver que a cerimônia, conduzida com extrema simplicidade e beleza, nos mostra um ordinário paramentado com as vestes pontificais. Os créditos das fotos são do Ordinariato Pessoal, mais fotos clique aqui.
A cerimônia ocorreu sem o mega-impacto visto pela ordenação dos outros três ex-bispos porque o reverendo Silk era bispo aposentado da comunhão anglicana. O clero do ordinariato está seguindo um caminho interessante: primeiro os bispos convertidos são ordenados em tempo recorde para, quando Pentecostes chegar, o clero anglicano convertido possa (re)encontrá-los no seio da Igreja Católica.
Interessante é ver que a cerimônia, conduzida com extrema simplicidade e beleza, nos mostra um ordinário paramentado com as vestes pontificais. Os créditos das fotos são do Ordinariato Pessoal, mais fotos clique aqui.
Na sacristia são ajustados os últimos detalhes. Reparem que Mons. Newton usa a batina sem qualquer desconforto (uma lição para seus colegas).
Mons. Keith Newton, ordinário, apresenta o candidato ao bispo ordenante.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Foto do dia 2 - Nem os bispos aguentam o CELAM
A foto acima é da reunião de alguns membros diretores do CELAM (sigla em "desesperanto" para Conselho que Substitui o Vaticano na América Latina).
Reparem no que o senhor bispo está fazendo enquanto algum tema importantíssimo é explicado na reunião! Ele está orkutando... ai,ai,ai!
Damos um desconto pra ele, porque nós, no lugar dele, faríamos o mesmo!
Crédito: CNBB
Reparem no que o senhor bispo está fazendo enquanto algum tema importantíssimo é explicado na reunião! Ele está orkutando... ai,ai,ai!
Damos um desconto pra ele, porque nós, no lugar dele, faríamos o mesmo!
Crédito: CNBB
Foto do dia - Criatura e Criadores
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