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sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Patriarca Comunista e o Papa Socialista se encontrarão em...CUBA!


Desde que assumiu o trono de Pedro, em 2013, Jorge Mario Bergoglio vem mostrando que é muito mais afinado com o Socialismo do Século XXI (termo cunhado por Hugo Chavez para tentar ressuscitar o cadáver do comunismo no continente sul-americano) do que com a Doutrina Social da Igreja.

Seus gestos populistas, como o uso de carros 1.0 nas viagens, caminhar até o palácio apostólico ou carregar a sua própria pasta de trabalho, tudo devidamente registrado pela mídia, é claro, demonstram a influência do peronismo nas veias platinas do pontífice.

A sua participação nas negociações entre EUA e Cuba, no levantamento do embargo econômico imposto à ilha desde o meio do século passado, reconhecida e elogiada pelo próprio Barack Obama, foram essenciais para uma sobrevida do comunismo na ilha prisão.

E agora é em CUBA, sob as bênçãos dos irmãos Castro, que um encontro histórico acontecerá. Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill se encontrarão na ilha prisão para discutir diversos assuntos. A importância do encontro ecumênico é imensa, diria até que é equivalente ao encontro entre Athenagoras e Paulo VI.

A Igreja Ortodoxa Russa sempre foi uma pedra no sapato na reconciliação entre a Ortodoxia cismática e a Igreja Católica. Por décadas João Paulo II tentou se encontrar com Alexis II sem sucesso. O mesmo se deu no curto pontificado de Bento XVI.


Então o que mudou? Os ares mudaram, como diria Piero Marini, e agora se respira no Vaticano o mesmo odor sulfuroso do Kremlin. Os dois líderes falam a mesma língua e o diálogo pode acontecer sem problemas ou dificuldades.

Francisco adotou integralmente a agenda socialista, que muito agrada ao verdadeiro patriarca ortodoxo russo, Vladimir Putin. Lançou-se sem pudor contra o capitalismo global, adotando a mesma linguagem de políticos de esquerda como Barack Obama (que elogiou o papa argentino também por isso, chegando a citá-lo em vários discursos) e até mesmo o PT! Sua encíclica sobre a ecologia, que contém até mesmo erros graves, foi aplaudida pelas mesmas organizações que, sob o pretexto de preservar o ambiente, promovem o aborto em diversos países. Francisco é muito familiar com o conceito esquerdista de Pátria Grande. Em suma, Francisco é o Papa que os camaradas esperavam!

O encontro, como disse, acontecerá em Cuba. Nada mais simbólico!
Francisco já não está mais preocupado em disfarçar que seu pontificado se constitui na criação de uma anti-Igreja. Não é preciso. Se consolidou como um líder carismático, populista, adorado pela imprensa. É o bastante para por em marcha as suas profundas e permanentes reformas. A Igreja, depois de Francisco, dificilmente conseguirá olhar para o Céu, pois está com o nariz chafurdado na terra.


O que virá do encontro?
Segundo a mídia, os dois líderes comunistas cristãos falarão sobre a perseguição dos cristãos, as crise de refugiados na Europa e sobre a Ucrânia.

Em primeiro lugar é bom relembrar que Francisco, sempre muito falante, costuma fazer um silêncio vergonhoso sobre a perseguição dos cristãos no Oriente Médio e na África. Massacres diários acontecem nessas localidades e o Papa, que celebra sempre uma missa diária, resolve meditar sobre qualquer outro tema ordinário ou, o que se tornou sua especialidade, lança uma crítica contra os católicos fiéis ao magistério, impondo-lhes estigmas, apelidos jocosos ou conclamando aos demais católicos a não serem como eles, fariseus de coração duro e incapazes de se amar, etc.

A questão da Ucrânia me preocupa demasiado com Francisco como Papa. Sinto que, depois dos franciscanos da imaculada, dos bispos conservadores deposto em série e de todo o orbe tradicionalista, Francisco voltará seu punho "misericordioso" contra nossos irmãos católicos orientais ucranianos.

Os orientais ucranianos formam a maior comunidade católica não-latina do mundo e são, para a Rússia, um obstáculo para o controle do país, que é a conexão entre a Rússia e a Europa. De fato a Ucrânia sempre se viu esmagada pelo peso da Rússia e do Ocidente e os católicos desse país sempre penderam, é claro, para o lado ocidental da disputa.

Kirill, como Alexis II antes dele, tem um ódio visceral pela Igreja Grego-católica Ucraniana. Considera-os um cavalo de Troia do Vaticano em terras que, segundo eles, são exclusivamente russas. Não tenho dúvidas, portanto, que Francisco não irá titubear em desmantelar essa comunidade cristã tão fiel e vibrante para agradar ao patriarcado ortodoxo. Destruir qualquer vestígio de catolicismo é a especialidade de Francisco!

Acrescente-se a isso o fato do patriarca católico ucraniano, Dom Sviatoslav Shevchuk, ter se alinhado com os conservadores durante o nefasto Sínodo para a Família, ocorrido em outubro passado. Ele é um alvo em potencial para a misericórdia de Francisco!

Enfim...

Em outros tempos esse encontro teria até me animado. Seria o sinal de uma abertura para a conversão da Rússia e para a unidade. Hoje, contudo, com Francisco, não acredito nisso. É antes um sinal diabólico.

Só nos resta....rezar!

Braz de Aviz: Manelli não pode mais ficar!



(Secretum Meum Mihi) - O cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, concedeu uma entrevista a agência de notícias da Conferência Episcopal Italiana, SIR. Uma das perguntas se refere à intervenção nos Franciscanos da Imaculada.

SIR: E o caso dos Franciscanos da Imaculada? Muitas pessoas estão preocupadas com as notícias de relativas a pactos firmados com sangue, marcas com fogo...
Braz de Aviz: Estamos trabalhando com tenacidade, porque os desvios são graves. O terrível voto com sangue foi dispensado pelo Papa Francisco. Stefano Manelli foi isolado. A questão econômica está nas mãos da justiça italiana. A formação foi confiada às universidades pontifícias e centros reconhecidos. Temos três comissários que estão guiando o Instituto num caminho de normalização. Isso só acontecerá se houver uma mudança: nem todos, contudo, estão de acordo. Temos confiança que algo está acontecendo. O que é certeza é que Stefano Manelli já não pode permanecer [na Congregação, ndt].




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Vatileaks II - Protegida de Bergoglio é presa pelo Vaticano

Francesca Chaouqui foi presa pela polícia do Vaticano na manhã de hoje por, juntamente com o padre Lucio Angel Vallejo Balda, vazar informações importantes de um dicastério de assuntos econômicos para jornalistas.

As informações vazadas por Chaouqui e Vallejo Balda resultaram em dois livros que serão lançados em breve na Itália, contanto dos bastidores da política interna do Vaticano, sobretudo, é claro, relacionado aos assuntos financeiros da Cúria.

Em 2013, pouco depois da sua eleição, Francisco nomeou a leiga Francesca Chaouqui como membro da comissão que deveria ajudar a reformar as finanças do Vaticano, aumentando a transparência e otimizando os gastados da máquina curial.

Segundo informa o site Vatican Insider, foi Mons. Vallejo Balda, então número dois na comissão reformadora, que apresentou o nome de Chaouqui para membro. Francisco, é claro, aprovou a indicação de imediato. Críticas sobre a atuação de Francesca Chaouqui surgiram, ligações nada santas da mesma com figuras importantes da política italiana, mas nada disso foi suficiente para Francisco reconsiderar.

A jovem jornalista e relações públicas de carreira encontrou na confusa e desorientada Cúria pós-conclave um ambiente favorável a sua atuação. Elegeu o então cardeal secretário de Estado e homem forte de Bento XVI, Tarcisio Bertone, como alvo das suas tuitadas nada cordiais. Na época, Bertone era visto como causa primeira de todos os males da humanidade, tendo ele próprio sido responsabilizado por muitos prelados e pela mídia pelos vazamentos do escândalo Vatileaks, que influenciaram enormemente na renúncia de Bento XVI. Depois do Papa alemão, foi o seu secretário de estado a figura mais atingida.

A relação do Papa com Vallejo Balda e Chaouqui começou a azedar alguns meses depois. Com a criação de um novo dicastério para as finanças do Vaticano, comandado pelo australiano George Pell, Mons. Vallejo Balda intuiu que seria ele próprio nomeado como secretário da mesma, mas Francisco optou pelo maltês Alfred Xuereb, que havia sido secretário particular de Bento XVI. Francesca Chaouqui também foi deixada de fora da nova congregação.

Como lembra o Vatican Insider, e reportamos aqui, os dois foram responsáveis pela recepção buffet dada a membros VIPs durante a cerimônia de canonização de João Paulo II e João XXIII, no terraço da prefeitura para assuntos econômicos.

Desde o escândalo do Vatileaks, vazar documentos internos do Vaticano se tornou crime na cidade-Estado. Mons. Vallejo Balda encontra-se preso e Chaouqui em liberdade por "colaborar" com as investigações.

domingo, 17 de maio de 2015

Há esperança para Francisco?

Raul Castro com Francisco.
Talvez o Banco Vaticano financie obras em Cuba.
A esperança é uma virtude que permeia, ou pelo menos deveria, a vida de todo (bom) cristão. Sobretudo nos últimos anos os católicos perplexos buscam o maná da esperança em cada breve notícia, em cada pequeno gesto do atual pontífice. Buscam, buscam, buscam... Eis ai uma característica da esperança que é a sua estamina infinita. "Quem espera sempre alcança", "a esperança é a última que morre!" e coisas do gênero são ditas com frequência.

Esperamos que o Papa Francisco demonstre, por gestos concretos ou palavras claras, que é diferente daquele Francisco apresentado pela mídia anti-católica. De fato, a esperança de muitos católicos, blogueiros ou não, era ser factível esta distorção entre o Francisco real e o papa virtual que agrada aos degenerados. Depois de dois anos e alguns meses de pontificado essa tese vem se mostrando cada vez mais impossível de sustentar. Vemos que há apenas um Papa Francisco e que muito provavelmente, e para o nosso desgosto, a grande angular dos meios de comunicação acabou captando a verdadeira essência do bispo de Roma com muito mais precisão.

Podemos dizer que Francisco vem construindo uma obra. Os cardeais Kasper e Braz de Aviz (a nossa eterna vergonha em Roma...) já declararam que Francisco deseja realizar mudanças severas e irreversíveis na Igreja. Só não explicaram se tais mudanças são apenas na estrutura da Cúria ou na doutrina. Talvez, e aqui especulo, a primeira seja pré-condição para a segunda.

Essas mudanças irreversíveis tem o seu ápice no Sínodo para a Família. É nesta reunião de bispos que a batalha é deflagrada e onde podemos ver o autêntico modus operandi do Papa Francisco. Foi justamente a primeira parte da reunião que tirou dos católicos ingênuos a vontade, ou melhor, a possibilidade de defender Bergoglio.

Ontem pude ler no blog Rorate Caeli que o frade dominicano Timothy Radcliffe foi apontado pelo Papa Francisco como consultor do Conselho de Justiça e Paz. Frei Radcliffe, segundo aponta o blog, é considerado algo além de um religioso liberal... um Über-liberal! Segundo RC

O antigo Mestre Geral da Ordem Dominicana [1992-2001] é um apoiador proeminente da proposta Kasperiana da comunhão aos "divorciados recasados". Ele também se coloca pela ordenação de mulheres, se não ao sacerdócio, pelo menos ao diaconato. Contudo ele é mais famoso por suas intervenções públicas frequentes sobre a aceitação da homossexualidade, tendo sido um celebrante frequente das infames "missas Gay" no Soho de Londres.

Será que Francisco não conhecia o currículo do agora consultor? Difícil imaginar já que o Papa elevou ao cardinalato o arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, o único cardeal franciscano anglófono até o momento, e considera do seu círculo pessoal o arcebispo anterior, o igualmente liberal Murphy Cormac O'Connor.

Recentemente, ainda, o Papa teve um agradável encontro o ninguém menos que Raul Castro, dono da ilha prisão de Cuba. A mídia alardeou com inquestionável precisão que o Papa argentino teve influência vital na reaproximação dos EUA com Cuba. Os blogueiros mais ingênuos já se puseram em pé a aplaudir o Papa, afirmando, entre outras asneiras, que o fim do embargo - que ainda não se deu! - favorecerá o florescimento da democracia em Cuba e o fim do comunismo na ilha. O jornalista Reinaldo Azevedo coloca de forma bem mais sóbria e realista:

Que se note: até agora, não há o menor sinal de distensão política em Cuba. Esse namorico com Barack Obama e com o papa Francisco, por enquanto, não tem sua correspondência em distensão política interna. É tolice, está evidenciado, acreditar que o progresso, por si, põe fim a ditaduras. Eu mesmo já cheguei a flertar com essa ideia quando era bem mais moço. A China, por exemplo, prova  o contrário de maneira muito eloquente.O projeto dos Irmãos Assassinos e do Partido Comunista Cubano é romper o relativo isolamento sem pôr um fim à ditadura. Raúl, se preciso, pode até se ajoelhar e rezar por isso. Se depender de Obama e de Francisco, ele chega lá…Que tempos e que homens os destes tempos!
O socialismo do século XXI parece ser a nova saída para Cuba, apresentando-se como uma democracia bolivariana. E ao receber líderes de movimentos ditos sociais em Roma, até com a presença infame do terrorista João Pedro Stédile, Francisco parece flertar descaradamente com o filo-bolivarianismo, com ditaduras mitigadas, mas ditaduras ainda assim. Não podemos nos esquecer também que foi Francisco quem revogou a suspensão do sandinista Miguel d´Escoto que, como todos sabem, não retrocedeu um milimetro nas suas posições terroristas.

A esquerda está em êxtase! Recentemente Gustavo Gutierrez foi recebido outra vez com pompa e circunstância no Vaticano, dessa vez na Assembleia da Cáritas. O processo de beatificação de Helder Câmara começou... É uma festa sem hora pra acabar!

Na outra ponta, contudo, temos bispos conservadores sendo perseguidos, depostos e humilhados sem nenhuma chance de defesa, sem um único encontro com o Papa cuja agenda está ocupada por audiências com terroristas, comunistas e ateus.

E assim vamos caminhando, mesmo sem saber o caminho. As certezas de antes são as dúvidas de agora. O grande enigma que se apresenta na forma de Francisco, na verdade, é bem simples - não há mistério algum! O pontificado de Francisco, a semelhança com o governo Dilma, consegue a proeza de se tornar pior com o passar do tempo.

Há ainda espaço para esperança? Sim, sem dúvida! Porque a esperança para o católico não é imediatista, é acima de tudo direcionada à vida eterna. Não esperamos em homens, mas colocamos nossa esperança em Deus. Há, portanto, espaço para a esperança, sempre.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Papa Francisco remove mais um bispo conservador


Hoje, ao meio dia em Roma, o Papa Francisco aceitou a renúncia do bispo de Kansas City, Robert Finn, segundo o art. 401, §2, do Código de Direito Canônico, que prevê a renúncia de um prelado por problemas de saúde ou outro grave motivo que o impeça de continuar a exercer seu ministério.

A imprensa americana voltou seus olhos para Dom Finn após um técnico de informática ter descoberto arquivos de imagem de meninas nuas no computador do Pe. Shawn Ratigan e ter denunciado o caso à Cúria diocesana. Um processo foi aberto contra Dom Finn com a acusação de negligência em notificar de imediato as autoridades. Dom Finn se declarou culpado e condenado a dois anos de prisão domiciliar. Pe. Shawn Ratigan foi condenado à 50 anos de prisão.

É preciso deixar claro  e reforçar que Dom Finn, diferentemente do que outros envolvidos em casos semelhantes fazem, se declarou culpado.

E eis que entra em cena, mais uma vez, o Papa Francisco. Armado com o Direito Canônico, Francisco ordenou mais uma das suas "visitas apostólicas" à diocese de Kansas City e, é claro, todos nós sabemos como elas terminam.

Tolerância zero para alguns. Misericórdia para outros.

Sem dúvida há motivos concretos para a remoção de Dom Finn, especialmente numa igreja como a americana, onde o escândalo sexual dos padres lhe custou a reputação, a confiança entre os fieis e bilhões - bilhões! - de dólares em indenizações.

Contudo... Recentemente o mesmo Papa Francisco resolveu promover o chileno Juan Barros (foto) à diocese de Osorno. O novo bispo chileno é acusado de encobrir casos de abuso sexual, por anos, do sacerdote Karadima - uma espécie de Marcial Maciel chileno. Juan Barros vem enfrentando fortes protestos desde a cerimônia de posse e anda pela diocese com escolta policial.

Segundo o Núncio apostólico no Chile e os representantes da conferência episcopal, Francisco foi informado integralmente sobre o passado de Juan Barros e mesmo assim o promoveu a bispo diocesano.

São dois casos com a mesma natureza e pediriam, por coerência, a mesma solução. Mas Francisco é jesuíta e se guia não por coerência ou bom senso, mas por afinidades ideológicas. Basta lembrar o caso do bispo de Merlo Moreno, quando Bergoglio ainda era arcebispo de Buenos Aires e defendeu o bispo Fernando María Bargalló depois deste ser pego num balneário caribenho de luxo com uma amante (uma mulher casada!). A misericórdia de Bergoglio tem dois pesos, isso sempre afirmamos.

O Círculo do Papa

Aqui cabe uma pausa. Vários blogs e jornais pelo mundo vem noticiando que o Papa Francisco, desde os primeiros dias de pontificado, vem se cercando de gente, digamos, nada recomendável. São cardeais que nos anos de Bento XVI sempre estiveram nas sombras da desconfiança e do descrédito.

Muitos vaticanistas (Tornielli, Tosatti, Allen e outros) já informaram que cardeais como Mahony e  Danneels que, em seus respectivos países, foram responsáveis pelos maiores escândalos sexuais da história da Igreja, são vistos com frequência no Vaticano.  Danneels, inclusive, foi apontado pelo Papa como membro de destaque na próxima assembleia do Sínodo dos bispos.

Outros cardeais do círculo intimo do Papa seriam o britânico Murphy O'Connor, o alemão Kasper, o brasileiro Hummes e alguns arcebispos italianos de menor projeção.

Já são sete!

O número de bispos ou arcebispos depostos ou removidos por Francisco não para de crescer. Sete prelados foram vítimas da misericórdia franciscana, todos eles conservadores ou próximos da tradição. Dom Finn se soma à Piacenza, Burke, Livieris, Franz Peter Tebartz-van Elst, Mollaghan e Mario Oliveri.

Pode parecer um número muito pequeno num universo de mais de cinco mil bispos, mas é suficiente para desencorajar aqueles prelados que flertam com a tradição e queiram promovê-la. Francisco, como bom progressista, não remove bispos sem visibilidade ou desconhecidos, mas procurar fazer movimentos cirúrgicos.

Cabe ressaltar que quase todos foram removidos sem uma única audiência com o Papa, onde poderiam tentar se explicar. O único prelado que conseguiu falar com o Papa antes da sua punição foi Tebartz-van Elst.

Outros nomes já poderão figurar na lista em breve, todos da linha ratzingeriana. Dom Salvatore Cordileone, arcebispo de São Francisco, vem enfrentando problemas por impor às escolas católicas as clausulas de moralidade, onde obriga os professores contratados por essas instituições a ensinarem a doutrina e moral católica, inclusive banindo professores homossexuais dos quadros escolares. Muitos grupos gayzistas já estão pedindo ao misericordioso pontífice a cabeça de Dom Cordileone.

A diocese de Liechtenstein, encabeçada por um dos poucos bispos tradicionalistas "em plena comunhão" (para usar esse termo bobo que vigora em blogs sedevacantistas...), também vem sofrendo com leigos revoltados com seu bispo. Mais aqui.

Pau que bate em Francisco nem sempre bate em Chico!

Desde a sua posse como bispo Roma, Jorge Mario Bergoglio não removeu um único bispo liberal. Pelo contrário, alguns foram até promovidos ou agraciados com a púrpura!

Não se trata de uma constatação vitimista ou de uma visão eminentemente bipolar. Se trata de fatos!

Francisco detesta o universo conservador-tradicional. Já deixou isso muito claro com adjetivos como neopelagianos, fariseus, ultrapassados, etc ao se referir a bispos, padres e, principalmente, leigos ligados à tradição católica. 

Talvez seja um pouco de loucura dizer que há um plano arquitetado com metas e objetivos escritos para enterrar de vez a Tradição católica. Mas não é delírio, como alguns pensam, ligar os pontos e ver que há uma vontade concreta indo nessa direção. E ela parte de Francisco.

Lembremo-nos dos bispos removidos, dos consultores litúrgicos removidos, do Sínodo manipulado com tamanha desonestidade, da intervenção covarde nos Franciscanos da Imaculada e tantos outros acontecimentos do dia a dia que nos levam a uma única conclusão - breve ou longo este pontificado é um desastre para o Corpo de Cristo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vaticano de Francisco recebe grupo pró-gay.

Vaticano recebe grupo católico gay em audiência, discretamente

(Folha - Com Agências de notícias)

Um grupo de defesa dos direitos de católicos gays, vindo dos Estados Unidos, foi recebido pela primeira vez na audiência semanal do papa Francisco nesta quarta-feira, o que seus membros consideram um sinal de mudança na Igreja Católica.

O grupo, porém, foi anunciado como "um grupo de leigos acompanhados por uma irmã". Não foi mencionado por Francisco, mas foi a primeira vez em que eles puderam participar da cerimônia. Até a menção ao grupo como leigos foi saltada pelo mestre de cerimonial que leu a lista de convidados.

A visita ocorre meses depois de o Vaticano voltar atrás num documento preliminar que defendia a maior aceitação de gays pela igreja e da excomunhão de um ex-padre de Bauru (SP) que defendia o mesmo.

A irmã é Jeannine Gramick, co-fundadora do Ministério Novos Rumos, que prega para católicos homossexuais e promove os direitos dos gays na igreja. Ela e o diretor executivo do grupo, Francis DeBernardo, lideraram uma caravana de 50 católicos homossexuais para a audiência na Praça de S. Pedro. Segundo eles, o grupo foi solenemente ignorado em visitas anteriores, nos papados de João Paulo 2º e Bento 16.

Desta vez, um bispo dos EUA e o monsenhor Georg Gaenswein, que cuida dos convites para a audiência, apoiaram o pedido e eles foram recebidos na primeira fila, ao lado de dignitários e grupos católicos.

Quando Francisco passou, eles cantaram "Todos São Bem-Vindos", um hino que simboliza seu desejo por uma igreja mais inclusiva.

Uma lista dos convidados, publicada pelo Vaticano, informava que havia "um grupo de leigos acompanhados por uma irmã", mas não mencionava se tratar de um grupo de defesa dos direitos dos gays.

"O que isto indica é que existem movimentos em nossa igreja para receber pessoas que estão fora", disse Gramick.

Meses antes de sua eleição, Francisco fez sua já famosa declaração sobre como ele não poderia julgar gays que tenham boa vontade e estejam em busca de Deus.

Até agora, porém, ele não deu sinais de que a igreja vá mudar sua doutrina contrária aos atos homossexuais.

Em outubro, bispos do mundo inteiro se reuniram em Roma para debater questões relacionadas à família e divulgaram um relatório provisório pedindo maior aceitação dos gays pela igreja.

O trecho foi suavizado na versão final do relatório, depois de reclamações de bispos conservadores. A última reunião sobre questões de família está marcada para outubro deste ano.

DeBernardo disse que casais de gays, lésbicas e de outras famílias não-tradicionais deveriam ser convidados para o encontro, conhecido como sínodo, para falar aos bispos sobre sua fé e sua sexualidade.

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E alguns irão dizer: "Não é nada! Todos podem participar das audiências do Papa..." Não é bem assim. Como o próprio texto deixa claro, "o grupo foi solenemente ignorado em visitas anteriores, nos papados de João Paulo 2º e Bento 16".

Não se trata aqui de um grupo que busca trabalhar pastoralmente com homossexuais, conduzindo-os pelo caminho proposto pela Igreja, mas de um grupo engajado em promover os direitos dos gays na igreja, o que quer que isso signifique.

Há de fato uma abertura neste pontificado a grupos como esses. Recentemente Francisco teve uma audiência privada com Diego Neria Lejárraga, um transexual que está "noivo" e com casamento marcado.
Lejárraga escreveu previamente ao Papa reportando a situação em que se encontrava, e sobre o suposto bullying paroquial que vinha recebendo. Francisco, é claro, mais que depressa, tratou de convocá-lo para uma audiência pessoal, segundo o próprio Lejárraga.

O que vemos nessa dicotomia entre discurso e ação é o que será posto em prático depois do Sínodo de outubro. O Francisco dos discursos oficiais, o Francisco doutrinal, é diferente do Francisco das intervenções improvisadas, dos gestos. Um contradiz o outro em todos os sentidos. Temos, de fato, dois Papas.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Os novos cardeais de Francisco - Um conclave do terceiro mundo



Já anunciado em dezembro, o próximo consistório para a criação dos novos cardeais se dará em fevereiro próximo. A lista, entretanto, dos agraciados com a púrpura cardinalícia só foi divulgada hoje. São eles, com direito a voto num eventual conclave:

1 – Mons. Dominique Mamberti, prefeito da Signatura Apostólica
2 – Mons. Manuel José Macário do Nascimento Clemente, Patriarca de Lisboa
3 – Mons. Berhaneyesus Demerew Souraphiel, C.M., Arcebispo de Addis Abeba (Etiópia)
4 – Mons. John Atcherley Dew, Arcebispo de Wellington (Nova Zelândia)
5 – Mons. Edoardo Menichelli, Arcebispo de Ancona-Osimo (Itália).
6 – Mons. Pierre Nguyên Văn Nhon, Arcebispo de Hà Nôi (Viêt Nam).
7 – Mons. Alberto Suárez Inda, Arcebispo de Morelia (México).
8 – Mons. Charles Maung Bo, S.D.B., Arcebispo de Yangón (Myanmar).
9 – Mons. Francis Xavier Kriengsak Kovithavanij, Arcebispo de Bangkok (Tailândia).
10 – Mons. Francesco Montenegro, Arcebispo de Agrigento (Itália).
11 – Mons. Daniel Fernando Sturla Berhouet, S.D.B., Arcebispo de Montevidéu (Uruguai).
12 – Mons. Ricardo Blázquez Pérez, Arcebispo de Valladolid (Espanha).
13 – Mons. José Luis Lacunza Maestrojuán, O.A.R., Bispo de David (Panamá).
14 – Mons. Arlindo Gomes Furtado, Bispo de Santiago de Cabo Verde (Cabo Verde).
15 – Mons. Soane Patita Paini Mafi, Bispo de Tonga (Ilha de Tonga).

Aqui cabe ressaltar a insistência em não criar cardeais ratzingerianos, que mais uma vez vemos como marca dos consistórios franciscanos e a única regra absoluta que o pontífice reinante se impôs a seguir. O patriarca de Veneza, Dom Moraglia, continua humilhado sem o barrete vermelho a que teria direito se o Papa-Sol respeitasse os antigos costumes da Igreja. Francisco preferiu criar como cardeal o arcebispo de Agrigento, diocese que nunca na história teve um cardeal como cabeça e cuja a importância dentro da própria igreja italiana é praticamente nula (alguém já ouviu alguma coisa sobre Dom Montenegro?), a fazer cardeal o Patriarca de Veneza, Sé que deu à Igreja três papas no século XX. Lamentável, sem dúvida.

Como no consistório anterior, Francisco aposta em cardeais de lugares inusitados e, em alguns casos, igrejas locais muito pequenas. São os cardeais do fim do mundo para acompanhar o Papa do fim do mundo.

Francisco parece querer moldar o próximo conclave com muita força. Todos os papas fazem isso, de uma forma ou de outra, mas gradualmente. Bento XVI levou oito aos deixando o colégio e a cúria ratzingerianos...e depois esses elegeram Francisco, o que é um mistério insondável da alma humana! Francisco, contudo, age pela força, autocrático como sempre. A sanha em criar cardeais vindos de lugares exóticos, de pouca importância para a política interna da Igreja já se tornou uma marca e com isso o Papa acredita - pura especulação minha - eleger seu sucessor para "além do fim do mundo".

Na minha modesta opinião, que nada vale, a insistência do Papa nesse tipo de consistório se torna um espetáculo lamentável e de consequências vindouras para a Igreja que ainda não podemos mensurar. Levará anos, talvez décadas, para a Igreja se recuperar dessas decisões obviamente equivocadas e, mais uma vez, de caráter eminentemente populista. É um consistório bolivariano, sem dúvida, muito próximo das políticas "sociais" aplicadas nos países do eixo "Foro de São Paulo".

O colégio de cardeais é, de alguma forma, o Senado da Igreja. Nele estão os melhores dos melhores (os melhores progressistas também), os bispos das dioceses mais importantes, das maiores igrejas particulares, das dioceses mais ricas (no caso dos alemães, é claro), etc. Não se enquadra em nenhuma categoria, por exemplo, a diocese de Santiago de Cabo Verde. Não é falta de respeito, é bom senso mesmo.

Que o Papa queira nomear cardeais de dioceses pequenas, localizadas no "fim do mundo", é uma prerrogativa pontifícia, mas preterir dioceses importantes e de relevo para a Igreja é colocar-se, mais uma vez, acima da própria Igreja. 

Analisando racionalmente, o arcebispo de Salvador  e primaz do Brasil - o maior país católico do mundo, por enquanto - tem muito mais precedência que o Bispo de Tonga. Entretanto, dom Murilo Krieger não foi feito cardeal, mais uma vez.

Não sei o que se passa na cabeça do pontífice quando decide seus novos cardeais. Talvez pense "quem é o mais desconhecido de todos? Que país está mais perdido no mapa?" e, pabum!, escolhe o bispo de Addis Abeba, na Etiópia. Talvez faça isso com a ajuda de um grande globo, girando-o e repousando seu dedo ao acaso. Não sei! Mas o que sei é que as nomeações e, especialmente, as não nomeações custarão caro o Papa que, penso eu, se acha inalcançável por qualquer ressentimento.

Mais uma vez os EUA foram preteridos na criação de novos cardeais. Com a ótica típica de um pensamento terceiromundista ou bairrista, Francisco se diverte criando cardeais os bispos que o mundo até então nem sabia que existiam. Outros, por sua vez, esperam.

Francisco, embora tenha vindo do fim do mundo, se esquece que o mesmo é redondo e dá voltas.

O que virá a seguir? O que sairá desse conclave cada vez mais "exótico", repleto de figuras do fim do mundo? Não sei... só sei que o fim está próximo!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015, o Ano da Vida Consagrada e a falência dos Franciscanos

Em 2015 celebra-se em toda a Igreja o "Ano da Vida Consagrada". Neste ano o Papa Francisco, através da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, "convida-vos a refletir sobre o tempo de graça que nos é dado viver".

O documento inicial deste ano, publicado com as rubricas do próprio Prefeito, João Braz de Aviz, e do seu fiel colaborador, José Rodrigues Carballo, apresenta de forma nada acidental a figura de Francisco de Assis já nos primeiros parágrafos. E quem poderia imaginar que, às vésperas do começo desse ano da Vida Consagrada, seriam justamente os franciscanos o símbolo mais gritante do modelo falido que a dupla Aviz-Carballo quer apresentar para toda a Igreja.

Recentemente o mundo católico foi surpreendido, ou talvez nem tanto já que os veículos de informação não se dignaram a reportar pelo mundo tal notícia, pela falência da cúria dos Frades Menores que se deu por  operações "financeiras opacas, por conta da reestruturação de um hotel em Roma, com vistas ao Vaticano". "O escândalo, que saiu em Panorama (18 de dezembro), teria explodido em outubro. Os investimentos, escreve o vaticanista do semanário, Ignazio Ingrao, remetem ao período em que era superior dos frades menores José Rodriguez Carballo, hoje secretário da Congregação para os religiosos. Está sob acusação o ex-ecônomo geral, o Fr. Giancarlo Lati, que foi demitido juntamente com alguns conselheiros.".

O arcebispo Carballo, como fez bem em nos lembrar o blog Fratres in Unum, foi a primeira nomeação de Francisco para a Cúria Romana como secretário da Congregação para os Religiosos. O mundo progressista amou de imediato a nomeação de Carballo, tecendo elogios mil a sua pessoa e ao Papa. Carballo é  "natural de Espanha, foi ministro da Província Franciscana de Santiago de Compostela, presidente da União dos Frades Menores da Europa e mestre dos jovens em formação".

Se analisarmos superficialmente o currículo de Carballo, vemos que o digníssimo 119.° sucessor de São Francisco de Assis é um completo desastre. Além da falência e das operações financeiras escandalosas, o arcebispo assistiu passivamente ao desmoronamento dos franciscanos na sua própria terra natal.

Franciscanos espanhóis reunidos em Madri. Reparem na "juventude" dos irmãos.

No último dia 29/dez os remanescentes das províncias franciscanas de Bética, Castilla, Cataluña, Cartagena, Granada, Valencia e a Custodia de San Francisco Solano, muitas delas centenárias, se reuniram em Madri para formalizar o processo de fusão que levará o país a ter uma única província. Segundo o comunicado, a nova província contará com aproximadamente 400 religiosos, a maioria bem acima dos 60 anos.

É escandaloso que Carballo seja secretário da Congregação que, de alguma forma, deveria tentar incentivar o crescimento e progresso das comunidades religiosas. Seu passado o desqualifica para a função! Pode ser escandaloso, mas é antes de tudo sintomático.

Carballo e Braz de Aviz, além de Francisco (o Papa, não o Santo), possuem uma visão muito diferente da vida religiosa. Seu magistério sobre a vida consagrada "significa renovar a vida segundo o Evangelho, não no sentido de radicalidade entendida como modelo de perfeição e, muitas vezes, de separação". Na prática isso quer dizer aderir, de alguma forma, à mundanidade e apresenta o regular como secular. O resultado prático desse magistério é a derrocada que vemos e noticiamos: milhares de conventos e mosteiros vazios, já que o religioso atual não deve se separar seja lá do que for, muito menos do mundo; religiosos e religiosas vivendo uma vida escandalosa e diametralmente oposta ao carisma dos fundadores, já que devemos entender a vida evangélica não "no sentido de radicalidade entendida como modelo de perfeição". É claro que tal crise não se originou com Francisco ou Carballo, sendo ambos religiosos (o primeiro, jesuíta, e o segundo franciscano), antes os dois a personificam perfeitamente.

De posse desse "magistério" apresentado pela trinca Bergoglio-Carballo-Aviz, entendemos com muita tranquilidade, por exemplo, o ódio visceral que os três sentem pelos Franciscanos da Imaculada. A congregação dos filhos da Imaculada é um anti-magistério, se posiciona como antítese a tudo aquilo que os três pregam e entendem como modelo de vida religiosa. Por isso deve ser esmagada de forma impiedosa.

2015 pode ser o ano da vida consagrada falida em todos os sentidos - financeiro, estrutural, vocacional e espiritual. Um ano que deveria colocar os secretários e membros da Congregação debruçados sobre o projeto de vida religiosa que deu errado, reavaliar e conduzir os religiosos por um novo caminho. Isso acontecerá? Claro que não! Bergoglio-Carballo-Aviz não possuem a capacidade crítica para enxergar o erro! Pelo contrário, insistem e persistem.

O documento para o ano da Vida Consagrada tem por título "Alegrai-vos". O mais justo, entretanto, seria "Arrependei-vos".

sábado, 20 de dezembro de 2014

Mais um bispo conservador na mira? Mais um...


Já vimos o filme antes: o protagonista é sempre um Bispo conservador, fiel ao catecismo e à Doutrina da Igreja, sóbrio na liturgia e, em alguns casos, incentivador público da missa antiga. Os seus antagonistas são meia dúzia de leigos progressistas que o acusam de retrógrado, involuído e clamam aos céus - leia-se Vaticano - pela remoção do prelado.

Nos tempos do franciscanismo bergogliano já vimos pelo menos cinco bispos conservadores caindo. O seu antigo desafeto, Dom Rogelio Livieris, de Ciudad del Este; Dom José Luis Mollaghan, que foi removido para um cargo que não existe até hoje; o cardeal Piacenza que caiu pouco tempo depois do conclave; o cardeal Burke, cuja remoção foi apenas um detalhes depois de meses de humilhações; Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, conhecido como "bispo de luxo", mas um sólido conservador. Não contabilizamos o bispo italiano de Albenga-Imperia, Dom Mario Oliveri, que ainda não caiu oficialmente, mas que se encontra na mira de Francisco e espera apenas que o pontífice puxe o gatilho.

Agora é a vez do bispo de Liechtenstein, dom Wolfgang Haas, um conhecidíssimo padrinho do motu proprio Summorum Pontificum, receber de uma parcela ínfima do laicato da sua diocese as mesmas acusações.

Reproduzo uma matéria da agência da FSSPX, DICI

Seguindo o exemplo do movimento suíço "Ça suffit!" (Basta!) da diocese de Chur, uma associação de leigos de Liechtenstein está colocando pressão no arcebispo de Vaduz para que faça a diocese "evoluir". Pelo 17º aniversário da diocese, a associação "Pour une Eglise ouverte" (Para uma Igreja aberta) publicou em 4 de dezembro, nas colunas dos jornais locais, uma carta aberta ao ordinário do distrito, bispo Wolfang Haas, antigo bispo de...Chur. Nesta carta, os "fiéis" consideram "urgente para a Igreja em Liechtenstein se posicionar claramente ao lado do Papa Francisco e apoiar os seus projetos de reforma". De forma concreta, ela reprova a arquidiocese por não consultar os leigos durante a preparação para o Sínodo sobre a família de outubro passado. A associação teria apreciado "se as bases" pudessem se expressar sobre os temas do casamento e da sexualidade. "Mesmo hoje a arquidiocese permanece em silêncio" lamenta o autor da mensagem. "E a vontade do Sínodo é que esses temas sejam discutidos nas comunidades locais".
A associação ainda considera que a arquidiocese "tem muitos padres incardinados" (aproximadamente sessenta). E muitos deles não são "suficientemente qualificados". "Nós pedimos uma reavaliação dos quadros da arquidiocese e que o envolvimento pastoral esteja mais disponível para os assistentes, catequistas e diáconos permanentes" declarou a associação. Em outras palavras: menos padres, mais leigos. 
Os autores da carta-manifesto estão atentos à forma como o jogo deve ser jogado para uma eventual remoção do bispo. Sabem que argumentos, hoje, com Francisco, têm mais peso que a doutrina ou a ortodoxia. Jogam com a "evolução", ou seja, a diocese é atrasada ou quem sabe "cripto-lefebvrista"? Jogam com a participação dos leigos, com o sínodo e, por último, contrapõem a arquidiocese ao Papa quando pedem que a mesma se posicione "claramente ao lado do Papa Francisco". Os manifestantes não acusaram, ainda, o bispo de mau uso dos recursos financeiros da diocese - este sim um crime gravíssimo aos olhos de Bergoglio.

Está aberta de fato a temporada de caça aos bispos conservadores. E a matilha é formada por aquela meia dúzia de leigos grisalhos insatisfeitos, saudosistas da década de 70 e inconformados com os pontificados de João Paulo II e Bento XVI, que agora enxergam em Francisco um revival de antigas e obscuras forças. E lembrem-se: este é apenas o segundo ano de pontificado!

sábado, 22 de novembro de 2014

Reforma da Cúria. Round 2 das pancadas franciscanas.


Em julho deste ano escrevi um texto com o título "A Reforma da Cúria é tão ruim quanto os seus reformadores", do qual destaco alguns trechos:

(...)Francisco não sabe lidar com a Cúria porque carrega um grande preconceito contra ela desde os tempos de bispo diocesano. E os cardeais escolhidos por ele para o grupo de estudo compartilham a mesma opinião negativa sobre a Cúria, alguns mais outros menos. Não se trata de uma reforma, mas de uma revanche.
(...)
(...)o objetivo não é, nem de longe, melhorar a Cúria, mas destruí-la por completo. Uma cúria fraca pede conferências episcopais fortes, e Maradiaga está dizendo que é justamente isso o que vai acontecer.
(...)
De qualquer forma, estamos na iminência de uma catástrofe. O sínodo para a família no próximo outubro é uma antecipação necessária para a reforma da cúria. Veremos no Sínodo - Deus nos livre! - um embate de cardeais e bispos sobre os divorciados. Sem perder tempo para que os conservadores da cúria se recuperem do sínodo, vem imediatamente a reforma da cúria. Um golpe depois do outro.

Francisco e sua trupe de cardeais estão novamente com os olhos voltados para a cúria. O sínodo, em sua primeira etapa, cumpriu uma missão fundamental - identificar as cabeças da resistência ao "admirável pontificado novo", fundado sob a rocha arenosa de Jorge Mario Bergoglio. Alvo identificado, só resta neutralizá-lo. A tal "derrota" sofrida por Bergoglio e Kasper é apenas uma consequência negativa da identificação da liderança conservadora, mas não deixa de incomodar o papa argentino.

Agora mesmo o blog Fratres in Unum publica um texto de Tosatti, um vaticanista que vem se destacando e ocupando um lugar anteriormente reservado a Tornielli, intitulado "Grandes mudanças à vista na Cúria." Você deve ler o breve post por inteiro.

Com base no texto do Tosatti-Fratres, confirmo aquilo que até o momento apenas havia especulado também numa outra postagem (O Papa-Sol. A Igreja Sou EU!), onde escrevi:
Maradiaga, o vice-papa, poderia ser nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Francisco precisa de um nome forte em Roma, porém inteiramente devotado ao projeto bergogliano, e na face desta Terra não há ninguém mais fiel ao processo revolucionário de Bergoglio que o cardeal arcebispo de Tegucigalpa Oscar Maradiaga.
Segundo Tosatti: Crê-se que Maradiaga seria o comandante de uma nova “super congregação”, que abarcaria o Conselho Justiça e Paz, o Conselho para os Migrantes, o Conselho Cor Unum, a Academia para a Vida e o Conselho para os Operadores Sanitários, bem como um quinto secretariado para o Direito das Mulheres.

O objetivo da reforma, repito, é a eliminação de cardeais curiais através da fusão de congregações e conselhos, resultando num peso menor desses prelados, de linha sempre mais conservadora que os bispos e cardeais residenciais, num inevitável conclave ou nos sínodos. A maioria dos cardeais da cúria participa automaticamente dos sínodos por força do cargo que ocupam. Francisco não quer que o sínodo de 2014 se repita em termos absolutos (derrota preliminar do teorema Kasper) e o seu processo revolucionário, agora, não pode encontrar resistências tão inquebrantáveis ou contestações tão fortes.

Os poucos cardeais que restarão na Cúria de Francisco serão prelados de segunda linha, como Stella ou Baldisseri, mas totalmente subservientes e obedientes aos caprichos e planos do Papa-Sol. A Cúria, que antes reunia os bispos "top de linha", os melhores e mais bem preparados, ficou para a história. Cardeais de peso e com grande expressão como Burke, Canizares, Castrillon Hoyos, Ruini, Medina Estevez, Ratzinger ou mesmo Ré e Sodano, gostem ou não dos dois últimos, não serão mais vistos em Roma.

Acredito que depois da aniquilação reforma da Cúria teremos também, é claro e natural, uma reforma do colégio de cardeais. Querem apostar? Francisco já não se sente obrigado a obedecer qualquer regra na nomeação de novos purpurados, esquecendo sedes que por direito adquirido ao longo da história da Igreja deveriam ter cardeais no comando (Lisboa e Veneza). Um antigo desejo progressista, daquela turminha endiabrada de 1970/80, era que os presidentes das Conferências Episcopais elegessem o papa. Um desejo que, se Deus permitir um pontificado franciscano mais longo do que 5 anos, se tornará realidade.

Quem viver, verá!

domingo, 9 de novembro de 2014

O Papa-Sol. A Igreja Sou EU!


Há neste pontificado de Francisco muitas características interessantes, ainda que tristes, que nos remetem ao jogo político bolivariano apresentado pelas lideranças seculares na América Latina.

Este pontificado se apresentou como a grande reinvenção da misericórdia, como se a Igreja não fosse misericordiosa nos dois mil anos precedentes, do amor aos pobres e da simplicidade absoluta. Toda essa imagem foi construída de forma propagandística, também através da pena de jornalistas de esquerda e do martelo ideológico de alguns padrecos e bispos saudosistas da Teologia da Libertação, mas sobretudo através do engenho pessoal de Bergoglio. Como não pensar na imagem de Chavez, Mujica ou Lula, é claro, igualmente manipuladas pela mídia que fez de cada mandatário um novo "pai dos pobres", um messias político que promete o paraíso na Terra.

Mas da mesma forma como sabemos que Mujica, Kirschner, Morales, Maduro, Lula ou Dilma não estão ou mesmo nunca estiveram preocupados com o bem estar da sociedade ou dos mais pobres, mas apenas desejam transformar a sociedade para instalar por essas plagas um projeto hegemônico de poder, unipartidário e inquestionável, Francisco está francamente comprometido com a transformação da Igreja.

A mídia de nariz sujo da América Latina ainda incensa o pontífice, pintando o Papa argentino como um construtor de pontes (daí vem a palavra "pontífice") não mais entre o céu e a Terra, mas entre os desejos sociais e a estrutura da Igreja; o Corpo Místico de Cristo se foi restando apenas a "estrutura" e esta pode e deve ser modificada. Mas há uma outra mídia, mais comprometida com a verdade dos fatos e que se localiza habitualmente nos países desenvolvidos, que vem torcendo o nariz para Bergoglio. Nos periódicos italianos já há uma unanimidade entre os vaticanistas contra Bergoglio. Não se trata de uma oposição pela oposição, como diria Marina Silva, mas de uma resistência aos métodos nada santos empregados pelo Papa para mudar aquilo que não pode ser mudado - a doutrina da Igreja.

Blogs que antes tentavam construir um caminho de unidade entre Bergoglio e os papas anteriores desistiram da empreitada. O mais famoso deles, o blog do Pe. Z., até cunhou uma frase de impacto: "lendo Francisco através de Bento (XVI)". Já faz algum tempo que o Pe. Z. removeu o banner com a frase.

Nos acostumamos com o conceito de "hermenêutica da continuidade" apresentado por Bento XVI e esperávamos que Bergoglio, por mais diferente que pudesse ser de Ratzinger, seguisse por essa via. Não seguiu. Pelo contrário, Francisco se torna cada dia mais um exemplo vivo daquela descontinuidade, da desconstrução das certezas dogmáticas e da "bagunça", uma verdadeira ruptura agressiva.

O Papa-Sol

Francisco é, de longe, o pontífice mais absolutista da história. Seus discursos iniciais estavam marcados por um forte apelo à colegialidade, ao modo sinodal de governar a Igreja. Eram discursos verdadeiramente revolucionários, mas que tinham uma base elementar no Vaticano II. Contudo, Francisco tem uma ideia muito peculiar sobre como conciliar o modelo sinodal com a potestade pontifícia: os padres sinodais só têm voz se esta for um eco da própria voz de Bergoglio.

Francisco procurou, através do último Sínodo dos Bispos em Roma, ter a sua agenda de revolução doutrinal endossada pelos padres sinodais. Para isso, de forma muito articulada, colocou o cardeal Kasper para introduzir o tom da discussão - a comunhão aos divorciados em segunda união. Kasper atuou como um verdadeiro boi de piranha, atraindo para si as críticas e mostrando para Francisco quem eram os críticos.

Vários cardeais se levantaram contra o "teorema Kasper". Artigos em jornais e revistas foram publicados, livros escritos.  Cardeais conservadores expressavam seu desprazer com a ideia, amplamente divulgada, que a Igreja modificaria sua doutrina.

Francisco então tentou organizar o Sínodo de forma a neutralizar opositores, dispondo peões como num elaborado jogo de xadrez. Entra em cena o segundo "boi de piranha" do Papa, o cardeal Baldisseri. Como secretário do Sínodo, junto com o arcebispo progressista Bruno Forte, Baldisseri cria um ambiente de completa censura aos dissidentes, ocultando pronunciamentos, manipulando a tribuna e entregando um "relatio" completamente inédito. A revolta dos padres sinodais, sobretudo os da África e Ásia, foi evidente e permitiu que a crise se tornasse pública. Vários jornais falaram numa derrota de Francisco e deram espaço ao questionamento das até então incríveis capacidades gerenciais do papa jesuíta.

No discurso de encerramento do Sínodo, Francisco, o "Papa-Sol", lembrou a todos os presentes que, neste pontificado, "A Igreja sou eu". Citou de forma clara o cânone 749 no qual se afirma que o Papa é "Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis" e goza "da potestade ordinária, que é suprema, plena, imediata e universal na Igreja" (cf. cânn. 331-334). Para bom entendedor, meia palavra basta, e o recado foi dado!

A Defenestração de Burke

Um líder da oposição dentro do Sínodo, embora rejeite categoricamente este rótulo, o cardeal americano Raymond Burke, então prefeito da Signatura Apostólica, foi a primeira vítima dos ajustes do pós-sínodo.

O tema do sínodo era (é) a família e questões de ordem canônica foram (serão) discutidas. Mas o prefeito da mais alta côrte da Igreja, o chefe do Direito Canônico, só participou do Sínodo "ex-oficio", ou seja, uma participação automática. O cardeal Burke não foi convidado pessoalmente pelo Papa, nem mesmo ocupou alguma posição de liderança oficial na estrutura do Sínodo, como era de se esperar.

Burke foi nomeado ontem, depois de muita especulação, como Soberano da Ordem Militar de Malta, cargo honorífico e reservado aos cardeais aposentados. Burke, com 66 anos, está bem longe da aposentadoria.

Mas Francisco foi muito inteligente ao fazer o Sínodo para a Família em duas etapas. Burke, a grande figura conservadora, está fora da segunda assembleia do sínodo que se reunirá em outubro de 2015. Com absoluta certeza outros cardeais opositores estarão igualmente fora do embate final. Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Humilhação aos EUA

Com a saída de Burke a Cúria Romana perde o único prelado norte-americano num cargo de chefia. A Igreja dos EUA é poderosa e influente, sempre contando com algum bispo ou cardeal num alto posto da administração eclesial. Com Francisco isso parece não ser o caso.

Basta lembrar que no último consistório para a criação de novos cardeais, Francisco ignorou os EUA completamente. Pela primeira vez em mais de cem anos os EUA estavam fora do consistório.

Francisco também nomeou para Chicago, sede do arcebispo mais influente dos EUA e um nome profundamente ligado a João Paulo II e Bento XVI, Francis George, um prelado de segunda linha, sem expressão nacional, mas afinado com a "misericórdia" de Francisco e um "yes man".

A elevação de padres e bispos do segundo ou mesmo do terceiro escalão à posições proeminentes parece ser a marca deste pontificado. Começou na Cúria, com a nomeação relâmpago de Stella como substituto de Piacenza e agora se espalha para as dioceses do mundo. Talvez - e aqui é uma teoria pessoal - a elevação prelados medíocres em detrimento de outros mais bem preparados é uma estratégia de longo prazo para que as reformas bergoglianas passem com facilidade até as estruturas mais fundamentais da Igreja - as paróquias e capelas. Foi dessa forma que Bergoglio modelou a Igreja na Argentina, com bispos mal formados e pouco habituados à defesa da doutrina, e está ai o resultado...

O que sabemos, entretanto, é que João Paulo II e Bento XVI deixaram os EUA com bispos muito conservadores e, graças a Deus, jovens. As grandes lideranças dos EUA, na sua maioria, são relativamente jovens - Samuel Aquila (64), William E. Lori (63), José Gomez (62), Thomas Wenski (64), Alexander Sample (54), James Sartain (62), Salvatore J. Cordileone (58) e até mesmo o cardeal Dolan (64), embora este último esteja bem longe de ser um tradicionalista ou mesmo conservador, ele levantou duras objeções durante o Sínodo. Ou seja, será muito difícil para Francisco modificar muito rapidamente a linha conservadora dos EUA. É claro que o "Papa-sol" poderá criar uma infinidade de cargos honoríficos ou despachar uma dezena de "visitas fraternas" aos arcebispos americanos para, de forma arbitrária e humilhante, se livrar deles... afinal "A Igreja é Francisco".

Do ponto de vista meramente político, negligenciar a Igreja norte-americana é um erro estratégico grave que pode trazer ainda mais problemas ao Papa, ou mesmo a antecipação da sua renúncia.

E o que vem por ai...

É muito difícil e arriscado prever o futuro. Podemos traçar linhas conjecturais, podemos especular somente.

Esperamos para antes do próximo Sínodo uma reformulação mais acelerada na Cúria. Nomes de influência já se foram, com a remoção de Cañizares do Culto Divino e agora de Burke da Signatura Apostólica. Os únicos prelados "com luz própria" são Müller, da Doutrina da Fé, e Pell das Finanças Vaticanas. Ambos se colocaram como opositores da trinca Kasper-Baldisseri-Francisco no sínodo.

Faço apenas algumas especulações:

Maradiaga, o vice-papa, poderia ser nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Francisco precisa de um nome forte em Roma, porém inteiramente devotado ao projeto bergogliano, e na face desta Terra não há ninguém mais fiel ao processo revolucionário de Bergoglio que o cardeal arcebispo de Tegucigalpa Oscar Maradiaga.

Francisco precisa, ainda, lidar com a oposição na própria Itália. Para tanto, a substituição de Caffara (76), arcebispo de Bolonha e um dos autores do livro que criticava as propostas de Kasper, é importantíssima e estratégica. Recentemente Francisco fez algumas alterações na legislação da renúncia dos prelados com mais de 75 anos, obrigando-os a apresentar ao Papa sua demissão. É possível que Galantino, o bispo que não gosta que católicos rezem em clínicas de aborto, suba até o arcebispado de Bolonha.

Posso estar enganado, mas não acredito que Piero Marini será o próximo prefeito do Culto Divino. Seria um problema a mais na já conturbada agenda de Francisco e o ex-cerimoniário e ex-secretário de Annibale Bugnini já conta com 72 anos. É possível que um nome totalmente inesperado e mais jovem, alçado do segundo escalão, assuma a Congregação. Porém será um nome Bugniniano e crítico da missa antiga e do Motu Proprio. Disso não tenho dúvida!

Conclusão

O importante é que todos acordaram para este pontificado. Estão vendo um processo claro de desconstrução da Igreja através das mãos do Papa Francisco. Até mesmo jornais católicos, redes de TV católicas (nos EUA, é claro...) percebem que há algo errado com este pontificado.

Comparam Francisco ao Papa Paulo VI. Não acho a comparação justa.
O Papa Montini permitiu que seu pontificado fosse sequestrado por progressistas, sendo ele mesmo simpático a muitas, mas não todas, das suas ideias revolucionárias. Paulo VI pecou pela falta de decisão, por ser o "papa Hamletiano" e por confiar e dar poderes demais aos seus colaboradores. Francisco é justamente o oposto - todas as decisões partem dele e ele não confia em ninguém além de si mesmo. Francisco não tem colaboradores, tem executores.
Paulo VI foi o papa sem personalidade enquanto Francisco é o papa mais personalista que existe.

domingo, 3 de agosto de 2014

Papa Francisco reintegra sacerdote sandinista ao ministério.

(Christian Newswire* | Tradução Blogonicus) - O Vaticano publicou um decreto que levanta uma suspensão de 29 anos aplicada ao Pe. Miguel F. d'Escoto Brockmann (foto), um sacerdote da [Congregação] Maryknoll. A Maryknoll Fathers and Brothers é uma sociedade missionária dos EUA.

Pe. d'Escoto, 81 anos, foi ordenado como sacerdote católico em 10 de junho de 1961. Ele ajudou a fundar a Orbis Books, a publicação teológica da congregação de Maryknoll, e se tornou um oficial junto ao Conselho Mundial de Igrejas. Durante a década de 70, d'Escoto se envolveu com política na Nicarágua. Ele integrou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, um partido politico que removeu Anastasio Somoza e estabeleceu um governo revolucionário.

Por suas ações políticas, seu envolvimento com o governo sandinista e a recusa em abandonar um cargo político (ministro do exterior da Nicarágua) incorrendo na violação do seu ministério, Pe. d'Escoto foi suspenso dos seus deveres sacerdotais pelo Vaticano.

Na notificação do Vaticano datada de 1º de agosto, [se lê] "O Santo Padre concedeu seu benevolente assentimento para que Pe. Miguel d'Escoto Brockmann seja absolvido da pena canônica infligida a ele e o confia ao Superior Geral do Instituto [Maryknoll] com o propósito de acompanhá-lo no processo de reintegração do ministério sacerdotal"

A revogação da suspensão permite ao Pe. d'Escoto reassumir os seus deveres sacerdotais.

Pe. d'Escoto permaneceu como um membro da Maryknoll com residência na Nicarágua. De setembro de 2008 até setembro de 2009, ele presidiu a 63º sessão da Assembleia das Nações Unidas como seu presidente.

***
Nossos comentários
Parece que a misericórdia, ou melhor, a "benevolência" só existe com a esquerda marxista.

Francisco se distancia a cada dia dos seus predecessores, de modo especial Bento XVI e João Paulo II que tanto fizeram para lutar contra a teologia da libertação e o marxismo, religioso ou não.

Diferentemente de João Paulo II, que de dedo em riste censurou publicamente a Ernesto Cardenal - um outro padre sandinista - Francisco acolhe benevolentemente.

Então quer dizer que Pe. d'Estoco se arrependeu e buscou o perdão do Vaticano? Nada disso! O mais escandaloso é isso, o político comunista revolucionário que por acaso também é um padre não se arrependeu de nada, não se afastou das atividades políticas e teve a sua punição revogada por um gesto, como deixa claro o texto, do próprio Papa Francisco!

Ernesto Cardenal, novamente ele!, foi um dos religiosos que mais festejaram quando viu Bergoglio subir ao poder. Ele disse sobre Bergoglio: “De maneira nenhuma esperávamos um papa do nosso continente, nem um papa revolucionário neste momento, porque foi eleito entre os cardeais que foram escolhidos pelos dois últimos papas (João Paulo II e Bento XVI), conservadores e reacionários. Então de onde sairia um revolucionário? E saiu”.

O que dizer disso tudo?
O que vemos é um Papa que baila um tango perigoso com aquela parcela da Igreja que erroneamente julgávamos derrotada (mea culpa! mea culpa!). É um papa que reabilita comunistas e beija a mão de sacerdotes gayzistas, mas censura publicamente e sem o menor desconforto a ínfima parcela do laicato que, por exemplo, recorre à prática piedosa dos buquês espirituais ou ainda que se aproxima da missa tradicional; a estes últimos só há o preconceito e o desdém.

Seguindo a mesma lógica que vimos até o momento, Leonardo Boff poderia ser reabilitado imediatamente! E o papa ainda poderia pedir perdão ao franciscano. Paranoia? Longe disso...

O pontificado de Francisco não é difícil de entender, mas é difícil de defender. Resta aos menos "paranoicos" fazerem os seus malabarismos sofismáticos, tentando negar o que está bem claro diante de nós.

Um mérito deste pontificado, entretanto, é que está nos mostrando a cada nova entrevista dúbia ou a cada decisão temerária, que a Igreja é guiada em primeiro lugar pelo Espírito Santo e não é uma instituição humana. Rezemos ainda mais pelo Papa, com mais força e devoção. Ele precisa muito das nossas orações.
______________
*A nota que traduzimos da Christian Newswire é assinada por Mike Virgintino, que se apresenta como RP da congregação de Maryknoll.

[Atualização 04/08 15:36 - Segundo informa a rede de notícias CNA, dando mais detalhes sobre o caso, Pe. d'Estoco escreveu ao Papa pedindo para que pudesse celebrar a Eucaristia novamente antes de morrer.]

sábado, 2 de agosto de 2014

Os silêncios de um Papa tão falante


(Sandro Magister | Tradução Blogonicus) - Roma, 1 de agosto de 2014 - No dia de Santa Ana, padroeira de Caserta, o Papa Francisco visitou esta cidade. Tudo normal? Não. Porque apenas dois dias depois, Jorge Mario Bergoglio retornou à Caserta numa visita privada para encontrar seu amigo italiano que conheceu em Buenos Aires, Giovanni Traettino, pastor de uma igreja evangélica local.

Mais ainda, no princípio o propósito de Francisco era apenas se encontrar com este seu amigo, com o bispo de Caserta deixado totalmente no escuro, e foi preciso convencer o Papa a duplicar o programa para não descuidar das ovelhas do seu redil.

Em Francisco a colegialidade de governo é mais invocada que praticada. O estilo é o de um general dos jesuítas que, no final, decide tudo por si só. É compreendido por seus gestos, por suas palavras e por seus silêncios.

Por exemplo, há semanas que nos bastidores Bergoglio cultiva relações com os líderes de poderosas comunidades evangélicas dos EUA. Na residência de Santa Marta [Francisco] passou horas e horas na sua companhia. Os convidou para almoçar. Num desses momentos de convivência se imortalizou o toque de mãos abertas, entre grandes risadas, com o pastor James Robinson, um dos tele-evangelistas americanos de maior sucesso.

Quando, entretanto, ninguém sabia de nada, Francisco lhes antecipou seu propósito de encontrar seu colega italiano em Caserta e explicou o motivo: "oferecer as desculpas da Igreja Católica pelos danos que esta lhes causou ao obstaculizar o crescimento das suas comunidades".

Argentino, Bergoglio conhece diretamente a expansão esmagadora das comunidades evangélicas e pentecostais na América Latina, que seguem arrebatando da Igreja Católica grandes massas de fiéis. Entretanto, decidiu não combater seus líderes, mas fazer amizade com eles.

Na mesma linha que adotou com o mundo muçulmano: oração, invocação da paz, condenações gerais do que se está fazendo de mal, mas muito cuidadoso ao se manter longe dos casos específicos, sobre pessoas específicas, sejam vítimas ou algozes.

Francisco também não abandona esta atitude reservada quando o mundo inteiro se mobiliza em defesa de determinadas vítimas e todos esperariam dele um pronunciamento.

Não gastou uma única palavra quando a jovem mãe sudanesa Meriam estava no cárcere com seu filho, condenada a morte porque é cristã, mas a recebeu quando foi liberada graças às pressões internacionais.

Não disse nada pelas centenas de estudantes nigerianas raptadas pelo Boko Haram, apesar da campanha também promovida por Michelle Obama com o lema "Bring back our girls" (devolvam as nossas meninas).

Se cala sobre a sorte de Asia Bibi, a mãe paquistanesa encarcerada há cinco anos, esperando a apelação contra a sua sentença que a condenou a morte, acusada de ter ofendido o Islã.

Também a campanha pela libertação de Asia Bibi ve por todos os lados o comprometimento do mundo católico e se fez pública neste ano uma dolorosa carta escrita por ela ao Papa que não a respondeu.

São silêncios que causam uma impressão maior quando são praticados por um Papa de quem se conhece sua generosíssima disponibilidade para escrever, telefonar ou levar ajuda, para abrir as portas a qualquer pessoa que bate, não importa se é pobre ou rico, bom ou mau.

Por exemplo, ele havia levantado algumas críticas sobre a demora para se encontrar com as vítimas dos abusos sexuais cometidos por representantes do clero. Mas no último dia 7 de julho isso foi arranjado, dedicando toda uma jornada a seis dessas vítimas, chamadas a Roma desde três países europeus.

Nos mesmos dias avançou a reorganização das finanças vaticanas, com algumas mudanças nos cargos máximos e a demissão do inocente presidente do IOR, o alemão Ernst von Freyberg.

Inexplicavelmente, em dezesseis meses de pontificado, este funcionário jamais conseguiu obter uma audiência com o Papa.

Ainda mais inexplicável é a "damnatio" que atingiu o seu predecessor, Ettore Gotti Tedeschi, derrubado em maio de 2012 justamente por haver levado adiante a obra de limpeza, derrubado precisamente pelos maiores responsáveis pela má administração. Seus pedidos ao Papa Francisco para ser recebido e ouvido jamais receberam resposta.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Outras intervenções na Argentina. Mais cabeças rolarão?

Lá vou eu de novo, fazendo análises com a minha tradicional paranoia...

A eleição de um pontífice argentino colocou os bispos do país numa situação muito complicada. Ninguém nega que este país é o que vem sofrendo mais com o novo estilo de gestão adotada pelo Papa Francisco e não poderia ser diferente. Jorge Mario Bergoglio, antes de ser Francisco, foi arcebispo e cardeal da maior e mais importante arquidiocese do país, onde se localiza a sede do governo e da nunciatura apostólica e foi presidente por anos da Conferência Episcopal.

Se no âmbito internacional já possível visualizar alguma mudança de rumo nas nomeações, sobretudo na Cúria Romana e na Conferência Episcopal Italiana, com a instalação de prelados "mais pastorais", o que quer que isso signifique, é na Argentina que isso se nota de forma clara, concreta e violenta. Muitos vaticanistas afirmam que Francisco faz nomeações para seu país natal sem consultar a Congregação para os Bispos ou qualquer outro dicastério, dada a velocidade anormal no processo.

A mão de Bergoglio pode ser sentida de uma forma dupla pairando sobre a cabeça dos bispos e sacerdotes argentinos. De forma carinhosa, ele afaga alguns mais alinhados ao bergoglianismo praticado por anos em Buenos Aires. Foi o caso de Marco Aurelio Poli, hoje cardeal da capital, e de Víctor Manuel Fernández, a quem o então arcebispo Jorge Mario Bergoglio tentou por anos fazer bispo, mas seu nome era sempre rejeitado pelo Vaticano; Francisco o fez arcebispo (titular) em alguns dias depois de eleito Papa.

Mas se aqueles que professam o bergoglianismo estão "sentados à direita do Papa", os que lhe oferecem resistência encontram a sua outra mão - a mão de ferro.

Recentemente se viu a remoção do arcebispo de Rosário, baseada em motivos até o momento tão esdrúxulos e sem o menor cabimento que beiram o ridículo. Agora é a vez de mais duas dioceses - Zárate-Campana e Puerto Iguazu.

Em Zárate-Campana...

A acusação contra o bispo de Zárate-Campana, Dom Oscar Domingo Sarlinga, é a mesma feita ao arcebispo de Rosário - mau uso do dinheiro e abuso de poder. Só que em Zárate-Campana se fala de somas mais vultuosas de pesos, com acusações de desvio de fundos de origem pública destinados às cantinas escolares administradas pela diocese. Outra acusação é a de lavagem de dinheiro (!) no seminário São Pedro e São Paulo.

Contra o bispo de Sarlinga, segundo os periódicos argentinos, pesa a demissão sem justa causa da diretora da Cáritas na diocese, Sra. Silvana Betancourt. Segundo a ex-diretora, a sua demissão se deu por ela se negar a ser "cúmplice de situações indecentes e imorais e fora dos sacramentos da nossa fé que comecei a viver cotidianamente no meu âmbito de trabalho".

Aqui é importante destacar como a Cáritas Argentina parece estar no meio de todos os escândalos envolvendo bispos - o ex-bispo de Merlo-Moreno, então presidente nacional da Cáritas, foi removido por Bento XVI depois de ser flagrado num luxuoso resort no Caribe com uma mulher casada que mais tarde confessou ser sua amante há anos (e o então Cardeal Bergoglio o defendeu com todas as forças! Como Papa deu o título de emérito ao bispo prevaricador); o arcebispo de Rosário, como disse, foi removido por problemas financeiros que foram causados pelo mau uso de dinheiro numa rádio diocesana administrada pelo padre da Cáritas de Rosário. E agora temos também problemas em Zárate-Campana envolvendo de alguma forma a Cáritas. Não seria hora de se investigar a Cáritas? Só uma sugestão...

Em Puerto Iguazu...

A remoção de Dom Marcelo Raúl Martorell, bispo de Puerto Iguazú, é dada como iminente pelos periódicos argentinos.

O crime de dom Marcelo seriam supostos "erros e desvios doutrinais internos", segundo informações do DyN, periódico de notícias argentino reproduzido pelo blog espanhol Secretum Meu Mihi e por vários outros jornais de Buenos Aires. O desvios se dariam no recebimento de alguns jovens no seminário e na ordenação desses jovens ao sacerdócio.

O periódico DyN traz um relato do livro biográfico oficial de Jorge Mario Bergoglio (título: El Jesuita), onde o então cardeal alertava para um controle dos candidatos ao ingresso no seminário, sobretudo porque alguns clérigos escondem no celibato suas perversões prévias. Bergoglio pedia que se fizesse um pente fino nos candidatos para evitar os pervertidos, mas estranhamente não aplicava essa regra ao seu próprio seminário arquidiocesano, com muitos candidatos fugindo escandalizados dessa casa de formação...

Segundo o DyN, foram fontes eclesiásticas internas da própria diocese que afirmaram que os problemas na diocese, e que estão sendo investigados ainda informalmente pelo Vaticano, são de ordem doutrinal. A alusão ao livro de Bergoglio e a insinuação de "pervertidos" no seminário partem do próprio DyN.

Entretanto...

O que o DyN esqueceu de afirmar e que nós, partindo da nossa incessante paranoia, não nos furtamos em observar é que Puerto Iguazu não tem seminário!

Os candidatos à ordem não se formam em Puerto Iguazu, que é uma diocese muito pequena com aproximadamente 200 mil católicos. Os seminaristas de Puerto Iguazu recebem a sua formação no seminário São José da arquidiocese de La Plata.

E quem comanda a arquidiocese de La Plata é dom Héctor Rubén Aguer, um dos maiores oponentes de Bergoglio dentro da Argentina e um nome que vem circulando ha meses como um candidato a receber a mão e ferro de Francisco. Já falamos disso neste blog, quando abordamos "paranoicamente", é claro, a situação e a remoção do arcebispo de Rosário.

Se o problema está realmente nos candidatos e nos neo-sacerdotes ordenados por Dom Marcelo Raúl Martorell, nada mais natural do que investigar o seminário, afinal de contas é dever dos formadores perceber os desvios e a inaptidão dos candidatos.

O seminário São José oferece formação mais, digamos, conservadora do que outras casas de formação na Argentina. Para se ter uma ideia, a diocese de Gregorio de Laferrere, que faz parte da província metropolitana de Buenos Aires e fica a poucos km da capital, envia seus seminaristas para estudarem em La Plata. Puerto Iguazu fica a 1396 km de La Plata.

Pelo que pesquisei, não encontrei nenhuma notícia ou relato sobre padres pedófilos na diocese de Puerto Iguazu, portanto não creio que a diocese seja afetada por pervertidos. Mas é bom lembrar que 2% do clero é composto por pedófilos, segundo o Papa, então todo cuidado é pouco!

Dom Marcelo Raúl Martorell, entretanto, faz parte daqueles bispos nomeados sem o beneplácito de Jorge Mario Bergoglio, que inclui o próprio Dom Héctor Aguer e o já removido José Luis Mollaghan. Esses bispos foram nomeados pelo Núncio da época, Dom Adriano Bernardini, e pela Secretaria de Estado, então comandada por Sodano. Eram e são bispos de linha claramente conservadora, que agora são caçados.

Então...

A cada nova notícia vemos ser fiável aquilo que os vaticanistas, mesmo aqueles mais entusiasmados com esse pontificado, vem constatando e que se traduz muito bem pelo título dado a um recente artigo de Tosatti ao jornal La Stampa - Aberta a temporada de caça aos conservadores. Alguns blogueiros brasileiros podem achar Tosatti um paranoico e, além dos vários anos e da seriedade do jornalista, podem considerá-lo um mau comentarista.

O caso que mais chama a atenção aqui não é de Zárate-Campana, que se trata apenas de problemas administrativos, mas o de Puerto Iguazu. A diocese de Puerto Iguazu faz divisa com a cidade paraguaia de Ciudad del Este que, a partir de hoje, encontra-se oficialmente em visitação apostólica por dois prelados enviados especialmente por Francisco para investigar o seminário diocesano que mais vocações tem na América do Sul, proporcionalmente falando. Alie-se a isso a intervenção direta aos Franciscanos e Franciscanas da Imaculada.

Parece que hoje a fofoca dentro da Igreja - aquela que Francisco condenou de forma tão categórica nos primeiros meses do pontificado - ganhou alguma cidadania e se transformou em "instrumentum laboris" do Vaticano franciscano. Tudo vem sendo feito de forma oficiosa, nas sombras, com acusações anônimas e informais levadas a consequências reais.

O que vemos - e somos obrigados a comentar - são bispos e padres conservadores caindo como moscas. Outros tantos, que despontavam publicamente na época de Bento XVI, se encolhem e rogam aos céus para que passem despercebidos. Bispos, padres e religiosos, que até fevereiro de 2013 escreviam publicamente sobre tudo, colocando-se contra a heterodoxia e a favor da ortodoxia, hoje são mais comedidos, falam e escrevem menos, muito menos. Alguns até pararam de escrever ou falar.

Com alguns Francisco beija as mãos ou acaricia as bochechas, para outros, entretanto, o pontífice se reserva o direito a dar umas boas palmadas. É a Igreja da Misericórdia!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Card. Walter Brandmüller dá uma lição de catolicismo a Scalfari. Ou, será que Francisco leu a bíblia?

Na última entrevista concedida ao periódico "La Repubblica", através do seu editor e fundador, o ateu Eugenio Scalfari, Francisco afirmou na última pergunta que o celibato, apontado para Scalfari como um problema, era uma norma da igreja de apenas 900 anos e que ele - o Papa - iria encontrar soluções para esse problema, referindo-se aos padres que vivem com mulheres.
Num vasto texto publicado no Il Foglio, o cardeal Walter Brandmüller apresenta todo o contexto do celibato na igreja latina e na oriental, dando uma boa lição de teologia e história ao jornalista ateu e, ouso dizer, a Sua Santidade. Eis o texto. Volto com um breve comentário abaixo.

***


Nós, sacerdotes, celibatários como Cristo 

por Walter Brandmüller
* Cardeal e presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas.

Ilmo dr. Scalfari, mesmo não gozando do privilégio de conhecê-lo pessoalmente, gostaria de voltar a suas declarações sobre o celibato contidas no relatório de sua entrevista com o papa Francisco, publicado 13 de julho de 2014, cuja autenticidade foi imediatamente negada pelo diretor da Sala de Imprensa do Vaticano.

Como o "velho professor", que durante trinta anos lecionou História da Igreja na universidade, gostaria de vos informar o estado atual da pesquisa neste campo.
Em particular, deve-se salientar, em primeiro lugar, que o celibato não data a uma lei inventada 900 anos depois da morte de Cristo.

São abundantes nos Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas que relatam as palavras de Jesus sobre o assunto.
São Mateus escreve (19,29) "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna".
De forma muito semelhante ao que escreve São Marcos (10,29) - "Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais..."
De forma mais precisa está São Lucas (18,29 ss) - Em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna"

Jesus não dirigia estas palavras para as massas, mas para aqueles que enviava ao mundo para espalhar Seu evangelho e anunciar a vinda do Reino de Deus. Para cumprir esta missão, você precisa se livrar de qualquer laço terreno e humano.

E uma vez que esta separação significa a perda do que é dado como certo. Jesus promete uma "recompensa" mais do que apropriada.
Neste momento encontra-se frequentemente que o "deixar tudo" se referia apenas à duração da jornada de proclamação do Seu Evangelho, e que uma vez que a tarefa fosse concluída, os discípulos seriam devolvidos às suas famílias. Mas não há qualquer vestígio disso.

O texto dos Evangelhos, referindo-se a vida eterna, no entanto, fala de algo definitivo.

Agora, desde que os Evangelhos foram escritos entre 40 e 70 d. C., seus redatores estariam em maus lençóis se atribuíssem palavras a Jesus que, então, não se encaixavam com o seu modo de vida. Jesus, de fato, afirma que aqueles que são participantes da sua missão também adotam o seu estilo de vida. Mas o que significa quando Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (9.5) escreve: Não sou eu livre? Não sou apóstolo?... Não temos nós porventura o direito de comer e beber? Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher crente, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar o trabalho?

Estas perguntas e afirmações não dão como certo que os apóstolos estavam acompanhados por suas esposas? Aqui devemos proceder com cautela. As perguntas retóricas do apóstolo referem-se ao direito daquele que anuncia o Evangelho de viver às custas da comunidade, e isso também se aplica a quem o acompanhava. E aqui se coloca a questão sobre quem seria esse acompanhante.

A expressão grega "adelphén gynaika" exige uma explicação. "Adelphe" significa irmã.
E aqui para a irmã na fé significa uma cristã, enquanto "Gyne" significa - de forma mais geral - uma mulher, uma virgem, esposa ou noiva que seja.
Em suma, um ser feminino.

Isso torna impossível de provar, no entanto, que os apóstolos foram acompanhados por suas esposas.
Por que, se assim fosse, não se iria entender por que falamos de uma Adelphe distintamente como uma irmã, de modo cristão.  Quanto à sua esposa, você tem que saber que o apóstolo a deixou quando se juntou ao círculo dos discípulos.

O capítulo 8 do Evangelho de Lucas ajuda a colocar mais clareza.  Você lê: "Os Doze estavam com Jesus, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses". A partir dessa descrição parece lógico inferir que os apóstolos seguiam o exemplo de Jesus.

Também deve ser levado ao conhecimento o apelo empático ao celibato ou à abstinência conjugal feita pelo apóstolo Paulo (1. Cor. 7,29 ss): "Mas eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem". E também "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa".
É claro que Paulo, com estas palavras irá agradar principalmente aos bispos e sacerdotes. E ele mesmo iria se ater a esse ideal.

Para provar que Paulo ou a Igreja nos tempos apostólicos não tinha conhecido do celibato são colocados em jogo, às vezes, as cartas a Timóteo e Tito, as chamadas cartas pastorais.
E, de fato, em sua primeira carta Timóteo (3:2) fala de um bispo casado. E repetidamente se traduz o texto original grego da seguinte forma: "O bispo deve ser marido de uma mulher", o que é entendido como um preceito.

E sim, bastaria um conhecimento rudimentar de grego, para traduzir corretamente: "Por esta razão, o bispo seja irrepreensível, ambos casados ​​uma vez (e ele deve ser marido de uma mulher!), Sede sóbrios e sensatos ...".
E no livro de Tito diz: "Um ancião (ou seja, um padre, bispo) deve ser irrepreensível casado uma vez...". Há indícios que tendem a excluir a possibilidade de ser ordenado bispo quem, após a morte de sua esposa, se casou novamente (bigamia sucessiva).
Porque, além do fato que naquele tempo não se via com bons olhos um viúvo que se casava novamente, para a Igreja se acrescentava a consideração que um homem nessas condições não oferecia garantia alguma de respeitar a assistência, a qual um bispo ou sacerdote devia recorrer.


A prática na Igreja pós-apostólica

A forma original do celibato previa que um sacerdote ou bispo continuasse com a vida familiar, mas não uma vida conjugal. Também por isso se preferia ordenar homens em idade mais avançada.

O fato de que tudo pode ser rastreada até as antigas e consagradas tradições apostólicas, como evidenciado pelas obras de escritores eclesiásticos como Clemente de Alexandria e o norte-africano Tertuliano, que viveu no século XIII depois de Cristo. Além disso, são testemunhas dignas de consideração sobre a apreciação da abstinência entre os cristãos, uma série de literaturas edificantes sobre os apóstolos: são os apócrifos dos atos dos apóstolos, compostos no final do século II e muito difundidos.

No séculos sucessivos se multiplicavam e sempre de forma mais explicita - sobretudo no oriente - os documentos literários sobre a abstinência dos clérigos. Eis, por exemplo, uma passagem de um texto sírio: O bispo, antes de ser ordenado, deve ser submetido a prova, para saber se é casto e se educou seus filhos no temor de Deus".
Até mesmo o grande teólogo Orígenes de Alexandria tem conhecimento de um celibato de abstinência vinculante; um celibato sobre o qual escreve e se aprofunda em várias obras.
E há, obviamente, que se considerar outros documentos de apoio, o que obviamente não é possível aqui.

A primeira lei sobre o celibato

Foi o Concílio de Elvira de 305-06 para dar a esta prática de origem apostólica a forma da lei.
Com a Cânone 33, o Concílio proíbe bispos, sacerdotes, diáconos e todos os outros clérigos de relações conjugais com sua esposa e também os proíbe de ter filhos.

Na época, pensava-se, portanto, que a abstinência conjugal e a vida familiar eram conciliáveis.
Assim, mesmo o Santo Padre Leão I, conhecido como Leão Magno, por volta do ano de 450, escreveu que os consagrados não deviam se divorciar de suas esposas.

Eles tinham que ficar juntos, mas como escreve Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (7:29).
Com o passar do tempo, tendeu-se cada vez mais a dar os sacramentos só para homens solteiros.
A codificação vai chegar na Idade Média, época em que foi assumido que o sacerdote e o bispo fossem celibatários.

Outra coisa é o fato de que a disciplina canônica nem sempre foi vivida ao pé da letra, mas isso não é surpreendente.
E, como é da natureza das coisas, mesmo a observância do celibato tem conhecido ao longo dos séculos os altos e baixos. Exemplo famoso é o debate muito acalorado, que teve lugar no século XI, no momento da chamada reforma gregoriana.

Naquela época, nós testemunhamos um racha tão claro - especialmente na igreja francesa e alemã - que levou os prelados alemães que se opunham ao celibato a removerem a força o Bispo Altmann de Passau de sua diocese. Na França, os emissários do Papa instruído a insistir na disciplina do celibato foram ameaçados de morte, e o santo abade Walter de Pontoise foi espancado durante um sínodo realizado em Paris, pelos bispos que se opõem ao celibato e jogado na cadeia. No entanto, a reforma prevaleceria, e nós assistimos a uma renovada primavera religiosa.

É interessante notar que a contestação da disciplina do celibato sempre esteve associada aos sinais de decadência na Igreja, enquanto que em momentos de renovada fé e florescimento cultural foi notada uma observância melhorada do celibato. Não é difícil tirar destas observações paralelos históricos com a atual crise.


O problema da Igreja do Oriente

Permanecem abertas mais duas perguntas que são feitas com freqüência. Aquela que diz respeito à prática do celibato na Igreja Católica do Império Bizantino e pelo rito oriental: que não permite o casamento para os bispos e monges, mas as concede aos sacerdotes, contanto que sejam casado antes de tomarem os sacramentos. E, tomando a sua prática como esta, há aqueles que se perguntam se poderia igualmente ser adotada pelo ocidente latino.

Neste sentido, importa antes de mais salientar que foi no Oriente que a prática do celibato em abstinência foi considerada vinculante. E é somente durante o Concílio de 691, o chamado Quinisextum o Trullanum, quando ficou clara a decadência religiosa e cultural do Império Bizantino, que há à ruptura com a herança apostólica. Este concílio, influenciado principalmente pelo imperador, que com uma nova legislação colocou ordem nas relações, nunca foi reconhecido pelos papas.

É apenas naquela época que surge a prática adotada pela Igreja do Oriente.
Quando, nos séculos XVI e XVII, e, posteriormente, várias igrejas ortodoxas voltaram para a Igreja do Ocidente, Roma enfrentou o problema de como lidar com os clérigos casados ​​das igrejas. Os vários papas que se seguiram decidiram, para o bem e a unidade da Igreja, em não exigir dos sacerdotes que voltavam para a igreja-mãe todas as alterações ao seu modo de vida.


A exceção em nosso tempo


Ordinários e suas esposas
Convertidos ao catolicismo e dispensados do celibato
Em um raciocínio semelhante também se baseia a dispensa papal do celibato concedida - a partir de Pio XII - aos ministros protestantes que se convertem à Igreja Católica e que desejam ser ordenados sacerdotes. Esta regra foi aplicada recentemente por Bento XVI aos muitos prelados anglicanos que quiseram juntar-se, de acordo com a constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, à Igreja Católica.

Com esta concessão extraordinária, a igreja reconhece estes homens de fé em sua longa e muitas vezes dolorosa jornada religiosa, agora convergindo para a meta. A meta em nome da verdade faz as pessoas envolvidas desistirem até mesmo do sustento econômico até então recebido.
É a unidade da Igreja, bem de imenso valor, que justifica essas exceções.

Herança vinculante?

Mas para além destas exceções, há uma outra questão importante a saber: a Igreja pode ser autorizado a renuncia a uma herança apostólica clara? É uma opção que está constantemente a ser considerada.
Alguns pensam que esta decisão não pode ser tomada apenas de um lado da igreja, mas por um concílio geral.

Dessa forma, se pensa que, por não envolver todo o âmbito eclesiástico, pelo menos para alguns é possível afrouxar a obrigação do celibato, quando não abolir por completo. E o que hoje ainda é inapropriado, poderia ser a realidade de amanhã.
Mas se proceder dessa forma, se deve colocar em primeiro plano o elemento vinculante da tradição apostólica.

E ainda você pode estar se perguntando se, por decisão tomada num Concílio, seria possível abolir a celebração do Domingo, já que para querer ser rigoroso, ela tem menos fundamentos bíblicos que o celibato. Finalmente, para concluir, gostaria de apresentar uma visão para o futuro: se continua a ser válido o fato de que cada reforma eclesiástica que merece esta definição provém de um profundo conhecimento da fé eclesiástica, então, mesmo o atual debate sobre o celibato será ultrapassado por um conhecimento profundo do que significa ser um sacerdote.

E se você entender e ensinar que o sacerdócio não é um mero serviço, exercido em nome da comunidade, mas que o sacerdote - em virtude dos sacramentos recebidos - ensina, santifica e guia na pessoa de Cristo,  vamos entender ainda mais que para isto ele também deve assumir a forma de vida de Cristo.

E um sacerdócio bem compreendido e vivido voltará a exercer uma força de atração sobre os jovens.
Quanto ao resto, temos de reconhecer que o celibato, assim como a virgindade por causa do Reino dos Céus, permanecerá para aqueles que têm uma concepção secularizada da vida sempre como algo irritante.
Mas Jesus já disse a este respeito: "Quem pode entender, compreenda."


***

Em primeiro lugar, peço desculpas antecipadas se encontrarem algum erro no texto. Não tive tempo de revisá-lo, mas acredito que você leitor, como uma alma indulgente, vai me perdoar. Agora vamos lá...

Scalfari, um ateu que naturalmente "têm uma concepção secularizada da vida", não comete um erro ou incoerência ao questionar o celibato. É da sua natureza deformada, enquanto ateu, ir contra a igreja. Quem erra é o Papa Francisco que demonstrou, mais uma vez, pouco conhecimento da teologia e da história da Igreja.

Não é a primeira vez que o Papa gloriosamente reinante é pego com problemas bíblicos. O editor do site e periódico americano "The Remnant", Michael Matt, já falou num vídeo no youtube sobre os problemas que Francisco tem com a bíblia - citações que não existem, trechos inventados pela criatividade pontifícia e até interpretações que vão contra o sentido claro do texto. Essas "imprecisões" são cometidas frequentemente nas missas diárias do Papa na casa Santa Marta; suas homilias, diferentemente das homilias das grandes liturgias nas basílicas ou viagens, não são revisadas pelos teólogos do Vaticano, algumas são feitas totalmente de improviso pelo Papa, sem texto escrito.

O texto do cardeal Brandmuller ilustra o caráter apostólico do celibato. Não é uma lei qualquer criada 900 depois da morte [e ressurreição... Francisco também esquece desse detalhe] de Jesus. Não é um pedaço de legislação, mas parte da tradição apostólica!

O cardeal demonstra brevemente que a Igreja oriental tolera o casamento dos clérigos por imposição secular, um vício que foi transformado, isso sim, em lei. Mesmo hoje, entre os ortodoxos, os padres casados não são, nem de longe, a maioria e sua ordenação não é estimulada pelos bispos. Os progressistas tentam buscar no oriente uma base teológica para justificar o fim do celibato e a tolerância ao divórcio. Não encontram, porque não existe.

Francisco tem a mesma teologia de Kasper. Acontece que o cardeal alemão, que estudou teologia, sabe que não está certo e age de má fé, apresentado fatos mutilados e meias verdades. Já o Papa pensa que está certo e isso é o mais perigoso.
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