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sábado, 2 de agosto de 2014

A podridão da CNBB não conhece limites.

A reforma política da CNBB
Qual o partido vem à mente quando se menciona MST, CUT, Via Campesina, Contag, UNE, Fenaj?


(Percival Puggina | Mídia News) Buscando informações sobre o projeto de reforma política que vem sendo objeto de coleta de assinaturas, descobri uma nova dimensão da hegemonia que se estabeleceu sobre a nação.

Qual o partido ou tendência ideológica que lhe vem à mente quando eu menciono MST, CUT, Via Campesina, Contag, UNE, Fenaj?

Pois bem, fazendo a tal busca, obriguei-me a ler as 23 páginas do projeto de lei que "dispõe sobre o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de eleições proporcionais". Tratei, igualmente, de saber de onde ele veio.

Esse projeto foi divulgado em outubro do ano passado pelo movimento Eleições Limpas (www.eleicoeslimpas.com.br) e hoje é acionado por uma certa Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas (procure no Google por esse nome e clique em "Quem somos").

Vê-se, ali, que a coalizão é formada por 99 entidades - sim, você leu certo, 99! - contadas uma a uma.

Entre as já mencionadas, ainda encontrei outros velhos conhecidos: UBES (estudantes secundaristas), CNTE ("trabalhadores" em educação), Conic (aquele Conselho Nacional de Igrejas Cristãs que apoiou oficialmente o PNDH-3), o MMC (Movimento das Mulheres Camponesas, aquelas que invadiram os laboratórios da Aracruz em 2006), um certo Fórum Paulista de Participação Popular (cujo site é encimado por peça publicitária de um candidato do PT a deputado federal), a Via Campesina, a UBM (entidade de mulheres pró-aborto), RFS (Rede Feminista de Saúde, pró-aborto), a Rbrip (rede de ONGs e movimentos sociais com propostas "alternativas"), a Liga Brasileira de Lésbicas, o Movimento Evangélico Progressista, a Articulação Mulheres Brasileiras (pró-aborto e contra os direitos dos nascituros).

E por aí vai. Sabe quando a oposição conseguirá reunir algo semelhante a esse formidável elenco de militantes ONGs, grupos, movimentos, uniões, conselhos, redes, ligas, associações, federações, centrais, etc.?

Encimando a lista, mas como fios da mesma meada, luzem os logotipos e as siglas da CNBB e da OAB. Isso mesmo. Mais uma vez, você leu certo. As duas entidades, juntam-se a estranhíssimas parcerias, revolucionárias umas, desrespeitadoras da lei outras, objetivamente criminosas outras mais, para propor à nação uma "reforma política" praticamente igual à que o PT sempre pretendeu. Quem duvida, informe-se.

2013 - Deputados do PT entregam projeto de reforma política do partido
para Dom Leonardo Steiner, o bispo amigo de comunistas brasileiros e
estrangeiros.
O 3º Congresso do PT, em 2007, definiu-se por uma reforma política que estabelecesse: 1) o financiamento público das campanhas; 2) o voto em listas fechadas; 3) a representação de gênero, raça e etnia. O projeto da Coalizão: 1) cria o financiamento público e proíbe o financiamento de empresas; 2) estabelece o voto em lista fechada; 3) gratifica com mais recursos públicos o partido que apresentar candidatos de segmentos sociais minoritários.

E faz dois adendos ao projeto do PT: 1) admite o financiamento de pessoas físicas até o limite de R$ 700; 2) acrescenta à proposta petista um segundo turno nas eleições parlamentares para o ordenamento final das cadeiras por voto nominal.

Nem uma palavra, nem um pio, sobre o que mais importa: delegar a chefia de Estado e a chefia de governo a pessoas distintas, impor o desaparelhamento partidário da administração pública e estabelecer o voto distrital misto. 

Com esses apoiadores e tanta identidade de pontos de vista, eu não preciso saber mais para compreender a quem serve esse projeto. 

E concluo: se ele serve a quem serve, não serve ao Brasil. 

PERCIVAL PUGGINA é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+ e membro da Academia Rio-grandense de Letras.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Luta da Conferência Episcopal do Chile Contra o Aborto

Bispos do Chile
Ao assumir o comando do país, Michelle Bachelet, do partido socialista do Chile, está fazendo cumprir aquilo que prometera durante a campanha - aprovar uma lei pró-aborto imediatamente. A eleição que a conduziu ao governo teve um número recorde de abstenções (50% no primeiro turno e 58% no segundo), o que facilitou a vitória da socialista que precisou de um número menor de votos válidos para se eleger porque, diferentemente de conservadores e direitistas, que existem no Chile, a esquerda comparece em massa ao pleito não obrigatório.

O Chile é um dos países mais desenvolvidos da América Latina, tem um padrão de vida muito bom, com elevados índices de desenvolvimento humano e liberdade econômica. Como todo país latino-americano, o Chile é formado por uma população conservadora que nunca aprovou o aborto. As legislações pró-aborto na América Latina nunca são aplicadas depois de consulta popular, mas são remetidas com força da lei desde o gabinete dos políticos, por imposição internacional das grandes fundações e, sobretudo, da ONU/OMS.

A Conferência Episcopal do Chile (CEC), diferentemente da sua homóloga brasileira, decidiu iniciar uma forte campanha contra a nova legislação pró-aborto. Em uníssono os bispos estão trabalhando em suas dioceses, usando dos diversos meios de comunicação que dispõem para alertar a população e defender a vida desde a sua concepção até a morte natural.

No Chile a Igreja goza de uma grande confiança e influência junto ao povo e também junto aos políticos. A Igreja Católica é chamada - e com alguma razão - de o "quarto poder da república".

Tal como acontece com a política secular dos dois países, Brasil e Chile, as suas respectivas conferências episcopais são tão distintas que, se não nos dissessem, seria possível afirmar que fazem parte de dois corpos eclesiais distintos.

Navegando pelo site da duas conferências, sobretudo nas páginas de declarações oficiais, se vê o quão podre e secularizada está a CNBB, com declarações sobre todas as bobagens que não lhe dizem respeito e o silêncio obsequioso aos assuntos importantes de fé e moral. O inverso se vê na CEC, com documentos e declarações oficiais de grande relevância e, pasmem, com identidade católica objetiva.

Quando se trata do tema pró-vida, a CNBB não se posiciona, enquanto grupo, mas deixa que os bispos se virem em suas dioceses como bem entenderem. Agora em relação á Amazônia, à reforma política ou agrária, à redução da maioridade penal, ao uso da água, etc. a CNBB sempre tem uma forte declaração e um posicionamento preciso (e sempre do lado errado) sobre o assunto. Até sobre a Copa do mundo a CNBB se posiciona oficialmente!

Como não lembrar, na última eleição presidencial, da coragem solitária de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini alertando sobre o grave erro de se votar em Dilma e no PT ou da sua vigília solitária, junto a um grupo de leigos desassistidos pelos seus respectivos pastores, quando se discutia (?) o aborto em Brasília? Ou ainda, o caso de Dom Sobrinho que foi praticamente jogado na fogueira pela CNBB? Só para citar casos mais recentes, onde a omissão da CNBB foi flagrante e um escândalo.

No Chile isso não acontece, pelo menos não quando a questão é a proteção ao direito inviolável à vida. Os bispos, como escrevi, estão caminhando unidos e sem questionamentos. São contra o aborto e estão deixando isso muito claro aos leigos e aos legisladores. Não estão tentando compatibilizar a defesa da vida com alguma lei dúbia, negociando valores em nome de alguma falsa noção de misericórdia, como se tornou moda ultimamente. No Chile não há bispos pró-vida, há a Conferência Episcopal pró-vida, há a Igreja pró-vida! Uma mensagem forte que, infelizmente, não conseguimos transmitir por aqui.

Só nos cabe rezar pelo Chile! Pedir a Deus que, na Sua infinita misericórdia, fortaleça os bispos chilenos na luta contra o demônio e suas artimanhas.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

CIMI informa recorde de mortes entre índios. E a culpa não é das estrelas, mas da própria CNBB

Abaixo reproduzo uma reportagem do Jornal do Povo, de Três Lagoas (MS). Volto com as minhas considerações depois do texto.

***

Em 2013, MS registrou um suicídio de índio a cada cinco dias
Edmir Conceição

O Conselho Missionário Indigenista (CIMI) divulgou nessa manhã, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, relatório sobre a violência contra os povos indígenas, com ênfase para o que classifica de “omissão” em relação à saúde indígena e os casos de suicídios de guarani-kaiowás na Reserva Indígena de Dourados.

De acordo com o relatório, em relação à saúde indígena, a situação “é de total omissão. A constatação de que a cada 100 indígenas que morrem no Brasil 40 são crianças torna inegável o fato de que está em curso uma política indigenista genocida”, diz Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu e presidente do CIMI.

Sobre a ocorrência de suicídios, dados oficiais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), divulgados em maio deste ano pelo CIMI, mostram 73 casos em 2013, uma média de um suicídio a cada cinco dias. Este índice configura-se como o maior em 28 anos, de acordo com os registros do Conselho Indigenista. Dos 73 indígenas mortos, 72 eram do povo Guarani-Kaiowá, a maioria com idade entre 15 e 30 anos.

Segundo o relatório do CIMI, no período de 1986 a 1997, foram registradas 244 mortes por suicídio entre os Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul. O número praticamente triplicou na última década. De 2000 a 2013 foram 684 casos.

Dividida em quatro partes, o relatório divulgado hoje traz no primeiro capítulo as seguintes categorias: omissão e morosidade na regularização das terras indígenas; conflitos relativos a direitos territoriais; e invasões, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio.

A segunda parte apresenta as violências cometidas “contra a pessoa”, dentre elas constam assassinato, ameaça de morte, abuso de poder, homicídio culposo, lesão corporal dolosa, racismo e discriminação e violência sexual, dentre outras.

Já o terceiro capítulo traz dados sobre as violências causadas por omissão do poder público, como desassistência geral e desassistência nas áreas de saúde e educação, morte por desassistência, mortalidade infantil e suicídio. E, por último, há informações sobre os povos indígenas que vivem em situação de isolamento ou de pouco contato no Brasil e as principais ameaças a que estão sujeitos.


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Antes de tudo é preciso saber quem ou o que é o CIMI. Nas palavras do próprio conselho, lemos:

O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.Criado em 1972, quando o Estado brasileiro assumia abertamente a integração dos povos indígenas à sociedade majoritária como única perspectiva, o Cimi procurou favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembleias indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à diversidade cultural.

Então vemos que em nenhum momento o CIMI, embora diga-se "missionário", fala em missão no sentido daquelas "atividades características com que os pregoeiros do Evangelho, indo pelo mundo inteiro enviados pela Igreja, realizam o encargo de pregar o Evangelho e de implantar a mesma Igreja entre os povos ou grupos que ainda não creem em Cristo" (cf Decreto AD GENTES, 6). Não! O CIMI é um órgão criado para preservar a "alteridade indígena em sua pluralidade étnico-cultural e histórica e a valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas", inclua-se ai a sua religião pagã.

Todas as nações do novo mundo (América) e do novíssimo mundo (Austrália) tiveram problemas em lidar com as comunidades nativas, sobretudo no período de colonização e posterior industrialização. Os povos nativos sempre foram colocados à margem do processo e isso não é novidade ou um produto exclusivo da sociedade brasileira.

Entretanto, o que nos afeta - e isso sim parece uma jabuticaba antropológica, ou seja, só existe aqui - e a insistência do governo e de órgãos não governamentais (ONGs) ou para-governamentais, como o CIMI, em ampliar e institucionalizar a marginalização dos povos indígenas, deslocando essa parcela da população da esfera normal da sociedade. Os povos indígenas brasileiros, hoje, são uma espécie de "canário humano", vivendo enjaulados em suas reservas imensas, à margem da sociedade e alienados das obrigações a que todos nós, meros mortais não-indígenas, estamos submetidos.

Os índios brasileiros sãos um dos maiores possuidores de terras do país. Suas reservas são vastíssimas e não podem ser fiscalizadas pelo poder público, constituindo um refúgio - eu prefiro o termo "gaiola" - para as comunidades que lá habitam, para grileiros e traficantes internacionais de drogas e armas. Para se ter uma ideia, o estado de Roraima conta com 46% do seu território formado por terras indígenas que, em extensão, são maiores do que Portugal.

O CIMI garante que a cultura desses povos permaneça intacta. E agora apresenta um relatório culpando o poder público pela mortandade de índios. A primeira culpada é a própria CNBB e os seus padrecos de passeata e seus missionários políticos.

Claro que o poder público também tem culpa, mas essa culpa se origina da mesma fonte onde bebem os ideólogos do CIMI e os antropólogos da FUNAI - a estúpida necessidade de preservar a cultura indígena em todo o seu aspecto, inclusive aquele que é claramente primitivo e violento.

Muitos índios, sobretudo os mais jovens e recém-nascidos, morrem não por falta de atendimento, mas por culpa da própria cultura indígena que o CIMI tenta a todo custo manter intacta. Eis um relato que julgo muito interessante:

O jornalista australiano Paul Raffaele manifestou indignação, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) em 29/11/2012, com o que chamou de tolerância do governo brasileiro à prática do infanticídio em tribos indígenas isoladas.Durante cerca de duas semanas de convivência com os índios Suruwahás, no Sudoeste do Amazonas, para produzir o documentário Amazon's Ancient Tribe - First Contact, Paul constatou que o grupo incentiva o assassinato de recém-nascidos deficientes ou filhos de mães solteiras, por acreditarem que são maus espíritos.O jornalista afirmou que a Funai, e consequentemente o governo brasileiro, faz vista grossa à prática e que essa tolerância escapa de sua compreensão.- Acredito que a Funai seja o órgão errado para administrar os territórios indígenas. O departamento está cheio de antropólogos que querem proteger a pureza cultural dos índios, mesmo quando isso envolve enterrar bebês vivos ou abandoná-los na floresta para serem comidos vivos por onças e outras feras - destacou.Paul Raffaele disse discordar da política da Funai e do governo brasileiro de tentar manter tribos indígenas isoladas do resto da sociedade. Segundo ele, ao agirem assim, concordam e aprovam com uma das piores violações aos direitos humanos em todo o mundo.- Não consigo entender por que não há, no Brasil, uma grande discussão a respeito do assunto. Como o povo brasileiro aceita as regras desses antropólogos? Não conheço nenhum outro país no mundo que aceite crianças enterradas vivas - ressaltou.O jornalista, que trabalha há cerca de 50 anos visitando tribos isoladas, disse que, na maioria dos locais em que esteve, os jovens queriam ter contato com o mundo externo para buscar formação educacional e conhecimento. Raffaele afirmou que a Funai desencoraja esse tipo de atitude e incentiva os índios a permanecer na "Idade da Pedra".- Eles não perguntam o que os índios, principalmente os jovens, querem. Eles dizem a esses jovens o que devem fazer. Fecham as tribos no que eu chamo de museu antropológico vivo - disse.


Não só a FUNAI, mas o CIMI e a CNBB desejam que os índios continuem na idade da pedra.

Mas também precisamos ter um cuidado com os números divulgados pelo CIMI. Quando se lança um relatório como esse temos a impressão que os índios gozam de uma "primazia da dor". Enquanto em todo o ano de 2013, segundo o CIMI, 73 índios cometeram suicídio, 26 brasileiros não-índios se mataram por dia no mesmo ano.

Os índios, a margem da sociedade, são presas fáceis para o alcoolismo e a dependência de drogas. Não recebem estudo ou assistência médica adequadas, sobretudo pela grande dificuldade de encontrá-los em suas gaiolas reservas.

E alguns índios ainda desenvolvem uma gana pelo crime. Como recentemente se viu e foi reportado em vários lugares, índios cobrando pedágio para que motoristas pudessem passar. Ou ainda índios acertando policiais com flechas e não sendo punidos, afina é uma "manifestação da cultura indígena que deve ser respeitada, não é mesmo?". São uma categoria paradoxalmente acima e abaixo dos cidadãos comuns. São imunes ao código penal, mas não tem os mesmos direitos que lhes garante a constituição nacional, exceto a posse obscena de vastos territórios. E tudo isso sob os aplausos coniventes de Dom Erwin Krautler, da CNBB, do CIMI e da FUNAI.

Sim, existe violência contra os povos indígenas, isso não se nega. Mas a violência maior vem daqueles que julgam proteger os índios - é uma violência institucionalizada por uma antropologia rasteira e sádica. Dom Erwin Krautler alerta exageradamente e de forma sensacionalista para "uma política indigenista genocida", mas não percebe que a única política genocida é aquela praticada pelos seus compadres do CIMI.

As comunidades indígenas de outros países se comportam de forma diferente, como salientou o jornalista australiano. Preservam suas tradições e costumes, mas não estão alienadas do convívio social ou tratadas de forma especial. São cidadãos plenos dos seus respectivos países. No Brasil, por sua vez, há esse casamento tenebroso entre os antropólogos da FUNAI - que garantem que os índios vivam no paleolítico - e os progressistas do CIMI/CNBB que, traindo a sua missão evangelizadora, permitem que Tupã ainda reine na mata.

E depois se espantam quando o índio se mata! Num mundo sem uma Boa Nova ou uma mensagem de esperança, onde a vida não tem nenhum valor sagrado, é só isso que resta!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Além da Pastoral do Turismo, nós temos a Pastoral da Ecologia

Grupo pede uso racional da água

Palestrantes destacam a falta de consciência e de projetos públicos para preservar mananciais

(Diário de Mogi | Comentários Blogonicus) - Em meio a mais grave crise hídrica do Estado de São Paulo, a consciência em relação ao uso da água e a manutenção do ecossistema são as alternativas para impedir um colapso no abastecimento. Em evento realizado ontem pela Pastoral da Ecologia da Diocese de Mogi das Cruzes na Sociedade Ambiental de Taiaçupeba (SAT), ambientalistas e técnicos discutiram rumos que podem ser seguidos para preservar este bem. Como parte do processo de proteção da natureza, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente anunciou que deve plantar mais 2 mil mudas de árvores na área urbana da Cidade.

O 2º Encontro da Pastoral da Ecologia e do Meio Ambiente [Sim! Nós temos uma pastoral da ecologia! E você, caro leitor, achando que a CNBB não conseguiria criar mais pastorais! Nossos rapazes dessa jurássica instituição sempre nos surpreendendo!] teve participação do biólogo e pedagogo Luiz Antonio do Amaral, assessor da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para as Campanhas da Fraternidade; do diretor de Políticas Públicas da ONG SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani; do jornalista Heródoto Barbeiro (ex-presidente da SAT); e do engenheiro civil e sanitarista Roberto Kachel.

A temática do evento era a discussão sobre a água em um momento crítico. O Sistema Alto Tietê da Companhia de Abastecimento do Estado de São Paulo (Sabesp) opera com apenas 25% de sua capacidade por causa da retirada de litros e litros de água por segundo que a empresa retira para ajudar no abastecimento das regiões atendidas pelo Cantareira, que está com reserva baixíssima, somente 19,6% . [alguém lembra que estamos na pior secada dos últimos 80! anos!!? Normalmente todos os sistemas montados para abastecer o Cantareira dão conta do recado, mas este não é um ano normal. É muita desonestidade intelectual usar um evento climático atípico e totalmente imprevisível para criar um clima de terrorismo ecológico. Só faltam me dizer que o "fim está próximo"]

De acordo com Mantovani, o ser humano não sabe lidar com a água. “Infelizmente, nós não sabemos nos relacionar com a água. E estamos demorando para perceber que não existe uma máquina para simplesmente ‘produzi-la’. A prova da má gestão da nossa água é essa retirada de água gigantesca do reservatório do Alto Tietê para atender um outro manancial que praticamente não existe mais”, observou [a postura mais humana é deixar a grande São Paulo morrer de sede então...ou entendi errado?].

Amaral, que coordenou a última das cinco Campanhas da Fraternidade da Igreja Católica voltadas para a ecologia (“Água, Fonte da Vida, de 2003”), ressalta que a água será valorizada apenas quando a sociedade entender a importância do tratamento de esgoto. “Isso só vai acontecer quando nós, como sociedade, entendermos que o esgoto tratado é a melhor solução para não contaminar nossos solos freáticos e nem as nossas fontes de captação. É uma mudança bruta de hábitos. O Rio Tietê (que abastece Mogi) é chamado de Rio do ouro. Alguns acham que é porque no passado alguém achou pepitas nele, mas não. É porque o tratamento para limpá-lo é caríssimo. Só que não aprendemos e mais esgoto é despejado nele todos os dias”, disse.

Heródoto explicou em 13 pontos a razão de a água ser essencial. “Ela não vai durar para sempre [na verdade vai, porque você, caro leitor, deve se lembrar daquela aula de ciências na 3ª série do ensino fundamental sobre o ciclo da água, ou seja, ela vai e volta com a chuva. Do jeito que esses ambientalistas apocalípticos falam, você fica com impressão que a água que sai da sua torneira cai em algum buraco negro e desaparece do planeta. A água obedece um ciclo fechado de evaporação e chuva, vai e volta ciclicamente] e já é motivo de guerra entre países pelo mundo [eu sempre ouço isso, mas ninguém conseguiu me mostrar uma guerra armada pela água atualmente em curso]. Daqui a alguns anos, o preço dos alimentos, por exemplo, vai ser mensurado pelo volume de água utilizado para prepará-los” [não, não vai!], apontou. Por dentro do mundo da política, o jornalista opina que o tema, apesar de ser importante, não deve influenciar as eleições deste ano. “A crise preocupa, mas não altera a popularidade do governador [Ah! Então a reunião era política, contra o PSDB...]. Acredito que outros assuntos vão ter mais poder de definição”, acrescentou.

Kachel, que trabalhou 34 anos na Sabesp, alerta para as decisões da empresa em relação a redistribuição da água. “Eles alegam posicionamento estratégico. Vivemos um momento crítico e estamos perdendo a nossa reserva também. Acho que, nesta hora, a única coisa imediata que podemos fazer é ter consciência”, sugeriu.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Romildo Campello, participou do encontro e anunciou que, em parceria com a Pastoral, deve realizar o plantio de duas mil mudas no Município. “Já tivemos 2.049 plantadas neste primeiro semestre e devemos plantar mais duas mil na área urbana da Cidade. Isso é fundamental para melhorar o clima por aqui”, contou.

O bispo diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini, comandou os trabalhos e viu a discussão com bons olhos. “Em tempos em que o Rio Tietê sofre com a seca é importante a presença dessas pessoas buscando a conscientização, sobretudo, a participação dos jovens que, como o papa Francisco diz, é o presente da Igreja. Saímos daqui com uma etapa cumprida” [etapa cumprida rumo a quê? Eu não estou vendo chuva...], concluiu.

Os palestrantes e o bispo plantaram um pé de Manacá-da-Serra na frente de um dos galpões da SAT e os visitantes receberam mudinhas de Palmeira-Juçara. (Lucas Meloni)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

A Reforma da Cúria. Complicando para descomplicar?

Quando foi eleito, em março de 2013, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio recebeu a missão de reformar a Cúria Romana, sobretudo o famoso banco do Vaticano, o IOR. O escândalo do Vatileaks e as inúmeras irregularidades financeiras do IOR pressionaram não só a renúncia do Papa Bento XVI, mas todo o conclave e a eleição de um cardeal distante de todo o problema.

A reforma da cúria significaria uma simplificação da sua estrutura e nos primeiros dias do pontificado de Francisco se viu cortes de pessoal, com 300 padres demitidos e enviados às várias dioceses de origem, congelamento de salários e algumas outras medidas.

Entretanto, a reforma da cúria é, como tudo neste pontificado, uma grande incógnita, repleta de desinformação e cheia de incongruências que aparentemente não conduzem ao objetivo inicial. Ao invés de simplificar a cúria, este Papa criou mais departamentos na administração pontifícia - uma Secretaria da Economia, um conselho de finanças, uma comissão para tutela de menores,  e uma repartição dentro da Congregação para Doutrina da Fé para cuidar das "faltas graves".

Para reformar a Cúria o Papa nomeou um conselho de oito cardeais, que agora são nove, que devem auxiliá-lo nas futuras reformas. Esse conselho, comandado por um ultra-liberal, vem se reunindo periodicamente com o Papa. O interessante é notar que é um conselho criado para reformar a Cúria, mas que não ouve a própria Cúria; as reformas, ou sugestões de reformas, estão acontecendo sem a participação dos chefes dos dicastérios e são impostas de cima por um grupo de cardeais do qual a maioria nunca trabalhou na Cúria e que, pelo contrário, sempre nutriu por ela uma grande aversão. Que tipo de reforma positiva se espera sair deste contexto?

 A cada reunião do Conselho privado do Papa, cabe ao porta-voz do Vaticano, o oficioso Frederico Lombardi, dar aos jornalistas uma nota ou resumo do que se tratou na reunião. Na última reunião, disse o Pe. Lombardi que os cardeais se aprofundaram sobre o funcionamento dos diferentes dicastérios da Cúria e a eleição de bispos e núncios e os trabalhos que desempenham.

Parece que o Papa e este conselho de cardeais é dado a inventar a roda. Quer saber como a cúria funciona? Pergunte para os prefeitos, presidentes e chefes de dicastérios! Eles estão lá para isso! Agora os conselheiros do Papa se reúnem para filosofar sobre o funcionamento de algo que está ao alcance das mãos, do outro lado da rua!

Mas o que me preocupa é a súmula dada pelo Pe. Lombardi, sobretudo porque essa tal de reforma da cúria está ultrapassando a competência original prevista, talvez, pelos eleitores de Bergoglio, algo análogo ao que aconteceu com a reforma litúrgica na década de 1960 quando um comitê impôs à Igreja a sua visão e a sua vontade, ultrapassando em muito as vontades expressas no documento conciliar sobre a liturgia.

A tal da reforma da cúria está chegando aos bispos e núncios, precisamente ao modo como eles são escolhidos. O Papa Francisco já avisou que deseja maior colegialidade dentro da Igreja e por isso fortaleceu a estrutura burocrática do Sínodo dos Bispos, nomeando e promovendo o nefasto cardeal Baldisseri para comandar a débâcle do sexto mandamento. Junte-se a isso o passado do cardeal Jorge Mario Bergoglio como chefe incontestável da Igreja argentina e que tinha inúmeros problemas com o núncio e a nomeação de bispos por Roma, que eram contrários a sua linha progressista. Francisco acredita que cabe à Igreja local, leia-se Conferência de Bispos, governar e até agora já nos deu evidências que é dessa forma que a Igreja irá operar.

Nomear bispos a partir de Roma não é um método perfeito, é claro. Erros são cometidos. Mas imagem, por exemplo, se a CNBB tivesse (ainda mais) poder para nomear bispos! O que aconteceria? Imaginem Dom Leonardo Steiner, amigo sorridente de comunistas chineses e não-chineses, analisando candidatos ao episcopado!

A Cúria não é perfeita ou santa, mas nem de longe é a lepra do papado. A Cúria é um organismo essencial ao papado, esculpido ao longo dos séculos. Nenhum organismo na Igreja é mais universal ou "internacional", como preferir, do que a Cúria. Ou alguém acredita ser viável tomar decisões reunindo 6 mil bispos do mundo todo? O enfraquecimento da Cúria pede obrigatoriamente um fortalecimento das conferências episcopais e com isso podemos ter duas consequências, ambas bem ecumênicas. Poderíamos caminhar cada vez mais para um nacionalismo, com Igrejas nacionais muito diferentes umas das outras, como acontece com os Ortodoxos. Ou poderíamos adotar um modelo anglicano, democrático, onde tudo é decidido pelo voto, por assembleias ou reuniões, inclusive os bispos são eleitos pelos diocesanos e fazem até campanha. Nada disso é católico.

Neste pontificado se vê um desarranjo entre o Papa e a Cúria, uma cacofonia entre o sucessor de Pedro e aqueles que deveriam ser os seus principais colaboradores. Desde o primeiro dia Francisco demonstrou seu completo desprezo pela Cúria, inclusive chamando-a de "lepra do papado" para delírio daqueles cardeais e bispos progressistas espalhados pelo mundo.

Francisco tem uma visão anti-européia e isso fica claro através de uma análise das nomeações e promoções. O seu primeiro consistório foi marcado pelo esquecimento de vários prelados europeus em detrimento de outros de pouca ou nenhuma envergadura dentro da Igreja. Foi uma "lição simbólica" que a mídia tratou de registrar, mas para mim foi um gesto de puro orgulho revanchista deste Papa que, como papa, poderia muito bem ter concedido à púrpura aos europeus e não-europeus. Os únicos europeus promovidos por Francisco foram aqueles que fizeram um "estágio probatório" em nunciaturas na América Latina, como Parolin. Baldisseri ou Stella, e que se dispuseram a seguir a sua cartilha. Cresce ainda a nomeação de leigos.

O que será da Igreja depois de Francisco? Não sei. O que sei é que o Papa argentino foi vendido para os cardeais como um grande gerente e um administrador competente, capaz de reformar as instituições financeiras e ordenar a Cúria. Até agora não demonstrou nenhuma capacidade de gerência realmente eficiente e suas nomeações no âmbito do IOR foram bem questionáveis (lembram-se de Mons. Ricca? que ainda continua por lá...). Isso sem contar a sua saúde que, de uns dias para cá, vem dando sinais que este pontificado será curto.

Uma coisa temos certeza - nada de bom vai sair desse conselho de oito cardeais, que agora são nove.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Decreto bolivariano do PT foi aplicado à Igreja em 2010 pela CNBB - Uma reflexão do Prof. Hermes Rodrigues Nery

Documento nº 91 da CNBB defende "conselhos" e "radicalização da democracia"

Por Hermes Rodrigues Nery

Em 2010, por ocasião da 48ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, realizada em Brasília (para comemorar o jubileu de ouro da fundação da capital federal, em pleno planalto central do País, o então secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa apresentou o documento nº 91: "Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática", assinado em 11 de março daquele ano, meses antes do pelito que elegeria Dilma Roussef como presidente. Naqueles dias da 48ª Assembléia, estive em Brasília, e procurei vários bispos, inclusive o próprio Dom Dimas, chamando a atenção do Plano Nacional de Direitos Humanos nº 3, que o então presidente Lula havia apresentado nas vésperas do Natal do ano anterior, e que causou grande apreensão em vários setores da sociedade brasileira. Solicitamos que a CNBB tivesse um posicionamento firme sobre o aspecto anticristão do PNDH-3, mas não foi possível tal posição. Os temas da Assembléia vinham das bases, e um deles era o documento nº 91. " - Um tema para entrar aqui em discussão vem das bases, dos conselhos!", ressaltou um dos prelados. Em relação ao PNDH-3, a apreensão inicial foi apenas passageira. Logo as vozes se calaram, e vieram as acomodações conhecidas.  A execução do PNDH-3 continuou como prioridade do governo do PT, legitimado pelo silêncio e conivência de muitos. Depois que passou a chiadeira inicial, o PT se sentiu respaldado a agir com mais celeridade aos propósitos contidos no PNDH3.

Muitos bispos fizeram descaso dos apelos feitos, e quando a voz solitária e heroica de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o Leão de Guaruhos, clamou em defesa dos nascituros, denunciando a agenda abortista do PT em plena campanha eleitoral, muitos outros religiosos e leigos católicos da esquerda se juntaram para assinarem uma carta de apoio a Dilma Roussef, incensada por Leonardo Boff, em evento no Rio de Janeiro. No ano seguinte, estando com Dom Bergonzini em Londrina (PR), conversamos sobre a situação nacional, e ele afirmou que continuaria quantas vezes fosse preciso se posicionando em fidelidade ao Magistério da Igreja e à sã doutrina, denunciando a agenda abortista do PT e o seu projeto de poder totalitário, confirmando assim a valentia que faltava a muitos outros religiosos e leigos católicos. Estivemos juntos novamente num ato público na Praça da Sé, em que saímos em direção ao Forum João Mendes, onde ele protocolou uma ação contra as "Católicas pelo Direito de Decidir". No ano seguinte, nos reencontramos no plenário do Supremo Tribunal Federal, na votação da ADPF nº 54, quando o STF decidiu aceitar o aborto em casos de anencefalia; havíamos feito uma vigília durante a noite antes da votação, em frente o STF, e ainda durante a votação, quando a maioria dos ministros já havia deliberado, Dom Bergonzini saiu da sessão e foi rezar um terço em frente o STF. Ele sabia que naquele momento estava  se abrindo uma brecha pela via judiciária para a legalização do aborto no Brasil, e que a Presidente Dilma Roussef não cumpriria sua promessa de campanha de que não tomaria iniciativa nesse sentido, o que se confirmou, mais tarde, com a sanção da Lei 12.845/2013, de triste memória. A imagem de Dom Bergonzini sozinho diante do STF, debaixo de um sol escaldante, no meio da tarde, foi de cortar o coração. O Leão de Guarulhos não se abateria até o último minuto de vida, dando o exemplo de um valente combatente em defesa da Igreja.


Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o "Leão de Guarulhos", reza o terço diante
do STF, ainda durante a votação da ADPF-54

Via crucis de uma campanha contra o aborto

No mesmo período, percorríamos as paróquias de algumas dioceses do estado de São Paulo coletando assinaturas para a "Campanha São Paulo pela Vida", com o objetivo de incluir na constituição estadual paulista o direito a vida, desde a concepção, via iniciativa popular. Foi então que comecei a perceber uma realidade mais terrível, que ainda não tinha me dado conta. Ao apresentar a campanha aos padres, nas reuniões diocesanas de presbíteros, muitos deles disseram: " - a proposta é boa, mas temos primeiro ouvir "os conselhos" paroquiais" ou " - Pessoalmente sou a favor da campanha, acho bonita esta iniciativa, mas temos que ouvir "os conselhos"". E de outro pároco: " - Não posso simplesmente apresentar um projeto bonito desses como se fosse coisa minha, ou pior ainda, como se fosse coisa do bispo, você entende? Tudo será decidido nos conselhos." .

E então, a coisa emperrou. Algo aconteceu que não entendíamos. Só funcionou quando o pároco, com a sua prerrogativa de decisão, autorizou que fôssemos ao final da missa falar sobre a campanha e, em seguida, fizéssemos a coleta de assinaturas. Em muitos casos, o pároco disse que colocaria à disposição agentes pastorais. mas quando chegávamos lá, para o mutirão pela vida, nem mesa, nem canetas, nada de estrutura mínima. Tínhamos que levar tudo por nossa conta; em certos casos, nem mesmo o pároco lá estava. A missa era rezada por um vigário, que nem sabia do que estava acontecendo, porque ninguém havia avisado nada. " - Acho que vocês estão sendo boicotados", nos disse uma senhora que veio assinar o formulário contra o aborto.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o "Leão de Guarulhos", não se abateria, dando o exemplo de um combatente, enquanto Igreja militante.

A campanha contra o aborto no estado de São Paulo se tornou um calvário, porque nos deu a constatação de que boa parte das paróquias visitadas estão dominadas por "conselhos" imbuídos de ideologia marxista, que não consideravam relevante a causa da defesa da vida, desde a concepção. " - Vocês estão obcecados pela questão do aborto", nos disseram. " - Se for um abaixo-assinado para dar moradia aos sem teto, terras para o morador de rua e direitos sociais aos afrodescendentes, então contem com a gente". Mais tarde tivemos que ouvir de um dos líderes dos conselhos: " - Até o papa já disse que vocês estão obcecados pela questão do aborto!" Um deles foi mais longe: " - Direito primeiro ao já nascido!". Mesmo assim, continuamos percorrendo as dioceses, algumas nos acolhendo muito bem, abrindo as portas, com o bispo de Campinas. Então fui pessoalmente falar com Dom Damasceno, presidente da CNBB e arcebispo de Aparecida. Ele foi bem receptivo e acolhedor, abrindo as portas da Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, onde fizemos um mutirão de coleta de assinaturas lá. E também Dom Beni, que telefonou autorizando um dia de coleta na Canção Nova. Mas foi apenas um único dia de mutirão. Depois, tínhamos que voltar às paróquias, e submeter o abaixo-assinado à vontade dos "conselhos". E quando isso acontecia, emperrava de novo.

Bispos conservadores e fiéis ao Magistério da Igreja nos recebiam, ouviam e acolhiam, anuindo com a proposta. Quando os formulários eram encaminhados para as bases, meses decorriam sem que houvesse algum retorno.  No Regional Sul 1 da CNBB, graças ao Pe. Berardo Graz, dando apoio, conseguimos mobilizar outras comissões em defesa da vida, e obter juntos, mais de cento e cinquenta mil assinaturas. Porém, precisávamos chegar a trezentas e trinta mil! Tivemos então que fazer um mapeamento de paróquia por paróquia, identificar qual padre acolheria, e mesmo assim, qual tomaria a decisão dele mesmo fazer acontecer, mas quando ia para os "conselhos", tudo de novo estancava. Mesmo assim, chegamos a mais da metade do número de assinaturas exigidas pela legislação, e como desejávamos fazer a ação vir do seio da Igreja Católica, o trabalho demorou mais para fluir. " - Chamem os evangélicos, vocês precisam dos evangélicos!", mas queríamos muito a iniciativa dos católicos. A grande lição da campanha foi a de constatar o aparelhamento ideológico da Igreja Católica no Brasil. A maior parte dos "conselhos" foram criados para serem voz do esquerdismo dentro da Igreja, minando-a por dentro, corroendo a sã doutrina, fazendo com que muitos padres fiquem de mãos atadas, imobilizados, sem saber o que fazer, reféns dos mesmos. " - A fidelidade dos sacerdotes católicos deve ser com a sã doutrina", disse uma vez, numa reunião de um desses "conselhos". E uma das lideranças, com voz num tom de saltar as veias, respondeu: " -Esta sã doutrina é eurocêntrica. Mais saiba que a experiência da América Latina, que veio das CEBs, do protagonismo dos "conselhos populares", fará emergir a Igreja que queremos, a Igreja como "povo de Deus", e não a imposta pela hierarquia" . E completou: " - A questão do aborto é um obsessão desta igreja reacionária". " - O povo quer pão na mesa e terra, esse sim é o direito a vida por qual temos que lutar. E conseguiremos isso com participação popular, com democracia radical, efetivamente participativa."

Outro aspecto percebido foi a constatação de que houve uma crescente tomada de posição dos progressistas, em todos os níveis, nas paróquias, nas escolas e universidades, nas editoras, empresas e muitas instituições hoje apenas ditas católicas. Os progressistas assumiram postos de comando, tornaram-se ordenadores de despesa, formaram seus "conselhos" e os doutrinaram, na ideologia marxista, para justificar e legitimar os encaminhamentos da "democracia radical" dentro da Igreja, relegando os padres conservadores aos papéis secundários de vigários, sem poder algum de decisão. Boa parte se acomodou, evitando criar problemas, e preferiu tocar a rotina em serviços burocráticos de atendimentos, sem intervir nas decisões, aceitando se tornar reféns dos "conselhos". Alguns celebram a missa diária, como se fosse apena suma obrigação profissional e nada mais. Fazem os atendimentos necessários e somem. Vários são os casos de depressão e alcoolismo, que sofrem sem saber o que fazer debaixo do mando de tais "conselhos", com a conivência do progressista ordenador de despesa. Presenciei casos assim, nas minhas andanças em defesa da campanha contra o aborto, nas muitas visitas feitas em paróquias, de padres cerceados de suas atividades, vigiados, boicotados, que sofrem calados padecimentos incontáveis.

" - O que acontece com a nossa Igreja?", queixou-me um deles. E lembrou-me uma frase de Bento XVI, em seu livro "Jesus de Nazaré": " - E como estamos todos na realidade presos pelas potências que de um modo anônimo nos manipulam". E me contou: " - Não apenas padres sofrem com isso, mas também bispos, e mais ainda  bispos eméritos conservadores, que padecem privações sob a dependência de religiosos progressistas, idosos, muitas vezes, sem família, á mercê da vontade dos progressistas. Tudo isso causa grande dor e sofrimento no seio da Igreja, que foi tomada por dentro pela implacabilidade dos progressistas, muitos deles, que recorrem aos "conselhos" para dar legitimidade a este cerco aos conservadores, por dentro da instituição. Eles sabem que ninguém vai falar nada, ninguém tem coragem de falar, e assim, aos poucos, eles avançam e ocupam mais postos de decisão."

E então nos indagamos: o que esperar, mais para a frente, em termos de defesa da sã doutrina católica, quando o próprio documento nº 91 da CNBB, em relação à reforma do Estado brasileiro, prega uma "educação popular" capaz de questionar os fundamentos do sistema político atual, questionando inclusive a "democracia representativa", e advogando a necessidade de dar poder a "novos sujeitos históricos" (os tais "conselhos populares" defendidos pelo decreto 8243/2014 da presidente Dilma Roussef?), propondo inclusive no referido documento, "radicalizar a democracia", dizendo que "a democracia representativa não esgota todas as formas de vivência democrática", "rompendo com a supremacia institucional da cultura ocidental"? Está no documento nº 91 a defesa dos "conselhos", de modo explícito: "os conselhos paritários formam, um campo privilegiado de participação popular", propondo "a institucionalização das estruturas de participação popular", para "uma nova forma de viver a democracia".

O fato é que o documento nº 91 está em muita sintonia com o pensamento contido no decreto nº 8243/2014 da presidente Dilma Roussef. Não é a toa que Gilberto Carvalho se sente tão a vontade, ao saber que não haverá resistência alguma da Igreja ao decreto, porque o documento nº 91, que já foi lido e trabalhado em tantos finais de semanas, em muitas reuniões paroquiais, pelo País afora, defende o que está no decreto 8243/2014, mesmo muitos sem saber exatamente das conseqüências disso, para o País, e para a Igreja Católica no Brasil. Gilberto Carvalho sabe que as poucas vozes reacionárias não tem lastro mais nas bases já trabalhadas e tomadas, há muito tempo. Já não têm mais poder algum. E poderá rir disso, no conforto do gabinete presidencial, certo de que poderá agora avançar mais célere, em tudo aquilo que está lá contido no PNDH3, e que os próprios bispos, reunidos na 48ª Assembléia, nada disseram a respeito. Agora, poderão facilmente prosseguir no afã de sovietizar o País, repetindo aqui o queria Lênin: "todo poder aos sovietes!"

Agora ficou clara a resposta dos párocos progressistas, ao receberem o formulário da campanha contra o aborto: "ouviremos primeiro os conselhos". E entendemos o porquê tais formulários terem ficado meses esquecidos nas gavetas dos escritórios paroquiais. Os "conselhos" decidiram que a questão do aborto não é relevante. Mesmo sabendo que a maioria do povo brasileiro é contra o aborto e pela vida (82% segundo pesquisa Vox Populi). Mas os "conselhos" representam mesmo o "povo"?

terça-feira, 10 de junho de 2014

Grito pela Vida da CNBB não é nada pró-vida

Conferência dos Religiosos do Brasil promove caminhada Grito pela Vida em Goiânia


Márcia Sousa | Rádio Rio Vermelho

A CRB, Conferência dos Religiosos do Brasil, unidade de Goiás, promoveu no último sábado, 07 de junho, em Goiânia, a Caminhada “Grito pela Vida” em resposta à Campanha da Fraternidade, que este ano teve como tema o tráfico humano.
A caminhada reuniu representantes da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Comunidades Eclesiais de Base, Comissão Pastoral da Terra, pastores de igrejas evangélicas, religiosos e religiosas, estudantes, Polícia Federal, entre outros.

O “Grito pela Vida” teve início na praça Botafogo, seguiu pela avenida Anhanguera, avenida Araguaia, rua 04 e foi encerrada no teatro Goiânia.

O evento teve como principal objetivo criar uma consciência sobre a real situação do tráfico humano no estado de Goiás.


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Sem dúvida o tráfico humano é algo perverso, imoral e que deve ser combatido. Não se questiona. Contudo, num país tão ameaçado por legislações com o objetivo claro de se legalizar o assassinato de milhares - ou mesmo milhões - de crianças no ventre materno, é compreensível que a CNBB se cale sobre o aborto e faça estardalhaços sobre tráfico humano?

Em primeiro lugar, cumpre questionar toda a trupe que marchou - e pelo visto não foram muitos - sobre o que eles entendem por "tráfico humano" e sobre os números. Seriam esses números superiores àqueles que o aborto, se legalizado, pode alcançar no país?

Existe todo um aparato policial para lutar contra o tráfico humano, envolvendo desde a polícia militar até a Interpol. Os bebês nos ventres maternos não são alvo da proteção estatal, pelo contrário, é o Estado, aliado às grandes corporações e fundações internacionais, que atenta com maior potência ao direito fundamental de qualquer ser humano que é o direito à vida.

Enquanto um punhado de pessoas se reúne em Brasília heroicamente para defender a vida desde a sua concepção até a morte natural, ajudando a barrar várias iniciativas pró-aborto e alertando a sociedade civil para outras tantas ainda em tramitamento, tudo isso se valendo de recursos próprios e sem o apoio institucional, a CNBB escolhe torrar milhões - porque uma Campanha da Fraternidade não fica barata - para combater moinhos de vento.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

CNBB dá cartão vermelho para a Copa do Mundo. Papa Francisco apoia o mundial. Nós temos uma Pastoral do Turismo!

Pastoral do Turismo da Confederação [sic] Nacional dos Bispos do Brasil dá "cartão vermelho" ao que chama de "inversão de prioridades" no uso do dinheiro público do País e critica gestão do governo para a Copa do Mundo; entidade distribuirá folhetos nas 12 cidades-sede com ataques ao que chama de delegação de "responsabilidades públicas" a grandes empresas privadas, remoção de famílias e de espaços sagrados, entre outras críticas; Papa Francisco, ao contrário, é a favor da Copa e, apesar de não vir ao Brasil para o Mundial, assegurou que enviará uma mensagem contra o racismo; "O jogo vai começar e o Brasil se torna um imenso campo de futebol sem arquibancadas ou camarotes", diz texto da CNBB

Jornal do Brasil - A Pastoral do Turismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai distribuir panfletos nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo com críticas à gestão do governo para a competição.

Os panfletos dão "cartão vermelho" à inversão de prioridades no uso do dinheiro público do país para eventos como a Copa do Mundo, e critica o fato de o governo delegar responsabilidades públicas a grandes corporações e entidades privadas que se apropriam do esporte.

A CNBB ressalta, no entanto, que o governo só marcará o "gol da vitória" quando ninguém for perseguido por trabalhar em espaço público, e direitos dos consumidores e torcedores forem respeitados.

Os folhetos foram impressos em três idiomas (português, espanhol e inglês) e mostram a preocupação da Igreja com oito pontos que merecem "cartão vermelho".

O primeiro deles é "a exclusão de milhões de cidadãos ao direito à informação e à participação nos processos decisórios sobre as obras que foram realizadas para a Copa".

Outros pontos criticados são a remoção de famílias e comunidades para a construção de obras dos estádios ou de mobilidade, a inversão de prioridades para com o dinheiro público que deveria servir, prioritariamente, para a saúde, educação, saneamento básico, transporte e segurança.

Além disso, os panfletos falam em desigualdades urbanas e degradação ambiental, a apropriação do esporte por entidades privadas e grandes corporações.

A entidade enumera iniciativas que representam um "gol da vitória": a garantia de que a população de bairros populares e moradores de rua tenham direito de permanecer em suas localidades; que ninguém seja perseguido por trabalhar em espaço público; que movimentos sociais não sejam criminalizados.

A CNBB afirma ainda que se "compromete a acompanhar torcedores e jogadores, nas suas demandas por momentos de espiritualidade e encontro com Deus, bem como ser presença orante durante toda a Copa".

Confira o folder abaixo (clique na imagem para ampliar):


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Meu único comentário é este: Nós temos uma Pastoral do Turismo.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Evangélicos queimam e urinam em imagem de Nossa Senhora em Carrapateira



(ANCORADOURO) O mês de maio e a celebração da coroação de Nossa Senhora por parte dos católicos acendeu a ira de protestantes fundamentalistas na pequena cidade de Carrapateira, localizada a 384  km de João Pessoa, na Paraíba.

Membros destas denominações queimaram e urinaram em uma imagem de Nossa Senhora em praça pública, na última semana do mês de maio, conhecido como mês mariano. Padre Querino Pedro que há 4 anos é pároco da cidade que possui pouco mais de 2 mil habitantes relatou ao ANCORADOURO a situação de constrangimento gerada pelos evangélicos fundamentalistas.

“Além desse episódio da queima da imagem outro fato que está deixando os pais de família preocupados é que na rua ou em escolas crianças não católicas são constantemente criticadas por evangélicos, chamados de demônios e condenados ao inferno. As crianças estão perturbadas com essa situação”.

Em carrapateira existem 3 igrejas evangélicas. ” A pentecostal é a mais radical”, conta o padre. “Sempre vem com aquele confronto de que católico adora imagem. Um risco de gerar brigas. Eles [os protestantes] tentam tirar os crucifixos do pescoço dos coroinhas da paróquia”, denuncia o padre.

“No mês de maio os evangélicos endoidece” finaliza o padre que estava se dirigindo a uma delegacia para fazer um Boletim de Ocorrência sobre os últimos episódios, uma orientação da Diocese.

Confira a entrevista com o padre no link https://www.youtube.com/watch?v=PhA04xoDbYM



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O Brasil é o maior país católico do mundo!
Por anos essa afirmação serviu de desculpa para um imobilismo missionário de conversão e para uma acomodação mental dos católicos. Nunca seriam perseguidos, afinal somos maioria.
As coisas estão mudando e mudando rápido. Enquanto a Igreja brasileira (CNBB) fica preocupada com terras indígenas, maioridade penal, reforma fiscal, uso racional da água, com os bagres e o tamanduá bandeira, etc. os católicos começam uma lenta e dolorosa agonia espiritual e material.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Secretário da CNBB diz que uniões entre pessoas do mesmo sexo precisam de amparo legal

(O Globo) RIO - Desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, o Papa Francisco vem tocando no assunto com cautela, mas tem assinalado uma disposição da instituição em aceitar os fiéis gays. Em um movimento inédito de abertura, o Pontífice disse, logo após sua passagem pelo Brasil, em julho do ano passado, que os homossexuais não devem ser marginalizados: “Se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la?”. Em entrevista ao GLOBO, o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, reitera a afirmação do Papa: “pessoas do mesmo sexo que decidiram viver juntas necessitam de um amparo legal na sociedade”.

A declaração pode ser interpretada como uma mudança de tom da CNBB. Há cerca de um ano, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma resolução determinando que os cartórios brasileiros deveriam celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, a CNBB se posicionou contra a medida, que vinha a reboque de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2011.

O GLOBO: Recentemente, o Papa Francisco disse: “Quem sou eu para julgar um homossexual que procura Deus?”. Hoje, a Igreja Católica está aberta a aceitar seus fiéis homossexuais?

Dom Leonardo Steiner: Pode-se dizer que o Papa faz eco ao que o Catecismo da Igreja Católica diz a respeito das pessoas homossexuais: “Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta”. Entende-se que acolher com respeito, compaixão e delicadeza significa caminhar e estar junto da pessoa homossexual e ajudá-la a compreender, aprofundar e orientar a sua condição de filho, filha de Deus.

É importante que a Igreja Católica não marginalize os homossexuais?

A acolhida e o caminhar juntos são necessários, para se refletir sobre o que condiz ou não com a realidade vivida pelas pessoas homossexuais, e o que, de fato, lhes é de direito, para o seu próprio bem e o da sociedade.

O Papa também quer estudar as uniões homossexuais para entender por que alguns países optaram por sua legalização. Isso representa o início de um diálogo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

É importante compreender as uniões de pessoas do mesmo sexo. Não é um interesse qualquer quando se trata de pessoas. É necessário dialogar sobre os direitos da vida comum entre pessoas do mesmo sexo, que decidiram viver juntas. Elas necessitam de um amparo legal na sociedade.

A CNBB, porém, se declarou contra a resolução do Conselho Nacional de Justiça que determinou que os cartórios devem celebrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por quê?

Ao dar reconhecimento legal às uniões estáveis como casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em nosso país, a Resolução do CNJ interpreta a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2011. Certos direitos são garantidos às pessoas comprometidas por tais uniões, como já é previsto no caso da união civil. A dificuldade está em decidir que as uniões de pessoas do mesmo sexo sejam equiparadas ao casamento ou à família. A afirmação mais forte em relação à decisão do Conselho nacional de Justiça foi de que tal decisão não diz respeito ao Poder Judiciário, mas, sim, ao conjunto da sociedade brasileira, representada democraticamente pelo Congresso Nacional, a quem compete propor e votar leis, após aprofundado debate; o que não existiu.

A Igreja deve passar por mudanças para se adaptar aos novos tempos?

A Igreja muda sempre; está em mudança. Ela não é a mesma através dos tempos. Tendo como força iluminadora de sua ação o Evangelho, a Igreja busca respostas para o tempo presente. Assim como todas as pessoas, a Igreja sempre procura ler os sinais dos tempos, para ver o que se deve ou não mudar. A verdades da fé não mudam.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Beato Dom Luciano? Na Era do Concílio, por que não!?

Vaticano autoriza processo de beatificação de dom Luciano Mendes
Religioso foi arcebispo da cidade de Mariana durante 18 anos.
Arquidiocese de Mariana vai instituir comissão para comprovar milagres.

(G1 Minas Gerais ) O Vaticano autorizou o início do processo de beatificação e canonização de dom Luciano Mendes de Almeida. Ele foi arcebispo da cidade de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, durante 18 anos.

O religioso atuava principalmente na defesa dos direitos humanos e dos mais pobres. A Arquidiocese de Mariana vai agora instituir uma comissão para comprovar, junto ao Vaticano, os milagres atribuídos a dom Luciano, que morreu em 2006.

Dom Luciano era arcebispo de Mariana quando faleceu, aos 75 anos. O arcebispo, da Companhia de Jesus, foi secretário geral (de 1979 a 1986) e presidente (de 1987 a 1994) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por dois mandatos consecutivos.

De origem fluminense, dom Luciano nasceu em 5 de outubro de 1930. Era doutor em filosofia e foi membro do Conselho Permanente da CNBB de 1987 até o ano que morreu. Também atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, foi vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) e presidente da Comissão Episcopal do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome.


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Dom Luciano Mendes, ex-arcebispo de Mariana, está no caminho da beatificação

Vaticano autoriza abertura do processo de reconhecimento para que ex-arcebispo de Mariana se torne beato. Tribunal eclesiástico será instalado em missa em 27 de agosto


(Estado de Minas / Uai) Mariana, primeira vila, cidade e diocese de Minas, começa a percorrer o longo caminho para ser reconhecido como beato, o homem que trabalhou pelos pobres, na defesa dos direitos humanos e exerceu funções de destaque em instituições nacionais e internacionais. A Santa Sé autorizou a abertura do processo de beatificação de dom Luciano Mendes de Almeida (1930-2006), carioca que viveu 18 anos na cidade e agora se torna Servo de Deus, informou, ontem, o arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha. “Estamos em júbilo com esta grande notícia”, disse, ontem, dom Geraldo, explicando que os católicos já podem se dirigir a dom Luciano,  pedindo as graças de Deus.

Para dar início ao processo de beatificação do ex-arcebispo de Mariana, que antecede o de canonização, ou se tornar santo, a arquidiocese instalará o tribunal eclesiástico durante missa solene que será celebrada em 27 de agosto, na Catedral da Sé, lembrando a data em que ele morreu, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. No tribunal, poderão ser ouvidos os depoimentos de pessoas que obtiveram milagres pela intercessão de dom Luciano, que está enterrado na cripta, e recolhidos documentos, além de outras providências. Por enquanto, não foi decidido o nome do postulador ou advogado da causa.

O comunicado da Congregação para a Causa dos Santos, da Santa Sé, chegou a Mariana na terça-feira, quando se completaram 170 anos do nascimento de Antônio Ferreira Viçoso (1787-1875), o Servo de Deus dom Viçoso –também enterrado na cripta da Catedral da Sé e em processo de beatificação – a quem dom Luciano rezara, pedindo a intercessão, para o restabelecimento depois de grave acidente de carro. A causa da beatificação tem apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em assembleia, neste mês, em Aparecida (SP), mais de 300 bispos aprovaram, por unanimidade, moção nesse sentido, tendo em vista a vida santa do ex-arcebispo de Mariana.

Luciano Pedro Mendes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro e era filho de Cândido Mendes de Almeida e de Emília Mello Vieira Mendes de Almeida. Jovem, ingressou na Companhia de Jesu, e estudou filosofia em Nova Friburgo (RJ). Em Roma, estudou teologia, doutorado em filosofia. Ordenou-se bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo (1976). Entre as inúmeras funções, se destacam o trabalho na CNBB, como secretário-geral (1979/1987), e a presidência  (1988/1995), além de membro da Pontifícia Comissão de Justiça e Paz (1992 a 2006).

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Müller - Conferências Episcopais não estão entre o Papa e os Bispos



Transcrevemos abaixo um trecho da entrevista concedida por Dom Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para Doutrina da Fé, à agência alemã KNA.

KNA - Se entendi corretamente o que disse o Papa Francisco, ele deseja que as conferências nacionais dos bispos tenham mais responsabilidade - também em assuntos controversos - e as autoridades romanas devem funcionar de uma forma mais subsidiária, como prestadores de serviço. Isso afetará a CDF?
Müller - A CDF é responsável por todo o mundo no interesse do Magistério papal. Os bispos conduzem as Igrejas locais. O papado e o episcopado são legitimados pela lei divina. Isso é algo que as conferências episcopais não são. São grupos de trabalho, mas não têm competência para ensinar por conta própria acima do mandato de um bispo individual. Assim, eles não são uma terceira autoridade entre o Papa e os bispos. Eu não acho, portanto, que nós vamos ver uma espécie de reforma federalista semelhante à da República Federal [da Alemanha], onde as competências essenciais são retransmitidas do Estado central para os estados individuais. Não é assim que a Igreja é constituída. De acordo com o ensinamento do Concílio Vaticano II, a Igreja consiste em e das Igrejas locais.

Vale lembrar o que disse o Papa Francisco na sua primeira entrevista "bombástica":

(...). É impressionante ver as denúncias de falta de ortodoxia que chegam a Roma. Creio que os casos devem ser estudados pelas Conferências Episcopais locais, às quais pode chegar uma válida ajuda de Roma. De fato, os casos tratam-se melhor no local. Os dicastérios romanos são mediadores, nem intermediários nem gestores".
Aqui vemos uma diferença nas posições. Para Francisco, à Cúria cabe apenas uma função auxiliar e coadjuvante; já Müller enxerga a necessidade da atuação da CDF e a incompetência de origem da Conferência Episcopal.

A função de zelar pela ortodoxia é, primeiramente, do bispo local. Há casos onde o problema ultrapassa a jurisdição de uma diocese, afetando um continente inteiro. Um exemplo desse problema é a própria Teologia da Libertação. Como a CNBB lidaria com ela se tivesse competência para tal? De fato, pela forma como muitos bispos brasileiros se comportam, em total subserviência à CNBB, mesmo quando discordam dela, há na conferência uma autoridade prática.

Francisco me obriga a concordar com Müller - vejam só!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cardeal dom Odilo destaca frutos do Concílio Vaticano II


Fonte: CNBB [comentários nossos]
O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, que é presidente da comissão para a celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, participou da sexta entrevista coletiva de imprensa da 50ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta segunda-feira, 23.

Dom Odilo afirmou que as comemorações do jubileu de 50 anos do início dos trabalhos do Concílio Vaticano II tem o objetivo de auxiliar na reflexão do verdadeiro significado deste momento para a Igreja e para a sociedade. “Esta é uma oportunidade para que o Concílio Ecumênico Vaticano II possa ser devidamente avaliado e refletido”, afirmou.  [e realmente esperamos isso. Avaliado honestamente, sem lentes cor-de-rosa turvando a visão e refletido de forma racional]

Para o cardeal, o Concílio Ecumênico Vaticano II foi um marco para toda a Igreja  [sem dúvida!] , momento em que se possibilitou um melhor diálogo entre todas as Igrejas  [todas agora estão falando a mesma língua ou o abismo entre elas, sobretudo entre as protestantes e nós, aumentou significativamente nos últimos 50 anos?]  e também uma maior consciência da vida missionário, com uma Igreja em estado permanente de missão. [aqui cabe mencionar que a missão, no sentido católico do termo, está morta. Há sim missão humanitária em regiões de vida difícil, mas a pregação do reino dos céus pelos missionários, sobretudo sacerdotes, é praticamente inexistente]

Dom Odilo também falou sobre o projeto de solidariedade entre as dioceses. De acordo com o cardeal, muitas dioceses brasileiras não tem condições de custear a formação dos seus seminaristas e necessitam de auxilio.

“Precisamos contar com a solidariedade para com as Igrejas mais pobres e fazer com que o povo católico se sinta corresponsável com a evangelização e a formações dos nossos sacerdotes”, acrescentou.

Dom Odilo afirmou que a Igreja se depara com uma situação nova em que há uma redução dos recursos financeiros vindos da Europa.

“Precisamos conscientizar e fazer com que os católicos se sintam também participantes da Igreja e uma das maneiras possíveis se faz na contribuição generosa do dizimo”, afirmou.  [?]

Atendendo aos jornalistas, dom Odilo falou sobre a laicidade do Estado. O cardeal defendeu o respeito a liberdade religiosa e de que o Estado não interfira nessa laicidade.

“Essa é uma preocupação que merece ser refletida. Também não podemos colocar de lado a religiosidade do nosso povo. O Estado deve levar isso em consideração e respeitar”, declarou.

Foto do Dia - Exército Russo

Na Rússia algumas capelas e igrejas foram profanadas, especialmente os santos ícones da Igreja Ortodoxa Russa foram objeto de profanação.
Bem, no Brasil e em diversas partes do mundo estamos "nos acostumando" com essas profanações. Não poucas igrejas são vandalizadas, tendo suas imagens quebradas, sacrários violados e bens roubados.
Contudo, no Brasil a reação parece ser a típica reação morna, tosca e carente de todo amor pela Igreja. Uma notinha de repúdio da diocese em questão, uma nota no jornal e pronto, a vida pode seguir seu curso. A cada dia nos conformamos mais com atitudes de intolerância, prejuízo e afronta.
Não por acaso a CNBB recebeu estarrecida as estatísticas sobre o catolicismo no Brasil, que dão conta do estrago - este sim, vigoroso, constante e intenso - na fé de milhares.
Mas na Rússia a coisa parece ser um pouco diferente. Após o último domingo, liturgia de São Tomé no calendário eslavo, o Patriarca Cirilo (Kirill) reuniu-se para uma vigília em desagravo, improvisada de última hora. E com ele estava um verdadeiro exército vermelho, mas não aquele soviético... um exército de bispos e padres!




A Vigília contra as profanações mobilizou Moscou. E nós, parte ou não dos 7 milhões de católicos brasileiros, o que fazemos diante das nossas profanações?

Algumas manifestações, embora dignas de todo o louvor e incentivo, me deixam preocupado. Cito como exemplo as manifestações pró-vida, sobretudo. Vinte pessoas se reúnem, rezam e protestam, entoam palavras de ordem pela defesa da vida do nascer ao declínio natural. Não estou, obviamente, criticando estas pessoas! Não! Devem sim continuar a fazer o que estão fazendo, batalhando pela vida, defendendo a doutrina da Igreja que é, acima de tudo, uma defesa irrecusável da vida.

O que me deixa estarrecido é que são tão poucos. Poucos é até um eufemismo quando comparamos com o tamanho do Brasil. São poucos até mesmo dentro do universo dito tradicionalista que, longe de ser exemplo de defesa intransigente da doutrina, tornou-se apenas reduto para malucos cibernéticos, que não desejam levantar um dedo na prática, pela defesa da Igreja, da fé e da vida (há boas exceções, é claro). São teóricos, católicos de embates e duelos virtuais, avessos ao trabalho braçal, às vigílias de oração, etc.

Esse imobilismo parece ser um carisma dos brasileiros, dos fiéis ordinários ou extraordinários. Não é por acaso que um dos menores apostolados da FSSPX em toda a América (ou mesmo no mundo) é o brasileiro quando, pelo número de católicos, deveria ser o apostolado mais populoso.

Não temos um exército como o Russo, não temos soldados em número suficiente. Verrà il Guerrone

terça-feira, 6 de março de 2012

"Quero a cabeça de Pe. Paulo"



Acredito que, agora, todos aqueles que leem este blog já sabem sobre o embate que começa a acontecer em Cuiabá, na arquidiocese onde o Pe. Paulo Ricardo, famoso pregador, tem sua residência. Leiam aqui, aqui e aqui, mas também aqui.

Embora a tolerância dos tolerantes não me cause surpresa alguma e a sua hipocrisia seja por todos conhecida, o caso merece especial atenção porque não se trata apenas da investida (furiosa) de uma porção caduca do clero, mas de um verdadeiro sinal.

O que estão fazendo com Pe. Paulo Ricardo é feito sistemática e cotidianamente com centenas de outros Padres Paulos em praticamente todas as dioceses. A perseguição perversa, a calúnia e o terror psicológico são instrumentos nas mãos de muitos Vigários, Assessores, Agentes e até mesmo bispos!

Quantos padres não são transferidos das suas paróquias - ou mesmo destituídos delas - por rezarem a missa de sempre, por pregarem o catecismo, até mesmo por usarem batina. Os números, se soubéssemos, nos assustariam. Eu mesmo posso testemunhar a mão sinistra do progressismo agindo aqui, na minha diocese, para impedir que a missa tridentina seja rezada. Uma mão sombria, que articula nos bastidores, que calunia na calada da noite, fria como a pedra de ametista que infielmente repousa num dos seus dedos.

Temos muitos padres Paulos em nossas dioceses. E o ataque a eles, feito nas reuniões do clero, é o mais vil. Muitos deles, inclusive, se tornam padres apáticos ou, em casos extremos, abandonam o sacerdócio. Que tristeza para o coração da Igreja!

Diferente do que escreveram, não acredito que Pe. Paulo tenha pecado por excessos ou falta de prudência. Muitas vezes nós confundimos prudência com covardia, com preguiça, com falta de vontade, etc. Pe. Paulo apenas disse o que ele sempre diz. Acredito que um ataque como esse viria mais cedo ou mais tarde, era apenas uma questão de tempo e oportunidade.

Pe Paulo, como muitos outros Paulos, sabe que o caminho que escolheu pode levar apenas ao sofrimento. É por isso que é tão difícil trilha-lo, é por isso que muitos, com uma falsa noção de caridade (embora bem intencionados, sem dúvida), pedem para que ele "seja mais prudente" e "se cale um pouco pensando no bem do apostolado que faz".

Cabe agora ao bispo dar a sua sentença. Estará o bispo ao lado de "padres" que servem ao mundo ou do lado de um padre que serve ao Senhor? Simplismo? Exatamente! A questão toda é simples assim e não adianta complicar com mirabolantes sofismas. Ou se está com Ele ou se esta contra Ele.

Por isso nossas orações mais fervorosas e nossas palavras mais doces e firmes devem ser dirigidas ao Senhor Arcebispo!

Aos autores e signatários da carta, que somam pouco mais de 20 pessoas, me causa espanto e admiração que venham a público pedir a cabeça de Pe. Paulo, pois normalmente agem nas sombras das cúrias.

Guardando a devida proporção, vejo aqui um paralelo com João Batista, Herodes, Herodias e Salomé. Pois sua reputação cresceu entre o povo e porque acusava os poderosos, dentre eles a rainha Herodias e ela nutria grande ódio por ele, Herodes prendeu João Batista e, iludido pela dança de Salomé, o rei ordena a sua decapitação. Nos Evangelhos (Mateus e Marcos) Salomé não tem nome, mas foi suficientemente forte para cortar, com a mão alheia, a cabeça de João Batista.

Novamente, guardado das devidas proporções e com todo o respeito devido, o Senhor Arcebispo de Cuiabá será iludido pelas palavras falaciosas e pelos argumentos mirabolantes daqueles que pedem a cabeça de Pe. Paulo Ricardo?

A Salomé de Cuiabá não tem um nome apenas, mas 27!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

3ª edição do Missal Romano está em fase de análise

Ter, 28 de Fevereiro de 2012 13:34
por: cnbb


De 27 a 28, a Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel), realiza a primeira reunião do ano para estudar, analisar e aprovar as emendas para o Missal Romano Tempo Comum. A Comissão tem o objetivo de traduzir para o português os textos originais de Roma, escritos em latim. Os membros Cetel fazem emendas na tradução, e na reunião discutem aquelas que farão parte do documento, que irá para aprovação na 50ª Assembleia Geral dos Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O trabalho de tradução está sendo realizado a partir da 3ª edição do Missal, expedida por Roma. As Congregações Romanas solicitam de cada Conferência Episcopal, a revisão e tradução do texto original. “Nós procuramos fazer uma tradução que seja fiel e, ao mesmo tempo, que use uma linguagem mais acessível para o povo do Missal Romano”, disse o presidente da Cetel, dom Armando Bucciol.

Para cumprir a atividade, são realizadas três reuniões anuais para a discussão e aprofundamento dos textos litúrgicos. Os textos prontos, e devidamente aprovados na Assembleia Geral, são enviados a Roma para aprovação final. Se aprovado, só a partir de então, é reconhecida a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, por meio do vigor da 3ª edição do Missal Romano.

O trabalho de tradução é amplo e complexo, os textos além de traduzidos, são ajustados de forma com que tenham mais sintonia com as características e a linguagem de cada povo. “Cada Conferência Episcopal deve proporcionar à liturgia, mais sintonia com a cultura e a linguagem. Dessa maneira esperamos levar ao povo católico cristão, a possibilidade de orar e rezar, compreendendo, o melhor possível, o sentido das palavras que são pronunciadas”, explicou dom Bucciol.

O presidente da Comissão explica ainda que diante da dimensão e do detalhamento da tarefa, a tradução é feita “com muita tranquilidade”. Não há uma data para a conclusão dos trabalhos da Cetel, e nem de quando sairá a próxima edição do Missal. “A CNBB deve aprovar, para só então ser enviado a Roma para a Congregação. Por isso, não podemos estipular um prazo, mas com certeza, levará vários anos”, concluiu dom Armando. Atualmente, está em vigor a 2ª edição do Missal Romano.

A Cetel é composta por quatro outros membros, além do presidente da Comissão e bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), dom Armando Bucciol. São eles: o arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira Corrêa; o arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Dadeus Grings; o arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha e o bispo da diocese de Uruguaiana (RS), dom Aloísio Alberto Dilli, suplente do bispo de Chapecó (SC), dom Manuel João Francisco.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Renovação Litúrgica finalmente chega ao Brasil

Mas não era bem isso que esperávamos

Com certeza muitos [dos poucos] católicos brasileiros que compreendem o atual contexto eclesial e acompanham com interesse os rumos litúrgicos da Igreja se perguntam, com razão, como a reforma litúrgica empreendida por Bento XVI - a chamada reforma da reforma - ainda não desembarcou por essas terras.

Esses mesmos católicos sabem que, salvo exceções pontuais que podem ser contadas nos dedos das mãos, muitos bispos não agem com o zelo devido a vida litúrgica das suas dioceses, mas realmente demonstram pouca ou nenhuma atenção com a liturgia.

Embora não seja algo que agrade a todos, Bento XVI adotou uma estratégia de revisão lenta e comedida dos resultados do Concílio Vaticano II. Buscando aplicar a sua "hermenêutica da continuidade", o Papa Ratzinger - que foi perito de influência no Concílio - está olhando com menos paixão para os frutos do Concílio, embora nele não veja mal substancial.

Algumas pedras precisam ser removidas do caminho conciliar para que, segundo a lógica do Papa, o Concílio possa demonstrar a que veio de fato. Para Bento XVI o Concílio ainda não está encerrado, pois falta uma chave de leitura adequada para compreendê-lo na sua complexidade. O que se viu até o momento, segundo Ratzinger, é a aplicação de um espírito liberal, distorcido do verdadeiro Espírito do Concílio Vaticano II.

Embora seja um projeto tímido, sem decretos ou instruções escritas, liderado pelo exemplo do Papa, a reforma da reforma vem atingindo um número considerável de sacerdotes e fiéis. Nisso até mesmo os opositores do Papa reinante precisam concordar: a liturgia católica está um pouco melhor, mesmo estando longe da perfeição e da clareza do rito antigo.

Contudo no Brasil isso não parece ter efeito; a reforma da reforma não caminha por aqui, salvo, como já dito, alguns exemplos pontuais.

E porque não acontece? Simples! Porque no Brasil ainda há uma paixão tão descabida pela hermenêutica da ruptura, nas altas esferas da Igreja no Brasil, que toda a ação do Papa Bento XVI e dos seus colaboradores mais próximos (por menor e mais oficiosa que seja) é imediatamente anulada. A Igreja no Brasil possui a sua própria agenda litúrgica (e teológica) e não dá sinais de "uma generosa abertura de coração" em direção ao pontífice.

E o ano de 2012 oferece uma boa oportunidade para, depois de 6 anos e alguns meses do pontificado de Bento XVI, relançar a hermenêutica da ruptura na vida litúrgica do país. Eis um texto, da CNBB, que nos mostra com clareza as bases da contra-contra-revolução.

***

Começa o Seminário Nacional de Liturgia em comemoração aos 50 anos do Sacrosanctum Concilium [CNBB, destaques meus]


Teve inicio na tarde de ontem, 31 de janeiro, no auditório “Rainha dos Apóstolos”, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP), o Seminário Nacional de Liturgia, em comemoração aos 50 anos de promulgação da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium.

Estiveram presentes cerca de 180 pessoas, entre bispos, presbíteros, leigos e leigas do Brasil e da América Latina. O Seminário tem como temática a Releitura da Sacrosantum Concilium, no Contexto do Concílio Vaticano II e nos Documentos Latino-Americanos. O Seminário de Liturgia acontece de 31 de janeiro a 04 de fevereiro.

Promovido pela Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI) e pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Rede de Animação Litúrgica (Rede Celebra), Centro de Liturgia, Revista de Liturgia, o evento tem por objetivo retomar as intuições e a teologia litúrgica na Sacrosanctum Concilium e demais constituições e decretos do Vaticano II e documentos pós-conciliares, no contexto da renovação da liturgia da América Latina e Caribe, à luz de Medellin, Puebla, Santo Domingo e Aparecida, em busca do rosto e do lugar da liturgia na vida e na missão da Igreja como serviço para a vida plena em Cristo e ao acontecimento do Reino de Deus.

O Seminário Nacional conta a assessoria principal do professor de Teologia Sacramental na Pontifícia Faculdade Teológica da Universidade de São Anselmo em Roma, e professor de teologia no Instituto de Liturgia Pastoral de Pádua, Andrea Grillo.

O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, da CNBB, padre Hernaldo Pinto Farias, lembra que este é o 1º evento, da agenda de eventos da CNBB, que homenageará os 50 anos do Concílio Vaticano II. “O Sacrosanctum Concilium foi o primeiro documento aprovado no Concílio Vaticano II, daí sua importância”, explicou o assessor da CNBB.

Segundo dia




O segundo dia do Seminário Nacional de Liturgia teve inicio com a celebração eucarística presidida pelo secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner.

Em seguida, dando abertura aos trabalhos no auditório, o secretário geral enfatizou a importância da Liturgia na prática pastoral e sua relação com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015 (DGAE).

O dia prossegue com a primeira reflexão do assessor do evento, Andrea Grillo, que reflete sobre o tema: “Liturgia, momento histórico da salvação na Sacrosanctum Concilium e nos Documentos Latino-Americanos. Em seguida, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, dom Armando Bucciol, amplia a reflexão do tema do dia.

À tarde, os participantes interagem com a temática através da participação em minisseminários.

***

Primeiro é importante notar como a Sacrosanctum Conscilium deve ser lida: no contexto dos documentos latino-americanos. A tônica da discussão gira em torno da materialização do condenado espírito do Vaticano II, que se deu justamente nas conferências do CELAM de Puebla e Medellin. 

Puebla e Medellin foram tentativas - muito bem sucedidas - de se implantar no Brasil, ou melhor, de consolidar no país a "práxis" marxista da teologia da libertação. Podemos dizer, sem erro, que essas duas assembleias do CELAM foram o verdadeiro Concílio da Teologia da Libertação e, por isso mesmo, sua autoridade e seu alcance são inquestionáveis, mesmo entre os bons bispos. Você já ouviu um bispo brasileiro criticar o CELAM de Puebla ou Medellin?

Quem é o professor Andrea Grillo? Resumimos em algumas citações do docente do Santo Anselmo1:

"O documento Universae Ecclesiae estende o âmbito operativo do Motu Proprio Summorum Pontificum , ou seja, a extensão pessoal e territorial de uma pretensão de paralelismo ritual que instaura uma covigência entre o rito ordinário e o rito extraordinário, o que – já à primeira vista – se revela incoerente, ineficaz e gravemente perigoso para a comunhão eclesial".

"Se, ao contrário, colocamos ao lado da tradição renovada
[pelo Concílio] uma tradição velha, permitimos que uma nostalgia de curto respiro ameace a própria tradição, interrompa suas principais vias de comunicação e de transformação. A tradição muda ao longo do tempo, mas torna-se tradicionalismo quando não aceita essa mudança estrutural e se fixa rigidamente, com pretensões de perenidade. Desse modo, morre a tradição: em nome de ataques pessoais e de sensibilidades nostálgicas".

" Considerar vigente o Missal de 1962 é uma ficção jurídica que não se sustenta nem diante de Paulo VI, nem diante de João XXIII. E é uma ficção jurídica ainda mais grave por ter sido conjecturada pela primeira vez por parte dos círculos tradicionalistas, no início da Reforma Litúrgica, para fazer resistência à própria Reforma. Surpreende que o Papa Bento XVI tenha assumido uma teoria tão inconsistente no plano jurídico e com consequências tão incontroláveis no plano litúrgico, eclesial e espiritual.   "

"O Concílio promove uma Reforma para que todos possam sentir o ritual como linguagem “própria”. Por isso, é muito difícil defender que o recente documento Universae Ecclesia não é contra a Reforma Litúrgica, visto que ele encoraja uma participação que inevitavelmente é a de “espectadores mudos”".



Como se vê, Andrea Grillo representa a escola da ruptura litúrgica. Com uma mistura seletiva e mirabolante de história, direito e suas próprias concepções, ele consegue não apenas apresentar uma opinião desfavorável ao que o Papa Bento XVI vem fazendo, mas consegue acusá-lo de tudo aquilo que ele próprio - Bento XVI - quer e vem evitando.

O título do artigo de Grillo - Por uma Ecclesia verdadeiramente Universa - é interessante. Para Grilo, como para qualquer bom progressista, a Igreja deve acolher a todos, exceto os tradicionalistas e conservadores que sustentam uma Tradição com "T" maiúsculo. Deve respeitar todas as opiniões, desde que não sejam opiniões contrárias à agenda modernista. Deve mudar sempre, a não ser que a mudança signifique um retorno a sua natureza "tridentina", dogmática, etc. Enfim, a Igreja deve assumir um caráter verdadeiramente totalitário, totalitariamente alienada da Verdade.

É essa mentalidade - de Grillo - que irá guiar a reflexão da CNBB na "retomada das intuições" da Sacrosanctum Conscilium. Enfim, veremos sim um novo movimento litúrgico nascendo no Brasil a partir dessas reflexões. Mas será mais do mesmo, mais da mesma lenga-lenga da ruptura! Para Grillo, para o CELAM e para algumas pobres almas da CNBB [que infelizmente comanda uma maioria muda e impotente de bispos conformados], ainda que a tradição deva mudar, o dogma do Espírito do Concílio permanece intacto.



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