quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os Bispos da Alemanha declaram guerra!



Acredito que não existe nenhum outro país com uma contribuição tão "bipolar" quanto a Alemanha. Sua literatura, a cultura do seu povo e a tradição e o amor ao trabalho duro são características do povo e da nação alemã. Entretanto não podemos esquecer que foi dessa terra que brotou três dos piores males que afligem o mundo moderno, uma sombra perpétua que parece encobrir a face da humanidade. O primeiro mal foi, sem dúvida, a revolta protestante. O segundo foi a teoria marxista. O terceiro, o nazismo. Um foi consequência direta do outro.
Não por acaso essas três manifestações do mal encarnaram-se em homens de grande intelecto e capacidade de convencimento: Lutero, Marx e Hitler. Os três males - que aqui vejo como as "Três Dores da Alemanha" - se caracterizam ainda por uma estreita relação com a Igreja Católica, quer diretamente, como no caso de Lutero, que foi monge católico, ou indiretamente, como foi o caso de Marx, ateu convicto da necessidade de destruição do cristianismo, e Hitler, um católico de fachada.
Agora, entretanto, é a vez da Igreja alemã apunhalar a Igreja Universal. A revolta e o desejo de destruir o que há de santo e católico estão dentro do templo de Deus.

Chega-nos a notícia que a Igreja Alemã, num ato cismático (entretanto não receberão preâmbulo doutrina para assinar), planeja aprovar a comunhão para os divorciados em segunda união. Sobre isso já escrevemos antes.
A reunião plenária dos bispos da Alemanha está marcada para março próximo, mas segundo informa o site "Catholic Herald" (CH), os bispos já possuem um documento pré-aprovado com diretrizes para a prática. O documento seria baseado na nota que a arquidiocese de Friburgo emitiu em outubro, mas que foi feita sem efeito pela Congregação para Doutrina da Fé, comandada hoje por um bispo alemão, e também num rascunho redigido por uma comissão de seis bispos.

Segundo informa o CH, os bispos estão confiantes que a sua "prática pastoral" não sofrerá qualquer repreensão de Roma. Essa confiança foi reforçada, segundo o CH, pela nova Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco.

"Nós já temos as nossas próprias diretrizes e o Papa assinalou claramente que certas coisas podem ser decididas localmente.
Não somos a única diocese que busca soluções úteis para este problema e nós tivemos reações positivas de outras dioceses na Alemanha e do exterior nos assegurando que eles já praticam o que nós escrevemos em nossas diretrizes", afirmou Robert Eberle, porta-voz da arquidiocese de Friburgo.

A exortação Apostólica "Evangelii Gaudium", publicada no último dia 26, no seu número 32 assinala que:

Dado que sou chamado a viver aquilo que peço aos outros, devo pensar também numa conversão do papado. Compete-me, como Bispo de Roma, permanecer aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo pretendeu dar-lhe e às necessidades atuais da evangelização. O Papa João Paulo II pediu que o ajudassem a encontrar «uma forma de exercício do primado que, sem renunciar de modo algum ao que é essencial da sua missão, se abra a uma situação nova». Pouco temos avançado neste sentido. Também o papado e as estruturas centrais da Igreja universal precisam de ouvir este apelo a uma conversão pastoral. O Concílio Vaticano II afirmou que, à semelhança das antigas Igrejas patriarcais, as conferências episcopais podem «aportar uma contribuição múltipla e fecunda, para que o sentimento colegial leve a aplicações concretas». Mas este desejo não se realizou plenamente, porque ainda não foi suficientemente explicitado um estatuto das conferências episcopais que as considere como sujeitos de atribuições concretas, incluindo alguma autêntica autoridade doutrinal. Uma centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária.

Segundo o trecho acima, com negritos meus, o Papa vê um novo futuro para as Conferências Episcopais. Bento XVI nunca viu as conferências episcopais como verdadeiros sínodos ou como entidades com referências canônicas. As conferências são uma criação recente, que predata em alguns anos a própria inauguração do Vaticano II. As conferências episcopais não possuem um status dentro da realidade eclesial superior a um órgão meramente consultivo; ao longo dos anos, entretanto, elas adquiriram considerável poder a ponto de regular o que um bispo, este sim um verdadeiro prelado, pode ou não fazer dentro da sua diocese. Isso nos conduziu à situação esdruxula em que vivemos hoje no Brasil, por exemplo, onde bispos católicos ortodoxos são reféns da CNBB.

Acredito - e aqui cabe uma pausa - que as conferências episcopais são, na sua maioria, as verdadeiras pedras de tropeço na ação evangelizadora da Igreja. Potencializar a sua autoridade, conferindo-lhes alguma posição análoga a uma "antiga Igreja Patriarcal" reduzirá a Igreja Universal a uma porção de igrejolas nacionais unidas por comodismo, interesse financeiro ou afinidade ideológica. O "sentire cum ecclesia" desaparecerá se o projeto apontado por Francisco no nº 32 se tornar realidade.

Uwe Renz, porta-voz da diocese de Rottenburg-Stuttgart, acredita que os bispos alemães estão agindo de acordo com o "espírito do ensinamento do Papa Francisco". Até onde sei o espírito do Papa Francisco encontra-se com o mesmo, não saiu a borboletear pelas margens do Reno.

Estamos como as vésperas de uma invasão, num estado de guerra fria. É guerra, mas ao mesmo tempo não é.

O que fará Francisco se a Alemanha adotar a comunhão aos divorciados? Prosseguirá com sua "Agenda 32" de patriarcalização das Conferências Episcopais? Não sabemos ainda.

A doutrina da Igreja sobre o divórcio é clara. As palavras de Francisco nem tanto. Esse é o problema do discurso "pastoral", que é inevitavelmente ambíguo e subjetivo.

A aprovação da prática pela Alemanha conduzirá a um efeito dominó em toda a Europa e América Latina. Se a Santa Sé indulgenciar tal prática escandalosa com um silêncio pastoral obsequioso ou com uma aprovação tácita justificada por algum malabarismo teológico, então será hora deste blogueiro jogar a toalha. Desculpe o desabafo, mas todos experimentamos extravios, incertezas, dúvidas. Quem não experimentou? Todos, eu também! Faz parte da fé.

Rezo para que as portas do inferno não prevaleçam, para que Francisco veja o perigo diabólico da "Agenda 32" e derrote a marcha de hereges que rompe nas terras de Ratzinger.

Antes perder a moribunda igreja alemã que perder todo o rebanho!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

30 Padres Removidos do Vaticano


(CNA/Ewtn  | Tradução Blogonicus) - Pelo menos 30 padres que estavam empregados nos departamentos do Vaticano poderão ser removidos dos seus postos e enviados para as dioceses nos próximos meses, de acordo com três diferentes fontes.
"A Congregação para o Clero será a primeira da lista", afirmou uma fonte do Vaticano familiarizada com a congregação.

Quatro padres empregados na congregação foram chamados para trabalhar nas dioceses. Entre eles está mons. Luciano Alimandi, que foi secretário pessoal por muitos anos do antigo chefe do departamento, Cardeal Dario Castrillon Hoyos.

De acordo com a fonte ouvida, Mons. Alimandi e outros três formavam "parte do círculo pessoal do Cardeal Mauro Piacenza". Ele foi prefeito da Congregação para o Clero até setembro.

O cardeal Piacenza foi apontado para comandar a Penitenciária Apostólica em 21 de setembro. O arcebispo Beniamino Stella o substituiu como prefeito da Congregação para o Clero. Uma fonte que esteve em contato com arcebispo Stella explicou ao CNA que "muitas mudanças são esperadas na congregação".

Essa fonte também afirmou que "o Papa Francisco deseja ter poucos empregados nos dicastérios vaticanos e quer mandar o máximo de padres que puder para servir nas paróquias e dioceses". A reforma do Papa, afirmou a fonte, "dará mais poder aos bispos locais. No passado, quando havia um caso difícil para lidar, um oficial da congregação era enviado ao local para relatar sobre o problema. No futuro, os bispos locais poderão receber essa função, recebendo parte do trabalho dos dicastérios vaticanos".

Outra fonte, que falou com a CNA e pediu para não ser identificado, "as mudanças envolverão todos os departamentos do Vaticano".
A fonte disse que "quando apontado como membro do grupo dos cardeais, o Cardeal Giuseppe Bertello realizou várias visitas às congregações vaticanas pedindo a cada uma delas por uma lista de pessoas que não necessárias à congregação".

De acordo com a fonte, a lista incluiria 30 nomes, todos sacerdotes. A fonte acrescentou que "alguns padres foram solicitados pelas suas dioceses de origem".


***

Não é de hoje que lemos e ouvimos que a reforma franciscana consistirá de uma diminuição considerável do poder da Cúria Romana. Alguns usam um eufemismo para mascarar um fato que salta aos olhos, falam de uma "diminuição da burocracia". Como ninguém gosta de burocracia, todos aplaudem qualquer iniciativa nesse sentido.

Eu me lembro do escândalo do clero americano, lá perto do ano 2000-2001, envolvido em diversas acusações de abusos sexuais. Todos os casos foram mascarados, por anos, pelos... bispos locais! Os bispos, mesmo com "pouco poder", causaram um estrago de proporções ainda desconhecidas. As finanças da igreja americana foram pelo ralo graças aos vários processos judiciais com indenizações milionárias; dioceses inteiras estão na bancarrota até hoje. A credibilidade da Igreja nos EUA foi levada ao chão e só agora começa a se recuperar.

Na crise americana o papel da Cúria Romana, na investigação e punição dos culpados, foi decisivo. Sobretudo o Papel do então cardeal Ratzinger. Um caso mais recente, de igual proporção, aconteceu na Irlanda e na Escócia e a Cúria, com seu poder, foi também decisiva para tentar reconstruir o que os bispos destruíram.

Me pergunto o que aconteceria se essa ideia de reforma for adiante. Se casos como os que citei acima surgirem novamente, o que aconteceria? Será que a "mini-Cúria" de Francisco seria capaz de resolver problemas semelhantes?

Cardeal Piacenza teve um infarto durante missa com Papa Francisco
Prenúncio da sua queda poucos meses depois.

Outro ponto da matéria que me chama a atenção é a obsessão com o Cardeal Piacenza. Por que Piacenza? Na minha modesta opinião - que não conta nada ou influencia coisa alguma - Mauro Piacenza foi o melhor Prefeito que essa congregação já teve desde o Vaticano II.

Levanto duas teorias [da conspiração]. Uma eu já escrevi aqui neste blog, seria que a remoção humilhante de Piacenza seria um desagravo que Francisco faria ao seu "amigo" Claudio Hummes, ex-prefeito e antecessor de Piacenza. A outra diz respeito ao conclave. É possível que Mauro Piacenza tenha se levantado como candidato de "oposição" a Francisco. Uma vez que os italianos não aderiram em consenso com Scola, Piacenza seria o nome mais natural. Nele votariam toda a ala ratzingeriana e bertoniana, sobretudo os cardeais curiais criados no consistório de fevereiro de 2012. É só uma teoria e o segredo do conclave nos permite criar teorias as mais diversas.

Devemos esperar rezando para ver o que acontecerá. Poder aos bispos locais, sobretudo para investigar e reportar casos problemáticos, é, sem dúvida, a pior besteira que poderia ser feita desde o Vaticano II.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Bispo "de luxo" afastado. Mas e quanto ao Cardeal de luxo?

Marx - Cardeal de Extremo Luxo entre os conselheiros do Papa pobre


Depois de meses de contestação e acusações pela mídia e por alguns padres da diocese, e depois de ter recorrido em pessoa ao Papa Francisco, o bispo de Limburgo, Dom Terbatz Van Elst, foi afastado temporariamente da sua diocese. Já escrevemos sobre isso aqui.

videoA acusação contra o bispo seria de gastos exagerados, ou mesmo exorbitantes, na construção da residência episcopal. Jornais e outros meios de comunicação, alimentados pelo clero, traçaram uma linha oposta entre Van Elst e o Papa recém eleito Francisco, contrastando a simplicidade deste último com a gastança desenfreada do primeiro.

A reunião no Vaticano se deu no mês passado, com a presença do ultra-liberal Robert  Zollitsch, na qualidade de [ainda] presidente da Conferência Episcopal da Alemanha. Os bispos da Alemanha procuraram se distanciar de Van Elst, tratando o caso com meias palavras.

É possível que o bispo tenha exagerado nos gastos, mas acredito que isso não era caso para que o Vaticano o afastasse. Pensem, por exemplo, em bispos como Casáldaliga, Balduíno, Redovino e cia que, embora não gastem horrores, causam um estrago muito maior à Igreja. Todos eles, é claro, não foram afastados.

Mas o que me leva a escrever esta pequena nota é o fato interessante, que não foi focado pela mídia 'imparcial'. Dom Terbatz foi afastado da sua diocese por conta de um projeto que custou €31 milhões. Uma cifra considerável, sem dúvida. Mas o que a mídia talvez tenha se esquecido é que o Cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, também tem um projeto ativo para a construção de uma nova sede da arquidiocese. O valor? Singelos €130 milhões. Isso mesmo 130 milhões de Euros!

Marx é um dos conselheiros de Francisco no G8 que ajudará o Papa a 'governar' a Igreja.

Será que os pobristas irão mirar no cardeal? Acredito que não, afinal de contas Marx quer comunhão aos divorciados, fim do celibato, etc...

Por sua vez Dom Terbatz foi acusado de ser "muito ortodoxo", preferindo o doutrinal sobre o pastoral. Que pecado!

sábado, 16 de novembro de 2013

"Você é o melhor intérprete do Vaticano II" escreve Papa Francisco a Bispo Ratzingeriano



(InfoCatólica | Tradução Blogonicus*) - A carta escrita pelo papa Francisco ao Arcebispo Agostino Marchetto, por ocasião da publicação de um livro sobre o primado papal, causou uma comoção em setores da igreja da Itália, porque consiste em apoiar a tese do prelado italiano, conhecido como um dos maiores expoentes da teoria da hermenêutica da continuidade do Concílio Vaticano II, em oposição àqueles que o interpretam em chave de novidade e ruptura. O Papa assegurou ao bispo que ele é considerado como o melhor intérprete do Concílio e ainda garante que o arcebispo corrigiu erros ou imprecisões suas [de Francisco], pelo que lhe agradeceu.

O texto completo da carta do Papa ao Arcebispo Marchetto Francisco (traduzido para o espanhol por InfoCatólica da versão dada na imprensa da Itália) [e traduzido para o português por este blog, NdT]:

Caro ao Arcebispo Marchetto,
Com estas linhas eu quero mostrar a minha proximidade e participar da apresentação do livro“Primato pontificio ed episcopato. Dal primo millennio al Concilio ecumenico Vaticano II”. Eu imploro que você me sinta espiritualmente presente.
O tema do livro é uma homenagem ao amor que você tem à Igreja, um amor fiel e ao mesmo tempo poético. Lealdade e poesia não podem ser negociados: não são comprados ou vendidos, são simplesmente as virtudes enraizadas em um coração de filho que sente a Igreja como mãe, ou para ser mais preciso, e dizê-lo com "ar" da família inaciana, como "a Santa Mãe Igreja Hierárquica".
Este amor você manifesta de muitos modos, inclusive corrigindo um erro ou imprecisão da minha parte - e por isso lhe agradeço de coração -, mas sobretudo manifesta com toda a sua pureza nos estudos realizados sobre o Concílio Vaticano II. 
Uma vez lhe disse, querido Mons. Marchetto, e hoje desejo repetir, que o considero o melhor intérprete do Concílio Vaticano II. Sei que é um dom de Deus, mas também sei que você o fez frutificar.
Estou agradecido por todo o bem que nos faz com seu testemunho de amor à Igreja e peço ao Senhor que o recompense abundantemente.
E peço por favor para que não se esqueça de rezar por mim. Que Jesus o abençoe e a Virgem Santa o proteja.


***
O Arcebispo Marchetto foi secretário do Pontifício Conselho para os Migrantes e Itinerantes até atingir os 70 anos, quando pediu ao então Papa Bento XVI seu afastamento para se dedicar exclusivamente ao estudo da hermenêutica do Concílio Vaticano II.

É conhecido na Itália por seu um ferrenho "ratzingeriano", defendendo a hermenêutica da continuidade. Desde 2005 o arcebispo vem escrevendo sobre o Concílio. É claro que nenhum desses livros foi traduzido para o português!

Por isso mesmo a carta de Francisco - totalmente pessoal e inesperada - está sendo vista com espanto pela imprensa italiana, como um elo que o conecta ao coração do pontificado de Bento XVI, algo que acreditava-se estar morto desde março deste ano.

Penso que um sinal amarelo começou a piscar entre os maiores admiradores de Francisco até o momento - os liberais e os "mass media".

Não é segredo para ninguém que a esmagadora parcela de católicos tradicionais e até mesmo uma parte significativa dos católicos conservadores vem encontrando dificuldades em Francisco. Sobretudo nos meses de julho, setembro e outubro, quando o Papa se empenho pelo caminho desastroso das "entrevistas".

Como escreveu o blogueiro espanhol Francisco José Fernández de la Cigoña, "El Papa, como todos sus antecesores, está aprendiendo a ser Papa. Y parece que con celeridad y aprovechamiento. Bendito sea Dios".


*Li primeiro no blog La cigüeña de la torre

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Entrevista de Francisco ao jornalista Scalfari removida do site do Vaticano.

A famosa entrevista concedida pelo Papa Francisco ao jornalista ateu e fundador do "La Repubblica", Eugenio Scalfari, foi removida do site oficial do Vaticano.

Cópia da Entrevista removida do site do Vaticano. Agora só através do Cache

Segundo o Pe. Frederico Lombardi a decisão de remover o texto da página partiu da Secretaria de Estado. "A entrevista é confiável de um modo geral, mas não em avaliações individuais: por este motivo, foi decidido não torná-la num texto disponível no site da Santa Sé. Em substância, remover a entrevista a configurou de acordo a natureza desse texto. Houve uma certa ambiguidade e debate sobre o seu valor. A decisão foi tomada pelo Secretário de Estado", afirmou Lombardi.

Desde a publicação da entrevista, o Pe. Lombardi havia afirmando que o texto não tinha sido revisado ou lido previamente pelo Papa Francisco, sendo composto por Scalfari a partir das sua própria memória de uma conversa com o Francisco.

Segundo informa o La Stampa, "o artigo continha expressões dificilmente atribuíveis ao papa Francisco. Bem como um erro sobre o que aconteceu na Capela Sistina. Em uma das respostas, foi dito que o Papa, depois de atingir um quorum para a eleição, antes de aceitar, havia se retirado em oração. O fato não é verdadeiro, e foi refutado por vários cardeais, incluindo o arcebispo Timothy Dolan de Nova York".

As afirmações do Pe. Lombardi sobre a natureza não magisterial da entrevista, que deveriam servir para consolar alguns católicos perplexos com as declarações do Papa sobre o primado da consciência e sobre a natureza do bem e do mal, não foram completamente acolhidas devido a presença do texto em veículos oficiais do Vaticano.

No dia seguinte à publicação do texto de Scalfari no periódico La Repubblica, foi a vez do jornal oficial do Papa, L'Osservatore Romano, comandado por Gian Maria Vian, publicar o texto na íntegra. Em quanto isso, na entrada pessoal do pontífice no site do Vaticano, a entrevista figurava entre documentos de magistério.

Antonio Socci, colunista católico do jornal italiano "Libero", escreveu em 27 de outubro que após a publicação da entrevista, o Papa Francisco estava plenamente consciente do risco de incompreensão de algumas de suas palavras, particularmente aqueles sobre a consciência.

De acordo com Socci, o Papa Francisco "lamentou" a publicação da entrevista no "L'Osservatore Romano" e "queixou-se que ao diretor Vian, em Assis, no dia 04 de outubro".

O vídeo da TV do Vaticano mostra que quando o papa Francisco foi visitar o túmulo de São Francisco de Assis, ele parou e teve uma conversa de um minuto com Vian.

Papa Francisco em conversa "dura" com Vian.

Os gestos do Papa são severos e rápidos.

De acordo com Socci, "este é provavelmente o momento em que o papa Francisco queixou-se a Vian".
Segundo reporta o site CNA/EWTN, apenas duas pessoas estavam perto o suficiente do papa Francisco para ouvir a conversa entre ele e Vian: o jornalista Aldo Cazzullo, e o vice-diretor da assessoria de imprensa da Santa Sé, o padre Ciro Benedettini.

Socci confirmou ao CNA em 28 de outubro que ele "soube sobre o arrependimento do Papa por duas fontes diferentes."

É recomendável assistir ao vídeo (clique aqui) e ver as expressões e os gestos do Papa a Vian. Francisco, com as mãos, indica uma negativa sobre algo que foi escrito. As imagens começam aos 22:56 minutos.

Embora tenha sido removida do website do Vaticano, a página ainda consta nas entradas de pesquisa do buscador do mesmo site. Entretanto os links só podem ser acessados através de uma cópia cache.

Busca por "Scalfari" no site do Vaticano
Tudo indica que a complicada entrevista foi colocada nos veículos oficiais do Vaticano sem qualquer consentimento do Papa Francisco. Foi Vian quem deu ao texto um caráter magisterial ao publicá-lo como tal no jornal vaticano e torná-lo disponível na página de internet. O texto de Scalfari, escrito a partir das suas "memórias" de um bate-papo com Francisco, nunca é bom esquecer, agradou aos liberais e dentre eles, ao que tudo indica, Vian. Vale lembrar que poucos dias antes Francisco também concedeu uma entrevista a um jornalista jesuíta, mas esta nunca foi disponibilizada no site do Vaticano. A entrevista à Rede Globo, depois da JMJ do Rio, também não figura como um documento "para-magisterial". Vian, parece, tem uma predileção por textos de religiosos de ateus.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Bispos dos EUA e Chile escolhem seus presidentes

Uma Igreja ainda mais obcecada pela defesa incondicional da vida

Bispos americanos reunidos

A Conferência Episcopal Americana (USCCB) escolheu hoje o seu novo presidente. Em primeiro lugar é preciso destacar a lista dos então candidatos à presidência da mais importante conferência de bispos do mundo:

Gregory Aymond (arcebispo de Nova Orleans)
Charles Chaput (arcebispo da Filadélfia)
Daniel DiNardo (Cardeal Arcebispo de Galveston-Houston)
José Gomez (Arcebispo de Los Angeles)
Joseph Kurtz (Arcebispo de Louisville)
William Lori (Arcebispo de Baltimore)
Dennis Schnurr (Arcebispo de Cincinnati)
Allen Vigneron (Arcebispo de Detroit)
Thomas Wenski (Arcebispo de Miami)
Blase Cupich (Bispo de Spokane)

A predominância de nomes "beneditinos" é visível. São bispos que, na sua maioria, compartilham com o Papa Emérito a sua visão de uma igreja unida pela mesma fé, de tradição ininterrupta.
Três candidatos foram nomeados com a missão de restaurar dioceses destruídas pela administração progressista e liberal dos seus predecessores. Charles Chaput recebeu de Bento XVI a missão de reconstruir a arquidiocese da Filadélfia arrasada pelos escândalos de pedofilia. José Gomez recebeu a arquidiocese de Los Angeles, lar do cardeal ultra-heterodoxo Roger Mahony; nos primeiros meses de governo Gomez precisou lidar com a crise gerada pelo bispo auxiliar, e braço direito de Mahony, Gabino Zavala que assumiu a paternidade de uma menina já adolescente. Thomas Wenski recebeu a "diocese gay" para recompor; como o próprio nome já diz, a diocese de Miami se tornou conhecida pelo número absurdo de padres envolvidos em orgias homossexuais.
O Cardeal DiNardo desempenha um papel importante no estabelecimento do Ordinariato da Cátedra de São Pedro, destinado aos ex-anglicanos americanos que desejam se converter ao catolicismo. Foi sua a iniciativa de abrir as portas do seminário arquidiocesano de Houston para que os ex-pastores pudessem completar seus estudos.

Terminadas as considerações, o escolhido para suceder o Cardeal Dolan como presidente foi o arcebispo de Louisville, Dom Joseph Kurtz.
Kurtz era vice-presidente da USCCB, diretor do Centro Nacional de Bioética Católica e membro do grupo que promove a canonização do Venerável Arcebispo Fulton Sheen. Kurtz ainda é um grande ativista pró-vida.

Arcebispo Kurtz rezando em frente a uma clínica de abortos

 A escolha do arcebispo Kurtz, além de confirmar a regra de se eleger o vice-presidente como presidente (regra que havia sido quebrada quando Dolan assumiu), dá um sinal claro que a Igreja americana não desistirá da defesa da vida, nem minguará sua vontade de reverter a cultura de abortos tão enraizada no país.

Depois das palavras do Papa Francisco sobre a [suposta] obsessão da Igreja com temas como o aborto e o casamento gay, pensava-se que a USCCB escolheria um bispo mais alinhado com essa [suposta] visão do Papa. Quem apostou suas fichas em nomes mais políticos, como Lori ou Vigneron, perdeu.

***

Na outra ponta do continente da esperança...

Bispos Chilenos depois da Assembleia Geral

Os bispos do Chile reelegeram o arcebispo de Santiago, Dom Ricardo Ezzati, como seu presidente.
Surpreendentemente - para um país membro do CELAM - os bispos do Chile recomendaram publicamente que os católicos votem nas eleições gerais do próximo dia 17 seguindo a doutrina católica e avaliando seus candidatos considerando a defesa da vida e da família.
Na sua mensagem ao povo chileno os bispos do estreito, porém belíssimo, país falam de "Três casos relevantes a considerar no seu discernimento ético, ao escolher seus representantes". A primeira é a avaliação e a defesa incondicional da vida desde a concepção até seu fim natural. A segunda instância de discernimento é a proteção da família, da comunidade de vida e de amor, fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher. A terceira instância para o nosso discernimento é de que a paz social é a obra da justiça.
O atual presidente do Chile, Sebastian Piñera, é contrário ao aborto e à leis que o promovam de alguma forma, afirmando-se um defensor da vida. Dos nove candidatos à presidência, apenas um (Ricardo Israel) é defensor da vida e inclusive tem uma "política de natalidade" para promover que os casais tenham mais filhos. Todos os demais candidatos apoiam o aborto ou desejam ampliar a sua oferta, além de endossarem uma cultura de gênero gayzista.

Enquanto isso no Brasil...

Nossos bispos devem estar preocupados com a falta d'água, maioridade penal, "capitalismo selvagem", degradação das matas ciliares ou emitindo alguma nota que ninguém dará a menor atenção.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Müller anula decisão de Zollitsch sobre comunhão aos divorciados


Quase imediatamente após a sua renúncia ao governo da arquidiocese de Friburgo ser acolhida pelo Papa Francisco, o arcebispo Robert Zollitsch torna público um documento "pastoral" onde orienta os padres sobre a comunhão aos católicos divorciados e em segunda união. Poucas semanas depois o Prefeito da Doutrina da Fé, o também alemão Gerhard Müller, publicou um longo artigo no L'Osservatore Romano onde defende a atual posição católica de total inviolabilidade do casamento, desde que validamente celebrado. Agora Müller se dirige de forma direta ao arcebispo emérito Zollitsch, e aos demais bispos da Alemanha, revogando o documento "pastoral". Abaixo a carta enviada por Müller.

***
A Sua Excelência!
Honorável Senhor Arcebispo!

Com o documento prot. N 2922/13, de 8 de outubro de 2013, o Nuncio Apostólico informou o projeto das diretrizes para o cuidado pastoral das pessoas separadas, divorciadas e recasadas civilmente na Arquidiocese de Friburgo, bem como a sua circular aos membros da Conferência Episcopal Alemã antes da publicação dessa carta, à Congregação para a Doutrina da fé. Uma leitura cuidadosa do rascunho do texto revela que ele contém ensinamentos pastorais muito corretos e importantes, mas não é claro em sua terminologia e não corresponde com o ensinamento da Igreja em dois pontos:

"As pessoas divorciadas e recasadas se colocam no caminho do seu acesso à Eucaristia".
1. Em relação à recepção dos sacramentos por fiéis divorciados novamente casados ​​a proposta dos bispos da área de Oberrhein é novamente recomendada  como uma direção pastoral: após um processo de discussão com os párocos, as pessoas interessadas podem chegar à conclusão de participar muito na vida da Igreja, mas a abster-se deliberadamente de receber os sacramentos, enquanto outras podem em suas situações concretas alcançar uma "decisão responsável de consciência" e serem capazes de receber os sacramentos do Batismo, a Sagrada Comunhão, Crisma, Reconciliação e Unção dos Enfermos , e esta decisão deve "ser respeitada" pelo padre e pela comunidade.

Ao contrário desta suposição, o Magistério da Igreja enfatiza que os pastores devem reconhecer bem  as diversas situações e devem convidar os fiéis afetados por elas a uma participação na vida da Igreja, mas também "reafirma a sua prática, que é baseada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística divorciados que voltaram a casar "(cf. João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de 22 de novembro de 1981, N. 84; também comparar a Carta desta Congregação de 14 de setembro de 1994 sobre a recepção da Comunhão por divorciados recasados fiel, que rejeita a proposta dos bispos Oberrhein, e Bento XVI, Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, de 22 de fevereiro de 2009, N. 29).

Esta posição do Magistério é bem fundamentada. Divorciados recasados estão no caminho de seu acesso à Eucaristia, na medida em que o seu estado de vida é uma contradição objetiva para a relação de amor entre Cristo e a Igreja, que se torna visível e presente na Eucaristia (razão doutrinária). Se estas pessoas pudessem receber a Eucaristia isso causaria confusão entre os fiéis sobre o ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio (razão pastoral).

2. Além disso, um rito [service, no original em inglês, NdT] de oração para os fiéis divorciados que entram em um novo casamento civil é sugerigo. Embora seja explícito que isso não é um "semi-casamento" e a cerimônia deve ser simples, mas ainda assim seria uma espécie de "rito", com uma entrada, a leitura da Palavra de Deus, benção e entrega de uma vela, oração e conclusão.

Tais celebrações foram expressamente proibidas por João Paulo II e Bento XVI: "O respeito devido ao sacramento do Matrimônio, para os próprios casais e suas famílias, e também para a comunidade dos fiéis, proíbe qualquer pastor, por qualquer motivo ou pretexto mesmo de natureza pastoral, de realizar cerimônias de qualquer natureza para as pessoas divorciadas que se casam novamente. Estas dariam a impressão de celebração de novas núpcias sacramentais válidas, e que, assim, levariam as pessoas ao erro sobre a indissolubilidade do matrimônio contraído validamente "(Familiaris Consortio, n. 84).

Os fiéis afetados devem receber suporte, mas é preciso evitar que "cresça confusão entre os fiéis sobre o valor do matrimônio" (Sacramentum Caritatis, N. 29).

Devido às discrepâncias acima destacadas, o projeto de texto deve ser retirado e revisto, de modo que nenhuma direção pastoral seja sancionada que se oponha aos ensinamentos da Igreja. Porque o texto suscitou questões não só na Alemanha, mas em muitas partes do mundo, bem como levou à incertezas numa questão pastoral delicada, me senti obrigado a informar ao Papa Francisco sobre isso.

Após consulta com o Santo Padre, um artigo de minhas mãos foi publicado em L'Osservatore Romano em 23 de outubro de 2013, que resume o ensino vinculante da Igreja sobre estas questões. Essa contribuição também foi publicada na edição semanal do jornal do Vaticano.

Uma vez que um número de bispos que se voltou para mim e um grupo de trabalho da Conferência Episcopal Alemã está lidando com o tema, gostaria de informar que vou enviar uma cópia desta carta a todos os bispos diocesanos da Alemanha. Esperando que sobre esta questão delicada nós vamos por caminhos pastorais, que estão em pleno acordo com a doutrina da fé da Igreja, fico com cordial saudação e bênção no Senhor.

Gerhard L. Müller
Prefeito

sábado, 9 de novembro de 2013

Cardeal Marx sobre comunhão aos divorciados: "O Prefeito da Doutrina da Fé não pode impedir essa discussão"



(PrayTell) Na opinião do Cardeal Marx, arcebispo de Munique, o debate sobre a forma como os católicos lidam com os divorciados re-casados (sic) está aberta [para discussão]. "O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé não pode colocar um freio na discussão", afirmou o cardeal na conclusão da reunião de bispos de Freising [Frisinga], segundo o site KathWeb. A conferência consiste na reunião de bispos bávaros de Munique e Frisinga, Regensburgo, Passau, Augsburgo, Bamberg, Wurzburgo, Eichstatt e Speyer.

O arcebispo Gerhard Ludwig Müller, antigo bispo de Regensburgo, e agora prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, recentemente escreveu um artigo no L'Osservatore Romoano defendendo enfaticamente a disciplina da Igreja em negar a comunhão aos recasados, não vendo qualquer possibilidade de mudança nessa prática. Em resposta, o Cardeal Marx afirmou que "nós veremos isso discutido da forma ampla. O resultado [da discussão] eu não sei". O Cardeal Marx está no comitê de oito cardeais apontados pelo Papa Francisco para aconselhá-lo na reforma da Cúria Romana e no governo da Igreja Católica.

O Cardeal Marx disse que é o desejo expresso de Roma que haja uma discussão ampla por toda a Igreja na preparação para o Sínodo Especial para a Família, em outubro de 2014. O cardeal acredita que há algumas questões nas quais a postura da maioria dos católicos, em particular dos católicos praticantes, é clara. Ele apontou o caso dos recasados como um exemplo. Um grande número de fiéis católicos não pode compreender completamente "que uma segunda união não é aceita pela igreja". Ele acredita que é inadequado falar no divórcio como uma simples "falha moral".


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Ok, ok, ok. Na prática precisamos nos perguntar: o que esperar desse sínodo? Por que ele foi convocado? Qual a sua verdadeira finalidade?

Estamos querendo, com o Sínodo para a Família, compreender o que se passa nas "periferias existenciais" católicas, como o católico ordinário compreende ou não a doutrina, suas dificuldades em viver de acordo com ela e, a partir disso, procurar ajudá-lo a compreender melhor essa mesma doutrina? Ou será que o Sínodo foi convocado única e exclusivamente para aprovar a comunhão aos divorciados?

Se o Sínodo se pautar pela opinião dos católicos ordinários, então é de se esperar que a partir de 2015 os divorciados já poderão comungar.

O que eu vejo dos bispos que já se pronunciaram a respeito é justamente uma inclinação nessa direção facilitadora e acomodada. "Ah, não se pode vencê-los, junte-se a eles!". O número de divórcios é imenso e uma verdadeira chaga no corpo social; essa pestilência precisa ser combatida e não "discutida" por toda a Igreja. O único bispo, até o momento, que parece ter sido abençoado com algum juízo é Müller! Incrível, não é mesmo!?

Estamos ouvindo muito, recentemente, as palavras "abertura", diálogo (essa nunca deixamos de ouvir), sensibilidade pastoral e outras expressões de uma igreja afeminada e incapaz de combater o mal. O Sínodo para a Família precisa se preocupar com a família! Acolher uma das causas da destruição da família é um absurdo.

Mas talvez, e só talvez, qualquer certeza doutrinal seja inadequada daqui para frente.
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