sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mais um Bispo se levanta


Bispo Alexander Sample, 50, é o atual liturgo da diocese de Marquette e tem uma opinião muito diferente sobre os acontecimentos dos últimos 50 anos que alguns dos seus irmãos no episcopado julgam como um período de renovação e primavera na vida da Igreja.

Como bispo de Marquette, consagrado em 2006 com apenas 46 anos, Dom Sample terá ainda muito tempo pela frente. Inclusive é um dos jovens bispos que o Papa Bento XVI vem colocando no comando das dioceses, para criar uma verdadeira renovação na liderança católica.

Bispo Sample ensinando a fé católica
numa escola da sua diocese
Mas o que o faz tão especial assim? Bem, além da visão nada obstruída sobre os últimos 50 anos, Dom Sample é um reformador, no sentido ratzingeriano da palavra. Ele não teme desagradar, não tem medo de pressões dentro ou fora da Igreja. E também reza a forma extraordinária da liturgia romana, favorecendo um contato dos fiéis com este antigo uso.

Numa recente entrevista, que passou despercebida aqui no Brasil, Dom Sample responde a uma série de perguntas que outros bispos, no seu lugar, se sentiriam desconfortáveis. Mas, para aqueles que proclamam Jesus Cristo como Senhor, não há desconforto maior que o refúgio da mentira ou das meias verdades; é por isso que Dom Sample ganha nossos aplausos!

Eis alguns trechos, com destaques meus. Lembre-se que é um bispo falando, não um leigo tradicionalista que deve ser ignorado por completo pela autoridade diocesana local até que ele se queixe ao Vaticano. O texto integral pode ser conferido aqui.

Você descreveu a si mesmo como membro da "primeira geração perdida de uma catequese empobrecida", que "conduziu uma outra geração que é igualmente descatequizada." O que há de errado com a catequese e o que você tem feito para ajudar a resolver o problema?
Bispo Sample: A minha geração foi a primeira na esteira do Concílio Vaticano II. Embora eu certamente não culpe o Concílio, muita agitação ocorreu na Igreja como conseqüência. Culturalmente, a sociedade estava experimentando a revolução sexual, o movimento de libertação das mulheres e o movimento anti-guerra, entre outros. Havia um espírito anti-autoritário.
Neste momento de grande confusão, a catequese sofreu. Nós jogamos o Catecismo de Baltimore, mas não havia nada para substituí-lo. Me ensinaram a fé católica nas escolas, utilizando materiais que eram fracos e inconsistentes. Minha fé não me era ensinada. A liturgia sofria de experimentação também.
Quando eu falo sobre isso publicamente, invariavelmente, as pessoas da minha geraçãovêm até mim para concordar com o que estou dizendo. Isto inclui muitos bispos.
Minha geração conduziu a próxima geração. Uma vez que não aprendemos a fé, nós não a ensinamos às crianças também.
Precisamos de uma renovação da catequese. Eu me sinto apaixonado sobre isso. Na minha diocese de Marquette, eu dirigi o desenvolvimento de um currículo diocesano para a formação de fé para as classes K-8 (Ensino Fundamental, NdT). É um corrículo sólido, substancial, sistemático e sequencial, que se constrói de um ano para outro. É feito em tópicos, baseado nos pilares do catecismo. Todas as paróquias devem seguir este currículo.
Agora eu estou voltando minha atenção para a formação de fé em adultos. Se conseguirmos a catequese e liturgia de forma correta, vamos estar bem no nosso caminho para a renovação e crescimento da Igreja que esperamos.
Rezando a forma extraordinária
"Concordo com o Papa sobre a Reforma da Reforma"
Há uma contrarrevolução tomando forma no mundo católico. Talvez ainda seja muito tímida para que a grande massa perceba, mas certamente aqueles que observam a Igreja com grande atenção vêm percebendo as mudanças significativas nos últimos anos.

O grande dogma da "primavera da Igreja" vem abaixo sistematicamente. A cada dia novas opiniões evidenciam que o sucesso da reforma litúrgica - para ficarmos apenas nesse plano - é muito menor do que os grandes liturgos divulgavam. E também o fracasso da catequese, como consequência direta do cativeiro da liturgia. A fé não é ensinada, não é aprendida e não é transmitida, mesmo entre os padres e bispos.

Antes, afirmar tal coisa nos conduzia a um inevitável anátema. Hoje, contudo, são alguns bispos (Bispos Sample, Slatery, Scheneider, Müller), Cardeais (Burke, Cañizares, Ranjith,  Brandmüller, Bartolucci,)  e grandes teólogos, romanos ou não, que questionam alguns ou todos os supostos frutos dos últimos 50 anos.

Alguns ainda se apegam, ignorando por completo a realidade e os "sinais dos tempos", aos sucessos do Concílio. Se agarram ao enriquecimento da liturgia, à renovação positiva, o resgate de elementos do século II, a participação ativa a frutuosa, etc. Tudo isso vira pó quando colocado lado a lado com a apostasia que verificamos em todas - TODAS - as dioceses.

Estamos rezando para que cada vez mais bispos percebam que as flores murcharam. No jardim da Igreja há muito mais erva daninha que flores, há muito mais espinhos que frutos.

Parabéns ao bispo Alexander Sample! Que ele continue zelando pelo rebanho confiado a ele em Marquette e que seja um exemplo de bispo para todos aqueles que não o são.

3 comentários:

Anônimo disse...

http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2011/12/bispo-em-ms-proibe-participacao-de-integrantes-do-candomble-em-missa.html

Anônimo disse...

Tudo bem, está havendo uma contrarrevolução, que legal! Mas diga uma coisa, com sinceridade: hoje a Igreja esconde, nega e proíbe (sim, proíbe, se não de direito, mas de fato --a Missa Tridentina era proibida até há bem pouco tempo, e dizia-se que foi proibida pela vontade de um papa, que certamente tinha conhecimento disso e nada fez em sentido contrário, nem seus dois imediatos sucessores fizeram), hoje a Igreja esconde, nega e proíbe o que ensinava há cem anos. Daqui a cem anos a Igreja esconderá, negará e proibirá o que ensina hoje? Sim, porque hoje ela ensina muitas coisas por gestos (beijar o alcorão, por exemplo), por palavras (rezar a São João Batista que proteja o Islã, por exemplo), nas homilias dos bispos e padres do mundo inteiro que negam a existência do inferno, do diabo ou do pecado. É assim que funciona a Igreja infalível? Errou, joga de baixo do tapete, finge que nada aconteceu, diz à grande massa que o presente é continuidade do passado e inventa alguma teoria cerebrina para se justificar diante dos prosélitos que inquiram demais? Diga com sinceridade se é possível crer em uma Igreja assim? Se eu quisesse acreditar em mentiras e sofrer lavagem cerebral iria morar na Coréia do Norte...

Danilo Augusto disse...

Está corretíssimo Anônimo. Não é possível crer e, por isso mesmo, uma boa saída é enfileirar-se entre aqueles que, com fingido desespero, pranteiam o finado ditador norte-coreano. Pois onde finda a fé e a esperança, abunda o desespero!

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