domingo, 29 de maio de 2011

Unisinos: O Golias Brasileiro

Abaixo reproduzo um texto disponível no site do Instituto Unisinos. O site do IHU já está ficando conhecido por seus textos e algumas traduções bem alinhados com o espírito despeitado do periódico progressista francês Golias. Meus comentários estão em vermelho.

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Novas liberdades para os tradicionalistas

Enquanto Bento XVI recorda a sua ligação com o Vaticano II, a Comissão Ecclesia Dei publica uma instrução em favor do missal de João XXIII.

A reportagem é de Jean Mercier, publicada no sítio da revista francesa La Vie, 19-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há razões para estar perplexo diante dos sinais enviados pela mais alta cúpula da Igreja [terror! terror!]. Na homilia por ocasião da beatificação de João Paulo II, no dia 1º de maio, o papa exaltou o Concílio Vaticano II. "Desejo mais uma vez expressar a minha gratidão ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II". Como se beatificar aquele que excomungou Dom Lefebvre e convidou as religiões a se reencontrarem em Assis [alguma vez elas já haviam se encontrado???] em 1986 não fosse um sinal suficientemente claro que o papa não irá ceder um centímetro com relação ao Vaticano II.

Doze dias depois, um outro sino toca. A Comissão Ecclesia Dei do Vaticano – encarregada dos católicos ligados à forma pré-conciliar da missa – publicou uma instrução (intitulada Universae Ecclesiae) que esclarece a aplicação do motu proprio Summorum Pontificum, de 2007, mas que vai muito mais longe em favor dos tradicionalistas [e você que pensava que a Instrução seria uma balde de água fria!]. Quatro anos atrás, o motu proprio tinha liberado a missa segundo o Missal de João XXIII, então chamada de "forma extraordinária do único rito romano", como complemento à "forma ordinária" – ou seja, a missa na língua local que segue o missal de Paulo VI.

Como uma ironia do destino para os católicos "críticos" [perfeito! A ironia do destino age normalmente assim mesmo...]– que pedem que a Igreja dê um maior poder aos leigos –, Roma reforça a possibilidade para os fiéis de reivindicar a missa de sua escolha, dando à base um poder que nunca havia tido até então! [porque nunca antes na história da Igreja os bispos precisaram ser contidos! E sobrou pra quem? Para os leigos! Na verdade, os leigos tradicionalistas se transformaram numa espécie de extensão da mão e dos olhos de Pedro] De fato, enquanto a Summorum Pontificum falava de um "grupo estável de fiéis" de uma mesma paróquia, a Universae Ecclesiae fala de um grupo de pessoas "provenientes de paróquias ou dioceses diferentes" e de grupos de pessoas "numericamente menos importantes", o que abre a porta para as demandas de um punhado de militantes. Essa disposição tira de campo a objeção oposta até agora com prazer pelos párocos e bispos [e coloca prazer nisso, um prazer masoquista!] às demandas provenientes de católicos nem sempre pertencentes a uma única paróquia.

Mas não é só isso [e não é mesmo!]. A ampliação do perímetro da missa à moda antiga é grande. Refere-se, por exemplo, a todas as situações extraparoquiais: "Se um padre se apresenta ocasionalmente com algumas pessoas em uma igreja ou em um oratório" para celebrar segundo a forma extraordinária", "o pároco, o reitor ou o padre responsável pela igreja aceitará essa celebração". Uma novidade é que o Tríduo Pascal poderá ser, assim, celebrado à moda antiga nas paróquias. Em suma, o tradicionalista, padre ou fiel, não deve mais ser uma "persona non grata".

Porém, Bento XVI considera que a restauração da missa antiga não está em contradição com um sólido apego à dinâmica do Vaticano II, como estabelece a instrução: "Os fiéis que pedem a celebração da forma extraordinária não devem apoiar nem pertencer a grupos que se manifestam contrários à validade ou à legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária, nem ser contrários ao Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja universal". Fala-se aqui de pessoas, ainda muito numerosas, que negam a validade da missa pós-conciliar [não são tão numerosas assim, pois a maioria nega a legalidade da missa pós-conciliar, uma vez que a bula Quo Primum nunca foi abolida, ou negam a ortodoxia da missa. É raro alguém negar a validade sacramental da missa de Paulo VI].

Embora o integralismo seja rejeitado, se buscará em vão, nas novas disposições, um lembrete firme à visão encorajada por Bento XVI na carta de introdução ao motu proprio de 2007, isto é, de um "enriquecimento recíproco" entre os dois ritos e, portanto, entre os fiéis das duas sensibilidades litúrgicas [na instrução há sim várias observações que guiarão a Ecclesia Dei no enriquecimento da forma antiga, embora eu acredite que nem o Papa espera que isso vá acontecer... só está lá para enfeitar o texto e dar alguma segurança aos progressistas]. O papa explicava, por exemplo, que os padres tradicionalistas não podem excluir o novo rito de Paulo VI do seu horizonte. Tudo isso está ausente do texto de 2011, [Universae Ecclesiae é uma instrução e não um novo Motu Proprio, por isso não havia necessidade de ficar repetindo, linha por linha, o que Summorum Pontificum afirmou. A instrução serve para resolver alguns problemas, mas o texto do Motu continua válido] enquanto o enriquecimento recíproco é precisamente o que falta dentro de campo. Pela primeira vez, no dia 15 de maio, o cardeal Brandmüller celebrou a missa segundo a forma extraordinária na Basílica de São Pedro, em Roma. Muito simbólico.[sim, muito simbólico e fez os progressistas, como o autor desse artigo, tremerem!]

O papa reforça a atitude ultraconservadora que assim lhe é atribuída com boa vontade? É isso também o que permita imaginar a revogação aparentemente brutal [!] do bispo australiano de Toowoomba, William Morris, no dia 2 de maio, assinada pelo seu próprio punho. O prelado foi deposto por ter falado publicamente sobre a possibilidade de ordenar mulheres em 2006 [e como afirmar que a revogação foi brutal? 2006!!!]. Mas parece que essa revogação é sobretudo a conclusão de um conflito que começou desde a nomeação episcopal de Dom Morris em 1993. O bispo rejeitava as normas referentes à confissão pessoal e preconizava as absolvições coletivas. A sua deposição foi precedida por um longo processo de diálogo e por um encontro com Bento XVI. O que atenua muito a tese da brutalidade defendida por aqueles que ainda veem um inquisidor em Joseph Ratzinger [como o autor deste artigo, certamente!].

O papa confirma a sua mão estendida aos tradicionalistas. Mas os seus gestos – a beatificação de João Paulo II e o encontro inter-religioso em Assis, em outubro próximo – provocaram a ira da Fraternidade de São Pio X, tornando a reconciliação quase impossível. Segundo as nossas informações [bem do tipo "tem gente falando"... quem está falando? Dependendo dessas fontes, retira-se a credibilidade], as negociações entre as duas partes estão em um ponto morto, e, no Vaticano, estima-se que nunca chegarão a uma conclusão positiva.

Petição - FSSP no Brasil

Está lançada na rede uma petição (aka, abaixo-assinado) pela vinda e pelo estabelecimento da Fraternidade Sacerdotal São Pedro no Brasil. Diante de tal movimento, que eu endosso, sem dúvida, não posso deixar de considerar algumas coisas:

1- Se queremos a FSSP no Brasil é porque não temos apoio especializado no clero local.
A maioria das missas tradicionais rezadas no Brasil o são através das mãos dos padres diocesanos e alguns poucos religiosos. E nesse seleto grupo há dois tipos de sacerdotes: (a) aqueles que se envolvem com o cuidado pastoral dos leigos e, por iniciativa própria ou por convicção, celebram o rito antigo e (b) aqueles que foram colocados nessa função pelo bispo ou que celebram de maneira esporádica e não se engajam na promoção do rito pré-conciliar.
Mesmo contando com padres (a) e (b), ainda há um campo enorme que precisa ser preenchido e a tendência é aumentar a necessidade deste tipo de sacerdote.
A FSSP é conhecida por todos, acredito eu, por suas iniciativas de popularização do rito antigo, por seus cursos de treinamento para sacerdotes e seminaristas e por sua natureza missionária, mesmo em grandes centros urbanos. Eles desenvolvem um trabalho pastoral zeloso.
Eles também trabalham muito com grupos de leigos, gente que deseja que a liturgia extraordinária esteja disponível a todos. Segura esse pensamento!

2 - Onde está a Administração Apostólica?
A Administração Apostólica de Campos é a única estrutura oficial que poderia, teoricamente, exercer funções semelhantes as dos padres da FSSP, do Cristo Rei, etc. Em vários locais espalhados pelo Brasil seus padres oferecem missas na forma extraordinária.
Contudo, vocês não acham que a Administração está, digamos, apagada!? É mais fácil você acompanhar o trabalho pastoral dos redentoristas de Papa Stronsay, numa ilha isolada da Escócia, que ouvir alguma notícia sobre a Administração.
Não é uma crítica destrutiva, mas eu sinto (grifem o EU) que a Administração perdeu o gás e justo agora, num momento tão favorável após 30 anos de luta.
E por que disso? Bom, temos vários motivos. (a) não podemos negar que a Administração encontra-se no pior lugar da Terra para ser uma organização ligada ao rito tradicional - A América Latina. E, para piorar, ela foi criada no capital desse continente tão arisco ao missal de João XXIII - o Brasil. A CNBB não a suporta, os bispos do Brasil, em sua maioria (mas não todos), não a veem com bons olhos. E (b), para piorar ainda mais, ela sempre se encontra envolvida num eterno combate entre tradicionalistas e conservadores, fsspx (que também não a suporta) e Montfort (que também não a suporta). Segura esse também.

3 - Há estrutura eclesial para a FSSP?
Para a FSSP se estabelecer no Brasil uma estrutura mínima é necessária. Não falo apenas de prédio para acomodar o(s) sacerdote(s), mas de uma acolhida por parte do episcopado local. Se estivéssemos falando de uma congregação ordinária, o processo se daria de forma normal, mas esse não é o caso, não é mesmo?
A vinda da FSSP traria comoção e muitos problemas ao ordinário local que a acolhesse. Como é ligada ao rito pré-conciliar, acredito que haveria uma intervenção negativa e pesada da CNBB nesse projeto.
Numa determinada diocese onde havia conflito para a aplicação do Motu Proprio, o próprio bispo local havia informado que recebera as instruções [de bloqueio ao documento papal] do Núncio!!! Imaginem só se algum bispo vai contra o infalível Núncio!
O bispo que pensar em trazer a FSSP para o Brasil precisará passar por cima de um colégio inteiro de bispos, por cima do Núncio e, num futuro próximo, sofrerá as retaliações por isso. Guarda isso com você.
Houve um rumor que a FSSP foi sondada por Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, mas nunca mais se ouviu nada sobre isso. Dom Orani teria mais força para resistir, uma vez que será cardeal em breve, mas mesmo assim tenho as minhas reservas. Para ele, objetivamente falando, o esforço valeria a pena? Só Deus sabe a resposta...

4 - A FSSP não tem experiência na América Latina
A FSSP se estabeleceu com força nos EUA, França, Itália e Alemanha. Tem uma presença importante, embora menor, na Inglaterra, Canadá, Suíça, Polônia, Irlanda, Áustria, Nigéria, Nova Zelândia, Austrália.
A FSSP parece se dar muito melhor nos países de região mais anglo que nos países ligados à península ibérica. Prova disso é a inexistência da FSSP em Portugal, Espanha, Argentina, Brasil, Chile, etc. Há uma missão na Colombia, bem simples, e a casa da FSSP no México só existe pela proximidade geográfica com os EUA, onde a fraternidade tem sua força estrutural e financeira.
A Igreja latino-americana não apresenta condições mínimas para grupos religiosos tradicionalistas. Parte disso se deve ao histórico desastroso e penoso da Teologia da Libertação nesse continente. Uma das muitas heranças da TL foi a aversão a tudo o que é tradicional (isso e as igrejas políticas, o PT, a pastoral da Terra, o CMI, o MST, as subversão da fé, o crescimento das seitas, o abandono da missão, etc, etc).
Na verdade não é dizer que falta experiência da FSSP em terreno pedregoso, porque a França não é fácil também... Falta uma cultura católica no nosso continente que dê apoio aos organismos tradicionalistas, não é um problema só da FSSP. E essa cultura falta precisamente nos tradicionalistas! Vencer resistências no episcopado pode não ser o pior dos desafios; sobreviver aos tradicionalistas latino-americanos e, especialmente, os brasileiros é. Mais um pra você segurar.

Resumo da ópera.

Vamos ver o que eu pedi para você guardar:

  1. Eles [a FSSP] também trabalham muito com grupos de leigos, gente que deseja que a liturgia extraordinária esteja disponível a todos.
  2. Para piorar ainda mais, ela [a Administração Apostólica] sempre se encontra envolvida num eterno combate entre tradicionalistas e conservadores, fsspx (que também não a suporta) e Montfort (que também não a suporta).
  3. O bispo que pensar em trazer a FSSP para o Brasil precisará passar por cima de um colégio inteiro de bispos, por cima do Núncio e, num futuro próximo, sofrerá as retaliações por isso.
  4. Falta uma cultura católica no nosso continente que dê apoio aos organismos tradicionalistas, não é um problema só da FSSP. E essa cultura falta precisamente nos tradicionalistas! Vencer resistências no episcopado pode não ser o pior dos desafios; sobreviver aos tradicionalistas latino-americanos e, especialmente, os brasileiros é.

Infelizmente o laicato tradicionalista brasileiro é muito, mas muito ruim! Esmaga qualquer "experiência da Tradição" com picuinhas, polêmicas inúteis, problematizações ainda piores. Sinceramente eu não sei de onde isso vem, tenho cá minhas desconfianças, mas prefiro guarda-las para mim.

Não preciso lembrar o caso do Instituto Bom Pastor que desembarcou nessas terras com esperança e sumiu com a mesma velocidade, sacudindo a poeira dos pés. Preferiram enfrentar bispos franceses, absolutamente liberais, que receber ajuda de leigos brasileiros. Acredito que, se não houver uma mudança radical de postura, acontecerá o mesmo com a FSSP.

Após se estabelecer aqui, ela seria atacada pelo clero diocesano local, pela CNBB, pela FSSPX e seria instrumentalizada por outros grupos. Ficaria isolada em si mesma, sufocada por ataques de todos os lados.

A incapacidade dos leigos brasileiros é tão patente que podemos ver o exemplo da própria FSSPX que, há anos por aqui, é tão pequena. A FSSPX tem priorados mais eficiente em países como Índia, Singapura, Japão, etc. que no Brasil, o maior país católico do mundo e onde, teoricamente, seria mais fácil. Novamente, fome e pobreza parecem desafios menores que os terríveis leigos tradicionalistas brasileiros.

Os tradicionalistas e conservadores preferem mais uma eterna luta virtual de posições, infrutífera para a salvação das almas, que colocar as mãos na massa, arregaçar as mangas e trabalhar duro pela fé reta no país.
Quando você propõe algo desse tipo - e acreditem, eu propus - você esbarra numa muralha estúpida tão alta de preconceitos que não dá pra acreditar.

Para não ficar muito longo, não acredito numa sobrevivência duradoura da FSSP no Brasil. Não há estrutura para isso, por enquanto. Não há leigos maduros o suficiente para isso, por enquanto.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Há Bispos e... bispos

Bispos, como flocos de neve, podem parecer todos iguais, mas não são. Há na Igreja uma infinidade desses homens que, pela imposição das mãos, entraram para a fraternidade dos apóstolos como seus sucessores.

Há bispos que se tornam monarcas absolutos, tiranizando o clero e subvertendo opiniões contrárias. Outros, entretanto, são tão humildes que poderiam passar, sem problemas, por pobres párocos de vila.

Há bispos que procuram servir, até o limite das suas forças, o rebanho. Alguns querem ser servidos.

Enfim, o bispado é uma verdadeira força sobrenatural cuja potência jamais conheceremos profundamente!

Hoje tivemos conhecimento de dois exemplos extremos que sublinham com força essa natural bipolar. Dois cardeais e a missa tradicional - duas posturas completamente diferentes.

O primeiro caso é o do arcebispo de Boston, Dom Sean Patrick O'Malley, OFM cap, que confirmará algumas pessoas segundo a forma extraordinária do sacramento, na sua própria catedral no próximo dia 4 de junho.

O segundo é o do cardeal alemão e ex-presidente da Conferência de Bispos da Alemanha, cardeal Karl Lehman que, quando perguntado se faria o mesmo [confirmar segundo a forma extraordinária] afirmou que  "Eu não o farei" porque, embora a o Santo Padre peça que esta liturgia esteja disponível, seria ir longe demais e que uma confirmação no rito antigo é "sem sentido" [nonsense].

Muitos bispos já confirmaram leigos usando a liturgia antiga, inclusive alguns que publicamente já haviam demonstrado algum nível de desconforto com essa forma. Não se entende, entretanto, como um bispo, um cardeal criado pelo próprio Papa, possa emitir uma opinião contraproducente. Se pensarmos na Igreja como uma empresa (péssimo, eu sei, mas façamos o esforço) e um dos executivos vai a público afirmando que o plano de gestão do presidente é sem sentido, o que lhe aconteceria? Demissão, por causa justíssima, e a perda da sua credibilidade como profissional. No mundo eclesial acontece justamente o contrário, contrariar o Papa é a regra e garante algum prestígio.

Talvez a Igreja devesse adotar certas práticas do mundo corporativo que, por sua radicalidade, serviriam para purgar o colégio episcopal. Contudo, não posso deixar de pensar que, por ter sobrevivido por 2 mil anos, a Igreja deve ter encontrado formas mais eficientes...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Papa confirma eleição de arcebispo siro-malankarese

Nicole Melhado
Da Redação, com Boletim da Santa Sé (Tradução: equipe CN Notícias)


O Papa Bento XVI, em conformidade com Código Canônico da Igreja Oriental, confirmou a eleição de Dom George Alencherry como Arcebispo Maior de Ernakulam-Angamaly, na Índia.

Dom George Alencherry nasceu em 19 de abril de 1945 em Thuruthy e foi ordenado em 1972. Completou seus estudos no Pontifício Seminário São José de Alwaye e fez doutorado no Instituto Católico de Paris, onde se especializou em catequese.

Ao retornar de Paris, foi responsável pelo Centro Catequético de Changanacherry e depois da Pastoral Orientation Centre, Cochin. É docente em Pastoral Counselling e Teologia Sistemática na Faculdade de Paurastya Vidyapitham, Pontifical Oriental Institute of Religious Studies de Vadavathoor, Kottayam.

Foi Vigário Geral de Changanacherry e em 11 de novembro de 1996 foi nomeado Bispo de Thuckalay e recebeu a ordenação episcopal em 2 de fevereiro de 1997.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Pior dos Símbolos (para os liberais)


Na audiência geral de hoje, Bento XVI recebeu um presente que gelou o sangue dos mais audaciosos progressistas católicos - uma tiara papal.
Ah! Houve choro e ranger de dentes nas redações das publicações europeias como The Tablet e Golias. Os reporteres da CNBB evitaram mencionar o fato, rasgando as vestes e tosquiando os cabelos. Luto no orbe anti-católico eclesial.
A tiara, símbolo de um passado já superado. A tiara, ícone do poderio pontifício que nos remete, mais recentemente, aos Papas anti-modernistas "Pios"! A tiara!
E como se não bastasse o objeto em si, ela foi dada por um grupo de católicos e... Ortodoxos! Que ecumenismo "corrupto" é esse que faz ortodoxos coroarem o bispo de Roma!? Tempos estranhos, diriam esses anti-católicos liberais. Ortodoxos fazendo uma coroa para o Papa, isso sim é ecumenismo, com um novo foco; nem mesmo a FSSPX ousou confeccionar tal presente, mas alguns poucos leigos ortodoxos o fizeram. Bravo!
Contudo, sejamos realistas. Este foi um presente de um grupo de leigos e certamente não reflete a posição da Igreja Ortodoxa (Búlgara) em relação ao catolicismo.
João Paulo II também teve uma tiara e nunca a usou. Duvido que Bento XVI a use, porque seria radical demais, mas é bom saber que, se precisar, ela está lá.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dom Guido Pozzo?

Segundo o site tradi-friend (!!!? Jamais!) Golias, o Papa estaria para nomear Mons. Guido Pozzo, secretario da Comissão Ecclesia Dei, como bispo. Essa nova posição seria muito relevante com seus novos "poderes" de interferência direta nas dioceses em caso de conflito com os bispos menos, digamos, generosos com Summorum Pontificum e lentos no entendimento de Universae Ecclesiae (ah, e são tantos!). A conversa seria entre bispos, o conferiria autoridade apostólica ao monsenhor!
É esperar pra ver. Torcemos pra isso.

Fiéis Católicos de Ribeirão Preto... e de todo lugar!

O Filme é sempre o mesmo!

Abaixo transcrevo uma mensagem enviada pelo grupo de leigos de Ribeirão Preto que, por grande força de fé, luta pela missa no caloroso território de Arquidiocese de Ribeirão Preto (e não é brincadeira... Ribeirão Preto é muito quente!!!).
Reproduzo o texto do Fratres In Unum, com comentários em vermelho.

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Caríssimos irmãos na Fé, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Nosso Redentor mostrou-se como uma só pessoa com a Santa Igreja, que ele assumiu” (Papa Gregório Magno, Mor. Praef. 1,6,4).

“Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja por Mãe” (Cipriano de Cartago, Da Unidade da Igreja).

Lendo alguns comentários feitos sobre a I Cruzada da Arquidiocese de Ribeirão Preto, sentimo-nos na obrigação de esclarecer alguns pontos obscuros sobre toda a polêmica.

Nosso pequeno grupo foi formado com o intuito de juntos, buscarmos uma formação sólida e verdadeiramente católica, baseada na doutrina que sempre foi ensinada ao longo dos séculos. Não por menos, somos tidos como católicos “tradicionais”.

Não queremos entrar na discussão do Concílio Vaticano II, que nas palavras do então cardeal Ratzinger, “não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se em um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; entretanto, muitos o interpretam como se ele fosse o super dogma que tira a importância de todos os demais Concílios”. (Cardeal Joseph Ratzinger,Alocução aos Bispos do Chile, em 13 de Julho de 1988, in Comunhão e Libertação, Cl, año IV, Nº 24, 1988, p. 56. Negrito meu).

Esse tema deve ficar a cargo de pessoas especializadas, contudo, é evidente que há contradições gritantes entre o que sempre foi ensinado, e que foi proposto de forma pastoral pelo Concílio, e essas contradições e ambiguidades também alcançam o culto da Igreja. [é uma postura muito sensata a do Grupo São Pio X, GSPX. Devemos deixar a grande discussão para a Igreja que, certamente, tem peritos mais competentes que nós. Contudo, entretanto, todavia... se o assunto está sendo discutido isso significa que ainda não foi possível alcançar um ponto conclusivo, correto? Então, corrijam-me se estiver errado, onde não há uma decisão final, há espaço para posições pró e contra. Como católico foi me dado o dom exclusivo e único de ter e professar uma doutrina clara, sem pontos de discussão. Vários bispos da Igreja e grandes sacerdotes, hoje, mostram pontos graves de contradição ou, pelo menos, confusão no Vaticano II e nem por isso estão fora da Igreja]

Continuando, formamos nosso grupo para estudarmos a doutrina anterior ao Concílio Vaticano II [! Sim, porque havia vida antes do Vaticano II, mesmo com alguns sacerdotes se esforçando para nos convencer do contrário], e a partir desse estudo analisarmos a atual situação do mundo e especialmente da Igreja pós-conciliar. Entretanto, nem só de pão vive o homem, é preciso mais, é preciso a força da oração e dos sacramentos, é preciso a santificação da alma, e por isso, recorremos em 2007, antes da publicação do Motu Próprio, ao nosso Arcebispo, Dom Joviano de Lima Junior SSS, para lhe solicitar a autorização para que pudéssemos ter em Ribeirão Preto, o Santo Sacrifício na forma extraordinária. Estávamos dispostos, inclusive, a custear a vinda de um padre de outra região, caso não houvesse nenhum sacerdote em condições de celebrar de forma adequada [lembrando que mesmo sendo num momento pré-motu proprio tínhamos outros documentos da Igreja que apelavam à generosidade do bispo].

De forma abrupta, Dom Joviano recusou nossa petição, alegando que queríamos causar um cisma na Igreja particular de Ribeirão Preto.Imaginem como tudo parece hilário, 15 pessoas destruindo toda a Arquidiocese [tradicionalistas são armas de destruição em massa!], quando todos sabemos que não há mais nada a ser destruído, pois os mesmos prelados que proíbem que seja celebrado o Santo Sacrifício na forma que santificou grandes homens e mulheres e converteu multidões, são os mesmos que autorizam celebrações que chamam carinhosamente de missas sertanejas, missas afro, missas para animais e com fantoches, e cujos frutos todos conhecemos: aumento do protestantismo, secularização da sociedade, perda da sacralidade da Missa, escândalos e mais escândalos [Isso é a regra em todas as dioceses onde há resistência ao Motu Proprio. Você nunca verá uma diocese com vida litúrgica ordinária piedosa e que se recusa acolher a liturgia anterior, extraordinária. É onde pipoca o abuso litúrgico que há maior a resistência. É igual à minha diocese].

Tudo isso nos faz recordar o que São Remígio disse no batismo de Clóvis, rei dos Francos: “Abaixa a cabeça, ó sicâmbrio! Adora o que queimaste e queima o que adoraste”.

Hoje fazem o contrário, queimam e odeiam o que sempre foi doutrina da Igreja, e adoram tudo que é moderno e nefasto.

Com a publicação do Motu Próprio, tentamos marcar uma nova reunião com o Arcebispo, mas, por motivos de saúde Dom Joviano não pode nos atender e tivemos que deixar uma petição escrita na Cúria Arquidiocesana. Nunca recebemos uma resposta [a boa e velha consideração paterna e amora dos prelados da civilização do amor!].

Sendo assim, cansados de vermos nosso direito de assistir o rito na forma extraordinária ser recusado, e de vermos a desobediência latente de nossos prelados para com a pessoa do Papa [qual dos dois machuca mais é difícil dizer!], encaminhamos uma carta à Comissão Ecclesia Dei, relatando em detalhes como se deu a primeira reunião com o Arcebispo.

Junto com a carta, encaminhamos um dossier com relatos de abusos litúrgicos cometidos na Arquidiocese. A resposta não veio.[e sinceramente, creio que nao virá. No fundo o Vaticano não vai contra o bispo, exceto quando os leigos são de língua inglesa e têm apoio da Una Voce, porque daí o circo é postado em grandes blogues de repercussão global, como o Rorate e o WDTPRS e outros... Fiéis de língua portuguesa, mergulhados no lamaçal da libertação não recebem a mesma consideração. Sem contar que Dom Joviano é arcebispo e era chefe da liturgia da CNBB!]

Em 2011, no mês de março marcamos uma nova reunião com Dom Joviano. De início, o Arcebispo se mostrou muito receptivo [já vi esse filme, ao vivo], ouviu atentamente que não queríamos de modo algum causar problemas [por aqui falamos o mesmo], e que estávamos dispostos a colocar em prol da Igreja de Ribeirão Preto, toda nossa capacidade e conhecimento [é um mini-flashback!], e que queríamos que nos fosse garantido o direito de freqüentar a Santa Missa na foram extraordinária.

Alegamos também que nossa demanda não se tratava de puro saudosismo [no meu caso, além do saudosismo, precisamos explicar que nosso desejo não era "folclore"... nosso bispo achava que a missa na forma extraordinária e, sei lá, a Cuca e o saci estavam no mesmo contexto!], mas sim de uma necessidade espiritual sólida de todos os membros do grupo.

Para nossa surpresa, Dom Joviano alegou que havia recebido uma carta da Comissão Ecclesia Dei que lhe dava autoridade para julgar a petição [WTH? Julgar??? Um decreto do Papa?] e decidir sobre o caso, e que a questão tinha sido analisada pelo Conselho de Presbíteros que julgou de forma unânime que não deveria ser autorizada a celebração da Santa Missa. A resposta foi NÃO.

Tentamos contra argumentar, alegando que tudo não passava de uma injustiça, já que como já dissemos, em Ribeirão Preto, há um verdadeiro caos litúrgico sem nenhuma intervenção do Arcebispo.

De forma seca, Dom Joviano encerrou a reunião dizendo que já havia nos dado a resposta.

Gostaríamos de compartilhar a frustração que sentimos, mas não há palavras que descrevam tamanha infelicidade. ´[só quem viveu uma situação semelhante sabe como isso é deprimente, porque embora você já entre preparado para ouvir o pior, quando você efetivamente ouve o pior você não consegue acreditar! É uma coisa paralisante ver e ouvir o seu bispo, uma pessoa que deveria viver e morrer pela salvação das almas, sendo mesquinho, autoritário, prepotente e, de certo modo, cismático com o Papa. A sensação que fica é de uma impotência misturada com decepção. Realmente isso destroça a nossa alma]

Mas, a luta continua, e fizemos uma nova carta à Comissão Ecclesia Dei pedindo esclarecimentos sobre o ocorrido, do porque não tínhamos recebido uma resposta, e porque foi dado ao Arcebispo o poder de decidir sobre uma matéria tão delicada. Estamos aguardando a resposta [e já veio... chama-se Universae Ecclesiae].

Obviamente não podemos afirmar nada sobre o que foi acertado entre o Arcebispo e a Comissão Ecclesia Dei, não tivemos acesso ao corpo do texto, contudo, o sentimento de desconfiança é latente.

Por tudo isso meus amados irmãos, recorremos à intercessão da Santíssima Virgem, pois, se antes já clamávamos por Maria, agora nosso clamor será redobrado, porque não queremos partir para ataques levianos e nem à soluções fáceis, queremos apenas permanecer católicos.

Gostaríamos de manifestar também, que recebemos com bom grado os comentários de alguns de nossos irmãos sobre a FSSPX. Quanto a isso só podemos dizer duas coisas: Temos uma grande consideração pelo trabalho feito pela Fraternidade São Pio X, contudo, precisamos, por questão de consciência, esgotar todas as possibilidades legais possíveis.

Nosso grupo é pequeno, somos em torno de 20, 25 pessoas, que trabalham, estudam, e que mal encontram tempo para se reunir, e é justamente por isso que estamos realizando um ciclo de palestras, http://catolicosribeirao.blogspot.com/p/ciclo-de-palestras-2011.html.

Esperamos, portanto, ter esclarecido alguns pontos sobre a questão, e convidamos todos a acessarem nosso blog para postarem suas intenções http://catolicosribeirao.blogspot.com/2011/05/primeira-cruzada-de-rosarios.html.

Obrigado a todos e que Deus nos ajude!

“AD MAJOREM DEI GLORIAM“

terça-feira, 17 de maio de 2011

(Site da) CNBB Ignora a Existência de Summorum Pontificum


Summorum Pontificum foi publicado em 2007, poucos dias após a visita histórica do Papa Bento XVI ao Brasil.

Estamos próximos do dia em que o documento comemorará 4 anos de existência histórica e, para usar uma palavra muito desgastada nos meios católicos modernos, "profética". Contudo, como já escrevi anteriormente, parece que os bispos brasileiros não estão atentos ao documento, ou melhor, eles ignoram por completo sua existência.

No site da CNBB não há uma única referência nos seus arquivos sobre o documento, após 3 anos e 10 meses! Absolutamente nada, nenhuma nota, nenhum comentário, nenhum pronunciamento oficial.

Como vocês bem sabem, a conferência de bispos da Alemanha reagiu prontamente à publicação da instrução Universae Ecclesiae, embora num tom jocoso e desafiador. Uma reação ruim é melhor, contudo, que reação alguma.

Há apenas  dois sites oficiais das Conferências Episcopais da América do Sul com referências diretas ou indiretas ao Motu Proprio de 2007: as páginas chilena e boliviana. O site chileno é tão exemplar que há até uma carta aos "nuestros amados pastores" sobre Summorum Pontificum. Há ainda uma tradução para o espanhol do Motu Proprio (lembrando que nem no site da Santa Sé há essa tradução), várias notícias sobre o mesmo e até algumas sobre a Universae Ecclesiae. Parabéns ao Chile!

Mas o Chile é exceção, a maior parte dos sites das conferências do CELAM segue a linha da CNBB de ignorar o grande documento de Bento XVI e isso, é claro, se reflete na forma como Summorum Pontificum é tratado nas dioceses.

A esmagadora maioria dos católicos não está em condições de escolher, se podemos colocar dessa forma, qual forma do rito romano lhes é particularmente adequada porque falta informação. Os bispos e boa parte do clero contribuem com essa operação de desinformação, mantendo o Motu Proprio em absoluto sigilo. Você não pode escolher entre A e B se não souber, primeiramente, que existe a opção B!

Até quando essa desinformação reinará? Bom, no caso específico do Brasil, creio que por muito tempo, muito tempo mesmo. O país do futuro está sempre atrasado e, considerando as revoluções recentes na CNBB, sabemos que continuará assim.

Rezar é importante e fundamental, mas não exime da ação. Rezar por bons pastores e pelo Papa é algo que todos nós devemos fazer, mas precisamos agir de forma eficaz para derrubar essa muralha da ignorância que existe em nossas dioceses. Se mais pessoas souberem da forma extraordinária e como essa forma é importante para a vida da Igreja, estaremos contribuindo direta e eficientemente para uma mudança inevitável na CNBB e na estrutura mais fundamental da Igreja do Brasil.

Conhecimento leva à liberdade! Iniciemos uma nova era da Iluminação!

domingo, 15 de maio de 2011

Dioceses Ignoram Existência de Universae Ecclesiae

Por enquanto...

Não podemos nos enganar e achar que a Instrução Universae Ecclesiae está ai só para complementar Summorum Pontificum e esclarecer pontos onde os piedosos bispos encontraram dificuldades em aplicar o Motu Proprio. Não!

O documento foi publicado para pressionar muitos prelados em todo o mundo que se recusavam, através dos mais esdrúxulos artifícios, aplicar as diretrizes do Motu de 2007. Claro que ele também ajudou a clarear algumas coisas para os bons bispos que, de bom coração, tentavam harmonizar a vida diocesana.

Mas parece que a coisa vai se repetir exatamente como aconteceu em 2007. Os bispos do Brasil vão simplesmente ignorar a existência de tal documento e do direito dos leigos e sacerdotes.

Em 2007 praticamente cinco sites das dioceses reportaram a existência de Summorum Pontificum e esse número não cresceu muito depois de 3 anos. Manter o segredo é a alma da resistência dos bispos! "Não comente, nem com uma pequena nota, porque se os leigos souberem, os leigos vão querer".

Na minha diocese, por exemplo, em nenhum site paroquial, nem na página da diocese há uma referência ao Summorum Pontificum. O jornal diocesano também fez-se de surdo e mudo.

Universae Ecclesiae ainda é fresca, mas nenhum site diocesano do Brasil o divulgou (até agora, 15/05). Ou melhor, dois sites publicaram.

A catedral de Campina Grande (reproduzindo artigo do Zenit) e os Arautos do Evangelho.
O site da CNBB ignorou a publicação, é claro.

Também sejamos justos, normalmente os sites diocesanos não são atualizados instantâneamente e a publicação saiu numa sexta-feira, o que não ajuda. Os bispos, por sua vez, estão congregados no Santo Sínodo em Aparecida e uma reação imediata tamém não era esperada.

Mas fiquemos de olhos e mouses bem ativos nos seguintes sites:

Arquidioceses de

  • São Paulo
  • Rio de Janeiro
  • Olinda Recife
  • Salvador
  • Ribeirão Preto
  • Belo Horizonte

Além do site da CNBB, em todas as suas regionais.

Aberrações em BH

O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor, é o presidente da comissão para Doutrina da Fé da CNBB. Na teoria, Dom Walmor dirigiria o departamento da conferência encarregado de ser o eco da ortodoxia católica no nosso país, trabalhando afinado com a Congregação para Doutrina da Fé em Roma. Isso na teoria...

Na prática, contudo, a história é outra e muito diferente. A arquidiocese de BH padece dos mesmos problemas que muitas dioceses brasileiras, inclusive a minha. Para quem acompanha os programas da TV Horizonte (da Arquidiocese) os problemas ficam claros.

As missas transmitidas pela Tv Horizonte são provas mais que suficientes da falta de controle na arquidiocese. Cada um é um papa absoluto por lá e a sobriedade litúrgica passa longe... Tanto que não ouvimos qualquer bom exemplo litúrgico vindo de BH.

Lembro-me uma vez de ter assistido a uma missa pela TV Horizonte com tantos cálices (de vidro) que parecia mais uma festa de reveillion que missa!

Embora o ordinário não seja um partidário da teologia da libertação, boa parte do clero (pelo menos daqueles que estão na TV) adere a esta ideologia.

O que nos chega pelo amigo Pedro Henrique não nos impressiona. É triste ver como a liturgia se transforma num instrumento mundano, criado para satisfazer a própria comunidade, ignorando os séculos que a precederam. Prova tácita do orgulho.

Vendo a liturgia enviada pelo Pedro Henrique - Novus Ordo Mineirus - vem à mente as palavras do bispo auxiliar de Aracaju, Dom Henrique, sobre a liturgia. Recomendo que vejam o vídeo dele no youtube.
Manifestemos a insatisfação pelas deformações na liturgia ao senhor arcebispo, embora eu não acredite que surtirá um efeito, por isso escrevam diretamente ao Vaticano.

Vídeo Missa Solene em S. Pedro

O Otimismo de Pe. Lombardi sobre Universae Ecclesiae



"No que se refere à língua latina, é necessário um conhecimento de base, que permita pronunciar as palavras de modo correto e de entender o seu significado" (cf. Universae Ecclesiae, nº20 b)

"É difícil encontrar padres que conheçam esta liturgia. Que conheçam todos os gestos particulares, porque é difícil e, se não tiver praticado por um tempo, é difícil aprender. Você tem que estar muito familiarizado com o latim e saber como eles celebram. " (cf. Pe. Frederico Lombardi na coletiva de Imprensa na apresentação da Instrução UE)

Criatividade Interpretativa

É impressionante como o trabalho dos peritos em Direito Canônico do Vaticano deve ser frustrante. Escrevo isso porque não importa o quão claro eles tentem ser, sempre alguém tenta distorcer algumas coisas.

A instrução Universae Ecclesiae nem teve tempo de secar a tinta no papel e alguns sites católicos já lhe aplicam uma interpretação totalmente nova, distanciada da realidade recente da Igreja.

Um deles foi o Zenit, ligado aos Legionários de Cristo. Num texto mais ou menos, o Zenit coloca a seguinte "interpretação" sobre o documento, num dos pontos que dará mais trabalho aos tradicionalistas junto aos seus bispos diocesanos. Eis a interpretação:

A Instrução adverte que “os fiéis que pedem a celebração da forma extraordinária não devem apoiar nem pertencer a grupos que se manifestam contrários à validade ou à legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária, nem ser contrários ao Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja universal”.


Quer dizer, os fiéis ou grupos que não estão em comunhão plena com a Igreja católica, ou que rejeitam a reforma litúrgica realizada após o Concílio, não podem em nenhum caso exigir que se lhes deixe utilizar uma paróquia ou lugar de culto.

Eu entendi que os leigos não devam apoiar tais ideias, mas isso não significa que "os fiéis ou grupos que não estão em comunhão plena com a Igreja católica, ou que rejeitam a reforma litúrgica realizada após o Concílio, não podem em nenhum caso exigir que se lhes deixe utilizar uma paróquia ou lugar de culto". Vejam como o Zenit foi criativo na interpretação!

A instrução não quer, sejamos claros, fiéis pertencentes ao sedevacantismo e esta é a interpretação mais correta que uma pessoa, com algum sinal de lucidez, consegue alcançar. O item 19, justamente onde se pede que os fiéis não pertençam aos grupos sedevacantistas ou neguem a legitimidade de missa nova, não prevê qualquer tipo de sanção, muito menos são proibidos, pelo texto da Universae Ecclesiae, de usar algum lugar de culto.

A interpretação da Zenit se liga diretamente aos fiéis da Fraternidade de São Pio X, porque a agência de notícia escreve (adicionando ao texto papal, um costume bem ao estilo dos bispos que imprimiam normas adicionais para impedir o efeito do Summorum Pontificum) "os fiéis ou grupos que não estão em comunhão plena com a Igreja católica". O termo "comunhão plena" não aparece uma única vez no texto oficial nem nas suas diversas traduções. 

Sabemos que esse conceito de comunhão plena se aplica costumeiramente, pela Santa Sé, aos membros do clero da FSSPX. Ressalto que se aplica ao clero da fraternidade (incluindo os bispos) que se encontra canonicamente irregular, por isso a expressão "não estar comunhão plena". Os fiéis da Fraternidade são católicos como outro qualquer, incluindo o Papa, eu, você e os jornalistas da Zenit.

A FSSPX não é uma Igreja paralela, um cisma ou qualquer coisa do gênero. E mesmo se fosse - coisa que não é - poderia gozar da gentileza ecumênica de muitos padres e bispos que, sem qualquer cerimônia, oferecem locais católicos para cerimônias de hereges ou cismáticos.

Mais adiante no artigo, lemos:

Todo sacerdote pode celebrar na forma extraordinária, sempre que não esteja impedido canonicamente, entre outros casos, porque sua ordenação não seja legítima ou porque esteja suspenso a divinis ou outros casos previstos pelo Código de Direito Canônico. De novo isso exclui, por exemplo, os sacerdotes da Fraternidade São Pio X e outros grupos sismáticos (sic).

Reparem no "de novo" usado, uma referência que a afirmação que citei acima era direcionada aos lefebvristas.

Sim, os padres da Fraternidade estão suspensos e suas ordenações ocorreram de forma marginal, do ponto de vista canônico. Mas a Igreja (e não a Zenit) não vê essa situação tão "preto no branco" assim. Durante a peregrinação dos membros da FSSPX à Roma, no ano 2000, os padres e bispos da Fraternidade puderam contar com a estrutura das Basílicas romanas para as suas missas. Estavam tão suspensos ontem quanto hoje e, com um agravante, no ano 2000 ainda pesava a sombra da excomunhão, revogada muitos anos depois por Bento XVI.

Em Lourdes os bispos puderam usar as estruturas católicas "oficiais", em Lisieux também. Então, caros amigos da Zenit, é preciso analisar a história recente antes de emitir normas apostólicas em seu site!

A Zenit julga-se no direito de emitir normas complementares nos decretos pontifícios e o faz delirantemente!

É claro que essa interpretação da Zenit não é uma coisa isolada, mas um sinal de como, mesmo com um texto claríssimo, os bispos contrários à forma extraordinária podem, mais uma vez, tentar atravancar o caminho dos fiéis. Basta classifica-los como membros ou apoiadores desses " grupos que não estão em comunhão plena com a Igreja católica". E por "grupos que não estão em comunhão plena" vocês verão uma longa lista, desde a FSSPX até a Montfort. Preparem-se!

Bispo Brasileiro chama defesa da vida de "besteira"

Hoje foi publicado no site do jornal Correio do Brasil (CdB) um artigo assinado por Gilberto de Sousa, com um texto asqueroso sobre as eleições na CNBB e a conjuntura politica no país. Recomendo a leitura do artigo todo, mas destaco alguns pontos.
O que me chamou a atenção foi uma fala, supostamente atribuída ao bispo Dom Waldyr Calheiros (emérito de Barra do Piraí e Volta Redonda). Eis o trecho, com grifos meus:

***
Dom Waldyr
O bispo D. Waldyr Calheiros Novaes, da Diocese de Barra do Piraí e Volta Redonda, em entrevista exclusiva ao CdB, neste sábado, ao analisar o atual quadro político nacional e seus reflexos na Igreja Católica, definiu o pleito na Conferência como um reflexo das disputas ideológicas em curso no país. A ascensão de D. Raymundo Damasceno, segundo D. Waldir, foi uma forma de conter o avanço da ultradireita, após uma negociação entre os setores progressistas e a centro-direita religiosa.


– A tentativa de setores da Igreja de estabelecer a hegemonia de São Paulo sobre o país incomodava o Nordeste e boa parcela de religiosos de Norte a Sul do Brasil, o que colocou de um lado o cardeal paulistano e, de outro, os representantes das demais dioceses, representados por outro cardeal, D. Damasceno. Embora o atual presidente da CNBB seja de uma linha bastante moderada da Igreja, não se compara ao grupo de bispos que fez aquela besteira (o panfleto) contra o aborto, ainda na campanha eleitoral – avaliou.

***

Deduzo que, por estar contido entre travessões, o segundo parágrafo todo seja fala de Dom Waldyr.
O tal panfleto que Dom Waldyr, assumindo ser sua a fala, afirma ser uma besteira foi o mesmo produzido pelo corajoso bispo de Guarulhos contra a então candidata e hoje presidentA Dilma.

Vemos como há uma diferença grotesca entre a qualidade do nosso episcopado tupinniquim e o norte-americano, por exemplo, que hoje luta ferozmente contra o aborto patrocinado pelo governo. A atitude de Dom Waldyr, qualificando como "besteira" a luta de Dom Bergonzini para impedir a ascensão de uma defensora do aborto é lamentável, para dizer o mínimo.

Enquanto nos EUA um cardeal reza pelas vítimas do aborto em frente a um centro de aborto internacional, no Brasil, para o nosso eterno desgosto, alguns bispos pensam (certamente o pensamento de Dom Waldyr é o mesmo de muitos prelados da CNBB, como demonstrou a rápida contra-reação da Conferência durante o episódio do panfleto na campanha presidencial) que alertar o povo dos perigos de uma candidata que pretende legalizar a morte de inocentes é uma besteira!

O papel do bispo é supervisionar, vigiar o povo de Deus a ele confiado pelo sucessor de Pedro. Infelizmente nossos bispos estão ocupados demais com seus acordos espúrios nos bastidores das conferências.

Parece que nossos bispos têm a defesa da vida apenas de modo ligth, apenas nos lábios. Lamentável.

É difícil, mas não impossível, acreditar que um bispo tenha dito isso. Mas é o que o CdB afirma. O modo como Dom Waldyr "avalia" o contexto todo é bem típico dos políticos do Congresso, das ratazanas de Brasília.

Dom Waldyr é um daqueles bispos eméritos que, como bem escreveu Pe. Clécio, não quer perder o controle sobre a CNBB. É de uma facção da TL que desgraçou a Igreja brasileira por anos e, agora, vê o seu trabalho de uma vida indo pelo ralo. Contudo, ainda sim era de se esperar um pouco mais de cristianismo da sua parte um tema tão fundamental quanto a defesa da vida.

Por favor, peço aos leitores que não percam tempo enviando mensagens do tipo "ah, você pode discordar dele, mas ele ainda é bispo e merece respeito" ou outras balelas do tipo. É pelo nosso "respeito" que isso ainda acontece no país.

O que espero sinceramente é que Dom Waldyr não tenha realmente se pronunciado dessa forma tão abjeta.

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Dom Waldyr

Biografia

Filho de Modesto e Maria Novaes, Dom Waldyr nasceu na cidade Murici, no estado de Alagoas, em 29 de julho de 1923, onde residiu até os treze anos de idade. Foi ordenado sacerdote aos 25 de julho de 1948, formou-se em teologia no Seminário de São José, na cidade do Rio de Janeiro, onde exerceu o sacerdócio até 25 de fevereiro de 1964, quando o Papa Paulo VI o nomeou bispo titular de Mulia e auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Foi ordenado bispo pelo Cardeal Jaime de Barros Câmara no dia 1 de maio de 1964 e escolheu como lema de vida episcopal: AMEN, ALELUIA!. Em 20 de outubro de 1966 foi nomeado bispo da Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda. Já no dia 8 de dezembro do mesmo ano, a diocese o recebia como o seu 5º Bispo Diocesano.

Ficou conhecido por seu engajamento nas lutas sociais em favor dos menos favorecidos, como o movimento dos posseiros e o movimento sindical, Dom Waldyr jamais negou abrigo e apoio a todos os perseguidos políticos que buscaram sua ajuda. Lutou desde sempre pelos direitos dos trabalhadores e de todos os segmentos oprimidos da população brasileira, estendendo o seu apoio também às lutas de outros povos pela liberdade e pelo fim da exploração econômica da força de trabalho.

Dom Waldyr teve atuação marcante no triste episódio do dia 9 de novembro de 1988, quando as tropas do Exército invadiram a Companhia Siderúrgica Nacional, matando três operários e deixando outros 40 feridos.

Foi condecorado em novembro de 1999 com a Medalha Tiradentes pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. No dia 17 de novembro de 1999 o Papa João Paulo II aceitou a sua renúncia por limite de idade.

No dia 21 de novembro de 2007 foi homenageado com a Medalha Mérito Legislativo pela Câmara dos Deputados, em Brasília.

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Vídeo onde Dom Waldyr enaltece um dos patriarcas da Heresia da Libertação, Jose Comblin, falecido recentemente.

sábado, 14 de maio de 2011

Golpe anglicano nos anglo-católicos

Rev. Jonathan Barker e o Arcebispo de Cantuária, Dr Rowan Williams
Como reportamos aqui, o Arcebispo anglicano da Cantuária escolheu os sucessores dos ex-bispos anglicanos que se converteram ao catolicismo.

O arcebispo parecia dar uma chance para que os anglo-católicos que não querem aderir ao catolicismo permaneçam na comunhão anglicana. A função dos chamados "bispos-volantes" é pastorear o povo anglicano que se opõe a ordenação de mulheres.

Contudo...

Circulou recentemente que um dos nomeados, o sucessor de Mons. Andrew Burham como bispo de Ebbsfleet, é também um maçom de alto nível. Os rumores foram confirmados pelo próprio reverendo.

O reverendo disse na sexta-feira: "Por muitos anos tenho sido um membro ativo e eu continuo a ser um membro. Isso foi discutido com Rowan [arcebispo da Cantuária], mas não causou nenhum problema para mim em nenhuma fase do meu ministério e que não irá causar um problema agora. ".

Segundo informa o Telegraph, o Arcebispo da Cantuária demonstrou em várias ocasiões que a maçonaria e o cristianismo são incompatíveis entre si e se recusou, quando assumiu a missão de líder espiritual do anglicanismo, a promover clérigos que pertenciam à maçonaria.

O reverendo Jonathan, segundo informações do periódico, renunciou a sua filiação à maçonaria na sexta-feira última, mas estava feliz por ter sido apontado bispo mesmo pertencendo à maçonaria e que não acreditava que pertencer a esta sociedade secreta era algo incompátivel com a fé cristã. Rev. Jonathan afirmou que estava deixando a maçonaria porque os compromissos assumidos como bispo ocupariam mais o seu tempo.

Vários setores evangélicos tradicionais demonstraram perplexidade que com a notícia da nomeação de um alto maçom para a diocese de Ebbsfleet.

Infelizmente Mons Andrew Burham se queimou de graça nesta, pois foi um dos primeiros a cumprimentar o neo-eleito publicamente.

(Novo)Ecumenismo de Bento XVI

Cardeal Koch fala no Congresso sobre Summorum Pontificum

O antigo presidente do Conselho para a Unidade dos Cristãos não era um amigo do mundo dito tradicionalista, mas parece que seu sucessor, cardeal Kurt Koch consegue andar por esse mundo com uma desenvoltura digna de atenção. Isso mostra que há em Roma uma nova postura sobre o movimento ecumênico.

O cardeal Koch foi um dos palestrantes no encontro sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum em Roma que está acontecendo bem no momento mais importante do ano para aqueles que amam a liturgia antiga.

Na sua intervenção, ao lado de prelados já conhecidos como os cardeais Burke e Cañizares, o cardeal Koch chamou atenção pela notável compreensão sobre a hermenêutica da continuidade e sobre a linha de ruptura adota pela Igreja em alguns âmbitos.

Dom Koch afirma que Summorum Pontificum promoveu, de fato, um ecumenismo "intra-católico", ou seja, dentro da Igreja. Tal afirmação não é desmedida, porque muitos católicos eram vistos como uma outra classe de católicos, sobretudo pelos prelados aggionardos pela hermenêutica da ruptura.

O texto será publicado no L'Osservatore Romano, algo muito impressionante considerando o histórico recente do jornal do Papa. Em breve alguém com um conhecimento um pouco melhor da língua italiana poderá publicar a tradução completa da intervenção do cardeal.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

GAFCON sobre o Ordinariato

A GAFCON, grupo que reúne os anglicanos conservadores e de linha evangélica da comunhão anglicana, emitiu um comunicado onde se destaca uma breve menção ao Ordinariato católico.

Notamos os esforços da Igreja Católica Romana em oferecer apoio aqueles fiéis e clérigos anglicanos que se encontram alienados pelas recentes ações na Comunhão [Anglicana]. Acreditamos que a provisão para um Ordinariato Anglicano é um dom gracioso mas triste que demonstra que nossa própria comunhão falhou em fazer provisões adequadas para aqueles que conservam uma visão mais tradicional da fé. Permanecemos convencidos que dentro das Províncias que representamos [as mais conservadoras] há meios criativos para apoiarmos aqueles que foram alienados para que eles permaneçam na família anglicana.

A comunhão anglicana encontra-se fundamentalmente balançada, com seu centro de comunhão - a Cantuária - sendo movido para o sul do planeta, para o que eles chama de "Cone-Sul ou Sul-Global" onde estão as províncias mais conservadores, sobretudo na África.

A última reunião de Lambeth - reunião que acontece a cada 10 anos - foi um fiasco em termos de ortodoxia. Vários prelados anglicanos do Cone-sul  boicotaram o evento, representando 2/3 da comunhão em ausências.

O grande problema é a província dos EUA (+Canadá) que se recusa a obedecer as normas estabelecidas pela comunhão e segue com sua agenda liberal. Em 2003, após a sagração de um bispo abertamente homossexual, a província norte-americana foi censurada pelos demais primazes e se comprometeu, por escrito, a não mais abençoar uniões homossexuais e sagrar bispos gays. Em 2010, contudo, esnobando o acordo feito, sagrou uma bispA lésbica.

A situação é bem parecida com a nossa, do tipo CNBB versus Papa (+Cúria, +2000 anos de Tradição, +Evangelhos). Após vários decretos publicados o que vemos no Brasil? Desrespeito. O acordo anglicano de Windsor, onde se censurava a província americana, foi tão obedecido quanto Summorum Pontificum no Brasil, daí vocês podem imaginar o tamanho da frustração dos bispos anglicanos conservadores.

Uma nova reunião da GAFCON foi marcada para 2013 onde provavelmente, após a aprovação de fato das bispAs na Igreja da Inglaterra, se consolidará a liderança africana em detrimento da européia e o ethos anglicano deixará de vez a histórica igreja inglesa.

Parabéns ao Cardeal Burke


Como eu já havia relatado aqui, o cardeal Prefeito da Signatura Apostólica, Dom Raymond Leo Burke, rezou em frente a uma das maiores empresas (!) do aborto do mundo, a internacional Planned Parenthood.

O momento de oração se deu sem maiores problemas. Não houve "embate" com os abortistas que, dessa vez, fizeram ouvidos surdos e não reagiram. Penso que eles ouviram muito bem as orações piedosas e os rosários do Cardeal e das pessoas ali reunidas, mas preferiram não mexer com um Ministro do Vaticano por medo da repercussão negativa que isso teria justamente agora, nos EUA, onde eles tentam passar a imagem de "aborto paz e amor" para impedir que o governo corte o financiamento público do assassinato de inocentes.

De qualquer forma, ouvindo ou não, a demonstração do cardeal foi inspiradora, como já esperávamos. Parabéns! Aliás, parabéns é muito pouco para o cardeal nesse momento realmente histórico da luta pela vida.
O gesto humilde de Dom Burke e das pessoas que o acompanharam é tão profundo de significado que tentar mensurá-lo com palavras é injusto.

É essa a atitude fundamental de um pastor que o povo católico precisa ver e ouvir. É essa coragem apostólica que falta para os católicos, muitos bispos inclusive, para uma defesa da vida. A defesa da vida não pode ficar contida em cartazes e documentos de estudo, mas deve, antes de tudo, ir às ruas e penetrar nos corações.
De longe Dom Burke é o melhor e mais corajoso cardeal do colégio. Dom Burke para Papa!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Bispo Ressuscita o Diabo e o Manda pro Inferno



Ele estava aposentado ou quem sabe tinha tirado algumas férias? Ninguém sabe... O que sabemos mesmo é que o tinhoso parece ter sumido das pregações. Não se fala mais nele, não se combate sua influência.
Mas parece que um bispo resolveu mudar essa realidade e decidiu não dar trégua para aquele leva muitas almas para o inferno e recomendou aos seus padres e fiéis que, após o encerramento da liturgia da missa, rezem a oração de S. Miguel... aquela oração que num passado tão distante fazia parte do costume piedoso do povo e que, por algum motivo insondável, os experts em liturgia haviam removido sem dó nem piedade.
A oração composta por Leão XIII volta a fazer parte do costume dos cidadãos católicos de...de...de...??? Springfield (a terra dos Simpsons), nos EUA é claro. Se você pensou que era no Brasil, francamente você não deve acompanhar este blog...
O bispo distribuiu várias cópias dessa oração  as paróquias da diocese e afirmou que uma das maiores armas de Satanás e nos convencer da sua inexistência. Belas, sábias e católicas palavras.
Rezemos nós essa oração, em comunhão com os católicos que, por Graça de Deus, estão sob a mitra de Dom Paprocki!
São Miguel Arcanjo, rogai também pelos filhos da CNBB!

domingo, 8 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Detalhes de uma consagração episcopal (Russa)

Nesta semana o Patriarca Kirill (ou Cirilo, na versão aportuguesada) de Moscou, Igreja Ortodoxa Russa, consagrou (eles não usam o termo "ordenou") um novo bispo.
Como a Igreja Ortodoxa Russa é sinodal, ou seja, todas as decisões são tomadas pelo Sínodo, a consagração de um novo bispo é também uma decisão tomada em conjunto. Isso explica a presença maciça de bispos e metropolitas durante a consagração da cada um dos novos bispos. Explica também o costume do Patriarca, cabeça do Sínodo, ser sempre ou quase sempre o consagrante principal.
Infelizmente o site da IOR não deixou muitas fotos disponíveis, mas as que coloquei abaixo são interessantes e ofereço um breve comentário.

O bispo eleito. Reparem que ele usa mitra, provavelmente por direito concedido pelo Sínodo. Os arquimandritas, equivalente ao nosso Monsenhor, usam cruz peitoral e, em alguns casos, mitra.

Como já escrevi anteriormente, os ortodoxos não usam a mesma lógica nas cores que nós, latinos. O Patriarca está parementado de vermelho, cor litúrgica da páscoa, assim como todos os outros clérigos presentes. O bispo eleito está de branco, mas poderia estar usando amarelo ou outra cor.

Aqui ele já se encontra paramentado como bispo, com seu omophoriom (parecido com o pallium) e com a mitra com uma cruz, característica da mitra episcopal. Os ortodoxos têm dois tipos de mitra, a episcopal encimada por uma cruz e a sacerdotal, sem cruz.

Aqui o Patriarca cercado pelo clero e por um diácono.

Novos bispos volantes para a Church of England



Após a renúncia dos bispos anglicanos de Richborough e Ebbsfleet, que se uniram ao Ordinariato Católico criado pelo Papa Bento XVI, o arcebispo anglicano da Cantuária, Dr. Rowan Williams, apontou seus sucessores.

Dr. Williams precisou enfrentar uma forte resistência para os novos bispos. Isso porque as dioceses de Richborough e Ebbsfleet não são dioceses anglicanas no sentido "ordinário" da palavra. São dioceses sem território concreto, que englobam todas as paróquias da província da Cantuária que são contrárias à ordenação de mulheres em qualquer nível - diaconal, presbiteral, muito menos episcopal.

A Igreja da Inglaterra vem se aproximando cada vez mais da possibilidade do episcopado feminino e muitos dos seus mais intrépidos opositores, percebendo a inviabilidade da resistência, se uniram ao Ordinariato católico romano.

Na verdade a autorização para mulheres bispos já foi aprovada e agora precisa ser, digamos, sancionada pelo colégio de bispos da Inglaterra. Isso deveria ter acontecido há alguns meses, mas as lideranças anglicanas decidiram esperar o mês de julho próximo para tentar reverter, através de algum sinal de esperança, a sangria de fiéis tradicionalistas para o catolicismo.

Contudo muitos anglicanos perceberam que uma provisão para os tradicionalistas anglicanos é impossível. Por vários motivos; primeiro porque a proposta de manter novas dioceses "especiais" para anglicanos que não aceitam a liderança das bispas foi rejeitado pelo Sínodo da Inglaterra. Segundo, porque seria criar uma igreja dentro da igreja e romper com a própria identidade anglicana.

Após o anúncio dos sucessores dos bispos de Richborough e Ebbsfleet, um grupo ligado ao direito das mulheres ao episcopado lamentou a decisão de dar continuidade ao projeto das dioceses "voadoras", como eles chamam. Lamentaram que a continuidade desse ministério episcopal pode atravancar o processo de equiparação da autoridade entre bispos e bispas, tornando as preladas inferiores aos prelados.

Monsenhor Andrew Burnham, agora sacerdote católico e por anos bispo anglicano de Ebbsfleet, congratulou oficialmente o cônego Jonatham Barker como novo bispo dessa diocese.

Os bispos volantes são tidos como auxiliares da Cantúaria e sua nomeação não precisa ser aprovada pelo Sínodo da Inglaterra, contudo os dois novos bispos foram aprovados pelo Premiê britânico e pela Rainha Elizabeth II.

Mais diáconos para o Ordinariato

Ontem (06/05) e na última quarta-feira novos diáconos foram ordenados a pedido do Ordinário do Ordinariato inglês de NSª de Walsingham para ex-anglicanos convertidos ao catolicismo.

6 diáconos ordenados pelo bispo de Plymouth.





Ordenações em Kensington, pelo bispo-auxíliar de Westminter, Dom Alan Hopes







Todas as fotos são do Flickr do Ordinariato.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Novas mentalidades na liturgia tupiniquim

49ªAG: Bispo de Bragança Paulista fala sobre a revisão do Missal Romano

POR: CNBB

Dom Sérgio Aparecido Colombo, bispo de Bragança Paulista (SP), e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, falou, hoje, 6, na Coletiva de Imprensa da 49ª Assembleia Geral da CNBB, sobre assuntos ligados a liturgia, destacando a revisão que está sendo feita do Missal Romano.

“O Missal Romano é o livro por excelência, ao lado do Lecionário, que contém todas as orações e celebrações da eucaristia. Então estamos revisando todo o Missal Romano, os bispo estão aos poucos lendo e fazendo suas considerações, depois enviamos a Roma, para a Santa Sé, para que ela faça então a aprovação final e passe a ser vigorado esse novo Missal”, disse dom Sérgio.

O bispo de Bragança Paulista destacou também as celebrações dos 50 anos do Concílio Vaticano II. Segundo ele, está sendo preparado um seminário para o próximo ano que marcará a data.

Dom Sérgio destacou ainda o trabalho feito pela Comissão de Liturgia da CNBB que está desenvolvendo um subsídio que versa sobre os espaços litúrgicos contemporâneos. “Para facilitar o mistério, a equipe da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia está elaborando um subsídio que fala dos espaços ideais para os templos de hoje, do nosso tempo. Templos que favoreçam o encontro pessoal com Jesus Cristo, de acordo com as novas mentalidades e a nova realidade”.

As celebrações dos 50 anos do Concílio Vaticano II também foi destaque na fala do bispo. Segundo ele, está se preparando um seminário nacional que estudará o documento Sacrosanctum Concilium. “O Concílio Vaticano II, foi um evento que mudou os rumos da nossa Igreja, então estamos preparando um grande seminário sobre o documento Sacrosanctum Concilium, que deu um novo horizonte para a celebração do mistério de Cristo na Igreja a partir do tempo. Documento este que influenciou depois um grande documento que fala da própria Igreja, a Lumen Gentium e também a constituição Dei Verbum, sobre a Palavra de Deus. Então está havendo todo um trabalho de estudo e conhecimento sobre esses documentos.

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O que será que vem por aí? O que nós podemos tentar entender por "templos que favoreçam o encontro pessoal com Jesus Cristo, de acordo com as novas mentalidades e a nova realidade". Tremo só de pensar.
Sinceramente eu pensei que a única mentalidade disponível para guiar a construção de um templo católico era a de louvar a Deus no melhor local possível. Vai ver estou defasado, essa ideia virou coisa do passado.
A nova edição do missal ordinário será produzida com uma ausência de velocidade e urgência nunca antes vista na história desse país.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Foto do Dia - Os santos que o Brasil quer produzir

Bispos brasileiros reunidos em Aparecida aplaudem a notícia que começou o processo para transformar o finado arcebispo de Mariana, Dom Luciano Mendes de Almeida, em santo. O atual arcebispo e pontífice da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, pediu aos bispos que assinem a petição de beatificação que será encaminhada ao Vaticano. Aposto que vai pra mesma gaveta onde repousa o processo de Dom Oscar Romero. A experiência de ter um pedido formal ignorado pela autoridade competente será interessante para a maioria desses bispos que são PhD em ignorar as listas de pedidos para aplicação do Motu Proprio SP.

Mudanças em LA

Quando o Papa Bento XVI nomeou, no ano passado, Dom José Gomez como coadjutor em Los Angeles ele não estava brincando com a "guinada" que daria na maior e mais importante arquidiocese dos EUA.
Quando Dom Gomez assumiu efetivamente o comando em LA, em fevereiro último, ele afirmou que daria continuidade ao que o Cardeal Mahony - figura arquetipica do progressismo católico - estava fazendo há mais de 20 anos. Bom, não foi bem assim, graças ao bom Deus! E ninguém acreditou que seria mesmo...
Primeiro gesto concreto aconteceu agora em maio, com Dom Gomez se negando a comparecer a um evento organizado por progressistas pró-tudo: pró-casamento gay, pró-aborto, pró-isso, pró-aquilo.
A passeata que, nos tempos de comando do cardeal Mahony, aglomerava quase 100 mil pessoas, nos tempos da continuidade de Dom Gomez reuniu alguns poucos gatos pingados.
Dom Gomez nem se preocupou em fazer representar, simplesmente ignorou o evento.
Parabéns ao novo arcebispo de Los Angeles. É desse tipo de continuidade que todos nós precisamos!

Fase I do Ordinariato - Diáconos em massa

Após a recepção de mais de 900 fiéis, o Ordinariato começa a formar seu clero com a ordenação dos ex-pastores anglicanos que manifestaram o desejo de exercer o sacerdócio dentro da Igreja Católica.
Mais diáconos foram ordenados ontem, em Arundel, a pedido do Ordinário Mons Keith Newton. As fotos estão aqui e aqui.



terça-feira, 3 de maio de 2011

Foto do Dia

Sacerdote durante uma vigília de oração pela Beatificação de João Paulo II

Apesar da "leve" distorção nas mãos (que ficaram exageradas, quase maiores que a cabeça) a foto é muito boa. O que será que o jovem padre lê? O breviário ou a liturgia das horas? Vai saber...
A foto com esse céu denso tem uma boa composição.
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