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sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Patriarca Comunista e o Papa Socialista se encontrarão em...CUBA!


Desde que assumiu o trono de Pedro, em 2013, Jorge Mario Bergoglio vem mostrando que é muito mais afinado com o Socialismo do Século XXI (termo cunhado por Hugo Chavez para tentar ressuscitar o cadáver do comunismo no continente sul-americano) do que com a Doutrina Social da Igreja.

Seus gestos populistas, como o uso de carros 1.0 nas viagens, caminhar até o palácio apostólico ou carregar a sua própria pasta de trabalho, tudo devidamente registrado pela mídia, é claro, demonstram a influência do peronismo nas veias platinas do pontífice.

A sua participação nas negociações entre EUA e Cuba, no levantamento do embargo econômico imposto à ilha desde o meio do século passado, reconhecida e elogiada pelo próprio Barack Obama, foram essenciais para uma sobrevida do comunismo na ilha prisão.

E agora é em CUBA, sob as bênçãos dos irmãos Castro, que um encontro histórico acontecerá. Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill se encontrarão na ilha prisão para discutir diversos assuntos. A importância do encontro ecumênico é imensa, diria até que é equivalente ao encontro entre Athenagoras e Paulo VI.

A Igreja Ortodoxa Russa sempre foi uma pedra no sapato na reconciliação entre a Ortodoxia cismática e a Igreja Católica. Por décadas João Paulo II tentou se encontrar com Alexis II sem sucesso. O mesmo se deu no curto pontificado de Bento XVI.


Então o que mudou? Os ares mudaram, como diria Piero Marini, e agora se respira no Vaticano o mesmo odor sulfuroso do Kremlin. Os dois líderes falam a mesma língua e o diálogo pode acontecer sem problemas ou dificuldades.

Francisco adotou integralmente a agenda socialista, que muito agrada ao verdadeiro patriarca ortodoxo russo, Vladimir Putin. Lançou-se sem pudor contra o capitalismo global, adotando a mesma linguagem de políticos de esquerda como Barack Obama (que elogiou o papa argentino também por isso, chegando a citá-lo em vários discursos) e até mesmo o PT! Sua encíclica sobre a ecologia, que contém até mesmo erros graves, foi aplaudida pelas mesmas organizações que, sob o pretexto de preservar o ambiente, promovem o aborto em diversos países. Francisco é muito familiar com o conceito esquerdista de Pátria Grande. Em suma, Francisco é o Papa que os camaradas esperavam!

O encontro, como disse, acontecerá em Cuba. Nada mais simbólico!
Francisco já não está mais preocupado em disfarçar que seu pontificado se constitui na criação de uma anti-Igreja. Não é preciso. Se consolidou como um líder carismático, populista, adorado pela imprensa. É o bastante para por em marcha as suas profundas e permanentes reformas. A Igreja, depois de Francisco, dificilmente conseguirá olhar para o Céu, pois está com o nariz chafurdado na terra.


O que virá do encontro?
Segundo a mídia, os dois líderes comunistas cristãos falarão sobre a perseguição dos cristãos, as crise de refugiados na Europa e sobre a Ucrânia.

Em primeiro lugar é bom relembrar que Francisco, sempre muito falante, costuma fazer um silêncio vergonhoso sobre a perseguição dos cristãos no Oriente Médio e na África. Massacres diários acontecem nessas localidades e o Papa, que celebra sempre uma missa diária, resolve meditar sobre qualquer outro tema ordinário ou, o que se tornou sua especialidade, lança uma crítica contra os católicos fiéis ao magistério, impondo-lhes estigmas, apelidos jocosos ou conclamando aos demais católicos a não serem como eles, fariseus de coração duro e incapazes de se amar, etc.

A questão da Ucrânia me preocupa demasiado com Francisco como Papa. Sinto que, depois dos franciscanos da imaculada, dos bispos conservadores deposto em série e de todo o orbe tradicionalista, Francisco voltará seu punho "misericordioso" contra nossos irmãos católicos orientais ucranianos.

Os orientais ucranianos formam a maior comunidade católica não-latina do mundo e são, para a Rússia, um obstáculo para o controle do país, que é a conexão entre a Rússia e a Europa. De fato a Ucrânia sempre se viu esmagada pelo peso da Rússia e do Ocidente e os católicos desse país sempre penderam, é claro, para o lado ocidental da disputa.

Kirill, como Alexis II antes dele, tem um ódio visceral pela Igreja Grego-católica Ucraniana. Considera-os um cavalo de Troia do Vaticano em terras que, segundo eles, são exclusivamente russas. Não tenho dúvidas, portanto, que Francisco não irá titubear em desmantelar essa comunidade cristã tão fiel e vibrante para agradar ao patriarcado ortodoxo. Destruir qualquer vestígio de catolicismo é a especialidade de Francisco!

Acrescente-se a isso o fato do patriarca católico ucraniano, Dom Sviatoslav Shevchuk, ter se alinhado com os conservadores durante o nefasto Sínodo para a Família, ocorrido em outubro passado. Ele é um alvo em potencial para a misericórdia de Francisco!

Enfim...

Em outros tempos esse encontro teria até me animado. Seria o sinal de uma abertura para a conversão da Rússia e para a unidade. Hoje, contudo, com Francisco, não acredito nisso. É antes um sinal diabólico.

Só nos resta....rezar!

domingo, 17 de maio de 2015

Há esperança para Francisco?

Raul Castro com Francisco.
Talvez o Banco Vaticano financie obras em Cuba.
A esperança é uma virtude que permeia, ou pelo menos deveria, a vida de todo (bom) cristão. Sobretudo nos últimos anos os católicos perplexos buscam o maná da esperança em cada breve notícia, em cada pequeno gesto do atual pontífice. Buscam, buscam, buscam... Eis ai uma característica da esperança que é a sua estamina infinita. "Quem espera sempre alcança", "a esperança é a última que morre!" e coisas do gênero são ditas com frequência.

Esperamos que o Papa Francisco demonstre, por gestos concretos ou palavras claras, que é diferente daquele Francisco apresentado pela mídia anti-católica. De fato, a esperança de muitos católicos, blogueiros ou não, era ser factível esta distorção entre o Francisco real e o papa virtual que agrada aos degenerados. Depois de dois anos e alguns meses de pontificado essa tese vem se mostrando cada vez mais impossível de sustentar. Vemos que há apenas um Papa Francisco e que muito provavelmente, e para o nosso desgosto, a grande angular dos meios de comunicação acabou captando a verdadeira essência do bispo de Roma com muito mais precisão.

Podemos dizer que Francisco vem construindo uma obra. Os cardeais Kasper e Braz de Aviz (a nossa eterna vergonha em Roma...) já declararam que Francisco deseja realizar mudanças severas e irreversíveis na Igreja. Só não explicaram se tais mudanças são apenas na estrutura da Cúria ou na doutrina. Talvez, e aqui especulo, a primeira seja pré-condição para a segunda.

Essas mudanças irreversíveis tem o seu ápice no Sínodo para a Família. É nesta reunião de bispos que a batalha é deflagrada e onde podemos ver o autêntico modus operandi do Papa Francisco. Foi justamente a primeira parte da reunião que tirou dos católicos ingênuos a vontade, ou melhor, a possibilidade de defender Bergoglio.

Ontem pude ler no blog Rorate Caeli que o frade dominicano Timothy Radcliffe foi apontado pelo Papa Francisco como consultor do Conselho de Justiça e Paz. Frei Radcliffe, segundo aponta o blog, é considerado algo além de um religioso liberal... um Über-liberal! Segundo RC

O antigo Mestre Geral da Ordem Dominicana [1992-2001] é um apoiador proeminente da proposta Kasperiana da comunhão aos "divorciados recasados". Ele também se coloca pela ordenação de mulheres, se não ao sacerdócio, pelo menos ao diaconato. Contudo ele é mais famoso por suas intervenções públicas frequentes sobre a aceitação da homossexualidade, tendo sido um celebrante frequente das infames "missas Gay" no Soho de Londres.

Será que Francisco não conhecia o currículo do agora consultor? Difícil imaginar já que o Papa elevou ao cardinalato o arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, o único cardeal franciscano anglófono até o momento, e considera do seu círculo pessoal o arcebispo anterior, o igualmente liberal Murphy Cormac O'Connor.

Recentemente, ainda, o Papa teve um agradável encontro o ninguém menos que Raul Castro, dono da ilha prisão de Cuba. A mídia alardeou com inquestionável precisão que o Papa argentino teve influência vital na reaproximação dos EUA com Cuba. Os blogueiros mais ingênuos já se puseram em pé a aplaudir o Papa, afirmando, entre outras asneiras, que o fim do embargo - que ainda não se deu! - favorecerá o florescimento da democracia em Cuba e o fim do comunismo na ilha. O jornalista Reinaldo Azevedo coloca de forma bem mais sóbria e realista:

Que se note: até agora, não há o menor sinal de distensão política em Cuba. Esse namorico com Barack Obama e com o papa Francisco, por enquanto, não tem sua correspondência em distensão política interna. É tolice, está evidenciado, acreditar que o progresso, por si, põe fim a ditaduras. Eu mesmo já cheguei a flertar com essa ideia quando era bem mais moço. A China, por exemplo, prova  o contrário de maneira muito eloquente.O projeto dos Irmãos Assassinos e do Partido Comunista Cubano é romper o relativo isolamento sem pôr um fim à ditadura. Raúl, se preciso, pode até se ajoelhar e rezar por isso. Se depender de Obama e de Francisco, ele chega lá…Que tempos e que homens os destes tempos!
O socialismo do século XXI parece ser a nova saída para Cuba, apresentando-se como uma democracia bolivariana. E ao receber líderes de movimentos ditos sociais em Roma, até com a presença infame do terrorista João Pedro Stédile, Francisco parece flertar descaradamente com o filo-bolivarianismo, com ditaduras mitigadas, mas ditaduras ainda assim. Não podemos nos esquecer também que foi Francisco quem revogou a suspensão do sandinista Miguel d´Escoto que, como todos sabem, não retrocedeu um milimetro nas suas posições terroristas.

A esquerda está em êxtase! Recentemente Gustavo Gutierrez foi recebido outra vez com pompa e circunstância no Vaticano, dessa vez na Assembleia da Cáritas. O processo de beatificação de Helder Câmara começou... É uma festa sem hora pra acabar!

Na outra ponta, contudo, temos bispos conservadores sendo perseguidos, depostos e humilhados sem nenhuma chance de defesa, sem um único encontro com o Papa cuja agenda está ocupada por audiências com terroristas, comunistas e ateus.

E assim vamos caminhando, mesmo sem saber o caminho. As certezas de antes são as dúvidas de agora. O grande enigma que se apresenta na forma de Francisco, na verdade, é bem simples - não há mistério algum! O pontificado de Francisco, a semelhança com o governo Dilma, consegue a proeza de se tornar pior com o passar do tempo.

Há ainda espaço para esperança? Sim, sem dúvida! Porque a esperança para o católico não é imediatista, é acima de tudo direcionada à vida eterna. Não esperamos em homens, mas colocamos nossa esperança em Deus. Há, portanto, espaço para a esperança, sempre.

sábado, 2 de agosto de 2014

A podridão da CNBB não conhece limites.

A reforma política da CNBB
Qual o partido vem à mente quando se menciona MST, CUT, Via Campesina, Contag, UNE, Fenaj?


(Percival Puggina | Mídia News) Buscando informações sobre o projeto de reforma política que vem sendo objeto de coleta de assinaturas, descobri uma nova dimensão da hegemonia que se estabeleceu sobre a nação.

Qual o partido ou tendência ideológica que lhe vem à mente quando eu menciono MST, CUT, Via Campesina, Contag, UNE, Fenaj?

Pois bem, fazendo a tal busca, obriguei-me a ler as 23 páginas do projeto de lei que "dispõe sobre o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de eleições proporcionais". Tratei, igualmente, de saber de onde ele veio.

Esse projeto foi divulgado em outubro do ano passado pelo movimento Eleições Limpas (www.eleicoeslimpas.com.br) e hoje é acionado por uma certa Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas (procure no Google por esse nome e clique em "Quem somos").

Vê-se, ali, que a coalizão é formada por 99 entidades - sim, você leu certo, 99! - contadas uma a uma.

Entre as já mencionadas, ainda encontrei outros velhos conhecidos: UBES (estudantes secundaristas), CNTE ("trabalhadores" em educação), Conic (aquele Conselho Nacional de Igrejas Cristãs que apoiou oficialmente o PNDH-3), o MMC (Movimento das Mulheres Camponesas, aquelas que invadiram os laboratórios da Aracruz em 2006), um certo Fórum Paulista de Participação Popular (cujo site é encimado por peça publicitária de um candidato do PT a deputado federal), a Via Campesina, a UBM (entidade de mulheres pró-aborto), RFS (Rede Feminista de Saúde, pró-aborto), a Rbrip (rede de ONGs e movimentos sociais com propostas "alternativas"), a Liga Brasileira de Lésbicas, o Movimento Evangélico Progressista, a Articulação Mulheres Brasileiras (pró-aborto e contra os direitos dos nascituros).

E por aí vai. Sabe quando a oposição conseguirá reunir algo semelhante a esse formidável elenco de militantes ONGs, grupos, movimentos, uniões, conselhos, redes, ligas, associações, federações, centrais, etc.?

Encimando a lista, mas como fios da mesma meada, luzem os logotipos e as siglas da CNBB e da OAB. Isso mesmo. Mais uma vez, você leu certo. As duas entidades, juntam-se a estranhíssimas parcerias, revolucionárias umas, desrespeitadoras da lei outras, objetivamente criminosas outras mais, para propor à nação uma "reforma política" praticamente igual à que o PT sempre pretendeu. Quem duvida, informe-se.

2013 - Deputados do PT entregam projeto de reforma política do partido
para Dom Leonardo Steiner, o bispo amigo de comunistas brasileiros e
estrangeiros.
O 3º Congresso do PT, em 2007, definiu-se por uma reforma política que estabelecesse: 1) o financiamento público das campanhas; 2) o voto em listas fechadas; 3) a representação de gênero, raça e etnia. O projeto da Coalizão: 1) cria o financiamento público e proíbe o financiamento de empresas; 2) estabelece o voto em lista fechada; 3) gratifica com mais recursos públicos o partido que apresentar candidatos de segmentos sociais minoritários.

E faz dois adendos ao projeto do PT: 1) admite o financiamento de pessoas físicas até o limite de R$ 700; 2) acrescenta à proposta petista um segundo turno nas eleições parlamentares para o ordenamento final das cadeiras por voto nominal.

Nem uma palavra, nem um pio, sobre o que mais importa: delegar a chefia de Estado e a chefia de governo a pessoas distintas, impor o desaparelhamento partidário da administração pública e estabelecer o voto distrital misto. 

Com esses apoiadores e tanta identidade de pontos de vista, eu não preciso saber mais para compreender a quem serve esse projeto. 

E concluo: se ele serve a quem serve, não serve ao Brasil. 

PERCIVAL PUGGINA é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+ e membro da Academia Rio-grandense de Letras.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Luta da Conferência Episcopal do Chile Contra o Aborto

Bispos do Chile
Ao assumir o comando do país, Michelle Bachelet, do partido socialista do Chile, está fazendo cumprir aquilo que prometera durante a campanha - aprovar uma lei pró-aborto imediatamente. A eleição que a conduziu ao governo teve um número recorde de abstenções (50% no primeiro turno e 58% no segundo), o que facilitou a vitória da socialista que precisou de um número menor de votos válidos para se eleger porque, diferentemente de conservadores e direitistas, que existem no Chile, a esquerda comparece em massa ao pleito não obrigatório.

O Chile é um dos países mais desenvolvidos da América Latina, tem um padrão de vida muito bom, com elevados índices de desenvolvimento humano e liberdade econômica. Como todo país latino-americano, o Chile é formado por uma população conservadora que nunca aprovou o aborto. As legislações pró-aborto na América Latina nunca são aplicadas depois de consulta popular, mas são remetidas com força da lei desde o gabinete dos políticos, por imposição internacional das grandes fundações e, sobretudo, da ONU/OMS.

A Conferência Episcopal do Chile (CEC), diferentemente da sua homóloga brasileira, decidiu iniciar uma forte campanha contra a nova legislação pró-aborto. Em uníssono os bispos estão trabalhando em suas dioceses, usando dos diversos meios de comunicação que dispõem para alertar a população e defender a vida desde a sua concepção até a morte natural.

No Chile a Igreja goza de uma grande confiança e influência junto ao povo e também junto aos políticos. A Igreja Católica é chamada - e com alguma razão - de o "quarto poder da república".

Tal como acontece com a política secular dos dois países, Brasil e Chile, as suas respectivas conferências episcopais são tão distintas que, se não nos dissessem, seria possível afirmar que fazem parte de dois corpos eclesiais distintos.

Navegando pelo site da duas conferências, sobretudo nas páginas de declarações oficiais, se vê o quão podre e secularizada está a CNBB, com declarações sobre todas as bobagens que não lhe dizem respeito e o silêncio obsequioso aos assuntos importantes de fé e moral. O inverso se vê na CEC, com documentos e declarações oficiais de grande relevância e, pasmem, com identidade católica objetiva.

Quando se trata do tema pró-vida, a CNBB não se posiciona, enquanto grupo, mas deixa que os bispos se virem em suas dioceses como bem entenderem. Agora em relação á Amazônia, à reforma política ou agrária, à redução da maioridade penal, ao uso da água, etc. a CNBB sempre tem uma forte declaração e um posicionamento preciso (e sempre do lado errado) sobre o assunto. Até sobre a Copa do mundo a CNBB se posiciona oficialmente!

Como não lembrar, na última eleição presidencial, da coragem solitária de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini alertando sobre o grave erro de se votar em Dilma e no PT ou da sua vigília solitária, junto a um grupo de leigos desassistidos pelos seus respectivos pastores, quando se discutia (?) o aborto em Brasília? Ou ainda, o caso de Dom Sobrinho que foi praticamente jogado na fogueira pela CNBB? Só para citar casos mais recentes, onde a omissão da CNBB foi flagrante e um escândalo.

No Chile isso não acontece, pelo menos não quando a questão é a proteção ao direito inviolável à vida. Os bispos, como escrevi, estão caminhando unidos e sem questionamentos. São contra o aborto e estão deixando isso muito claro aos leigos e aos legisladores. Não estão tentando compatibilizar a defesa da vida com alguma lei dúbia, negociando valores em nome de alguma falsa noção de misericórdia, como se tornou moda ultimamente. No Chile não há bispos pró-vida, há a Conferência Episcopal pró-vida, há a Igreja pró-vida! Uma mensagem forte que, infelizmente, não conseguimos transmitir por aqui.

Só nos cabe rezar pelo Chile! Pedir a Deus que, na Sua infinita misericórdia, fortaleça os bispos chilenos na luta contra o demônio e suas artimanhas.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Reforma da Cúria é tão ruim quanto os seus reformadores

O site americano National Catholic Reporter (NCR), de linha progressista e liberal, trouxe uma entrevista com dois membros do super-Conselho de 8 cardeais, que agora são 9, Oscar Rodriguez Maradiaga e Oswald Gracias. É um texto sem dúvida impressionante, porque demonstra que aquilo que escrevemos no "A Reforma da Cúria. Complicando para Descomplicar" foi pouco para descrever o que vem por ai.

A reforma, segundo o que foi lido no NCR, tornará a Cúria romana totalmente impotente frente às conferências episcopais, estas sim as grandes vitoriosas. E as consequências serão sentidas não só no dia a dia da Igreja, mas principalmente nos futuros conclaves, já que um dos objetivos implícitos da reforma comandada pelo vice-papa hondurenho é a quase eliminação de cardeais curiais.

Farei o comentário dos trechos mais importantes.

Cegos guiando cegos.

"Nenhum de nós sabia muito sobre a cúria já que nós nunca trabalhamos lá", afirmou o cardeal Gracias. "Passamos muito tempo apenas para conhece-la. Revisamos a Pastor Bonuns e estudamos cada congregação, conselho e departamento". Cada cardeal estudava um dicastério e informava aos demais membros do grupo.
Do ponto de vista eminentemente gerencial isso é uma catástrofe. São pessoas que, como afirmou o cardeal, nunca trabalharam na Cúria e foram encarregados de reformá-la, o que na teoria significa melhorar a estrutura. O grupo de cardeais, como fica claro mais abaixo, tem uma agenda que está impondo à Cúria. Não se trata de uma reforma legítima, fiel ao princípio da melhoria, mas de uma demolição e construção de uma nova estrutura.

Os prefeitos e chefes de dicastério estão sendo marginalizados no processo e nenhum deles foi consultado. Numa entrevista concedida ao canal americano EWTN, o cardeal Burke afirmou que não está por dentro do processo de reforma esquematizado pelo super conselho dos 8, que agora são 9, e, talvez como uma advertência sobre os dias que virão, pediu ao Papa que respeitasse a instituição da Cúria Romana.

Como já disse no outro texto, Francisco não sabe lidar com a Cúria porque carrega um grande preconceito contra ela desde os tempos de bispo diocesano. E os cardeais escolhidos por ele para o grupo de estudo compartilham a mesma opinião negativa sobre a Cúria, alguns mais outros menos. Não se trata de uma reforma, mas de uma revanche.


Uma congregação para os leigos. Ideia inútil.

Os dois cardeais afirmaram que o conselho está considerando a criação de uma nova congregação para os leigos, que absorveria as responsabilidades do conselho pontifício sobre os leigos, família, e talvez alguns outros departamentos.
"Os bispos têm o seu próprio dicastério", afirmou Rodriguez. "Os religiosos e o clero tem uma [
congregação], mas os leigos são a maioria na Igreja e eles têm apenas um conselho".

O raciocínio acima só pode ter vindo de alguém sem a menor intimidade com o que é a Cúria Romana. A Cúria não existe para representar a "Igreja toda", com cada aspecto da igreja tendo um dicastério.

Se você pegar a Pastor Bonus - documento que este egrégio conselho de 8 cardeais, que agora são 9, diz ter estudado - já no capítulo 1º, artigo 1º, se lê:

A Cúria Romana é o conjunto dos Dicastérios e dos Organismos que coadjuvam o Romano Pontífice no exercício do seu supremo múnus pastoral, para o bem e o serviço da Igreja Universal e das Igrejas particulares, exercício com o qual se reforçam a unidade de fé e a comunhão do Povo de Deus e se promove a missão própria da Igreja no mundo.

Já no primeiro capítulo do documento se vê o quão pretensiosa e sem propósito é a ideia de Maradiaga e seu séquito. Qual será a função de uma Congregação para os Leigos? O que ela poderá fazer? Se você analisar as congregações, cada uma tem uma competência dentro da estrutura eclesial, porque elas "coadjuvam o Romano Pontífice no exercício do seu supremo múnus pastoral"; assim a Congr. culto divino trata dos temas ligados à liturgia, a Educação Católica supervisiona o trabalho das faculdades e universidades pontifícias, a Doutrina da Fé lida com as questões teológicas, a dos Bispos e Clero lidam com a sua respectiva parcela da hierarquia, e assim por diante. Alguém consegue imaginar o que vai fazer uma Congregação para os leigos? Talvez coordenar os telefonemas que o Papa vive fazendo para as pessoas...

Os leigos possuem um dicastério de menor importância hierárquica - um conselho - não por terem um valor menor, mas porque é através de todos os outros dicastérios que múnus pastoral do Papa, enquanto cabeça visível da Igreja, chega aos leigos.

A única função dessa "congregação para os leigos" seria reduzir o número de cardeais curiais, já que o órgão absorveria vários dicastérios menores.


Menos Bispos e Cardeais na Cúria

Rodriguez também reclamou sobre "nomear um cardeal como prefeito de um departamento e ele não tem a preparação. Não, não precisamos mais disso. É necessário parar de buscar um lugar para uma pessoa, mas [buscar] uma pessoa para o lugar. Isso pode demorar um pouco, mas acontecerá".
Os dois cardeais questionam a elevação de oficiais do Vaticano ao episcopado e cardinalato.
"A função de um bispo é muito diferente", afirmou Rodriguez. "É ser um pastor num rebanho, não ser um burocrata num escritório". Entretanto, ele pensa que pode "ser necessário ter um cardeal como prefeito de um dicastério, mas o resto não é necessário".
Aqui o cardeal hondurenho parte de uma premissa falsa. Nem todo bispo curial é um burocrata, nem todo bispo diocesano é um pastor. Temos muitos exemplo de bispos diocesanos que se encastelam nos seus escritórios e raramente visitam as paróquias ou são vistos pelo povo (quantos católicos hoje sabem o nome do seu bispo?). Meu bispo mesmo é um exemplo típico de um burocrata que comanda a Igreja local de longe, na segurança e conforto do escritório episcopal. Portanto falo por experiência.

Quantos bispos da Cúria nós não vemos rodando o mundo, celebrando missas com as pessoas das mais diversas nacionalidades? Isso também é ser pastor.

Outros pontos nessa fala de Maradiaga são interessantes. O primeiro é o de prelados sem competência para exercer tal função - nomear um cardeal como prefeito de um departamento e ele não tem a preparação. O primeiro nome que vem à mente é o do cardeal Stella, nomeado por Francisco para a Congregação para o Clero. O cardeal saiu de uma obscura academia pontifícia, onde não tinha qualquer visibilidade, e subiu como um foguete a um dos postos mais altos da Cúria como prefeito para o clero, substituindo um cardeal de inegável competência e experiência.

O segundo ponto abordado por Maradiaga seria sobre a função de um bispo - É ser um pastor num rebanho. Recentemente o blog americano Rorate Caeli trouxe uma análise muito precisa sobre a catástrofe na igreja da América Latina. No texto há um destaque negativo para Honduras que em menos de 20 anos perdeu quase 30% de fiéis. Como bem observou o Rorate, toda a sangria de fiéis em Honduras coincide com o tempo de Maradiaga como arcebispo de Tegucigalpa, capital do país. Podemos, portanto, nos questionar que tipo de pastor foi e é o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga e a sua credibilidade para tentar impor ao resto da Igreja um modelo pastoral provado e falido.


Leigos no comando

"Eles [os Prefeitos de Dicastérios] poderiam ser até leigos e leigas - por que não?" ele perguntou. "Eu sonho em ter n[o] [Conselho para] a Família talvez um casal. Isso seria maravilhoso".
A esta bobagem não cabe muita análise. Só resta lamentar o nível que chegaram alguns cardeais. É um pensamento típico de um terceiromundismo socialista que não seria levado a sério em lugar nenhum.

Seguindo essa linha de raciocínio, precisaríamos ter um cigano ou um ator de circo como presidente do conselho para os migrantes e itinerantes - Isso seria maravilhoso - ou um santo canonizado em vida, para a Congregação para a Causa dos Santos, e um Lama budista na comissão para o diálogo inter-religioso, por que não?


O pior por último

O cardeal Rodriguez também vem pensando em num comitê de prelados que supervisiona os funcionários das congregações e conselhos. Foi sugerido que se tenha mais bispos diocesanos e menos membros da cúria. Por exemplo, a Congregação para o Culto Divino poderia ter sobre si os chefes das comissões litúrgicas das conferências episcopais. "Esse seria o melhor caminho", afirmou Rodriguez. "No CELAM nós fizemos assim".
Aqui estamos na síntese do que é a reforma de Francisco. Como já vinhamos falando há muito tempo, o objetivo não é, nem de longe, melhorar a Cúria, mas destruí-la por completo. Uma cúria fraca pede conferências episcopais fortes, e Maradiaga está dizendo que é justamente isso o que vai acontecer.

Na prática serão as Conferências episcopais que supervisionarão a Cúria, não o contrário. É o mesmo princípio do decreto 8243 do governo do PT, que torna o governo refém dos conselhos populares. Teremos uma Igreja bolivariana, submissa aos conselhos das conferências episcopais. Não importará muito que Papa venha a ser eleito no futuro, já que o governo da Igreja estará nas mãos de bispos como Maradiaga, Leonardo Steiner, Dolan, Zollitsch, Galantino e tantos outros.

O absurdo é tão grande que o CELAM é colocado como modelo de governo para a Igreja universal.

Conclusão

O cardeal afirma que em dezembro próximo terão as linhas gerais para iniciarem a reforma na prática.
Os conservadores acreditam que o conselho de cardeais irá respeitar o tempo da Igreja, que normalmente é longo. Não acredito nisso! Nós veremos esses reformadores agindo de forma veloz e furiosa, porque sabem que não terão muito tempo com Francisco.

Francisco não é o último sopro da igreja liberal, mas é um pontificado decisivo para eles. Sabem que se não agirem antes do próximo conclave, os cardeais da Cúria e os insatisfeitos com esse pontificado - e não são poucos - buscarão um papa menos "agressivo" e possivelmente europeu.

De qualquer forma, estamos na iminência de uma catástrofe. O sínodo para a família no próximo outubro é uma antecipação necessária para a reforma da cúria. Veremos no Sínodo - Deus nos livre! - um embate de cardeais e bispos sobre os divorciados. Sem perder tempo para que os conservadores da cúria se recuperem do sínodo, vem imediatamente a reforma da cúria. Um golpe depois do outro.

Gostaria de deixar ao leitor a postagem que publicamos em outubro de 2013. Nela o próprio cardeal Maradiaga afirma que o Papa Francisco já tinha em mente, apenas quatro dias depois de eleito, todo um plano de reforma da Igreja. É assustador!

Muitos falam que esta é a pior crise da história da Igreja. Infelizmente temo que nós não vimos nem metade da sua força ainda. Rezemos!

sábado, 5 de julho de 2014

A Corrida Presidencial

Neste mês de julho os candidatos aos diversos cargos em disputa no pleito de outubro começam a mover suas peças. Alianças e traições já foram definidas em todos os estados, com uma imensa onda de desobediência ao princípio da verticalidade partidária.

Os candidatos à presidência da república já estão em campanha aberta. A presidente Dilma, candidata à reeleição, está em campanha desde 2013, mas amarga sucessivos desgastes políticos, misturados a muita incompetência no trato com a máquina pública e um crescimento inexpressivo - ou mesmo vergonhoso - da economia. Dilma amarga quedas sucessivas nas pesquisas de intenção de votos.

A principal missão é, sem dúvida, tirar Dilma e o PT do poder. E para conseguirmos esse objetivo fundamental para o futuro do país é preciso ser inteligente. A única alternativa viável contra o PT é o PSDB. Sim, é um discurso polarizado, mas inevitável na atual situação.

O PSDB não é um partido dos sonhos e não encarna no seu espírito os valores morais cristãos-católicos que todos nós sonhamos. Entretanto, o estado das coisas é tão lastimável no país que precisamos escolher o mal menor, que é o PSDB.

O PT e seus congêneres (PSTU, PSOL, PSB, PCdoB, PCB, PCO, Rede etc) são favoráveis ao aborto, ao gayzismo, à cubanização do Brasil e do restante da América Latina. Só isso já é mais do que o suficiente para nos deixar com a coluna em riste contra o partido. Mais do que isso, o PT & cia. tem um projeto de poder do qual não abre mão e faz de tudo - lícito ou ilícito - para a perpetuação desse projeto.

Este ano, diferente da eleição anterior, temos um cenário mais diversificado. No pleito anterior existia sim a polarização PSDB e PT, mas que contou com um agente desestabilizante chamado Marina Silva, que conseguiu uma votação expressiva no primeiro turno. O fator Marina foi muito importante para a vitória de Dilma por dois motivos. O primeiro, e mais objetivo, foi a incapacidade do candidato do PSDB, na época José Serra, em angariar votos entre os marineiros. O segundo, que em parte justifica o primeiro, foi a proximidade ideológica entre Marina e o PT. Na verdade os votos de Mariana foram "guardados" durante a campanha e direcionados para Dilma, porque o público e as propostas das duas eram muito parecidas. A Marina do PV serviu como um cavalo de Troia na campanha do PSDB que ficou confuso e sem saber em quem atirar. E numa guerra não se desperdiça munição.

Esse papel desestabilizador, hoje, cabe ao candidato do PSB Eduardo Campos. Tanto é verdade que ele escolheu Mariana como vice. Campos repete a mesmíssima estratégia de Marina, ou seja, propor-se como uma via alternativa ao cenário político polarizado, representando um "novo verdadeiro" e purificado das mazelas políticas brasileiras. Se tudo ocorrer como o planejado, Dilma usará o seu enorme tempo na TV para propor pactos e novos PACs, enquanto caberá a Eduardo Campos atacar Aécio Neves; uma estratégia sanduíche que visa esmagar o senador mineiro. O segundo turno, como tudo indica, será entre Dilma e Aécio, com Campos e Marina voltando ao curral petista e declarando seu apoio filial a presidentA.

Entretanto há um problema inesperado com a estratégia. O cenário político não é o mesmo e está muito pior para o PT. Sem contar que os votos de Marina, da eleição passada, não migraram e prometem não migrar para Eduardo Campos. Marina já não é mais aquela novidade que entusiasmava adolescentes em primeira eleição ou universitários chapados. Marina não é mais cult ou pop, está mais para um rococó confuso.

E, para piorar para o PT, os candidatos nanicos estão com uma qualidade muito superior ao do pleito anterior. Dois nomes estão ganhando destaque - Pastor Everaldo e Denise Abreu.

Pastor Everaldo conta com 4% das intenções de voto, confirmados por várias pesquisas. É um percentual grande quando comparamos com Eduardo Campos, que já foi governador de estado e tem Marina como vice, que tem entre 10% e 4%, dependendo da pesquisa. Como reconheceu o jornalista Reinaldo Azevedo, Pastor Everaldo fala coisa com coisa e tem coragem para defender posições consideradas de direita, o que para a política brasileira, toda pautada por uma agenda socialista, seria quase um suicídio. Questionado já em Abril pelo site UOL, Pastor Everaldo destaca suas bandeiras (grifos meus):

Vamos defender valores da família, da vida do ser humano desde a sua concepção, como consta na Constituição brasileira. Do ponto de vista econômico, somos liberais. Temos um projeto que busca a economia livre, com empreendedorismo, desenvolvimento econômico, mobilidade urbana, meio ambiente sustentável, educação e saúde livre e descentralizada, esportes e culturas independentes, liberdade civil e política. Nós achamos que a segurança pública é uma das mais áreas de maior apreensão do cidadão brasileiro e, nesse ponto, temos uma legislação penal confusa, com excesso de recursos. Vamos investir na segurança pública, dando atenção especial às Forças Armadas, que foram sucateadas por esse governo. Para nós, uma governança ativa requer descentralização e municipalização, com respeito ao direito da propriedade privada. Enquanto esse governo é estatizante, nós somos privatizantes. Tudo que for possível tirar da mão do Estado e passar para a iniciativa privada, para que os recursos possam ir para a saúde, educação e segurança publica, nós vamos fazer.

O discurso do Pastor é afinado com a vontade da maioria dos brasileiros, que é conservadora e de direita, mas que não tem em quem votar. Pelo menos não tinha. Marcar constantes 4% nas pesquisas, sem ser conhecido e defendendo valores abominados por muitos partidos, donos de jornais, empreiteiros e onguistas é um feito e tanto. Junte-se a isso o fato de ser "pastor".

Pastor Everaldo estará no debate de presidenciáveis da rede Globo e possivelmente de outros canais. Ele é o primeiro representante da maioria muda do país e, se conduzir a sua candidatura na linha apresentada acima, pode não vencer, mas participará do renascimento da direita no país. Neste pleito Pastor Everaldo é muito mais importante, para o futuro do país, que Marina Silva e sua homeopática política alternativa.

Temos também Denise Abreu que, sem fundos milionários ou apoio de empreiteiros e banqueiros, vem na mesma linha do Pastor Everaldo, embora com menos visibilidade. Denise Abreu tem um canal no Youtube onde tece críticas inteligentes ao PT e recebe convidados de calibre intelectual, como o prof. Olavo de Carvalho, com regularidade. Denise Abreu tem carisma, inteligência e demonstra não só um conhecimento da máquina de destruir reputações do PT, da qual ela mesma é vítima, mas tem uma vontade de mudar e construir um Brasil através do esforço dos próprios brasileiros e não através de assistencialismo escravizante.

Mas nós precisamos ser realistas. O único nome, hoje, capaz de apresentar alguma dificuldade para o PT é Aécio Neves do PSDB, e mesmo assim não será fácil. O brasileiro, como já dito, é conservador e por isso mesmo pode até flertar com a novidade, mas deseja um candidato com um pouco mais de bagagem política. Everaldo e Denise são candidatos que certamente estarão fortalecidos para pleitos futuros, para cargos majoritários ou não.

O voto do católico conservador deve ir para Aécio. "Ah! Mas eu sou católico tradicional e não posso votar num partido de esquerda", dizem as mentes afetadas e que afirmam que votarão em branco pela ausência de um candidato ligado ao catolicismo tradicional. O que esperam? Algum padre da FSSPX concorrendo à presidência? Interessante que a recusa desses católicos - que certamente formam uma parcela insignificante do eleitorado nacional - só fortalece a esquerda comunista. O PSDB é uma social democracia, mas nem de longe apresenta a sanha controladora, esquerdopata do PT e congêneres. Dentro das fileiras do PSDB existe um amplo espectro ideológico que vai desde um leve socialismo até a direita-conservadora-liberal, algo inexistente nas entranhas do PT ou PSB-Rede.  Prova dessa diversidade é o que disse em recente entrevista o senador Aloysio Nunes, vice na chapa de Aécio:

VEJA - O senhor é contrário à criminalização do aborto e do usuário de drogas e a favor da rediscussão da maioridade penal. Esses temas são recorrentes nas campanhas políticas. Como acredita que se dará esse debate nestas eleições? 
SENADOR - Não temos uma unidade política em relação a muitos desses temas. Em muitos países, questões como essas foram decididas por plebiscito porque são temas que dividem verticalmente o sistema político. É uma questão mais de valores fundamentais do que um tema de cunho partidário e não creio que isso deva ser objeto de campanha. Em relação a drogas, o que deve ser discutido é a maneira de tratar o usuário e a forma mais eficiente de se combater o tráfico. O importante é como diminuir a demanda por drogas a partir de campanhas educativas, de mostrar que droga é uma droga e como tratar a pessoa que é vítima dessa doença. No caso do aborto, respeito as objeções morais, religiosas e até constitucionais, mas há um fato humano que precisa ser levado em conta. A mulher que decide interromper a gravidez já passa por um sofrimento muito grande e acho que seria cruel, desumano e ineficaz submetê-la a mais um castigo, o castigo da lei penal. O Aécio tem uma posição diferente da minha. Esses temas são mesmo uma questão pessoal.


Dilma sempre soube que um plebiscito sobre o aborto seria fatal para a causa abortista e por isso tenta impor desde cima a ideologia da morte, com uma discussão fictícia com a sociedade. Aécio, como toda a cúpula do PSDB, tem um medo absurdo e inexplicável de tocar em temas ligados ao universo pró-vida. Já afirmou que não vai interferir na legislação existente, que despenaliza o aborto no caso de estupro ou risco de vida para a mãe.

O PSDB não sabe lidar com o tema aborto na campanha com tranquilidade. Isso é uma falha grave e remete ao erro histórico de José Serra na campanha contra Dilma em 2010, quando o candidato tucano forçou com sucesso a agenda pró-vida contra Dilma até que o PT virou o jogo com uma confissão que a própria mulher de Serra já havia feito um aborto. Qualquer marqueteiro com meio neurônio saberia reverter a situação a favor de Serra, mas o PSDB entrou numa defensiva injustificável e facilitou o ataque petista em vários outros flancos.

Concluindo

Votar no PSDB, hoje, é dar uma chance para que no futuro um candidato conservador ou liberal possa existir. E convenhamos, é pouco provável que um eventual governo de Aécio ataque os valores cristãos de forma mais agressiva do que o governo do PT vem atacando.

Este blog e este blogueiro que vos escreve declara seu apoio ao candidato do PSDB. Não o faço por acreditar que Aécio é o candidato ideal, mas porque acredito que é o candidato que pode nos apresentar um futuro mais livre.

Em outubro não decidiremos apenas quem será o próximo presidente, mas se o Brasil vai ou não se tornar uma ditadura bolivariana, afundada na incompetência pública, na violência e no caos generalizado.

Dessa forma, escolher um pouco de esperança é melhor do que nenhuma esperança.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pe. Julio Lancelotti - aquele... - sai em defesa dos black blocs. Tudo em nome da Arquidiocese de SP

Júlio Lancelotti, aquele da Pajero, agora é líder da Pastoral dos Black Blocs. Vá pedir perdão por seus pecados, padre!

Vejam a foto deste rapaz, de Fábio Braga, da Folhapress.



(Por Reinaldo Azevedo) Ele padece de uma grave doença, que tem, sim, cura, mas dá trabalho: chama-se ignorância. Que idade terá? Vinte cinco? Perto de 30? O que sabe ele sobre ditadura? Absolutamente nada! A prova de que o país, definitivamente, não é o que ele diz ser é poder exibir esse cartaz, isso só para começo de conversa. Mas vá lá: poderíamos ter um regime autoritário que permitisse manifestações, como aconteceu na fase final do regime militar, no governo Figueiredo. Mas nem isso. A única ditadura realmente existente no Brasil hoje é a de minorias de bocós extremistas. Grupelhos, de 50, 100, 200 pessoas têm hoje a ambição de parar uma cidade.

Mas vamos lá: o que faz ele ali? O Tribunal de Justiça de São Paulo decretou nesta quinta a prisão preventiva de Rafael Marques Lusvarghi, 29, e de Fábio Hideki Harano, 26, detidos na segunda-feira durante um dos protestos contra a Copa. São acusados de cinco crimes: associação criminosa, incitação da violência, resistência à prisão, desacato à autoridade e porte de artefato explosivo. A decisão é do juiz Sandro Rafael Barbosa Pacheco, que está de parabéns por ter a coragem de cumprir a lei. Sim, chegamos ao estágio, no Brasil, em que precisamos parabenizar quem cumpre a sua função. Atenção! Um juiz não decreta uma prisão preventiva se os elementos apresentados pela Polícia não forem bastante convincentes. Lusvarghi está no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, e Harano foi enviado ao presídio de Tremembé,

O ignorante sentado no asfalto participa de uma manifestação na Avenida Paulista contra a prisão da dupla, que reúne cerca de 300 pessoas em frente ao Masp. Eles querem sair em passeata pela cidade sem deixar claro quem lidera o ato e que trajeto pretendem cumprir. Estão cercados pela Polícia Militar. Sem essas definições, nada de passeata, afirma o tenente-coronel Marcelo Pignatari.

Adivinhem quem está lá. É um padre. Vocês se lembram daquele senhor que, certa feita, comprou um carro de luxo para um ex-menor da Febem, já homem feito? Sim, é aquele religioso muito pio que decidiu dar de presente, ninguém entendeu por quê — ou fez que não entendeu — uma “Pajero” para um rapagão e que denunciou, depois, que estaria sendo extorquido por ele. Sim, refiro-me a Júlio Lancelotti, que é pároco da igreja São Miguel Arcanjo, na Mooca, bem longe dali. Ele não era da Pastoral do Menor? Da Pastoral da Criança? Da Pastoral do Povo de Rua?

O que está fazendo no protesto? Não há criancinhas ali. Não há menores ali. Não há povo de rua ali. Lancelloti está, por acaso, se reinventando como membro da Pastoral da Baderna de Rua? Da Pastoral dos Black Blocs? Vai ser agora babá de mascarados? Sobre a ação correta do tenente-coronel Pignatari, afirmou: “Ele disse que não vai deixar acontecer a passeata se não tiver um líder, e isso é um prenúncio de que a polícia pode ser violenta com os manifestantes. Eu pedi, em nome da Arquidiocese, para que eles não usem a violência nem prendam inocentes”.

É uma fala acintosa e desrespeitosa com a Polícia. Se não houver depredações nem desrespeito à lei — que são atos violentos —, ninguém vai apanhar. Caso contrário, sim! Júlio gora é juiz? É ele que determina a inocência? Como? Pediu em nome da Arquidiocese? Ele a está representando ali?

Vá rezar, padre Júlio!

Vá cuidar dos pobres, padre Júlio!

Vá cuidar dos necessitados, padre Júlio!

Vá se penitenciar, padre Júlio!

Vá pedir perdão a Deus por seus pecados, padre Júlio!

Depois do escândalo da Pajero, padre Júlio tinha saído um pouco do noticiário. Mas, agora, estamos em ano eleitoral. E ele sempre aparece nessas horas, agora na versão de líder da Pastoral dos black blocs.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Decreto bolivariano do PT foi aplicado à Igreja em 2010 pela CNBB - Uma reflexão do Prof. Hermes Rodrigues Nery

Documento nº 91 da CNBB defende "conselhos" e "radicalização da democracia"

Por Hermes Rodrigues Nery

Em 2010, por ocasião da 48ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, realizada em Brasília (para comemorar o jubileu de ouro da fundação da capital federal, em pleno planalto central do País, o então secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa apresentou o documento nº 91: "Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática", assinado em 11 de março daquele ano, meses antes do pelito que elegeria Dilma Roussef como presidente. Naqueles dias da 48ª Assembléia, estive em Brasília, e procurei vários bispos, inclusive o próprio Dom Dimas, chamando a atenção do Plano Nacional de Direitos Humanos nº 3, que o então presidente Lula havia apresentado nas vésperas do Natal do ano anterior, e que causou grande apreensão em vários setores da sociedade brasileira. Solicitamos que a CNBB tivesse um posicionamento firme sobre o aspecto anticristão do PNDH-3, mas não foi possível tal posição. Os temas da Assembléia vinham das bases, e um deles era o documento nº 91. " - Um tema para entrar aqui em discussão vem das bases, dos conselhos!", ressaltou um dos prelados. Em relação ao PNDH-3, a apreensão inicial foi apenas passageira. Logo as vozes se calaram, e vieram as acomodações conhecidas.  A execução do PNDH-3 continuou como prioridade do governo do PT, legitimado pelo silêncio e conivência de muitos. Depois que passou a chiadeira inicial, o PT se sentiu respaldado a agir com mais celeridade aos propósitos contidos no PNDH3.

Muitos bispos fizeram descaso dos apelos feitos, e quando a voz solitária e heroica de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o Leão de Guaruhos, clamou em defesa dos nascituros, denunciando a agenda abortista do PT em plena campanha eleitoral, muitos outros religiosos e leigos católicos da esquerda se juntaram para assinarem uma carta de apoio a Dilma Roussef, incensada por Leonardo Boff, em evento no Rio de Janeiro. No ano seguinte, estando com Dom Bergonzini em Londrina (PR), conversamos sobre a situação nacional, e ele afirmou que continuaria quantas vezes fosse preciso se posicionando em fidelidade ao Magistério da Igreja e à sã doutrina, denunciando a agenda abortista do PT e o seu projeto de poder totalitário, confirmando assim a valentia que faltava a muitos outros religiosos e leigos católicos. Estivemos juntos novamente num ato público na Praça da Sé, em que saímos em direção ao Forum João Mendes, onde ele protocolou uma ação contra as "Católicas pelo Direito de Decidir". No ano seguinte, nos reencontramos no plenário do Supremo Tribunal Federal, na votação da ADPF nº 54, quando o STF decidiu aceitar o aborto em casos de anencefalia; havíamos feito uma vigília durante a noite antes da votação, em frente o STF, e ainda durante a votação, quando a maioria dos ministros já havia deliberado, Dom Bergonzini saiu da sessão e foi rezar um terço em frente o STF. Ele sabia que naquele momento estava  se abrindo uma brecha pela via judiciária para a legalização do aborto no Brasil, e que a Presidente Dilma Roussef não cumpriria sua promessa de campanha de que não tomaria iniciativa nesse sentido, o que se confirmou, mais tarde, com a sanção da Lei 12.845/2013, de triste memória. A imagem de Dom Bergonzini sozinho diante do STF, debaixo de um sol escaldante, no meio da tarde, foi de cortar o coração. O Leão de Guarulhos não se abateria até o último minuto de vida, dando o exemplo de um valente combatente em defesa da Igreja.


Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o "Leão de Guarulhos", reza o terço diante
do STF, ainda durante a votação da ADPF-54

Via crucis de uma campanha contra o aborto

No mesmo período, percorríamos as paróquias de algumas dioceses do estado de São Paulo coletando assinaturas para a "Campanha São Paulo pela Vida", com o objetivo de incluir na constituição estadual paulista o direito a vida, desde a concepção, via iniciativa popular. Foi então que comecei a perceber uma realidade mais terrível, que ainda não tinha me dado conta. Ao apresentar a campanha aos padres, nas reuniões diocesanas de presbíteros, muitos deles disseram: " - a proposta é boa, mas temos primeiro ouvir "os conselhos" paroquiais" ou " - Pessoalmente sou a favor da campanha, acho bonita esta iniciativa, mas temos que ouvir "os conselhos"". E de outro pároco: " - Não posso simplesmente apresentar um projeto bonito desses como se fosse coisa minha, ou pior ainda, como se fosse coisa do bispo, você entende? Tudo será decidido nos conselhos." .

E então, a coisa emperrou. Algo aconteceu que não entendíamos. Só funcionou quando o pároco, com a sua prerrogativa de decisão, autorizou que fôssemos ao final da missa falar sobre a campanha e, em seguida, fizéssemos a coleta de assinaturas. Em muitos casos, o pároco disse que colocaria à disposição agentes pastorais. mas quando chegávamos lá, para o mutirão pela vida, nem mesa, nem canetas, nada de estrutura mínima. Tínhamos que levar tudo por nossa conta; em certos casos, nem mesmo o pároco lá estava. A missa era rezada por um vigário, que nem sabia do que estava acontecendo, porque ninguém havia avisado nada. " - Acho que vocês estão sendo boicotados", nos disse uma senhora que veio assinar o formulário contra o aborto.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o "Leão de Guarulhos", não se abateria, dando o exemplo de um combatente, enquanto Igreja militante.

A campanha contra o aborto no estado de São Paulo se tornou um calvário, porque nos deu a constatação de que boa parte das paróquias visitadas estão dominadas por "conselhos" imbuídos de ideologia marxista, que não consideravam relevante a causa da defesa da vida, desde a concepção. " - Vocês estão obcecados pela questão do aborto", nos disseram. " - Se for um abaixo-assinado para dar moradia aos sem teto, terras para o morador de rua e direitos sociais aos afrodescendentes, então contem com a gente". Mais tarde tivemos que ouvir de um dos líderes dos conselhos: " - Até o papa já disse que vocês estão obcecados pela questão do aborto!" Um deles foi mais longe: " - Direito primeiro ao já nascido!". Mesmo assim, continuamos percorrendo as dioceses, algumas nos acolhendo muito bem, abrindo as portas, com o bispo de Campinas. Então fui pessoalmente falar com Dom Damasceno, presidente da CNBB e arcebispo de Aparecida. Ele foi bem receptivo e acolhedor, abrindo as portas da Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, onde fizemos um mutirão de coleta de assinaturas lá. E também Dom Beni, que telefonou autorizando um dia de coleta na Canção Nova. Mas foi apenas um único dia de mutirão. Depois, tínhamos que voltar às paróquias, e submeter o abaixo-assinado à vontade dos "conselhos". E quando isso acontecia, emperrava de novo.

Bispos conservadores e fiéis ao Magistério da Igreja nos recebiam, ouviam e acolhiam, anuindo com a proposta. Quando os formulários eram encaminhados para as bases, meses decorriam sem que houvesse algum retorno.  No Regional Sul 1 da CNBB, graças ao Pe. Berardo Graz, dando apoio, conseguimos mobilizar outras comissões em defesa da vida, e obter juntos, mais de cento e cinquenta mil assinaturas. Porém, precisávamos chegar a trezentas e trinta mil! Tivemos então que fazer um mapeamento de paróquia por paróquia, identificar qual padre acolheria, e mesmo assim, qual tomaria a decisão dele mesmo fazer acontecer, mas quando ia para os "conselhos", tudo de novo estancava. Mesmo assim, chegamos a mais da metade do número de assinaturas exigidas pela legislação, e como desejávamos fazer a ação vir do seio da Igreja Católica, o trabalho demorou mais para fluir. " - Chamem os evangélicos, vocês precisam dos evangélicos!", mas queríamos muito a iniciativa dos católicos. A grande lição da campanha foi a de constatar o aparelhamento ideológico da Igreja Católica no Brasil. A maior parte dos "conselhos" foram criados para serem voz do esquerdismo dentro da Igreja, minando-a por dentro, corroendo a sã doutrina, fazendo com que muitos padres fiquem de mãos atadas, imobilizados, sem saber o que fazer, reféns dos mesmos. " - A fidelidade dos sacerdotes católicos deve ser com a sã doutrina", disse uma vez, numa reunião de um desses "conselhos". E uma das lideranças, com voz num tom de saltar as veias, respondeu: " -Esta sã doutrina é eurocêntrica. Mais saiba que a experiência da América Latina, que veio das CEBs, do protagonismo dos "conselhos populares", fará emergir a Igreja que queremos, a Igreja como "povo de Deus", e não a imposta pela hierarquia" . E completou: " - A questão do aborto é um obsessão desta igreja reacionária". " - O povo quer pão na mesa e terra, esse sim é o direito a vida por qual temos que lutar. E conseguiremos isso com participação popular, com democracia radical, efetivamente participativa."

Outro aspecto percebido foi a constatação de que houve uma crescente tomada de posição dos progressistas, em todos os níveis, nas paróquias, nas escolas e universidades, nas editoras, empresas e muitas instituições hoje apenas ditas católicas. Os progressistas assumiram postos de comando, tornaram-se ordenadores de despesa, formaram seus "conselhos" e os doutrinaram, na ideologia marxista, para justificar e legitimar os encaminhamentos da "democracia radical" dentro da Igreja, relegando os padres conservadores aos papéis secundários de vigários, sem poder algum de decisão. Boa parte se acomodou, evitando criar problemas, e preferiu tocar a rotina em serviços burocráticos de atendimentos, sem intervir nas decisões, aceitando se tornar reféns dos "conselhos". Alguns celebram a missa diária, como se fosse apena suma obrigação profissional e nada mais. Fazem os atendimentos necessários e somem. Vários são os casos de depressão e alcoolismo, que sofrem sem saber o que fazer debaixo do mando de tais "conselhos", com a conivência do progressista ordenador de despesa. Presenciei casos assim, nas minhas andanças em defesa da campanha contra o aborto, nas muitas visitas feitas em paróquias, de padres cerceados de suas atividades, vigiados, boicotados, que sofrem calados padecimentos incontáveis.

" - O que acontece com a nossa Igreja?", queixou-me um deles. E lembrou-me uma frase de Bento XVI, em seu livro "Jesus de Nazaré": " - E como estamos todos na realidade presos pelas potências que de um modo anônimo nos manipulam". E me contou: " - Não apenas padres sofrem com isso, mas também bispos, e mais ainda  bispos eméritos conservadores, que padecem privações sob a dependência de religiosos progressistas, idosos, muitas vezes, sem família, á mercê da vontade dos progressistas. Tudo isso causa grande dor e sofrimento no seio da Igreja, que foi tomada por dentro pela implacabilidade dos progressistas, muitos deles, que recorrem aos "conselhos" para dar legitimidade a este cerco aos conservadores, por dentro da instituição. Eles sabem que ninguém vai falar nada, ninguém tem coragem de falar, e assim, aos poucos, eles avançam e ocupam mais postos de decisão."

E então nos indagamos: o que esperar, mais para a frente, em termos de defesa da sã doutrina católica, quando o próprio documento nº 91 da CNBB, em relação à reforma do Estado brasileiro, prega uma "educação popular" capaz de questionar os fundamentos do sistema político atual, questionando inclusive a "democracia representativa", e advogando a necessidade de dar poder a "novos sujeitos históricos" (os tais "conselhos populares" defendidos pelo decreto 8243/2014 da presidente Dilma Roussef?), propondo inclusive no referido documento, "radicalizar a democracia", dizendo que "a democracia representativa não esgota todas as formas de vivência democrática", "rompendo com a supremacia institucional da cultura ocidental"? Está no documento nº 91 a defesa dos "conselhos", de modo explícito: "os conselhos paritários formam, um campo privilegiado de participação popular", propondo "a institucionalização das estruturas de participação popular", para "uma nova forma de viver a democracia".

O fato é que o documento nº 91 está em muita sintonia com o pensamento contido no decreto nº 8243/2014 da presidente Dilma Roussef. Não é a toa que Gilberto Carvalho se sente tão a vontade, ao saber que não haverá resistência alguma da Igreja ao decreto, porque o documento nº 91, que já foi lido e trabalhado em tantos finais de semanas, em muitas reuniões paroquiais, pelo País afora, defende o que está no decreto 8243/2014, mesmo muitos sem saber exatamente das conseqüências disso, para o País, e para a Igreja Católica no Brasil. Gilberto Carvalho sabe que as poucas vozes reacionárias não tem lastro mais nas bases já trabalhadas e tomadas, há muito tempo. Já não têm mais poder algum. E poderá rir disso, no conforto do gabinete presidencial, certo de que poderá agora avançar mais célere, em tudo aquilo que está lá contido no PNDH3, e que os próprios bispos, reunidos na 48ª Assembléia, nada disseram a respeito. Agora, poderão facilmente prosseguir no afã de sovietizar o País, repetindo aqui o queria Lênin: "todo poder aos sovietes!"

Agora ficou clara a resposta dos párocos progressistas, ao receberem o formulário da campanha contra o aborto: "ouviremos primeiro os conselhos". E entendemos o porquê tais formulários terem ficado meses esquecidos nas gavetas dos escritórios paroquiais. Os "conselhos" decidiram que a questão do aborto não é relevante. Mesmo sabendo que a maioria do povo brasileiro é contra o aborto e pela vida (82% segundo pesquisa Vox Populi). Mas os "conselhos" representam mesmo o "povo"?

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Calote argentino, padres da libertação e a incapacidade da esquerda arcar com as consequências dos seus atos



A Argentina ao que parece dará o calote novamente. Nesta semana o ministro da economia do país,  Axel Kicillof, anunciou que não pagará uma parcela da dívida, a mesma que foi renegociada durante o último calote argentino nos primórdios de 2001.
Trago um trecho do G1:


O novo imbróglio argentino remonta ao início desde século. Em 2001, em meio a uma grave crise econômica e política, a Argentina anunciou um calote em sua dívida pública, que era de cerca de US$ 100 bilhões.
Quatro anos depois, no governo Nestor Kirchner, o país tentou recuperar a credibilidade oferecendo a quem tinha sido prejudicado pelo calote pagamentos com descontos acima de 70%. Mais de 90% dos credores aceitaram a proposta e vêm recebendo esses pagamentos em parcelas (a dívida reestruturada). Os que não aceitaram, no entanto, recorreram a tribunais internacionais.
Em 2012, um dos casos, movido por fundos especulativos, recebeu uma decisão favorável da Justiça dos Estados Unidos, que determinou que a Argentina deveria pagar US$ 1,33 bilhão aos fundos. O governo argentino recorreu, e o caso chegou à Suprema Corte dos EUA, que decidiu manter a condenação, derrubando uma medida cautelar que suspendia os efeitos da determinação judicial anterior.
"A suspensão do 'stay' (medida cautelar) por parte da justiça impossibilita o pagamento em Nova York da próxima parcela da dívida reestruturada [as parcelas pagas aos credores que aceitaram o desconto] e revela a ausência de vontade de negociação em condições distintas às obtidas na sentença ditada pelo juiz Griesa", disse o ministério da Economia argentino.
A nota lamentou a decisão que ordena a execução da sentença do juiz Thomas Griesa, que deliberou a favor dos fundos especulativos, conhecidos como "Abutres", na Argentina.
O comunicado reafirma "a disposição da Argentina de pagar os credores da dívida reestruturada, aos quais sempre tem oferecido as mesmas condições, de acordo com a lei do país".
Na audiência de quarta-feira, advogados da Argentina comunicaram à Corte que uma delegação viajará a Nova York na próxima semana para tentar negociar com os fundos. "Estamos preparados para sentar (em negociação) com eles", afirmou Robert Cohen, que representa a NML.
A presidente argentina, Cristina Kirchner, disse na segunda-feira que seu país não voltará a declarar moratória, mas ressaltou, contudo, que a Argentina "não será submetida à  biextorsão".

O resumo da ópera é o seguinte. Depois de anos de políticas irresponsáveis, populistas e descompromissadas com a boa gestão do patrimônio público, o governo argentino decreta moratória. Depois dessa grave crise, que nos afetou em 2001 e de certa forma impulsionou a vitória de Lula em 2002, o governo consegue o milagre de renegociar a dívida com 90% dos seus credores. A parcela de 10% que se recusou a renegociar e protelar o recebimento dos pagamentos exige que o país de Messi pague o que deve nos termos contratados; eles estão agindo dentro da esfera de competência que rege um contrato entre duas partes. O governo argentino, entretanto, não reconhece esse direito.

Os 13 anos que nos separam da moratória de 2001 não foram bons para a Argentina. O país não conseguiu alçar voo e se descolar das suas políticas heterodoxas, do seu peronismo, da visão nacionalista estreita. O país viu greves, desabastecimento, crises institucionais, crises fronteiriças com Brasil e Uruguai, e respondeu da única forma que sabe - culpando os outros.

Embora a presidente argentina deixe claro que não haverá calote, é mais claro ainda que seu partido e seu ministro para a economia já articulam junto a opinião pública uma revolta contra os credores. De vítimas do calote, os credores passaram a ser os algozes do país, os "capitalistas imperialistas", os "abutres americanos" que vivem da especulação e são responsáveis por toda a crise do país. No melhor espírito de "a culpa é deles!" já se vê nas ruas de Buenos Aires cartazes contra os "abutres".

Os especialistas em economia da Argentina:
Padres da Opção pelos Pobres
Agora é a vez dos "padres da opção pelos pobres" saírem das suas respectivas catacumbas bolorentas e se unirem ao coro dos caloteiros. Num comunicado dirigido ao povo argentino os padres marxistas afirmam que os credores "quieren también nuestra soberanía; y como cristianos y argentinos no podemos aceptarlo"! Já estou vendo esses padres bradando a frase com os punhos cerrados para o céu - "no podemos aceptarlo!".

A análise feita pelos padres é tão precisa quanto a sua ortodoxia:

"O problema de fundo é que o sistema capitalista liberal - que premia os especuladores e condena os trabalhadores - instala uma legalidade imoral levada a fundo pelos especialistas da usura"

Sim, a culpa é do capitalismo. Um discurso bem digno da década de 30 do século passado. Peço aos padres que me apontem um único país capitalista pobre, só um. Em contrapartida a pobreza parece ser um produto exclusivo das ditaduras de esquerda e das tiranias.

Os padres não entenderam que não foi o capitalismo liberal o grande problema da Argentina, mas o peronismo e o populismo, se for possível separar um termo do outro. João Fábio Bertonha (Doutor em História (Unicamp) e docente na Universidade Estadual de Maringá) já em 2002, portanto isento da argumentação apaixonada de hoje, afirmou:

A decadência argentina não pode realmente deixar de impressionar quem a estuda. Do país mais rico e desenvolvido da América Latina, de um dos pólos de desenvolvimento do mundo até 1930, pelo menos, a Argentina caminha a passos largos para se tornar apenas mais um dos pobres países da América Latina. Um argentino morto por volta de 1945 que ressuscitasse provavelmente não entenderia o que vê: do país rico e orgulhoso que tinha a coragem de bater de frente com os Estados Unidos e disputava a liderança continental com o Brasil, o que resta? Uma nação em crise, com índices sociais ainda melhores do que os nossos, mas declinantes, que tentou desesperadamente se jogar aos pés do tio Sam e cuja força econômica e política regrediu enquanto a brasileira cresceu. Um outro mundo surgiu no sul da América em meros cinqüenta anos e qualquer um que tente jogar toda a culpa disso em Menen ou no neoliberalismo dos anos 90 estaria dando excessivo crédito a eles. Um país tão rico e desenvolvido não pode ser destruído tão facilmente. Os motivos vêm de um passado mais longínquo. 

O resultado histórico de inúmeras políticas atrapalhadas, cálculos mal feitos e a incapacidade do governo argentino se abrir para o mundo e para os investimentos estrangeiros encontra no governo Kirchner o seu ápice.

Continuam os padres de passeata argentinos:
"este pecado que clama aos céus sabendo que fará sofrer nosso povo, em especial os pobres, e a tantos outros que veem em nosso país um espelho do seu futuro".

Os padres estão mesmo desconectados da realidade. O que fará sofrer os pobres argentinos - de todas as classes - e a irresponsabilidade do governo que muitos desses padres de passeata ajudaram a eleger. O calote da dívida, como querem os padres, conduzirá a já capenga economia argentina ao buraco pela segunda vez e possivelmente a última. É pouco provável que o país consiga uma nova renegociação se decretar uma nova moratória; investidores estrangeiros já voaram do país que já deu provas que não goza de segurança jurídica para acomodar investimentos.

Em 2012 o governo, liderado pelo mesmo Kicillof, expropriou a petroleira YPF numa demonstração estúpida e inconsequente de poder juvenil.  Os empresários espanhóis da YPF foram ameaçados de prisão se não deixassem o país, com eles se foi também parte da pouca credibilidade do país e hoje a Argentina colhe os frutos dessa e de outras atitudes anti-investimentos.

Por fim. o governo argentino é bolivariano, ligado ao Foro de São Paulo e tem relações importantes com o PT. Uma crise na Argentina não favorece a reeleição de Dilma e é possível que o governo petista aporte recursos bilionários no país vizinho, como fez em Cuba e na Venezuela, sem qualquer garantia de retorno.

A Argentina é um dos nossos principais parceiros comerciais e a crise agravada na vizinha pode afetar ainda mais a nossa balança comercial, sem contar que grandes investidores, já desconfiados com os rumos da economia brasileira, tendem a ver os países como um conjunto e o Brasil escolheu se alinhar com países de pouca ou nenhuma tradição de simpatia ao empresariado global (Venezuela, Cuba, Uruguai e Argentina).

Em 2001 a crise Argentina ajudou o PT a se eleger. Em 2014 ela poderá derrubar o PT. Ou pelo menos dar um empurrãozinho.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Já dizia Margaret Thatcher, "O Socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros".

Um café e a conta: o milionário boêmio que bancou Prestes.

(Alexandre Borges | blog Reaçonaria) Lendo a ultra-esquerdista e cada vez mais governista Piauí, revista criada e dirigida pelo herdeiro de um dos maiores bancos do país e irmão do cineasta que fez uma hagiografia de Che Guevara, lembrei de Celestino Paraventi (foto), uma figura que muitos brasileiros deveriam conhecer.

Paraventi foi um milionário de origem italiana que herdou do pai a primeira torrefação de café do estado de São Paulo. Cantor lírico, boêmio, era amigo pessoal de Luís Carlos Prestes e Olga Benário, que chegaram a ser levados por seu motorista num Lincoln do ano até a casa de campo dele, na margem da Represa Guarapiranga, para curtirem uma lua-de-mel. História mais comunista, impossível.

Celestino Paraventi Pelas contas bancárias das empresas de Celestino Paraventi no exterior o governo Stálin mandava dinheiro para os comunistas brasileiros sem deixar rastros, já que a movimentação financeira era tão alta que não despertava suspeitas do governo. Paraventi bancava não só muitos comunistas brasileiros como suas famílias e até suas publicações.

Além dos recursos do Komintern, Paraventi usava as empresas da família para despejar ainda mais dinheiro nas contas dos comunistas. Muitas publicações de esquerda eram bancadas por ele, que direcionava a publicidade do Café Paraventi para elas, como “O Homem do Povo”, de Oswald de Andrade. Diziam que não havia um único jornal de esquerda sem anúncios do Café Paraventi.

O dinheiro soviético vinha para Prestes e seus revolucionários para que pudessem dar um golpe comunista no Brasil, o que foi tentado em 1935 como vocês sabem. Paraventi tinha uma admiração quase religiosa por Prestes, a ponto de tentar vender o patrimônio da família para entregar a ele em nome da revolução comunista, o que fez com que seus parentes tentassem interná-lo num hospício. Quando suas ligações com Prestes foram descobertas pelo governo Vargas, chegou a ser preso.

Conde e Baronesa, a verdadeira elite branca
 que manda no Brasil.
Paraventi lembra também a trajetória de Eduardo Matarazzo Suplicy, bisneto do homem mais rico da história do Brasil, o Conde Matarazzo, que teve sua fortuna avaliada em 10% do PIB brasileiro em um determinado momento. Eduardo casou com Marta Teresa Smith de Vasconcellos, bisneta do Barão de Vasconcellos, outra herdeira brasileira cuja família tinha até um castelo na região serrana no Rio. Os irmãos Ana Lucia de Mattos Barretto Villela e Alfredo Egydio Arruda Villela Filho, da família que é a maior acionista individual do grupo que controla o Banco Itaú, são os criadores daquele instituto Alana, que detesta o “consumismo” e quer decidir que tipo de propaganda seus filhos podem assistir.

Conhecer essas figuras é fundamental para acabar com o mito de que ricos são necessariamente “capitalistas” e “de direita”, quando muitos deles, especialmente os herdeiros que não construíram o patrimônio da família, estão entre os maiores financiadores da esquerda desde Karl Marx, que passou a vida sendo bancado pelo herdeiro alemão Friedrich Engels.

Um dia deveríamos criar o Prêmio Celestino Paraventi para o herdeiro colaboracionista do ano. Quem sabe a Piauí não se interessa pela pauta?

terça-feira, 10 de junho de 2014

Grito pela Vida da CNBB não é nada pró-vida

Conferência dos Religiosos do Brasil promove caminhada Grito pela Vida em Goiânia


Márcia Sousa | Rádio Rio Vermelho

A CRB, Conferência dos Religiosos do Brasil, unidade de Goiás, promoveu no último sábado, 07 de junho, em Goiânia, a Caminhada “Grito pela Vida” em resposta à Campanha da Fraternidade, que este ano teve como tema o tráfico humano.
A caminhada reuniu representantes da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Comunidades Eclesiais de Base, Comissão Pastoral da Terra, pastores de igrejas evangélicas, religiosos e religiosas, estudantes, Polícia Federal, entre outros.

O “Grito pela Vida” teve início na praça Botafogo, seguiu pela avenida Anhanguera, avenida Araguaia, rua 04 e foi encerrada no teatro Goiânia.

O evento teve como principal objetivo criar uma consciência sobre a real situação do tráfico humano no estado de Goiás.


***

Sem dúvida o tráfico humano é algo perverso, imoral e que deve ser combatido. Não se questiona. Contudo, num país tão ameaçado por legislações com o objetivo claro de se legalizar o assassinato de milhares - ou mesmo milhões - de crianças no ventre materno, é compreensível que a CNBB se cale sobre o aborto e faça estardalhaços sobre tráfico humano?

Em primeiro lugar, cumpre questionar toda a trupe que marchou - e pelo visto não foram muitos - sobre o que eles entendem por "tráfico humano" e sobre os números. Seriam esses números superiores àqueles que o aborto, se legalizado, pode alcançar no país?

Existe todo um aparato policial para lutar contra o tráfico humano, envolvendo desde a polícia militar até a Interpol. Os bebês nos ventres maternos não são alvo da proteção estatal, pelo contrário, é o Estado, aliado às grandes corporações e fundações internacionais, que atenta com maior potência ao direito fundamental de qualquer ser humano que é o direito à vida.

Enquanto um punhado de pessoas se reúne em Brasília heroicamente para defender a vida desde a sua concepção até a morte natural, ajudando a barrar várias iniciativas pró-aborto e alertando a sociedade civil para outras tantas ainda em tramitamento, tudo isso se valendo de recursos próprios e sem o apoio institucional, a CNBB escolhe torrar milhões - porque uma Campanha da Fraternidade não fica barata - para combater moinhos de vento.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

CNBB dá cartão vermelho para a Copa do Mundo. Papa Francisco apoia o mundial. Nós temos uma Pastoral do Turismo!

Pastoral do Turismo da Confederação [sic] Nacional dos Bispos do Brasil dá "cartão vermelho" ao que chama de "inversão de prioridades" no uso do dinheiro público do País e critica gestão do governo para a Copa do Mundo; entidade distribuirá folhetos nas 12 cidades-sede com ataques ao que chama de delegação de "responsabilidades públicas" a grandes empresas privadas, remoção de famílias e de espaços sagrados, entre outras críticas; Papa Francisco, ao contrário, é a favor da Copa e, apesar de não vir ao Brasil para o Mundial, assegurou que enviará uma mensagem contra o racismo; "O jogo vai começar e o Brasil se torna um imenso campo de futebol sem arquibancadas ou camarotes", diz texto da CNBB

Jornal do Brasil - A Pastoral do Turismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai distribuir panfletos nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo com críticas à gestão do governo para a competição.

Os panfletos dão "cartão vermelho" à inversão de prioridades no uso do dinheiro público do país para eventos como a Copa do Mundo, e critica o fato de o governo delegar responsabilidades públicas a grandes corporações e entidades privadas que se apropriam do esporte.

A CNBB ressalta, no entanto, que o governo só marcará o "gol da vitória" quando ninguém for perseguido por trabalhar em espaço público, e direitos dos consumidores e torcedores forem respeitados.

Os folhetos foram impressos em três idiomas (português, espanhol e inglês) e mostram a preocupação da Igreja com oito pontos que merecem "cartão vermelho".

O primeiro deles é "a exclusão de milhões de cidadãos ao direito à informação e à participação nos processos decisórios sobre as obras que foram realizadas para a Copa".

Outros pontos criticados são a remoção de famílias e comunidades para a construção de obras dos estádios ou de mobilidade, a inversão de prioridades para com o dinheiro público que deveria servir, prioritariamente, para a saúde, educação, saneamento básico, transporte e segurança.

Além disso, os panfletos falam em desigualdades urbanas e degradação ambiental, a apropriação do esporte por entidades privadas e grandes corporações.

A entidade enumera iniciativas que representam um "gol da vitória": a garantia de que a população de bairros populares e moradores de rua tenham direito de permanecer em suas localidades; que ninguém seja perseguido por trabalhar em espaço público; que movimentos sociais não sejam criminalizados.

A CNBB afirma ainda que se "compromete a acompanhar torcedores e jogadores, nas suas demandas por momentos de espiritualidade e encontro com Deus, bem como ser presença orante durante toda a Copa".

Confira o folder abaixo (clique na imagem para ampliar):


***
Meu único comentário é este: Nós temos uma Pastoral do Turismo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Paulo VI, Oscar Romero, Dom Luciano e agora Dom Helder Câmara. A Santidade inclina-se à esquerda

Arcebispo de Recife pede abertura do processo de canonização de Dom Hélder Câmara

Membro da Igreja Católica teve importante papel na prática de caridade, ajudou a combater a ditadura militar e foi indicado ao Prêmio Nobel quatro vezes

(UAI Estado de Minas) O arcebispo Metropolitano, Dom Fernando Saburido vai solicitar ao Vaticano a abertura do processo de canonização de Dom Helder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, falecido em 1999. Nesta terça ele assinou uma carta dirigida à Congregação Para Causa dos Santos, em Roma, pedindo licença para iniciar os trâmites. O anúncio foi feito esta manhã, na solenidade de leitura do relatório oficial do Caso Padre Henrique, apresentado pela Comissão da Verdade de Pernambuco na Igreja dos Manguinhos, nas Graças.

A carta expõe dados biográficos de Dom Hélder. Após a aprovação do Vaticano, o arcebispo poderá abrir o processo. Hélder Pessoa Câmara nasceu no dia 7 de fevereiro de 1909 na cidade de Fortaleza e ainda muito jovem, aos 14 anos de idade, ingressou no seminário da igreja católica. Dez anos depois, foi nomeado padre e mudou-se para o Rio de Janeiro com o desejo de aprofundar seus estudos. Destaque em seus trabalhos sociais, veio para o Recife e foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife, onde permaneceu até a data de sua morte, em 1999.

A luta contra a ditadura é apenas uma parte do ativismo de Dom Helder. O bispo católico também era destaque em seu trabalho na igreja, que ele entendia como uma instituição que deve ser voltada à prática de caridade (ou seja, ajuda aos pobres). Hélder estava sempre perto dos pobres e sentia compaixão por eles. Outra ação muito presente no trabalho de Dom Helder era a divulgação da paz. Tanta dedicação rendeu a ele quatro indicações para o Prêmio Nobel.

***

Em outubro será a vez de Paulo VI se tornar beato após um suposto milagre atribuído ao Papa que conduziu a Igreja a uma das maiores crises da sua história.
Oscar Romero, bispo assassinado na década de 80 e idolatrado pela esquerda marxista como "seu" santo, tem processo de canonização em andamento depois de anos de esquecimento do mesmo nas gavetas anti-marxistas de João Paulo II e Bento XVI. O Papa Francisco assegurou ao presidente de El Salvador que o processo caminhará bem...
Sobre Pio XII, entretanto, Francisco tranquiliza a esquerda:

A causa de Pio XII está aberta e fui informado [que] ainda não há nenhum milagre. Como não há milagre, ela não pode avançar, certo? Ela está parada. Devemos esperar a realidade [e ver] como realmente avança a causa e pensar depois em tomar uma decisão. Mas a verdade é que não há nenhum milagre e é preciso pelo menos um para a beatificação. Assim é como está a causa de beatificação de Pio XII. E eu não posso pensar “eu o beatificarei”, porque o processo é lento.

O Papa Francisco parece muito condicionado às regras do processo de canonização quando se trata de santos tradicionais. Para canonizar João XXIII ele subtraiu com muita facilidade algumas etapas importantes, livrando o Papa Roncalli de um segundo milagre.
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