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domingo, 8 de março de 2015

50 anos da missa em vernáculo. Papa Francisco: (...) aqueles que querem voltar atrás estão enganados!"

Paulo VI celebrando a primeira missa em vernáculo
Então aconteceu, há 50 anos, que Paulo VI celebrou a primeira missa em língua vernácula na paróquia de Todos os Santos(Ognissanti), em Roma. A liturgia celebrada pelo Papa Montini não foi 100% em italiano, mas a época já era o suficiente para ser revolucionária.

E eis que para marcar o aniversário desse momento histórico, Papa Francisco, o novo Paulo VI, decidiu visitar a mesma paróquia e celebrar a missa que, agora, já não causa tanta estranheza aos romanos.

Francisco esteve em Ognissanti acompanhado de... Walter Kasper! Icônico, não é mesmo? Acontece que coincidentemente a igreja de Ognissanti é a igreja titular do cardeal alemão que vem, a exemplo de Lutero, iniciando uma revolução dentro da igreja que poderá - Deus não permita! - culminar em mais um cisma de proporções globais.

Ao concluir a missa o Papa argentino proferiu as seguintes palavras:

Em tempos há dificuldades... mas onde está o Senhor as coisas vão bem. Concordam? (Sim!). Muito obrigado por me acolherem aqui, pela sua oração junto a mim durante a missa. Vamos agradecer ao Senhor pelo que Ele tem feito na sua Igreja nestes 50 anos de reforma litúrgica. Foi realmente um gesto corajoso para a Igreja se aproximar do povo de Deus para que eles pudessem entender o que estavam fazendo. Isso é importante para nós, seguir a missa dessa forma. Não é possível voltar atrás. Devemos sempre ir adiante. Sempre adiante (aplausos)! E aqueles que querem voltar atrás estão enganados. Sigamos adiante neste caminho (aplausos). Obrigado"

Uma mensagem bem clara. Quando o Papa fala de improviso ele fala o que realmente quer dizer, expressa realmente o seu magistério. Até que ponto esse magistério é autenticamente católico há um enorme espaço para debates, mas qualquer esclarecimento da parte dos teólogos do Vaticano sobre o que o Papa realmente quis dizer quando fala de forma espontânea é nada mais do que uma tentativa de torná-lo "católico".


Recentemente Francisco afirmou que os padres e bispos que falam em "reforma da reforma", um termo cunhado durante o pontificado de Bento XVI para expressar de forma resumida a teologia litúrgica do papa alemão dentro de um espectro de continuidade com o passado da Igreja, estão enganados, mesmo quando falam de boa vontade. Afirmou que a ordenação de alguns seminaristas de tendência mais tradicional coloca "uma mortalha sobre a Igreja". Afirmou ainda que muitos desses seminaristas são "desequilibrados" e que isso se expressa nas liturgias que celebram.

Não é de hoje que Francisco vem atacando os padres e bispos, e indiretamente os leigos, que se aproximam da liturgia tradicional. E são sempre ataques "de improviso", pegos e registrados por terceiros ou vazados depois de alguma reunião com o Papa. Quem não se lembra, por exemplo, da reunião de Francisco com os religiosos do Caribe onde o mesmo classificou os católicos tradicionais de neopelagianos?

Embora não ataque diretamente a missa em latim, Francisco é sim um forte anti-ratzinger. Suas ações, suas nomeações, promoções e, principalmente, demissões o dizem de forma clara.

Muitos afirmam que por ser de origem jesuíta o Papa Francisco não se interessa por liturgia. Tentam usar esse argumento - que eu mesmo não compreendo - para justificar as missas do Papa. Não é verdade! Francisco desde o primeiro ato como Papa, ao aparecer sem os paramentos pontifícios na sacada de São Pedro, já demonstrou que é um papa profundamente (anti)litúrgico. Ao contrário de Bento XVI, que esperou meses até começar a expressar o seu estilo litúrgico, Francisco o fez já na sua primeira missa ainda na capela onde fora eleito.

O que Francisco e outros bispos como ele não conseguem compreender é que esse "seguir adiante" que ele pede não encontra mais eco na juventude católica. O seguir adiante que realmente está acontecendo é o mergulhar cada vez mais profundamente na tradição da Igreja, na suas antigas orações e nos gestos mais significativos da sua liturgia. O seguir adiante não é um retroceder, mas um "compreender" verdadeiramente a dimensão espiritual e sacramental da liturgia.

O seguir adiante do Papa Francisco é raso, superficial. O nosso - os neopelagianos - é profundo e continuador. Há sim uma enorme diferença.

Então sigamos adiante! Com Summorum Pontificum e a reforma da reforma! Todos aqueles que desejam retroceder 50 anos atrás estão enganados!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Oração pelos cristãos perseguidos

Como é de conhecimento de todos, a perseguição aos cristãos encontra-se cada vez maior e mais cruel, sobretudo no oriente (Iraque, Síria) onde impera o caos e o nascimento de novos governos islâmicos que não tem outro objetivo a não ser destruir o cristianismo e matar cristãos. O número de mártires é enorme, como nunca antes na história do cristianismo.

A Fraternidade Sacerdotal São Pedro pede - e fazemos eco a este pedido - que seus apostolados se unam em oração no próximo dia 1 de agosto. O pedido foi recebido pelos católicos em todo mundo, inclusive por aqueles fiéis que, como a maioria dos brasileiros, não participam diretamente do apostolado da FSSP.

Na primeira sexta-feira do mês de agosto devemos nos unir em oração pelos cristãos perseguidos, suplicando em frente a Jesus Sacramentado por esses nossos irmãos na fé.

É um momento de oração e de unidade entre os católicos! Dia 1 de agosto, em qualquer igreja, sozinho ou acompanhado, ajoelhe-se em frente ao sacrário onde está realmente presente Jesus Cristo e a Ele confie o futuro dos nossos irmãos, implorando misericórdia e paz em todo o Oriente Médio, sobretudo no Iraque e na Síria!

Se você é blogueiro não deixe de transmitir esse pedido aos seus leitores.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Card. Walter Brandmüller dá uma lição de catolicismo a Scalfari. Ou, será que Francisco leu a bíblia?

Na última entrevista concedida ao periódico "La Repubblica", através do seu editor e fundador, o ateu Eugenio Scalfari, Francisco afirmou na última pergunta que o celibato, apontado para Scalfari como um problema, era uma norma da igreja de apenas 900 anos e que ele - o Papa - iria encontrar soluções para esse problema, referindo-se aos padres que vivem com mulheres.
Num vasto texto publicado no Il Foglio, o cardeal Walter Brandmüller apresenta todo o contexto do celibato na igreja latina e na oriental, dando uma boa lição de teologia e história ao jornalista ateu e, ouso dizer, a Sua Santidade. Eis o texto. Volto com um breve comentário abaixo.

***


Nós, sacerdotes, celibatários como Cristo 

por Walter Brandmüller
* Cardeal e presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas.

Ilmo dr. Scalfari, mesmo não gozando do privilégio de conhecê-lo pessoalmente, gostaria de voltar a suas declarações sobre o celibato contidas no relatório de sua entrevista com o papa Francisco, publicado 13 de julho de 2014, cuja autenticidade foi imediatamente negada pelo diretor da Sala de Imprensa do Vaticano.

Como o "velho professor", que durante trinta anos lecionou História da Igreja na universidade, gostaria de vos informar o estado atual da pesquisa neste campo.
Em particular, deve-se salientar, em primeiro lugar, que o celibato não data a uma lei inventada 900 anos depois da morte de Cristo.

São abundantes nos Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas que relatam as palavras de Jesus sobre o assunto.
São Mateus escreve (19,29) "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna".
De forma muito semelhante ao que escreve São Marcos (10,29) - "Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais..."
De forma mais precisa está São Lucas (18,29 ss) - Em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna"

Jesus não dirigia estas palavras para as massas, mas para aqueles que enviava ao mundo para espalhar Seu evangelho e anunciar a vinda do Reino de Deus. Para cumprir esta missão, você precisa se livrar de qualquer laço terreno e humano.

E uma vez que esta separação significa a perda do que é dado como certo. Jesus promete uma "recompensa" mais do que apropriada.
Neste momento encontra-se frequentemente que o "deixar tudo" se referia apenas à duração da jornada de proclamação do Seu Evangelho, e que uma vez que a tarefa fosse concluída, os discípulos seriam devolvidos às suas famílias. Mas não há qualquer vestígio disso.

O texto dos Evangelhos, referindo-se a vida eterna, no entanto, fala de algo definitivo.

Agora, desde que os Evangelhos foram escritos entre 40 e 70 d. C., seus redatores estariam em maus lençóis se atribuíssem palavras a Jesus que, então, não se encaixavam com o seu modo de vida. Jesus, de fato, afirma que aqueles que são participantes da sua missão também adotam o seu estilo de vida. Mas o que significa quando Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (9.5) escreve: Não sou eu livre? Não sou apóstolo?... Não temos nós porventura o direito de comer e beber? Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher crente, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar o trabalho?

Estas perguntas e afirmações não dão como certo que os apóstolos estavam acompanhados por suas esposas? Aqui devemos proceder com cautela. As perguntas retóricas do apóstolo referem-se ao direito daquele que anuncia o Evangelho de viver às custas da comunidade, e isso também se aplica a quem o acompanhava. E aqui se coloca a questão sobre quem seria esse acompanhante.

A expressão grega "adelphén gynaika" exige uma explicação. "Adelphe" significa irmã.
E aqui para a irmã na fé significa uma cristã, enquanto "Gyne" significa - de forma mais geral - uma mulher, uma virgem, esposa ou noiva que seja.
Em suma, um ser feminino.

Isso torna impossível de provar, no entanto, que os apóstolos foram acompanhados por suas esposas.
Por que, se assim fosse, não se iria entender por que falamos de uma Adelphe distintamente como uma irmã, de modo cristão.  Quanto à sua esposa, você tem que saber que o apóstolo a deixou quando se juntou ao círculo dos discípulos.

O capítulo 8 do Evangelho de Lucas ajuda a colocar mais clareza.  Você lê: "Os Doze estavam com Jesus, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses". A partir dessa descrição parece lógico inferir que os apóstolos seguiam o exemplo de Jesus.

Também deve ser levado ao conhecimento o apelo empático ao celibato ou à abstinência conjugal feita pelo apóstolo Paulo (1. Cor. 7,29 ss): "Mas eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem". E também "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa".
É claro que Paulo, com estas palavras irá agradar principalmente aos bispos e sacerdotes. E ele mesmo iria se ater a esse ideal.

Para provar que Paulo ou a Igreja nos tempos apostólicos não tinha conhecido do celibato são colocados em jogo, às vezes, as cartas a Timóteo e Tito, as chamadas cartas pastorais.
E, de fato, em sua primeira carta Timóteo (3:2) fala de um bispo casado. E repetidamente se traduz o texto original grego da seguinte forma: "O bispo deve ser marido de uma mulher", o que é entendido como um preceito.

E sim, bastaria um conhecimento rudimentar de grego, para traduzir corretamente: "Por esta razão, o bispo seja irrepreensível, ambos casados ​​uma vez (e ele deve ser marido de uma mulher!), Sede sóbrios e sensatos ...".
E no livro de Tito diz: "Um ancião (ou seja, um padre, bispo) deve ser irrepreensível casado uma vez...". Há indícios que tendem a excluir a possibilidade de ser ordenado bispo quem, após a morte de sua esposa, se casou novamente (bigamia sucessiva).
Porque, além do fato que naquele tempo não se via com bons olhos um viúvo que se casava novamente, para a Igreja se acrescentava a consideração que um homem nessas condições não oferecia garantia alguma de respeitar a assistência, a qual um bispo ou sacerdote devia recorrer.


A prática na Igreja pós-apostólica

A forma original do celibato previa que um sacerdote ou bispo continuasse com a vida familiar, mas não uma vida conjugal. Também por isso se preferia ordenar homens em idade mais avançada.

O fato de que tudo pode ser rastreada até as antigas e consagradas tradições apostólicas, como evidenciado pelas obras de escritores eclesiásticos como Clemente de Alexandria e o norte-africano Tertuliano, que viveu no século XIII depois de Cristo. Além disso, são testemunhas dignas de consideração sobre a apreciação da abstinência entre os cristãos, uma série de literaturas edificantes sobre os apóstolos: são os apócrifos dos atos dos apóstolos, compostos no final do século II e muito difundidos.

No séculos sucessivos se multiplicavam e sempre de forma mais explicita - sobretudo no oriente - os documentos literários sobre a abstinência dos clérigos. Eis, por exemplo, uma passagem de um texto sírio: O bispo, antes de ser ordenado, deve ser submetido a prova, para saber se é casto e se educou seus filhos no temor de Deus".
Até mesmo o grande teólogo Orígenes de Alexandria tem conhecimento de um celibato de abstinência vinculante; um celibato sobre o qual escreve e se aprofunda em várias obras.
E há, obviamente, que se considerar outros documentos de apoio, o que obviamente não é possível aqui.

A primeira lei sobre o celibato

Foi o Concílio de Elvira de 305-06 para dar a esta prática de origem apostólica a forma da lei.
Com a Cânone 33, o Concílio proíbe bispos, sacerdotes, diáconos e todos os outros clérigos de relações conjugais com sua esposa e também os proíbe de ter filhos.

Na época, pensava-se, portanto, que a abstinência conjugal e a vida familiar eram conciliáveis.
Assim, mesmo o Santo Padre Leão I, conhecido como Leão Magno, por volta do ano de 450, escreveu que os consagrados não deviam se divorciar de suas esposas.

Eles tinham que ficar juntos, mas como escreve Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (7:29).
Com o passar do tempo, tendeu-se cada vez mais a dar os sacramentos só para homens solteiros.
A codificação vai chegar na Idade Média, época em que foi assumido que o sacerdote e o bispo fossem celibatários.

Outra coisa é o fato de que a disciplina canônica nem sempre foi vivida ao pé da letra, mas isso não é surpreendente.
E, como é da natureza das coisas, mesmo a observância do celibato tem conhecido ao longo dos séculos os altos e baixos. Exemplo famoso é o debate muito acalorado, que teve lugar no século XI, no momento da chamada reforma gregoriana.

Naquela época, nós testemunhamos um racha tão claro - especialmente na igreja francesa e alemã - que levou os prelados alemães que se opunham ao celibato a removerem a força o Bispo Altmann de Passau de sua diocese. Na França, os emissários do Papa instruído a insistir na disciplina do celibato foram ameaçados de morte, e o santo abade Walter de Pontoise foi espancado durante um sínodo realizado em Paris, pelos bispos que se opõem ao celibato e jogado na cadeia. No entanto, a reforma prevaleceria, e nós assistimos a uma renovada primavera religiosa.

É interessante notar que a contestação da disciplina do celibato sempre esteve associada aos sinais de decadência na Igreja, enquanto que em momentos de renovada fé e florescimento cultural foi notada uma observância melhorada do celibato. Não é difícil tirar destas observações paralelos históricos com a atual crise.


O problema da Igreja do Oriente

Permanecem abertas mais duas perguntas que são feitas com freqüência. Aquela que diz respeito à prática do celibato na Igreja Católica do Império Bizantino e pelo rito oriental: que não permite o casamento para os bispos e monges, mas as concede aos sacerdotes, contanto que sejam casado antes de tomarem os sacramentos. E, tomando a sua prática como esta, há aqueles que se perguntam se poderia igualmente ser adotada pelo ocidente latino.

Neste sentido, importa antes de mais salientar que foi no Oriente que a prática do celibato em abstinência foi considerada vinculante. E é somente durante o Concílio de 691, o chamado Quinisextum o Trullanum, quando ficou clara a decadência religiosa e cultural do Império Bizantino, que há à ruptura com a herança apostólica. Este concílio, influenciado principalmente pelo imperador, que com uma nova legislação colocou ordem nas relações, nunca foi reconhecido pelos papas.

É apenas naquela época que surge a prática adotada pela Igreja do Oriente.
Quando, nos séculos XVI e XVII, e, posteriormente, várias igrejas ortodoxas voltaram para a Igreja do Ocidente, Roma enfrentou o problema de como lidar com os clérigos casados ​​das igrejas. Os vários papas que se seguiram decidiram, para o bem e a unidade da Igreja, em não exigir dos sacerdotes que voltavam para a igreja-mãe todas as alterações ao seu modo de vida.


A exceção em nosso tempo


Ordinários e suas esposas
Convertidos ao catolicismo e dispensados do celibato
Em um raciocínio semelhante também se baseia a dispensa papal do celibato concedida - a partir de Pio XII - aos ministros protestantes que se convertem à Igreja Católica e que desejam ser ordenados sacerdotes. Esta regra foi aplicada recentemente por Bento XVI aos muitos prelados anglicanos que quiseram juntar-se, de acordo com a constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, à Igreja Católica.

Com esta concessão extraordinária, a igreja reconhece estes homens de fé em sua longa e muitas vezes dolorosa jornada religiosa, agora convergindo para a meta. A meta em nome da verdade faz as pessoas envolvidas desistirem até mesmo do sustento econômico até então recebido.
É a unidade da Igreja, bem de imenso valor, que justifica essas exceções.

Herança vinculante?

Mas para além destas exceções, há uma outra questão importante a saber: a Igreja pode ser autorizado a renuncia a uma herança apostólica clara? É uma opção que está constantemente a ser considerada.
Alguns pensam que esta decisão não pode ser tomada apenas de um lado da igreja, mas por um concílio geral.

Dessa forma, se pensa que, por não envolver todo o âmbito eclesiástico, pelo menos para alguns é possível afrouxar a obrigação do celibato, quando não abolir por completo. E o que hoje ainda é inapropriado, poderia ser a realidade de amanhã.
Mas se proceder dessa forma, se deve colocar em primeiro plano o elemento vinculante da tradição apostólica.

E ainda você pode estar se perguntando se, por decisão tomada num Concílio, seria possível abolir a celebração do Domingo, já que para querer ser rigoroso, ela tem menos fundamentos bíblicos que o celibato. Finalmente, para concluir, gostaria de apresentar uma visão para o futuro: se continua a ser válido o fato de que cada reforma eclesiástica que merece esta definição provém de um profundo conhecimento da fé eclesiástica, então, mesmo o atual debate sobre o celibato será ultrapassado por um conhecimento profundo do que significa ser um sacerdote.

E se você entender e ensinar que o sacerdócio não é um mero serviço, exercido em nome da comunidade, mas que o sacerdote - em virtude dos sacramentos recebidos - ensina, santifica e guia na pessoa de Cristo,  vamos entender ainda mais que para isto ele também deve assumir a forma de vida de Cristo.

E um sacerdócio bem compreendido e vivido voltará a exercer uma força de atração sobre os jovens.
Quanto ao resto, temos de reconhecer que o celibato, assim como a virgindade por causa do Reino dos Céus, permanecerá para aqueles que têm uma concepção secularizada da vida sempre como algo irritante.
Mas Jesus já disse a este respeito: "Quem pode entender, compreenda."


***

Em primeiro lugar, peço desculpas antecipadas se encontrarem algum erro no texto. Não tive tempo de revisá-lo, mas acredito que você leitor, como uma alma indulgente, vai me perdoar. Agora vamos lá...

Scalfari, um ateu que naturalmente "têm uma concepção secularizada da vida", não comete um erro ou incoerência ao questionar o celibato. É da sua natureza deformada, enquanto ateu, ir contra a igreja. Quem erra é o Papa Francisco que demonstrou, mais uma vez, pouco conhecimento da teologia e da história da Igreja.

Não é a primeira vez que o Papa gloriosamente reinante é pego com problemas bíblicos. O editor do site e periódico americano "The Remnant", Michael Matt, já falou num vídeo no youtube sobre os problemas que Francisco tem com a bíblia - citações que não existem, trechos inventados pela criatividade pontifícia e até interpretações que vão contra o sentido claro do texto. Essas "imprecisões" são cometidas frequentemente nas missas diárias do Papa na casa Santa Marta; suas homilias, diferentemente das homilias das grandes liturgias nas basílicas ou viagens, não são revisadas pelos teólogos do Vaticano, algumas são feitas totalmente de improviso pelo Papa, sem texto escrito.

O texto do cardeal Brandmuller ilustra o caráter apostólico do celibato. Não é uma lei qualquer criada 900 depois da morte [e ressurreição... Francisco também esquece desse detalhe] de Jesus. Não é um pedaço de legislação, mas parte da tradição apostólica!

O cardeal demonstra brevemente que a Igreja oriental tolera o casamento dos clérigos por imposição secular, um vício que foi transformado, isso sim, em lei. Mesmo hoje, entre os ortodoxos, os padres casados não são, nem de longe, a maioria e sua ordenação não é estimulada pelos bispos. Os progressistas tentam buscar no oriente uma base teológica para justificar o fim do celibato e a tolerância ao divórcio. Não encontram, porque não existe.

Francisco tem a mesma teologia de Kasper. Acontece que o cardeal alemão, que estudou teologia, sabe que não está certo e age de má fé, apresentado fatos mutilados e meias verdades. Já o Papa pensa que está certo e isso é o mais perigoso.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Papa Francisco sobre a missa antiga: Uma modinha

O então-arcebispo de Buenos Aires rezando a missa nova
Por que preferimos a missa antiga? A foto acima nos responde.


O blog "Rorate Caeli" nos apresenta a tradução (para o inglês) de uma página da rádio Vaticano em checo. Nesta página o arcebispo Jan Graubner, recordando a sua recente visita Ad Limina ao Vaticano, nos apresentou algumas palavras sobre a missa tradicional que foram pronunciadas pelo Papa Francisco no encontro com os bispos desse país.

[Dom Jan Graubner] Quando estávamos discutindo sobre aqueles que apreciam a antiga liturgia e desejam retornar para ela, ficou evidente que o Papa falava com grande afeição, atenção e sensibilidade com todos para magoar ninguém. Entretanto, ele se pronunciou de forma muito forte quando disse que ele compreendia quando a geração mais antiga retornava ao que havia experimentado, mas que ele não podia compreender a geração mais nova desejando retornar a isto. "Quando eu pesquiso mais profundamente - disse o Papa - eu descubro que é mais um tipo de moda. E se é uma moda, portanto é uma matéria que não precisa de muita atenção. É preciso mostrar apenas alguma paciência e bondade para com as pessoas que estão viciadas numa certa moda. Mas eu considero de grande importância ir a fundo nas coisas, porque se não nos aprofundamos nenhuma forma litúrgica, essa ou aquela, pode nos salvar".

Assumo o relato de Dom Jan Graubner como autêntico e digno de crédito. É um bispo falando a uma rádio católica oficial (Radio Vaticano). Seria impensável que o bispo inventasse a história como forma de atingir o mundo tradicionalista ou de colocar os fiéis (e sacerdotes) ligados ao antigo rito contra o Papa.

De qualquer forma, essa é a declaração mais direta sobre o que pensa Francisco sobre a missa antiga. Antes tínamos apenas ataques velados, contra os católicos "pelagianos" ou reacionários. Agora temos algo concreto e direto, uma mensagem com destinatário certo.

Fico pensando - e creio que você também está pensando da mesma forma - como se sentirão os milhares de jovens seminaristas da Fraternidade São Pedro, IBP, Administração Apostólica, Inst. Cristo Rei e das pequenas comunidades religiosas tradicionais quando passarem os olhos nessas declarações. Será que o Papa pensa que empenharam sua vocação em algo tão tolo quanto uma modinha?

Francisco demonstra, como todo bispo latino-americano, um total desconhecimento do mundo católico para o qual Deus, por sua insondável providência, o chamou para ser Vigário. Francisco parte de um princípio muito simples - não compreendo, logo ignoro. Essa não é uma boa atitude pastoral, já que a moda agora, com Francisco, é ser pastoral.

A própria declaração - que a adesão à missa antiga é uma moda - é estúpida em si mesma. Moda é algo tão passageiro e efêmero que não se compatibiliza com o "fenômeno" da missa tradicional que dura mais de 40 anos. Alguém conhece alguma moda com quatro décadas de duração?

Bento XVI, esse professor e teólogo alemão com uma visão muito sim e não do mundo, para parafrasear o atual Vice-papa Cardeal Maradiaga, conseguiu compreender com muita clareza as intenções que conduziam jovens e velhos ao rito antigo. Não era um costume enraizado nos mais velhos ou uma moda nos mais jovens, mas uma verdadeira busca pelo sagrado que ultrapassa gerações e é, por natureza, universal (católico). Francisco, por sua vez, é minimalista até na compreensão, como são os bispos brasileiros, por exemplo. Eles perderam quase que por completo qualquer referência ao sagrado; para eles o rito da missa é só um rito, uma forma ou normativa que deve ser seguida. Não há uma realidade transcendente para eles, há apenas a lei.

Penso que agora a guerra contra a missa tradicional está (novamente) deflagrada. Os tradicionalistas tiveram 6 anos de relativa paz, mas agora é possível que suas capelas lhes sejam retiradas, que seus padres sejam transferidos e que suas reuniões proibidas.

Como eu já havia dito numa outra postagem, tentar unir Francisco com Bento XVI, demonstrando alguma "continuidade" entre os dois, é absurdo. Francisco foi eleito para revolucionar a Igreja e está fazendo exatamente isso com suas alocuções confusas, suas doutrinas econômicas cripto-marxistas, com a perseguição aos franciscanos da Imaculada, com o desdém pela missa antiga e pelos leigos a ela ligados, pelo enfraquecimento da cúria, etc.

Rezemos pela Igreja!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Comissão de Investigação sobre Medjugorje conclui seus trabalhos

(Vatican Insider | Tradução Blogonicus) Um veredito sobre as aparições de Medjugorje não está muito longe. A comissão de inquérito sobre Mejugorje que foi criada em Março de 2010 e é presidida pelo Cardeal Camillo Ruini concluiu seu trabalho. Padre Federico Lombardi confirmou que a comissão realizou a sua última reunião na sexta-feira e os resultados do inquérito serão agora examinados pela Congregação para a Doutrina da Fé, liderada pelo prefeito Gerhard Müller.

Todo o material recolhido, as entrevistas com os videntes e muitas outras testemunhas, as histórias contadas pelas diversas pessoas envolvidas, relatórios de peritos e reflexões teológicas sobre as mensagens, foi resumido em um relatório final e repassado para a Congregação para a Doutrina da Fé para uma avaliação cuidadosa. O relatório será estudado juntamente com outros documentos que a Congregação reuniu ao longo dos anos.

Vatican Insider soube que a Comissão centrou-se principalmente na primeira fase das aparições. Não há aparentemente nenhuma prova de quaisquer truques, fraudes ou abuso da credulidade popular. No entanto, é bastante difícil para a Igreja formar um veredito definitivo sobre a natureza sobrenatural de um fenômeno que está em curso.

Dos seis videntes que relataram aparições em junho de 1981, quando eles ainda eram crianças ou em seus adolescentes, três afirmam que ainda vêem aparições diárias da "Rainha da Paz", ao mesmo tempo, todas as tardes, onde quer que estejam no nessa hora. Esses videntes são: Vicka (que vive em Medjugorje), Marija (que vive em Monza) e Ivan (que mora em os EUA, mas retorna à sua terra natal frequentemente) Uma quarta vidente Mirjana, vê uma aparição no segundo dia de cada mês.

O grande volume de mensagens circulando representa um problema para a Comissão. Da mesma forma a previsão de sinais sobrenaturais e segredos que os videntes se recusaram a partilhar, mesmo com as autoridades da Igreja.

Alguns dos membros da Comissão sublinharam a necessidade de uma mudança de ritmo na prestação de cuidados pastorais para milhões de fiéis que vêm a Medjugorje de todo o mundo. A Comissão e o próprio cardeal Ruini, graças à visitas de pessoas próximas a ele, têm notado que as pessoas realmente estão se convertendo à fé ou voltando para os sacramentos - o que a Igreja se refere  como frutos espirituais - de uma forma significativa.

Mas isso sozinho não faz uma decisão por parte da Igreja no que diz respeito à natureza sobrenatural das aparições. Na verdade, ao longo dos últimos meses, o Prefeito Müller advertiu os bispos dos EUA para manter um olhar atento sobre as reuniões realizadas por videntes de Medjugorje. Estas são muitas vezes reuniões públicas com muitas aparições na agenda. Durante a missa no último 14 de novembro, na Casa Santa Marta, o Papa muito eloquentemente disse que Maria é Mãe e "não é um agente postal dos correios enviando mensagens todos os dias". Estas palavras foram dirigidas a pessoas que se comunicam continuamente mensagens e profecias sobre o futuro.

O Bispo de Mostar, Ratko Peric, que também atende Medjugorje, é notoriamente cético sobre o fenômeno, como era seu predecessor. Depois, há o problema secular das relações entre o clero diocesano e os frades franciscanos da Herzegovinana época das aparições. Algumas soluções propostas no passado recente foram para restaurar a antiga diocese de Trebinje, de modo a remover Medjugorje do território da diocese de Mostar ou criar um santuário mariano, que seria gerido por um reitor de uma outra diocese.

sábado, 24 de março de 2012

As múmias do Concílio em prantos

Padres da geração Vaticano II ainda adotam modelo do Concílio, apesar de retrocessos

Com a aproximação das bodas de ouro da abertura do Concílio Vaticano II no dia 11 de outubro de 1962, homens ordenados nos anos do Concílio predominantemente adotam "o espírito do Vaticano II" como uma fonte para suas vidas e ministério mesmo enquanto outros católicos depreciam esse "espírito".

A reportagem é de Dan Morris-Young, publicada no sítio National Catholic Reporter, 12-03-2012. A tradução é deMoisés Sbardelotto. [comentários em roxo Blogonicvs]

Ao mesmo tempo, muitos desses "padres do Vaticano II" – como os pesquisadores os chamam – expressam preocupação de que as janelas icônicas da Igreja escancaradas pelo Concílio estão sendo fechadas e trancadas. Eles levantam inquietações sobre a liderança da Igreja, a apatia ecumênica, um colapso da colegialidade, o papel das mulheres, a reforma litúrgica e muito mais.

"Às vezes, eu penso que o Concílio Vaticano II é o segredo mais bem guardado da Igreja", disse o padre David Pettingill (foto), sacerdote aposentado da Arquidiocese de San Francisco, que ainda está ativo no trabalho de retiros e de cursos de ensino sobre o Concílio para ministros leigos.

"O que vejo é um esforço concertado para se afastar do Vaticano II juntamente com uma linha partidária, e essa linha partidária é que o Concílio simplesmente esteve em continuidade com o ensino da Igreja e que este simplesmente evoluiu", disse Pettingill, ex-pároco, professor de seminário e administrador de colégio de Ensino Médio que foi ordenado em 1962.

"No entanto, quando você assume essa abordagem, e ela pode até ser válida", acrescentou, "você também tem que fazer outra pergunta, se você quiser ser historicamente preciso: o que esse Concílio fez para a Igreja?"

"A menos que você queira dizer que foi uma perda de tempo, há algumas coisas que aconteceram lá que nunca haviam acontecido nos outros 20 concílios ecumênicos, e os documentos produzidos estão em uma forma literária diferente e são o consenso do maior número de bispos reunidos em assembleia de todo o mundo, e eles estavam dando um novo olhar para a Igreja porque João XXIII disse: 'Nós faremos um aggiornamento. Nós vamos atualizar a Igreja'".

"Então, eu acho essa linha partidária", disse Pettingill, "uma admissão real do fato de que estamos nos afastando" da renovação em curso. "Acho isso muito triste".

Muitos entrevistados apontaram para a tensão entre interpretar o Concílio como a inauguração de uma Igreja aberta e colegial contra vê-lo como "o fim de um processo, não o começo", nas palavras do padre jesuíta Thomas Reese (foto).

Ordenado em 1974, Reese entrou para os jesuítas no ano em que o Concílio foi aberto. "Estávamos trancados no seminário e dificilmente sabíamos o que estava acontecendo", brincou. "Nós não tínhamos acesso a jornais, TV ou revistas – ou ao The New Yorker, que, é claro, estava publicando os artigos de F. X. Murphy".

O padre redentorista Francis X. Murphy usava o pseudônimoXavier Rynne para publicar reportagens sobre os bastidores dos trabalhos do Concílio.

"De alguma forma, eu fiquei sabendo do Concílio, e dois de nós fomos ao encontro do superior e pedimos permissão para ter cópias dos documentos do Vaticano II. Ele teve uma reunião com seus consultores para decidir se podíamos ou não ter as cópias. A decisão foi de que nós dois poderíamos tê-las porque havíamos pedido, mas elas não seriam disponibilizadas em geral aos outros seminaristas.

"Dentro de um mês, eles eram leitura obrigatória", brincou Reese novamente.

"Mesmo que tenha havido lutas e argumentações e brigas" durante o Concílio, disse Reese, "havia uma sensação de que a história estava do lado dos progressistas e de que estávamos indo para a frente, de que era algo praticamente imparável e que as coisas começariam a ficar melhores na Igreja ano após ano". [e nós sabemos que os resultados ficaram realmente "melhores" para a Igreja, sobretudo para os jesuítas que, desde esse período, são exatamente a metade do que eram, em números. Quase não possuem vocações, vendem seus seminários para bancos, lojas, hotéis, etc]

Reese disse: "Isso praticamente parou com o papado de João Paulo II", que via "os documentos do Vaticano II como algo que era importante, não o espírito".

Atualmente membro sênior do Woodstock Theological Center da Georgetown University, em Washington, Reese foi uma fonte de preocupação para o Vaticano durante seus sete anos como editor-chefe da revista semanal dos jesuítas America. Ele renunciou do cargo em 2005 depois de uma crítica curial à sua abertura a explorar temas sensíveis da Igreja, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e pesquisas com células-tronco à Comunhão por parte de políticos católicos que apoiavam o aborto legal. [só isso? Que maldade do Vaticano!...]

Antes de se tornar papa, o cardeal Joseph Ratzinger, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Papa João Paulo II "deram a sua interpretação aos documentos (...) e geralmente ela era a interpretação conservadora e minoritária do Concílio", disse Reese.

"Hoje, o medo não é só que os freios foram acionados, mas também que a marcha à ré foi engatada [Amém!]. Vemos mudanças nas áreas da colegialidade, da liturgia e do ecumenismo, onde não podemos nem mais chamar as comunidades protestantes de Igrejas".

Hermenêuticas

Enquanto isso, os críticos do "espírito do Vaticano II" acusam que ele é usado como um carta curinga para abandonar a ortodoxia doutrinal.

Ratzinger, agora como Papa Bento XVI, apresenta o argumento de uma "hermenêutica da continuidade", que enfatiza a interpretação dos próprios documentos conciliares.

Especialistas católicos como Russell Shaw são explícitos: "Acho que o 'espírito do Vaticano II' é bastante bem-humorado e hipócrita. Os líderes da Igreja depois de Constantinopla adicionaram uma quarta pessoa à Trindade no 'espírito de Constantinopla'? Os concílios certamente têm tons e espíritos, mas estes se baseiam nos ensinamentos e decretos do próprio concílio, não nas ideias e práticas que o concílio especificamente se recusou a aprovar. Em outras palavras, penso que o argumento de que, como o Vaticano II fez mudanças na Igreja, então é lógico que o Concílio nos chama a fazer mudanças ainda mais radicais e inovadores é falso".

Tais postulações levam pessoas como o padre J. Severyn Westbrook (foto) a balançar a cabeça: "Se a Igreja é essencialista, sabemos tudo, e não há mais nada a ser conhecido, e todas as questões estão resolvidas. As pessoas precisam aprender o que é a verdade estabelecida. Está tudo acabado. Nós apenas precisamos realizá-la. E eu acho que essa é praticamente a visão reinante hoje".

Ordenado em 1962 na Diocese de Spokane, Washington,Westbrook continuou: "Em uma Igreja existencialista, você ouve e presta atenção em como o espírito está se movendo entre as pessoas, especialmente nas comunidades de fé. Você aprende com isso. A Igreja precisa ser um organismo vivo, que respira, que sente, que reza. Devemos ser um organismo ou devemos ser uma organização?".

Westbrook admite: "Às vezes, eu me sinto muito desanimado. É como se as pessoas responsáveis – a quem eu geralmente chamo de autoridades do templo – estão ganhando. Eles estão ganhando por atrito. E eles formaram cuidadosamente o que está por vir no futuro" [Exatamente! Essas "autoridades do templo" têm vocações, enquanto que os liberais são tão jovens quanto esses que vemos nas fotos. Estão tristes porque não têm mais tempo, não têm mais sementes, não têm mais nada. Este vazio é fruto daquilo que plantaram].

Ele lembrou de uma apresentação em 1982 sobre a necessidade de padres casados, que ele foi convidado a fazer para os bispos do noroeste do Pacífico. "Fiquei surpreso de que nenhum deles criou problemas", disse. "Alguns ficaram até entusiasmados. Houve um consenso virtual".

No entanto, "há muito tempo, tenho ficado perplexo pelo fato de que o assunto nunca abriu caminho na agenda da Conferência dos Bispos. Certamente, isso levanta a questão de até que ponto os bispos podem exercer a colegialidade ou mesmo se encarregar da sua própria agenda" [os bispos não deveriam ter "uma agenda" própria, mas seguir fielmente a agenda de Cristo].

Um diálogo aberto e sincero "não é mais como era", denunciou Westbrook, pároco aposentado [aposentado... sentiram o frescor da juventude?], estudioso e capelão universitário. "As posições foram determinadas, e eles estão autorizados a votar 'sim'. Está fechado. Devemos ser um monólito ou devemos ser como seres humanos que pensam e sentem?[imutáveis ou mundanos?] E isso significa que podemos discordar e talvez possamos chegar a um consenso. Mas precisamos ouvir uns aos outros" [os progressistas tiveram muito tempo para falar, anos até. Agora que o microfone está em outras mãos, se lamentam, rasgam as vestes e acusam, clamam aos céus! Que diálogo aberto e sincero é este?].

"Eu não perdi a esperança e confio no Espírito Santo", acrescentou, "mas o jogo está sendo manipulado" [não, não! O Jogo acabou! Agora é a hora de arrumar a bagunça e o Espírito Santo fará justamente isso].
Líderes servos
Westbrook, Reese e Pettingill são o que os sociólogos que estudam as tendências eclesiais definem como "padres do Vaticano II". Um grande estudo sobre os padres e seus ministérios, com lançamento previsto para abril, define o termo como homens nascidos entre 1943 e 1960.

Encomendada pela National Federation of Priests' Councils e realizada pelo Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado (CARA), com sede em Georgetown, a pesquisa afirma que os padres formados nas imediações do Vaticano II tendem a ver o sacerdócio, o ministério e a Igreja de forma diferente em muitos aspectos do que homens mais velhos e mais jovens. [então, podemos deduzir, o problema está neles e não na Igreja. São uma geração torturada e corrompida, desvirtuada do seu fim sacerdotal]

Dentre outras coisas, esses padres do Vaticano II se veem mais como "líderes servos" [que detestam servir, mas adoram liderar!] dentro da comunidade do que como "homens postos à parte" como se viam os "padres pré-Vaticano II" e, mais recentemente, os "padres pós-Vaticano II" e os "padres do milênio" [os padres de sempre, pelo jeito. Mais uma vez essa geração estudada se configura como uma falha, uma exceção].

Os padres do Vaticano II são mais propensos a apoiar o princípio de se consultar com líderes leigos e suas congregações.

Intitulado Same Call, Different Men: The Evolution of the Priesthood since Vatican II [Um mesmo chamado, homens diferentes: A Evolução do sacerdócio desde o Vaticano II], o novo estudo também relata que homens ordenados mais recentemente tendem a enfatizar a ortodoxia da Igreja e se consideram mais felizes no ministério do que os padres doVaticano II [jura!? Por que será???]. Eles também sentem o apoio episcopal e papal mais fortemente do que os homens do Vaticano II.

Em um apaixonado artigo de dezembro de 2010 intitulado "Reflexões sobre um aniversário de Bodas de Ouro Sacerdotais", um renomado padre australiano, Eric Hodgens, declarou: "Nós assumimos o Vaticano II no coração. Mudamos de padres chamados e consagrados por Deus para presbíteros chamados e ordenados pela Igreja – o Povo de Deus" [e deu no que deu. Servem o povo pelo povo, quando na verdade deveriam servir a Deus].

"Nós somos os padres da Gaudium et Spes", escreveu Hodgens, aludindo à constituição pastoral do Concílio sobre a Igreja no mundo moderno, que fornece um quadro teológico chamando a Igreja a se envolver mundialmente em questões que vão da justiça social e da tecnologia à economia e ao ecumenismo.

Padre da Arquidiocese de Melbourne, Hodgens criticou o que ele vê como preocupantes tendências pós-Vaticano II [mas não são eles próprios que querem avanços? Avancemos então, deixando a interminável década de 60 lá no século passado!] no ecumenismo, na timidez e condescendência episcopais, na falta de discernimento científico das lideranças eclesiais, em conhecimentos teológicos e bíblicos restritos, na regressão litúrgica mal concebida, na falta de colegialidade, transparência e discussão aberta, e em costumes sexuais, que "estão sendo promovidas para a prateleira superior" das atenções da Igreja.

"As decisões discordantes têm vindo [como sempre vieram] do papa para baixo", escreveu Hodgens. "O celibato sacerdotal, apesar de ser altamente controverso, foi reafirmado por Paulo VI em 1967, sem discussão. Em 1968, a Humanae Vitae foi uma decepção chocante. A maioria de nós nunca a aceitou [ora, talvez seja por isso que vocês não tenham vocações, já que apoiam a contracepção!]. Paulo VI começou a nomear bispos opostos ao ethos do Concílio. (...) Toda a tendência foi desmoralizadora".

No entanto, Hodgens também enfatizou o que o estudo do CARA constatou e que as entrevistas do NCR confirmaram: os padres do Vaticano II estão geralmente muito satisfeitos com suas vidas e ministérios, mesmo que não no mesmo nível dos grupos mais velhos e mais jovens.

Hodgens chama o fenômeno de "ser feliz em seu próprio quadrado".

Ordenado em 1969, o padre Gary Lombardi (foto) está feliz em seu "quadrado", na Paróquia São Vicente de Paulo, em Petaluma, Califórnia, mas ele claramente poderia estar mais feliz com o futuro da Igreja.

"De muitas formas, as coisas reverteram ao modelo autoritário, hierárquico e institucional. As coisas vêm muito mais de cima para baixo", explicou. "Tudo parece vir de Roma. Os bispos são nomeados sem muitas consultas com os bispos da região. Há uma espécie de ênfase na ortodoxia e na fidelidade, e no magistério e na lealdade ao Santo Padre, que é a mesma de antes do Concílio" [onde esse mundo vai parar!? Ênfase na ortodoxia? Eu não posso acreditar nisso...].

Houve um retorno à "rigidez" e uma ênfase sobre "pessoas que se enquadram à Igreja, ao invés de a Igreja ministrar às pessoas", disse Lombardi, que chefiou o escritório de educação do clero da Diocese de Santa Rosa por 16 anos. "Às vezes, vejo pessoas boas sofrendo por causa dessa rigidez".

Lombardi lembra ter se debatido nos últimos anos de sua formação no seminário com o fato de "se eu iria servir a Igreja ou se eu iria servir o povo".

"Então, isso me surpreendeu", disse. "A Igreja é o povo de Deus. O Vaticano II fez isso".

Embora dizendo que a Igreja "certamente precisa de uma autoridade de governo", Lombardi destacou que o Vaticano IIenfatizou uma Igreja "em contato com as vidas das pessoas" e aberta à "colegialidade e à consulta nas questões da vida e do ensino da Igreja".

"Essa era uma dinâmica fundamental e operativa no Concílio", disse. Isso levou a "uma espécie de maior conforto", em que os pastores como ele podiam "olhar diretamente para as vidas das pessoas" e "ajudar o ensino da Igreja a fazer sentido para elas".

A geração Gaudium et Spes realmente vê mudanças na perspectiva pastoral. Lombardi afirma sinteticamente: "Parece haver um crescente clericalismo por parte do clero mais jovem".

E também com o encorajamento oficial da Igreja, apontou Pettingill. "Parece-me que, em certos documentos, o padre está gradualmente sendo exaltado acima das pessoas a quem ele vai servir – coisas como: só os ordenados são autorizados a limpar os utensílios sagrados, a ênfase no sacerdócio ao ponto de um homem quase ser posto em um pedestal. E isso é perigoso tanto para o sacerdote quanto para o povo, porque somos todos humanos, e é essa humanidade que nos torna capazes de lidar uns com os outros" [mas os padres, pela virtude da sua ordenação, são humanos diferentes, são humanos-outros-Cristos, mortos para o mundo para justamente salvar o mundo através de Jesus Cristo. Isso parece, para a nossa eterna tristeza, algo espantoso aos ouvidos dos "padres do Vaticano II". Que triste!].

Padres versus leigos?

Outros, incluindo o padre Norbert Dlabal (foto), concordam. "A nova geração de padres realmente parece querer manter uma distinção entre o sacerdócio e o laicato", disse Dlabal, pároco da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Goodland,Kansas

O novo estudo do CARA ecoa a sua opinião. Os sacerdotes ordenados mais recentemente "sentem fortemente que (...) há uma clara distinção entre eles e os leigos", escrevem os autores [e há! Por que é tão difícil aceitar isso? Talvez porque a teologia desses senhores seja, de fato, marxista. Não pode haver "classes" na comunidade, por isso termos como Igreja e sacerdócio, que por anos foram tão claros para todos, são substituídos por "povo de Deus" e presbítero].

Segundo a pesquisa de 2009-2010, mais de dois terços dos padres do milênio – ordenados depois da metade do papado de João Paulo II de 1978 a 2005 – concordam "fortemente" com a afirmação: "A ordenação confere ao sacerdote um novo status ou um caráter permanente que lhe torna essencialmente diferentes dos leigos dentro da Igreja", em comparação com os 48% dos padres pré e pós-Vaticano II e dos 36% dos padres do Vaticano II.

Embora Dlabal, ex-diretor vocacional da Diocese de Salina, Kansas, e missionário no Peru por cinco anos, diga que tenta "fazer luz de tudo isso", ele questionou os católicos "impressionados pelas aparências" que concedem "nobreza" a "qualquer clérigo comprometido com se vestir de preto" [ah sim... o ódio primário à batina.].

"Autenticidade? O que é isso?", perguntou Dlabal, que foi ordenado em 1972. "Maturidade, generosidade, sabedoria, bondade, abnegação, paciência, responsabilidade pessoal, longanimidade, amizade, respeito e amor? O que são essas coisas? Apenas vista uma batina com um colarinho romano e você é um servo fiel, leal, dócil, confiável. Vista uma camisa de outra cor e você é suspeito. Deixe a batina velha no armário e vista uma camisa colorida e você é um traidor".

Ele também observou que "os padres mais jovens realmente não sentem a necessidade de colaborar tão proximamente. Há uma espécie de ideia geral de que eles são os líderes da paróquia e todos os outros podem dançar a sua música" [não, dança não!].

Evitar o modelo de sacerdócio "líder servo" do Vaticano II em favor de um mais autoritário vai contra tanto o espírito do Vaticano II quanto o Catecismo da Igreja Católica, denuncia o Mons. Ralph Kuehner em reflexões recentes sobre os seus 60 anos de sacerdócio.

O catecismo, disse, "dirige os padres ministeriais para servir o sacerdócio dos leigos: enquanto o sacerdócio comum dos fiéis é exercido no desdobramento da graça batismal (...) o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum".

Kuehner, um renomado ativista da justiça social da Arquidiocese de Washington, disse temer que "muitos aspectos da nossa Igreja reflitam um monarca ao invés de um servo". Ele contou a história de sua sobrinha de três anos de idade que, quando perguntada sobre uma missa celebrada por um bispo, ela disse ter visto "um rei com um bastão amarelo" [porque a Sabedoria abriu a boca aos mudos, e tornou eloquente a língua das crianças (Sabedoria 12, 5)].
Novas questões

O sacerdote apresentou uma "visão pessoal pelo futuro da Igreja", defendendo o encorajamento do serviço da Igreja por "padres que deixaram o ministério para se casar" e a expansão da ordenação presbiteral para homens casados e mulheres.

Outros padres do Vaticano II também apoiam esse chamado para discutir abertamente o papel das mulheres na Igreja, assim como outras questões, dos católicos gays e lésbicas à ciência da fertilidade.

"Simplesmente dizer que nós não discutimos essas coisas" não funciona, disse Westbrook.[mas nós discutimos essas coisas, lá no século passado, com a Humanae Vitae e a Ordinatio Sacerdotalis e chegamos a uma conclusão, apoiada na Fé e na Tradição. Os senhores é que perderam o trem da história!]

Reese disse: "A Igreja simplesmente não conseguiu descobrir como lidar com um laicato instruído [sim... somos "muito" instruídos, especialmente os progressistas. Cada católico é um Doutor da Igreja em potencial]. Ela ainda pensa que tudo o que ela tem a fazer é que os bispos e o Vaticano ajam como pais de filhos adolescentes. Eles pensam que, se eles apenas gritarem um pouco mais alto, as crianças vão se comportar. Eles dizem coisas equivalentes a 'não na minha casa' ou 'você não vai, e deu'. Qualquer pessoa com filhos adolescentes sabe o quanto essa estratégia é bem sucedida".

Ele disse: "O que a Igreja precisa desenvolver é um novo estilo de ensinar o Evangelho que seja compreensível para as pessoas do século XXI. Você não pode simplesmente repetir fórmulas do século XIII".

Pettingill se esforça por isso em suas aulas para católicos leigos que se preparam para o ministério paroquial [What? O que será isso!?]. "Eu vou fazer tudo o que posso para tornar conhecidas as riquezas do Vaticano II. Supõe-se que a teologia deve ser criativa", disse ele ao NCR. "Por exemplo, no Novo Testamento, cada um dos autores dos Evangelhos reconta e readapta a sua mensagem, cada um com ênfases diferentes, para ir ao encontro das necessidades dos seus ouvintes".

Geralmente, comentou, a "teologia agora parece ser uma exegese dos documentos papais. Gostaria de saber onde está a criatividade. Se não a tivermos, não crescemos".

Westbrook disse ver uma deserção institucional do diálogo. "Eu tive padres que realmente me disseram que a colegialidade deve ser suprimida", afirmou.

"Há pessoas como eu que ainda estão tentando viver no espírito da Gaudium et Spes", disse, "e há pessoas que estão tentando pôr um fim nisso. Do seu ponto de vista, a Igreja estava em uma grande forma e, por razões desconhecidas, até mesmo lunáticas, João XXIII virou tudo de cabeça para baixo. Um certo grupo sente que o velho deve ser restaurado. Sem dúvida. Sem hesitação. A autoridade vai cuidar de tudo" [Não de tudo, pois muito está sendo confiado aos leigos. Sobretudo na reforma da reforma, nunca antes na história da Igreja os leigos tiveram tanto poder! E o usam para ficar ao lado do Papa e isso assusta os empoeirados da Gaudium et Spes].

Um exemplo de uso inadequado da autoridade que veio à tona como um incômodo frequente para os padres do Vaticano II é o desenvolvimento e a implementação da nova tradução inglesa do Missal Romano.

Dlabal vê a tradução como um "exemplo de transformar uma questão em uma não questão por algum outro propósito" – e esse propósito é "deixar que a Igreja saiba quem está no comando" e vaporizar a tradução que vem se desenvolvendo desde o Concílio Vaticano II.

Pettingill, que dava aulas de inglês no Ensino Médio como jovem sacerdote, assinalou: "Ninguém perguntou ao povo de Deus se ele gostaria de ter uma nova tradução inglesa [sejamos honestos e nos perguntemos em primeiro lugar quem pediu por uma tradução em inglês. A tradução da missa em latim foi imposta literalmente do dia pra noite, com aplausos dos padres como Pettingill. Os leigos não tiveram escolha. E agora reclamam de um processo de tradução que levou mais de 10 anos!]. Em segundo lugar, ou talvez isso seja mais uma suspeita, os bispos locais não foram consultados, no sentido de serem questionados se eles sentiam que isso era apropriado nesse momento particular. Em terceiro lugar, se você tem qualquer relação com o ensino do inglês, você percebe que a tradução não é o inglesa. É um inglês latinizado, que é pesado, desajeitado e muito difícil de proclamar" [Mas até alguns parágrafos acima o povo não era "mais instruído"? Se é instruído é capaz de lidar com um inglês latinizado. Esses padres do Vaticano II querem é manter o povo cativo, amarrado em sua ideologia. Isso é o honesto a ser afirmado].

Desprezo pelo diálogo e menosprezo pela consulta repetidamente atraem a ira dos homens formados e ordenados dentro da curta sombra do Concílio Vaticano II. Durante o Concílio, dizem, a fórmula operacional para buscar a verdade era que o papa trabalhasse em conjunto com o colégio dos bispos.

Eles concordariam com um jovem teólogo consultor do Concílio que escreveu em 1963: "A formulação das leis litúrgicas para as suas próprias regiões é agora, dentro de certos limites, a responsabilidade das várias conferências episcopais. E isso não por delegação da Santa Sé, mas sim em virtude da sua própria autoridade independente".

De acordo com o biógrafo John L. Allen Jr., esse teólogo, o padre Joseph Ratzinger e futuro Papa Bento XVI, também escreveria durante os dias do Concílio: "Para muitas pessoas, hoje, a Igreja se tornou o principal obstáculo para a crença. Eles só conseguem ver nela a luta humana por poder, o espetáculo mesquinho daqueles que, com a sua pretensão de administrar o cristianismo oficial, parecem estar mais no caminho do verdadeiro espírito do cristianismo".

E esse verdadeiro espírito do cristianismo, dirão os padres do Vaticano II, era – e é – brilhantemente iluminado pelo "espírito do Vaticano II".

***
Nessa matéria podemos ver o nível da geração do Vaticano II - uma geração que se recusa a aceitar as mudanças, que se recusar a ver que o tempo passou e as doutrinas determinadas pelo relógio tornaram-se anacrônicas. 
A doutrina da Igreja não é ditada pelo badalar dos antigos carrilhões, mas pelo Evangelho de 2 mil anos que é sempre atual. Amar esse Evangelho e entregar a sua vida a ele é incompreensível para muitos, mas para os verdadeiros católicos é a única via de salvação.
Essa Igreja ditatorial, intolerante e reacionária que eles descrevem acima é na verdade uma Igreja do amor exigente do Evangelho. É a Igreja que quer a cruz, que não teme o martírio, que se dá por completo ao próximo pelo amor de Deus, é aquela esposa amável que vive em união com seu esposo. E isso eles não entendem.
Por que a Igreja que seguimos é tão horrível para eles? Porque é a Igreja que prega a conversão! Não há neles, como se lê, o desejo de conversão.
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