Mostrando postagens com marcador Teologia da Libertação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teologia da Libertação. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de maio de 2015

Há esperança para Francisco?

Raul Castro com Francisco.
Talvez o Banco Vaticano financie obras em Cuba.
A esperança é uma virtude que permeia, ou pelo menos deveria, a vida de todo (bom) cristão. Sobretudo nos últimos anos os católicos perplexos buscam o maná da esperança em cada breve notícia, em cada pequeno gesto do atual pontífice. Buscam, buscam, buscam... Eis ai uma característica da esperança que é a sua estamina infinita. "Quem espera sempre alcança", "a esperança é a última que morre!" e coisas do gênero são ditas com frequência.

Esperamos que o Papa Francisco demonstre, por gestos concretos ou palavras claras, que é diferente daquele Francisco apresentado pela mídia anti-católica. De fato, a esperança de muitos católicos, blogueiros ou não, era ser factível esta distorção entre o Francisco real e o papa virtual que agrada aos degenerados. Depois de dois anos e alguns meses de pontificado essa tese vem se mostrando cada vez mais impossível de sustentar. Vemos que há apenas um Papa Francisco e que muito provavelmente, e para o nosso desgosto, a grande angular dos meios de comunicação acabou captando a verdadeira essência do bispo de Roma com muito mais precisão.

Podemos dizer que Francisco vem construindo uma obra. Os cardeais Kasper e Braz de Aviz (a nossa eterna vergonha em Roma...) já declararam que Francisco deseja realizar mudanças severas e irreversíveis na Igreja. Só não explicaram se tais mudanças são apenas na estrutura da Cúria ou na doutrina. Talvez, e aqui especulo, a primeira seja pré-condição para a segunda.

Essas mudanças irreversíveis tem o seu ápice no Sínodo para a Família. É nesta reunião de bispos que a batalha é deflagrada e onde podemos ver o autêntico modus operandi do Papa Francisco. Foi justamente a primeira parte da reunião que tirou dos católicos ingênuos a vontade, ou melhor, a possibilidade de defender Bergoglio.

Ontem pude ler no blog Rorate Caeli que o frade dominicano Timothy Radcliffe foi apontado pelo Papa Francisco como consultor do Conselho de Justiça e Paz. Frei Radcliffe, segundo aponta o blog, é considerado algo além de um religioso liberal... um Über-liberal! Segundo RC

O antigo Mestre Geral da Ordem Dominicana [1992-2001] é um apoiador proeminente da proposta Kasperiana da comunhão aos "divorciados recasados". Ele também se coloca pela ordenação de mulheres, se não ao sacerdócio, pelo menos ao diaconato. Contudo ele é mais famoso por suas intervenções públicas frequentes sobre a aceitação da homossexualidade, tendo sido um celebrante frequente das infames "missas Gay" no Soho de Londres.

Será que Francisco não conhecia o currículo do agora consultor? Difícil imaginar já que o Papa elevou ao cardinalato o arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, o único cardeal franciscano anglófono até o momento, e considera do seu círculo pessoal o arcebispo anterior, o igualmente liberal Murphy Cormac O'Connor.

Recentemente, ainda, o Papa teve um agradável encontro o ninguém menos que Raul Castro, dono da ilha prisão de Cuba. A mídia alardeou com inquestionável precisão que o Papa argentino teve influência vital na reaproximação dos EUA com Cuba. Os blogueiros mais ingênuos já se puseram em pé a aplaudir o Papa, afirmando, entre outras asneiras, que o fim do embargo - que ainda não se deu! - favorecerá o florescimento da democracia em Cuba e o fim do comunismo na ilha. O jornalista Reinaldo Azevedo coloca de forma bem mais sóbria e realista:

Que se note: até agora, não há o menor sinal de distensão política em Cuba. Esse namorico com Barack Obama e com o papa Francisco, por enquanto, não tem sua correspondência em distensão política interna. É tolice, está evidenciado, acreditar que o progresso, por si, põe fim a ditaduras. Eu mesmo já cheguei a flertar com essa ideia quando era bem mais moço. A China, por exemplo, prova  o contrário de maneira muito eloquente.O projeto dos Irmãos Assassinos e do Partido Comunista Cubano é romper o relativo isolamento sem pôr um fim à ditadura. Raúl, se preciso, pode até se ajoelhar e rezar por isso. Se depender de Obama e de Francisco, ele chega lá…Que tempos e que homens os destes tempos!
O socialismo do século XXI parece ser a nova saída para Cuba, apresentando-se como uma democracia bolivariana. E ao receber líderes de movimentos ditos sociais em Roma, até com a presença infame do terrorista João Pedro Stédile, Francisco parece flertar descaradamente com o filo-bolivarianismo, com ditaduras mitigadas, mas ditaduras ainda assim. Não podemos nos esquecer também que foi Francisco quem revogou a suspensão do sandinista Miguel d´Escoto que, como todos sabem, não retrocedeu um milimetro nas suas posições terroristas.

A esquerda está em êxtase! Recentemente Gustavo Gutierrez foi recebido outra vez com pompa e circunstância no Vaticano, dessa vez na Assembleia da Cáritas. O processo de beatificação de Helder Câmara começou... É uma festa sem hora pra acabar!

Na outra ponta, contudo, temos bispos conservadores sendo perseguidos, depostos e humilhados sem nenhuma chance de defesa, sem um único encontro com o Papa cuja agenda está ocupada por audiências com terroristas, comunistas e ateus.

E assim vamos caminhando, mesmo sem saber o caminho. As certezas de antes são as dúvidas de agora. O grande enigma que se apresenta na forma de Francisco, na verdade, é bem simples - não há mistério algum! O pontificado de Francisco, a semelhança com o governo Dilma, consegue a proeza de se tornar pior com o passar do tempo.

Há ainda espaço para esperança? Sim, sem dúvida! Porque a esperança para o católico não é imediatista, é acima de tudo direcionada à vida eterna. Não esperamos em homens, mas colocamos nossa esperança em Deus. Há, portanto, espaço para a esperança, sempre.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Foto do dia: Ciudad del Este depois da intervenção bergogliana


Na foto acima Mons. Ricardo Valenzuela, Administrador Apostólico da diocese de Ciudad del Este, visita os membros da Comunidade Missionária de Jesus.
Depois da infame intervenção ordenada pessoalmente pelo papa Francisco, a diocese teve seu bispo removido em tempo recorde - o que prova por A mais B que a intervenção foi apenas uma encenação apresentada pelo papa e seu cardeal espanhol Santos Abril - e um novo prelado nomeado. Sobre isso já falamos aqui.
Reparem na imagem. Os membros da Comunidade ainda se encontram profundamente marcados pelo espírito que o antigo bispo, o corajoso Mons Rogelio Livieris, lhes deixou. Um espírito que não é outro senão aquele da Igreja Católica de sempre, autêntica missionária e seguidora de Jesus.
Reparem que o Administrador Apostólico, que representa o Papa no governo de uma diocese sem bispo instalado, é o retrato daquela igreja falida da década de 70, a mesma que encontra em Francisco o seu autêntico representante.
Este é o retrato verdadeiro do falado efeito Francisco. Não se trata de renovação, mas de um movimento reacionário da velha guarda, embolorada e moribunda, que se amotinava nos porões ou catacumbas, como fez Dom Helder, contra tudo aquilo que era católico.

domingo, 9 de novembro de 2014

O Papa-Sol. A Igreja Sou EU!


Há neste pontificado de Francisco muitas características interessantes, ainda que tristes, que nos remetem ao jogo político bolivariano apresentado pelas lideranças seculares na América Latina.

Este pontificado se apresentou como a grande reinvenção da misericórdia, como se a Igreja não fosse misericordiosa nos dois mil anos precedentes, do amor aos pobres e da simplicidade absoluta. Toda essa imagem foi construída de forma propagandística, também através da pena de jornalistas de esquerda e do martelo ideológico de alguns padrecos e bispos saudosistas da Teologia da Libertação, mas sobretudo através do engenho pessoal de Bergoglio. Como não pensar na imagem de Chavez, Mujica ou Lula, é claro, igualmente manipuladas pela mídia que fez de cada mandatário um novo "pai dos pobres", um messias político que promete o paraíso na Terra.

Mas da mesma forma como sabemos que Mujica, Kirschner, Morales, Maduro, Lula ou Dilma não estão ou mesmo nunca estiveram preocupados com o bem estar da sociedade ou dos mais pobres, mas apenas desejam transformar a sociedade para instalar por essas plagas um projeto hegemônico de poder, unipartidário e inquestionável, Francisco está francamente comprometido com a transformação da Igreja.

A mídia de nariz sujo da América Latina ainda incensa o pontífice, pintando o Papa argentino como um construtor de pontes (daí vem a palavra "pontífice") não mais entre o céu e a Terra, mas entre os desejos sociais e a estrutura da Igreja; o Corpo Místico de Cristo se foi restando apenas a "estrutura" e esta pode e deve ser modificada. Mas há uma outra mídia, mais comprometida com a verdade dos fatos e que se localiza habitualmente nos países desenvolvidos, que vem torcendo o nariz para Bergoglio. Nos periódicos italianos já há uma unanimidade entre os vaticanistas contra Bergoglio. Não se trata de uma oposição pela oposição, como diria Marina Silva, mas de uma resistência aos métodos nada santos empregados pelo Papa para mudar aquilo que não pode ser mudado - a doutrina da Igreja.

Blogs que antes tentavam construir um caminho de unidade entre Bergoglio e os papas anteriores desistiram da empreitada. O mais famoso deles, o blog do Pe. Z., até cunhou uma frase de impacto: "lendo Francisco através de Bento (XVI)". Já faz algum tempo que o Pe. Z. removeu o banner com a frase.

Nos acostumamos com o conceito de "hermenêutica da continuidade" apresentado por Bento XVI e esperávamos que Bergoglio, por mais diferente que pudesse ser de Ratzinger, seguisse por essa via. Não seguiu. Pelo contrário, Francisco se torna cada dia mais um exemplo vivo daquela descontinuidade, da desconstrução das certezas dogmáticas e da "bagunça", uma verdadeira ruptura agressiva.

O Papa-Sol

Francisco é, de longe, o pontífice mais absolutista da história. Seus discursos iniciais estavam marcados por um forte apelo à colegialidade, ao modo sinodal de governar a Igreja. Eram discursos verdadeiramente revolucionários, mas que tinham uma base elementar no Vaticano II. Contudo, Francisco tem uma ideia muito peculiar sobre como conciliar o modelo sinodal com a potestade pontifícia: os padres sinodais só têm voz se esta for um eco da própria voz de Bergoglio.

Francisco procurou, através do último Sínodo dos Bispos em Roma, ter a sua agenda de revolução doutrinal endossada pelos padres sinodais. Para isso, de forma muito articulada, colocou o cardeal Kasper para introduzir o tom da discussão - a comunhão aos divorciados em segunda união. Kasper atuou como um verdadeiro boi de piranha, atraindo para si as críticas e mostrando para Francisco quem eram os críticos.

Vários cardeais se levantaram contra o "teorema Kasper". Artigos em jornais e revistas foram publicados, livros escritos.  Cardeais conservadores expressavam seu desprazer com a ideia, amplamente divulgada, que a Igreja modificaria sua doutrina.

Francisco então tentou organizar o Sínodo de forma a neutralizar opositores, dispondo peões como num elaborado jogo de xadrez. Entra em cena o segundo "boi de piranha" do Papa, o cardeal Baldisseri. Como secretário do Sínodo, junto com o arcebispo progressista Bruno Forte, Baldisseri cria um ambiente de completa censura aos dissidentes, ocultando pronunciamentos, manipulando a tribuna e entregando um "relatio" completamente inédito. A revolta dos padres sinodais, sobretudo os da África e Ásia, foi evidente e permitiu que a crise se tornasse pública. Vários jornais falaram numa derrota de Francisco e deram espaço ao questionamento das até então incríveis capacidades gerenciais do papa jesuíta.

No discurso de encerramento do Sínodo, Francisco, o "Papa-Sol", lembrou a todos os presentes que, neste pontificado, "A Igreja sou eu". Citou de forma clara o cânone 749 no qual se afirma que o Papa é "Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis" e goza "da potestade ordinária, que é suprema, plena, imediata e universal na Igreja" (cf. cânn. 331-334). Para bom entendedor, meia palavra basta, e o recado foi dado!

A Defenestração de Burke

Um líder da oposição dentro do Sínodo, embora rejeite categoricamente este rótulo, o cardeal americano Raymond Burke, então prefeito da Signatura Apostólica, foi a primeira vítima dos ajustes do pós-sínodo.

O tema do sínodo era (é) a família e questões de ordem canônica foram (serão) discutidas. Mas o prefeito da mais alta côrte da Igreja, o chefe do Direito Canônico, só participou do Sínodo "ex-oficio", ou seja, uma participação automática. O cardeal Burke não foi convidado pessoalmente pelo Papa, nem mesmo ocupou alguma posição de liderança oficial na estrutura do Sínodo, como era de se esperar.

Burke foi nomeado ontem, depois de muita especulação, como Soberano da Ordem Militar de Malta, cargo honorífico e reservado aos cardeais aposentados. Burke, com 66 anos, está bem longe da aposentadoria.

Mas Francisco foi muito inteligente ao fazer o Sínodo para a Família em duas etapas. Burke, a grande figura conservadora, está fora da segunda assembleia do sínodo que se reunirá em outubro de 2015. Com absoluta certeza outros cardeais opositores estarão igualmente fora do embate final. Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Humilhação aos EUA

Com a saída de Burke a Cúria Romana perde o único prelado norte-americano num cargo de chefia. A Igreja dos EUA é poderosa e influente, sempre contando com algum bispo ou cardeal num alto posto da administração eclesial. Com Francisco isso parece não ser o caso.

Basta lembrar que no último consistório para a criação de novos cardeais, Francisco ignorou os EUA completamente. Pela primeira vez em mais de cem anos os EUA estavam fora do consistório.

Francisco também nomeou para Chicago, sede do arcebispo mais influente dos EUA e um nome profundamente ligado a João Paulo II e Bento XVI, Francis George, um prelado de segunda linha, sem expressão nacional, mas afinado com a "misericórdia" de Francisco e um "yes man".

A elevação de padres e bispos do segundo ou mesmo do terceiro escalão à posições proeminentes parece ser a marca deste pontificado. Começou na Cúria, com a nomeação relâmpago de Stella como substituto de Piacenza e agora se espalha para as dioceses do mundo. Talvez - e aqui é uma teoria pessoal - a elevação prelados medíocres em detrimento de outros mais bem preparados é uma estratégia de longo prazo para que as reformas bergoglianas passem com facilidade até as estruturas mais fundamentais da Igreja - as paróquias e capelas. Foi dessa forma que Bergoglio modelou a Igreja na Argentina, com bispos mal formados e pouco habituados à defesa da doutrina, e está ai o resultado...

O que sabemos, entretanto, é que João Paulo II e Bento XVI deixaram os EUA com bispos muito conservadores e, graças a Deus, jovens. As grandes lideranças dos EUA, na sua maioria, são relativamente jovens - Samuel Aquila (64), William E. Lori (63), José Gomez (62), Thomas Wenski (64), Alexander Sample (54), James Sartain (62), Salvatore J. Cordileone (58) e até mesmo o cardeal Dolan (64), embora este último esteja bem longe de ser um tradicionalista ou mesmo conservador, ele levantou duras objeções durante o Sínodo. Ou seja, será muito difícil para Francisco modificar muito rapidamente a linha conservadora dos EUA. É claro que o "Papa-sol" poderá criar uma infinidade de cargos honoríficos ou despachar uma dezena de "visitas fraternas" aos arcebispos americanos para, de forma arbitrária e humilhante, se livrar deles... afinal "A Igreja é Francisco".

Do ponto de vista meramente político, negligenciar a Igreja norte-americana é um erro estratégico grave que pode trazer ainda mais problemas ao Papa, ou mesmo a antecipação da sua renúncia.

E o que vem por ai...

É muito difícil e arriscado prever o futuro. Podemos traçar linhas conjecturais, podemos especular somente.

Esperamos para antes do próximo Sínodo uma reformulação mais acelerada na Cúria. Nomes de influência já se foram, com a remoção de Cañizares do Culto Divino e agora de Burke da Signatura Apostólica. Os únicos prelados "com luz própria" são Müller, da Doutrina da Fé, e Pell das Finanças Vaticanas. Ambos se colocaram como opositores da trinca Kasper-Baldisseri-Francisco no sínodo.

Faço apenas algumas especulações:

Maradiaga, o vice-papa, poderia ser nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Francisco precisa de um nome forte em Roma, porém inteiramente devotado ao projeto bergogliano, e na face desta Terra não há ninguém mais fiel ao processo revolucionário de Bergoglio que o cardeal arcebispo de Tegucigalpa Oscar Maradiaga.

Francisco precisa, ainda, lidar com a oposição na própria Itália. Para tanto, a substituição de Caffara (76), arcebispo de Bolonha e um dos autores do livro que criticava as propostas de Kasper, é importantíssima e estratégica. Recentemente Francisco fez algumas alterações na legislação da renúncia dos prelados com mais de 75 anos, obrigando-os a apresentar ao Papa sua demissão. É possível que Galantino, o bispo que não gosta que católicos rezem em clínicas de aborto, suba até o arcebispado de Bolonha.

Posso estar enganado, mas não acredito que Piero Marini será o próximo prefeito do Culto Divino. Seria um problema a mais na já conturbada agenda de Francisco e o ex-cerimoniário e ex-secretário de Annibale Bugnini já conta com 72 anos. É possível que um nome totalmente inesperado e mais jovem, alçado do segundo escalão, assuma a Congregação. Porém será um nome Bugniniano e crítico da missa antiga e do Motu Proprio. Disso não tenho dúvida!

Conclusão

O importante é que todos acordaram para este pontificado. Estão vendo um processo claro de desconstrução da Igreja através das mãos do Papa Francisco. Até mesmo jornais católicos, redes de TV católicas (nos EUA, é claro...) percebem que há algo errado com este pontificado.

Comparam Francisco ao Papa Paulo VI. Não acho a comparação justa.
O Papa Montini permitiu que seu pontificado fosse sequestrado por progressistas, sendo ele mesmo simpático a muitas, mas não todas, das suas ideias revolucionárias. Paulo VI pecou pela falta de decisão, por ser o "papa Hamletiano" e por confiar e dar poderes demais aos seus colaboradores. Francisco é justamente o oposto - todas as decisões partem dele e ele não confia em ninguém além de si mesmo. Francisco não tem colaboradores, tem executores.
Paulo VI foi o papa sem personalidade enquanto Francisco é o papa mais personalista que existe.

domingo, 3 de agosto de 2014

Papa Francisco reintegra sacerdote sandinista ao ministério.

(Christian Newswire* | Tradução Blogonicus) - O Vaticano publicou um decreto que levanta uma suspensão de 29 anos aplicada ao Pe. Miguel F. d'Escoto Brockmann (foto), um sacerdote da [Congregação] Maryknoll. A Maryknoll Fathers and Brothers é uma sociedade missionária dos EUA.

Pe. d'Escoto, 81 anos, foi ordenado como sacerdote católico em 10 de junho de 1961. Ele ajudou a fundar a Orbis Books, a publicação teológica da congregação de Maryknoll, e se tornou um oficial junto ao Conselho Mundial de Igrejas. Durante a década de 70, d'Escoto se envolveu com política na Nicarágua. Ele integrou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, um partido politico que removeu Anastasio Somoza e estabeleceu um governo revolucionário.

Por suas ações políticas, seu envolvimento com o governo sandinista e a recusa em abandonar um cargo político (ministro do exterior da Nicarágua) incorrendo na violação do seu ministério, Pe. d'Escoto foi suspenso dos seus deveres sacerdotais pelo Vaticano.

Na notificação do Vaticano datada de 1º de agosto, [se lê] "O Santo Padre concedeu seu benevolente assentimento para que Pe. Miguel d'Escoto Brockmann seja absolvido da pena canônica infligida a ele e o confia ao Superior Geral do Instituto [Maryknoll] com o propósito de acompanhá-lo no processo de reintegração do ministério sacerdotal"

A revogação da suspensão permite ao Pe. d'Escoto reassumir os seus deveres sacerdotais.

Pe. d'Escoto permaneceu como um membro da Maryknoll com residência na Nicarágua. De setembro de 2008 até setembro de 2009, ele presidiu a 63º sessão da Assembleia das Nações Unidas como seu presidente.

***
Nossos comentários
Parece que a misericórdia, ou melhor, a "benevolência" só existe com a esquerda marxista.

Francisco se distancia a cada dia dos seus predecessores, de modo especial Bento XVI e João Paulo II que tanto fizeram para lutar contra a teologia da libertação e o marxismo, religioso ou não.

Diferentemente de João Paulo II, que de dedo em riste censurou publicamente a Ernesto Cardenal - um outro padre sandinista - Francisco acolhe benevolentemente.

Então quer dizer que Pe. d'Estoco se arrependeu e buscou o perdão do Vaticano? Nada disso! O mais escandaloso é isso, o político comunista revolucionário que por acaso também é um padre não se arrependeu de nada, não se afastou das atividades políticas e teve a sua punição revogada por um gesto, como deixa claro o texto, do próprio Papa Francisco!

Ernesto Cardenal, novamente ele!, foi um dos religiosos que mais festejaram quando viu Bergoglio subir ao poder. Ele disse sobre Bergoglio: “De maneira nenhuma esperávamos um papa do nosso continente, nem um papa revolucionário neste momento, porque foi eleito entre os cardeais que foram escolhidos pelos dois últimos papas (João Paulo II e Bento XVI), conservadores e reacionários. Então de onde sairia um revolucionário? E saiu”.

O que dizer disso tudo?
O que vemos é um Papa que baila um tango perigoso com aquela parcela da Igreja que erroneamente julgávamos derrotada (mea culpa! mea culpa!). É um papa que reabilita comunistas e beija a mão de sacerdotes gayzistas, mas censura publicamente e sem o menor desconforto a ínfima parcela do laicato que, por exemplo, recorre à prática piedosa dos buquês espirituais ou ainda que se aproxima da missa tradicional; a estes últimos só há o preconceito e o desdém.

Seguindo a mesma lógica que vimos até o momento, Leonardo Boff poderia ser reabilitado imediatamente! E o papa ainda poderia pedir perdão ao franciscano. Paranoia? Longe disso...

O pontificado de Francisco não é difícil de entender, mas é difícil de defender. Resta aos menos "paranoicos" fazerem os seus malabarismos sofismáticos, tentando negar o que está bem claro diante de nós.

Um mérito deste pontificado, entretanto, é que está nos mostrando a cada nova entrevista dúbia ou a cada decisão temerária, que a Igreja é guiada em primeiro lugar pelo Espírito Santo e não é uma instituição humana. Rezemos ainda mais pelo Papa, com mais força e devoção. Ele precisa muito das nossas orações.
______________
*A nota que traduzimos da Christian Newswire é assinada por Mike Virgintino, que se apresenta como RP da congregação de Maryknoll.

[Atualização 04/08 15:36 - Segundo informa a rede de notícias CNA, dando mais detalhes sobre o caso, Pe. d'Estoco escreveu ao Papa pedindo para que pudesse celebrar a Eucaristia novamente antes de morrer.]

sábado, 2 de agosto de 2014

A podridão da CNBB não conhece limites.

A reforma política da CNBB
Qual o partido vem à mente quando se menciona MST, CUT, Via Campesina, Contag, UNE, Fenaj?


(Percival Puggina | Mídia News) Buscando informações sobre o projeto de reforma política que vem sendo objeto de coleta de assinaturas, descobri uma nova dimensão da hegemonia que se estabeleceu sobre a nação.

Qual o partido ou tendência ideológica que lhe vem à mente quando eu menciono MST, CUT, Via Campesina, Contag, UNE, Fenaj?

Pois bem, fazendo a tal busca, obriguei-me a ler as 23 páginas do projeto de lei que "dispõe sobre o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de eleições proporcionais". Tratei, igualmente, de saber de onde ele veio.

Esse projeto foi divulgado em outubro do ano passado pelo movimento Eleições Limpas (www.eleicoeslimpas.com.br) e hoje é acionado por uma certa Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas (procure no Google por esse nome e clique em "Quem somos").

Vê-se, ali, que a coalizão é formada por 99 entidades - sim, você leu certo, 99! - contadas uma a uma.

Entre as já mencionadas, ainda encontrei outros velhos conhecidos: UBES (estudantes secundaristas), CNTE ("trabalhadores" em educação), Conic (aquele Conselho Nacional de Igrejas Cristãs que apoiou oficialmente o PNDH-3), o MMC (Movimento das Mulheres Camponesas, aquelas que invadiram os laboratórios da Aracruz em 2006), um certo Fórum Paulista de Participação Popular (cujo site é encimado por peça publicitária de um candidato do PT a deputado federal), a Via Campesina, a UBM (entidade de mulheres pró-aborto), RFS (Rede Feminista de Saúde, pró-aborto), a Rbrip (rede de ONGs e movimentos sociais com propostas "alternativas"), a Liga Brasileira de Lésbicas, o Movimento Evangélico Progressista, a Articulação Mulheres Brasileiras (pró-aborto e contra os direitos dos nascituros).

E por aí vai. Sabe quando a oposição conseguirá reunir algo semelhante a esse formidável elenco de militantes ONGs, grupos, movimentos, uniões, conselhos, redes, ligas, associações, federações, centrais, etc.?

Encimando a lista, mas como fios da mesma meada, luzem os logotipos e as siglas da CNBB e da OAB. Isso mesmo. Mais uma vez, você leu certo. As duas entidades, juntam-se a estranhíssimas parcerias, revolucionárias umas, desrespeitadoras da lei outras, objetivamente criminosas outras mais, para propor à nação uma "reforma política" praticamente igual à que o PT sempre pretendeu. Quem duvida, informe-se.

2013 - Deputados do PT entregam projeto de reforma política do partido
para Dom Leonardo Steiner, o bispo amigo de comunistas brasileiros e
estrangeiros.
O 3º Congresso do PT, em 2007, definiu-se por uma reforma política que estabelecesse: 1) o financiamento público das campanhas; 2) o voto em listas fechadas; 3) a representação de gênero, raça e etnia. O projeto da Coalizão: 1) cria o financiamento público e proíbe o financiamento de empresas; 2) estabelece o voto em lista fechada; 3) gratifica com mais recursos públicos o partido que apresentar candidatos de segmentos sociais minoritários.

E faz dois adendos ao projeto do PT: 1) admite o financiamento de pessoas físicas até o limite de R$ 700; 2) acrescenta à proposta petista um segundo turno nas eleições parlamentares para o ordenamento final das cadeiras por voto nominal.

Nem uma palavra, nem um pio, sobre o que mais importa: delegar a chefia de Estado e a chefia de governo a pessoas distintas, impor o desaparelhamento partidário da administração pública e estabelecer o voto distrital misto. 

Com esses apoiadores e tanta identidade de pontos de vista, eu não preciso saber mais para compreender a quem serve esse projeto. 

E concluo: se ele serve a quem serve, não serve ao Brasil. 

PERCIVAL PUGGINA é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+ e membro da Academia Rio-grandense de Letras.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

CIMI informa recorde de mortes entre índios. E a culpa não é das estrelas, mas da própria CNBB

Abaixo reproduzo uma reportagem do Jornal do Povo, de Três Lagoas (MS). Volto com as minhas considerações depois do texto.

***

Em 2013, MS registrou um suicídio de índio a cada cinco dias
Edmir Conceição

O Conselho Missionário Indigenista (CIMI) divulgou nessa manhã, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, relatório sobre a violência contra os povos indígenas, com ênfase para o que classifica de “omissão” em relação à saúde indígena e os casos de suicídios de guarani-kaiowás na Reserva Indígena de Dourados.

De acordo com o relatório, em relação à saúde indígena, a situação “é de total omissão. A constatação de que a cada 100 indígenas que morrem no Brasil 40 são crianças torna inegável o fato de que está em curso uma política indigenista genocida”, diz Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu e presidente do CIMI.

Sobre a ocorrência de suicídios, dados oficiais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), divulgados em maio deste ano pelo CIMI, mostram 73 casos em 2013, uma média de um suicídio a cada cinco dias. Este índice configura-se como o maior em 28 anos, de acordo com os registros do Conselho Indigenista. Dos 73 indígenas mortos, 72 eram do povo Guarani-Kaiowá, a maioria com idade entre 15 e 30 anos.

Segundo o relatório do CIMI, no período de 1986 a 1997, foram registradas 244 mortes por suicídio entre os Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul. O número praticamente triplicou na última década. De 2000 a 2013 foram 684 casos.

Dividida em quatro partes, o relatório divulgado hoje traz no primeiro capítulo as seguintes categorias: omissão e morosidade na regularização das terras indígenas; conflitos relativos a direitos territoriais; e invasões, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio.

A segunda parte apresenta as violências cometidas “contra a pessoa”, dentre elas constam assassinato, ameaça de morte, abuso de poder, homicídio culposo, lesão corporal dolosa, racismo e discriminação e violência sexual, dentre outras.

Já o terceiro capítulo traz dados sobre as violências causadas por omissão do poder público, como desassistência geral e desassistência nas áreas de saúde e educação, morte por desassistência, mortalidade infantil e suicídio. E, por último, há informações sobre os povos indígenas que vivem em situação de isolamento ou de pouco contato no Brasil e as principais ameaças a que estão sujeitos.


***

Antes de tudo é preciso saber quem ou o que é o CIMI. Nas palavras do próprio conselho, lemos:

O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.Criado em 1972, quando o Estado brasileiro assumia abertamente a integração dos povos indígenas à sociedade majoritária como única perspectiva, o Cimi procurou favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembleias indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à diversidade cultural.

Então vemos que em nenhum momento o CIMI, embora diga-se "missionário", fala em missão no sentido daquelas "atividades características com que os pregoeiros do Evangelho, indo pelo mundo inteiro enviados pela Igreja, realizam o encargo de pregar o Evangelho e de implantar a mesma Igreja entre os povos ou grupos que ainda não creem em Cristo" (cf Decreto AD GENTES, 6). Não! O CIMI é um órgão criado para preservar a "alteridade indígena em sua pluralidade étnico-cultural e histórica e a valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas", inclua-se ai a sua religião pagã.

Todas as nações do novo mundo (América) e do novíssimo mundo (Austrália) tiveram problemas em lidar com as comunidades nativas, sobretudo no período de colonização e posterior industrialização. Os povos nativos sempre foram colocados à margem do processo e isso não é novidade ou um produto exclusivo da sociedade brasileira.

Entretanto, o que nos afeta - e isso sim parece uma jabuticaba antropológica, ou seja, só existe aqui - e a insistência do governo e de órgãos não governamentais (ONGs) ou para-governamentais, como o CIMI, em ampliar e institucionalizar a marginalização dos povos indígenas, deslocando essa parcela da população da esfera normal da sociedade. Os povos indígenas brasileiros, hoje, são uma espécie de "canário humano", vivendo enjaulados em suas reservas imensas, à margem da sociedade e alienados das obrigações a que todos nós, meros mortais não-indígenas, estamos submetidos.

Os índios brasileiros sãos um dos maiores possuidores de terras do país. Suas reservas são vastíssimas e não podem ser fiscalizadas pelo poder público, constituindo um refúgio - eu prefiro o termo "gaiola" - para as comunidades que lá habitam, para grileiros e traficantes internacionais de drogas e armas. Para se ter uma ideia, o estado de Roraima conta com 46% do seu território formado por terras indígenas que, em extensão, são maiores do que Portugal.

O CIMI garante que a cultura desses povos permaneça intacta. E agora apresenta um relatório culpando o poder público pela mortandade de índios. A primeira culpada é a própria CNBB e os seus padrecos de passeata e seus missionários políticos.

Claro que o poder público também tem culpa, mas essa culpa se origina da mesma fonte onde bebem os ideólogos do CIMI e os antropólogos da FUNAI - a estúpida necessidade de preservar a cultura indígena em todo o seu aspecto, inclusive aquele que é claramente primitivo e violento.

Muitos índios, sobretudo os mais jovens e recém-nascidos, morrem não por falta de atendimento, mas por culpa da própria cultura indígena que o CIMI tenta a todo custo manter intacta. Eis um relato que julgo muito interessante:

O jornalista australiano Paul Raffaele manifestou indignação, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) em 29/11/2012, com o que chamou de tolerância do governo brasileiro à prática do infanticídio em tribos indígenas isoladas.Durante cerca de duas semanas de convivência com os índios Suruwahás, no Sudoeste do Amazonas, para produzir o documentário Amazon's Ancient Tribe - First Contact, Paul constatou que o grupo incentiva o assassinato de recém-nascidos deficientes ou filhos de mães solteiras, por acreditarem que são maus espíritos.O jornalista afirmou que a Funai, e consequentemente o governo brasileiro, faz vista grossa à prática e que essa tolerância escapa de sua compreensão.- Acredito que a Funai seja o órgão errado para administrar os territórios indígenas. O departamento está cheio de antropólogos que querem proteger a pureza cultural dos índios, mesmo quando isso envolve enterrar bebês vivos ou abandoná-los na floresta para serem comidos vivos por onças e outras feras - destacou.Paul Raffaele disse discordar da política da Funai e do governo brasileiro de tentar manter tribos indígenas isoladas do resto da sociedade. Segundo ele, ao agirem assim, concordam e aprovam com uma das piores violações aos direitos humanos em todo o mundo.- Não consigo entender por que não há, no Brasil, uma grande discussão a respeito do assunto. Como o povo brasileiro aceita as regras desses antropólogos? Não conheço nenhum outro país no mundo que aceite crianças enterradas vivas - ressaltou.O jornalista, que trabalha há cerca de 50 anos visitando tribos isoladas, disse que, na maioria dos locais em que esteve, os jovens queriam ter contato com o mundo externo para buscar formação educacional e conhecimento. Raffaele afirmou que a Funai desencoraja esse tipo de atitude e incentiva os índios a permanecer na "Idade da Pedra".- Eles não perguntam o que os índios, principalmente os jovens, querem. Eles dizem a esses jovens o que devem fazer. Fecham as tribos no que eu chamo de museu antropológico vivo - disse.


Não só a FUNAI, mas o CIMI e a CNBB desejam que os índios continuem na idade da pedra.

Mas também precisamos ter um cuidado com os números divulgados pelo CIMI. Quando se lança um relatório como esse temos a impressão que os índios gozam de uma "primazia da dor". Enquanto em todo o ano de 2013, segundo o CIMI, 73 índios cometeram suicídio, 26 brasileiros não-índios se mataram por dia no mesmo ano.

Os índios, a margem da sociedade, são presas fáceis para o alcoolismo e a dependência de drogas. Não recebem estudo ou assistência médica adequadas, sobretudo pela grande dificuldade de encontrá-los em suas gaiolas reservas.

E alguns índios ainda desenvolvem uma gana pelo crime. Como recentemente se viu e foi reportado em vários lugares, índios cobrando pedágio para que motoristas pudessem passar. Ou ainda índios acertando policiais com flechas e não sendo punidos, afina é uma "manifestação da cultura indígena que deve ser respeitada, não é mesmo?". São uma categoria paradoxalmente acima e abaixo dos cidadãos comuns. São imunes ao código penal, mas não tem os mesmos direitos que lhes garante a constituição nacional, exceto a posse obscena de vastos territórios. E tudo isso sob os aplausos coniventes de Dom Erwin Krautler, da CNBB, do CIMI e da FUNAI.

Sim, existe violência contra os povos indígenas, isso não se nega. Mas a violência maior vem daqueles que julgam proteger os índios - é uma violência institucionalizada por uma antropologia rasteira e sádica. Dom Erwin Krautler alerta exageradamente e de forma sensacionalista para "uma política indigenista genocida", mas não percebe que a única política genocida é aquela praticada pelos seus compadres do CIMI.

As comunidades indígenas de outros países se comportam de forma diferente, como salientou o jornalista australiano. Preservam suas tradições e costumes, mas não estão alienadas do convívio social ou tratadas de forma especial. São cidadãos plenos dos seus respectivos países. No Brasil, por sua vez, há esse casamento tenebroso entre os antropólogos da FUNAI - que garantem que os índios vivam no paleolítico - e os progressistas do CIMI/CNBB que, traindo a sua missão evangelizadora, permitem que Tupã ainda reine na mata.

E depois se espantam quando o índio se mata! Num mundo sem uma Boa Nova ou uma mensagem de esperança, onde a vida não tem nenhum valor sagrado, é só isso que resta!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Reforma da Cúria é tão ruim quanto os seus reformadores

O site americano National Catholic Reporter (NCR), de linha progressista e liberal, trouxe uma entrevista com dois membros do super-Conselho de 8 cardeais, que agora são 9, Oscar Rodriguez Maradiaga e Oswald Gracias. É um texto sem dúvida impressionante, porque demonstra que aquilo que escrevemos no "A Reforma da Cúria. Complicando para Descomplicar" foi pouco para descrever o que vem por ai.

A reforma, segundo o que foi lido no NCR, tornará a Cúria romana totalmente impotente frente às conferências episcopais, estas sim as grandes vitoriosas. E as consequências serão sentidas não só no dia a dia da Igreja, mas principalmente nos futuros conclaves, já que um dos objetivos implícitos da reforma comandada pelo vice-papa hondurenho é a quase eliminação de cardeais curiais.

Farei o comentário dos trechos mais importantes.

Cegos guiando cegos.

"Nenhum de nós sabia muito sobre a cúria já que nós nunca trabalhamos lá", afirmou o cardeal Gracias. "Passamos muito tempo apenas para conhece-la. Revisamos a Pastor Bonuns e estudamos cada congregação, conselho e departamento". Cada cardeal estudava um dicastério e informava aos demais membros do grupo.
Do ponto de vista eminentemente gerencial isso é uma catástrofe. São pessoas que, como afirmou o cardeal, nunca trabalharam na Cúria e foram encarregados de reformá-la, o que na teoria significa melhorar a estrutura. O grupo de cardeais, como fica claro mais abaixo, tem uma agenda que está impondo à Cúria. Não se trata de uma reforma legítima, fiel ao princípio da melhoria, mas de uma demolição e construção de uma nova estrutura.

Os prefeitos e chefes de dicastério estão sendo marginalizados no processo e nenhum deles foi consultado. Numa entrevista concedida ao canal americano EWTN, o cardeal Burke afirmou que não está por dentro do processo de reforma esquematizado pelo super conselho dos 8, que agora são 9, e, talvez como uma advertência sobre os dias que virão, pediu ao Papa que respeitasse a instituição da Cúria Romana.

Como já disse no outro texto, Francisco não sabe lidar com a Cúria porque carrega um grande preconceito contra ela desde os tempos de bispo diocesano. E os cardeais escolhidos por ele para o grupo de estudo compartilham a mesma opinião negativa sobre a Cúria, alguns mais outros menos. Não se trata de uma reforma, mas de uma revanche.


Uma congregação para os leigos. Ideia inútil.

Os dois cardeais afirmaram que o conselho está considerando a criação de uma nova congregação para os leigos, que absorveria as responsabilidades do conselho pontifício sobre os leigos, família, e talvez alguns outros departamentos.
"Os bispos têm o seu próprio dicastério", afirmou Rodriguez. "Os religiosos e o clero tem uma [
congregação], mas os leigos são a maioria na Igreja e eles têm apenas um conselho".

O raciocínio acima só pode ter vindo de alguém sem a menor intimidade com o que é a Cúria Romana. A Cúria não existe para representar a "Igreja toda", com cada aspecto da igreja tendo um dicastério.

Se você pegar a Pastor Bonus - documento que este egrégio conselho de 8 cardeais, que agora são 9, diz ter estudado - já no capítulo 1º, artigo 1º, se lê:

A Cúria Romana é o conjunto dos Dicastérios e dos Organismos que coadjuvam o Romano Pontífice no exercício do seu supremo múnus pastoral, para o bem e o serviço da Igreja Universal e das Igrejas particulares, exercício com o qual se reforçam a unidade de fé e a comunhão do Povo de Deus e se promove a missão própria da Igreja no mundo.

Já no primeiro capítulo do documento se vê o quão pretensiosa e sem propósito é a ideia de Maradiaga e seu séquito. Qual será a função de uma Congregação para os Leigos? O que ela poderá fazer? Se você analisar as congregações, cada uma tem uma competência dentro da estrutura eclesial, porque elas "coadjuvam o Romano Pontífice no exercício do seu supremo múnus pastoral"; assim a Congr. culto divino trata dos temas ligados à liturgia, a Educação Católica supervisiona o trabalho das faculdades e universidades pontifícias, a Doutrina da Fé lida com as questões teológicas, a dos Bispos e Clero lidam com a sua respectiva parcela da hierarquia, e assim por diante. Alguém consegue imaginar o que vai fazer uma Congregação para os leigos? Talvez coordenar os telefonemas que o Papa vive fazendo para as pessoas...

Os leigos possuem um dicastério de menor importância hierárquica - um conselho - não por terem um valor menor, mas porque é através de todos os outros dicastérios que múnus pastoral do Papa, enquanto cabeça visível da Igreja, chega aos leigos.

A única função dessa "congregação para os leigos" seria reduzir o número de cardeais curiais, já que o órgão absorveria vários dicastérios menores.


Menos Bispos e Cardeais na Cúria

Rodriguez também reclamou sobre "nomear um cardeal como prefeito de um departamento e ele não tem a preparação. Não, não precisamos mais disso. É necessário parar de buscar um lugar para uma pessoa, mas [buscar] uma pessoa para o lugar. Isso pode demorar um pouco, mas acontecerá".
Os dois cardeais questionam a elevação de oficiais do Vaticano ao episcopado e cardinalato.
"A função de um bispo é muito diferente", afirmou Rodriguez. "É ser um pastor num rebanho, não ser um burocrata num escritório". Entretanto, ele pensa que pode "ser necessário ter um cardeal como prefeito de um dicastério, mas o resto não é necessário".
Aqui o cardeal hondurenho parte de uma premissa falsa. Nem todo bispo curial é um burocrata, nem todo bispo diocesano é um pastor. Temos muitos exemplo de bispos diocesanos que se encastelam nos seus escritórios e raramente visitam as paróquias ou são vistos pelo povo (quantos católicos hoje sabem o nome do seu bispo?). Meu bispo mesmo é um exemplo típico de um burocrata que comanda a Igreja local de longe, na segurança e conforto do escritório episcopal. Portanto falo por experiência.

Quantos bispos da Cúria nós não vemos rodando o mundo, celebrando missas com as pessoas das mais diversas nacionalidades? Isso também é ser pastor.

Outros pontos nessa fala de Maradiaga são interessantes. O primeiro é o de prelados sem competência para exercer tal função - nomear um cardeal como prefeito de um departamento e ele não tem a preparação. O primeiro nome que vem à mente é o do cardeal Stella, nomeado por Francisco para a Congregação para o Clero. O cardeal saiu de uma obscura academia pontifícia, onde não tinha qualquer visibilidade, e subiu como um foguete a um dos postos mais altos da Cúria como prefeito para o clero, substituindo um cardeal de inegável competência e experiência.

O segundo ponto abordado por Maradiaga seria sobre a função de um bispo - É ser um pastor num rebanho. Recentemente o blog americano Rorate Caeli trouxe uma análise muito precisa sobre a catástrofe na igreja da América Latina. No texto há um destaque negativo para Honduras que em menos de 20 anos perdeu quase 30% de fiéis. Como bem observou o Rorate, toda a sangria de fiéis em Honduras coincide com o tempo de Maradiaga como arcebispo de Tegucigalpa, capital do país. Podemos, portanto, nos questionar que tipo de pastor foi e é o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga e a sua credibilidade para tentar impor ao resto da Igreja um modelo pastoral provado e falido.


Leigos no comando

"Eles [os Prefeitos de Dicastérios] poderiam ser até leigos e leigas - por que não?" ele perguntou. "Eu sonho em ter n[o] [Conselho para] a Família talvez um casal. Isso seria maravilhoso".
A esta bobagem não cabe muita análise. Só resta lamentar o nível que chegaram alguns cardeais. É um pensamento típico de um terceiromundismo socialista que não seria levado a sério em lugar nenhum.

Seguindo essa linha de raciocínio, precisaríamos ter um cigano ou um ator de circo como presidente do conselho para os migrantes e itinerantes - Isso seria maravilhoso - ou um santo canonizado em vida, para a Congregação para a Causa dos Santos, e um Lama budista na comissão para o diálogo inter-religioso, por que não?


O pior por último

O cardeal Rodriguez também vem pensando em num comitê de prelados que supervisiona os funcionários das congregações e conselhos. Foi sugerido que se tenha mais bispos diocesanos e menos membros da cúria. Por exemplo, a Congregação para o Culto Divino poderia ter sobre si os chefes das comissões litúrgicas das conferências episcopais. "Esse seria o melhor caminho", afirmou Rodriguez. "No CELAM nós fizemos assim".
Aqui estamos na síntese do que é a reforma de Francisco. Como já vinhamos falando há muito tempo, o objetivo não é, nem de longe, melhorar a Cúria, mas destruí-la por completo. Uma cúria fraca pede conferências episcopais fortes, e Maradiaga está dizendo que é justamente isso o que vai acontecer.

Na prática serão as Conferências episcopais que supervisionarão a Cúria, não o contrário. É o mesmo princípio do decreto 8243 do governo do PT, que torna o governo refém dos conselhos populares. Teremos uma Igreja bolivariana, submissa aos conselhos das conferências episcopais. Não importará muito que Papa venha a ser eleito no futuro, já que o governo da Igreja estará nas mãos de bispos como Maradiaga, Leonardo Steiner, Dolan, Zollitsch, Galantino e tantos outros.

O absurdo é tão grande que o CELAM é colocado como modelo de governo para a Igreja universal.

Conclusão

O cardeal afirma que em dezembro próximo terão as linhas gerais para iniciarem a reforma na prática.
Os conservadores acreditam que o conselho de cardeais irá respeitar o tempo da Igreja, que normalmente é longo. Não acredito nisso! Nós veremos esses reformadores agindo de forma veloz e furiosa, porque sabem que não terão muito tempo com Francisco.

Francisco não é o último sopro da igreja liberal, mas é um pontificado decisivo para eles. Sabem que se não agirem antes do próximo conclave, os cardeais da Cúria e os insatisfeitos com esse pontificado - e não são poucos - buscarão um papa menos "agressivo" e possivelmente europeu.

De qualquer forma, estamos na iminência de uma catástrofe. O sínodo para a família no próximo outubro é uma antecipação necessária para a reforma da cúria. Veremos no Sínodo - Deus nos livre! - um embate de cardeais e bispos sobre os divorciados. Sem perder tempo para que os conservadores da cúria se recuperem do sínodo, vem imediatamente a reforma da cúria. Um golpe depois do outro.

Gostaria de deixar ao leitor a postagem que publicamos em outubro de 2013. Nela o próprio cardeal Maradiaga afirma que o Papa Francisco já tinha em mente, apenas quatro dias depois de eleito, todo um plano de reforma da Igreja. É assustador!

Muitos falam que esta é a pior crise da história da Igreja. Infelizmente temo que nós não vimos nem metade da sua força ainda. Rezemos!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Muitos padres para poucos, poucos padres para muitos. O insucesso das dioceses brasileiras.

Três diáconos da FSSP sendo ordenados ao sacerdócio
junho/2014
Chegamos ao final do mês de junho, um mês que dentro do calendário católico é marcado tradicionalmente por ordenações. Chegamos ao final do mês e minha diocese não terá o que comemorar, pois o número de novos padres é zero.

Minha diocese é um espelho daquela diocese típica do Brasil. Conta com mais de 1 milhão de pessoas, sendo aproximadamente 600 mil católicos. São 15 cidades, 66 paróquias e quase-paróquias e apenas 60 padres diocesanos, alguns deles já aposentados. Se não fosse pelo clero religioso, com 49 padres de 11 congregações/institutos, muitas paróquias estariam sem padres.

O grande número de padres religiosos se deve ao passado recente da diocese que, imediatamente depois do Concílio Vaticano II, viu seu seminário diocesano vazio. Não estou falando de uma diminuição de vocações, mas de uma verdadeira extinção em massa de seminaristas por aqui, que durou praticamente 10 anos. Dois ou três seminaristas, na década de 70, foram enviados à São Paulo para o período formativo. E retornaram para a diocese como bastiões da Teologia da Libertação, diga-se de passagem.

A década perdida na igreja diocesana é um sintoma do fracasso da teologia liberal e que nos marca até hoje. Queria poder dizer que essa página já foi virada e superada na nossa história, mas ela ainda persiste.

Ordenados na FSSPX (EUA)
Meu bispo diocesano goza de 9 anos à frente da diocese. Nesses nove anos ele ordenou 8 padres e um dos neo-sacerdotes abandonou o sacerdócio para se casar antes do primeiro aniversário de ordenação. Em termos numéricos, naquela função primordial que é própria do bispo diocesano, que é dar à comunidade de fiéis pastores, meu bispo fracassa, a diocese fracassa categoricamente.

Corremos o risco de outra década perdida em termos vocacionais. O seminário diocesano conta, hoje, com cinco seminaristas na etapa inicial (propedêutico), doze cursando filosofia e nove cursando teologia. Temos três seminários funcionando e consumindo recursos para apenas 26 seminaristas, sendo que a maioria nem será ordenada. Este ano, como em 2008 ou 2011, não teremos novos sacerdotes.

Meu bispo é contrário a tudo - absolutamente tudo - que cheira a tradição. Missa tradicional? Nem pensar! Inclusive ameaça padres que  manifestam alguma vontade em celebrá-la, ainda que remotamente. Sem dúvida é uma pena que, como bispo, se comporte de forma tão intolerante, porque se desse espaço para a Tradição tenho certeza que seus três seminários poderiam estar em situação muito diferente da atual.

Mons. Schneider com mais sacerdotes ordenados para a FSSP

Enquanto 600 mil católicos não conseguem ter pelo menos um neo-sacerdote por ano, muitas comunidades tradicionais mostram o seu vigor com inúmeras vocações. Os números até o momento:

Fraternidade São Pedro - 10 sacerdotes
Fraternidade São Pio X - 20 sacerdotes
Cônegos de São João Câncio - 3 sacerdotes (biritualistas)
Cônegos do Instituto Cristo Rei - 5 sacerdotes (número ainda não oficialmente confirmado, a ordenação se dará em agosto)

Com as ordenações deste ano a Fraternidade de São Pio X atinge +600 sacerdotes, a Fraternidade São Pedro chega a 420. Certamente todas as comunidades listadas acima não atendem a um universo de 600 mil almas. Seu apostolado é muito mais restrito, porém é espiritualmente eficiente.

Ordenação em Econe (Suíça)
Meu bispo, como vários outros bispos brasileiros, não percebe ou não quer perceber que o caminho trilhado até agora é infrutífero. Sobretudo o orgulho é a grande trave nos olhos de muitos mitrados.

Minha diocese vem enfrentando um processo de secularização intenso, com conselhos de leigos comandando a vida paroquial e tomando, com a devida anuência episcopal, diversas funções reservadas aos ordenados. Tudo por aqui se resolve com planos e conselhos, de forma burocrática. Não por acaso a eficiência da diocese é semelhante a de uma repartição pública.

O ápice da secularização foi, em 2008, um processo de revisão "ampla" orientado por um leigo contratado ($) especialmente para prestar consultoria. O resultado da revisão foi festejado pelo bispo na forma de mais um plano de pastoral (o 6º!) que diz praticamente a mesma coisa que os outros cinco planos anteriores. O 6º Plano de Pastoral é alardeado como a maior conquista deste episcopado, sendo considerado uma verdadeira panaceia para todos os males pastorais que essa igreja particular enfrenta.

Neo-sacerdotes da FSSP, ordenados em Roma
por Mons. Guido Pozzo
Por outro lado, os membros das Fraternidades de São Pedro e São Pio X não parecem apostar na burocracia, nos planos pastorais, como ponto de partida. Jesus não disse "Ide e fazei Planos Pastorais", mas pediu que seus apóstolos fizessem discípulos. É na missão, na conversão pessoal que as comunidades tradicionais focam seu apostolado e conseguem tantos frutos espirituais, apesar do seu tamanho e da perseguição dentro da própria igreja. Seguir o Evangelho é o melhor plano pastoral possível e somente uma diocese esvaziada da sua essência cristã pode focar tanto em papel, conselhos, comissões, etc.


Experiências também nas dioceses 

A abertura à tradição não acontece exclusivamente no ambiente religioso das fraternidades ou institutos. Algumas dioceses, com bispos realmente comprometidos com a causa da fé, também realizam experiências bem sucedidas nesse campo. Tomemos, por exemplo, Ciudad del Este, que só este mês recebeu mais de uma dezena de novos seminaristas. Há ainda o seminário de Guadalajara, o maior do mundo, com mais de 1200 seminaristas. As duas casas de formação apostaram na abertura generosa à tradição católica e agora colhem os frutos. Já escrevemos sobre elas aqui.

Novos seminaristas de Ciudad del Este. O reitor do seminário ao centro
depois de rezar a missa tradicional e dar a tonsura aos novos seminaristas
Várias dioceses perceberam que a Tradição não deve ser evitada ou ridicularizada. Na França, por exemplo, onde a crise vocacional nas dioceses é imensa e onde o movimento tradicional tem a sua maior força, alguns bispos abriram as portas dos seminários ao rito tradicional. Em Lião o cardeal Barbarin já permite que os seus seminaristas aprendam a rezar a missa antiga. A diocese de Fréjus-Toulon abriga o maior seminário da França em números totais de seminaristas e desde a posse de Dom Dominque Rey como bispo se permite que os seminaristas aprendam o rito antigo e, ainda mais, escolham a forma da ordenação - no rito moderno ou tradicional. Inclusive Dom Rey fundou uma sociedade sacerdotal (Missionários da Divina Misericórdia) voltada para o rito antigo.

Dom Dominque Rey, bispo de Fréjus-Toulon, com dois
novos sacerdotes ordenados no rito tradicional (maio/2014)
Quem não tem cão, caça com gato

Devido a ausência de vocações, minha diocese decidiu, talvez guiada pelo espírito do 6º Plano de Pastoral, dar atenção aos diáconos permanentes. Não sou um crítico do diaconato permanente e acredito que a Igreja deva ter diáconos não-transitórios em suas fileiras, mas há um grave problema quando colocamos os diáconos permanentes (casados) como um paliativo para a falência da atividade vocacional. Por aqui são 56, dentre os quais 26 foram ordenados nos últimos 9 anos. Corremos o risco de nos tornarmos uma diocese parecida com "San Cristóbal de Las Casas", no México, que já foi assunto neste blog.

Nos próximos 10 anos o clero diocesano atingirá aquela faixa de idade crítica, onde mais da metade dos padres terá chegado aos 60 anos ou mais. Se as ordenações continuarem acontecendo no ritmo atual - e acredito que elas tendem a cair ainda mais - teremos problemas ainda mais sérios. O número crescente de denominações protestantes já é notado por aqui há muito tempo, com bairros de periferia com mais de 8 "igrejas" neo-pentecostais abertas e com um número cada vez maior de pastores. Não por acaso temos um dos mais baixos índices de católicos apurados pelo IBGE no último censo, abaixo da média brasileira que já é preocupante.

A resposta para esses problemas não virá com um 7º Plano de Pastoral, nem com a construção de mais um seminário, mas de uma verdadeira conversão do alto. Precisamos que o bispo perceba o caminho danoso que vem trilhando junto com os milhares de conselheiros, administradores, consultores, etc. ou que Deus nos mande um outro bispo.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pe. Julio Lancelotti - aquele... - sai em defesa dos black blocs. Tudo em nome da Arquidiocese de SP

Júlio Lancelotti, aquele da Pajero, agora é líder da Pastoral dos Black Blocs. Vá pedir perdão por seus pecados, padre!

Vejam a foto deste rapaz, de Fábio Braga, da Folhapress.



(Por Reinaldo Azevedo) Ele padece de uma grave doença, que tem, sim, cura, mas dá trabalho: chama-se ignorância. Que idade terá? Vinte cinco? Perto de 30? O que sabe ele sobre ditadura? Absolutamente nada! A prova de que o país, definitivamente, não é o que ele diz ser é poder exibir esse cartaz, isso só para começo de conversa. Mas vá lá: poderíamos ter um regime autoritário que permitisse manifestações, como aconteceu na fase final do regime militar, no governo Figueiredo. Mas nem isso. A única ditadura realmente existente no Brasil hoje é a de minorias de bocós extremistas. Grupelhos, de 50, 100, 200 pessoas têm hoje a ambição de parar uma cidade.

Mas vamos lá: o que faz ele ali? O Tribunal de Justiça de São Paulo decretou nesta quinta a prisão preventiva de Rafael Marques Lusvarghi, 29, e de Fábio Hideki Harano, 26, detidos na segunda-feira durante um dos protestos contra a Copa. São acusados de cinco crimes: associação criminosa, incitação da violência, resistência à prisão, desacato à autoridade e porte de artefato explosivo. A decisão é do juiz Sandro Rafael Barbosa Pacheco, que está de parabéns por ter a coragem de cumprir a lei. Sim, chegamos ao estágio, no Brasil, em que precisamos parabenizar quem cumpre a sua função. Atenção! Um juiz não decreta uma prisão preventiva se os elementos apresentados pela Polícia não forem bastante convincentes. Lusvarghi está no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, e Harano foi enviado ao presídio de Tremembé,

O ignorante sentado no asfalto participa de uma manifestação na Avenida Paulista contra a prisão da dupla, que reúne cerca de 300 pessoas em frente ao Masp. Eles querem sair em passeata pela cidade sem deixar claro quem lidera o ato e que trajeto pretendem cumprir. Estão cercados pela Polícia Militar. Sem essas definições, nada de passeata, afirma o tenente-coronel Marcelo Pignatari.

Adivinhem quem está lá. É um padre. Vocês se lembram daquele senhor que, certa feita, comprou um carro de luxo para um ex-menor da Febem, já homem feito? Sim, é aquele religioso muito pio que decidiu dar de presente, ninguém entendeu por quê — ou fez que não entendeu — uma “Pajero” para um rapagão e que denunciou, depois, que estaria sendo extorquido por ele. Sim, refiro-me a Júlio Lancelotti, que é pároco da igreja São Miguel Arcanjo, na Mooca, bem longe dali. Ele não era da Pastoral do Menor? Da Pastoral da Criança? Da Pastoral do Povo de Rua?

O que está fazendo no protesto? Não há criancinhas ali. Não há menores ali. Não há povo de rua ali. Lancelloti está, por acaso, se reinventando como membro da Pastoral da Baderna de Rua? Da Pastoral dos Black Blocs? Vai ser agora babá de mascarados? Sobre a ação correta do tenente-coronel Pignatari, afirmou: “Ele disse que não vai deixar acontecer a passeata se não tiver um líder, e isso é um prenúncio de que a polícia pode ser violenta com os manifestantes. Eu pedi, em nome da Arquidiocese, para que eles não usem a violência nem prendam inocentes”.

É uma fala acintosa e desrespeitosa com a Polícia. Se não houver depredações nem desrespeito à lei — que são atos violentos —, ninguém vai apanhar. Caso contrário, sim! Júlio gora é juiz? É ele que determina a inocência? Como? Pediu em nome da Arquidiocese? Ele a está representando ali?

Vá rezar, padre Júlio!

Vá cuidar dos pobres, padre Júlio!

Vá cuidar dos necessitados, padre Júlio!

Vá se penitenciar, padre Júlio!

Vá pedir perdão a Deus por seus pecados, padre Júlio!

Depois do escândalo da Pajero, padre Júlio tinha saído um pouco do noticiário. Mas, agora, estamos em ano eleitoral. E ele sempre aparece nessas horas, agora na versão de líder da Pastoral dos black blocs.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Decreto bolivariano do PT foi aplicado à Igreja em 2010 pela CNBB - Uma reflexão do Prof. Hermes Rodrigues Nery

Documento nº 91 da CNBB defende "conselhos" e "radicalização da democracia"

Por Hermes Rodrigues Nery

Em 2010, por ocasião da 48ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, realizada em Brasília (para comemorar o jubileu de ouro da fundação da capital federal, em pleno planalto central do País, o então secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa apresentou o documento nº 91: "Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática", assinado em 11 de março daquele ano, meses antes do pelito que elegeria Dilma Roussef como presidente. Naqueles dias da 48ª Assembléia, estive em Brasília, e procurei vários bispos, inclusive o próprio Dom Dimas, chamando a atenção do Plano Nacional de Direitos Humanos nº 3, que o então presidente Lula havia apresentado nas vésperas do Natal do ano anterior, e que causou grande apreensão em vários setores da sociedade brasileira. Solicitamos que a CNBB tivesse um posicionamento firme sobre o aspecto anticristão do PNDH-3, mas não foi possível tal posição. Os temas da Assembléia vinham das bases, e um deles era o documento nº 91. " - Um tema para entrar aqui em discussão vem das bases, dos conselhos!", ressaltou um dos prelados. Em relação ao PNDH-3, a apreensão inicial foi apenas passageira. Logo as vozes se calaram, e vieram as acomodações conhecidas.  A execução do PNDH-3 continuou como prioridade do governo do PT, legitimado pelo silêncio e conivência de muitos. Depois que passou a chiadeira inicial, o PT se sentiu respaldado a agir com mais celeridade aos propósitos contidos no PNDH3.

Muitos bispos fizeram descaso dos apelos feitos, e quando a voz solitária e heroica de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o Leão de Guaruhos, clamou em defesa dos nascituros, denunciando a agenda abortista do PT em plena campanha eleitoral, muitos outros religiosos e leigos católicos da esquerda se juntaram para assinarem uma carta de apoio a Dilma Roussef, incensada por Leonardo Boff, em evento no Rio de Janeiro. No ano seguinte, estando com Dom Bergonzini em Londrina (PR), conversamos sobre a situação nacional, e ele afirmou que continuaria quantas vezes fosse preciso se posicionando em fidelidade ao Magistério da Igreja e à sã doutrina, denunciando a agenda abortista do PT e o seu projeto de poder totalitário, confirmando assim a valentia que faltava a muitos outros religiosos e leigos católicos. Estivemos juntos novamente num ato público na Praça da Sé, em que saímos em direção ao Forum João Mendes, onde ele protocolou uma ação contra as "Católicas pelo Direito de Decidir". No ano seguinte, nos reencontramos no plenário do Supremo Tribunal Federal, na votação da ADPF nº 54, quando o STF decidiu aceitar o aborto em casos de anencefalia; havíamos feito uma vigília durante a noite antes da votação, em frente o STF, e ainda durante a votação, quando a maioria dos ministros já havia deliberado, Dom Bergonzini saiu da sessão e foi rezar um terço em frente o STF. Ele sabia que naquele momento estava  se abrindo uma brecha pela via judiciária para a legalização do aborto no Brasil, e que a Presidente Dilma Roussef não cumpriria sua promessa de campanha de que não tomaria iniciativa nesse sentido, o que se confirmou, mais tarde, com a sanção da Lei 12.845/2013, de triste memória. A imagem de Dom Bergonzini sozinho diante do STF, debaixo de um sol escaldante, no meio da tarde, foi de cortar o coração. O Leão de Guarulhos não se abateria até o último minuto de vida, dando o exemplo de um valente combatente em defesa da Igreja.


Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o "Leão de Guarulhos", reza o terço diante
do STF, ainda durante a votação da ADPF-54

Via crucis de uma campanha contra o aborto

No mesmo período, percorríamos as paróquias de algumas dioceses do estado de São Paulo coletando assinaturas para a "Campanha São Paulo pela Vida", com o objetivo de incluir na constituição estadual paulista o direito a vida, desde a concepção, via iniciativa popular. Foi então que comecei a perceber uma realidade mais terrível, que ainda não tinha me dado conta. Ao apresentar a campanha aos padres, nas reuniões diocesanas de presbíteros, muitos deles disseram: " - a proposta é boa, mas temos primeiro ouvir "os conselhos" paroquiais" ou " - Pessoalmente sou a favor da campanha, acho bonita esta iniciativa, mas temos que ouvir "os conselhos"". E de outro pároco: " - Não posso simplesmente apresentar um projeto bonito desses como se fosse coisa minha, ou pior ainda, como se fosse coisa do bispo, você entende? Tudo será decidido nos conselhos." .

E então, a coisa emperrou. Algo aconteceu que não entendíamos. Só funcionou quando o pároco, com a sua prerrogativa de decisão, autorizou que fôssemos ao final da missa falar sobre a campanha e, em seguida, fizéssemos a coleta de assinaturas. Em muitos casos, o pároco disse que colocaria à disposição agentes pastorais. mas quando chegávamos lá, para o mutirão pela vida, nem mesa, nem canetas, nada de estrutura mínima. Tínhamos que levar tudo por nossa conta; em certos casos, nem mesmo o pároco lá estava. A missa era rezada por um vigário, que nem sabia do que estava acontecendo, porque ninguém havia avisado nada. " - Acho que vocês estão sendo boicotados", nos disse uma senhora que veio assinar o formulário contra o aborto.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o "Leão de Guarulhos", não se abateria, dando o exemplo de um combatente, enquanto Igreja militante.

A campanha contra o aborto no estado de São Paulo se tornou um calvário, porque nos deu a constatação de que boa parte das paróquias visitadas estão dominadas por "conselhos" imbuídos de ideologia marxista, que não consideravam relevante a causa da defesa da vida, desde a concepção. " - Vocês estão obcecados pela questão do aborto", nos disseram. " - Se for um abaixo-assinado para dar moradia aos sem teto, terras para o morador de rua e direitos sociais aos afrodescendentes, então contem com a gente". Mais tarde tivemos que ouvir de um dos líderes dos conselhos: " - Até o papa já disse que vocês estão obcecados pela questão do aborto!" Um deles foi mais longe: " - Direito primeiro ao já nascido!". Mesmo assim, continuamos percorrendo as dioceses, algumas nos acolhendo muito bem, abrindo as portas, com o bispo de Campinas. Então fui pessoalmente falar com Dom Damasceno, presidente da CNBB e arcebispo de Aparecida. Ele foi bem receptivo e acolhedor, abrindo as portas da Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, onde fizemos um mutirão de coleta de assinaturas lá. E também Dom Beni, que telefonou autorizando um dia de coleta na Canção Nova. Mas foi apenas um único dia de mutirão. Depois, tínhamos que voltar às paróquias, e submeter o abaixo-assinado à vontade dos "conselhos". E quando isso acontecia, emperrava de novo.

Bispos conservadores e fiéis ao Magistério da Igreja nos recebiam, ouviam e acolhiam, anuindo com a proposta. Quando os formulários eram encaminhados para as bases, meses decorriam sem que houvesse algum retorno.  No Regional Sul 1 da CNBB, graças ao Pe. Berardo Graz, dando apoio, conseguimos mobilizar outras comissões em defesa da vida, e obter juntos, mais de cento e cinquenta mil assinaturas. Porém, precisávamos chegar a trezentas e trinta mil! Tivemos então que fazer um mapeamento de paróquia por paróquia, identificar qual padre acolheria, e mesmo assim, qual tomaria a decisão dele mesmo fazer acontecer, mas quando ia para os "conselhos", tudo de novo estancava. Mesmo assim, chegamos a mais da metade do número de assinaturas exigidas pela legislação, e como desejávamos fazer a ação vir do seio da Igreja Católica, o trabalho demorou mais para fluir. " - Chamem os evangélicos, vocês precisam dos evangélicos!", mas queríamos muito a iniciativa dos católicos. A grande lição da campanha foi a de constatar o aparelhamento ideológico da Igreja Católica no Brasil. A maior parte dos "conselhos" foram criados para serem voz do esquerdismo dentro da Igreja, minando-a por dentro, corroendo a sã doutrina, fazendo com que muitos padres fiquem de mãos atadas, imobilizados, sem saber o que fazer, reféns dos mesmos. " - A fidelidade dos sacerdotes católicos deve ser com a sã doutrina", disse uma vez, numa reunião de um desses "conselhos". E uma das lideranças, com voz num tom de saltar as veias, respondeu: " -Esta sã doutrina é eurocêntrica. Mais saiba que a experiência da América Latina, que veio das CEBs, do protagonismo dos "conselhos populares", fará emergir a Igreja que queremos, a Igreja como "povo de Deus", e não a imposta pela hierarquia" . E completou: " - A questão do aborto é um obsessão desta igreja reacionária". " - O povo quer pão na mesa e terra, esse sim é o direito a vida por qual temos que lutar. E conseguiremos isso com participação popular, com democracia radical, efetivamente participativa."

Outro aspecto percebido foi a constatação de que houve uma crescente tomada de posição dos progressistas, em todos os níveis, nas paróquias, nas escolas e universidades, nas editoras, empresas e muitas instituições hoje apenas ditas católicas. Os progressistas assumiram postos de comando, tornaram-se ordenadores de despesa, formaram seus "conselhos" e os doutrinaram, na ideologia marxista, para justificar e legitimar os encaminhamentos da "democracia radical" dentro da Igreja, relegando os padres conservadores aos papéis secundários de vigários, sem poder algum de decisão. Boa parte se acomodou, evitando criar problemas, e preferiu tocar a rotina em serviços burocráticos de atendimentos, sem intervir nas decisões, aceitando se tornar reféns dos "conselhos". Alguns celebram a missa diária, como se fosse apena suma obrigação profissional e nada mais. Fazem os atendimentos necessários e somem. Vários são os casos de depressão e alcoolismo, que sofrem sem saber o que fazer debaixo do mando de tais "conselhos", com a conivência do progressista ordenador de despesa. Presenciei casos assim, nas minhas andanças em defesa da campanha contra o aborto, nas muitas visitas feitas em paróquias, de padres cerceados de suas atividades, vigiados, boicotados, que sofrem calados padecimentos incontáveis.

" - O que acontece com a nossa Igreja?", queixou-me um deles. E lembrou-me uma frase de Bento XVI, em seu livro "Jesus de Nazaré": " - E como estamos todos na realidade presos pelas potências que de um modo anônimo nos manipulam". E me contou: " - Não apenas padres sofrem com isso, mas também bispos, e mais ainda  bispos eméritos conservadores, que padecem privações sob a dependência de religiosos progressistas, idosos, muitas vezes, sem família, á mercê da vontade dos progressistas. Tudo isso causa grande dor e sofrimento no seio da Igreja, que foi tomada por dentro pela implacabilidade dos progressistas, muitos deles, que recorrem aos "conselhos" para dar legitimidade a este cerco aos conservadores, por dentro da instituição. Eles sabem que ninguém vai falar nada, ninguém tem coragem de falar, e assim, aos poucos, eles avançam e ocupam mais postos de decisão."

E então nos indagamos: o que esperar, mais para a frente, em termos de defesa da sã doutrina católica, quando o próprio documento nº 91 da CNBB, em relação à reforma do Estado brasileiro, prega uma "educação popular" capaz de questionar os fundamentos do sistema político atual, questionando inclusive a "democracia representativa", e advogando a necessidade de dar poder a "novos sujeitos históricos" (os tais "conselhos populares" defendidos pelo decreto 8243/2014 da presidente Dilma Roussef?), propondo inclusive no referido documento, "radicalizar a democracia", dizendo que "a democracia representativa não esgota todas as formas de vivência democrática", "rompendo com a supremacia institucional da cultura ocidental"? Está no documento nº 91 a defesa dos "conselhos", de modo explícito: "os conselhos paritários formam, um campo privilegiado de participação popular", propondo "a institucionalização das estruturas de participação popular", para "uma nova forma de viver a democracia".

O fato é que o documento nº 91 está em muita sintonia com o pensamento contido no decreto nº 8243/2014 da presidente Dilma Roussef. Não é a toa que Gilberto Carvalho se sente tão a vontade, ao saber que não haverá resistência alguma da Igreja ao decreto, porque o documento nº 91, que já foi lido e trabalhado em tantos finais de semanas, em muitas reuniões paroquiais, pelo País afora, defende o que está no decreto 8243/2014, mesmo muitos sem saber exatamente das conseqüências disso, para o País, e para a Igreja Católica no Brasil. Gilberto Carvalho sabe que as poucas vozes reacionárias não tem lastro mais nas bases já trabalhadas e tomadas, há muito tempo. Já não têm mais poder algum. E poderá rir disso, no conforto do gabinete presidencial, certo de que poderá agora avançar mais célere, em tudo aquilo que está lá contido no PNDH3, e que os próprios bispos, reunidos na 48ª Assembléia, nada disseram a respeito. Agora, poderão facilmente prosseguir no afã de sovietizar o País, repetindo aqui o queria Lênin: "todo poder aos sovietes!"

Agora ficou clara a resposta dos párocos progressistas, ao receberem o formulário da campanha contra o aborto: "ouviremos primeiro os conselhos". E entendemos o porquê tais formulários terem ficado meses esquecidos nas gavetas dos escritórios paroquiais. Os "conselhos" decidiram que a questão do aborto não é relevante. Mesmo sabendo que a maioria do povo brasileiro é contra o aborto e pela vida (82% segundo pesquisa Vox Populi). Mas os "conselhos" representam mesmo o "povo"?

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Calote argentino, padres da libertação e a incapacidade da esquerda arcar com as consequências dos seus atos



A Argentina ao que parece dará o calote novamente. Nesta semana o ministro da economia do país,  Axel Kicillof, anunciou que não pagará uma parcela da dívida, a mesma que foi renegociada durante o último calote argentino nos primórdios de 2001.
Trago um trecho do G1:


O novo imbróglio argentino remonta ao início desde século. Em 2001, em meio a uma grave crise econômica e política, a Argentina anunciou um calote em sua dívida pública, que era de cerca de US$ 100 bilhões.
Quatro anos depois, no governo Nestor Kirchner, o país tentou recuperar a credibilidade oferecendo a quem tinha sido prejudicado pelo calote pagamentos com descontos acima de 70%. Mais de 90% dos credores aceitaram a proposta e vêm recebendo esses pagamentos em parcelas (a dívida reestruturada). Os que não aceitaram, no entanto, recorreram a tribunais internacionais.
Em 2012, um dos casos, movido por fundos especulativos, recebeu uma decisão favorável da Justiça dos Estados Unidos, que determinou que a Argentina deveria pagar US$ 1,33 bilhão aos fundos. O governo argentino recorreu, e o caso chegou à Suprema Corte dos EUA, que decidiu manter a condenação, derrubando uma medida cautelar que suspendia os efeitos da determinação judicial anterior.
"A suspensão do 'stay' (medida cautelar) por parte da justiça impossibilita o pagamento em Nova York da próxima parcela da dívida reestruturada [as parcelas pagas aos credores que aceitaram o desconto] e revela a ausência de vontade de negociação em condições distintas às obtidas na sentença ditada pelo juiz Griesa", disse o ministério da Economia argentino.
A nota lamentou a decisão que ordena a execução da sentença do juiz Thomas Griesa, que deliberou a favor dos fundos especulativos, conhecidos como "Abutres", na Argentina.
O comunicado reafirma "a disposição da Argentina de pagar os credores da dívida reestruturada, aos quais sempre tem oferecido as mesmas condições, de acordo com a lei do país".
Na audiência de quarta-feira, advogados da Argentina comunicaram à Corte que uma delegação viajará a Nova York na próxima semana para tentar negociar com os fundos. "Estamos preparados para sentar (em negociação) com eles", afirmou Robert Cohen, que representa a NML.
A presidente argentina, Cristina Kirchner, disse na segunda-feira que seu país não voltará a declarar moratória, mas ressaltou, contudo, que a Argentina "não será submetida à  biextorsão".

O resumo da ópera é o seguinte. Depois de anos de políticas irresponsáveis, populistas e descompromissadas com a boa gestão do patrimônio público, o governo argentino decreta moratória. Depois dessa grave crise, que nos afetou em 2001 e de certa forma impulsionou a vitória de Lula em 2002, o governo consegue o milagre de renegociar a dívida com 90% dos seus credores. A parcela de 10% que se recusou a renegociar e protelar o recebimento dos pagamentos exige que o país de Messi pague o que deve nos termos contratados; eles estão agindo dentro da esfera de competência que rege um contrato entre duas partes. O governo argentino, entretanto, não reconhece esse direito.

Os 13 anos que nos separam da moratória de 2001 não foram bons para a Argentina. O país não conseguiu alçar voo e se descolar das suas políticas heterodoxas, do seu peronismo, da visão nacionalista estreita. O país viu greves, desabastecimento, crises institucionais, crises fronteiriças com Brasil e Uruguai, e respondeu da única forma que sabe - culpando os outros.

Embora a presidente argentina deixe claro que não haverá calote, é mais claro ainda que seu partido e seu ministro para a economia já articulam junto a opinião pública uma revolta contra os credores. De vítimas do calote, os credores passaram a ser os algozes do país, os "capitalistas imperialistas", os "abutres americanos" que vivem da especulação e são responsáveis por toda a crise do país. No melhor espírito de "a culpa é deles!" já se vê nas ruas de Buenos Aires cartazes contra os "abutres".

Os especialistas em economia da Argentina:
Padres da Opção pelos Pobres
Agora é a vez dos "padres da opção pelos pobres" saírem das suas respectivas catacumbas bolorentas e se unirem ao coro dos caloteiros. Num comunicado dirigido ao povo argentino os padres marxistas afirmam que os credores "quieren también nuestra soberanía; y como cristianos y argentinos no podemos aceptarlo"! Já estou vendo esses padres bradando a frase com os punhos cerrados para o céu - "no podemos aceptarlo!".

A análise feita pelos padres é tão precisa quanto a sua ortodoxia:

"O problema de fundo é que o sistema capitalista liberal - que premia os especuladores e condena os trabalhadores - instala uma legalidade imoral levada a fundo pelos especialistas da usura"

Sim, a culpa é do capitalismo. Um discurso bem digno da década de 30 do século passado. Peço aos padres que me apontem um único país capitalista pobre, só um. Em contrapartida a pobreza parece ser um produto exclusivo das ditaduras de esquerda e das tiranias.

Os padres não entenderam que não foi o capitalismo liberal o grande problema da Argentina, mas o peronismo e o populismo, se for possível separar um termo do outro. João Fábio Bertonha (Doutor em História (Unicamp) e docente na Universidade Estadual de Maringá) já em 2002, portanto isento da argumentação apaixonada de hoje, afirmou:

A decadência argentina não pode realmente deixar de impressionar quem a estuda. Do país mais rico e desenvolvido da América Latina, de um dos pólos de desenvolvimento do mundo até 1930, pelo menos, a Argentina caminha a passos largos para se tornar apenas mais um dos pobres países da América Latina. Um argentino morto por volta de 1945 que ressuscitasse provavelmente não entenderia o que vê: do país rico e orgulhoso que tinha a coragem de bater de frente com os Estados Unidos e disputava a liderança continental com o Brasil, o que resta? Uma nação em crise, com índices sociais ainda melhores do que os nossos, mas declinantes, que tentou desesperadamente se jogar aos pés do tio Sam e cuja força econômica e política regrediu enquanto a brasileira cresceu. Um outro mundo surgiu no sul da América em meros cinqüenta anos e qualquer um que tente jogar toda a culpa disso em Menen ou no neoliberalismo dos anos 90 estaria dando excessivo crédito a eles. Um país tão rico e desenvolvido não pode ser destruído tão facilmente. Os motivos vêm de um passado mais longínquo. 

O resultado histórico de inúmeras políticas atrapalhadas, cálculos mal feitos e a incapacidade do governo argentino se abrir para o mundo e para os investimentos estrangeiros encontra no governo Kirchner o seu ápice.

Continuam os padres de passeata argentinos:
"este pecado que clama aos céus sabendo que fará sofrer nosso povo, em especial os pobres, e a tantos outros que veem em nosso país um espelho do seu futuro".

Os padres estão mesmo desconectados da realidade. O que fará sofrer os pobres argentinos - de todas as classes - e a irresponsabilidade do governo que muitos desses padres de passeata ajudaram a eleger. O calote da dívida, como querem os padres, conduzirá a já capenga economia argentina ao buraco pela segunda vez e possivelmente a última. É pouco provável que o país consiga uma nova renegociação se decretar uma nova moratória; investidores estrangeiros já voaram do país que já deu provas que não goza de segurança jurídica para acomodar investimentos.

Em 2012 o governo, liderado pelo mesmo Kicillof, expropriou a petroleira YPF numa demonstração estúpida e inconsequente de poder juvenil.  Os empresários espanhóis da YPF foram ameaçados de prisão se não deixassem o país, com eles se foi também parte da pouca credibilidade do país e hoje a Argentina colhe os frutos dessa e de outras atitudes anti-investimentos.

Por fim. o governo argentino é bolivariano, ligado ao Foro de São Paulo e tem relações importantes com o PT. Uma crise na Argentina não favorece a reeleição de Dilma e é possível que o governo petista aporte recursos bilionários no país vizinho, como fez em Cuba e na Venezuela, sem qualquer garantia de retorno.

A Argentina é um dos nossos principais parceiros comerciais e a crise agravada na vizinha pode afetar ainda mais a nossa balança comercial, sem contar que grandes investidores, já desconfiados com os rumos da economia brasileira, tendem a ver os países como um conjunto e o Brasil escolheu se alinhar com países de pouca ou nenhuma tradição de simpatia ao empresariado global (Venezuela, Cuba, Uruguai e Argentina).

Em 2001 a crise Argentina ajudou o PT a se eleger. Em 2014 ela poderá derrubar o PT. Ou pelo menos dar um empurrãozinho.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...