Mostrando postagens com marcador Ordinariato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ordinariato. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Pensando "Pastoralmente". O que acontece quando preterimos a doutrina na ação pastoral.

Ultimamente está na moda nos círculos eclesiásticos a expressão "agir pastoralmente" ou "pensar pastoralmente" que, na melhor das hipóteses, significa uma miríade de coisas.

O que se busca quando ouvimos o tal do "agir pastoralmente" são soluções práticas para problemas complexos. O que fazer com os divorciados recasados? Ou com os "casais" homossexuais? Como agir com o número crescente de casais não casados sacramentalmente?

Sempre a ação pastoral na Igreja estava subordinada à doutrina. Não poderia haver solução "pastoral" que contrariasse aquilo que estava escrito na Catecismo sobre o mesmo tema. Como disse, a ação pastoral estava subordinada à doutrina. Estava...

Agora as coisas parecem tomar um novo rumo e há uma, se podemos dizer, "nova escola" de pensamento dentro da Igreja, que na verdade não é tão nova assim, mas vem ganhando algum destaque nestes últimos meses. O "pastoral" parece querer se descolar do doutrinal e clamar para si alguma independência.

Para atingir tal intento, os proponentes dessa nova forma "autônoma" de ação pastoral se apoiam na contraposição de termos; pastoral seria aquela abertura humanizadora ao outro, enquanto o doutrinal seria algo limitado, frio e desumano, ou ainda algo essencialmente legalista e incapaz de acompanhar os "desafios do mundo moderno". Aquilo que na Igreja sempre caminhou de mãos dadas, agora se separa e vai por caminhos distintos.

O resultado é no mínimo uma Igreja contraditória - prega uma coisa, mas faz outra.

Vemos isso com clareza nos argumentos dos defensores da comunhão aos divorciados. Eles não falam numa mudança na doutrina, mas de uma nova "ação pastoral". Na prática, como já demonstraram vários bispos e cardeais, é anular a doutrina em nome de uma suposta misericórdia.

Quando o Cardeal Maradiaga fala ao Cardeal Muller, da Doutrina da Fé, que é preciso parar de pensar em "termos de bem e mal" ou ver as coisas somente no preto e branco, ele advoga justamente essa subversão prática da doutrina em nome do "agir pastoralmente".

Alguns, por outro lado, argumentam que isso é apenas mais uma falácia da parcela progressista e revolucionária estacionada desde a década de 60 na Igreja e que tal modus operandi não se espalhará na Igreja. Ingenuidade!

Já dizia o ditado que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. O pensamento pastoral já se espalhou por outros setores na Igreja e até mesmo encontra simpatizantes dentro do grupo dos ditos conservadores. E poderia ser diferente? Afinal, eles censuram os teólogos e até bispos que seguem linhas heterodoxas, mas quando o padrinho da nova teologia é o próprio Papa, só lhes resta obedecer, obedecer e obedecer, sem qualquer questionamento ou reserva. É hora de ogar o catecismo fora e fazer a tal da "teologia de joelhos".

Agora trago o caso que me motivou a escrever.

Acredito que todos saibam que recentemente a Igreja anglicana da Inglaterra aprovou quase por unanimidade a ordenação de mulheres ao episcopado. Em seguida, prevendo a repercussão negativa junto aos "parceiros ecumênicos", o arcebispo anglicano da Cantuária escreveu aos principais líderes de outras igrejas, dentre elas a Católica, explicando a decisão e pedindo (!) que as outras comunidades "não desistam de nós [anglicanos]" e continuem do diálogo ecumênico.

A ordenação de mulheres dentro do anglicanismo inviabilizou qualquer esforço de unidade desde a década de 70, mas os teólogos, padres e bispos envolvidos diretamente com o diálogo ecumênico insistem e não desistem.

Bento XVI, como era um Papa que colocava a ação pastoral subordinada à doutrina, criou uma estrutura própria para receber anglicanos - o Ordinariato. Enquanto Cardeal Ratzinger ele acompanhou de perto o diálogo com anglicanos e percebeu que a unidade sacramental nos termos propostos e desejados pelos anglicanos era (e é) impossível para os católicos. O Ordinariato, criado anos depois da sua elevação ao trono de Pedro, é uma ideia engenhosa que funciona plenamente e sem qualquer contradição, resultado da sabedoria e prudência daquele que guiava a barca.

Agora, entretanto, estamos vivendo tempos de independência da ação pastoral!

Ao saber da decisão histórica que permite a ordenação de "bispas", Mons. Bernard Longley, arcebispo de Birmingham e chefe da comissão de diálogo entre católicos e anglicanos, não se declarou decepcionado, nem publicou nota afirmando que isso dificultaria a unidade, que a Igreja Católica não permite e jamais permitirá a ordenação de mulheres, etc. Não! Esses argumentos serviam ao tempo da doutrina, agora precisamos pensar além da doutrina e aplicar o remédio da misericórdia!

Abaixo traduzo um trecho de uma matéria do The Telegraph:

Numa entrevista à Church of Ireland Gazette, ele [Mons. Bernard Longley] afirmou que ainda que as duas igrejas trabalhem de forma muito próxima no dia a dia, é motivo de "dor" que elas ainda não possam partilhar a comunhão. Mas ele apontou para um documento do Vaticano publicado em 1993 e também para um estudo produzido pelos bispos na ilhas britânicas que já permitiam que não-católicos recebessem os sacramentos em circunstâncias muito especiais, incluindo o perigo de morte.
Perguntado sobre se ele pensava que, dada a relação limitada existente, possa haver espaço para futuras mudanças, ele disse: "Meu ponto de vista pessoal é que você está certo em chamar atenção para as mudanças que já vimos sobre a compreensão teológica mais profunda sobre as duas igrejas.
"E sobre essa base o Diretório Ecumênico de 1993 tornou possível a recepção da sagrada comunhão pelos batizados que não são membros da igreja católica em algumas circunstâncias especiais e sob certos critérios.
"Dado que isso representa uma mudança e um distanciamento significativo da impossibilidade para a possibilidade limitada, eu poderia imaginar e prever um dos frutos do nosso trabalho ecumênico como um movimento na direção de uma compreensão mais profunda sobre a comunhão e uma partilha mais profunda entre as nossas igrejas... que poderiam, talvez, caminhar para a reconsideração de algumas dessas circunstâncias".
Ele acrescentou que seria impossível para ele prever a "velocidade da mudança", mas que ele espera que as regras existentes possam ser aproveitadas.
Mas o bispo anglicano de Guildford, Rev Christopher Hill, um membro da Comissão [de diálogo anglo-católico] e um dos que pressionam para uma aproximação maior, afirmou que a influência do Papa Francisco poderia significar que o momento é propício para uma mudança.
"Estou ciente de que Roma está considerando a atualização do Diretório e, agora, com o tom mais aberto vindo do Papa Francisco eu posso ver porque o arcebispo Bernard pensa que, talvez, seja o momento certo para quem sabe um outro olhar sobre isso", disse ele.

Antes de mais nada é preciso deixar claro que Mons. Bernard Longley é considerado um bispo conservador, tendo inclusive celebrado a liturgia tradicional várias vezes, o que desmente a crença geral que celebrar ou permitir a celebração da missa antiga é automaticamente um atestado de ortodoxia.

Dado o contexto geral, o que Mons. Bernard Longley está dizendo é que não importa muito no que se acredita, não importam os dogmas que temos ou as diferenças teológicas existentes, mas é preciso encontrar meios práticos para remediar a tal da "dor" que anglicanos e católicos supostamente sentem por não partilharem a comunhão sacramental.

Mons. Longley está fazendo o caminho contrário. Não parte de uma comunhão na fé para chegarmos à comunhão sacramental, como deixou claro João Paulo II ou Bento XVI em vários documentos, mas para ele é a comunhão sacramental o princípio e o fim em si mesma.

A comunhão aos não-católicos só é possível em casos, como deixou claro, especialíssimos, sobretudo no perigo de morte. O mesmo serve para católicos comungando em outras comunidades onde a Eucaristia é validamente oferecida - é uma exceção muito rara. Acontece que os anglicanos não tem Eucaristia validamente consagrada e, mesmo que tivessem, não possuem uma compreensão eucarística nem próxima da católica.

O pensamento apresentado por Mons. Longley é a expressão do argumento pastoral, que é mais sentimental, prevalecendo sobre o doutrinal. Seguindo a lógica, até Mórmons ou Testemunhas de Jeová poderiam receber, se quisessem, a comunhão.

Não se trata de um teólogo anglicano expondo uma ideia - o que seria desculpável, porque eles pensam qualquer coisa absurda - mas de um arcebispo católico "tradicional". Sou levado a concluir que "pensar pastoralmente" amolece alguns miolos.

A Comunhão Anglicana em todo o mundo já deu provas mais do que concretas que não tem qualquer intenção de interromper o caminho que começou a trilhar e que inclui não só a ordenação de mulheres, mas a bênção de uniões homossexuais, aborto, eutanásia, etc. Mas para Mons. Longley nada disso é um impedimento.

A visão de Mons. Longley sobre as relações católico-anglicanas está descompassada com a realidade. Não estamos caminhando para um entendimento mais profundo entre as duas igrejas, na verdade, nunca estivemos mais separados do que agora! Tal pensamento equivocado poderia encontrar eco na frase do Papa Francisco - a Igreja nunca esteve tão bem como hoje! Uma visão no mínimo equivocada.

O grande problema que enfrentamos ultimamente é o desprezo claro pela doutrina, até mesmo da parte dos conservadores ou "neo-cons". 

O que vemos diante de nós não é um perigo da Igreja, no próximo sínodo, acolher os divorciados e reabilitá-los à comunhão de alguma forma, mas de divorciarmos o pastoral do doutrinal. Os resultados dessa separação serão escândalos e apostasia.

E na Cátedra de Pedro, onde antes buscávamos alguma certeza ou segurança, encontramos ainda mais dúvidas, ainda mais questionamentos.

Sem dúvida que todo católico deseja a unidade dos cristãos, deseja que os fieis se sintam acolhidos dentro da comunidade de fé que é a Igreja Católica. Mas esse desejo tem um preço que é a conversão pessoal e o arrependimento sincero. Remover a necessidade fundamental da conversão e da penitência, oferecendo-lhes inadvertidamente a Sagrada Comunhão é contribuir para a perdição de inúmeras almas! Não se trata de misericórdia, mas de profanação!

Não existem atalhos e a porta é estreita! Para chegarmos à Ressurreição com Cristo devemos passar pelo Calvário! O que estão querendo nos oferecer é um cristo sem cruz, uma misericórdia sem Verdade, uma fé esvaziada. E isso não pode ser católico!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Card. Walter Brandmüller dá uma lição de catolicismo a Scalfari. Ou, será que Francisco leu a bíblia?

Na última entrevista concedida ao periódico "La Repubblica", através do seu editor e fundador, o ateu Eugenio Scalfari, Francisco afirmou na última pergunta que o celibato, apontado para Scalfari como um problema, era uma norma da igreja de apenas 900 anos e que ele - o Papa - iria encontrar soluções para esse problema, referindo-se aos padres que vivem com mulheres.
Num vasto texto publicado no Il Foglio, o cardeal Walter Brandmüller apresenta todo o contexto do celibato na igreja latina e na oriental, dando uma boa lição de teologia e história ao jornalista ateu e, ouso dizer, a Sua Santidade. Eis o texto. Volto com um breve comentário abaixo.

***


Nós, sacerdotes, celibatários como Cristo 

por Walter Brandmüller
* Cardeal e presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas.

Ilmo dr. Scalfari, mesmo não gozando do privilégio de conhecê-lo pessoalmente, gostaria de voltar a suas declarações sobre o celibato contidas no relatório de sua entrevista com o papa Francisco, publicado 13 de julho de 2014, cuja autenticidade foi imediatamente negada pelo diretor da Sala de Imprensa do Vaticano.

Como o "velho professor", que durante trinta anos lecionou História da Igreja na universidade, gostaria de vos informar o estado atual da pesquisa neste campo.
Em particular, deve-se salientar, em primeiro lugar, que o celibato não data a uma lei inventada 900 anos depois da morte de Cristo.

São abundantes nos Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas que relatam as palavras de Jesus sobre o assunto.
São Mateus escreve (19,29) "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna".
De forma muito semelhante ao que escreve São Marcos (10,29) - "Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais..."
De forma mais precisa está São Lucas (18,29 ss) - Em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna"

Jesus não dirigia estas palavras para as massas, mas para aqueles que enviava ao mundo para espalhar Seu evangelho e anunciar a vinda do Reino de Deus. Para cumprir esta missão, você precisa se livrar de qualquer laço terreno e humano.

E uma vez que esta separação significa a perda do que é dado como certo. Jesus promete uma "recompensa" mais do que apropriada.
Neste momento encontra-se frequentemente que o "deixar tudo" se referia apenas à duração da jornada de proclamação do Seu Evangelho, e que uma vez que a tarefa fosse concluída, os discípulos seriam devolvidos às suas famílias. Mas não há qualquer vestígio disso.

O texto dos Evangelhos, referindo-se a vida eterna, no entanto, fala de algo definitivo.

Agora, desde que os Evangelhos foram escritos entre 40 e 70 d. C., seus redatores estariam em maus lençóis se atribuíssem palavras a Jesus que, então, não se encaixavam com o seu modo de vida. Jesus, de fato, afirma que aqueles que são participantes da sua missão também adotam o seu estilo de vida. Mas o que significa quando Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (9.5) escreve: Não sou eu livre? Não sou apóstolo?... Não temos nós porventura o direito de comer e beber? Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher crente, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar o trabalho?

Estas perguntas e afirmações não dão como certo que os apóstolos estavam acompanhados por suas esposas? Aqui devemos proceder com cautela. As perguntas retóricas do apóstolo referem-se ao direito daquele que anuncia o Evangelho de viver às custas da comunidade, e isso também se aplica a quem o acompanhava. E aqui se coloca a questão sobre quem seria esse acompanhante.

A expressão grega "adelphén gynaika" exige uma explicação. "Adelphe" significa irmã.
E aqui para a irmã na fé significa uma cristã, enquanto "Gyne" significa - de forma mais geral - uma mulher, uma virgem, esposa ou noiva que seja.
Em suma, um ser feminino.

Isso torna impossível de provar, no entanto, que os apóstolos foram acompanhados por suas esposas.
Por que, se assim fosse, não se iria entender por que falamos de uma Adelphe distintamente como uma irmã, de modo cristão.  Quanto à sua esposa, você tem que saber que o apóstolo a deixou quando se juntou ao círculo dos discípulos.

O capítulo 8 do Evangelho de Lucas ajuda a colocar mais clareza.  Você lê: "Os Doze estavam com Jesus, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses". A partir dessa descrição parece lógico inferir que os apóstolos seguiam o exemplo de Jesus.

Também deve ser levado ao conhecimento o apelo empático ao celibato ou à abstinência conjugal feita pelo apóstolo Paulo (1. Cor. 7,29 ss): "Mas eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem". E também "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa".
É claro que Paulo, com estas palavras irá agradar principalmente aos bispos e sacerdotes. E ele mesmo iria se ater a esse ideal.

Para provar que Paulo ou a Igreja nos tempos apostólicos não tinha conhecido do celibato são colocados em jogo, às vezes, as cartas a Timóteo e Tito, as chamadas cartas pastorais.
E, de fato, em sua primeira carta Timóteo (3:2) fala de um bispo casado. E repetidamente se traduz o texto original grego da seguinte forma: "O bispo deve ser marido de uma mulher", o que é entendido como um preceito.

E sim, bastaria um conhecimento rudimentar de grego, para traduzir corretamente: "Por esta razão, o bispo seja irrepreensível, ambos casados ​​uma vez (e ele deve ser marido de uma mulher!), Sede sóbrios e sensatos ...".
E no livro de Tito diz: "Um ancião (ou seja, um padre, bispo) deve ser irrepreensível casado uma vez...". Há indícios que tendem a excluir a possibilidade de ser ordenado bispo quem, após a morte de sua esposa, se casou novamente (bigamia sucessiva).
Porque, além do fato que naquele tempo não se via com bons olhos um viúvo que se casava novamente, para a Igreja se acrescentava a consideração que um homem nessas condições não oferecia garantia alguma de respeitar a assistência, a qual um bispo ou sacerdote devia recorrer.


A prática na Igreja pós-apostólica

A forma original do celibato previa que um sacerdote ou bispo continuasse com a vida familiar, mas não uma vida conjugal. Também por isso se preferia ordenar homens em idade mais avançada.

O fato de que tudo pode ser rastreada até as antigas e consagradas tradições apostólicas, como evidenciado pelas obras de escritores eclesiásticos como Clemente de Alexandria e o norte-africano Tertuliano, que viveu no século XIII depois de Cristo. Além disso, são testemunhas dignas de consideração sobre a apreciação da abstinência entre os cristãos, uma série de literaturas edificantes sobre os apóstolos: são os apócrifos dos atos dos apóstolos, compostos no final do século II e muito difundidos.

No séculos sucessivos se multiplicavam e sempre de forma mais explicita - sobretudo no oriente - os documentos literários sobre a abstinência dos clérigos. Eis, por exemplo, uma passagem de um texto sírio: O bispo, antes de ser ordenado, deve ser submetido a prova, para saber se é casto e se educou seus filhos no temor de Deus".
Até mesmo o grande teólogo Orígenes de Alexandria tem conhecimento de um celibato de abstinência vinculante; um celibato sobre o qual escreve e se aprofunda em várias obras.
E há, obviamente, que se considerar outros documentos de apoio, o que obviamente não é possível aqui.

A primeira lei sobre o celibato

Foi o Concílio de Elvira de 305-06 para dar a esta prática de origem apostólica a forma da lei.
Com a Cânone 33, o Concílio proíbe bispos, sacerdotes, diáconos e todos os outros clérigos de relações conjugais com sua esposa e também os proíbe de ter filhos.

Na época, pensava-se, portanto, que a abstinência conjugal e a vida familiar eram conciliáveis.
Assim, mesmo o Santo Padre Leão I, conhecido como Leão Magno, por volta do ano de 450, escreveu que os consagrados não deviam se divorciar de suas esposas.

Eles tinham que ficar juntos, mas como escreve Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (7:29).
Com o passar do tempo, tendeu-se cada vez mais a dar os sacramentos só para homens solteiros.
A codificação vai chegar na Idade Média, época em que foi assumido que o sacerdote e o bispo fossem celibatários.

Outra coisa é o fato de que a disciplina canônica nem sempre foi vivida ao pé da letra, mas isso não é surpreendente.
E, como é da natureza das coisas, mesmo a observância do celibato tem conhecido ao longo dos séculos os altos e baixos. Exemplo famoso é o debate muito acalorado, que teve lugar no século XI, no momento da chamada reforma gregoriana.

Naquela época, nós testemunhamos um racha tão claro - especialmente na igreja francesa e alemã - que levou os prelados alemães que se opunham ao celibato a removerem a força o Bispo Altmann de Passau de sua diocese. Na França, os emissários do Papa instruído a insistir na disciplina do celibato foram ameaçados de morte, e o santo abade Walter de Pontoise foi espancado durante um sínodo realizado em Paris, pelos bispos que se opõem ao celibato e jogado na cadeia. No entanto, a reforma prevaleceria, e nós assistimos a uma renovada primavera religiosa.

É interessante notar que a contestação da disciplina do celibato sempre esteve associada aos sinais de decadência na Igreja, enquanto que em momentos de renovada fé e florescimento cultural foi notada uma observância melhorada do celibato. Não é difícil tirar destas observações paralelos históricos com a atual crise.


O problema da Igreja do Oriente

Permanecem abertas mais duas perguntas que são feitas com freqüência. Aquela que diz respeito à prática do celibato na Igreja Católica do Império Bizantino e pelo rito oriental: que não permite o casamento para os bispos e monges, mas as concede aos sacerdotes, contanto que sejam casado antes de tomarem os sacramentos. E, tomando a sua prática como esta, há aqueles que se perguntam se poderia igualmente ser adotada pelo ocidente latino.

Neste sentido, importa antes de mais salientar que foi no Oriente que a prática do celibato em abstinência foi considerada vinculante. E é somente durante o Concílio de 691, o chamado Quinisextum o Trullanum, quando ficou clara a decadência religiosa e cultural do Império Bizantino, que há à ruptura com a herança apostólica. Este concílio, influenciado principalmente pelo imperador, que com uma nova legislação colocou ordem nas relações, nunca foi reconhecido pelos papas.

É apenas naquela época que surge a prática adotada pela Igreja do Oriente.
Quando, nos séculos XVI e XVII, e, posteriormente, várias igrejas ortodoxas voltaram para a Igreja do Ocidente, Roma enfrentou o problema de como lidar com os clérigos casados ​​das igrejas. Os vários papas que se seguiram decidiram, para o bem e a unidade da Igreja, em não exigir dos sacerdotes que voltavam para a igreja-mãe todas as alterações ao seu modo de vida.


A exceção em nosso tempo


Ordinários e suas esposas
Convertidos ao catolicismo e dispensados do celibato
Em um raciocínio semelhante também se baseia a dispensa papal do celibato concedida - a partir de Pio XII - aos ministros protestantes que se convertem à Igreja Católica e que desejam ser ordenados sacerdotes. Esta regra foi aplicada recentemente por Bento XVI aos muitos prelados anglicanos que quiseram juntar-se, de acordo com a constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, à Igreja Católica.

Com esta concessão extraordinária, a igreja reconhece estes homens de fé em sua longa e muitas vezes dolorosa jornada religiosa, agora convergindo para a meta. A meta em nome da verdade faz as pessoas envolvidas desistirem até mesmo do sustento econômico até então recebido.
É a unidade da Igreja, bem de imenso valor, que justifica essas exceções.

Herança vinculante?

Mas para além destas exceções, há uma outra questão importante a saber: a Igreja pode ser autorizado a renuncia a uma herança apostólica clara? É uma opção que está constantemente a ser considerada.
Alguns pensam que esta decisão não pode ser tomada apenas de um lado da igreja, mas por um concílio geral.

Dessa forma, se pensa que, por não envolver todo o âmbito eclesiástico, pelo menos para alguns é possível afrouxar a obrigação do celibato, quando não abolir por completo. E o que hoje ainda é inapropriado, poderia ser a realidade de amanhã.
Mas se proceder dessa forma, se deve colocar em primeiro plano o elemento vinculante da tradição apostólica.

E ainda você pode estar se perguntando se, por decisão tomada num Concílio, seria possível abolir a celebração do Domingo, já que para querer ser rigoroso, ela tem menos fundamentos bíblicos que o celibato. Finalmente, para concluir, gostaria de apresentar uma visão para o futuro: se continua a ser válido o fato de que cada reforma eclesiástica que merece esta definição provém de um profundo conhecimento da fé eclesiástica, então, mesmo o atual debate sobre o celibato será ultrapassado por um conhecimento profundo do que significa ser um sacerdote.

E se você entender e ensinar que o sacerdócio não é um mero serviço, exercido em nome da comunidade, mas que o sacerdote - em virtude dos sacramentos recebidos - ensina, santifica e guia na pessoa de Cristo,  vamos entender ainda mais que para isto ele também deve assumir a forma de vida de Cristo.

E um sacerdócio bem compreendido e vivido voltará a exercer uma força de atração sobre os jovens.
Quanto ao resto, temos de reconhecer que o celibato, assim como a virgindade por causa do Reino dos Céus, permanecerá para aqueles que têm uma concepção secularizada da vida sempre como algo irritante.
Mas Jesus já disse a este respeito: "Quem pode entender, compreenda."


***

Em primeiro lugar, peço desculpas antecipadas se encontrarem algum erro no texto. Não tive tempo de revisá-lo, mas acredito que você leitor, como uma alma indulgente, vai me perdoar. Agora vamos lá...

Scalfari, um ateu que naturalmente "têm uma concepção secularizada da vida", não comete um erro ou incoerência ao questionar o celibato. É da sua natureza deformada, enquanto ateu, ir contra a igreja. Quem erra é o Papa Francisco que demonstrou, mais uma vez, pouco conhecimento da teologia e da história da Igreja.

Não é a primeira vez que o Papa gloriosamente reinante é pego com problemas bíblicos. O editor do site e periódico americano "The Remnant", Michael Matt, já falou num vídeo no youtube sobre os problemas que Francisco tem com a bíblia - citações que não existem, trechos inventados pela criatividade pontifícia e até interpretações que vão contra o sentido claro do texto. Essas "imprecisões" são cometidas frequentemente nas missas diárias do Papa na casa Santa Marta; suas homilias, diferentemente das homilias das grandes liturgias nas basílicas ou viagens, não são revisadas pelos teólogos do Vaticano, algumas são feitas totalmente de improviso pelo Papa, sem texto escrito.

O texto do cardeal Brandmuller ilustra o caráter apostólico do celibato. Não é uma lei qualquer criada 900 depois da morte [e ressurreição... Francisco também esquece desse detalhe] de Jesus. Não é um pedaço de legislação, mas parte da tradição apostólica!

O cardeal demonstra brevemente que a Igreja oriental tolera o casamento dos clérigos por imposição secular, um vício que foi transformado, isso sim, em lei. Mesmo hoje, entre os ortodoxos, os padres casados não são, nem de longe, a maioria e sua ordenação não é estimulada pelos bispos. Os progressistas tentam buscar no oriente uma base teológica para justificar o fim do celibato e a tolerância ao divórcio. Não encontram, porque não existe.

Francisco tem a mesma teologia de Kasper. Acontece que o cardeal alemão, que estudou teologia, sabe que não está certo e age de má fé, apresentado fatos mutilados e meias verdades. Já o Papa pensa que está certo e isso é o mais perigoso.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um ano e ainda nada!

Ordinário e membros do Ordinariato
Um ano e ainda não possuem uma única Igreja para si.


O Ordinariato inglês já completou um ano no último mês de janeiro - mês, inclusive, que viu o nascimento do outro Ordinariato, nos EUA.

Parece, entretanto, que a vida do "Primaz" dos Ordinariatos não está sendo nada fácil, padecendo da má vontade dos bispos da Inglaterra e Gales. O Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham completou um ano e ainda não possui uma única Igreja própria; seus padres precisam contar com a disponibilidade dos seus pares diocesanos para que, num horário alternativo, lhes seja permitido o uso das paróquias. Isso vem dificultando e muito o trabalho.

Os bispos da Inglaterra nunca engoliram a história da Anglicanorum Coetibus. Primeiro, porque não lhes foi comunicada com antecedência, para que a conferência de bispos, que mais se comporta como um sínodo infalível, pudesse dar o seu placet ao assunto. Segundo, porque quer queira, quer não, a Anglicanorum Coetibus é uma pedra no caminho ecumênico com os anglicanos. Terceiro porque, tal como Summorum Pontificum, a Anglicanorum Coetibus tira um pouco do poder do bispo local - e os bispos ingleses amam seus poderes medievais, controlando as dioceses como feudos. Depois os empoeirados somos nós...

Mons. Keith Newton é de todo uma anomalia na Inglaterra Ecumênica. Rejeitado pelos anglicanos, indesejado pelos bispos católicos, um padre mitrado como bispo, mas sem cátedra. Até quando suportará existir nesse paralelo, esmagado nessa dimensão alternativa que não favorece seu trabalho?

Do outro lado do Atlântico a coisa corre bem diferente. O Ordinário da Cátedra de Pedro, Mons Steenson, já veio com uma cadeira, com clero, paróquias, prédios e até mesmo uma Cúria! Se não conta com o apoio de todos os bispos dos EUA, conta pelo menos com o suporte de dois cardeais de peso - Wuerl e DiNardo - e do bispo Vann, antigo responsável pelos padres anglicanos convertidos. Até mesmo o bispo anglicano de Washington gosta dele!

A sabotagem na Inglaterra tem nome e sobrenome, chama-se sobrevivência suja. Muitos bispos diocesanos estão torcendo para que o Ordinariato inglês afunde e, dessa forma, possam absorver os 60 sacerdotes nos seus prebitérios deficientes. De fato, três ou quatro dioceses seriam muito beneficiadas pela derrocada do Ordinariato britânico.

Existe ainda a torcida contra da Church of England que, mesmo sem querer mudar as suas políticas progressistas e heretizantes, não dá o braço a torcer e continua iludindo os anglo-católicos que ainda permanecem na igreja do governo com promessas que são sempre adiadas.

Muitos anglicanos ingleses estariam dispostos a mudar para o catolicismo, mas deixar uma perseguição para entrar noutra não parece ser uma ideia inteligente.

Penso que a Santa Sé precisará intervir. Várias Igrejas são vendidas por ano na Inglaterra por conta da sempre constante reorganização das paróquias. Acabam como hotéis, museus, bares, lojas, mesquitas, etc. Mas a Conferência de Bispos nem ao menos pensa em doa-los ao Ordinariato
.
Sem contar que uma parcela muito alta do laicato do Ordinariato inglês é formada, como vocês podem ver nas fotos, por gente com muitas primaveras. Se o Ordinariato não for capaz de atrair jovens, então já está morto.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Primeiro Aniversário do Ordinariato Inglês

Aproximadamente 500 pessoas de Londres e cidades próximas se reuniram para celebrar o primeiro aniversário de criação do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, destinado aos ex-anglicanos convertidos ao catolicismo.

O serviço litúrgico incluiu uma "Evensong", que é a tradicional oração anglicana da tarde ou do anoitecer, equivalente às Vésperas no contexto católico romano, e também uma procissão e bênção com o Santíssimo Sacramento. O Ordinário, Mons. Keith Newton, conduziu a celebração.

A "Evensong" (poderíamos traduzi-la como oração da noite ou do anoitecer) conta, na sua estrutura litúrgica, com uma forte musicalidade. É conduzida normalmente por um forte espírito penitencial, uma porção do saltério, duas leituras (antigo e novo testamentos), dois cânticos, o credo, orações e respostas cantadas.

Há muitas variações em cada comunidade anglicana nacional, mas raiz da Evensong continua a mesma, mesmo no Ordinariato católico.

Eis as fotos






























sábado, 7 de janeiro de 2012

Bispo anglicano é recebido na Igreja

Robert Mercer, com seu padrinho, e Mons. Keith Newton e os padres concelebrantes


O Ordinário do Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham, Mons. Keith Newton, recebeu o ex-bispo anglicano Robert Mercer como leigo católico. A cerimônia, aguardada com muita alegria, aconteceu hoje em Portsmouth, na igreja de Santa Ágata.

Robert Mercer é natural do Zimbabwe, tendo sido membro da Comunidade da Ressurreição por 49 anos. De 1977-89 ele serviu como bispo anglicano de Matabeleland e de 1989-2005 ele atuou como bispo metropolita da Comunhão Anglicana Tradicional (TAC) do Canadá. Aposentou-se em 2005 e se tornou visitador episcopado da TAC no Reino Unido.

A cerimônia aconteceu não num templo católico, mas numa igreja pertencente à TAC no Reino Unido. Mons. Newton celebrou e pregou, mas antes fez a leitura de uma carta de cumprimento ao ordinário da TAC no país.

O rito usado para a liturgia de recepção foi aquele contido no Book of Divine Worship, editado na década de 90 para acolher os padres anglicanos dos EUA que deixavam a igreja episcopal para comungar com Roma. O livro, cujo uso é autorizado apenas para os padres da provisão pastoral dos EUA - e agora também para o Ordinariato da Cátedra de Pedro - preserva uma parte sensível do Book of Commom Prayer (o missal anglicano) de 1928 e de 1979, além do missal romano moderno. O uso é permitido aos ex-anglicanos dos EUA porque é um livro cuja base foi o Book of Commom Prayer anglicano dos EUA, que é bem diferente do Britânico.

O Ordinariato inglês, diferente do seu par norte-americano, ainda está trabalhando junto aos oficiais do Vaticano para desenvolver uma liturgia em sintonia com a Anglicanorum Coetibus, ou seja, uma liturgia que preserve o patrimônio anglicano, mas que seja plenamente católica.

Pelas fotos podemos ver Mons. Newton usando paramentos tradicionais e a dalmática pontifical, ainda que ele não tenha a plenitude do sacerdócio. Esta é uma das provisões da Anglicanorum Coetibus, dar ao Ordinário as insígnias episcopais. Vemos na foto em destaque três, dos 6 bispos anglicanos convertidos recentemente ao catolicismo. O agora Pe. Edwin Barnes, Mons. Newton e Robert Mercer, cuja ordenação sacerdotal poderá ocorrer em breve.


Com informações e foto de: The Anglo-Catholic Blog

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mais anglicanos a caminho

Fonte: The Telegraph
Tradução: Blogonicvs

Mons. Newton
Recebendo os ex-anglicanos. Mais virão.
Pelo menos 20 clérigos e várias centenas de seus paroquianos já estão alinhados para se juntar ao Ordinariato, a nova estrutura criada pelo Papa há um ano que lhes permite permanecer com algum do seu patrimônio Anglicano ao entrar em plena comunhão com a Santa Sé.

Mas muitos outros membros da ala Anglo-Católica da Igreja da Inglaterra também estão inclinados a partir após uma reunião crítica de seu órgão dirigente, o Sínodo Geral, se negarem aos tradicionalistas que não aceitam a ordenação de mulheres uma disposição especial. 


O chefe do Ordinariato, Mons Keith Newton, disse ao The Daily Telegraph: "Há na região de 15 a 20 pessoas que eu acho que virão ao longo deste ano. Estes são anglicanos ordenados que pedirão à Santa Sé a ordenação.. "

Ele afirmou que eles trarão "algumas centenas" de paroquianos com eles, numa segunda onda de conversões que seguirá os 60 clérigos e aproximadamente 1000 leigos que cruzaram o Tibre no último ano.

Mons. Newton, um ex-bispo anglicano que é agora oficialmente o Ordinário do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, continua: Então no próximo ano dependerá um pouco do que o Sínodo [Anglicano] irá decidir fazer

"Mas você não pode se tornar católico porque quer simplesmente escapar dos problemas da Igreja [Anglicana] da Inglaterra - você precisa querer se tornar católico"

Ele acredita que o voto do Sínodo sobre mulheres bispos, em que todas as três "câmaras" do parlamento da Igreja devem fazer o movimento histórico com uma maioria de dois terços, está num "fio da navalha", com apenas um punhado de votos necessários para balançá-lo para qualquer um dos lados.

No entanto, ele advertiu os anglo-católicos que estão tentando se opor à mudança, que até mesmo uma vitória em julho provavelmente seria de curta duração.

"Se alguém acha que, se isso não passar, a questão vai embora, eles estão realmente se enganando.

"Se chegar a um ponto, e vai, em que você tem uma Câmara dos Bispos da Igreja da Inglaterra, onde alguns dos bispos não estão em comunhão com outros bispos, eu só acho que isso é uma impossibilidade. Você dificilmente poderia chamar de um igreja ".


Mons. Newton afirmou que a provisão feita para os oponentes do sacerdócio feminino durante a década de 1990, os chamados "bispos volantes" [bispos sem uma diocese territorial, mas que tinham jurisdição sobre as paróquias que não aceitavam mulheres sacerdotes, na sua maioria formada por paróquias anglo-católicas, NdT], dos quais ele era um, foi apenas uma "solução temporária" que permitiu aos tradicionalistas ficarem na Igreja da Inglaterra agarrados pelas pontas dos dedos ["hang on by our fingertips"].

Mas ele disse que nenhuma das propostas elaboradas sugeridas para aqueles que não desejam estar sob os cuidados de um bispo do sexo feminino seria "adequada" para ele, e apontou que o Ordinariato é "exatamente" o que alguns anglo-católicos haviam proposto como uma solução, mas com a característica adicional de ser parte da Igreja Católica Romana.

"Se você tem a vontade de ficar na Igreja da Inglaterra, então você vai ficar. Mas se você tem realmente desejo de alcançar o objetivo maior de estar em comunhão com a Santa Sé, então o que é que falta? Realmente não vejo o que falta. "

Mons Newton admitiu que o Ordinariato tenha encontrado desafios em seu primeiro ano, pelo menos por não encontrar empregos e casas para os sacerdotes recém-ordenados. Alguns dos ex-anglicanos têm esposas e até nove filhos, pois eles não estão ligados por voto de celibato a sua nova igreja.

O clero cuida das congregações que cruzaram com eles, mas apenas um punhado tem sido dada paróquias católicas existentes para ministrar, com a maioria sendo encontrado o trabalho em capelania em hospitais, prisões, escolas e universidades.

A caridade para apoiar o Ordinariato recebeu algumas doações e que tem sido dada alguma ajuda pela Conferência dos Bispos Católicos da Inglaterra e País de Gales, mas precisa de cerca de £ 500.000 por ano para continuar.

Espera-se que a organização vá receber mais fundos, e convertidos, uma vez que adquire uma igreja principal, que provavelmente será no centro de Londres.

No Dia de Ano Novo um Ordinariato também será criado nos EUA, seguido por outro na Austrália, na primavera, os quais são susceptíveis de ter mais membros do que o britânico.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Bispo anglicano será recebido na Igreja Católica

Como mais um passo (importante) na direção do Ordinariato (canadense), o bispo anglicano da TAC, o Rt. Rev. Robert Mercer, CR, será recebido na Igreja Católica pelas mãos do Ordinário de Nsa de Walsingham, Mons. Keith Newton.

Simbólico! Porque Mons. Keith Newton também foi um bispo anglicano que, mesmo sem saber como seria ou o que o esperava, se converteu ao catolicismo para formar, na Inglaterra, o primeiro ordinariato do mundo, conforme as disposições da Anglicanorum Coetibus. Por isso mesmo é tão simbólico que o atual bispo anglicano Mercer venha receber o sacramento da confirmação pelas mãos do Mons. Newton. A cerimônia está marcada para 7 de janeiro, ao meio dia (hora de Londres).

Histórico! Porque será o primeiro bispo da TAC que ingressará de fato na Igreja Católica. o bispo Mercer é um bispo emérito na TAC do Canadá, residindo em Londres, mas ainda membro da Câmara de Bispos da comunidade canadense. Ele foi designado como bispo auxiliar da pró-diocese de Nsa de Walsingham, criada para abrigar as paróquias da TAC canadense que desejam integrar o Ordinariato.

Interrupção! Robert Mercer já pediu demissão do seu ministério como anglicano e afirmou estar impedido de comungar nos altares anglicanos. Quando e se receberá a ordenação como padre católico, segundo ele, será divulgado oportunamente.

Lembre-se! Que no próximo dia 1 de janeiro se instalará nos EUA o segundo Ordinariato do mundo. E não só mais um, mas O Um, já que o mesmo poderá ser o maior e mais importante de todos, tanto pelo número de clérigos, quanto pela estrutura e apoio dos bispos norte-americanos.

Sim! Eu estou usando o estilo "Wagner Moura" de formatar!


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Anglicanorum Coetibus: quem pediu não quer mais

A Comunhão Anglicana Tradicional (TAC, em inglês), cujo o Sínodo reunido em 2007 pediu a união plena e corporativa com a Igreja Católica, vem rejeitando sistematica e oficialmente a proposta do Papa Bento XVI dada sob forma de Constituição Apostólica. A Câmara dos Bispos (House of Bishops, no original) da TAC rejeitou, de forma unânime, a proposta contida na Anglicanorum Coetibus.

É preciso lembrar que a proposta da Santa Sé aos anglicanos não foi de iniciativa própria da Igreja Católica, mas sim uma resposta aos pedidos de alguns clérigos e fiéis, inclusive a proposta pública e oficial do Sínodo da TAC. Causa, portanto, estranheza que a mesma TAC rejeite, de forma quase ríspida a Anglicanorum Coetibus.

Ao que parece, a rejeição da oferta do Santo Padre, que nada mais foi do que uma resposta ao pedido da TAC, como já mencionado, se deu por força e pressão da Anglicano Church of America (ACA), o ramo norte-americano da TAC.

Pequeno grupo de fiéis anglicanos em convenção
católica buscam orientar os demais sobre o Ordinariato
Em 03 de março de 2010, em Orlando, na Florida, os oito membros da Câmara dos Bispos da Igreja Anglicana na América (ACA) votaram unanimemente um pedido formal ao Vaticano para que fossem aceitos como um ordinariato pessoal. Em 17 de março de 2010, os líderes da filial canadense da TAC (a Igreja Católica Anglicana do Canadá) decidiram fazer o mesmo. As igrejas-membro TAC no Reino Unido e Austrália também pediram para a formação de ordinariato respectivos.

Posteriormente todos, menos um dos bispos diocesanos da Igreja Anglicana na América, anunciaram que a ACA não iria se unir à Igreja Católica Romana, mesmo que uma oferta fosse feita pela Sé de Roma. A mesma negativa se espalhou pela Inglaterra (onde já há um Ordinariato formado), Índia, África do Sul e outras partes do continente africano.


O problema nos EUA foi agravado pela ingerência do Arcebispo Hepworth que, para assegurar que o Ordinariato acontecesse nos EUA, criou uma nova diocese no país, através de um dispositivo intitulado "Patrimônio do Primaz", que reúne algumas paróquias e clérigos partidários da proposta vaticana. A diocese criada ficou a cargo do único bispo que não recusou a Anglicanorum Coetibus e está sob jurisdição direta do Primaz Hepworth e não da ACA.

A criação da pro-diocese da Sagrada Família, através do Patrimônio do Primaz, foi regulamentada pela ACA, mas após um período os bispos voltaram atrás e lançaram, para a alegria dos inimigos da unidade, uma nota oficial afirmando que tal diocese não tem lugar dentro da ACA e não é reconhecida pela mesma.

Cardeal Wuerl, de Washington, apresenta aos bispos
americanos os detalhes do Ordinariato
Agora nos chega a notícia que a Câmara dos Bispos da TAC pediu a imediata remoção do Arcebispo John Hepworth, da Austrália, do cargo de Primaz, numa votação igualmente unânime. Hepworth foi uma das figuras centrais no pedido ao Vaticano pela união e vem realizando alguns esforços para agremiar algumas paróquias da TAC para que componham o Ordinariato (nos EUA e Canadá).

Usando o trágico caso pessoal revelado pelo próprio John Hepworth, que foi abusado por um padre e um colega de seminário no seu período formativo, a Câmara dos Bispos da TAC afirmou que o atual primaz deixou de representar a igreja e que sua presença como Primaz é insustentável.

Parece que a ACA vem tomando as rédeas da pequena TAC, impondo sua influência e neutralizando a formação dos Ordinariatos através de polêmicas, fofocas e inverdades. Sobretudo no Canadá a situação do Ordinariato segue tensa após vários rumores, prontamente desmentidos pelo Arcebispo Collins (delegado vaticano para aplicação da Anglicanorum Coetibus no Canadá), sobre alienação de propriedades das paróquias da TAC pela Arquidiocese de Toronto.

Vídeo de uma missa celebrada por um dos 3 ex-bispos anglicanos
 ingleses convertidos ao anglicanismo

A ACA afirmou que pretende continuar anglicana e recentemente oficializou uma inter-comunhão com a "Anglican Province of America" (APA), um ramo também anglo-católico, mas que desde sempre rejeitou a proposta do Papa. A APA é parceira da ACNA (Anglican Church in North America), que é um ramo misto (anglo-católicos, evangélicos, neo-pentecostais) e conservador, saído da Igreja Episcopal por causa da visão liberal e herética desta.

A ACNA vem crescendo nos EUA e talvez isso tenha pesado na decisão da ACA e da APA, que estão pendendo para a proposta de unificação da ala conservadora do anglicanismo norte-americano sob a égide da nova estrutura da ACNA.

Ironicamente a proposta do Ordinariato segue voltada sobretudo para aqueles que não a pediram formalmente, mas que estão aproveitando a oportunidade para dar seu testemunho de unidade com a Igreja de Cristo. Ainda mais irônico, aqueles que queriam a unidade estão hoje se fragmentando em vários novos ramos, novas seitas e acrônimos.

Nos EUA o Ordinariato está previsto para Janeiro de 2012, sendo que 67 ex-clérigos anglicanos, na sua maioria saídos da Igreja Episcopal, apresentaram seu pedido para ordenação como padres católicos; desses, 35 receberam um "nihil obstat" do Vaticano e estão prontos para serem analisados pelos bispos locais.

No Canadá os leigos e sacerdotes estão terminando seu processo de formação catequética nas paróquias católicas. Tal processo foi estabelecido pelo Delegado Collins como pré-condição para a incorporação no Ordinariato canadense quando este for estabelecido.

Na Austrália o processo é conduzido pelo bispo-auxiliar Peter Elliot, de Melbourne, um ex-anglicano convertido ao catolicismo. Por lá ainda não há datas e todas as previsões (fev/2011, jun/2011, dez/2011) para o início do ordinariato australiano falharam.

A Inglaterra é, por enquanto, o único país com um Ordinariato estabelecido. De fato, sendo a Inglaterra a pátria-mãe do anglicanismo, nada mais natural que o processo de restauração da unidade, a contra-reforma do estrago causado por Henrique VIII comece por lá.

St Thomas More, rogai por nós e pelos anglicanos que buscam a unidade com Pedro
St John  Fischer, rogai por nós e pelos bispos católicos encarregados do Ordinariato em todo o mundo
Nossa Senhora de Walsingham, rogai por nós!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Fotos do Ordinariato

Mons. Keith Newton, ordinário do Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham, visitou a comunidade de St Luke em Bladensburg. A pequena comunidade de St Luke foi recebida em comunhão com a Igreja Católica através do Ordinariato. Mais fotos, no Flickr do Ordinariato.













Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...