segunda-feira, 21 de julho de 2014

Oração pela paz...ou talvez nem tanto.



Imediatamente depois da sua viagem à Terra Santa, realizada de 24 a 26 de maio, o Papa Francisco fez um convite aos respectivos chefes de governo de Israel e da tal "autoridade" Palestina. O convite incluía uma recepção do Papa aos líderes no Vaticano e uma oração pela paz na Terra Santa. Constrangidos e pegos de surpresa pelo pontífice estranho aos protocolos mais elementares de uma visita de Estado, os dois aceitaram.

Francisco já realizou algo semelhante antes, com uma convocação de orações pela paz na Síria, em 2013, na iminência de uma invasão do país que se encontra mergulhado numa guerra civil entre o governo de Bashar  al-Assad e insurgentes fundamentalistas islâmicos - o que torna muito difícil intuir quem é o mocinho, se é que há algum, nesse conflito. A oração de paz pela Síria foi uma das (poucas) boas iniciativas deste pontificado e parece ter surtido algum efeito, refreando os EUA de uma invasão direta no país.

Mas a recepção no Vaticano foi diferente. Foi um evento inter-religioso, marcado por orações de judeus e muçulmanos a poucos metros da Basílica de São Pedro, construída sobre o túmulo do príncipe dos Apóstolos que foi martirizado em Roma por pregar que somente Jesus Cristo era o caminho, a verdade e a vida. É verdade, São Pedro não era muito dado ao diálogo... se vivo estivesse, seria enclausurado e investigado pelo Fr. Volpi.

Segundo as palavras do próprio Papa argentino, "aqui no Vaticano, 99% afirmaram que não deveríamos fazê-lo, mas depois esse 1% começou a crescer". Ou seja, a Cúria romana (=Vaticano) se posicionou, pelo menos num primeiro momento, de forma contrária aos intentos do Papa. Seguramente as palavras do pontífice ao periódico espanhol "La Vanguardia" servem apenas para demonstrar o apreço do papa reinante pela opinião da cúria e destacar "quem é que manda" no enclave pontifício.

Mas não é que a Cúria tinha razão...!

Diferentemente do que aconteceu com as orações pela Síria, o Vaticano passou por maus bocados - mais um! - ao ver em seus jardins um imã (sacerdote do islão) pedindo ao seu deus "Alá" a vitória sobre os infiéis, leia-se os judeus, cristãos e todos aqueles que não são muçulmanos.

Cada líder religioso realizou alguma oração e leitura dos seus respectivos textos sagrados. O problema foi quando o imã, ao concluir a sua oração, recitou trechos da sura (versículo do Al Corão) número 2 que pedia que Alá garantisse a vitória (dos muçulmanos) sobre os infiéis.

A rádio Vaticano e os organismos de telecomunicações católicos minimizaram, afirmando que o imã não tinha recitado a Sura 2. Chegaram a editar o vídeo, mas que quando comparado com o vídeo integral da cerimônia, mostra claramente que houve a abdução de um trecho das palavras do religioso, que seriam a tal da Sura 2. A rádio Vaticano contou com a ignorância maciça dos presentes sobre a língua árabe. Entretanto ontem, como bem notou o sacerdote americano John Zuhlsdorf, fazendo eco ao publicado no Il Giornale, se confirmou que o imã realmente proferiu as palavras.

Depois dos jardins, o terror!

Parece que as orações feitas nos jardins do Vaticano não foram ouvidas. Pelo contrário, um acordo mais ou menos formal entre palestinos e israelenses foi imediatamente rompido e um novo conflito foi deflagrado na região. O que se seguiu às orações à Alá nos jardins vaticanos foi exatamente o inverso do que vimos no caso da Síria e o novo conflito parece que será muito pior do que já vimos em tempos recentes, sobretudo pelos nervos à flor da pele no cenário internacional com problemas na Ucrânia e na Rússia, a Coréia do Norte que ainda não sossegou, o Iraque em plena tomada islâmica, etc. Enfim, um cenário muito complicado.

Ter a humildade para ouvir

Como o papa falou, em entrevista, a Cúria foi contra, unanimemente contra. Nem para afirmar que o céu é azul a Cúria conta com 99% de adesão. Qualquer papa anterior respeitaria a opinião da Cúria, já que como dito a unidade de opiniões dentro dos corredores vaticanos é muito rara.

A humildade verdadeira escuta, respeita a opinião, mesmo daquela que vem de baixo, hierarquicamente falando. Mas Francisco decidiu escutar unicamente a sua própria opinião, como vem fazendo desde sempre com "muito" sucesso, enfatize-se. "às favas com a Cúria!", o que poderia dar errado, não é mesmo?

E o que resta?

Agora temos um papa que, sozinho no balção do apartamento apostólico, lança um "apelo a continuar a rezar com insistência pela paz na Terra Santa à luz dos trágicos eventos dos últimos dias".

Sozinho... como deveria ter feito desde o começo.

2 comentários:

Grupo Santo Agostinho disse...

Prezados senhores,

PAX!

Nós solicitamos aos senhores a divulgação, por favor, do nosso grupo de apoio. Trata-se de uma iniciativa para auxiliar na libertação de católicos viciados em pornografia. Tal pecado tornou-se epidêmico em nossa sociedade, por todo o mundo. Basta uma simples conversa com um católico, com um sacerdote — claro, sem que ele rompa o segredo da Confissão — para se ter uma ideia do quão extenso e do quão grave tornou-se o vício à pornografia, especialmente via internet.

Estejam à vontade para ler o nosso material. Tudo é baseado em fontes de excelente procedência, de fundamento acadêmico e científico. Ao ler os links à esquerda, em formato de retângulos, os senhores terão uma melhor noção do que se trata o “Grupo Santo Agostinho”, que se reunirá, se Deus quiser, e debaixo do Manto de Maria, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Agradecemos aos senhores por tudo.

http://gruposagostinho.blogspot.com.br

Atenciosamente,
Anônimo

Duddu Pontes disse...

Acho que o ato do Papa pode ser interpretado de outra maneira...
Creio que ele tenha tido a melhor das intenções, além de, aos olhos do mundo, colocar uma pressão sobre os chefes de estado para que mantivessem os acordos de paz firmados...infelizmente não funcionou!

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