A notícia pegou até a Rede Vida de surpresa. Ontem, por volta das 18 horas e "um tiquinho", a apresentadora do telejornal tentou três vezes chamar a matéria da nomeação e... nada. Apenas um sorriso amarelo e uma desculpa "por problemas técnicos" repetida três vezes seguidas. Mau sinal!
Se nós ficamos surpresos, os gringos não ficaram atrás. Por onde a notícia foi comentada, blogs ou sites, a repercussão não foi nem um pouco boa. Os dois blogs de maior peso, o Fratres nacional e o Rorate internacional, não pouparam o novo prefeito. Foram injustos, precipitados? Creio que não.
Se nós não acreditamos na nova Dilma pró-vida, porque acreditaríamos num agora-prefeito Pró-tradição? E por que não acreditamos na nova cara da Sra PresidentA? Porque, como diz o adágio, o teu passado te condena! Dilma tem um passado claro de advogada da cultura da morte e é justamente desse passado, nunca negado e apenas disfarçado, que formamos as nossas conclusões. Dom João não tem um passado simpático a causa da reforma da reforma ou da Tradição (inclua-se nesse termo a mais ampla paleta de cores disponível para não cometermos injustiças).
Pipocam pela rede informações nada positivas sobre como Dom João tratava aos leigos e sacerdotes mais apegados a... a... aquela coisa que incomoda, como é mesmo o nome??? Ah! Sim, "Fé Católica".
Se o arcebispo Dom João era assim, como será o Pró-Prefeito Dom João?
A Congregação do Cardeal Rodé
Primeiro, precisamos saber como é o novo local de trabalho do arcebispo. A Congregação para os Religiosos cuida, dã!, dos religiosos e nós sabemos como anda a vida religiosa no mundo. Como tarefa especial, a mesma congregação está cuidando de uma visita às religiosas americanas que, pasmem, são suspeitas de promoverem o feminismo e, em alguns casos, até mesmo o aborto. Outro tema espinhoso que, mais cedo ou mais tarde, cairá nas mãos da Congregação será o futuro dos Legionários; embora a comissão de reestruturação da ordem esteja sob o olhar rigoroso do cardeal de Paolis, após o processo de revisão é muito provável que os Legionários (ou um outro nome...) voltem às mãos da Congregação para os Religiosos.

E essa super-liga tem seus motivos para essas afirmações. Franc Rodé rezou mais de uma vez a missa tradicional em público, é partidário da sobriedade litúrgica, um combatente da linha esquerdista sociopata, etc.
Para os blogueiros dessa blogosfera mais conservadora-reacionária-tradicionalista, Franc Rodé tem seus altos e baixos. Os altos já foram mencionados. Os baixos são a proximidade com movimentos carismáticos e com os Arautos do Evangelho que são sempre vistos com absoluta desconfiança desde o boom do livro do prof. Orlando Fedeli (RIP).
Cúria Beneditina e Prefeito Brasileiro?
A Cúria do Papa Bento XVI manteve por alguns anos a mesma fisionomia da cúria de JPII. O novo papa foi mudando devagar e, nos últimos dois, acelerou o passo e trocou todos os prefeitos (exceto Rodé) por novos bispos alinhados ao seu pensamento. Deixaram o palácio vaticano nomes como Arinze, Ré, Sodano, Saraiva Martins, Cordes, Sepe, Kasper, Marini, Martino e muitos outros, em cargos de primeira ou segunda linha. Bento XVI renovou mais de 80% da alta Cúria.
Por isso a nomeação de um brasileiro foi tão espantosa. Dedução e conjecturas já estão aparecendo. A nomeação de um bispo na linha do cardeal Rodé não agradaria ao lobby progressista norte-americano que está na defesa das freiras transviadas, muito menos ao lobby brasileiro que, crendo ser a Cúria uma espécie de ONU, quer ser representado num cargo de primeira linha.
Essa é a segunda vez que Bento XVI surpreende com um brasileiro em Roma. A primeira e, até então, única foi com o cardeal Hummes. Removido de São Paulo para minimizar o impacto da sua administração da mais importante arquidiocese da América do Sul. Pelo menos é o que dizem o pessoal nos blogs, mas eu não acredito que tenha sido isso. Tiraram Hummes e colocaram Dom Scherer! É como estar Cuba, sai um Castro, entra outro.
A transferência do cardeal Hummes parece ditar o destino da atual Congregação para os Religiosos. O cardeal Hummes sucedeu ao potentíssimo e muito amado cardeal Hoyos. Sua missão, na teoria, seria gerenciar os graves escândalos de pedofilia que estavam surgindo novamente na Igreja, dessa vez na Irlanda e Alemanha. O que o cardeal Hummes fez? NADA. A bola foi passada latae sententiae para a Congregação para Doutrina da Fé. Até o Pe. Lombardi se pronunciou mais sobre o tema que o Prefeito dos padres. A figura de Hummes em Roma foi puramente decorativa, nem no Ano Sacerdotal ela causou algum impacto.
O mesmo pode acontecer com a Congregação do cardeal Rodé. Os religiosos podem acabar nas mãos de uma série de comissões "ad hoc" e a figura do prefeito servirá apenas para reconhecer estatutos e conceder títulos. Ou Dom João fica por lá alguns anos e volta como cardeal arcebispo para alguma diocese.
Brasil, como vai você?
Para fazer justiça, temos sim no Brasil bispos que são muito ortodoxos. Embora estes totalizem menos de 1% do universo episcopal. Um nome brasileiro em linha com o trabalho desenvolvido pelo cardeal Rodé e afinado com o Santo Padre ainda não é viável. Os bons bispos brasileiros são de uma safra jovem, para comparar com o vinho. A maioria deles está em dioceses pequenas e a pouco tempo (menos de 5 anos). Um nome que julgaria forte e bem sintonizado seria do bispo de Garanhuns, Dom Fernando Guimarães. Mesmo tendo a experiência de anos na Cúria Romana, Dom Fernando tem apenas dois (bons, ótimos, excelentes!) anos como bispo. Dom Antonio Carlos R. Keller também é um jovem bispo, pouco mais de 2 anos de ministério episcopal. Além destes me foram sugeridos outros nomes pelo Rafael Vitola do Salvem a Liturgia!
Administrador de Campos. A condição tão peculiar de Dom Fernando o impede de ocupar qualquer outro cargo. Evidente que o Santo Padre pode nomear qualquer bispo para qualquer função, mas há regras não escritas na administração da Igreja que raramente são quebradas. Dom Fernando é bispo de uma diocese especial, tendo padres espalhados por várias dioceses. É um caso todo peculiar, baseado não no território, mas na liturgia. Sem contar que a nomeação de Dom Rifân como prefeito causaria muita comoção no mundo. Podem imaginar?
Dom Henrique Soares da Costa
Tem 46 anos. Bispo há 1 ano e pouquinho. Excelente sacerdote, excelente bispo. A+, nota 10. Mas a idade... jovem demais para o universo episcopal, ainda mais para prefeito.
Dom Aldo Pagotto
Acho que a nomeação de Dom Aldo cairia quase no mesmo lugar que a de Dom João, embora Dom Aldo tenha mais prós que contras. O episódio da campanha eleitoral me deixou um pouco decepcionado com ele. O pouco peso da arquidiocese da Paraíba, com todo o respeito, dentro do universo católico não ajuda. Brasília, pelo menos, é a "capital do maior país católico do mundo". Entendeu? Tem um som melhor.
Dom Osvino José Both, Ordinário Millitar
Um nome bem viável. Mas a posição de ordinário militar não ajuda. É quase o mesmo caso de Dom Rifân. Se Dom Osvino fosse arcebispo de Belém, de BH, de Vitoria ou de alguma outra capital. Quem sabe Salvador? Fica ai a sugestão.
Temos outros, mas estão quase se aposentando compulsoriamente. Nomes como Dom Alano Pena, Jose Sobrinho, etc.
Voltando.
O trabalho do cardeal Rodé era cheio de personalidade. Será muito difícil para o novo prefeito manter o ritmo da atual congregação. Não é falar mal, mas a gente precisa ser honesto e sabemos como são administradas a maioria das dioceses brasileiras. Realismo não é maldade (a não ser se o PNDH-4 for aprovado, dai realismo vai ser crime...).
Confesso que a nomeação, totalmente sem sentido e inesperada, me deixou muito aborrecido. Eu esperava para o cargo um arcebispo ou um cardeal francês. O nome do momento seria o do primaz das Gálias, Dom Barbarin. Ou um italiano moderado como Scola, o discreto patriarca de Veneza.
Mas Deus sabe o que faz e só nos resta conformar e seguir em frente. Mesmo com pequenos refluxos, vamos digerir a novidade e torcer para algo bom sair disso tudo.