segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ruptura na Congregação para os Religiosos

E alguém esperava outra coisa?

Fonte: Catholic News Agency
Tradução: Blogonicvs

Novo prefeito do Vaticano para os religiosos enfatiza reconstrução da confiança


O novo prefeito para a vida consagrada no Vaticano diz que seu trabalho-chave é "reconstruir uma relação de confiança" com ordens religiosas - uma situação na qual ele parece culpar em seu antecessor.


"Tivemos de enfrentar muitas dificuldades. Havia uma porção de desconfiança por parte dos religiosos, devido a algumas posições assumidas anteriormente. Agora, o ponto focal do trabalho é precisamente o de reconstruir uma relação de confiança ", disse o Arcebispo João Braz de Aviz na última edição da revista italiana católica 30 Giorni.


O brasileiro de 64 anos de idade, assumiu a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica em janeiro, após a aposentadoria do cardeal Franc Rode.


Durante seu tempo no cargo, o clérigo esloveno freqüentemente se referia a uma "crise" na vida religiosa que remonta ao fim do Concílio Vaticano II em 1965.


Notavelmente, em 2008, o cardeal Rode realizou uma visita apostólica de religiosas nos Estados Unidos. O Arcebispo Braz também parecia cético quanto à abordagem inicial tomada por essa investigação.


"Havia desconfiança e oposição. Nós havíamos falado com elas, suas representantes também vieram a Roma ", disse ele.


"Nós começamos a ouvir de novo. Não quer dizer que os problemas não existem. Mas, temos que enfrentá-los de outra maneira. Sem condenações de preferência. Ouvir razões".


O Arcebispo Braz cresceu em uma família pobre na cidade de Mafra no sul do Brasil. Ele foi ordenado sacerdote para a Diocese de Apucarana em 1974. Ele admite ter sido influenciado pela "Teologia da Libertação" naqueles primeiros dias.


"Nós fomos idealistas, queríamos dar a nossa vida a algo grande. A opção pelos pobres nos deu uma grande esperança, especialmente para aqueles de nós que vem de famílias pobres. "


Esse legado o deixa com uma mistura de emoções, uma vez que muitos dos grupos católicos que promoveram a idéia - muitas vezes descrita como um híbrido de marxismo e cristianismo - agora operam como organizações não-governamentais seculares.


"Eles disseram que queriam mudar a Igreja, mas sua fé falhou e o que restou foi sociologia. Isso só pode despertar a tristeza ", disse à 30 Giorni.


"No entanto, continuo convencido de que neste período aconteceu algo grande para toda a Igreja. A percepção de que o pecado humano cria estruturas de pecado. Também, que a preferência pelos pobres é a escolha de Deus, como se vê no Evangelho."


Ao final de sua entrevista Arcebispo Braz foi igualmente franco sobre seu ceticismo sobre a Legião de Cristo.


O futuro da ordem está sendo atualmente analisada pelo Vaticano após a revelação de que seu falecido fundador, o Pe. Marcial Maciel, havia abusado sexualmente de seminaristas durante muitos anos e teve filhos com mulheres diferentes.


"Da forma como os Legionários estão, eu nunca fui convencido pela falta de confiança na liberdade pessoal que eu vi em suas estruturas", disse o arcebispo Braz.


"Foi um autoritarismo que buscava dominar tudo com a disciplina. Eu levei os seminaristas de Brasília para fora de seus seminários, porque vi que as coisas não podiam continuar assim."

****

Um bom trecho dessa entrevista já ficou conhecido pela rede. Surpreende a todos, sem dúvida, e nos leva a questionar mais uma vez os motivos do Papa ao nomear um bispo que, em alto e bom som, já se pronunciou - mais de uma vez - favorável ao mais execrável tipo de heresia já produzida no Brasil, a Teologia da Libertação.

Espanta, porque Joseph Ratzinger foi um dos principais promotores da derrocada libertacionista. Como Cardeal, Bento XVI se preocupou de forma toda especial em curar a América Latina desse câncer. E como Papa, admoestou publicamente não uma, mas duas vezes o episcopado brasileiro sobre a Teologia da Libertação. Vergonha e mistério.

Que passa na Cúria? É incrível! Alguns adeptos da teoria do "nos livrar de um mal maior" podem rever seus conceitos. Ao remover o arcebispo de Brasília, levando-o ao Vaticano, essas pessoas pensaram que por lá ele não poderia fazer mais nada, estaria neutralizado. Que engano! É justamente por lá que seu dano é maior.

O arcebispo se tornou uma figura progressista pública, parecer estar adepto a uma espécie de necromancia teológica que deseja se comunicar com o cadáver da Teologia da Libertação.

O trabalho do cardeal Rode, investigando com firmeza as alopradas religiosas sem hábito dos EUA, foi todo para a lata do lixo. Ao invés de uma condenação das práticas atuais, as religiosas sem hábito dos EUA acabarão aplaudidas pelo novo prefeito.

Uma vergonha para nós brasileiros. De alguma forma, estamos contribuindo com a derrocada da vida religiosa da Igreja que, como afirmou sabiamente o Cardeal Franc Rodé, vive uma profunda crise. Dom Aviz, entretanto, não enxerga crise, não vê problemas, vê apenas chances para o diálogo, para aprendermos uns com os outros, e outras coisas do tipo.

Cor Jesu sacratissimum, miserere nobis!

3 comentários:

Ana Maria Nunes disse...

De alguma forma, estamos contribuindo com a derrocada da vida religiosa da Igreja
É ruim , hein! N tenho nada com isso.
Pq se for assim nós estamos contribindo tb com o bem que a FSSPX faz, mas isso ninguém fala!

Danilo Augusto disse...

Dom Aviz é brasileiro, embora não fale "pelo" Brasil ou pela Igreja brasileira, ele é um sinal de como são os pastores por aqui. Quem olhar para o trabalho de Dom Aviz verá o trabalho (e a qualidade) de um bispo brasileiro. É péssimo para todos nós, especialmente para os bons (e poucos) bispos daqui que se esforçam para erradicar a TL das suas dioceses.
O estrago que Dom Aviz fará está além da nossa imaginação se as coisas continuarem como estão, se ele continuar nessa onda de neo-TL.

Bruno Luís Santana disse...

Estou cada vez mais rabugento, creio que a blogosfera já se apercebeu disso.
Mas o que dizer disso? Até onde termina as "forças ocultas" da Cúria Romana, e aonde começa a convicção pessoal do papa?

Acaso todo o pontificado dele não é uma grande síntese de conservadorismo e progressismo?

Sinceramente, acho que isso faz parte da "lógica" ratzingueriana. Será assim enquanto vivo ele for. Ele deseja fazer nascer um híbrido na Igreja: um híbrido litúrgico, um híbrido doutrinal, um híbrido filosófico... Bento XVI parece sofrer de esquizofrenia. Esqueçam esse papo de restauração da Cúria, dos episcopados. Percebam que, em lugares progressistas ele põe prelados conservadores, e em lugares conservadores ele põe prelados progressistas.
Vejam o caso de Recife e o caso de, sei lá, Milão... Onde havia um conservador ele pôs um progressista, onde havia um progressista, pôs um conservador. E ele não é eterno. É um octogenário!
Houve um tempo em que eu era otimista à La Montfort.
Depois fiquei crítico.
Agora estou cético.
Eu vario.
Só Bento XVI não varia. Está exatamente igual a 2005. Onde é branco ele pinta de preto, onde é preto ele pinta de branco. E o tempo passa...

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