quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Missa Afro - na minha diocese!

Estou tecendo alguns comentários e mostrando algumas fotos de missas (ou algo perto disso) celebradas durante a semana da Consciência Negra, no final do último mês de novembro.

Esta postagem, que conclui o assunto, mostra uma dessas "missas" celebradas em Santa Bárbara d'Oeste, uma das cidades que integram o território da minha diocese.

Primeiro eu gostaria de compartilhar como é a vida nesta diocese que, num passado remoto, abrigou dois grandes bispos, uma religiosa em processo de beatificação e vários monsenhores cuja autoridade espiritual era notória. Tudo isso faz parte do passado da Diocese de Piracicaba, que parece não fazer nem sombra no presente.

Após o Concílio, não sei se por culpa deste ou não, a diocese mergulhou numa profunda crise. O seminário diocesano ficou mais de 10 anos vazio. Isso mesmo, vazio! O que mostrava o impacto das modificações feitas na linha do "espírito do concílio". Acredito que Piracicaba foi uma das muitas dioceses do interior paulista onde esse espectro amórfico chamado de "espírito do concílio" fez das suas!

Como as fotos abaixo deixam claro, a arquitetura das igrejas se transformou. Poucas são as Igrejas (prédios) construídas nos últimos 30 anos que conservam o crucifixo próximo ao altar ou possuem imagens dos santos ou anjos. Tudo isso "já foi superado". As igrejas são hoje prédios amplos, com paredes nuas e um bloco sólido de pedra, que chamamos de altar.

Ser um católico, aqui em Piracicaba, é ser natural e inconscientemente progressista. Me perdoem o uso de um dos nossos famosos "rótulos" ou mesmo o simplismo da declaração. Mas é fato. E é empiricamente verificável, bastando perguntar a um católico "ativo" em sua comunidade quais são, por exemplo, os mandamentos da Igreja ou ainda, para piorar, pedir uma definição simples sobre a missa ou outro sacramento. Você obterá qualquer resposta, menos uma próxima do correto.

No campo litúrgico, através do jornal da diocese, de tudo um pouco já foi recomendado. Desde dança litúrgica até outras idiossincrasias. A exaltação do rito romano ordinário, "criativo", em detrimento da sua forma anterior, extraordinária, é comumente ressaltada nos veículos de informação sempre que há alguma notícia favorável no mundo tradicionalista.

Bom, agora vamos às fotos da missa afro rezada "com pompa e circunstância" na Paróquia NSa Aparecida, de Santa Bárbara.


















Reconheço que, comparada aos outros absurdos que mostrei durante esta semana, esta missa afro está bem light. Na minha paróquia, também NSa Aparecida, o rito foi apresentado com mais abusos.

Na verdade a missa afro, como mostrada aqui e em postagens anteriores, é uma missa fabricada por liturgistas com uma formação bem particular. O Cardeal Ratzinger os chamava de "liturgistas em crise", porque precisam mudar constantemente o rito, num total desapego ao sentido universal da sagrada liturgia e da sua natureza divina.

Na minha paróquia, quando fui surpreendido pela "missa afro" (como já disse, eu já sabia que teríamos uma missa dessas, mas havia me esquecido e só lembrei quando estava no portão da Igreja...), o comentarista fez a saudação inicial com um "Axé" a todos os presentes. E continuou sua saudação informando que "hoje a missa será celebrada no rito afro (...)".

Rito afro? Que Rito Afro? Sim, para os leigos "ordinários" da minha diocese, existe um Rito Afro. Desafio encontrar o missal deste tal rito afro!

Se o comentarista tivesse dito que a missa seria no rito maronita, melquita ou bizantino, então não haveria problema, porque estes são verdadeiros ritos da Igreja, formados não pela criatividade do povo, mas pela Igreja com a assistência do Espírito Santo.

Quem advoga pelo rito afro está contando, para usar uma expressão da Oprah Winnfrey, "a big fat lie", uma mentira grande e gorda! Não existe esse negócio de rito afro, caboclo, sertanejo, etc. O que existe são "big fat lies" contadas por "big fat liars".

E para justificar o rito afro, que normalmente é apresentado como plenamente católico, os liturgistas em crise usam todo tipo de argumento esdruxulo, falseando a história (dizendo que era assim que se celebrava na África), falseando a regulamentação litúrgica, falseando e invertendo o conceito de inculturação, etc.

O verdadeiro rito afro é este:


Abaixo algumas fotos das missas rezadas em território africano (forma ordinária e extraordinária). Será que os liturgistas em crise gostariam de celebrar este Rito Afro?











Um comentário:

  1. Foi-me informado - não sei se é verdade, mas não duvido que possa ser - que numa cidade vizinha da minha, na minha Diocese, o novo pároco decidiu, de iniciativa própria, celebrar a Missa Afro para que o povo a conhecesse! Os afro-descendentes frequentadores da paróquia em questão jamais haviam conhecido esse "rito" pois trata-se de uma invenção moderna. A pequena cidade também conta com a presença de algumas famílias sírio-libanesas, que desde sua chegada frequentam o rito romano da Igreja por falta de seus ritos originais, e nunca lhes fôra oferecido nada nesse sentido. Segundo a descrição de um amigo seminarista, o pároco vestiu paroquianas veteranas de mães-de-santo, um tanto aturdidas naqueles singulares trajes que jamais haviam usado. E seguiu a batucada.
    Se a desculpa para barrar a MISSA GREGORIANA-TRIDENTINA (que certamente aquelas senhoras "neo-raspadas" presenciaram) é um "não-enquadramento com a realidade do povo", por quê lhes oferecer uma opção ainda mais irreal?
    Aqui na minha cidade também se celebra a Semana da Consciência Negra. Graças a Deus não se canta Missa em honra disso. Os organizadores do evento por enquanto limitam-se a mostras de dança e artes plásticas...

    Pedro Pelogia

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