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segunda-feira, 14 de março de 2016

Católicos Americanos estão votando em Trump por causa de Francisco



Frequentemente quando se escreve algo negativo sobre o pontífice, somos logo acusados de ódio ao Papa. Nada mais falso! Sigamos.

Acredito que todos conhecem ou pelos já foram informados sobre as eleições americanas. Neste momento há a definição dos candidatos de cada partido através das convenções. Na prática é uma eleição para a grande eleição que se realiza em novembro deste ano e definirá o nome para ocupar a Casa Branca - a residência politicamente mais importante do mundo - pelos próximos quatro anos.
Como o sistema americano é tecnicamente bipartidário, temos os Republicanos, que possuem hoje o controle do Congresso e o maior número de governadores, e os Democratas, partido do presidente Obama.

O que vem abismando os comentaristas e cientistas políticos é a escalada do pré-candidato republicano Donald J Trump, um bilionário do ramo dos imóveis e da construção, celebridade televisiva e, segundo seus apoiadores, um outsider, isto é, alguém que não vive no mundo político de Washington e que, portanto, estaria mais conectado com os desejos do americano comum.

Trump tem muitas propostas, entre elas a construção do tal Muro que vai separar México e EUA. E, para desespero dos progressistas e até mesmo dos moderados, Trump afirma categoricamente que fará o México pagar pela imensa obra.

Sobre as posições de Donald Trump, o Papa Francisco disse:

“(...)uma pessoa que pensa apenas em construir muros, seja onde for, e não construir pontes, não é cristã. (...) Sobre se eu aconselharia a votar ou não votar, não me meto. Apenas digo: esse homem não é cristão".

Trump respondeu, é claro, de forma dura ao Papa, afirmando num comunicado oficial que "é uma vergonha que um líder religioso questione a fé de uma pessoa".

E os eleitores americanos católicos, como ficam? Os católicos nativos do EUA, ou seja, aqueles que não vieram pela imigração, estão...contra o Papa e a favor de Trump! Numa entrevista recente ao canal conservador Fox News, Raymond Arroyo, apresentador principal da rede americana católica EWTN afirmou, quando questionado sobre os votos dados por católicos e protestantes ao pré-candidato (transcrevo o que se vê no vídeo):



"Evangélicos e católicos, nestes estados de disputa: Louisiana, Texas, Virginia, Alabama; quando eu lhes perguntei, quando saiam das cabines de votação, em quem eles haviam votado, eu diria que 8 em cada 10 disse Trump. E quado você começa a conversar com eles e perguntar por que, eles dizem 'eu estou votando contra o establishment [elite dominante, NdT] do meu partido', mas eu digo 'olha na superfície a sensibilidade de católicos e evangélicos e Trump não parece ser coerente', mas eles também me dizem 'eu também estou votando contra o establishment da minha Igreja'. Eu digo: o que você quer dizer com isso? Quase todos me dizem, 'olha a Igreja está se movendo, politicamente, nessa direção, estão abraçando ecologismo, as políticas [mais liberais] de imigração...O Papa! Então as pessoas estão preocupadas, então esse é um instrumento para registrarem sua insatisfação mesmo com a própria fé"

Ora, mas vejam só! O Papa Francisco se tornou o melhor cabo eleitoral de Donald Trump, o homem que não é cristão, segundo Jorge Mario Bergoglio.

O que é certo é que os católicos nativos dos EUA nunca gostaram de Bergoglio porque o papa argentino tem sim - e é evidentíssimo - uma aversão aos EUA enquanto nação, enquanto agente político, etc. São os católicos oriundos da imigração latino americana que fizeram a visita de Francisco aos EUA um relativo sucesso.

Ao rejeitarem a doutrina de Francisco, os católicos americanos, majoritariamente conservadores, perdem o referencial e acabam, obviamente, num outro lado do extremismo.

Mas quem sou eu para julgar!?

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Patriarca Comunista e o Papa Socialista se encontrarão em...CUBA!


Desde que assumiu o trono de Pedro, em 2013, Jorge Mario Bergoglio vem mostrando que é muito mais afinado com o Socialismo do Século XXI (termo cunhado por Hugo Chavez para tentar ressuscitar o cadáver do comunismo no continente sul-americano) do que com a Doutrina Social da Igreja.

Seus gestos populistas, como o uso de carros 1.0 nas viagens, caminhar até o palácio apostólico ou carregar a sua própria pasta de trabalho, tudo devidamente registrado pela mídia, é claro, demonstram a influência do peronismo nas veias platinas do pontífice.

A sua participação nas negociações entre EUA e Cuba, no levantamento do embargo econômico imposto à ilha desde o meio do século passado, reconhecida e elogiada pelo próprio Barack Obama, foram essenciais para uma sobrevida do comunismo na ilha prisão.

E agora é em CUBA, sob as bênçãos dos irmãos Castro, que um encontro histórico acontecerá. Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill se encontrarão na ilha prisão para discutir diversos assuntos. A importância do encontro ecumênico é imensa, diria até que é equivalente ao encontro entre Athenagoras e Paulo VI.

A Igreja Ortodoxa Russa sempre foi uma pedra no sapato na reconciliação entre a Ortodoxia cismática e a Igreja Católica. Por décadas João Paulo II tentou se encontrar com Alexis II sem sucesso. O mesmo se deu no curto pontificado de Bento XVI.


Então o que mudou? Os ares mudaram, como diria Piero Marini, e agora se respira no Vaticano o mesmo odor sulfuroso do Kremlin. Os dois líderes falam a mesma língua e o diálogo pode acontecer sem problemas ou dificuldades.

Francisco adotou integralmente a agenda socialista, que muito agrada ao verdadeiro patriarca ortodoxo russo, Vladimir Putin. Lançou-se sem pudor contra o capitalismo global, adotando a mesma linguagem de políticos de esquerda como Barack Obama (que elogiou o papa argentino também por isso, chegando a citá-lo em vários discursos) e até mesmo o PT! Sua encíclica sobre a ecologia, que contém até mesmo erros graves, foi aplaudida pelas mesmas organizações que, sob o pretexto de preservar o ambiente, promovem o aborto em diversos países. Francisco é muito familiar com o conceito esquerdista de Pátria Grande. Em suma, Francisco é o Papa que os camaradas esperavam!

O encontro, como disse, acontecerá em Cuba. Nada mais simbólico!
Francisco já não está mais preocupado em disfarçar que seu pontificado se constitui na criação de uma anti-Igreja. Não é preciso. Se consolidou como um líder carismático, populista, adorado pela imprensa. É o bastante para por em marcha as suas profundas e permanentes reformas. A Igreja, depois de Francisco, dificilmente conseguirá olhar para o Céu, pois está com o nariz chafurdado na terra.


O que virá do encontro?
Segundo a mídia, os dois líderes comunistas cristãos falarão sobre a perseguição dos cristãos, as crise de refugiados na Europa e sobre a Ucrânia.

Em primeiro lugar é bom relembrar que Francisco, sempre muito falante, costuma fazer um silêncio vergonhoso sobre a perseguição dos cristãos no Oriente Médio e na África. Massacres diários acontecem nessas localidades e o Papa, que celebra sempre uma missa diária, resolve meditar sobre qualquer outro tema ordinário ou, o que se tornou sua especialidade, lança uma crítica contra os católicos fiéis ao magistério, impondo-lhes estigmas, apelidos jocosos ou conclamando aos demais católicos a não serem como eles, fariseus de coração duro e incapazes de se amar, etc.

A questão da Ucrânia me preocupa demasiado com Francisco como Papa. Sinto que, depois dos franciscanos da imaculada, dos bispos conservadores deposto em série e de todo o orbe tradicionalista, Francisco voltará seu punho "misericordioso" contra nossos irmãos católicos orientais ucranianos.

Os orientais ucranianos formam a maior comunidade católica não-latina do mundo e são, para a Rússia, um obstáculo para o controle do país, que é a conexão entre a Rússia e a Europa. De fato a Ucrânia sempre se viu esmagada pelo peso da Rússia e do Ocidente e os católicos desse país sempre penderam, é claro, para o lado ocidental da disputa.

Kirill, como Alexis II antes dele, tem um ódio visceral pela Igreja Grego-católica Ucraniana. Considera-os um cavalo de Troia do Vaticano em terras que, segundo eles, são exclusivamente russas. Não tenho dúvidas, portanto, que Francisco não irá titubear em desmantelar essa comunidade cristã tão fiel e vibrante para agradar ao patriarcado ortodoxo. Destruir qualquer vestígio de catolicismo é a especialidade de Francisco!

Acrescente-se a isso o fato do patriarca católico ucraniano, Dom Sviatoslav Shevchuk, ter se alinhado com os conservadores durante o nefasto Sínodo para a Família, ocorrido em outubro passado. Ele é um alvo em potencial para a misericórdia de Francisco!

Enfim...

Em outros tempos esse encontro teria até me animado. Seria o sinal de uma abertura para a conversão da Rússia e para a unidade. Hoje, contudo, com Francisco, não acredito nisso. É antes um sinal diabólico.

Só nos resta....rezar!

Braz de Aviz: Manelli não pode mais ficar!



(Secretum Meum Mihi) - O cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, concedeu uma entrevista a agência de notícias da Conferência Episcopal Italiana, SIR. Uma das perguntas se refere à intervenção nos Franciscanos da Imaculada.

SIR: E o caso dos Franciscanos da Imaculada? Muitas pessoas estão preocupadas com as notícias de relativas a pactos firmados com sangue, marcas com fogo...
Braz de Aviz: Estamos trabalhando com tenacidade, porque os desvios são graves. O terrível voto com sangue foi dispensado pelo Papa Francisco. Stefano Manelli foi isolado. A questão econômica está nas mãos da justiça italiana. A formação foi confiada às universidades pontifícias e centros reconhecidos. Temos três comissários que estão guiando o Instituto num caminho de normalização. Isso só acontecerá se houver uma mudança: nem todos, contudo, estão de acordo. Temos confiança que algo está acontecendo. O que é certeza é que Stefano Manelli já não pode permanecer [na Congregação, ndt].




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Misericórdia! (Outro) Bispo Conservador removido.

Dom Sarlinga - Fidelidade ao Papa errado!


Em Julho de 2014 escrevemos:

Mas se aqueles que professam o bergoglianismo estão "sentados à direita do Papa", os que lhe oferecem resistência encontram a sua outra mão - a mão de ferro.
(...)
A acusação contra o bispo de Zárate-Campana, Dom Oscar Domingo Sarlinga, é a mesma feita ao arcebispo de Rosário - mau uso do dinheiro e abuso de poder. Só que em Zárate-Campana se fala de somas mais vultuosas de pesos, com acusações de desvio de fundos de origem pública destinados às cantinas escolares administradas pela diocese. Outra acusação é a de lavagem de dinheiro (!) no seminário São Pedro e São Paulo.
Pois é! Hoje fomos "surpreendidos" pela renúncia de Dom Sarlinga, aos 52 anos, que foi acolhida pelo Papa Francisco.

Segundo informa o La Nacion, Sarlinga participou de um movimento, alinhado com alguns políticos peronistas, para destituir o então cardeal Bergoglio de Buenos Aires. A remoção de Sarlinga, hoje, seria uma vingança pessoal do Papa argentino pelo complô que, supostamente, teriam armado contra ele no passado.

Cabe lembrar que essa história vem circulando há muito tempo. O que muda são os atores principais.

Dois já se foram...falta um!
Bergoglio nunca foi uma figura unânime dentro do seu país e da conferência episcopal. Mesmo no Vaticano a sua existência incomodava. O cardeal arcebispo esbanjava heterodoxia doutrinal combinada com uma visão muito particular do cenário político nacional. Muitos bispos, sobretudo os conservadores, viam em Bergoglio um dualismo incompatível com a sua posição primacial.

Reza a lenda que um grupo de Bispos, liderados pelo arcebispo de La Plata, teriam solicitado ao Vaticano a remoção de Bergoglio e a nomeação de um novo arcebispo mais ratzingeriano e com pretensões políticas menos evidentes. O complô foi neutralizado pelos informantes do futuro Papa na Cúria e por sua influência dentro da congregação para os bispos.

Os bispos envolvidos nesse complô são os mesmos que agora estão sendo punidos. Mollaghan, Sarlinga e o então núncio no país Mons. Adriano Bernardini. O próximo nome a cair será o do arcebispo de La Plata, Dom Héctor Aguer.

Não é a hora da misericórdia, mas da Vingança!

Como já é de conhecimento de todos, a remoção, a perseguição e destruição de bispos conservadores não se restringe ao país do Papa. Nos EUA, Itália, Alemanha e Bélgica já foi sentida a mão de ferro do papa a remover bispos de forma humilhante através de acusações absurdas e estúpidas, algo digno de um governo totalitário.

Para Francisco é tudo ou nada. Ou se está com Francisco ou contra Francisco. E, como vimos nestes últimos anos, isso vale para todos: leigos, sacerdotes, bispos, cardeais e até para o próprio Cristo.

domingo, 17 de maio de 2015

Há esperança para Francisco?

Raul Castro com Francisco.
Talvez o Banco Vaticano financie obras em Cuba.
A esperança é uma virtude que permeia, ou pelo menos deveria, a vida de todo (bom) cristão. Sobretudo nos últimos anos os católicos perplexos buscam o maná da esperança em cada breve notícia, em cada pequeno gesto do atual pontífice. Buscam, buscam, buscam... Eis ai uma característica da esperança que é a sua estamina infinita. "Quem espera sempre alcança", "a esperança é a última que morre!" e coisas do gênero são ditas com frequência.

Esperamos que o Papa Francisco demonstre, por gestos concretos ou palavras claras, que é diferente daquele Francisco apresentado pela mídia anti-católica. De fato, a esperança de muitos católicos, blogueiros ou não, era ser factível esta distorção entre o Francisco real e o papa virtual que agrada aos degenerados. Depois de dois anos e alguns meses de pontificado essa tese vem se mostrando cada vez mais impossível de sustentar. Vemos que há apenas um Papa Francisco e que muito provavelmente, e para o nosso desgosto, a grande angular dos meios de comunicação acabou captando a verdadeira essência do bispo de Roma com muito mais precisão.

Podemos dizer que Francisco vem construindo uma obra. Os cardeais Kasper e Braz de Aviz (a nossa eterna vergonha em Roma...) já declararam que Francisco deseja realizar mudanças severas e irreversíveis na Igreja. Só não explicaram se tais mudanças são apenas na estrutura da Cúria ou na doutrina. Talvez, e aqui especulo, a primeira seja pré-condição para a segunda.

Essas mudanças irreversíveis tem o seu ápice no Sínodo para a Família. É nesta reunião de bispos que a batalha é deflagrada e onde podemos ver o autêntico modus operandi do Papa Francisco. Foi justamente a primeira parte da reunião que tirou dos católicos ingênuos a vontade, ou melhor, a possibilidade de defender Bergoglio.

Ontem pude ler no blog Rorate Caeli que o frade dominicano Timothy Radcliffe foi apontado pelo Papa Francisco como consultor do Conselho de Justiça e Paz. Frei Radcliffe, segundo aponta o blog, é considerado algo além de um religioso liberal... um Über-liberal! Segundo RC

O antigo Mestre Geral da Ordem Dominicana [1992-2001] é um apoiador proeminente da proposta Kasperiana da comunhão aos "divorciados recasados". Ele também se coloca pela ordenação de mulheres, se não ao sacerdócio, pelo menos ao diaconato. Contudo ele é mais famoso por suas intervenções públicas frequentes sobre a aceitação da homossexualidade, tendo sido um celebrante frequente das infames "missas Gay" no Soho de Londres.

Será que Francisco não conhecia o currículo do agora consultor? Difícil imaginar já que o Papa elevou ao cardinalato o arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, o único cardeal franciscano anglófono até o momento, e considera do seu círculo pessoal o arcebispo anterior, o igualmente liberal Murphy Cormac O'Connor.

Recentemente, ainda, o Papa teve um agradável encontro o ninguém menos que Raul Castro, dono da ilha prisão de Cuba. A mídia alardeou com inquestionável precisão que o Papa argentino teve influência vital na reaproximação dos EUA com Cuba. Os blogueiros mais ingênuos já se puseram em pé a aplaudir o Papa, afirmando, entre outras asneiras, que o fim do embargo - que ainda não se deu! - favorecerá o florescimento da democracia em Cuba e o fim do comunismo na ilha. O jornalista Reinaldo Azevedo coloca de forma bem mais sóbria e realista:

Que se note: até agora, não há o menor sinal de distensão política em Cuba. Esse namorico com Barack Obama e com o papa Francisco, por enquanto, não tem sua correspondência em distensão política interna. É tolice, está evidenciado, acreditar que o progresso, por si, põe fim a ditaduras. Eu mesmo já cheguei a flertar com essa ideia quando era bem mais moço. A China, por exemplo, prova  o contrário de maneira muito eloquente.O projeto dos Irmãos Assassinos e do Partido Comunista Cubano é romper o relativo isolamento sem pôr um fim à ditadura. Raúl, se preciso, pode até se ajoelhar e rezar por isso. Se depender de Obama e de Francisco, ele chega lá…Que tempos e que homens os destes tempos!
O socialismo do século XXI parece ser a nova saída para Cuba, apresentando-se como uma democracia bolivariana. E ao receber líderes de movimentos ditos sociais em Roma, até com a presença infame do terrorista João Pedro Stédile, Francisco parece flertar descaradamente com o filo-bolivarianismo, com ditaduras mitigadas, mas ditaduras ainda assim. Não podemos nos esquecer também que foi Francisco quem revogou a suspensão do sandinista Miguel d´Escoto que, como todos sabem, não retrocedeu um milimetro nas suas posições terroristas.

A esquerda está em êxtase! Recentemente Gustavo Gutierrez foi recebido outra vez com pompa e circunstância no Vaticano, dessa vez na Assembleia da Cáritas. O processo de beatificação de Helder Câmara começou... É uma festa sem hora pra acabar!

Na outra ponta, contudo, temos bispos conservadores sendo perseguidos, depostos e humilhados sem nenhuma chance de defesa, sem um único encontro com o Papa cuja agenda está ocupada por audiências com terroristas, comunistas e ateus.

E assim vamos caminhando, mesmo sem saber o caminho. As certezas de antes são as dúvidas de agora. O grande enigma que se apresenta na forma de Francisco, na verdade, é bem simples - não há mistério algum! O pontificado de Francisco, a semelhança com o governo Dilma, consegue a proeza de se tornar pior com o passar do tempo.

Há ainda espaço para esperança? Sim, sem dúvida! Porque a esperança para o católico não é imediatista, é acima de tudo direcionada à vida eterna. Não esperamos em homens, mas colocamos nossa esperança em Deus. Há, portanto, espaço para a esperança, sempre.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Papa Francisco remove mais um bispo conservador


Hoje, ao meio dia em Roma, o Papa Francisco aceitou a renúncia do bispo de Kansas City, Robert Finn, segundo o art. 401, §2, do Código de Direito Canônico, que prevê a renúncia de um prelado por problemas de saúde ou outro grave motivo que o impeça de continuar a exercer seu ministério.

A imprensa americana voltou seus olhos para Dom Finn após um técnico de informática ter descoberto arquivos de imagem de meninas nuas no computador do Pe. Shawn Ratigan e ter denunciado o caso à Cúria diocesana. Um processo foi aberto contra Dom Finn com a acusação de negligência em notificar de imediato as autoridades. Dom Finn se declarou culpado e condenado a dois anos de prisão domiciliar. Pe. Shawn Ratigan foi condenado à 50 anos de prisão.

É preciso deixar claro  e reforçar que Dom Finn, diferentemente do que outros envolvidos em casos semelhantes fazem, se declarou culpado.

E eis que entra em cena, mais uma vez, o Papa Francisco. Armado com o Direito Canônico, Francisco ordenou mais uma das suas "visitas apostólicas" à diocese de Kansas City e, é claro, todos nós sabemos como elas terminam.

Tolerância zero para alguns. Misericórdia para outros.

Sem dúvida há motivos concretos para a remoção de Dom Finn, especialmente numa igreja como a americana, onde o escândalo sexual dos padres lhe custou a reputação, a confiança entre os fieis e bilhões - bilhões! - de dólares em indenizações.

Contudo... Recentemente o mesmo Papa Francisco resolveu promover o chileno Juan Barros (foto) à diocese de Osorno. O novo bispo chileno é acusado de encobrir casos de abuso sexual, por anos, do sacerdote Karadima - uma espécie de Marcial Maciel chileno. Juan Barros vem enfrentando fortes protestos desde a cerimônia de posse e anda pela diocese com escolta policial.

Segundo o Núncio apostólico no Chile e os representantes da conferência episcopal, Francisco foi informado integralmente sobre o passado de Juan Barros e mesmo assim o promoveu a bispo diocesano.

São dois casos com a mesma natureza e pediriam, por coerência, a mesma solução. Mas Francisco é jesuíta e se guia não por coerência ou bom senso, mas por afinidades ideológicas. Basta lembrar o caso do bispo de Merlo Moreno, quando Bergoglio ainda era arcebispo de Buenos Aires e defendeu o bispo Fernando María Bargalló depois deste ser pego num balneário caribenho de luxo com uma amante (uma mulher casada!). A misericórdia de Bergoglio tem dois pesos, isso sempre afirmamos.

O Círculo do Papa

Aqui cabe uma pausa. Vários blogs e jornais pelo mundo vem noticiando que o Papa Francisco, desde os primeiros dias de pontificado, vem se cercando de gente, digamos, nada recomendável. São cardeais que nos anos de Bento XVI sempre estiveram nas sombras da desconfiança e do descrédito.

Muitos vaticanistas (Tornielli, Tosatti, Allen e outros) já informaram que cardeais como Mahony e  Danneels que, em seus respectivos países, foram responsáveis pelos maiores escândalos sexuais da história da Igreja, são vistos com frequência no Vaticano.  Danneels, inclusive, foi apontado pelo Papa como membro de destaque na próxima assembleia do Sínodo dos bispos.

Outros cardeais do círculo intimo do Papa seriam o britânico Murphy O'Connor, o alemão Kasper, o brasileiro Hummes e alguns arcebispos italianos de menor projeção.

Já são sete!

O número de bispos ou arcebispos depostos ou removidos por Francisco não para de crescer. Sete prelados foram vítimas da misericórdia franciscana, todos eles conservadores ou próximos da tradição. Dom Finn se soma à Piacenza, Burke, Livieris, Franz Peter Tebartz-van Elst, Mollaghan e Mario Oliveri.

Pode parecer um número muito pequeno num universo de mais de cinco mil bispos, mas é suficiente para desencorajar aqueles prelados que flertam com a tradição e queiram promovê-la. Francisco, como bom progressista, não remove bispos sem visibilidade ou desconhecidos, mas procurar fazer movimentos cirúrgicos.

Cabe ressaltar que quase todos foram removidos sem uma única audiência com o Papa, onde poderiam tentar se explicar. O único prelado que conseguiu falar com o Papa antes da sua punição foi Tebartz-van Elst.

Outros nomes já poderão figurar na lista em breve, todos da linha ratzingeriana. Dom Salvatore Cordileone, arcebispo de São Francisco, vem enfrentando problemas por impor às escolas católicas as clausulas de moralidade, onde obriga os professores contratados por essas instituições a ensinarem a doutrina e moral católica, inclusive banindo professores homossexuais dos quadros escolares. Muitos grupos gayzistas já estão pedindo ao misericordioso pontífice a cabeça de Dom Cordileone.

A diocese de Liechtenstein, encabeçada por um dos poucos bispos tradicionalistas "em plena comunhão" (para usar esse termo bobo que vigora em blogs sedevacantistas...), também vem sofrendo com leigos revoltados com seu bispo. Mais aqui.

Pau que bate em Francisco nem sempre bate em Chico!

Desde a sua posse como bispo Roma, Jorge Mario Bergoglio não removeu um único bispo liberal. Pelo contrário, alguns foram até promovidos ou agraciados com a púrpura!

Não se trata de uma constatação vitimista ou de uma visão eminentemente bipolar. Se trata de fatos!

Francisco detesta o universo conservador-tradicional. Já deixou isso muito claro com adjetivos como neopelagianos, fariseus, ultrapassados, etc ao se referir a bispos, padres e, principalmente, leigos ligados à tradição católica. 

Talvez seja um pouco de loucura dizer que há um plano arquitetado com metas e objetivos escritos para enterrar de vez a Tradição católica. Mas não é delírio, como alguns pensam, ligar os pontos e ver que há uma vontade concreta indo nessa direção. E ela parte de Francisco.

Lembremo-nos dos bispos removidos, dos consultores litúrgicos removidos, do Sínodo manipulado com tamanha desonestidade, da intervenção covarde nos Franciscanos da Imaculada e tantos outros acontecimentos do dia a dia que nos levam a uma única conclusão - breve ou longo este pontificado é um desastre para o Corpo de Cristo.

domingo, 8 de março de 2015

50 anos da missa em vernáculo. Papa Francisco: (...) aqueles que querem voltar atrás estão enganados!"

Paulo VI celebrando a primeira missa em vernáculo
Então aconteceu, há 50 anos, que Paulo VI celebrou a primeira missa em língua vernácula na paróquia de Todos os Santos(Ognissanti), em Roma. A liturgia celebrada pelo Papa Montini não foi 100% em italiano, mas a época já era o suficiente para ser revolucionária.

E eis que para marcar o aniversário desse momento histórico, Papa Francisco, o novo Paulo VI, decidiu visitar a mesma paróquia e celebrar a missa que, agora, já não causa tanta estranheza aos romanos.

Francisco esteve em Ognissanti acompanhado de... Walter Kasper! Icônico, não é mesmo? Acontece que coincidentemente a igreja de Ognissanti é a igreja titular do cardeal alemão que vem, a exemplo de Lutero, iniciando uma revolução dentro da igreja que poderá - Deus não permita! - culminar em mais um cisma de proporções globais.

Ao concluir a missa o Papa argentino proferiu as seguintes palavras:

Em tempos há dificuldades... mas onde está o Senhor as coisas vão bem. Concordam? (Sim!). Muito obrigado por me acolherem aqui, pela sua oração junto a mim durante a missa. Vamos agradecer ao Senhor pelo que Ele tem feito na sua Igreja nestes 50 anos de reforma litúrgica. Foi realmente um gesto corajoso para a Igreja se aproximar do povo de Deus para que eles pudessem entender o que estavam fazendo. Isso é importante para nós, seguir a missa dessa forma. Não é possível voltar atrás. Devemos sempre ir adiante. Sempre adiante (aplausos)! E aqueles que querem voltar atrás estão enganados. Sigamos adiante neste caminho (aplausos). Obrigado"

Uma mensagem bem clara. Quando o Papa fala de improviso ele fala o que realmente quer dizer, expressa realmente o seu magistério. Até que ponto esse magistério é autenticamente católico há um enorme espaço para debates, mas qualquer esclarecimento da parte dos teólogos do Vaticano sobre o que o Papa realmente quis dizer quando fala de forma espontânea é nada mais do que uma tentativa de torná-lo "católico".


Recentemente Francisco afirmou que os padres e bispos que falam em "reforma da reforma", um termo cunhado durante o pontificado de Bento XVI para expressar de forma resumida a teologia litúrgica do papa alemão dentro de um espectro de continuidade com o passado da Igreja, estão enganados, mesmo quando falam de boa vontade. Afirmou que a ordenação de alguns seminaristas de tendência mais tradicional coloca "uma mortalha sobre a Igreja". Afirmou ainda que muitos desses seminaristas são "desequilibrados" e que isso se expressa nas liturgias que celebram.

Não é de hoje que Francisco vem atacando os padres e bispos, e indiretamente os leigos, que se aproximam da liturgia tradicional. E são sempre ataques "de improviso", pegos e registrados por terceiros ou vazados depois de alguma reunião com o Papa. Quem não se lembra, por exemplo, da reunião de Francisco com os religiosos do Caribe onde o mesmo classificou os católicos tradicionais de neopelagianos?

Embora não ataque diretamente a missa em latim, Francisco é sim um forte anti-ratzinger. Suas ações, suas nomeações, promoções e, principalmente, demissões o dizem de forma clara.

Muitos afirmam que por ser de origem jesuíta o Papa Francisco não se interessa por liturgia. Tentam usar esse argumento - que eu mesmo não compreendo - para justificar as missas do Papa. Não é verdade! Francisco desde o primeiro ato como Papa, ao aparecer sem os paramentos pontifícios na sacada de São Pedro, já demonstrou que é um papa profundamente (anti)litúrgico. Ao contrário de Bento XVI, que esperou meses até começar a expressar o seu estilo litúrgico, Francisco o fez já na sua primeira missa ainda na capela onde fora eleito.

O que Francisco e outros bispos como ele não conseguem compreender é que esse "seguir adiante" que ele pede não encontra mais eco na juventude católica. O seguir adiante que realmente está acontecendo é o mergulhar cada vez mais profundamente na tradição da Igreja, na suas antigas orações e nos gestos mais significativos da sua liturgia. O seguir adiante não é um retroceder, mas um "compreender" verdadeiramente a dimensão espiritual e sacramental da liturgia.

O seguir adiante do Papa Francisco é raso, superficial. O nosso - os neopelagianos - é profundo e continuador. Há sim uma enorme diferença.

Então sigamos adiante! Com Summorum Pontificum e a reforma da reforma! Todos aqueles que desejam retroceder 50 anos atrás estão enganados!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vaticano de Francisco recebe grupo pró-gay.

Vaticano recebe grupo católico gay em audiência, discretamente

(Folha - Com Agências de notícias)

Um grupo de defesa dos direitos de católicos gays, vindo dos Estados Unidos, foi recebido pela primeira vez na audiência semanal do papa Francisco nesta quarta-feira, o que seus membros consideram um sinal de mudança na Igreja Católica.

O grupo, porém, foi anunciado como "um grupo de leigos acompanhados por uma irmã". Não foi mencionado por Francisco, mas foi a primeira vez em que eles puderam participar da cerimônia. Até a menção ao grupo como leigos foi saltada pelo mestre de cerimonial que leu a lista de convidados.

A visita ocorre meses depois de o Vaticano voltar atrás num documento preliminar que defendia a maior aceitação de gays pela igreja e da excomunhão de um ex-padre de Bauru (SP) que defendia o mesmo.

A irmã é Jeannine Gramick, co-fundadora do Ministério Novos Rumos, que prega para católicos homossexuais e promove os direitos dos gays na igreja. Ela e o diretor executivo do grupo, Francis DeBernardo, lideraram uma caravana de 50 católicos homossexuais para a audiência na Praça de S. Pedro. Segundo eles, o grupo foi solenemente ignorado em visitas anteriores, nos papados de João Paulo 2º e Bento 16.

Desta vez, um bispo dos EUA e o monsenhor Georg Gaenswein, que cuida dos convites para a audiência, apoiaram o pedido e eles foram recebidos na primeira fila, ao lado de dignitários e grupos católicos.

Quando Francisco passou, eles cantaram "Todos São Bem-Vindos", um hino que simboliza seu desejo por uma igreja mais inclusiva.

Uma lista dos convidados, publicada pelo Vaticano, informava que havia "um grupo de leigos acompanhados por uma irmã", mas não mencionava se tratar de um grupo de defesa dos direitos dos gays.

"O que isto indica é que existem movimentos em nossa igreja para receber pessoas que estão fora", disse Gramick.

Meses antes de sua eleição, Francisco fez sua já famosa declaração sobre como ele não poderia julgar gays que tenham boa vontade e estejam em busca de Deus.

Até agora, porém, ele não deu sinais de que a igreja vá mudar sua doutrina contrária aos atos homossexuais.

Em outubro, bispos do mundo inteiro se reuniram em Roma para debater questões relacionadas à família e divulgaram um relatório provisório pedindo maior aceitação dos gays pela igreja.

O trecho foi suavizado na versão final do relatório, depois de reclamações de bispos conservadores. A última reunião sobre questões de família está marcada para outubro deste ano.

DeBernardo disse que casais de gays, lésbicas e de outras famílias não-tradicionais deveriam ser convidados para o encontro, conhecido como sínodo, para falar aos bispos sobre sua fé e sua sexualidade.

****

E alguns irão dizer: "Não é nada! Todos podem participar das audiências do Papa..." Não é bem assim. Como o próprio texto deixa claro, "o grupo foi solenemente ignorado em visitas anteriores, nos papados de João Paulo 2º e Bento 16".

Não se trata aqui de um grupo que busca trabalhar pastoralmente com homossexuais, conduzindo-os pelo caminho proposto pela Igreja, mas de um grupo engajado em promover os direitos dos gays na igreja, o que quer que isso signifique.

Há de fato uma abertura neste pontificado a grupos como esses. Recentemente Francisco teve uma audiência privada com Diego Neria Lejárraga, um transexual que está "noivo" e com casamento marcado.
Lejárraga escreveu previamente ao Papa reportando a situação em que se encontrava, e sobre o suposto bullying paroquial que vinha recebendo. Francisco, é claro, mais que depressa, tratou de convocá-lo para uma audiência pessoal, segundo o próprio Lejárraga.

O que vemos nessa dicotomia entre discurso e ação é o que será posto em prático depois do Sínodo de outubro. O Francisco dos discursos oficiais, o Francisco doutrinal, é diferente do Francisco das intervenções improvisadas, dos gestos. Um contradiz o outro em todos os sentidos. Temos, de fato, dois Papas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

De Wuerl para Burke - Para bom entendedor, meia palavra basta


Recentemente o cardeal Raymond Burke concedeu uma entrevista ao canal de televisão francês France 2 na qual afirmou, em resposta a uma pergunta feita pela jornalista, que se o Papa Francisco persistir nessa direção - a de permitir a comunhão aos divorciados recasados civilmente - ele "resistiria". Burke declarou também que o que vem acontecendo na igreja é doloroso e difícil.

Não é segredo para ninguém que Burke foi a ponta de lança no último sínodo, vocalizando a opinião de muitos bispos e até alguns cardeais sobre essa mesma questão e deixando claro que a doutrina da Igreja não pode ser alterada, muito menos a sua prática pastoral em relação aos divorciados recasados. Desde o ano passado o cardeal americano, um renomado canonista, sofreu consideráveis perdas e humilhações vindas de ninguém menos que do próprio Papa Francisco. 

Burke foi removido de todas as congregações vaticanas, sobretudo a dos bispos. Por último foi removido da Cúria Romana como um todo, sendo substituído por um nome sem relevo e com um currículo bem modesto quando comparado ao do prelado americano, bem ao gosto do Papa Francisco que demonstra uma bizarra preferência por sacerdotes pouco qualificados para comandar postos importantes.

Nos últimos dias do ano passado, se ouviu na blogosfera rumores sobre a insistência de alguns prelados - ainda anônimos - para que Burke fosse sumariamente removido do colégio de cardeais. O boato circulou alguns dias antes do anúncio da remoção de Burke como prefeito da Signatura Apostólica.

Há dois dias o cardeal Wuerl, arcebispo de Washington, saiu com a cara e a "coragem" no ataque contra Burke, embora sem citar o nome do irmão bispo. Num artigo publicado em seu blog pessoal, o cardeal Wuerl afirma:

"enquanto eu assistia ao Santo Padre pela TV, minha caixa de e-mail está repleta com um número de e-mails sobre uma entrevista e um artigo por irmãos bispos que estão pouco entusiasmados com o Papa Francisco".

No texto o cardeal divaga sobre a sua história pessoal enquanto seminarista e sacerdote, refletindo sobre a resistência que os papas encontravam ao longo da história quando colocavam seus ensinamentos. Reflete sobre as encíclicas Mater et Magistra de João XXIII e a famosa Humanae Vitae de Paulo VI, todas muito criticadas.

Mas a passagem direcionada milimetricamente ao cardeal Burke é esta:

"Mas um padre do seminário gentilmente nos tirou da nossa ingenuidade e apontou que sempre existiram correntes de dissenso na Igreja, algumas vindas do alto como do colégio de Cardeais. Foi então que eu ouvi pela primeira vez sobre o cardeal Louis Billot que foi pouco discreto na sua oposição ao Papa Pio XI que havia condenado o movimento politico e religioso Action Française, que envolvia muitas pessoas que desejavam pela restauração da monarquia na França e um papel forte da Igreja no governo civil. Em 1927, o cardeal Billot foi 'persuadido a renunciar a sua dignidade cardinalícia'. E ele voltou a ser um simples padre jesuíta"

Sugestivo, não é mesmo? Mas tem mais. Alguns parágrafos mais abaixo, lemos:

"De forma menos importante, houve um considerável mal estar entre alguns [prelados] em 1969 quando a Secretaria de Estado de Paulo VI publicou uma instrução sobre a vestimenta dos bispos e cardeais. O esforço para simplificar e remover algumas coisas como a cappa magna aborreceu a alguns"

O cardeal Burke, além da sólida formação jurídica e doutrinal, é também conhecido internacionalmente como um defensor da liturgia tradicional e aparece com frequência paramentado com a "nefasta" cappa magna. De forma particular, devemos notar a ironia e como a cappa, hoje, aborrece alguns prelados de 2015, sobretudo por estar associada a juventude católica que preenche os bancos das igrejas quado das missas tradicionais.

Da mesma forma que Burke é um cardeal Ratzingeriano, Wuerl é um bergogliano incurável. O arcebispo de Washington nunca usou a pena ou levantou a voz em defesa de Bento XVI ou de João Paulo II, mas é o primeiro prelado americano a disparar contra os supostos 'inimigos' de Bergoglio. Wuerl, como Bergoglio, não vê problema em, por exemplo, dar a comunhão a divorciados e a políticos pró-aborto. Ratzinger e Burke eram ferozmente contrários a isso. Wuerl e Bergoglio não compreendem o que significa a expressão "valores inegociáveis".

Continua Wuerl:

Uma das coisas que aprendi em todos esses anos desde os ingênuos dias de 1961 foi que feita uma análise meticulosa vemos que há um fio comum que une todos esses dissidentes. Eles discordam do Papa porque ele não concorda com eles e, portanto, não segue as suas posições.

Querer comparar a resistência que Francisco vem enfrentando com, por exemplo, a resistência que Paulo VI enfrentou com a Humanae Vitae é tentar falsificar a história. É uma atitude, diria, digna de Lenin e cia.

Francisco não enfrenta uma resistência por afirmar alguma doutrina ou ensinamento católico, mas por se distanciar dele. Francisco, hoje, é o dissidente.

Wuerl está certo quando afirma que na história da Igreja sempre tivemos figuras de dissenso, mas erra ao assumir que o Papado é imune a isso. Hoje vemos que a principal figura de dissenso é o Papa Francisco e o pseudo-magistério que vem desenvolvendo de forma arbitrária e totalitária.

Nunca na história da Igreja tantas vozes genuinamente católicas se levantaram contra o sucessor de Pedro. Historiadores, vaticanistas, jornalistas, padres, bispos, cardeais, simples leigos, etc. de forma direta ou indireta, vocalizando contra o que vem do trono petrino. Já na caixa de comentários do blog do cardeal americano vemos as várias "vozes do dissenso" se manisfestando.

É importante considerar a justa medida das críticas. É importante vigiarmos pela unidade da Igreja, evitando que divisões se tornem cismas. Mas é ainda mais importante preservar a integridade da doutrina da Igreja porque esta, afinal, vem do próprio Cristo e não do trono de São Pedro. Jesus pediu a Pedro que confirmasse seus irmãos na fé, mas não que lhes desse uma outra fé.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Os novos cardeais de Francisco - Um conclave do terceiro mundo



Já anunciado em dezembro, o próximo consistório para a criação dos novos cardeais se dará em fevereiro próximo. A lista, entretanto, dos agraciados com a púrpura cardinalícia só foi divulgada hoje. São eles, com direito a voto num eventual conclave:

1 – Mons. Dominique Mamberti, prefeito da Signatura Apostólica
2 – Mons. Manuel José Macário do Nascimento Clemente, Patriarca de Lisboa
3 – Mons. Berhaneyesus Demerew Souraphiel, C.M., Arcebispo de Addis Abeba (Etiópia)
4 – Mons. John Atcherley Dew, Arcebispo de Wellington (Nova Zelândia)
5 – Mons. Edoardo Menichelli, Arcebispo de Ancona-Osimo (Itália).
6 – Mons. Pierre Nguyên Văn Nhon, Arcebispo de Hà Nôi (Viêt Nam).
7 – Mons. Alberto Suárez Inda, Arcebispo de Morelia (México).
8 – Mons. Charles Maung Bo, S.D.B., Arcebispo de Yangón (Myanmar).
9 – Mons. Francis Xavier Kriengsak Kovithavanij, Arcebispo de Bangkok (Tailândia).
10 – Mons. Francesco Montenegro, Arcebispo de Agrigento (Itália).
11 – Mons. Daniel Fernando Sturla Berhouet, S.D.B., Arcebispo de Montevidéu (Uruguai).
12 – Mons. Ricardo Blázquez Pérez, Arcebispo de Valladolid (Espanha).
13 – Mons. José Luis Lacunza Maestrojuán, O.A.R., Bispo de David (Panamá).
14 – Mons. Arlindo Gomes Furtado, Bispo de Santiago de Cabo Verde (Cabo Verde).
15 – Mons. Soane Patita Paini Mafi, Bispo de Tonga (Ilha de Tonga).

Aqui cabe ressaltar a insistência em não criar cardeais ratzingerianos, que mais uma vez vemos como marca dos consistórios franciscanos e a única regra absoluta que o pontífice reinante se impôs a seguir. O patriarca de Veneza, Dom Moraglia, continua humilhado sem o barrete vermelho a que teria direito se o Papa-Sol respeitasse os antigos costumes da Igreja. Francisco preferiu criar como cardeal o arcebispo de Agrigento, diocese que nunca na história teve um cardeal como cabeça e cuja a importância dentro da própria igreja italiana é praticamente nula (alguém já ouviu alguma coisa sobre Dom Montenegro?), a fazer cardeal o Patriarca de Veneza, Sé que deu à Igreja três papas no século XX. Lamentável, sem dúvida.

Como no consistório anterior, Francisco aposta em cardeais de lugares inusitados e, em alguns casos, igrejas locais muito pequenas. São os cardeais do fim do mundo para acompanhar o Papa do fim do mundo.

Francisco parece querer moldar o próximo conclave com muita força. Todos os papas fazem isso, de uma forma ou de outra, mas gradualmente. Bento XVI levou oito aos deixando o colégio e a cúria ratzingerianos...e depois esses elegeram Francisco, o que é um mistério insondável da alma humana! Francisco, contudo, age pela força, autocrático como sempre. A sanha em criar cardeais vindos de lugares exóticos, de pouca importância para a política interna da Igreja já se tornou uma marca e com isso o Papa acredita - pura especulação minha - eleger seu sucessor para "além do fim do mundo".

Na minha modesta opinião, que nada vale, a insistência do Papa nesse tipo de consistório se torna um espetáculo lamentável e de consequências vindouras para a Igreja que ainda não podemos mensurar. Levará anos, talvez décadas, para a Igreja se recuperar dessas decisões obviamente equivocadas e, mais uma vez, de caráter eminentemente populista. É um consistório bolivariano, sem dúvida, muito próximo das políticas "sociais" aplicadas nos países do eixo "Foro de São Paulo".

O colégio de cardeais é, de alguma forma, o Senado da Igreja. Nele estão os melhores dos melhores (os melhores progressistas também), os bispos das dioceses mais importantes, das maiores igrejas particulares, das dioceses mais ricas (no caso dos alemães, é claro), etc. Não se enquadra em nenhuma categoria, por exemplo, a diocese de Santiago de Cabo Verde. Não é falta de respeito, é bom senso mesmo.

Que o Papa queira nomear cardeais de dioceses pequenas, localizadas no "fim do mundo", é uma prerrogativa pontifícia, mas preterir dioceses importantes e de relevo para a Igreja é colocar-se, mais uma vez, acima da própria Igreja. 

Analisando racionalmente, o arcebispo de Salvador  e primaz do Brasil - o maior país católico do mundo, por enquanto - tem muito mais precedência que o Bispo de Tonga. Entretanto, dom Murilo Krieger não foi feito cardeal, mais uma vez.

Não sei o que se passa na cabeça do pontífice quando decide seus novos cardeais. Talvez pense "quem é o mais desconhecido de todos? Que país está mais perdido no mapa?" e, pabum!, escolhe o bispo de Addis Abeba, na Etiópia. Talvez faça isso com a ajuda de um grande globo, girando-o e repousando seu dedo ao acaso. Não sei! Mas o que sei é que as nomeações e, especialmente, as não nomeações custarão caro o Papa que, penso eu, se acha inalcançável por qualquer ressentimento.

Mais uma vez os EUA foram preteridos na criação de novos cardeais. Com a ótica típica de um pensamento terceiromundista ou bairrista, Francisco se diverte criando cardeais os bispos que o mundo até então nem sabia que existiam. Outros, por sua vez, esperam.

Francisco, embora tenha vindo do fim do mundo, se esquece que o mesmo é redondo e dá voltas.

O que virá a seguir? O que sairá desse conclave cada vez mais "exótico", repleto de figuras do fim do mundo? Não sei... só sei que o fim está próximo!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015, o Ano da Vida Consagrada e a falência dos Franciscanos

Em 2015 celebra-se em toda a Igreja o "Ano da Vida Consagrada". Neste ano o Papa Francisco, através da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, "convida-vos a refletir sobre o tempo de graça que nos é dado viver".

O documento inicial deste ano, publicado com as rubricas do próprio Prefeito, João Braz de Aviz, e do seu fiel colaborador, José Rodrigues Carballo, apresenta de forma nada acidental a figura de Francisco de Assis já nos primeiros parágrafos. E quem poderia imaginar que, às vésperas do começo desse ano da Vida Consagrada, seriam justamente os franciscanos o símbolo mais gritante do modelo falido que a dupla Aviz-Carballo quer apresentar para toda a Igreja.

Recentemente o mundo católico foi surpreendido, ou talvez nem tanto já que os veículos de informação não se dignaram a reportar pelo mundo tal notícia, pela falência da cúria dos Frades Menores que se deu por  operações "financeiras opacas, por conta da reestruturação de um hotel em Roma, com vistas ao Vaticano". "O escândalo, que saiu em Panorama (18 de dezembro), teria explodido em outubro. Os investimentos, escreve o vaticanista do semanário, Ignazio Ingrao, remetem ao período em que era superior dos frades menores José Rodriguez Carballo, hoje secretário da Congregação para os religiosos. Está sob acusação o ex-ecônomo geral, o Fr. Giancarlo Lati, que foi demitido juntamente com alguns conselheiros.".

O arcebispo Carballo, como fez bem em nos lembrar o blog Fratres in Unum, foi a primeira nomeação de Francisco para a Cúria Romana como secretário da Congregação para os Religiosos. O mundo progressista amou de imediato a nomeação de Carballo, tecendo elogios mil a sua pessoa e ao Papa. Carballo é  "natural de Espanha, foi ministro da Província Franciscana de Santiago de Compostela, presidente da União dos Frades Menores da Europa e mestre dos jovens em formação".

Se analisarmos superficialmente o currículo de Carballo, vemos que o digníssimo 119.° sucessor de São Francisco de Assis é um completo desastre. Além da falência e das operações financeiras escandalosas, o arcebispo assistiu passivamente ao desmoronamento dos franciscanos na sua própria terra natal.

Franciscanos espanhóis reunidos em Madri. Reparem na "juventude" dos irmãos.

No último dia 29/dez os remanescentes das províncias franciscanas de Bética, Castilla, Cataluña, Cartagena, Granada, Valencia e a Custodia de San Francisco Solano, muitas delas centenárias, se reuniram em Madri para formalizar o processo de fusão que levará o país a ter uma única província. Segundo o comunicado, a nova província contará com aproximadamente 400 religiosos, a maioria bem acima dos 60 anos.

É escandaloso que Carballo seja secretário da Congregação que, de alguma forma, deveria tentar incentivar o crescimento e progresso das comunidades religiosas. Seu passado o desqualifica para a função! Pode ser escandaloso, mas é antes de tudo sintomático.

Carballo e Braz de Aviz, além de Francisco (o Papa, não o Santo), possuem uma visão muito diferente da vida religiosa. Seu magistério sobre a vida consagrada "significa renovar a vida segundo o Evangelho, não no sentido de radicalidade entendida como modelo de perfeição e, muitas vezes, de separação". Na prática isso quer dizer aderir, de alguma forma, à mundanidade e apresenta o regular como secular. O resultado prático desse magistério é a derrocada que vemos e noticiamos: milhares de conventos e mosteiros vazios, já que o religioso atual não deve se separar seja lá do que for, muito menos do mundo; religiosos e religiosas vivendo uma vida escandalosa e diametralmente oposta ao carisma dos fundadores, já que devemos entender a vida evangélica não "no sentido de radicalidade entendida como modelo de perfeição". É claro que tal crise não se originou com Francisco ou Carballo, sendo ambos religiosos (o primeiro, jesuíta, e o segundo franciscano), antes os dois a personificam perfeitamente.

De posse desse "magistério" apresentado pela trinca Bergoglio-Carballo-Aviz, entendemos com muita tranquilidade, por exemplo, o ódio visceral que os três sentem pelos Franciscanos da Imaculada. A congregação dos filhos da Imaculada é um anti-magistério, se posiciona como antítese a tudo aquilo que os três pregam e entendem como modelo de vida religiosa. Por isso deve ser esmagada de forma impiedosa.

2015 pode ser o ano da vida consagrada falida em todos os sentidos - financeiro, estrutural, vocacional e espiritual. Um ano que deveria colocar os secretários e membros da Congregação debruçados sobre o projeto de vida religiosa que deu errado, reavaliar e conduzir os religiosos por um novo caminho. Isso acontecerá? Claro que não! Bergoglio-Carballo-Aviz não possuem a capacidade crítica para enxergar o erro! Pelo contrário, insistem e persistem.

O documento para o ano da Vida Consagrada tem por título "Alegrai-vos". O mais justo, entretanto, seria "Arrependei-vos".

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Novos rumos no Opus Dei

(Eulogio López - Hispanidad  | Tradução blogonicus) - Oficialmente os fatos são estes: mons. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, anuncia sua retirada paulatina e nomeia como auxiliar o Mons. Fernando Ocariz (foto), até agora vigário da Obra. E este é substituído como vigário geral pelo atual responsável pela obra na Argentina, Mons. Mariano Fazio.
(...)Como em todas as razões oficiais, tudo nos revela a verdade, nada mais que a verdade, mas não toda a verdade.
Para que seja toda a verdade, necessitamos destacar que o Papa Francisco comunicou ao mons. Echevarria numa mensagem muito portenha: cuide da sua saúde. É o mesmo quando um britânico ouve de seu chefe que é já é hora de cuidar melhor do seu jardim.
(...) E como dom Javier Echevarria é um cristão obediente aos seus superiores, imediatamente começou a sua retirada, com as ditas nomeações.
(...) Foi o próprio mons. Fazio quem entregou  o novo "organograma" a Francisco, a quem este respondeu: "Eu não pedia tanto...". Não se sabe se pedia tanto, mas alguns suspeitam que pedia algo mais. Não pedia que o espanhol Fernando Ocáriz, 69 anos, sucedesse a Echevarría, mas que o fizesse o próprio mons. Fazio (54 anos).
E isso posto, o assunto adquire um outro tom, ligeiramente mais cinza, se o Papa Francisco decidir dilatar a nomeação, como bispo, de Ocáriz.



(Cesáreo Marítimo - Blog Germinans Germinabit | Tradução blogonicus) - O novo vigário geral da Prelazia do Opus Dei é argentino e amigo do Papa Francisco. Suponho que se trata de alinhar o Opus Dei aos novos tempos da Igreja. Possivelmente o mesmo Papa influenciou nesta nomeação. E como em toda nomeação em que se movem instâncias de poder, o novo Vigário Geral, mons. Mariano Fazio (foto acima), atraiu sobre si os focos de todo tipo de informativos. E, evidentemente, se tira da hemeroteca para definir o personagem.

Se está dando nestes dias uma ampla circulação de um artigo que escreveu mons Fazio no Clarín há três anos. O parágrafo mais chamativo desse artigo, e que suscita mais comentários, é o que segue: "Vivemos dias de busca, nos quais palavras como indignação, revolta, manifestação, insatisfação, possuem uma ressonância especial. A sociedade de consumo não logra saciar o homem e os jovens a denunciam. Esse é o nosso eclipse. Entretanto, os homens e as mulheres de hoje não renunciam aos grandes ideais, queremos gritar com força o mesmo que há tantos anos "Liberdade, igualdade, fraternidade!". Não queremos ceder ao cinismo ou ao conformismo".

Tem cabimento colocar em questão a idoneidade deste monsenhor por ter escrito estas palavras? A tristeza, uma verdadeira tristeza, é que tenhamos que lamentar essas palavras de mons. Fazio, porque são nada mais e nada menos que o grito de guerra do Iluminismo contra a Igreja.


***
Sem dúvida há um efeito Francisco circulando pela Igreja. Não é, nem de longe, uma redescoberta da
fé ou uma corrida em massa aos sacramentos, como quer pintar alguma mídia, secular ou não, quando fala do pontífice argentino.
O verdadeiro efeito Francisco é sentindo nas comunidades tradicionais ou de perfil mais conservador. As pequenas, o Papa esmaga sem pestanejar; as grandes, como o Opus Dei, vai mudando aos poucos através de manobras e promoções de clérigos afinados com o seu estilo pessoal.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Mais um bispo conservador na mira? Mais um...


Já vimos o filme antes: o protagonista é sempre um Bispo conservador, fiel ao catecismo e à Doutrina da Igreja, sóbrio na liturgia e, em alguns casos, incentivador público da missa antiga. Os seus antagonistas são meia dúzia de leigos progressistas que o acusam de retrógrado, involuído e clamam aos céus - leia-se Vaticano - pela remoção do prelado.

Nos tempos do franciscanismo bergogliano já vimos pelo menos cinco bispos conservadores caindo. O seu antigo desafeto, Dom Rogelio Livieris, de Ciudad del Este; Dom José Luis Mollaghan, que foi removido para um cargo que não existe até hoje; o cardeal Piacenza que caiu pouco tempo depois do conclave; o cardeal Burke, cuja remoção foi apenas um detalhes depois de meses de humilhações; Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, conhecido como "bispo de luxo", mas um sólido conservador. Não contabilizamos o bispo italiano de Albenga-Imperia, Dom Mario Oliveri, que ainda não caiu oficialmente, mas que se encontra na mira de Francisco e espera apenas que o pontífice puxe o gatilho.

Agora é a vez do bispo de Liechtenstein, dom Wolfgang Haas, um conhecidíssimo padrinho do motu proprio Summorum Pontificum, receber de uma parcela ínfima do laicato da sua diocese as mesmas acusações.

Reproduzo uma matéria da agência da FSSPX, DICI

Seguindo o exemplo do movimento suíço "Ça suffit!" (Basta!) da diocese de Chur, uma associação de leigos de Liechtenstein está colocando pressão no arcebispo de Vaduz para que faça a diocese "evoluir". Pelo 17º aniversário da diocese, a associação "Pour une Eglise ouverte" (Para uma Igreja aberta) publicou em 4 de dezembro, nas colunas dos jornais locais, uma carta aberta ao ordinário do distrito, bispo Wolfang Haas, antigo bispo de...Chur. Nesta carta, os "fiéis" consideram "urgente para a Igreja em Liechtenstein se posicionar claramente ao lado do Papa Francisco e apoiar os seus projetos de reforma". De forma concreta, ela reprova a arquidiocese por não consultar os leigos durante a preparação para o Sínodo sobre a família de outubro passado. A associação teria apreciado "se as bases" pudessem se expressar sobre os temas do casamento e da sexualidade. "Mesmo hoje a arquidiocese permanece em silêncio" lamenta o autor da mensagem. "E a vontade do Sínodo é que esses temas sejam discutidos nas comunidades locais".
A associação ainda considera que a arquidiocese "tem muitos padres incardinados" (aproximadamente sessenta). E muitos deles não são "suficientemente qualificados". "Nós pedimos uma reavaliação dos quadros da arquidiocese e que o envolvimento pastoral esteja mais disponível para os assistentes, catequistas e diáconos permanentes" declarou a associação. Em outras palavras: menos padres, mais leigos. 
Os autores da carta-manifesto estão atentos à forma como o jogo deve ser jogado para uma eventual remoção do bispo. Sabem que argumentos, hoje, com Francisco, têm mais peso que a doutrina ou a ortodoxia. Jogam com a "evolução", ou seja, a diocese é atrasada ou quem sabe "cripto-lefebvrista"? Jogam com a participação dos leigos, com o sínodo e, por último, contrapõem a arquidiocese ao Papa quando pedem que a mesma se posicione "claramente ao lado do Papa Francisco". Os manifestantes não acusaram, ainda, o bispo de mau uso dos recursos financeiros da diocese - este sim um crime gravíssimo aos olhos de Bergoglio.

Está aberta de fato a temporada de caça aos bispos conservadores. E a matilha é formada por aquela meia dúzia de leigos grisalhos insatisfeitos, saudosistas da década de 70 e inconformados com os pontificados de João Paulo II e Bento XVI, que agora enxergam em Francisco um revival de antigas e obscuras forças. E lembrem-se: este é apenas o segundo ano de pontificado!

sábado, 6 de dezembro de 2014

Foto do dia: Ciudad del Este depois da intervenção bergogliana


Na foto acima Mons. Ricardo Valenzuela, Administrador Apostólico da diocese de Ciudad del Este, visita os membros da Comunidade Missionária de Jesus.
Depois da infame intervenção ordenada pessoalmente pelo papa Francisco, a diocese teve seu bispo removido em tempo recorde - o que prova por A mais B que a intervenção foi apenas uma encenação apresentada pelo papa e seu cardeal espanhol Santos Abril - e um novo prelado nomeado. Sobre isso já falamos aqui.
Reparem na imagem. Os membros da Comunidade ainda se encontram profundamente marcados pelo espírito que o antigo bispo, o corajoso Mons Rogelio Livieris, lhes deixou. Um espírito que não é outro senão aquele da Igreja Católica de sempre, autêntica missionária e seguidora de Jesus.
Reparem que o Administrador Apostólico, que representa o Papa no governo de uma diocese sem bispo instalado, é o retrato daquela igreja falida da década de 70, a mesma que encontra em Francisco o seu autêntico representante.
Este é o retrato verdadeiro do falado efeito Francisco. Não se trata de renovação, mas de um movimento reacionário da velha guarda, embolorada e moribunda, que se amotinava nos porões ou catacumbas, como fez Dom Helder, contra tudo aquilo que era católico.

sábado, 22 de novembro de 2014

Reforma da Cúria. Round 2 das pancadas franciscanas.


Em julho deste ano escrevi um texto com o título "A Reforma da Cúria é tão ruim quanto os seus reformadores", do qual destaco alguns trechos:

(...)Francisco não sabe lidar com a Cúria porque carrega um grande preconceito contra ela desde os tempos de bispo diocesano. E os cardeais escolhidos por ele para o grupo de estudo compartilham a mesma opinião negativa sobre a Cúria, alguns mais outros menos. Não se trata de uma reforma, mas de uma revanche.
(...)
(...)o objetivo não é, nem de longe, melhorar a Cúria, mas destruí-la por completo. Uma cúria fraca pede conferências episcopais fortes, e Maradiaga está dizendo que é justamente isso o que vai acontecer.
(...)
De qualquer forma, estamos na iminência de uma catástrofe. O sínodo para a família no próximo outubro é uma antecipação necessária para a reforma da cúria. Veremos no Sínodo - Deus nos livre! - um embate de cardeais e bispos sobre os divorciados. Sem perder tempo para que os conservadores da cúria se recuperem do sínodo, vem imediatamente a reforma da cúria. Um golpe depois do outro.

Francisco e sua trupe de cardeais estão novamente com os olhos voltados para a cúria. O sínodo, em sua primeira etapa, cumpriu uma missão fundamental - identificar as cabeças da resistência ao "admirável pontificado novo", fundado sob a rocha arenosa de Jorge Mario Bergoglio. Alvo identificado, só resta neutralizá-lo. A tal "derrota" sofrida por Bergoglio e Kasper é apenas uma consequência negativa da identificação da liderança conservadora, mas não deixa de incomodar o papa argentino.

Agora mesmo o blog Fratres in Unum publica um texto de Tosatti, um vaticanista que vem se destacando e ocupando um lugar anteriormente reservado a Tornielli, intitulado "Grandes mudanças à vista na Cúria." Você deve ler o breve post por inteiro.

Com base no texto do Tosatti-Fratres, confirmo aquilo que até o momento apenas havia especulado também numa outra postagem (O Papa-Sol. A Igreja Sou EU!), onde escrevi:
Maradiaga, o vice-papa, poderia ser nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Francisco precisa de um nome forte em Roma, porém inteiramente devotado ao projeto bergogliano, e na face desta Terra não há ninguém mais fiel ao processo revolucionário de Bergoglio que o cardeal arcebispo de Tegucigalpa Oscar Maradiaga.
Segundo Tosatti: Crê-se que Maradiaga seria o comandante de uma nova “super congregação”, que abarcaria o Conselho Justiça e Paz, o Conselho para os Migrantes, o Conselho Cor Unum, a Academia para a Vida e o Conselho para os Operadores Sanitários, bem como um quinto secretariado para o Direito das Mulheres.

O objetivo da reforma, repito, é a eliminação de cardeais curiais através da fusão de congregações e conselhos, resultando num peso menor desses prelados, de linha sempre mais conservadora que os bispos e cardeais residenciais, num inevitável conclave ou nos sínodos. A maioria dos cardeais da cúria participa automaticamente dos sínodos por força do cargo que ocupam. Francisco não quer que o sínodo de 2014 se repita em termos absolutos (derrota preliminar do teorema Kasper) e o seu processo revolucionário, agora, não pode encontrar resistências tão inquebrantáveis ou contestações tão fortes.

Os poucos cardeais que restarão na Cúria de Francisco serão prelados de segunda linha, como Stella ou Baldisseri, mas totalmente subservientes e obedientes aos caprichos e planos do Papa-Sol. A Cúria, que antes reunia os bispos "top de linha", os melhores e mais bem preparados, ficou para a história. Cardeais de peso e com grande expressão como Burke, Canizares, Castrillon Hoyos, Ruini, Medina Estevez, Ratzinger ou mesmo Ré e Sodano, gostem ou não dos dois últimos, não serão mais vistos em Roma.

Acredito que depois da aniquilação reforma da Cúria teremos também, é claro e natural, uma reforma do colégio de cardeais. Querem apostar? Francisco já não se sente obrigado a obedecer qualquer regra na nomeação de novos purpurados, esquecendo sedes que por direito adquirido ao longo da história da Igreja deveriam ter cardeais no comando (Lisboa e Veneza). Um antigo desejo progressista, daquela turminha endiabrada de 1970/80, era que os presidentes das Conferências Episcopais elegessem o papa. Um desejo que, se Deus permitir um pontificado franciscano mais longo do que 5 anos, se tornará realidade.

Quem viver, verá!

domingo, 9 de novembro de 2014

O Papa-Sol. A Igreja Sou EU!


Há neste pontificado de Francisco muitas características interessantes, ainda que tristes, que nos remetem ao jogo político bolivariano apresentado pelas lideranças seculares na América Latina.

Este pontificado se apresentou como a grande reinvenção da misericórdia, como se a Igreja não fosse misericordiosa nos dois mil anos precedentes, do amor aos pobres e da simplicidade absoluta. Toda essa imagem foi construída de forma propagandística, também através da pena de jornalistas de esquerda e do martelo ideológico de alguns padrecos e bispos saudosistas da Teologia da Libertação, mas sobretudo através do engenho pessoal de Bergoglio. Como não pensar na imagem de Chavez, Mujica ou Lula, é claro, igualmente manipuladas pela mídia que fez de cada mandatário um novo "pai dos pobres", um messias político que promete o paraíso na Terra.

Mas da mesma forma como sabemos que Mujica, Kirschner, Morales, Maduro, Lula ou Dilma não estão ou mesmo nunca estiveram preocupados com o bem estar da sociedade ou dos mais pobres, mas apenas desejam transformar a sociedade para instalar por essas plagas um projeto hegemônico de poder, unipartidário e inquestionável, Francisco está francamente comprometido com a transformação da Igreja.

A mídia de nariz sujo da América Latina ainda incensa o pontífice, pintando o Papa argentino como um construtor de pontes (daí vem a palavra "pontífice") não mais entre o céu e a Terra, mas entre os desejos sociais e a estrutura da Igreja; o Corpo Místico de Cristo se foi restando apenas a "estrutura" e esta pode e deve ser modificada. Mas há uma outra mídia, mais comprometida com a verdade dos fatos e que se localiza habitualmente nos países desenvolvidos, que vem torcendo o nariz para Bergoglio. Nos periódicos italianos já há uma unanimidade entre os vaticanistas contra Bergoglio. Não se trata de uma oposição pela oposição, como diria Marina Silva, mas de uma resistência aos métodos nada santos empregados pelo Papa para mudar aquilo que não pode ser mudado - a doutrina da Igreja.

Blogs que antes tentavam construir um caminho de unidade entre Bergoglio e os papas anteriores desistiram da empreitada. O mais famoso deles, o blog do Pe. Z., até cunhou uma frase de impacto: "lendo Francisco através de Bento (XVI)". Já faz algum tempo que o Pe. Z. removeu o banner com a frase.

Nos acostumamos com o conceito de "hermenêutica da continuidade" apresentado por Bento XVI e esperávamos que Bergoglio, por mais diferente que pudesse ser de Ratzinger, seguisse por essa via. Não seguiu. Pelo contrário, Francisco se torna cada dia mais um exemplo vivo daquela descontinuidade, da desconstrução das certezas dogmáticas e da "bagunça", uma verdadeira ruptura agressiva.

O Papa-Sol

Francisco é, de longe, o pontífice mais absolutista da história. Seus discursos iniciais estavam marcados por um forte apelo à colegialidade, ao modo sinodal de governar a Igreja. Eram discursos verdadeiramente revolucionários, mas que tinham uma base elementar no Vaticano II. Contudo, Francisco tem uma ideia muito peculiar sobre como conciliar o modelo sinodal com a potestade pontifícia: os padres sinodais só têm voz se esta for um eco da própria voz de Bergoglio.

Francisco procurou, através do último Sínodo dos Bispos em Roma, ter a sua agenda de revolução doutrinal endossada pelos padres sinodais. Para isso, de forma muito articulada, colocou o cardeal Kasper para introduzir o tom da discussão - a comunhão aos divorciados em segunda união. Kasper atuou como um verdadeiro boi de piranha, atraindo para si as críticas e mostrando para Francisco quem eram os críticos.

Vários cardeais se levantaram contra o "teorema Kasper". Artigos em jornais e revistas foram publicados, livros escritos.  Cardeais conservadores expressavam seu desprazer com a ideia, amplamente divulgada, que a Igreja modificaria sua doutrina.

Francisco então tentou organizar o Sínodo de forma a neutralizar opositores, dispondo peões como num elaborado jogo de xadrez. Entra em cena o segundo "boi de piranha" do Papa, o cardeal Baldisseri. Como secretário do Sínodo, junto com o arcebispo progressista Bruno Forte, Baldisseri cria um ambiente de completa censura aos dissidentes, ocultando pronunciamentos, manipulando a tribuna e entregando um "relatio" completamente inédito. A revolta dos padres sinodais, sobretudo os da África e Ásia, foi evidente e permitiu que a crise se tornasse pública. Vários jornais falaram numa derrota de Francisco e deram espaço ao questionamento das até então incríveis capacidades gerenciais do papa jesuíta.

No discurso de encerramento do Sínodo, Francisco, o "Papa-Sol", lembrou a todos os presentes que, neste pontificado, "A Igreja sou eu". Citou de forma clara o cânone 749 no qual se afirma que o Papa é "Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis" e goza "da potestade ordinária, que é suprema, plena, imediata e universal na Igreja" (cf. cânn. 331-334). Para bom entendedor, meia palavra basta, e o recado foi dado!

A Defenestração de Burke

Um líder da oposição dentro do Sínodo, embora rejeite categoricamente este rótulo, o cardeal americano Raymond Burke, então prefeito da Signatura Apostólica, foi a primeira vítima dos ajustes do pós-sínodo.

O tema do sínodo era (é) a família e questões de ordem canônica foram (serão) discutidas. Mas o prefeito da mais alta côrte da Igreja, o chefe do Direito Canônico, só participou do Sínodo "ex-oficio", ou seja, uma participação automática. O cardeal Burke não foi convidado pessoalmente pelo Papa, nem mesmo ocupou alguma posição de liderança oficial na estrutura do Sínodo, como era de se esperar.

Burke foi nomeado ontem, depois de muita especulação, como Soberano da Ordem Militar de Malta, cargo honorífico e reservado aos cardeais aposentados. Burke, com 66 anos, está bem longe da aposentadoria.

Mas Francisco foi muito inteligente ao fazer o Sínodo para a Família em duas etapas. Burke, a grande figura conservadora, está fora da segunda assembleia do sínodo que se reunirá em outubro de 2015. Com absoluta certeza outros cardeais opositores estarão igualmente fora do embate final. Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Humilhação aos EUA

Com a saída de Burke a Cúria Romana perde o único prelado norte-americano num cargo de chefia. A Igreja dos EUA é poderosa e influente, sempre contando com algum bispo ou cardeal num alto posto da administração eclesial. Com Francisco isso parece não ser o caso.

Basta lembrar que no último consistório para a criação de novos cardeais, Francisco ignorou os EUA completamente. Pela primeira vez em mais de cem anos os EUA estavam fora do consistório.

Francisco também nomeou para Chicago, sede do arcebispo mais influente dos EUA e um nome profundamente ligado a João Paulo II e Bento XVI, Francis George, um prelado de segunda linha, sem expressão nacional, mas afinado com a "misericórdia" de Francisco e um "yes man".

A elevação de padres e bispos do segundo ou mesmo do terceiro escalão à posições proeminentes parece ser a marca deste pontificado. Começou na Cúria, com a nomeação relâmpago de Stella como substituto de Piacenza e agora se espalha para as dioceses do mundo. Talvez - e aqui é uma teoria pessoal - a elevação prelados medíocres em detrimento de outros mais bem preparados é uma estratégia de longo prazo para que as reformas bergoglianas passem com facilidade até as estruturas mais fundamentais da Igreja - as paróquias e capelas. Foi dessa forma que Bergoglio modelou a Igreja na Argentina, com bispos mal formados e pouco habituados à defesa da doutrina, e está ai o resultado...

O que sabemos, entretanto, é que João Paulo II e Bento XVI deixaram os EUA com bispos muito conservadores e, graças a Deus, jovens. As grandes lideranças dos EUA, na sua maioria, são relativamente jovens - Samuel Aquila (64), William E. Lori (63), José Gomez (62), Thomas Wenski (64), Alexander Sample (54), James Sartain (62), Salvatore J. Cordileone (58) e até mesmo o cardeal Dolan (64), embora este último esteja bem longe de ser um tradicionalista ou mesmo conservador, ele levantou duras objeções durante o Sínodo. Ou seja, será muito difícil para Francisco modificar muito rapidamente a linha conservadora dos EUA. É claro que o "Papa-sol" poderá criar uma infinidade de cargos honoríficos ou despachar uma dezena de "visitas fraternas" aos arcebispos americanos para, de forma arbitrária e humilhante, se livrar deles... afinal "A Igreja é Francisco".

Do ponto de vista meramente político, negligenciar a Igreja norte-americana é um erro estratégico grave que pode trazer ainda mais problemas ao Papa, ou mesmo a antecipação da sua renúncia.

E o que vem por ai...

É muito difícil e arriscado prever o futuro. Podemos traçar linhas conjecturais, podemos especular somente.

Esperamos para antes do próximo Sínodo uma reformulação mais acelerada na Cúria. Nomes de influência já se foram, com a remoção de Cañizares do Culto Divino e agora de Burke da Signatura Apostólica. Os únicos prelados "com luz própria" são Müller, da Doutrina da Fé, e Pell das Finanças Vaticanas. Ambos se colocaram como opositores da trinca Kasper-Baldisseri-Francisco no sínodo.

Faço apenas algumas especulações:

Maradiaga, o vice-papa, poderia ser nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Francisco precisa de um nome forte em Roma, porém inteiramente devotado ao projeto bergogliano, e na face desta Terra não há ninguém mais fiel ao processo revolucionário de Bergoglio que o cardeal arcebispo de Tegucigalpa Oscar Maradiaga.

Francisco precisa, ainda, lidar com a oposição na própria Itália. Para tanto, a substituição de Caffara (76), arcebispo de Bolonha e um dos autores do livro que criticava as propostas de Kasper, é importantíssima e estratégica. Recentemente Francisco fez algumas alterações na legislação da renúncia dos prelados com mais de 75 anos, obrigando-os a apresentar ao Papa sua demissão. É possível que Galantino, o bispo que não gosta que católicos rezem em clínicas de aborto, suba até o arcebispado de Bolonha.

Posso estar enganado, mas não acredito que Piero Marini será o próximo prefeito do Culto Divino. Seria um problema a mais na já conturbada agenda de Francisco e o ex-cerimoniário e ex-secretário de Annibale Bugnini já conta com 72 anos. É possível que um nome totalmente inesperado e mais jovem, alçado do segundo escalão, assuma a Congregação. Porém será um nome Bugniniano e crítico da missa antiga e do Motu Proprio. Disso não tenho dúvida!

Conclusão

O importante é que todos acordaram para este pontificado. Estão vendo um processo claro de desconstrução da Igreja através das mãos do Papa Francisco. Até mesmo jornais católicos, redes de TV católicas (nos EUA, é claro...) percebem que há algo errado com este pontificado.

Comparam Francisco ao Papa Paulo VI. Não acho a comparação justa.
O Papa Montini permitiu que seu pontificado fosse sequestrado por progressistas, sendo ele mesmo simpático a muitas, mas não todas, das suas ideias revolucionárias. Paulo VI pecou pela falta de decisão, por ser o "papa Hamletiano" e por confiar e dar poderes demais aos seus colaboradores. Francisco é justamente o oposto - todas as decisões partem dele e ele não confia em ninguém além de si mesmo. Francisco não tem colaboradores, tem executores.
Paulo VI foi o papa sem personalidade enquanto Francisco é o papa mais personalista que existe.
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