quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Editorial da FSSPX Brasil. Fazer o que, então?

Desmentindo a polêmica de uma possível contradição entre os padres da FSSPX

editorial de fsspx.com.br

Há pouco tempo surgiu uma polêmica, retransmitida pelo blog Fratres in Unum, pretendendo com leviandade que haveria na FSSPX padres que poderiam estar em contradição. Em suma diz respeito ao fato de que depois do combate da Fraternidade pela libertação da Missa Tradicional, houve reação na mesma FSSPX contra o fato dos fieis da Tradição assistirem às Missas celebradas pelas comunidades ligadas à Ecclesia Dei. Será que isso constituir-se-ia numa contradição interna da Fraternidade?

Lutar pela libertação da Missa tradicional não significa recomendar qualquer modo ou qualquer quadro em que ela seja celebrada. Não permitir que os fiéis da tradição assistam a Missas da Administração de Dom Rifan ou da Fraternidade São Pedro etc., condiz com a preocupação de defender a Missa na sua verdade autêntica que é a Tradição como regra de fé . Alegrar-se de que os modernistas de boa vontade conheçam a Missa Tradicional liberalizada não significa recomendar o fato de assistir a Missa em qualquer Fraternidade ou Administração que, doravante, apenas defende a Tradição como opinião, como uma opção, ou carisma particular.

É louvável a libertação da Missa Tridentina e é verdade que sua difusão ofuscaria com o tempo a mentira da Missa Moderna, da mesma forma que diante da Verdade qualquer mentira desfalece. No entanto há sempre falsos profetas que desviam a boa vontade das pessoas interessadas na Santa Missa Tradicional. O golpe modernista atual condiz em oferecer uma tradição reduzida a uma opção, uma livre escolha coexistindo pacificamente com o erro do modernismo. É exatamente isso o que queria o cardeal Castrillón Hoyos e o que faz a Ecclesia Dei e os bispos das dioceses em que hoje se podem assistir a Missas Tridentinas. Dessa maneira, o modernismo ficou ileso (como exemplo já não se protesta mais contra a nova missa e os erros do Vaticano II), coexistindo com essa falsa tradição.

Ora, a Tradição não é uma opção, assim como a Escritura Santa também não o é. Tudo na Igreja Católica deve estar em conformidade com a Tradição, como diz o § 2 do Motu Proprio Summorum Pontificum. A Tradição deve ser uma regra inegociável. Aqui entra o problema daqueles que negociaram a própria Tradição: falamos daquelas comunidades ligadas à Ecclesia Dei, que assumiram ao menos uma coexistência pacífica com o modernismo (não protestando contra ele) passando do justificar os erros até a aceitação dos mesmos.

Essa gradação pode ser expressa na seguinte ordem:

1 – não protestar
2 – justificar
3 – aceitar

*************

Ok. É bom que a FSSPX (Brasil) se manifeste sobre o assunto delicado.
Mas fiquei muito mais confuso. Então, pelo que está escrito acima, o Motu Proprio Summorum Pontificum não trouxe a missa tradicional de volta para os católicos diocesanos, mas a colocou numa espécie de bolha.
Você pode ficar feliz por ela estar ali (na sua paróquia, por exemplo), mas não pode chegar perto dela.
O que é isso? E essa situação coloca todos nós que queremos a missa e que, quando a temos, é celebrada pelo padre da nossa paróquia ou de outra qualquer numa situação de mentirosos ou esquizofrenicos.
Só podemos ter a missa tridentina dentro da fraternidade de S. Pio X, fora dela não há Tradição.
Não podemos ignorar que o que diz o editorial acima é essencialmente a verdade. A tradição está reduzida a uma simples opção. Mas antes nem opção nós tínhamos!
Ou será que a FSSPX pensou realmente que com a liberação da missa tradicional todos os padres diocesanos passassem, por mágica, a uma ortodoxia tridentina. E as afirmações acima nos fazem crer que não há na igreja católica padres comprometidos com a tradição. Que mentira!
Ele são minoria. São a esmagadora minoria, mas existem.
Por que a FSSPX pedia a liberdade para a missa se, na prática, ela acha que a missa só é boa dentro das paredes dos seus priorados e capelas? Não faz o menor sentido.
O Motu Proprio é um começo, as conversações com a FSSPX também fazem parte desse começo. Agora temos a notícia que um novo Motu Proprio viria dar mais poder ao Cardeal Canizares e a sua congregação para coibir abusos e reformar a reforma litúrgica. É um processo, e um processo que não é rápido.
Embora os católicos tradicionais fora da fraternidade não tenham esse pedigree todo, eles também tentam fazer o melhor que podem, tentam viver a sua vida de forma coerente com a fé de sempre. E com um "plus" a mais, eles não têm toda a estrutura da FSSPX. Eles experimentam a perseguição nas suas paróquias e vivem muitas frustrações, mas não param de lutar.
Na prática, os heróis somos nós!

8 comentários:

  1. Há notícias seguras de que há muitas aberrações nas missas: mulher tendo grande participação na liturgia, inclusive lendo!
    N se celebra como tem que ser!
    Em alguns lugares ir de véu saia/vestido é anormal. Sermões? Nada, parece um show de piadinha para FSSPX.

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  2. Há uma tradução do Eduardo Gregoriano, de autoria do padre Regis de Caqueray, publicada no site La porte Latine, onde o mesmo dirigindo-se aos fiéis da FSSPX, diz o seguinte:

    "Para ser completo sobre o assunto, é necessário citar essas outras missas de São Pio V celebradas sob os indultos sucessivos, depois, finalmente, sob o Motu Proprio. É verdade que desaconselhamos a vocês a freqüentação. Postos sob a dependência e sob a supervisão dos Bispos, os padres que a dizem, mesmo supondo que tenham consciência da gravidade dos erros propagados na Igreja há quarenta anos, não se arriscam a se opor a esses erros firmemente. Mais comumente exprimem sua escolha de celebrar a missa de São Pio V pelo motivo decepcionante de que esta se ajusta melhor à sua sensibilidade ou à de vários de seus fiéis.

    Claro, queremos encorajar esses padres no seu itinerário. Mas, até mesmo para os ajudar, não queremos que vocês se coloquem em circunstâncias perigosas em que, indo assistir a essas missas, arrisquem-se a si mesmos ou arrisquem seus filhos nessa corrosão às vezes insidiosa que provém das imprecisões na expressão da Fé, da licença persistente que se autoriza na liturgia e sobretudo, de silêncios e cumplicidades em presença das raízes do mal que existem no interior da Igreja. Sabemos com que facilidade se operam os deslizes doutrinais e como se introduzem, imperceptivelmente, as dúvidas e as contestações”.

    Do que entendi, a visão da FSSPX é primeiramente alertar os seus próprios fiéis acerca dos riscos de frequentar missas fora de seus priorados. E lógico, este alerta poderia servir muito bem aos católicos distantes da FSSPX, mas que, preocupados com a salvação de suas próprias almas, pudessem se dirigir a uma missa fora da FSSPX, ciente de que poderia haver algum perigo, a depender da orientação do celebrante.

    Trocando em miúdos: apesar de reconhecer a existência de ambientes irrepreensíveis fora de suas fileiras, lugares provavelmente raríssimos, pelo sim pelo não, a FSSPX pede prudência aos fiéis, que deveriam dar a ela a preferência, caso se encontrassem em um local onde a mesma estivesse presente, e onde ao mesmo tempo houvesse "concorrência" (como em São Paulo, por exemplo, onde há mais de uma missa). Entretanto, em lugares onde a mesma não se encontra, ela não proibe ninguém a ir, mas por outro lado não pode em consciência induzir os fiéis a frequentar o local, pois sabe-se lá que ambiente seria este, e se não haveria perigo dos fiéis, no dia-a-dia, esmorecerem.

    Em diversos lugares onde a FSSPX não chega, mas existe a missa e existem fiéis pró-FSSPX, os mesmos se dirigem à missa (tradicional) local, por falta de opção, mas sem grandes problemas, visto que conhecem bem a crise atual e se esforçam para não cairem em conformismo, apenas por terem uma missa. Aqui no Brasil há exemplos disto em Recife, por exemplo. Eu mesmo, apesar de não estar tão distante de um local amigo da FSSPX, dou preferência à mesma, mas não me furtaria a ajudar em tudo o que fosse possível para ter mais missas em minha cidade, rezadas por padres simplesmente desejosos, e que não tivessem vínculos com a FSSPX. Porque, para quem está afogado no modernismo, uma missa tradicional já é um oásis no deserto.
    Agora, se alguém quer iniciar uma vida católica séria e tradicional, eu faria de tudo para que ao menos fizesse um esforço inicial de ir à FSSPX para se fortalecer espiritualmente, pois, se mais à frente só dependesse da Missa Summorum Pontificum, ao menos não chegasse a ela sem nenhuma noção de certo ou errado. Até mesmo os padres, se eu pudesse, os levaria para frequentar um pouco um ambiente autenticamente católico (como é o da FSSPX e seus amigos), porque assim, quando os mesmos retornassem às suas paróquias e começassem a rezar a Missa de Sempre, espero que o fizessem ao menos com uma concepção um pouco mais católica e menos "pastoral"...

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  3. Devemos também nos precaver do perigo de ver na FSSPX a unica e verdadeira Igreja Católica. Um dos ardis mais comuns do demônio é injetar a soberba nos que defendem a Tradição e a verdadeira doutrina. Lembremos que no inicio Lutero jamais quis formar uma outra Igreja. Apenas denunciar os abusos com a venda das indulgências; depois levado mais e mais pela soberba e a crença de que estava do lado certo fez o que fez e resultado permanece até hoje. Milhares e milhares de seitas surgidas da intenção, no inicio reta, da frade Lutero. O mesmo de seu com os Vetero-Católicos que em nome da mesma tradição recusaram como contrario a esta a infabilidade do papa promulgado ao final do Vaticano I. Hoje desligados da Igreja, da comunhão com Pedro ,estão pulverizados; ordenam qualquer um e até ouvi comentar que aceitam mulheres como padres, isto sim, contrario à tradição apostólica. Só muita oração e espírito de sincera humildade, no reconhecimento de que é o próprio Deus que conduz à Igreja, sejam quais fores as tempestades, nos fará livres da tentação da soberba.

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  4. A liberação da missa pode ter sido uma armadilha para os tradicionalistas, porque os padres que as celebram estão sempre chamando a atenção nas homilias contra a FSSPX, alertando para o pecado do cisma, chamando-os de protestantes, enfim, é um festival de calúnias de quem não reconhece que, não fosse pela luta de Mons. Lefebvre e tantos outros no mundo, a missa gregoriana (ou tridentina, ou como queiram) estaria morta e enterrada para sempre e a protestantização da Igreja poderia ser considerada um fato consumado e irreversível. Pode inclusive acontecer que a missa celebrada pelos padres da Ecclesia Dei seja um modo de sutilmente disseminarem o modernismo nas homilias entre os fiéis à tradição e minarem o movimento. Todo cuidado é pouco. Se realmente for assim, terá sido um golpe de mestre de Bento XVI contra a tradição: assimilação progressiva usando a pŕopria liturgia como cavalo de tróia...Mas a questão não é de liturgia somente, e desce à perda de Fé. Esses homens fizeram esses estragos porque já não criam, e Nossa Senhora veio a Fátima para alertar sobre essa catástrofe.

    Roberto

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  5. Parabéns, Danilo, por mais um post cheio de lucidez e bom senso que muitos "tradicionalistas", cegos de orgulho e prepotência, não tem. Essa gente, em nome da politicagem, quer fechar o Céu para que não caiam mais graças, pois se caírem fora da Fraternidade, não devem ser recebidas. Também muito bem feita a colocação do prof. Francisco Castro sobre a ação do demônio e o orgulho nos movimentos tradicionais.

    Sim, somos católicos tradicionais, lutamos pela Missa de S. Pio V, e temos a honra de apanhar da CNBB mesmo não pertencendo à FSSPX! Tudo pela Missa, com ou sem D. Lefebvre!

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  6. Essa postura da FSSPX é absurda, pois parece que fora da FSSPX não há salvação.
    Assisto a missa tridentina no Mosteiro de São Bento aqui em SP sem encargo de consciência!

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  7. A impressão que dá é que a FSSPX e seus seguidores são católicos de primeira classe. O resto da povalha são católicos menores, de segunda classe. São aqueles que não participam do sacrifício perfeito, realizado somente no limites daquela instituição. Isso me cheira a soberba das boas. Se assim fosse, Jesus teria mentido e abandonado sua Igreja. Isso não foi a promessa Dele. A promessa de Jesus é para a Igreja e não para qualquer congregação, ordem religiosa ou instituto religioso, os quais são, ao contrário da Igreja são dispensáveis à salvação.

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  8. Na FSSPX está o verdadeiro catolicismo.

    Raphael
    P.I.V.

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