terça-feira, 15 de maio de 2012

Concordo com Dom Lourenço Fleichman, OSB

Pela primeira vez sou obrigado a concordar com Dom Lourenço Fleichman, OSB. Pelo menos no texto abaixo. Não posso - e não seria honesto da minha parte - deixar as minhas outras reservas de lado, quando o assunto é é Dom Lourenço.

Destaco algumas passagens.

[update 19/05/12: Como o próprio monge destacou em seu site, este texto é uma postagem antiga, não apresentando sua reflexão da situação específica do momento presente. Entretanto, sua recomendação não perde a atualidade. A recomendação da oração e da confiança em Deus deve ser uma constante em qualquer caso, com crise ou sem ela. Este texto antigo pede justamente confiança na obra da FSSPX. É o que os Superiores Distritais estão pedindo em todo o mundo aos seus leigos e sacerdotes.
Num passado não muito distante um certo padre foi acusado de repudiar o que outrora havia escrito. Será que veremos a história se repetir, mas num outro contexto? As recomendações e confianças de ontem não valem também para hoje?
Afinal é a Sua vontade que pedimos para ser feita, não a nossa. Alguns a aceitam, outros não.]

***


Como tenho ficado cada dia mais enojado com esses blogues e blogueiros, jornalismo de superfície e arrogância das profundezas, não tenho tido muito ânimo para escrever. Porém, a falsa polêmica levantada pela imprudência de alguns e pela imbecilidade de outros, relativa à ida de Dom Bernard Fellay e seus assistentes à Congregação para a Doutrina da Fé, me obriga a falar. Além do mais, muitos fiéis das nossas Capelas tiveram contato com textos assombrosos e atitudes curiosas e criaram em suas almas certas apreensões que me parecem ilusórias e descabidas. “Será que a Fraternidade S. Pio X vai fazer um acordo com Roma?”, perguntam-se.

Enquanto alguns alimentam seus sites com essas falsas polêmicas que rendem certo nome entre os internautas, na medida em que as estatísticas de seus blogues et facebooks vão crescendo, outros vão se assustando e perdem mesmo a visão sobrenatural sobre os acontecimentos. E me espanto eu, com tanto desperdício de tempo e com tantas armas dadas ao demônio.

No meu modo de ver, teria sido melhor que nossos companheiros de combate não tivessem jogado no ventilador essas questões, em geral levantadas por padres saídos da Fraternidade e que passam seu tempo imaginando como vão criticá-la no dia seguinte. Só atrapalhou. Explico porque através de uma metáfora:

Tenho a impressão de sermos um grande batalhão de exército em marcha por caminhos perigosos, escapando de abismos, atravessando rios caudalosos, vencendo inimigos ocultos na mata, tudo em boa ordem, com a força do bem a alcançar e com a união dos espíritos em torno do seu general. Quando, de repente, um oficial vê passar um animal raivoso, um perigoso animal, é verdade, porém assustado e impotente diante da massa de soldados valorosos marchando com força e determinação. O general vê a fera mas mede sua força e segue em passo forte. Porém, o infeliz oficial assustado grita: ALTO! Pronto. Instala-se a desordem, cada um grita do seu lado, capitães desobedecem a seus superiores, soldados rasos dão ordens disparatadas e muitos que lutavam até então com coragem correm assustados em debandada. Era tudo o que queria o inimigo faminto. Agora sim, ele rosna, mostra os dentes, e talvez corra atrás dos mais fracos para os devorar.

A culpa é do general? Não. A culpa é do imprudente oficial que não confiou em seu chefe e gritou ordem que não lhe cabia gritar.

Aí está o verdadeiro risco que corremos. Não é o risco da Fraternidade fazer um acordo prático com Roma, mas sim esse despreparo impressionante dos soldados da Tradição, movidos por esse estranho liberalismo que respiramos todos os dias, e que os leva a querer dar ordens e conselhos lá onde não foram chamados, em atitudes de grave imprudência quando não, para alguns, de malícia movida pelo orgulho de se acharem mais capazes do que os nossos superiores. E vejam que esse liberalismo se esconde por detrás de uma exigência maior, de uma aparência de força e de coragem no combate. Mas a realidade dessa atitude está na desobediência e no orgulho de se achar livre de criticar qualquer um a qualquer hora. Não é esse o espírito da Igreja, logo não pode ser esse o espírito da Tradição.

Para alguns, o texto publicado pela Imprensa do Vaticano e a entrevista de Dom Fellay ao site Dici.org já revelaria uma traição, ou um risco muito grande de que um acordo já esteja assinado. Agitam-se em vão as almas e esquecem-se de que o que está em jogo é a vida da Igreja, é a salvação das almas. Dão provas de desconhecer tudo sobre a Tradição, essa gente convertida antes de ontem e que se levantam hoje como grandes defensores da fé. Alguns há que ontem ainda, estavam por aí nas missas novas, batendo palmas e dando pulinhos. Converteram-se de alguns anos para cá, usaram a Fraternidade S. Pio X para darem ares de Tradição, e hoje já estão do outro lado, meio sede-vacantistas, julgando a todos, cheios de orgulho e cegueira do coração.

Como essa gente faz mal para a Igreja. 

Portanto, para todos os fiéis das Capelas Nossa Senhora da Conceição, de Niterói, São Miguel Arcanjo, do Rio de Janeiro e Nossa Senhora da Assunção, de Fortaleza, além dos nossos leitores que nos acompanham a tantos anos sempre no mesmo pensamento e na mesma fidelidade, venho dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo nos preparou para esse momento. Parem de ler essa gente falsa e concentrem-se no essencial.

a) A Cruzada do Rosário está sendo rezada por essa intenção. Logo, sejam mais fiéis ao Terço. Saibam que nossa oração hoje deve ser algo de muito forte e intenso, não no sentido de rezar mais do que já rezamos, mas no sentido de deixar nas mãos de Deus o cuidado da sua obra mais cara. Quando rezarem, apliquem essa intenção de modo muito claro e pontual: Rezo por isso, em tal intenção. E ocupem seu tempo de verdade, deixando de lado outras coisas vãs, para se concentrarem em verdadeira oração e penitência.

b) Procurem entender o pensamento verdadeiro da Fraternidade. Já há muito tempo que Dom Fellay tem nos falado de modo muito forte sobre os erros do Vaticano, o apego das atuais autoridades ao Concílio que eles forjaram para impor à Igreja o progressismo liberal. E a prova de que esse é o seu pensamento é a publicação, na véspera do encontro em Roma, do forte artigo do Pe. De Cacqueray, Superior do Distrito da França, denunciando o novo escândalo de Assis. Me parece muito clara a intenção de marcar a independência do seu pensamento e das justas críticas a tais escândalos, no momento mesmo em que ele receberia um texto certamente ambiguo sobre “os criterios de interpretação” do Concílio.

c) quanto ao Comunicado de Imprensa e à entrevista de Dom Fellay, nada mais significam do que a necessidade dessa conclusão aos colóquios doutrinais ser estudada em toda tranquilidade, longe das agitações dos orgulhosos, longe sobretudo dos blogs e sites de uma internet cheia de malícia e falsas liberdades. 

Por tudo isso, fica aqui marcada a posição da Permanência e das nossas Capelas, aquela que sempre foi a nossa, de apoio às sábias decisões dos superiores da nossa tão querida e grandiosa Fraternidade São Pio X. Mais uma vez me vejo forçado a lembrar: nunca, em nenhum momento, que seja sob o governo de Mons. Lefebvre, do Pe. Schimdberger ou do próprio Dom Fellay, nunca a Fraternidade variou sua posição, sua firmeza, sua liberdade diante dos erros do Vaticano. Porque então agir com ese a priori injusto que imputa à esta santa instituição uma traição que ela nunca fez?

E quanto aos vermes da internet, mais uma vez recomendo: não entrem em seus sites e blogs, não respondam às fofocas de que vivem, não dêem a eles outra atenção senão a que eles merecem: desprezo e esquecimento.

E peçamos à Virgem Maria, a São José, a São Miguel Arcanjo e a São Pio X, que do alto do céu nos sustentem no Bom Combate.

Dom Lourenço Fleichman, OSB

***

Não posso deixar de reforçar que os fiéis da FSSPX estão em oração, numa cruzada de rosários convocadas pelo superior. Peço então, como pede o monge, que os fiéis da FSSPX confiem mais nas orações que nos corações "cheios de orgulho e cegueira" de alguns.

O orgulho nos fecha radicalmente e não por acaso é um dos pecados mais queridos pelo " inimigo faminto".








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