quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Nova Encíclica de Francisco segundo Cardeal Grech



(CNA/EWTN) - De acordo com um cardeal, uma nova encíclica que está sendo escrita pelo Papa Francisco ajudará a responder como viver um voto de pobreza no mundo moderno.

"Atualmente, definir a pobreza não é muito fácil porque não é uma questão de pobreza radical", afirmou o Cardeal Prosper Grech, um frade agostiniano. "Mas uma encíclica sobre a pobreza ajudará todas as ordens religiosas a definir como realmente viver a pobreza nas nossas sociedades".

Em maio um bispo italiano revelou no seu site diocese que o Santo Padre estaria trabalhando numa encíclica intitulada "Bem-aventurados os pobres". A primeira encíclica do papa, "Luz da Fé" (Lumen Fidei), foi publicada em julho e escrita sobre os textos do seu predecessor Bento XVI.

O Cardeal Grech, co-fundador do Institutum Patristicum Augustinianum em Roma, acredita que uma encíclica ajudaria a "definir a nossa postura sobre a pobreza."

A definição de pobreza é diferente dependendo de onde se vive, o frade de 87 anos explicou.

"A pobreza na África significa uma coisa e a pobreza nos Estados Unidos ou na Europa significa outra", disse ele. "É uma questão de proporção." Ele acrescentou que a falta de propriedade privada está entre as causas da pobreza.

Os leigos também se beneficiarão do documento, observou ele.
"Vivemos em uma sociedade secularizada", explicou. "Discotecas e clubes noturnos não são os melhores lugares para se obter vocações".

Em março, o cardeal Grech liderou a oração de mediação para o conclave que elegeu o cardeal Jorge Bergoglio como Papa Francisco.

Após sua eleição, o Papa disse, brincando, ao cardeal Francisco Grech, "Bem, você nos deu uma conferência muito boa, mas veja só o que saiu dela!".

"Bem, nós não somos todos infalíveis como você", respondeu o cardeal Grech. "Nós cometemos erros".

Antes de sua eleição para o papado, o cardeal Bergoglio era conhecido por seu estilo de vida simples e humilde, quando ele serviu como arcebispo do Rio de Janeiro(sic) [NdT, como todos sabem, Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires]. Ele iria tomar o transporte público, visitava favelas e morava em um apartamento muito simples.

Como Papa ele escolheu viver no apartamento Casa Santa Marta, entre funcionários do Vaticano, deixando o tradicional apartamento Papal.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Novo Superior Geral da Comunidade Serviteurs de Jésus et de Marie



(Giuseppe Nardi) Os Serviteurs de Jésus et de Marie - Servos de Jesus e Maria - possuem um novo Superior Geral. A comunidade religiosa tradicionalista francesa foi fundada em 1930 pelo padre Jean-Edouard Lamy (1853-1931). Em 1909 a Virgem Maria apareceu a Lamy e lhe pediu para que organizasse uma peregrinação à Notre-Dame des Boi próximo ao seu local de nascimento em Haute Mame. A Virgem lhe pediu também que estabelecesse uma ordem. Este último tornou-se possível pouco antes da morte de Lamy.

 O Capítulo Geral dos Serviteurs de Jésus et de Marie, que se reuniu na abadia de Ourscamp, escolheu o frei Laurent-Marie Picquet du Haut Jussé como novo Superior Geral. Frei  Laurent-Marie nasceu em 1968. Em 1998 foi ordenado sacerdote. Ele possui um doutorado em teologia obtido em Roma e é licenciado em direito canônico. Ele leciona teologia e direito canônico em várias casas de formação para sacerdotes, incluindo o seminário da diocese de Frejus-Toulon, do bispo Dominique Rey. O religioso é ainda capelão militar e juiz num tribunal da arquidiocese de Paris.

Em 2012 ele publicou uma introdução histórica, doutrinal e espiritual sobre a forma extraordinária do rito romano. O novo superior celebra regularmente no rito tradicional.

A comunidade dos Serviteurs de Jésus et de Marie possui apostolado na França e na Argentina, focando sobretudo o apostolado com os jovens. A ordem teve um começo tímido, mas sob a liderança de Fr. Thierry de Roucy, superior geral de 1988 a 2001, experimentou um crescimento no número de vocações e hoje conta com 30 membros, além de um ramo feminino criado recentemente. A comunidade tem sua sede principal na antiga abadia de Ourscamp, criada em 1129 por São Bernardo de Claraval e nos seus dias de glória contava com mais de 500 monges. Após a revolução francesa a abadia foi tomada pelo estado francês e transformada em residência para o governo revolucionário e posteriormente numa fábrica que foi ocupada pelos alemães durante a II Guerra e, finalmente, bombardeada pelos aliados. Em 1940 ela foi dada aos freis Serviteurs de Jésus et de Marie que a restauraram.

***
A comunidade reúne tudo o que não está muito na moda atualmente - vocações em crescimento, vida de oração, monges de hábito e disciplina. Resta saber se a proximidade do novo superior geral com o rito tradicional poderá, em breve, ser motivo de intervenção da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, liderada pelo reacionário cardeal Braz de Aviz.


Jesus e Buda em Mangá

Antes de qualquer coisa, eu repasso apenas a entrada abaixo como fato curioso. Só isso. Não tenho nenhuma opinião sobre o assunto, nem farei considerações aqui (por enquanto). Entretanto, o que você acha?




Saint Oniisan – Buda e Jesus no Japão


(Anfreak.com) Vocês já pensaram como Jesus viveria nos tempos atuais? E a relação entre Ele e Buda? Pensamentos como esse geraram uma serialização do mangá de Hikaru Nakamura, mesmo criador de Arakawa Under Bridge, de nome ‘Sei Oniisan’.

Sei Oniisan é um mangá no estilo slice-of-life ou divine-life, conta o dia-a-dia de Jesus e Buda na tentativa de experimentar o mundo moderno, neste caso, o Japão. O mangá coloca uma visão engraçada da religião, atitudes, cultura e costumes no Japão através dos olhos de Jesus e Buda.

Ao longo do manda acompanhamos o dia-a-dia de Jesus e Buda dividindo um apartamento em Tóquio, experimentando banhos públicos, parques temáticos, e inclusive a internet. Também temos uma breve explicação da natureza divina do personagens, só para poder comprar com a sua insignificância na sociedade japonesa moderna.

As pessoas com quem eles se socializam, antem de reconhecer quem eles realmente são pensam neles como alguém que se parece com o Johnny Depp e um cara com um botão em sua testa.





 É um mangá bem-humorado sobre a vida cotidiana de Jesus e de Buda, com cada capítulo dedicado a algum elemento da vida moderna, como a Disneylândia, a hora do rush no trem, Natal, a piscina pública, carnavais e muito mais.

O mangá está em publicação desde 2007 e conta com 8 volumes publicados, é publicado pela Kodansha e é classificado como Seinen. A série ganhou um filme que foi lançado no Japão em 10 de maio de 2013 pelo estúdio A-1 Pictures, além do filme o mangá já possui 2 OVAS.


Na camiseta está escrito:
Filho do Carpinteiro
Jesus Cristo – É retratado como um “sei-jin” (homem santo) despreocupado, generoso e bem-humorado. Ele, diferente de Buda que é muito severo na relação entre ele e seus seguidores, é bem amigável aos seus apóstolos, incluindo Judas, o que de certa forma, irrita Buda. Os habitantes do Paraíso são super-protetores com Jesus e às vezes interferem nas situações quando ouvem o choro de Jesus, mesmo se for apenas por causa de uma roda-gigante.

Como uma figura divina, a cabeça de Jesus brilha com uma auréola quando ele faz ou diz algo virtuoso. Quando as emoções de Cristo estão em picos (geralmente quando ele acha algo engraçado ou se assusta), milagres acontecem inesperadamente. Na série, Jesus é um verdadeiro devoto de novelas e programas de drama e faz análises deles no seu blog.







Buda Gautam – Buda é um “sei-jin” calmo, racional e gentil, mas tem problemas quando é preciso gastar dinheiro. Quando as coisas apertam, Jesus sempre “salva” a situação com sua simplicidade, mas quando a natureza despreocupada de Jesus o impulsiona a comprar, isso realmente irrita Buda. Quando ele se irrita por causa das palhaçadas de Jesus, sua auréola começa a brilhar cada vez mais até que ele se acalme ou que alguém peça desculpas. Desde que Buda conheceu Ozamu Tezuka em uma lanchonete, ele se tornou seguidor de suas obras, principalmente a que fala sobre ele.

Infelizmente não é fácil encontrar nem os ovas nem o filme e nem o manga em português com muita facilidade, alguns lugar até possuem uma tradução porém não é totalmente fiel nem comprometida com a sequencia. Em breve quem sabe algum fansub não traduza o filme também, fiquemos no aguardo até la. Mas para quem também lê mangas em inglês é facilmente achado na internet.

domingo, 1 de setembro de 2013

Fundação para Manter Vivo o Espírito do Cardeal Martini

Cardeal Martini, homem de discernimento e de paz: Papa Francisco recebendo Provincial dos Jesuítas italianos e responsáveis da Fundação agora criada


(Rádio Vaticano) A 31 de agosto de 2012, faz precisamente hoje um ano, falecia numa casa dos jesuítas, nos arredores de Milão, o cardeal Carlo Maria Martini. Recebendo ondem, sexta-feira, na Casa de Santa Marta, o Provincial na Itália da Companhia de Jesus, Padre Carlo Casalone, o Papa Francisco sublinhou que "recordar o Cardeal Martini é um ato de justiça". O Superior dos Jesuítas Italianos encontrava-se acompanhado dos animadores e dos membros da "Fundação Carlo Maria Martini", agora criada. A Fundação é uma iniciativa da Província da Itália da Companhia de Jesus, em colaboração com a Arquidiocese de Milão, e visa recordar o Cardeal Martini "promovendo o conhecimento e o estudo de sua vida e obras, e manter vivo o espírito que animou o seu empenho, favorecendo a experiência da Palavra de Deus no contexto da cultura contemporânea", com uma particular atenção ao "diálogo ecumênico, inter-religioso, com a sociedade civil e com os não-crentes, junto ao aprofundamento da indissolúvel relação entre fé, justiça e cultura".

Para além disso, a Fundação quer promover "o estudo da Sagrada Escritura numa abordagem que contempla também outras disciplinas, entre as quais a espiritualidade e as ciências sociais", colaborar com projetos formativos e pastorais que valorizem a pedagogia inaciana, sobretudo dirigida aos jovens", bem como "apoiar o aprofundamento do significado e a difusão da prática dos Exercícios Espirituais".

Presente também no encontro com o Papa o nosso diretor e diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi. Rádio Vaticano entrevistou-o:

P. Lombardi:- "O encontro foi breve, informal, mas significativo, naturalmente, porque era preciso que o Papa fosse a primeira pessoa informada diretamente sobre o nascimento desta Fundação e sobre as suas finalidades. O provincial, Padre Casalone, fez uma bonita introdução explicando a natureza e a finalidade da Fundação e o Papa respondeu, como lhe é habitual, de modo muito espontâneo e direto, com algumas recordações acerca do Cardeal Martini. Em particular, recordou o seu papel fundamental por ocasião de uma famosa Congregação Geral dos Jesuítas – a 32ª, em 1974 – que discutiu, de modo muito intenso e acalorado, a questão da relação entre fé e justiça. O Papa recordou esta grande contribuição de Martini, tanto como serviço à Companhia de Jesus e à sua unidade ao aprofundar um tema fundamental, quanto também para a boa relação e compreensão entre a Companhia de Jesus e a Santa Sé – naquele tempo tínhamos o Papa Paulo VI, que com os seus colaboradores acompanhava com muita atenção e participação também a vida da Companhia de Jesus e os seus problemas. O Cardeal Martini teve um papel determinante."

RV: Que palavras reservou o Papa Francisco ao Cardeal Martini, a um ano do seu falecimento?

Padre Lombardi:- "O Papa Francisco qualificou o Padre Martini como um homem de discernimento e de paz, um profeta e homem de paz; como aquele que ajudou muito a entender a relação fé-justiça. O Papa encorajou, naturalmente, a Fundação na sua atividade, referindo o dever dos filhos de recordar os pais: aí estamos na ordem espiritual e eclesial, mas qualificou Martini como um “pai” na Igreja, pai para a sua diocese, pai para inúmeras pessoas. Recordou que também "nós, no fim do mundo – disse –, recebemos dele uma grande contribuição pelo conhecimento bíblico, mas também justamente pela espiritualidade e vida de fé, alimentada pela Palavra de Deus". Portanto, a Fundação lança as suas primeiras iniciativas, dá os primeiros passos com a bênção e o encorajamento do Papa Francisco: isso era muito significativo para nós."

RV: Portanto, um encontro importante...

Padre Lombardi:- "Era importante porque justamente no aniversário da morte do Cardeal Martini é instituída essa Fundação. Participam dela os Jesuítas italianos que são os detentores, por vontade do Cardeal Martini, de seu arquivo pessoal, de seus escritos, enquanto os livros da sua biblioteca ficaram para a Arquidiocese de Milão. Para manter viva essa herança tão importante, ela passa a ser administrada e valorizada por essa Fundação da qual participam os Jesuítas italianos, juntamente com representantes da família Martini e da arquidiocese de Milão. Portanto, é uma iniciativa que traz em si a responsabilidade dos principais elementos ligados à vida e à herança de Martini." 

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Martini sempre foi visto como o grande pilar do progressismo episcopal. Era o homem da esquerda, icônico.
Funcionou como um prolongamento natural do pontificado de Paulo VI na era joãopaulina, tornando-se crítico do governo da Igreja em diversos pontos, sobretudo quando Ratzinger ascendeu ao trono de Pedro.
Ao final da vida, já adoentado e afastado, atentou para uma última jogada - uma entrevista póstuma que deixou preparada. Contando em gozar da indulgência devida aos moribundos e, principalmente, à memória dos mortos, Martini resolveu que as suas críticas deveriam ser sintetizadas com ele já no túmulo. Atacou tudo, a moral, os dogmas, a administração.

A morte do Cardeal Martini, o jesuíta Cardeal-Arcebispo emérito de Milão, é ocasião para a imprensa de lembrar daquele que poderia ter sido o grande opositor ao Cardeal Ratzinger no conclave, se não tivesse sido revelada anteriormente sua doença – o Mal de Parkinson, que o matou, sete anos depois. Sua primeira medida como Papa, conforme se anunciara na época, teria sido a mudança da Santa Sé de Roma para Jerusalém…
Pois o Cardeal Martini, uma das últimas flores do modernismo teológico, deixou um veneno na cauda. Nessa entrevista póstuma, a ser publicada após a notícia de sua morte ter chamado a atenção da mídia, ele louva os santos da Teologia da Libertação, ataca a estrutura e a moral da Igreja, as leis e o direito canônico, defende a comunhão dos divorciados… e prega uma espécie de “refundação”, a partir da escolha de “doze pessoas incomuns” para os postos de direção da Igreja.
O cansaço e o esvaziamento da Igreja que ele aponta existem sim, mas foram causados pela “espírito” do Vaticano II que ele tenta relançar agora. E brasas escondidas sob as cinzas, ardendo no amor de Deus, vão sendo recuperadas pela volta à sã doutrina e à tradição litúrgica da Igreja, promovida pelo Papa Bento XVI. (Cf. Lucia Zucchi, comentário 03/09/12)
Como os progressistas não deixam sementes - 0 vocações - eles precisam atacar lá do além. 
Que o Cardeal descanse em paz, na misericórdia do Senhor, mas que seu exemplo seja para todo o sempre visto de forma muito crítica! Afinal, não é isso que importa, criticar?


sábado, 31 de agosto de 2013

Mais bispos para a FSSPX em breve, segundo Cardeal Koch



Cardeal Koch: Decisão da FSSPX em consagrar novos bispos virá "em breve"

(de uma entrevista no jornal Nachrichten / do inglês de Rorate Caeli / Tradução Blogonicvs)

 A primeira parte da entrevista, na qual a passagem abaixo está situada, lida com ecumenismo. Primeiro há questões sobre o diálogo com protestantes, e também questões sobre tendências progressistas e conservadoras dentro da Igreja e se um ecumenismo "intra-eclesial" é necessário. Então o entrevistador questiona o cardeal:

Mas isso [ecumenismo "intra-eclesial"] não se dá de forma desigual? Roma conversa com a ultra-conservadora e difícil Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Não há um diálogo parecido com os progressistas.
Cardeal Koch: Há uma diferença fundamental: De um lado há movimentos e iniciativas, do outro há a Fraternidade, que possui estruturas eclesiais claras. A Fraternidade enfrenta a difícil decisão de, em breve, consagrar novos bispos [sem o mandato de Roma, como observa o autor do artigo]. Se isso acontecer, o fim de qualquer forma de diálogo chegará. É por isso que foi uma preocupação de Bento XVI prevenir um cisma. Na sua opinião [de Bento XVI] a Igreja não fez, no passado, tudo o que poderia para prevenir cismas. Essa é uma situação completamente diferente daquela dos movimentos de reforma. Não é preciso dizer que deve haver diálogo com eles também".

***
Não é preciso ir muito longe nas considerações para ver que o que se deseja, de fato, não é o triunfo ou, como diriam alguns, a restauração da tradição. Não. É preciso, sob certas condições previamente acertadas, abrir espaço para que a tradição ou algo parecido com ela coexista pacificamente com a modernidade.

Uma síntese, como deixou claro o Papa Francisco ao falar sobre seu cerimoniário, afirmando que a sua formação litúrgica "emancipada" deveria coexistir com o espírito mais tradicional do padre. Guido Marini e Francisco são, mais por exigência deste último que por vontade do primeiro, um projeto de igreja que busca conciliar duas forças antagônicas dentro de si. De um lado a formação "emancipada", ou seja, a novidade, a informalidade, a dubiedade no discurso que pede revolução e não-condenação e, do outro, uma clareza e objetividade que se realiza na máxima "sim, sim, não, não".

A FSSPX deve existir dentro de Roma se, e somente se, concordar em viver uma tradição subordinada à modernidade. Isso criaria situações muito interessantes, por exemplo, em encontros ecumênicos que a FSSPX seria forçada a não criticar.

Em contrapartida a FSSPX ganharia apenas uma liberdade operacional prática - celebraria missas tridentinas, teria paróquias tridentinas e nada mais.
Eventualmente, e não é preciso ser muito esperto para deduzir, a FSSPX sofreria uma "fagocitose teológica".

Alguns pensam que essas duas forças (tradição e modernidade) que estão dentro da Igreja, como dá a entender a entrevista, possuem o mesmo peso ou força bélica. Não é verdade e para isso basta ver a guinada que houve com a eleição de Francisco. Em apenas 5 meses quase 8 anos de pontificado de Bento XVI já foram apagados ou, o que é pior, censurados.

Os progressistas não dormem de touca. Não possuem "estruturas eclesiais claras" porque não precisam delas. Pelo contrário, eles precisam única e exclusivamente da liberdade que a informalidade lhes garante. Eles penetraram todos os círculos da existência eclesial e, tal como o terrorismo, é muito difícil combater um inimigo sem rosto claro.

O Papa que se curva



(Tom Kington, The Daily Telegraph) Como chefe de Estado no Vaticano, para não mencionar líder de 1.2 bilhão de católicos do mundo, o protocolo requer que os visitantes se curvem ao encontrá-lo na Santa Sé.

Mas Francisco, que fez do esquecimento das formalidades uma marca registrada do seu papado, curvou-se quando encontrou a sorridente Rania enquanto ela visitava o Vaticano com seu marido, o Rei Abdullah II nesta quinta-feira (29/08).

"Até o século XIX os visitantes beijaram os sapatos do Papa, e a tradição ainda hoje pede que todos os visitantes, mulheres incluídas, se curvem, mas Francisco se comporta como se comportava antes de se tornar Papa e não está interessado em protocolo", informou um oficial do Vaticano ao The Daily Telegraph.

Quando Cristina Kirchner, a presidente da Argentina, se encontrou com ele em Março, um dia após a sua inauguração, ele a beijou depois de ser presentado por ela com uma cuia para o chimarrão (mate), um chá tradicional da Argentina.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Foto do Dia - Reforma da Reforma


A foto acima é uma missa de palhaços (Clown Mass) celebrada (sic) na Itália. Para quem pensa que casula romana irá salvar a liturgia da Igreja... Rendas, brocados e objetos ricamente trabalhados não podem criar aquela atmosfera de transcendência que é natural do autêntico espírito católico. A reforma da reforma acontece de dentro para fora.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Justiça suspende funcionamento do Centro de Difusão do Comunismo da UFOP

Notícia publicada no site www.em.com.br, em 17 de agosto de 2013.

O juiz da 5ª Vara da Justiça Federal do Maranhão, José Carlos do Vale Madeira, suspendeu ontem, liminarmente, o funcionamento do Centro de Difusão do Comunismo (CDC), da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), até o julgamento final de ação popular apresentada pelo advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho em agosto. De acordo com o juiz, a administração “não pode disponibilizar bens públicos para a difusão de doutrinas político-partidárias por mais relevantes que sejam historicamente”.

Com a concessão da tutela antecipada, a Ufop fica impedida de dar prosseguimento “à execução de toda e qualquer decisão ou ato administrativo tendente a dar seguimento às atividades do Centro de Difusão do Comunismo, como, e não exclusivamente, a contratação de professores, a concessão do bolsas de estudos, disponibilização de dependências, compra de material e insumos e divulgação institucional de objetivos e atividades do programa”. E não fica só nisso. A universidade está proibida ainda de fazer qualquer pagamento em relação à atividade, como funcionários e professores, e terá que dar publicidade à decisão judicial.

Na ação popular, o advogado Pinto de Carvalho alega que o programa, sob o pretexto da autonomia universitária, fere os princípios da moralidade e da legalidade da administração pública, prevista na Constituição, ao usar recursos públicos para divulgar ideologia político-partidária. Mesmo depois de ouvir a universidade, o juiz acatou a alegação do advogado, ao admitir que o programa prioriza uma ideologia, que ofende o pluralismo político, previsto constitucionalmente.

“Não bastasse a justificativa e os fundamentos do Centro de Difusão do Comunismo, o símbolo usado pela Universidade Federal de Outro Preto para divulgá-lo é precisamente aquele, universalmente, associados aos partidos comunistas, ou seja, uma foice e um martelo; este símbolo, com pequenas variações, usados pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Comunista Brasileiro (PCB)”, disse Vale Madeira. Nas informações, requisitadas pela Justiça, a Ufop disse que seu programa é ligado à Pro-Reitoria de Extensão e tem como objetivo “lutar por sua sociedade além do capital”.

MULTA

Na decisão, o juiz Vale Madeira poupou a Ufop apenas do pagamento de multa, em caso de descumprimento da determinação. Ele afirmou que isso se deve à ausência de antecedente de não atendimento à ordem judicial. A Ufop reagiu ao tomar conhecimento da decisão, publicada anteontem. Por meio de nota, esclareceu que o Centro de Difusão do Comunismo não é “um programa acadêmico com objetivos político-partidários, e sim, trata-se de extensão, vinculado ao Curso de Serviço Social, para organizar e articular quatro ações de extensão (dois cursos e dois projetos) e oferecê-las de forma gratuita a toda a comunidade, que se insere no programa por livre escolha”.

Para a Ufop, a autonomia universitária “foi ferida de morte” com a decisão judicial, além do que, as instâncias que aprovaram e acompanharam o programa, criado em 2012, foram “completamente ignoradas e achincalhadas”. A nota acrescenta que “o pluralismo de idéias próprio a uma instituição federal de ensino público foi jogado no lixo e, pasmem, utilizado contra o programa, acusado de cercear o debate”. A instituição lembrou ainda que “inúmeros alunos bolsistas envolvidos no programa com ações de ensino, pesquisa e extensão ficarão sem receber suas bolsas, o que compromete a sua permanência na universidade”. A Ufop aguarda notificação da Justiça para decidir se recorrerá da decisão.

Figura carimbada

A ação popular movida pelo advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho é a terceira que ele propõe contra a União, em apenas dois meses. Na primeira delas, ele questionou editais do Ministério da Cultura que previam a participação exclusiva de negros em projetos nas áreas de cinema, literatura e pesquisa. A alegação era que as exigências tinham cunho racista por excluir outras etnias. A ação foi julgada procedente pela 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, a mesma que julga a ação contra o CDC. O segundo processo foi contra estatal do setor de energia. Pedro Leonel conseguiu na Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca de São Luís impedir que a empresa pague pela compra de uma usina nos Estados Unidos. O advogado afirma já contabilizar mais de 300 ações contra o governo federal. “O que me move é o exercício da cidadania”, argumenta.

Fonte: Escola Sem Partido

domingo, 25 de agosto de 2013

Críticas ao Papa Bergoglio

Cinco meses após a eleição de Jorge Mario Bergoglio como sucessor de Bento XVI, todo católico pode perceber a sensível mudança de humor da mídia e da opinião pública – esta última moldada pela primeira – em relação ao papado.

Com Bento XVI a mídia se animava com qualquer sinal de “sangue”. Casos de pedofilia, escândalos financeiros do IOR, documentos confidenciais vazando, etc. Tudo isso desapareceu dos jornais e noticiários como por mágica. O que importa agora, segundo os periodistas, é acompanhar o cotidiano do papa do povo, é vê-lo sair aos jardins do Vaticano conferindo se os padres e bispos estão usando um fusca ou um Lamborghini, fotografá-lo a cumprimentar carpinteiros e empregados, beijando crianças, almoçando com o povo... e poderíamos listar até o infinito.

E não podemos esquecer que Bergoglio é, no final das contas, um argentino e está sujeito aos acessos de peronismo como toda figura pública do país vizinho.

Francisco impôs ao seu pontificado um estilo populista. Mesmo os mais indulgentes – conservadores – não poderão negar que algumas atitudes do novo papa vão nessa direção. Isso não é necessariamente ruim ou prejudicial à Igreja quando estamos em condições normais. O grande problema é que não estamos nessas condições.

Criou-se um grande contraste entre este pontificado e os dois últimos, sobretudo o do ainda vivo Papa (Emérito) Bento XVI. Francisco é caridoso, amável, quer uma igreja misericordiosa e representa em si mesmo o acolhimento. Bento XVI era inflexível, impiedoso, rigoroso, queria uma igreja fechada em si mesma. Francisco representa a Igreja das “catacumbas”, Bento XVI era o triunfalismo do século XIX e por aí vai.

Este contraste criado torna cada ação de Francisco, por mais bem intencionada que seja, um ataque a Bento XVI. Desde o início do seu pontificado Francisco vem “atacando” sistematicamente seu predecessor, seja na escolha de sapatos pretos, em oposição aos sapatos vermelhos do papa alemão, até o carro popular preso no trânsito carioca durante a JMJ contrastando com o desumano papamóvel usado por Ratzinger.

A mídia e uma parcela significativa dos bispos estão ajudando na cristalização desse contraste entre os dois papas. Eles querem deixar claro que, agora com Francisco, a Igreja finalmente abre os olhos. Para eles, Francisco é a ruptura em todos os sentidos – na práxis, na vida cotidiana, na sua origem, na sua abordagem litúrgica. É o papa do concílio que foi enviado para ligar a Igreja de hoje à Igreja de Paulo VI e João XXIII.

Mas nem tudo são flores.

O movimento restauracionista, encabeçado pelos prelados reacionários e ultrapassados da década de 1960 e 1970, parece não contar com a resistência dos bispos avant-garde.

Em duas entrevistas concedidas recentemente já se ouvem as vozes descontentes com Francisco. E não são as vozes irritantes e pequenas dos tradicionalistas, que podem ser solapadas com o rigorismo da lei canônica ou pelo subterfúgio da obediência impostos exclusivamente a eles. São vozes de peso na vida da Igreja.

Um Papa sem habilidades de gestão


Nós também queríamos alguém com boas habilidades de gestão e liderança, e até agora pouco foi visto neste ponto

As palavras acima são do cardeal arcebispo de Nova York, Timothy Dolan. Ele critica Francisco especialmente na demora na reforma da Cúria, de forma especial na substituição do secretário de estado que espera que aconteça, pelo menos, até o final de setembro.

Entre outros motivos, Francisco foi eleito para reformar a Cúria. Não uma reforma qualquer, mas uma reforma que, pelo que lemos até agora desde o início de abril, visa dar mais poder às conferências de bispos nacionais em detrimento do aparelho de governo pontifício. Isso se evidencia de forma especial nas palavras do próprio Francisco na solenidade de São Pedro e São Paulo:

"Confirmar na unidade: o Sínodo dos Bispos, em harmonia com o primado. Devemos andar por esse caminho da sinodalidade, crescer em harmonia com o serviço do primado". (…)  "O Pálio, se é sinal da comunhão com o Bispo de Roma, com a Igreja universal, com o Sínodo dos Bispos, é também um compromisso para cada um de vocês a serem instrumentos de comunhão".

Para Francisco o Papado é tratado como um dos instrumentos de comunhão ao lado do Sínodo dos Bispos; ambos devem “crescer em harmonia”. Algo análogo ao anglicanismo, onde o arcebispo da Cantuária é um dos vários instrumentos de comunhão, e à ortodoxia oriental que tem no patriarca de Constantinopla um “instrumento” de comunhão entre as várias igrejas nacionais. O grande problema desse pensamento é que um “instrumento de comunhão” é sempre algo simbólico e amórfico, diferente do papado que é um primado concreto de jurisdição universal.

Se para Dolan a demora de Francisco em reformar a cúria é o principal motivo para decepção, para Charles Chaput, arcebispo da Filadélfia, é a popularidade de Francisco e seu namoro com a mídia que despertam preocupações.

Numa entrevista a John L. Allen Jr.,
do periódico progressista americano National Catholic Reporter, o arcebispo Chaput afirma que os católicos conservadores e tradicionalistas “não ficaram muito felizes com a eleição de Francisco”.

Chaput é um dos bispos mais importantes da Igreja americana e será feito cardeal em breve, pois seu antecessor é ninguém menos que o Cardeal Rigali. Ele é ligado aos católicos “da direita”, isto é, aqueles que acreditam – pasmem! - que a doutrina católica deve ser seguida por todos os católicos sem negociações ou atenuações.

John L. Allen JR – Você acha que haverá um momento de acerto de contas depois que a lua de mel [entre Francisco e opinião pública] acabar?
Chaput - Vamos ver o que acontece. O papa pode ter uma forma de gerir tudo isso que será extraordinária, eu não sei. Eu acho que, em virtude de seu cargo, ele vai ser obrigado a tomar decisões que não serão agradáveis a todos.
Isso já acontece com a ala direita da igreja. Eles, no geral, não ficaram muito felizes com a sua eleição, a partir do que eu tenho sido capaz de ler e de entender. Ele vai ter que cuidar deles também, por isso vai ser interessante ver como tudo isso funciona a longo prazo.
John L Allen Jr – Alguns podem ler suas [de Francisco] observações aos bispos italianos significando que ele deixará os bispos locais lidarem com esses assuntos [aborto, casamento gay, eutanásia] em vez de fazê-lo ele mesmo. É essa a sua interpretação?
Chaput- Acho que o que ele disse aos bispos italianos é que ele não vai se envolver em questões políticas. Para mim, questões como o aborto e o significado do casamento não são questões políticas, elas são questões doutrinais e de moral. Todos nós, como bispos, incluindo o bispo de Roma, temos que falar sobre essas coisas. Seria muito estranho pensar que você possa fazer essa separação. Isso geralmente vem de quem quer dizer que essas duas questões são políticas, o que muitas vezes é o que acontece nos Estados Unidos. Nos dizem para mantermos o nosso nariz fora da política quando na verdade o nosso nariz está na moral.

Conclusão

Vemos que há sim bispos que ousam questionar, mesmo nesses poucos dias de pontificado, certas posturas ou, pelo menos, buscam esclarecer posições ambíguas.

O pontificado de Francisco se assemelha muito ao de Paulo VI. À época de Montini a ambiguidade no discurso e na ação era a regra. João Paulo II levou quase trinta anos para colocar um freio no episcopado rebelde e progressista, mas não podemos dizer que essa tarefa desempenhada pelo papa polonês foi plenamente bem sucedida. Exemplares fossilizados da época montiniana sobreviveram ao cataclismo joãopaulino e ainda hoje assombram as dioceses.

Francisco representa, para esses mastodontes mitrados, uma última oportunidade.

Dolan afirma que Francisco é composto do coração de João Paulo II e da mente de Bento XVI. Pessoalmente eu não ousaria ir tão longe, mas se essa imagem se concretizar, ainda que vagamente, creio que será um bem para a Igreja.

O que eu tenho visto até agora é confusão e desorientação. Precisamente nesse contexto nasceram grandes figuras do progressismo católico recente. Não podemos correr esse risco novamente.

Francisco quer uma Igreja que vá para as ruas e eu concordo plenamente. É um desafio! Sair da zona e conforto e ir ao encontro do desconhecido, num verdadeiro espírito missionário. Penso que é um excelente plano para a “direita” católica.

Precisamos ir às ruas antes que elas sejam tomadas pelos unidos e organizados “padres de passeata”, pelos “missionários sociais” e pelas “comunidades de base”. Eles tem apenas a vantagem da união e organização que faltam aos católicos “da direita”.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Amor à Vida é Cultura da Morte em Rede Nacional

Ontem (22/08) a rede Globo exibiu uma das mais grotescas e ultrajantes cenas de novela que tive o desprazer de assistir.
Por puro acaso (ou não), já que não gosto de novelas (sim, que fique bem claro), ao zapear pelos canais me deparei exatamente com a cena da novela "Amor à Vida", vídeo abaixo, exibida em horário nobre. Não sei qual é o tema da novela, mas amor à vida com certeza não é.
O que vi foi suficiente para excluir a poderosa Vênus platinada da lista de canais.
Abaixo transcrevo um texto excelente que colocará o leitor por dentro da artimanha global para aplainar o caminho do aborto em massa e remover da mentalidade brasileira, num empenho de verdadeira engenharia social, os valores conservadores.

Novela Amor à Vida faz apologia da Morte



Por Klauber Cristofen Pires [blog Libertatum]

Mais uma vez, a Rede Globo insere uma cena eivada de ideologia chapa-branca para promover o abortismo, mediante o uso das mais deslavadas mentiras.

Ontem, por sorte (ou seria azar?), assisti à novela da Rede Globo intitulada “Amor à Vida”, exatamente no momento em que se desenrolou uma cena[i] na qual uma paciente com sangramento decorrente da realização de um aborto ilegal chega ao hospital e acaba morrendo, presumivelmente porque um dos médicos se recusou a atendê-la, alegando motivos religiosos.

O desdobrar do quadro termina com um diálogo travado entre uma enfermeira e um médico. Ela se mostra enfezadamente indignada, alegando haver uma lei injusta ao permitir que mulheres ricas possam fazer abortos com segurança (porque podem pagar), enquanto as pobres se sujeitam a práticas inseguras. Ele, por sua vez, alega ser o maior caso de mortes entre mulheres e que já se tornou um caso de saúde pública.

Acompanhem a transcrição das falas abaixo:

(Cena: a paciente chega numa maca)
Dr. Lutero (Ary Fontoura): - Depressa, ela está sangrando muito...
Uma das enfermeiras: - Ela provocou um aborto!
Dr. Pérsio (Mouhamed Harfouch): - Ela provocou o quê? Não..eu não posso! Eu não posso atender esta mulher!
(Cena: O Dr. Pérsio se detém e a equipe entra na sala de cirurgia sem ele. As enfermeiras tentam reanimar a paciente com aplicação de adrenalina, tendo o Dr. Lutero ao fundo assistindo quieto. A paciente morre.)
Enfermeira Rebeca (Paula Braun):  - Nós perdemos a paciente, Doutor.
Dr. Lutero (Ary Fontoura): - Ela fez um aborto ilegal e..muito mal feito...é uma tristeza isso...esta é uma das principais causas da morte de mulheres neste país...
Enfermeira Rebeca (Paula Braun): - Das mais pobres, né...porque as ricas procuram clínicas ilegais caríssimas e ninguém fica sabendo...como se existissem duas leis...uma pra rica e uma pra pobre.
Dr. Lutero (Ary Fontoura): - Infelizmente, o aborto ilegal se tornou um caso de saúde pública.
Enfermeira Rebeca (Paula Braun): - O que aconteceu com o Pérsio? Por quê ele se recusou a atender esta mulher?
Dr. Lutero (Ary Fontoura): - Vamos falar com ele.
Dr. Pérsio (Mouhamed Harfouch): - Eu me recuso a atender uma paciente, uma mulher que atentou contra a vida do próprio bebê; isto é contra as leis divinas...
Dr. Lutero (Ary Fontoura): - Eu não quero questionar a sua fé, mas só queria dizer que nós, médicos, temos a obrigação de atender qualquer pessoa...
Enfermeira Rebeca (Paula Braun): - Que talvez no caso dessa mulher seja fruto da miséria, da ignorância, ou de um homem que a abandonou...
Dr. Pérsio (Mouhamed Harfouch): - Não me importa! Eu me recuso a etender uma pecadora…
Dr. Lutero (Ary Fontoura): - E eu repito: nós, médicos, temos a obrigação de atender qualquer pessoa; por isso o Sr. Está fora do corpo de residentes deste hospital.
Dr. Pérsio (Mouhamed Harfouch): - O Sr. Não pode fazer isto comigo. O Sr não pode me expulsar deste hospital, minha mãe é irmã do Dr. César.
Dr. Lutero (Ary Fontoura): - Eu vou submeter o seu caso ao César...vamos ver de que lado ele fica..agora, posso lhe dizer que o César é um grande médico...ele jamais se negaria a tentar salvar uma vida...

A cena acima, puro clichê, segue ao pé da letra toda a cartilha abortista e petista, assentando-se nos velhos cacoetes e mentiras de sempre, como se já não tivessem sido refutadas há bastante tempo. Investe no poder de audiência da Rede Globo e na crença de que a repetição enesimal de uma série de mentiras se converta em verdade.

Por isto é que se faz necessária também a nossa manifestação de repúdio e nosso trabalho de desmistificação e desmascaramento. A ver...

Primeiramente, vamos à fala da enfermeira Rebeca: Será que um crime - um crime contra a vida - cometido por uma pessoa rica deve ser descriminalizado para que outras pessoas, pobres, possam praticá-lo com igualdade de oportunidades? Será que um ladrão pobre deveria ter direito a um reluzente fuzil AR-15 fornecido pelo estado para não se expor aos perigos de abordar suas vítimas com uma faca enferrujada?

Sobre o Dr. Lutero: nem de longe o aborto é uma das principais causas de mortes entre as mulheres. Isto é uma mentira sórdida. Notem o apelo “puro-sangue” petista: alegar que se trata de um problema de saúde pública. O jornalista Reinaldo Azevedo, em seu artigo[ii]sobre o mesmo assunto, deu-se ao trabalho de deduzir as estatísticas sobre os principais casos de morte entre mulheres, para demonstrar que mal chegam a 100 mortes por ano!

Causa-me pena como o Sr. Ary Fontoura, um ator consagrado, permita a si mesmo entregar-se ao vexame de forma tão ostensiva. Em um célebre vídeo contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, exibido há alguns meses atrás, em que tomou parte conjuntamente com outros palermas globais, com direito a uma peroração especial dirigida à presidente Dilma Roussef, este ilustre artista viu-se desmoralizado nacionalmente por estudantes bem mais jovens e apesar disso, com muito mais juízo na cabeça, que calmamente demonstraram quão falsas e mentirosas eram as alegações suas e de seu grupo.

Quanto ao Dr. Pérsio, aí temos uma espertíssima manobra de prestidigitação: notem atentamente como os autores trocam a objeção de assistência ao aborto (legal ou ilegal), o que é um direito garantido constitucionalmente, com a negação do atendimento médico a uma paciente que chega sangrando e estado de risco de morte no hospital, o que contraria o código de ética médica – e assombra os telespectadores, que acabam absorvendo uma coisa pela outra.

É de causar espécie valer-se do recurso da propaganda dissimulada (isto é, no caso em tela, nem tanto dissimulada assim...) em uma cena de uma obra de ficção para levantar tal bandeira ideológica, ainda mais recorrendo à mentira desabrida. Notem o caráter furtivo de tal expediente: faz-se a apologia escancarada do aborto, mas se alguém reclamar, a Rede Globo poderá alegar-se tratar de uma mera obra de ficção, e que aquelas falas seriam apenas o pensamento, vejam só, dos personagens!

Tomem por barato que o nome desta novela seja “Amor à Vida”! Percebam como o quanto mais estas novelas falam de amor e de vida, mais seus roteiros entulham-se com casos de traição e de lares destruídos, de propaganda gaysista, abortista, anti-cristã, e outras chapa-brancas. Imagino o sucesso que teria, só em função da novidade, da novela que enfim começasse a transmitir valores decentes e enlevados: confiança, lealdade, perseverança, trabalho...

Agora, o mais curioso na cena acima comentada foi que o Dr. Pérsio é, imaginem, muçulmano! Causou surpresa, no tanto que se sabe o quanto a esquerda brasileira é islamófila. Fogo amigo? Como absolutamente não dão ponto sem nó, fiquei a especular qual o objetivo disso: Seria evitar o confronto direto com os católicos e evangélicos e assim contornar o crescente movimento conservador do país?

O que os cristãos e demais homens e mulheres de bem, que já sabem que o movimento abortista é apenas pauta de uma agenda de engenharia social, podem fazer? Em primeiro lugar, expressar por quaisquer meios que possam o repúdio à Rede Globo, e em seguida, evitarem dar-lhe audiência, ou no limite, também evitarem adquirir os produtos dos patrocinadores daquela faixa horária. Isto tem sido feito nos Estados Unidos e tem gerado resultados notáveis. Vamos começar?


[i] http://tvg.globo.com/novelas/amor-a-vida/capitulo/2013/8/22/alejandra-ameaca-fazer-algo-contra-bruno-se-paulinha-nao-cooperar.html#Selecione a cena do dia 21/08/2013, cena 15/22.
[ii] http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/merchandising-pro-aborto-na-novela-paginas-da-vida-da-globo-mente-mistifica-doutrina-e-demoniza-a-religiao-e-um-atentado-ao-bom-senso-aos-fatos-e-a-educacao-dos-telespectadores/

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