domingo, 30 de janeiro de 2011

Ele também deve cair

Várias dioceses católicas pelo mundo ganharam, com Bento XVI, novos bispos e, principalmente, bispos melhores que seus predecessores. Muitas dessas dioceses são Sés cardinalicias, ou seja, seus ordinários serão feitos cardeais nos consistórios futuros.
Há, entretanto, dioceses que são mais importantes que outras, mesmo no universo das exclusivas dioceses cardinalícias. Assim, Paris tem muito mais peso que Buenos Aires, por exemplo. Los Angeles é mais valiosa e influente que o Rio de Janeiro.
Na Itália, o maior grupo de cardeais do mundo, isso não é diferente. Milão é a Sé "primus inter pares" do colégio italiano. A arquidiocese é tão importante que, como comenta Paolo Rodari, seu bispo é automaticamente um papável. Podemos dizer que Milão está entre as Top 5 dioceses mais importantes do mundo ao lado de Los Angeles, NY, Westminster e Paris.
O Papa, segundo Rodari, está escolhendo com muito carinho um nome para Milão. O cardeal Tettamanzi já passou da hora de renunciar, beira os 80 anos.
Tanto na Cúria quanto fora dela há pessoas interessadas em continuar a linha desenvolvida pelo finado arcebispo Montini e exacerbada pelo "anti-papa" Carlo Maria Martini, a de um catolicismo acolhedor, aguado e insosso, se me permitem.
Dessa vez, pelo que parece, um papa não terá apenas que lidar com a pressão de bispos gananciosos pela cadeira de Santo Ambrósio (reza a lenda que Tettamanzi teria "pedido" a João Paulo II a Sé de Milão), mas uma outra força surge para problematizar ainda mais a nomeação: os novos movimentos leigos. Rodari afirma que o "comunhão e libertação" é muito forte na região.
A questão é que nomes não faltam. Bons nomes... ai já é uma outra questão.
Pelo andar das nomeações este ano, especialmente aqui no Brasil, podemos esperar, quase com certeza, a nomeação de um bispo em linha com o Cardeal Tettamanzi. Talvez um pouco mais romano, mas ainda sim uma nomeação que não nos fará soltar gritos de alegria pelo povo de Milão.
Os progressistas estão sem grandes nomes no colégio de cardeais. Seu líder, antes arcebispo de Milão, Carlo Maria Martini desapareceu da vida pública (graças a Deus). Só lhes resta o delirante cardeal de Viena.
Rezemos pelo Papa e pela Sé de Milão.

4 comentários:

Lucas Carvalho disse...

Não faz sentido contar Westminster nesse Top 5 de Dioceses mais importantes. Não creio também que Los Angeles e NY possam ocupar essa lista ao mesmo tempo. Madrid é mais importante que essas três por mim mencionadas, e também Veneza, de onde sairam três Papas no século XX. Alguma das dioceses alemãs deve aparecer, porque a Alemanha tem um peso altíssimo nas finanças e na vida intelectual da Igreja inteira.

Danilo Augusto disse...

Westminster tem um peso fora do comum em questões como ecumenismo e a tradução do missal em língua inglesa.
Los Angeles é a maior arquidiocese dos EUA, já NY é importante internacionalmente. As dioceses alemãs, mesmo sendo a for$a motora da Igreja, parecem não ter tanta influência no mundo católico. Uma sé alemã (berlim ou munique) ocuparia um importante 6º lugar na minha opinião seguida de perto por Lião, Veneza e Madri. Mas é só a minha opinião.
Agora se fosse a importância dos países católicos, então eu diria que ocorre nessa ordem: Itália, EUA, França, Alemanha, Reino Unido e México empatados.

Danilo disse...

Gostaria de sabe se alguem já "diz" o possível Arcebispo de Brarsília que graças a Deus está sem seu Arcebispo!!!

Bruno Luís Santana disse...

Creio que Munique e Colônia seriam as arquidioceses alemãs com mais influência, mas Viena também não pode ser desconsiderada entre os alemães.
A arquidiocese de Malines-Bruxelas também foi muito influente internacionalmente enquanto exportadora de progressismo.
Mas em termos de influência na cúria, as arquidioceses italianas, ao meu ver, ainda têm primazia: Milão, o patriarcado de Veneza, Bolonha e mesmo Nápoles. A Itália ainda tem peso.
Já entre as brasileiras, só mesmo S. Paulo. Talvez o RJ, que já foi mais considerado nos tempos de JP II, e simbolicamente, Salvador. Mas as Sés brasileiras são praticamente autocefalias à moda oriental. Não enxergo influência das arquidioeses nem mesmo em relação às dioceses vizinhas...

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