quarta-feira, 23 de julho de 2014

Recoletas, pero no mucho!

Irmãs agostinianas recoletas venezuelanas com seu "ministério de dança". Alguém ai tá sentindo cheiro de visitação apostólica, porque eu não estou?












terça-feira, 22 de julho de 2014

Foto do dia - Cardeal Santos Abril, enviado para investigar a diocese de Ciudad del Este, concelebrando "ad orientem".


O Cardeal Santos Abril, arcipreste da basílica de Santa Maria Maior e delegado do Papa Francisco para investigar "tudo sobre a diocese de Ciudad del Este", concelebra missa na capela pessoal do bispo Rogelio Livieres. O cardeal celebra a missa "ad orientem", como normalmente se faz na forma extraordinária que, por sinal, ele proibiu que fosse celebrada em Santa Maria Maior. Rezemos pela visita, para que os bons frutos de Mons Livieres sejam, enfim, reconhecidos pela Igreja universal.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Outras intervenções na Argentina. Mais cabeças rolarão?

Lá vou eu de novo, fazendo análises com a minha tradicional paranoia...

A eleição de um pontífice argentino colocou os bispos do país numa situação muito complicada. Ninguém nega que este país é o que vem sofrendo mais com o novo estilo de gestão adotada pelo Papa Francisco e não poderia ser diferente. Jorge Mario Bergoglio, antes de ser Francisco, foi arcebispo e cardeal da maior e mais importante arquidiocese do país, onde se localiza a sede do governo e da nunciatura apostólica e foi presidente por anos da Conferência Episcopal.

Se no âmbito internacional já possível visualizar alguma mudança de rumo nas nomeações, sobretudo na Cúria Romana e na Conferência Episcopal Italiana, com a instalação de prelados "mais pastorais", o que quer que isso signifique, é na Argentina que isso se nota de forma clara, concreta e violenta. Muitos vaticanistas afirmam que Francisco faz nomeações para seu país natal sem consultar a Congregação para os Bispos ou qualquer outro dicastério, dada a velocidade anormal no processo.

A mão de Bergoglio pode ser sentida de uma forma dupla pairando sobre a cabeça dos bispos e sacerdotes argentinos. De forma carinhosa, ele afaga alguns mais alinhados ao bergoglianismo praticado por anos em Buenos Aires. Foi o caso de Marco Aurelio Poli, hoje cardeal da capital, e de Víctor Manuel Fernández, a quem o então arcebispo Jorge Mario Bergoglio tentou por anos fazer bispo, mas seu nome era sempre rejeitado pelo Vaticano; Francisco o fez arcebispo (titular) em alguns dias depois de eleito Papa.

Mas se aqueles que professam o bergoglianismo estão "sentados à direita do Papa", os que lhe oferecem resistência encontram a sua outra mão - a mão de ferro.

Recentemente se viu a remoção do arcebispo de Rosário, baseada em motivos até o momento tão esdrúxulos e sem o menor cabimento que beiram o ridículo. Agora é a vez de mais duas dioceses - Zárate-Campana e Puerto Iguazu.

Em Zárate-Campana...

A acusação contra o bispo de Zárate-Campana, Dom Oscar Domingo Sarlinga, é a mesma feita ao arcebispo de Rosário - mau uso do dinheiro e abuso de poder. Só que em Zárate-Campana se fala de somas mais vultuosas de pesos, com acusações de desvio de fundos de origem pública destinados às cantinas escolares administradas pela diocese. Outra acusação é a de lavagem de dinheiro (!) no seminário São Pedro e São Paulo.

Contra o bispo de Sarlinga, segundo os periódicos argentinos, pesa a demissão sem justa causa da diretora da Cáritas na diocese, Sra. Silvana Betancourt. Segundo a ex-diretora, a sua demissão se deu por ela se negar a ser "cúmplice de situações indecentes e imorais e fora dos sacramentos da nossa fé que comecei a viver cotidianamente no meu âmbito de trabalho".

Aqui é importante destacar como a Cáritas Argentina parece estar no meio de todos os escândalos envolvendo bispos - o ex-bispo de Merlo-Moreno, então presidente nacional da Cáritas, foi removido por Bento XVI depois de ser flagrado num luxuoso resort no Caribe com uma mulher casada que mais tarde confessou ser sua amante há anos (e o então Cardeal Bergoglio o defendeu com todas as forças! Como Papa deu o título de emérito ao bispo prevaricador); o arcebispo de Rosário, como disse, foi removido por problemas financeiros que foram causados pelo mau uso de dinheiro numa rádio diocesana administrada pelo padre da Cáritas de Rosário. E agora temos também problemas em Zárate-Campana envolvendo de alguma forma a Cáritas. Não seria hora de se investigar a Cáritas? Só uma sugestão...

Em Puerto Iguazu...

A remoção de Dom Marcelo Raúl Martorell, bispo de Puerto Iguazú, é dada como iminente pelos periódicos argentinos.

O crime de dom Marcelo seriam supostos "erros e desvios doutrinais internos", segundo informações do DyN, periódico de notícias argentino reproduzido pelo blog espanhol Secretum Meu Mihi e por vários outros jornais de Buenos Aires. O desvios se dariam no recebimento de alguns jovens no seminário e na ordenação desses jovens ao sacerdócio.

O periódico DyN traz um relato do livro biográfico oficial de Jorge Mario Bergoglio (título: El Jesuita), onde o então cardeal alertava para um controle dos candidatos ao ingresso no seminário, sobretudo porque alguns clérigos escondem no celibato suas perversões prévias. Bergoglio pedia que se fizesse um pente fino nos candidatos para evitar os pervertidos, mas estranhamente não aplicava essa regra ao seu próprio seminário arquidiocesano, com muitos candidatos fugindo escandalizados dessa casa de formação...

Segundo o DyN, foram fontes eclesiásticas internas da própria diocese que afirmaram que os problemas na diocese, e que estão sendo investigados ainda informalmente pelo Vaticano, são de ordem doutrinal. A alusão ao livro de Bergoglio e a insinuação de "pervertidos" no seminário partem do próprio DyN.

Entretanto...

O que o DyN esqueceu de afirmar e que nós, partindo da nossa incessante paranoia, não nos furtamos em observar é que Puerto Iguazu não tem seminário!

Os candidatos à ordem não se formam em Puerto Iguazu, que é uma diocese muito pequena com aproximadamente 200 mil católicos. Os seminaristas de Puerto Iguazu recebem a sua formação no seminário São José da arquidiocese de La Plata.

E quem comanda a arquidiocese de La Plata é dom Héctor Rubén Aguer, um dos maiores oponentes de Bergoglio dentro da Argentina e um nome que vem circulando ha meses como um candidato a receber a mão e ferro de Francisco. Já falamos disso neste blog, quando abordamos "paranoicamente", é claro, a situação e a remoção do arcebispo de Rosário.

Se o problema está realmente nos candidatos e nos neo-sacerdotes ordenados por Dom Marcelo Raúl Martorell, nada mais natural do que investigar o seminário, afinal de contas é dever dos formadores perceber os desvios e a inaptidão dos candidatos.

O seminário São José oferece formação mais, digamos, conservadora do que outras casas de formação na Argentina. Para se ter uma ideia, a diocese de Gregorio de Laferrere, que faz parte da província metropolitana de Buenos Aires e fica a poucos km da capital, envia seus seminaristas para estudarem em La Plata. Puerto Iguazu fica a 1396 km de La Plata.

Pelo que pesquisei, não encontrei nenhuma notícia ou relato sobre padres pedófilos na diocese de Puerto Iguazu, portanto não creio que a diocese seja afetada por pervertidos. Mas é bom lembrar que 2% do clero é composto por pedófilos, segundo o Papa, então todo cuidado é pouco!

Dom Marcelo Raúl Martorell, entretanto, faz parte daqueles bispos nomeados sem o beneplácito de Jorge Mario Bergoglio, que inclui o próprio Dom Héctor Aguer e o já removido José Luis Mollaghan. Esses bispos foram nomeados pelo Núncio da época, Dom Adriano Bernardini, e pela Secretaria de Estado, então comandada por Sodano. Eram e são bispos de linha claramente conservadora, que agora são caçados.

Então...

A cada nova notícia vemos ser fiável aquilo que os vaticanistas, mesmo aqueles mais entusiasmados com esse pontificado, vem constatando e que se traduz muito bem pelo título dado a um recente artigo de Tosatti ao jornal La Stampa - Aberta a temporada de caça aos conservadores. Alguns blogueiros brasileiros podem achar Tosatti um paranoico e, além dos vários anos e da seriedade do jornalista, podem considerá-lo um mau comentarista.

O caso que mais chama a atenção aqui não é de Zárate-Campana, que se trata apenas de problemas administrativos, mas o de Puerto Iguazu. A diocese de Puerto Iguazu faz divisa com a cidade paraguaia de Ciudad del Este que, a partir de hoje, encontra-se oficialmente em visitação apostólica por dois prelados enviados especialmente por Francisco para investigar o seminário diocesano que mais vocações tem na América do Sul, proporcionalmente falando. Alie-se a isso a intervenção direta aos Franciscanos e Franciscanas da Imaculada.

Parece que hoje a fofoca dentro da Igreja - aquela que Francisco condenou de forma tão categórica nos primeiros meses do pontificado - ganhou alguma cidadania e se transformou em "instrumentum laboris" do Vaticano franciscano. Tudo vem sendo feito de forma oficiosa, nas sombras, com acusações anônimas e informais levadas a consequências reais.

O que vemos - e somos obrigados a comentar - são bispos e padres conservadores caindo como moscas. Outros tantos, que despontavam publicamente na época de Bento XVI, se encolhem e rogam aos céus para que passem despercebidos. Bispos, padres e religiosos, que até fevereiro de 2013 escreviam publicamente sobre tudo, colocando-se contra a heterodoxia e a favor da ortodoxia, hoje são mais comedidos, falam e escrevem menos, muito menos. Alguns até pararam de escrever ou falar.

Com alguns Francisco beija as mãos ou acaricia as bochechas, para outros, entretanto, o pontífice se reserva o direito a dar umas boas palmadas. É a Igreja da Misericórdia!

Oração pela paz...ou talvez nem tanto.



Imediatamente depois da sua viagem à Terra Santa, realizada de 24 a 26 de maio, o Papa Francisco fez um convite aos respectivos chefes de governo de Israel e da tal "autoridade" Palestina. O convite incluía uma recepção do Papa aos líderes no Vaticano e uma oração pela paz na Terra Santa. Constrangidos e pegos de surpresa pelo pontífice estranho aos protocolos mais elementares de uma visita de Estado, os dois aceitaram.

Francisco já realizou algo semelhante antes, com uma convocação de orações pela paz na Síria, em 2013, na iminência de uma invasão do país que se encontra mergulhado numa guerra civil entre o governo de Bashar  al-Assad e insurgentes fundamentalistas islâmicos - o que torna muito difícil intuir quem é o mocinho, se é que há algum, nesse conflito. A oração de paz pela Síria foi uma das (poucas) boas iniciativas deste pontificado e parece ter surtido algum efeito, refreando os EUA de uma invasão direta no país.

Mas a recepção no Vaticano foi diferente. Foi um evento inter-religioso, marcado por orações de judeus e muçulmanos a poucos metros da Basílica de São Pedro, construída sobre o túmulo do príncipe dos Apóstolos que foi martirizado em Roma por pregar que somente Jesus Cristo era o caminho, a verdade e a vida. É verdade, São Pedro não era muito dado ao diálogo... se vivo estivesse, seria enclausurado e investigado pelo Fr. Volpi.

Segundo as palavras do próprio Papa argentino, "aqui no Vaticano, 99% afirmaram que não deveríamos fazê-lo, mas depois esse 1% começou a crescer". Ou seja, a Cúria romana (=Vaticano) se posicionou, pelo menos num primeiro momento, de forma contrária aos intentos do Papa. Seguramente as palavras do pontífice ao periódico espanhol "La Vanguardia" servem apenas para demonstrar o apreço do papa reinante pela opinião da cúria e destacar "quem é que manda" no enclave pontifício.

Mas não é que a Cúria tinha razão...!

Diferentemente do que aconteceu com as orações pela Síria, o Vaticano passou por maus bocados - mais um! - ao ver em seus jardins um imã (sacerdote do islão) pedindo ao seu deus "Alá" a vitória sobre os infiéis, leia-se os judeus, cristãos e todos aqueles que não são muçulmanos.

Cada líder religioso realizou alguma oração e leitura dos seus respectivos textos sagrados. O problema foi quando o imã, ao concluir a sua oração, recitou trechos da sura (versículo do Al Corão) número 2 que pedia que Alá garantisse a vitória (dos muçulmanos) sobre os infiéis.

A rádio Vaticano e os organismos de telecomunicações católicos minimizaram, afirmando que o imã não tinha recitado a Sura 2. Chegaram a editar o vídeo, mas que quando comparado com o vídeo integral da cerimônia, mostra claramente que houve a abdução de um trecho das palavras do religioso, que seriam a tal da Sura 2. A rádio Vaticano contou com a ignorância maciça dos presentes sobre a língua árabe. Entretanto ontem, como bem notou o sacerdote americano John Zuhlsdorf, fazendo eco ao publicado no Il Giornale, se confirmou que o imã realmente proferiu as palavras.

Depois dos jardins, o terror!

Parece que as orações feitas nos jardins do Vaticano não foram ouvidas. Pelo contrário, um acordo mais ou menos formal entre palestinos e israelenses foi imediatamente rompido e um novo conflito foi deflagrado na região. O que se seguiu às orações à Alá nos jardins vaticanos foi exatamente o inverso do que vimos no caso da Síria e o novo conflito parece que será muito pior do que já vimos em tempos recentes, sobretudo pelos nervos à flor da pele no cenário internacional com problemas na Ucrânia e na Rússia, a Coréia do Norte que ainda não sossegou, o Iraque em plena tomada islâmica, etc. Enfim, um cenário muito complicado.

Ter a humildade para ouvir

Como o papa falou, em entrevista, a Cúria foi contra, unanimemente contra. Nem para afirmar que o céu é azul a Cúria conta com 99% de adesão. Qualquer papa anterior respeitaria a opinião da Cúria, já que como dito a unidade de opiniões dentro dos corredores vaticanos é muito rara.

A humildade verdadeira escuta, respeita a opinião, mesmo daquela que vem de baixo, hierarquicamente falando. Mas Francisco decidiu escutar unicamente a sua própria opinião, como vem fazendo desde sempre com "muito" sucesso, enfatize-se. "às favas com a Cúria!", o que poderia dar errado, não é mesmo?

E o que resta?

Agora temos um papa que, sozinho no balção do apartamento apostólico, lança um "apelo a continuar a rezar com insistência pela paz na Terra Santa à luz dos trágicos eventos dos últimos dias".

Sozinho... como deveria ter feito desde o começo.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

CIMI informa recorde de mortes entre índios. E a culpa não é das estrelas, mas da própria CNBB

Abaixo reproduzo uma reportagem do Jornal do Povo, de Três Lagoas (MS). Volto com as minhas considerações depois do texto.

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Em 2013, MS registrou um suicídio de índio a cada cinco dias
Edmir Conceição

O Conselho Missionário Indigenista (CIMI) divulgou nessa manhã, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, relatório sobre a violência contra os povos indígenas, com ênfase para o que classifica de “omissão” em relação à saúde indígena e os casos de suicídios de guarani-kaiowás na Reserva Indígena de Dourados.

De acordo com o relatório, em relação à saúde indígena, a situação “é de total omissão. A constatação de que a cada 100 indígenas que morrem no Brasil 40 são crianças torna inegável o fato de que está em curso uma política indigenista genocida”, diz Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu e presidente do CIMI.

Sobre a ocorrência de suicídios, dados oficiais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), divulgados em maio deste ano pelo CIMI, mostram 73 casos em 2013, uma média de um suicídio a cada cinco dias. Este índice configura-se como o maior em 28 anos, de acordo com os registros do Conselho Indigenista. Dos 73 indígenas mortos, 72 eram do povo Guarani-Kaiowá, a maioria com idade entre 15 e 30 anos.

Segundo o relatório do CIMI, no período de 1986 a 1997, foram registradas 244 mortes por suicídio entre os Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul. O número praticamente triplicou na última década. De 2000 a 2013 foram 684 casos.

Dividida em quatro partes, o relatório divulgado hoje traz no primeiro capítulo as seguintes categorias: omissão e morosidade na regularização das terras indígenas; conflitos relativos a direitos territoriais; e invasões, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio.

A segunda parte apresenta as violências cometidas “contra a pessoa”, dentre elas constam assassinato, ameaça de morte, abuso de poder, homicídio culposo, lesão corporal dolosa, racismo e discriminação e violência sexual, dentre outras.

Já o terceiro capítulo traz dados sobre as violências causadas por omissão do poder público, como desassistência geral e desassistência nas áreas de saúde e educação, morte por desassistência, mortalidade infantil e suicídio. E, por último, há informações sobre os povos indígenas que vivem em situação de isolamento ou de pouco contato no Brasil e as principais ameaças a que estão sujeitos.


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Antes de tudo é preciso saber quem ou o que é o CIMI. Nas palavras do próprio conselho, lemos:

O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.Criado em 1972, quando o Estado brasileiro assumia abertamente a integração dos povos indígenas à sociedade majoritária como única perspectiva, o Cimi procurou favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembleias indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à diversidade cultural.

Então vemos que em nenhum momento o CIMI, embora diga-se "missionário", fala em missão no sentido daquelas "atividades características com que os pregoeiros do Evangelho, indo pelo mundo inteiro enviados pela Igreja, realizam o encargo de pregar o Evangelho e de implantar a mesma Igreja entre os povos ou grupos que ainda não creem em Cristo" (cf Decreto AD GENTES, 6). Não! O CIMI é um órgão criado para preservar a "alteridade indígena em sua pluralidade étnico-cultural e histórica e a valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas", inclua-se ai a sua religião pagã.

Todas as nações do novo mundo (América) e do novíssimo mundo (Austrália) tiveram problemas em lidar com as comunidades nativas, sobretudo no período de colonização e posterior industrialização. Os povos nativos sempre foram colocados à margem do processo e isso não é novidade ou um produto exclusivo da sociedade brasileira.

Entretanto, o que nos afeta - e isso sim parece uma jabuticaba antropológica, ou seja, só existe aqui - e a insistência do governo e de órgãos não governamentais (ONGs) ou para-governamentais, como o CIMI, em ampliar e institucionalizar a marginalização dos povos indígenas, deslocando essa parcela da população da esfera normal da sociedade. Os povos indígenas brasileiros, hoje, são uma espécie de "canário humano", vivendo enjaulados em suas reservas imensas, à margem da sociedade e alienados das obrigações a que todos nós, meros mortais não-indígenas, estamos submetidos.

Os índios brasileiros sãos um dos maiores possuidores de terras do país. Suas reservas são vastíssimas e não podem ser fiscalizadas pelo poder público, constituindo um refúgio - eu prefiro o termo "gaiola" - para as comunidades que lá habitam, para grileiros e traficantes internacionais de drogas e armas. Para se ter uma ideia, o estado de Roraima conta com 46% do seu território formado por terras indígenas que, em extensão, são maiores do que Portugal.

O CIMI garante que a cultura desses povos permaneça intacta. E agora apresenta um relatório culpando o poder público pela mortandade de índios. A primeira culpada é a própria CNBB e os seus padrecos de passeata e seus missionários políticos.

Claro que o poder público também tem culpa, mas essa culpa se origina da mesma fonte onde bebem os ideólogos do CIMI e os antropólogos da FUNAI - a estúpida necessidade de preservar a cultura indígena em todo o seu aspecto, inclusive aquele que é claramente primitivo e violento.

Muitos índios, sobretudo os mais jovens e recém-nascidos, morrem não por falta de atendimento, mas por culpa da própria cultura indígena que o CIMI tenta a todo custo manter intacta. Eis um relato que julgo muito interessante:

O jornalista australiano Paul Raffaele manifestou indignação, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) em 29/11/2012, com o que chamou de tolerância do governo brasileiro à prática do infanticídio em tribos indígenas isoladas.Durante cerca de duas semanas de convivência com os índios Suruwahás, no Sudoeste do Amazonas, para produzir o documentário Amazon's Ancient Tribe - First Contact, Paul constatou que o grupo incentiva o assassinato de recém-nascidos deficientes ou filhos de mães solteiras, por acreditarem que são maus espíritos.O jornalista afirmou que a Funai, e consequentemente o governo brasileiro, faz vista grossa à prática e que essa tolerância escapa de sua compreensão.- Acredito que a Funai seja o órgão errado para administrar os territórios indígenas. O departamento está cheio de antropólogos que querem proteger a pureza cultural dos índios, mesmo quando isso envolve enterrar bebês vivos ou abandoná-los na floresta para serem comidos vivos por onças e outras feras - destacou.Paul Raffaele disse discordar da política da Funai e do governo brasileiro de tentar manter tribos indígenas isoladas do resto da sociedade. Segundo ele, ao agirem assim, concordam e aprovam com uma das piores violações aos direitos humanos em todo o mundo.- Não consigo entender por que não há, no Brasil, uma grande discussão a respeito do assunto. Como o povo brasileiro aceita as regras desses antropólogos? Não conheço nenhum outro país no mundo que aceite crianças enterradas vivas - ressaltou.O jornalista, que trabalha há cerca de 50 anos visitando tribos isoladas, disse que, na maioria dos locais em que esteve, os jovens queriam ter contato com o mundo externo para buscar formação educacional e conhecimento. Raffaele afirmou que a Funai desencoraja esse tipo de atitude e incentiva os índios a permanecer na "Idade da Pedra".- Eles não perguntam o que os índios, principalmente os jovens, querem. Eles dizem a esses jovens o que devem fazer. Fecham as tribos no que eu chamo de museu antropológico vivo - disse.


Não só a FUNAI, mas o CIMI e a CNBB desejam que os índios continuem na idade da pedra.

Mas também precisamos ter um cuidado com os números divulgados pelo CIMI. Quando se lança um relatório como esse temos a impressão que os índios gozam de uma "primazia da dor". Enquanto em todo o ano de 2013, segundo o CIMI, 73 índios cometeram suicídio, 26 brasileiros não-índios se mataram por dia no mesmo ano.

Os índios, a margem da sociedade, são presas fáceis para o alcoolismo e a dependência de drogas. Não recebem estudo ou assistência médica adequadas, sobretudo pela grande dificuldade de encontrá-los em suas gaiolas reservas.

E alguns índios ainda desenvolvem uma gana pelo crime. Como recentemente se viu e foi reportado em vários lugares, índios cobrando pedágio para que motoristas pudessem passar. Ou ainda índios acertando policiais com flechas e não sendo punidos, afina é uma "manifestação da cultura indígena que deve ser respeitada, não é mesmo?". São uma categoria paradoxalmente acima e abaixo dos cidadãos comuns. São imunes ao código penal, mas não tem os mesmos direitos que lhes garante a constituição nacional, exceto a posse obscena de vastos territórios. E tudo isso sob os aplausos coniventes de Dom Erwin Krautler, da CNBB, do CIMI e da FUNAI.

Sim, existe violência contra os povos indígenas, isso não se nega. Mas a violência maior vem daqueles que julgam proteger os índios - é uma violência institucionalizada por uma antropologia rasteira e sádica. Dom Erwin Krautler alerta exageradamente e de forma sensacionalista para "uma política indigenista genocida", mas não percebe que a única política genocida é aquela praticada pelos seus compadres do CIMI.

As comunidades indígenas de outros países se comportam de forma diferente, como salientou o jornalista australiano. Preservam suas tradições e costumes, mas não estão alienadas do convívio social ou tratadas de forma especial. São cidadãos plenos dos seus respectivos países. No Brasil, por sua vez, há esse casamento tenebroso entre os antropólogos da FUNAI - que garantem que os índios vivam no paleolítico - e os progressistas do CIMI/CNBB que, traindo a sua missão evangelizadora, permitem que Tupã ainda reine na mata.

E depois se espantam quando o índio se mata! Num mundo sem uma Boa Nova ou uma mensagem de esperança, onde a vida não tem nenhum valor sagrado, é só isso que resta!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Paranoico, eu?

Por mero acaso recebi uma mensagem de um amigo atentando para o fato que o Sr. Jorge Ferraz, que administra o blog "Deus lo Vult!" citou meu post como "exemplo de mau comentário". Eis o que diz o blogueiro:

O terceiro [exemplo de mau comentário], por fim, Visitação Apostólica à diocese de Ciudad del Este [linkando para este blog], traz até uma informação relevante – o fato de que haverá uma Visitação Apostólica a Ciudad del Este; mas se perde em elucubrações e devaneios que raiam às teorias da conspiração. O único dado concreto e objetivo do qual dispomos é o de que, no final deste mês, haverá um Visitador Apostólico no Paraguai. Ponto. Daí a afirmar que isso seja porque, no atual pontificado, «[t]udo o que é tradicional deve ser neutralizado» é no mínimo paranóico.

Em primeiro lugar, eu não postei nada no blog do Sr Jorge Ferraz, como ele afirma no início da sua postagem. Se alguém o fez, fez por conta própria. Eu não leio o Deus lo Vult! nem comento em suas postagens, mas acredito que o site tenha seus méritos e faz bem para quem o lê. Há na internet, afinal, essa liberdade de escolha.

Em segundo lugar - e isso acho importante deixar registrado porque parece que muita gente não entende - este não é um blog jornalístico, muito menos imparcial. Este blog expõe as minhas opiniões e impressões, tal como o "Deus lo Vult!", creio eu, não fala pela igreja e expõe apenas as opiniões do seu respectivo autor.

Talvez - e só talvez - o sr Jorge Ferraz possa explicar a toda a blogosfera católica, nacional e internacional, que assiste aturdida a uma verdadeira avalanche de más notícias, o que, na sua opinião é claro, significam os gestos que viemos até o momento?

Ainda existem, vejam só, aquelas pessoas que gozam de uma visão polianesca das coisas. Sentem o cheiro de queimado, sentem o calor, mas se recusam a admitir o incêndio. Não sejamos paranoicos!

O sr Jorge Ferraz tem todo o direito de "me achar paranoico". Eu não acredito que sofro dessa patologia. Mas talvez seja o mau de todo paranoico se achar um pouco são. Talvez a verdadeira paranoia seja acreditar que tudo está bem... Vai saber.

Não gosto muito do "argumentum ad hominem", prefiro expor minhas considerações - somente minhas - sobre acontecimentos. E o leitor é livre, claro!, para concordar ou discordar. Se discorda, peço que comente, pois todo comentário construtivo é bem vindo. Eu não sou um blogueiro tiranete que lhe diz, caro leitor, o que é ou não um bom comentário ou como deve ser ou não o seu comentário. Me reservo, é claro, o direito de não publicar comentários de baixo calão.

Acontece que parece que não sou o único afetado pela "paranoia" ou agraciado com a habilidade de fazer "maus comentários". Vários blogueiros com muito mais experiência do que eu também sofrem do mesmo problema. Ah! Seus paranoicos!

Até o momento, entretanto, as minhas paranoias só foram confirmadas. Eu vejo que há um problema claro nas intervenções, por exemplo, nos Franciscanos da Imaculada e na Diocese de Ciudad del Este. Ou alguém acha normal duas comunidades, coloquemos dessa forma, com vocações abundantes e ortodoxia serem alvo de visitas, investigações, intervenções e tudo mais?

Em terceiro lugar, novamente afirmo que não faço críticas com sorriso nos lábios. Não! Eu sei o quanto é duro escrever sobre os graves problemas que a Igreja vem passando, sobretudo quando esses problemas vem de cima, se é que o leitor me entende. Não é prazeroso, não é bom. Mas se escrever sobre isso é ruim, manter o silêncio ou fingir que nada acontece é ainda pior.

Talvez eu precise ser mais otimista, quem sabe? Nunca deixei de acreditar na vitória da Igreja e ironicamente é o Papa Francisco que me dá mais fé nessa vitória.

Como disse, eu não leio o "Deus lo Vult!", mas não o considero um blog ruim ou um exemplo de "mau" qualquer coisa, nem acho que seu autor tenha algum tipo de patologia mental. Respeito as opiniões do sr Jorge Ferraz, embora não concorde com elas (sobretudo quando o assunto sou eu ou o que escrevo...).

Prefiro encerrar desta forma. O sr Jorge Ferraz é mais objetivo, vendo apenas o texto. Eu, por outro lado, sou mais subjetivo, prefiro ver o contexto. São duas abordagens diferentes para quem busca a Verdade e acredito que nós dois - o Sr Jorge Ferraz e eu - queremos encontrá-la.

Criada a União Sacerdotal Marcel Lefebvre


(France Fidèle | Tradução Blogonicus) - O site France Fidèle tem a alegria de anunciar o nascimento da "União Sacerdotal Marcel Lefebvre", estabelecida ontem, 15 de julho de 2014, no convento dominicano de Avrillé afim de continuar o trabalho do grande arcebispo. Sua Excelência bispo Richard Williamson celebrou a missa de consagração à Santíssima Virgem da União Sacerdotal este 16 de julho de festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
O Abade de Merode foi nomeado coordenador para a França. Convidamos os fiéis a dar graças por este grande evento na luta da fé.

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Até que demorou para Mons Williamson, expulso da Fraternidade Sacerdotal São Pio X pelo Superior Geral em 2012, criar a sua própria versão da FSSPX. Agora, gozando de uma liderança absoluta que nunca teve dentro da FSSPX, poderá comandar uma comunidade segundo o que ele acha correto.

Com ele nesta empreitada estão os padres que, desde 2012, também foram expulsos ou deixaram a FSSPX e algumas comunidades religiosas que viviam à órbita da FSSPX.

Bispo Williamson conseguiu reunir um séquito de fiéis leigos e religiosos dando como certo o acordo entre Roma e a FSSPX, que até agora não se viu e a cada dia fica mais distante. As ameaças do bispo Williamson eram contundentes e até hoje ele, mensalmente, alerta sobre a iminência do acordo que, como canta o samba, "nunca vi, nem comi, eu só ouço falar". Graças grande parte a essas ameaças vazias e baseadas no disse-me-disse e nas suas próprias especulações que ele criou a tal da "resistência".

E assim caminha o orbe tradicionalista, de resistência em resistência, "com passos de formiga e sem vontade. Não vou dizer que foi ruim. Também não foi tão bom assim"!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Card. Walter Brandmüller dá uma lição de catolicismo a Scalfari. Ou, será que Francisco leu a bíblia?

Na última entrevista concedida ao periódico "La Repubblica", através do seu editor e fundador, o ateu Eugenio Scalfari, Francisco afirmou na última pergunta que o celibato, apontado para Scalfari como um problema, era uma norma da igreja de apenas 900 anos e que ele - o Papa - iria encontrar soluções para esse problema, referindo-se aos padres que vivem com mulheres.
Num vasto texto publicado no Il Foglio, o cardeal Walter Brandmüller apresenta todo o contexto do celibato na igreja latina e na oriental, dando uma boa lição de teologia e história ao jornalista ateu e, ouso dizer, a Sua Santidade. Eis o texto. Volto com um breve comentário abaixo.

***


Nós, sacerdotes, celibatários como Cristo 

por Walter Brandmüller
* Cardeal e presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas.

Ilmo dr. Scalfari, mesmo não gozando do privilégio de conhecê-lo pessoalmente, gostaria de voltar a suas declarações sobre o celibato contidas no relatório de sua entrevista com o papa Francisco, publicado 13 de julho de 2014, cuja autenticidade foi imediatamente negada pelo diretor da Sala de Imprensa do Vaticano.

Como o "velho professor", que durante trinta anos lecionou História da Igreja na universidade, gostaria de vos informar o estado atual da pesquisa neste campo.
Em particular, deve-se salientar, em primeiro lugar, que o celibato não data a uma lei inventada 900 anos depois da morte de Cristo.

São abundantes nos Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas que relatam as palavras de Jesus sobre o assunto.
São Mateus escreve (19,29) "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna".
De forma muito semelhante ao que escreve São Marcos (10,29) - "Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais..."
De forma mais precisa está São Lucas (18,29 ss) - Em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna"

Jesus não dirigia estas palavras para as massas, mas para aqueles que enviava ao mundo para espalhar Seu evangelho e anunciar a vinda do Reino de Deus. Para cumprir esta missão, você precisa se livrar de qualquer laço terreno e humano.

E uma vez que esta separação significa a perda do que é dado como certo. Jesus promete uma "recompensa" mais do que apropriada.
Neste momento encontra-se frequentemente que o "deixar tudo" se referia apenas à duração da jornada de proclamação do Seu Evangelho, e que uma vez que a tarefa fosse concluída, os discípulos seriam devolvidos às suas famílias. Mas não há qualquer vestígio disso.

O texto dos Evangelhos, referindo-se a vida eterna, no entanto, fala de algo definitivo.

Agora, desde que os Evangelhos foram escritos entre 40 e 70 d. C., seus redatores estariam em maus lençóis se atribuíssem palavras a Jesus que, então, não se encaixavam com o seu modo de vida. Jesus, de fato, afirma que aqueles que são participantes da sua missão também adotam o seu estilo de vida. Mas o que significa quando Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (9.5) escreve: Não sou eu livre? Não sou apóstolo?... Não temos nós porventura o direito de comer e beber? Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher crente, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar o trabalho?

Estas perguntas e afirmações não dão como certo que os apóstolos estavam acompanhados por suas esposas? Aqui devemos proceder com cautela. As perguntas retóricas do apóstolo referem-se ao direito daquele que anuncia o Evangelho de viver às custas da comunidade, e isso também se aplica a quem o acompanhava. E aqui se coloca a questão sobre quem seria esse acompanhante.

A expressão grega "adelphén gynaika" exige uma explicação. "Adelphe" significa irmã.
E aqui para a irmã na fé significa uma cristã, enquanto "Gyne" significa - de forma mais geral - uma mulher, uma virgem, esposa ou noiva que seja.
Em suma, um ser feminino.

Isso torna impossível de provar, no entanto, que os apóstolos foram acompanhados por suas esposas.
Por que, se assim fosse, não se iria entender por que falamos de uma Adelphe distintamente como uma irmã, de modo cristão.  Quanto à sua esposa, você tem que saber que o apóstolo a deixou quando se juntou ao círculo dos discípulos.

O capítulo 8 do Evangelho de Lucas ajuda a colocar mais clareza.  Você lê: "Os Doze estavam com Jesus, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses". A partir dessa descrição parece lógico inferir que os apóstolos seguiam o exemplo de Jesus.

Também deve ser levado ao conhecimento o apelo empático ao celibato ou à abstinência conjugal feita pelo apóstolo Paulo (1. Cor. 7,29 ss): "Mas eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem". E também "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa".
É claro que Paulo, com estas palavras irá agradar principalmente aos bispos e sacerdotes. E ele mesmo iria se ater a esse ideal.

Para provar que Paulo ou a Igreja nos tempos apostólicos não tinha conhecido do celibato são colocados em jogo, às vezes, as cartas a Timóteo e Tito, as chamadas cartas pastorais.
E, de fato, em sua primeira carta Timóteo (3:2) fala de um bispo casado. E repetidamente se traduz o texto original grego da seguinte forma: "O bispo deve ser marido de uma mulher", o que é entendido como um preceito.

E sim, bastaria um conhecimento rudimentar de grego, para traduzir corretamente: "Por esta razão, o bispo seja irrepreensível, ambos casados ​​uma vez (e ele deve ser marido de uma mulher!), Sede sóbrios e sensatos ...".
E no livro de Tito diz: "Um ancião (ou seja, um padre, bispo) deve ser irrepreensível casado uma vez...". Há indícios que tendem a excluir a possibilidade de ser ordenado bispo quem, após a morte de sua esposa, se casou novamente (bigamia sucessiva).
Porque, além do fato que naquele tempo não se via com bons olhos um viúvo que se casava novamente, para a Igreja se acrescentava a consideração que um homem nessas condições não oferecia garantia alguma de respeitar a assistência, a qual um bispo ou sacerdote devia recorrer.


A prática na Igreja pós-apostólica

A forma original do celibato previa que um sacerdote ou bispo continuasse com a vida familiar, mas não uma vida conjugal. Também por isso se preferia ordenar homens em idade mais avançada.

O fato de que tudo pode ser rastreada até as antigas e consagradas tradições apostólicas, como evidenciado pelas obras de escritores eclesiásticos como Clemente de Alexandria e o norte-africano Tertuliano, que viveu no século XIII depois de Cristo. Além disso, são testemunhas dignas de consideração sobre a apreciação da abstinência entre os cristãos, uma série de literaturas edificantes sobre os apóstolos: são os apócrifos dos atos dos apóstolos, compostos no final do século II e muito difundidos.

No séculos sucessivos se multiplicavam e sempre de forma mais explicita - sobretudo no oriente - os documentos literários sobre a abstinência dos clérigos. Eis, por exemplo, uma passagem de um texto sírio: O bispo, antes de ser ordenado, deve ser submetido a prova, para saber se é casto e se educou seus filhos no temor de Deus".
Até mesmo o grande teólogo Orígenes de Alexandria tem conhecimento de um celibato de abstinência vinculante; um celibato sobre o qual escreve e se aprofunda em várias obras.
E há, obviamente, que se considerar outros documentos de apoio, o que obviamente não é possível aqui.

A primeira lei sobre o celibato

Foi o Concílio de Elvira de 305-06 para dar a esta prática de origem apostólica a forma da lei.
Com a Cânone 33, o Concílio proíbe bispos, sacerdotes, diáconos e todos os outros clérigos de relações conjugais com sua esposa e também os proíbe de ter filhos.

Na época, pensava-se, portanto, que a abstinência conjugal e a vida familiar eram conciliáveis.
Assim, mesmo o Santo Padre Leão I, conhecido como Leão Magno, por volta do ano de 450, escreveu que os consagrados não deviam se divorciar de suas esposas.

Eles tinham que ficar juntos, mas como escreve Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios (7:29).
Com o passar do tempo, tendeu-se cada vez mais a dar os sacramentos só para homens solteiros.
A codificação vai chegar na Idade Média, época em que foi assumido que o sacerdote e o bispo fossem celibatários.

Outra coisa é o fato de que a disciplina canônica nem sempre foi vivida ao pé da letra, mas isso não é surpreendente.
E, como é da natureza das coisas, mesmo a observância do celibato tem conhecido ao longo dos séculos os altos e baixos. Exemplo famoso é o debate muito acalorado, que teve lugar no século XI, no momento da chamada reforma gregoriana.

Naquela época, nós testemunhamos um racha tão claro - especialmente na igreja francesa e alemã - que levou os prelados alemães que se opunham ao celibato a removerem a força o Bispo Altmann de Passau de sua diocese. Na França, os emissários do Papa instruído a insistir na disciplina do celibato foram ameaçados de morte, e o santo abade Walter de Pontoise foi espancado durante um sínodo realizado em Paris, pelos bispos que se opõem ao celibato e jogado na cadeia. No entanto, a reforma prevaleceria, e nós assistimos a uma renovada primavera religiosa.

É interessante notar que a contestação da disciplina do celibato sempre esteve associada aos sinais de decadência na Igreja, enquanto que em momentos de renovada fé e florescimento cultural foi notada uma observância melhorada do celibato. Não é difícil tirar destas observações paralelos históricos com a atual crise.


O problema da Igreja do Oriente

Permanecem abertas mais duas perguntas que são feitas com freqüência. Aquela que diz respeito à prática do celibato na Igreja Católica do Império Bizantino e pelo rito oriental: que não permite o casamento para os bispos e monges, mas as concede aos sacerdotes, contanto que sejam casado antes de tomarem os sacramentos. E, tomando a sua prática como esta, há aqueles que se perguntam se poderia igualmente ser adotada pelo ocidente latino.

Neste sentido, importa antes de mais salientar que foi no Oriente que a prática do celibato em abstinência foi considerada vinculante. E é somente durante o Concílio de 691, o chamado Quinisextum o Trullanum, quando ficou clara a decadência religiosa e cultural do Império Bizantino, que há à ruptura com a herança apostólica. Este concílio, influenciado principalmente pelo imperador, que com uma nova legislação colocou ordem nas relações, nunca foi reconhecido pelos papas.

É apenas naquela época que surge a prática adotada pela Igreja do Oriente.
Quando, nos séculos XVI e XVII, e, posteriormente, várias igrejas ortodoxas voltaram para a Igreja do Ocidente, Roma enfrentou o problema de como lidar com os clérigos casados ​​das igrejas. Os vários papas que se seguiram decidiram, para o bem e a unidade da Igreja, em não exigir dos sacerdotes que voltavam para a igreja-mãe todas as alterações ao seu modo de vida.


A exceção em nosso tempo


Ordinários e suas esposas
Convertidos ao catolicismo e dispensados do celibato
Em um raciocínio semelhante também se baseia a dispensa papal do celibato concedida - a partir de Pio XII - aos ministros protestantes que se convertem à Igreja Católica e que desejam ser ordenados sacerdotes. Esta regra foi aplicada recentemente por Bento XVI aos muitos prelados anglicanos que quiseram juntar-se, de acordo com a constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, à Igreja Católica.

Com esta concessão extraordinária, a igreja reconhece estes homens de fé em sua longa e muitas vezes dolorosa jornada religiosa, agora convergindo para a meta. A meta em nome da verdade faz as pessoas envolvidas desistirem até mesmo do sustento econômico até então recebido.
É a unidade da Igreja, bem de imenso valor, que justifica essas exceções.

Herança vinculante?

Mas para além destas exceções, há uma outra questão importante a saber: a Igreja pode ser autorizado a renuncia a uma herança apostólica clara? É uma opção que está constantemente a ser considerada.
Alguns pensam que esta decisão não pode ser tomada apenas de um lado da igreja, mas por um concílio geral.

Dessa forma, se pensa que, por não envolver todo o âmbito eclesiástico, pelo menos para alguns é possível afrouxar a obrigação do celibato, quando não abolir por completo. E o que hoje ainda é inapropriado, poderia ser a realidade de amanhã.
Mas se proceder dessa forma, se deve colocar em primeiro plano o elemento vinculante da tradição apostólica.

E ainda você pode estar se perguntando se, por decisão tomada num Concílio, seria possível abolir a celebração do Domingo, já que para querer ser rigoroso, ela tem menos fundamentos bíblicos que o celibato. Finalmente, para concluir, gostaria de apresentar uma visão para o futuro: se continua a ser válido o fato de que cada reforma eclesiástica que merece esta definição provém de um profundo conhecimento da fé eclesiástica, então, mesmo o atual debate sobre o celibato será ultrapassado por um conhecimento profundo do que significa ser um sacerdote.

E se você entender e ensinar que o sacerdócio não é um mero serviço, exercido em nome da comunidade, mas que o sacerdote - em virtude dos sacramentos recebidos - ensina, santifica e guia na pessoa de Cristo,  vamos entender ainda mais que para isto ele também deve assumir a forma de vida de Cristo.

E um sacerdócio bem compreendido e vivido voltará a exercer uma força de atração sobre os jovens.
Quanto ao resto, temos de reconhecer que o celibato, assim como a virgindade por causa do Reino dos Céus, permanecerá para aqueles que têm uma concepção secularizada da vida sempre como algo irritante.
Mas Jesus já disse a este respeito: "Quem pode entender, compreenda."


***

Em primeiro lugar, peço desculpas antecipadas se encontrarem algum erro no texto. Não tive tempo de revisá-lo, mas acredito que você leitor, como uma alma indulgente, vai me perdoar. Agora vamos lá...

Scalfari, um ateu que naturalmente "têm uma concepção secularizada da vida", não comete um erro ou incoerência ao questionar o celibato. É da sua natureza deformada, enquanto ateu, ir contra a igreja. Quem erra é o Papa Francisco que demonstrou, mais uma vez, pouco conhecimento da teologia e da história da Igreja.

Não é a primeira vez que o Papa gloriosamente reinante é pego com problemas bíblicos. O editor do site e periódico americano "The Remnant", Michael Matt, já falou num vídeo no youtube sobre os problemas que Francisco tem com a bíblia - citações que não existem, trechos inventados pela criatividade pontifícia e até interpretações que vão contra o sentido claro do texto. Essas "imprecisões" são cometidas frequentemente nas missas diárias do Papa na casa Santa Marta; suas homilias, diferentemente das homilias das grandes liturgias nas basílicas ou viagens, não são revisadas pelos teólogos do Vaticano, algumas são feitas totalmente de improviso pelo Papa, sem texto escrito.

O texto do cardeal Brandmuller ilustra o caráter apostólico do celibato. Não é uma lei qualquer criada 900 depois da morte [e ressurreição... Francisco também esquece desse detalhe] de Jesus. Não é um pedaço de legislação, mas parte da tradição apostólica!

O cardeal demonstra brevemente que a Igreja oriental tolera o casamento dos clérigos por imposição secular, um vício que foi transformado, isso sim, em lei. Mesmo hoje, entre os ortodoxos, os padres casados não são, nem de longe, a maioria e sua ordenação não é estimulada pelos bispos. Os progressistas tentam buscar no oriente uma base teológica para justificar o fim do celibato e a tolerância ao divórcio. Não encontram, porque não existe.

Francisco tem a mesma teologia de Kasper. Acontece que o cardeal alemão, que estudou teologia, sabe que não está certo e age de má fé, apresentado fatos mutilados e meias verdades. Já o Papa pensa que está certo e isso é o mais perigoso.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Misteriosa renúncia do bispo de Karaganda. Caminho aberto para Dom Athanasius Schneider?

O boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé informou hoje, 15, que o Santo Padre aceitou a renúncia de Dom Janusz Wiesław Kaleta (foto), bispo de Karaganda, no Cazaquistão. A decisão se deu com base no § 2 do cânone 401, que trata da renúncia ou remoção de um bispo por problemas graves que impedem o governo pastoral da diocese, normalmente, mas não unicamente, referindo-se a problemas de saúde do prelado. Dom Wiesław Kaleta tem apenas 49 anos e está bem longe da idade de aposentadoria, normalmente aos 75 anos. O antecessor de Kaleta, Dom Jan Paweł Lenga, também renunciou bem antes da idade, com 60 anos. A diocese conta com dois bispos eméritos com menos de 65 anos.

Como muitos leitores devem saber, a diocese de Karaganda é a diocese natal de Mons. Athanasius Schneider, que dispensa apresentações. Mons Scheneider foi o responsável pela construção da belíssima catedral da diocese, onde atuou como bispo auxiliar até ser transferido para a arquidiocese de Astana, na capital, também como auxiliar.

A Igreja no Cazaquistão vem florescendo depois de viver anos sob o regime comunista. Mons Athanasius é um dos poucos bispos do país, que conta com uma arquidiocese (Astana), duas dioceses (Karaganda, Santíssima Trindade em Almaty) e uma administração apostólica em Atyrau. Todos os bispos do Cazaquistão são estrangeiros, pois o clero nativo ainda é pouco numeroso.

Embora não seja prudente ou mesmo recomendável, estamos rezando para que o bom bispo, que até hoje permanece inexplicavelmente como um bispo auxiliar, possa se tornar o próximo ordinário de Karaganda. Ele conhece o povo, o clero e já fez muito pela diocese, nada mais natural. Entretanto sabemos que esse não é um bom momento para as nomeações ligadas ao universo tradicional... De qualquer forma rezemos por Dom Athanasius e pelo bispo Kaleta que misteriosamente se retira.

Entrevista de Scalfari (2013) volta a fazer parte do Magistério Oficioso do Papa Francisco

Em novembro de 2013, algumas semanas depois de publicada uma entrevista do Papa Francisco ao jornalista Eugenio Scalfari no jornal La Repubblica, o Vaticano, que havia disponibilizado o disputado texto no website oficial da Santa Sé, o removia da página com a seguinte observação do Pe. Lombardi.

"A entrevista é confiável de um modo geral, mas não em avaliações individuais: por este motivo, foi decidido não torná-la um texto disponível no site da Santa Sé. Em substância, remover a entrevista a configurou de acordo a natureza desse texto. Houve uma certa ambiguidade e debate sobre o seu valor. A decisão foi tomada pelo Secretário de Estado"

Escrevemos sobre isso aqui no blog.

Muitos criticavam a presença da entrevista ao lado de textos que integravam o magistério do Pontífice ou seus pronunciamentos oficiais. A presença do texto, que tinha sérios problemas com a doutrina católica, no website do Vaticano lhe conferia certa autoridade.

Agora Francisco concedeu outra entrevista a Scalfari, seguindo o mesmo modus operandi da entrevista anterior, sem gravações ou notas, resultando num texto composto apenas da memória do entrevistador sobre as respostas do entrevistado, um texto não menos polêmico.

E qual não foi a surpresa ao vermos que a entrevista de 2013 retornou ao site do Vaticano. A entrevista foi arquivada como discurso, embora o Vaticano negue que se trate das palavras exatas do Papa. Também está no site do Vaticano a primeira relação do Papa Francisco com jornalista ateu Scalfari, uma carta de setembro de 2013.

Parece que neste pontificado vivemos não só tempos de incertezas, mas há uma confusão generalizada sobre o que é e o que não é. Perdemos um primado da certeza, substituindo-o por um primado da dúvida.

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Obrigado ao leitor Arcipreste Toledo pela dica.

Doidera Anglicana - Eutanásia, Mulheres bispos, pastores transexuais

A igreja anglicana [da Inglaterra] foi destaque nesta semana pela aprovação dada pelo seu sínodo para ordenação de mulheres como bispos. A proposta vinha caminhando há pelo menos quatro anos, sendo rejeitada por votação apertada no ano passado. Agora, contudo, a proposta passou pela Câmara dos bispos e foi aprovada oficialmente. Ainda este anos, dizem, a "Church of England" (Igreja da Inglaterra) poderá ter sua primeira bispa; alguns já consideram que o próximo arcebispo da Cantuária deverá ser uma mulher.

Por conta da decisão, o ordinariato católico de Nossa Senhora de Walsingham publicou um convite em seu website, pedindo que os anglo-católicos que estejam considerando seu futuro deem uma chance a estrutura proposta pelo Papa Bento XVI que acolhe anglicanos dentro da Igreja católica. O convite afirma que, tendo aprovado a ordenação de mulheres ao sacerdócio em 1992, o passo natural seria conceder o episcopado.

Desde a ordenação de mulheres como sacerdotes os anglo-católicos dentro da igreja da Inglaterra foram colocados sob supervisão de três bispos "volantes", que formam uma espécie de diocese sem fronteiras físicas e acolhem sob sua tutela as paróquias, clero e fiéis contrários à ordenação feminina. Esta solução foi considerada como determinante para a sobrevida do anglo-catolicismo dentro da igreja estatal. Entretanto os proponentes do episcopado feminino descartaram a mesma solução neste momento, afirmando que se uma diocese tiver uma bispa, os anglo-católicos deverão se submeter a sua autoridade episcopal.

A intransigência do Sínodo em prover uma estrutura alternativa para os opositores do episcopado feminino vem levantando questionamentos sobre a vontade de manter anglo-católicos dentro da comunhão anglicana. Em 2010, quando os então bispos volantes anglicanos Andrew Burnham,  Keith Newton e John Broadhurst anunciaram sua conversão ao catolicismo, a Igreja da Inglaterra procurou alternativas mais liberais para substituí-los na liderança dos anglo-católicos, numa tentativa clara de amaciar o caminho das futuras políticas, sobretudo o casamento de pessoas homossexuais e a ordenação de bispas. Jonathan Baker, um dos atuais bispos volantes anglicanos, foi anunciado pessoalmente por Rowan Williams e precisou declarar-se oficialmente desligado da maçonaria, da qual era membro, antes de assumir o cargo. A ligação de Baker com a maçonaria chocou os fieis anglo-católicos. Atualmente Baker se posiciona de forma leniente com a ordenação de bispas.


Eutanásia

Os problemas anglicanos não se limitam apenas à ordenação de mulheres ao episcopado. Nos últimos dias dois grandes nomes do anglicanismo se posicionaram de forma favorável à eutanásia.

Lorde George Carey (foto), que já foi arcebispo da Cantuária, afirmou que mudou "sua forma de pensar a morte" e que "lutar contra a mudança da legislação arriscaria promover angústia e for, o oposto da mensagem cristã de esperança". A Inglaterra, como boa parte dos países europeus, vem enfrentando uma nova onda dos promotores da cultura da morte. Depois de conseguirem aprovar o aborto em praticamente todos os países europeus, é hora de aprovar o "suicídio assistido", nome eufemístico para a eutanásia.

O "prêmio da Paz" Desmond Tutu
Servindo aos poderes da ONU
Outro nome importante do anglicanismo global a declarar-se favorável à eutanásia é o do arcebispo sul-africano e prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu. Sobre o assunto Tutu afirmou que venera "a santidade da existência que nos deu a Divindade, mas não a qualquer preço. As pessoas devem ter o direito de solicitar legalmente uma dose letal de medicamentos" e "quando máquias são necessárias para ajudar a um ser humano a respirar, então você deve começar a se perguntar sobre essa qualidade de vida e sobre a quantidade de dinheiro utilizada".

O líder sul-africano vem cada vez mais expressando opiniões esdruxulas como as apresentadas acima. O Partido Democrático Cristão da África do Sul expressou em nota que Jesus Cristo não apoiaria a posição do arcebispo sobre a eutanásia e que Tutu seria tratado por Cristo como os fariseu foram, "como hipócritas, sepulcros caiados e filhos de satã".


Pastor Transgênero

No dia 22 de junho, a catedral maior dos anglicanos americanos, localizada em Washington, viveu um dia insólito. A liturgia conduzida naquele templo expressou toda a doutrina adotada atualmente pelos membros da igreja Episcopal.

Presidindo o serviço litúrgico estava Gene Robinson, o primeiro bispo abertamente homossexual da igreja episcopal cuja consagração, em 2004, deu início a uma crise histórica com várias dioceses deixando a igreja oficial. Ao lado de Robinson estava o pastor Rev Dr Cameron Partridge (foto), que proferiu a homilia.

Partridge, que hoje se define como homem, é na verdade uma mulher e o primeiro pastor transgênero ou transsexual da igreja episcopal. Ele(a) é atualmente capelão da universidade de Boston e conselheiro para os alunos anglicanos que frequentam a universidade de Harvard.

A igreja episcopal, ramo anglicano nos EUA, vem seguindo uma linha agressiva pró-gay e hoje conta com vários pastores e pastoras abertamente homossexuais, realiza o casamento gay e tem dois bispos homossexuais (um gay e uma lésbica). Várias dioceses deixaram a igreja episcopal por discordarem profundamente das políticas atuais da igreja e vem enfrentando inúmeros processos movidos pelo escritório central sobre a posse das propriedades. Em algumas dioceses a igreja Episcopal ficou com todos os templos, capelas e igrejas paroquiais, mas nenhum fiel. Desde a segunda metade do século XX, quando a igreja episcopal foi adotando inúmeras práticas anti-cristãs como a aprovação dos anticoncepcionais, do divórcio, do aborto, suporte ao homossexualismo, à eutanásia, etc. vem perdendo fiéis de forma acelerada, passando de 20 milhões de anglicanos em 1970 para pouco mais de 1,5 milhão atualmente.
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